
Elogiado por Ana Maria pelo projeto "Cidade Limpa", que mexe com a rotina da cidade por exigir a alteração das fachadas de todo o comércio paulistano e reduziu a quantidade de placas e outdoors, o prefeito teve oportunidade ainda de responder as críticas sobre outra medida: o combate à "poluição sonora" nas feiras livres, ou seja, a proibição dos feirantes gritarem para atrair a clientela.
"Olha a melancia, dona Maria; olha a banana, dona Ana; moça bonita não paga mas também não leva!"

Feira muda e feirante na moda
Em vigor desde o dia 6 de abril, o decreto 48.172 do prefeito Gilberto Kassab (publicado em 6/3) impõe novas regras ao funcionamento das feiras. Uma delas, a mais polêmica, proíbe que os feirantes gritem ao oferecer seus produtos.
O decreto também estabelece mudanças em relação ao horário de funcionamento. As bancas devem ser montadas a partir das 6h, alterando uma rotina de quase 20 anos, quando os feirantes montavam suas barracas de madrugada, e devem funcionar das 7h30 às 13h30.
Os feirantes também serão obrigados a aposentar o jornal velho para embrulhar banana e peixe, além de vestir roupas e uniformes combinando a cor com o tipo de mercadoria vendida. O vendedor de ovos, por exemplo, terá o toldo da barraca listrado de amarelo e branco combinando com roupas amarelas. O tamanho das barracas também será de acordo com o produto. O pastel só poderá ser vendido em uma banca de 4 metros quadrados.
Veja o polêmico nono ítem do artigo 26 do decreto, que estabelece o que fica proibido ao feirante, e tente encontrar a suposta vírgula da discórdia:
IX - utilizar aparelhos sonoros durante o período de comercialização, bem como apregoar as mercadorias em volume de voz que cause incômodo aos usuários da feira e aos moradores do local;
Ou seja, apesar de não existir a tal vírgula mal colocada, ela motivará a republicação do decreto, no Diário Oficial que circula na próxima segunda-feira (com data de sábado). As novas regras valem para o funcionamento das 866 feiras livres cadastradas na cidade.