sexta-feira, 19 de julho de 2019

O meme que virou presidente se supera no #Olhar23



O governo de Jair Bolsonaro, o meme que virou presidente, é um fabricante incontrolável de asneiras. Desde o início do ano, o #Olhar23 se propõe a fazer uma sátira política da situação. Mas a realidade supera terrivelmente a nossa capacidade de expor essa gente ao ridículo. Como é possível alguém ainda se declarar bolsonarista?

Aqui tem tudo misturado neste resumo da semana do Bolsonaro: nepotismo, filé mignon, Marcos Mion, hambúrguer, churrasco, ovo, japonês, chinês, índio e americano. Não há limite para a insensatez, o despreparo e a falta de compostura. Não entendeu? Então assista.

quinta-feira, 18 de julho de 2019

Um #ProgramaDiferente com raio gourmetizador




Vivemos tempos insanos da gourmetização de tudo: da culinária, do vocabulário, do comportamento, da vida. O #ProgramaDiferente desta semana trata deste novo mundo gourmet. A moda começou com os programas de gastronomia, que hoje dominam a programação das TVs abertas e fechadas, além de fazerem a fama de influenciadores digitais. Parece que todo mundo virou expert em cozinha. Antigamente o Brasil tinha 120 milhões de técnicos de futebol. Hoje são 200 milhões de masterchefs. Assista.

terça-feira, 16 de julho de 2019

Trocamos o humor pelo terror no #Olhar23



Apresentamos mais um episódio do #Olhar23, o nosso olhar crítico, irônico e irreverente das sandices do bolsonarismo, esse fundo de poço atingido pela política brasileira. Mas, afinal, como fazer sátira de alguma coisa que no dia a dia é mais ridícula que qualquer piada? Nada é mais absurdo que a realidade paralela da família Bolsonaro.

Hoje repercutimos a indicação de Eduardo Bolsonaro para a Embaixada dos Estados Unidos, a sua incrível experiência fritando hambúrguer, para orgulho do papai Jair Bolsonaro e do titio Donald Trump, além da nossa expectativa pela nomeação de um ministro "terrivelmente evangélico" para o STF. Ou seja, trocamos o humor pelo horror. Assista.

segunda-feira, 15 de julho de 2019

Guerra Ideológica Virtual: O Massacre da Esquerda Elétrica pelos Zumbis da Direita Digital

Houve um tempo em que se declarar de esquerda ou centro-esquerda era quase uma obrigação para ser bem aceito no meio político e pela sociedade em geral. Quem, afinal, teria coragem de ser contra a luta pela redemocratização, pelo voto direto, pelo fim da censura, pela justiça social e pela garantia dos direitos básicos da cidadania?

A esquerda era jovem, questionadora, eletrizante. Era pop. Era top. Quem representava a renovação política, das ideias e dos costumes era declaradamente de esquerda. Por outro lado, pouca gente assumia ser de direita depois do ranço das duas décadas de ditadura militar. Conservadores e retrógrados foram para o armário. Sobraram alguns ícones ou personagens quase folclóricos, que ocupavam um nicho entre seus admiradores, mas eram rechaçados por grande parte da mídia e pelos formadores de opinião.

O primeiro baque histórico e bastante simbólico para a velha esquerda foi com a queda do Muro de Berlim. Ainda assim, o episódio teve um papel bastante didático, transformador e elucidativo para separar aqueles que defendiam ditaduras de esquerda de outros teóricos, militantes e ativistas que pregavam a refundação do pensamento socialista ou a afirmação de uma nova esquerda democrática.

Passou o tempo, ondas progressistas vieram dar na praia como novidade e refluíram no mundo todo. Ser tachado de esquerda virou ofensa grave, muito pior que xingar a mãe. O mundo analógico se tornou digital. As verdades da revolução industrial, da urbanização, da globalização, foram desconstruídas pela revolução tecnológica e pela descrença generalizada na política institucional e no exercício da democracia representativa.

A velha direita perdeu enfim a vergonha. Saiu do armário e das latrinas onde procriou sem grandes ideias e nenhum bom senso, mas com energia acumulada para confrontar os poderosos de plantão, as conquistas democráticas e os preceitos republicanos nessa nova ágora virtual. Vivemos este exato momento caótico, com os bárbaros armados (no sentido literal e figurado) de posts, stories, memes, tweets e fake news assassinando reputações e destroçando quem ousa pensar.

Veja que não é necessário nem mesmo pensar diferente. Basta pensar. É proibido refletir, ponderar, criticar, discordar, inquirir. Só é permitido replicar as palavras de ordem da própria bolha de energúmenos. Não é à toa que as milícias da direita se enfrentam entre si, e todas elas juntas atacam o centro e a esquerda, nas redes sociais transformadas em campos de batalhas ideológicas sangrentas.

Parece um filme de terror com tom melodramático: "O Massacre da Esquerda Elétrica pelos Zumbis da Direita Digital". Tempos difíceis. Há mortos-vivos da pós-verdade por toda a parte, à esquerda e à direita, que se alimentam de cérebros, sequestram almas e petrificam corações. Aonde termina o pesadelo e começa a realidade? Como salvar a humanidade pensante à beira da extinção? Quem será que chega vivo no final?

Mauricio Huertas, jornalista, é secretário de Comunicação do #Cidadania23 em São Paulo, líder RAPS (Rede de Ação Política pela Sustentabilidade), editor do #BlogCidadania23 e apresentador do #ProgramaDiferente.

domingo, 14 de julho de 2019

#ProgramaDiferente: Liberdade, Igualdade e Fraternidade; os princípios da Revolução Francesa que nunca saem de moda no Brasil e no mundo



Nos 230 anos da Queda da Bastilha, neste 14 de julho, o #ProgramaDiferente se propõe a refletir como anda no mundo o espírito da Revolução Francesa: Será que Liberdade, Igualdade e Fraternidade são princípios que ainda estão na pauta do dia da política atual?

Neste momento em que governos opressores e retrógrados despontam em diversos países, nunca é demais testar se o slogan revolucionário que se tornou um grito universal de ativistas em prol da democracia liberal e do estado de direito segue ecoando pela voz das novas gerações. Assista.

sábado, 13 de julho de 2019

Hoje é Dia de Rock no #ProgramaDiferente, bebê!

Neste 13 de julho, Dia Mundial do Rock, o #ProgramaDiferente relembra três especiais que já fazem parte da nossa história.

Assista:

No #ProgramaDiferente, "hoje é dia de rock, bebê!"

#ProgramaDiferente festeja os 70 anos de Rita Lee

O #ProgramaDiferente mostra a diversidade da música: de Supla à roda de viola e samba canção de Wilson das Neves com rap de Emicida


A data que celebra anualmente o rock foi escolhida em homenagem ao Live Aid, megaevento que aconteceu nesse dia em 1985.

Faz referência a um desejo manifestado por Phil Collins, participante do evento, que gostaria que aquele fosse considerado o "dia mundial do rock".

O evento também ficou conhecido por contar com grandes artistas do gênero, como Queen, Mick Jagger, Keith Richards, Elton John, Paul McCartney, David Bowie, U2, entre outros.

quinta-feira, 11 de julho de 2019

Paulo Henrique Amorim no #ProgramaDiferente



Em 2015, fizemos um #ProgramaDiferente especial com o jornalista Paulo Henrique Amorim, que atualmente estava afastado da Rede Record e morreu nesta quarta-feira, 10 de julho. Editor de um blog próprio, o polêmico Conversa Afiada, completava naquela época mais de meio século de carreira com passagens por alguns dos mais importantes órgãos de imprensa e TVs do país (Rede Globo, Revista Veja, Revista Exame, Rede Bandeirantes, Jornal do Brasil, TV Cultura, entre outros), e reuniu suas experiências no livro "O Quarto Poder - Uma Outra História".

Além da entrevista exclusiva, registramos uma palestra do jornalista na Livraria Cultura do Conjunto Nacional, na Avenida Paulista. Controverso, Amorim fez o que se esperava dele (meio jornalista, meio showman): atacou a Globo e a família Marinho, o povo de São Paulo, o PSDB, o Ministério Público, a Polícia Federal, o então Ministro da Justiça e exaltou as maravilhas que ele e seus seguidores enxergavam nos governos de Lula e DilmaAssista.

quarta-feira, 10 de julho de 2019

A mediocridade do meme que virou presidente

Três artigos de hoje da Folha de S. Paulo dão bem a medida da mediocridade que impera no Governo Bolsonaro, em grande parte pela boçalidade do próprio presidente.

Leia abaixo: "Não caiu a ficha de Bolsonaro", do repórter Fábio Fabrini, e "Governante menor", do genial Ruy Castro

No post a seguir, "Nas mãos do capitão Forrest Gump!", do ex-governador paulista Márcio França (PSB).

Aqui não cansamos de expor a incapacidade e o despreparo do "mito" dos memes.

Triste Brasil e pobre do brasileiro que acredita neste ser desprezível.

Não caiu a ficha de Bolsonaro


Não à toa presidente anda com a popularidade no volume morto

Jair Bolsonaro subiu a rampa do Planalto há seis meses, mas seus gestos fazem crer que não lhe caiu a ficha do cargo que ocupa.

É o chefe do governo e do Estado, mas se comporta como um agente fora deles, a sabotar suas instituições, tal qual um ser marginal na política.

Quer que a população se arme para se defender da violência que, como mandatário, tem a missão de enfrentar com políticas de segurança.

Rebela-se contra comandos constitucionais, a exemplo da demarcação de terras indígenas e quilombolas.

Boicota o já combalido aparato de fiscalização do país ao denunciar uma indústria de multas no trânsito e na área ambiental, buscando reduzir a vigilância e anistiar infratores.

Na semana passada, exaltou a exploração de mão de obra infantil, a despeito do esforço das delegacias do trabalho para tirar crianças de carvoarias e cruzamentos.

Investe também contra a atividade de órgãos como o IBGE, cujo cálculo do desemprego chama de enganoso.

O traje de atirador se ajusta bem a um candidato antissistema, mas agora Bolsonaro é o próprio sistema e cabe a ele mostrar o que veio edificar, não só o que pretende desconstruir. O presidente não tem projeto e terceiriza suas responsabilidades.

Enquanto se mete em picuinhas como a do fim da tomada de três pinos e faz lives sobre pescaria, o Congresso conduz a reforma da Previdência à sua revelia e iniciou a tramitação da tributária. Câmara e Senado preparam uma agenda paralela à do Planalto, com foco na economia.

Intramuros, o governo é manejado por quem não tem assento no governo. Um ideólogo de teses delirantes, radicado nos EUA, dá as cartas na Educação à míngua. E os filhos do presidente indicam companheiros de balada para bancos públicos.

Não é à toa que Bolsonaro anda com a popularidade no volume morto. Já fala em 2022, mas, aos seis meses com a faixa, tem a pior avaliação de um presidente desde Collor, segundo o Datafolha. Para 61%, fez menos do que se esperava. E só 22% acham que age como lhe cabe.

Fábio Fabrini
Repórter da Folha de S. Paulo em Brasília, atua há 15 anos na investigação de casos de corrupção e malversação de recursos públicos.

Governante menor


Que sorte, a de João Gilberto! Bolsonaro não o elogiou

Leio que o presidente Jair Bolsonaro reagiu com indiferença à notícia da morte de João Gilberto.

Não decretou luto nem se deu ao respeito de emitir um comunicado lamentando a perda desse grande artista etc. —o discurso protocolar dos chefes de Estado, que pode não engrandecer o morto, mas também não apequena quem o emite.

Que sorte, a de João Gilberto! Um elogio de Bolsonaro seria uma nódoa nas homenagens que lhe estão sendo prestadas por tanta gente importante, no Brasil e no exterior.

Outras glórias da cultura já morreram este ano, como Bibi Ferreira e Beth Carvalho, e não me lembro de ter escutado uma palavra de Bolsonaro a respeito. Beth era declaradamente de esquerda, mas não me consta que, no fim, a política tomasse muito tempo de Bibi.

Bolsonaro, se fosse um estadista, e não um presidente com estofo de vereador, teria aproveitado para reverenciá-las e mostrar como um governante está acima de divergências e mesquinharias. Mas não faz isto, porque conhece bem o seu lugar. A rampa do Planalto não elevou sua estatura.

Diz-se que Bolsonaro não se pronuncia sobre certas pessoas porque não sabe quem são, nem tem quem o instrua. É possível. Seu universo de referências culturais não parece extrapolar a churrasqueira do condomínio onde morava, na Barra.

Mesmo os generais da ditadura, que ele tanto admira, eram intelectuais diante dele. Castello Branco gostava de teatro; Costa e Silva, diziam, fora craque em matemática no Colégio Militar; Geisel tinha fumaças de estadista e, por via das dúvidas, mantinha Golbery ao lado; e Figueiredo governava com os cavalos, mas seu irmão, Guilherme Figueiredo, era um escritor respeitado, inclusive pela esquerda. Já Médici, não: seu cérebro era uma extensão do radinho de pilha com que ele ia ao Maracanã.

Aliás, pela frequência com que Bolsonaro tem ido a estádios, só pode estar em campanha pela presidência da CBF.

Ruy Castro
Jornalista e escritor, autor das biografias de Carmen Miranda, Garrincha e Nelson Rodrigues.

Márcio França: Nas mãos do capitão Forrest Gump!

Presidente poderia e deveria conduzir, liderar, unir

Márcio França

No filme de 1994, pelo qual Tom Hanks ganhou o Oscar, nos emocionamos com a boa intenção de um jovem limitado e esforçado, que fazia tudo sem se planejar para a tarefa que iria cumprir. Apenas fazia.

Ele nem sabia ao certo porque estava ali. Só sabia que tinha de ser sincero. Participou, por acaso, dos episódios importantes da história dos EUA dos últimos 40 anos. Do Vietnã ao escândalo de Watergate.

Mas foi como capitão de um barco pesqueiro de camarões, que tinha tudo para ser um fiasco, que a “sorte” lhe soprou. Uma tempestade destrói os barcos grandes, seus concorrentes. Apenas seu barquinho fica intacto. Pesca sozinho, enche-se de camarões e faz sucesso com seu negócio.

Forrest, após realizar o que nunca imaginou, decide, também sem razão, correr pelo país. Não sabe para onde, nem o porquê. Só corre.

A multidão o segue. Indagados à razão, os seguidores afirmam: “Sigo o Forrest porque me inspira”. “Sigo porque é um protesto contra os poderosos” ou “porque busco Deus e ele vai nos conduzir”. Cada um o seguia por aquilo que achava importante. Faltava alguém que inspirasse a corrida. E corresse, liderasse. A ingenuidade tosca da missão, e sua determinação sem objetivo lógico, contaminou uma multidão e ele marcou uma geração.

Alguns traços do filme têm semelhança com nossa realidade.

Mas nosso capitão simplório não quis até aqui ensinar correndo, inspirando, agregando. Insistiu em conduzir brigando e polemizando. Guerreando com muitos, inclusive os seus. Perdeu tempo com polêmicas desnecessárias.

Apostou todos os ovos em uma só cesta. Já sabíamos o que iria acontecer! E a vida segue. Cada lado continuará com seu discurso. “Não deu certo porque não conseguimos tudo”. “Não deu tão errado, porque não aprovamos tudo”.

E quem correrá para o lado que une a todos? Quem inspirará a união, o bom senso? Nem a seleção brasileira, que antes conseguia. Ele já tem o que precisa para dar o seu melhor: sua coragem, superação. Mesmo suas limitações, por vezes confusas, quase insanas, não foram seu obstáculo, na sua carreira tumultuada. Ao contrário.

Desde que ganhou a corrida, por direito e obrigação, deve conduzir a todos nós. Tanto os que o idolatram como os que não lhe são simpáticos, entre os quais me incluo, com franqueza bolsonariana.

Brasil acima de tudo, Deus acima de todos! A frase já dá pistas. Servidor do Estado, e dele dependente economicamente, não tem conceitos liberais clássicos. Defende, sem convicção, o estado frágil. Quanto ao “conservadorismo”, deriva muito mais de uma agenda de religião/costumes. Mas os sucessivos casamentos também mostram que é “adaptável”, no mínimo.

Mesmo assim, como o ingênuo Forrest, poderia e deveria olhar para frente, conduzir, liderar, unir. Tratar com generosidade as discordâncias. Dar por encerrada as eleições. Aproveite a oportunidade que o destino lhe trouxe. Quem sabe um dia, possa, feliz, sentar-se no banco de uma praça e contar a incrível e improvável história de sua vida, de brigas e intransigências, superações e vitórias, que, ao final, lhe ensinaram a mudar seu comportamento, sem mudar sua alma, e ajudar o seu país. Corra, capitão!

Márcio França
Advogado, presidente do PSB-SP e ex-governador de São Paulo (2018)

terça-feira, 9 de julho de 2019

Pavão Misterioso não é brincadeira inocente, é crime que envolve o 1º escalão do governo Bolsonaro

É preocupante como o nível do debate político tem despencado abissalmente: qualquer bobagem inventada, montagem tosca ou mentira plantada, desde que atenda aos interesses das bolhas à direita ou à esquerda, ganha repercussão imediata (travestida de verdade) nessa mistura perigosíssima à democracia que junta desinformação com má fé na ação deletéria de analfabetos políticos, analfabetos digitais e analfabetos funcionais. Um horror!

O bolsonarismo é o patamar mais baixo, sórdido e indigno desse jogo sujo que virou o dia-a-dia do embate ideológico que toma conta do cenário político. Algo precisa ser feito para estancar essa sandice. Não que seja novidade toda essa indecência na comunicação política, mas o problema ganhou proporções gigantescas com o acesso da grande massa de eleitores aos aplicativos e redes sociais, sem nenhum critério de sensatez ou filtro racional.

Então, aquilo que sempre funcionou como informação e contrainformação, com a versão oficial dos fatos muitas vezes contaminada por boatos, por erros de apuração ou pela divulgação propositalmente enviesada partidariamente, principalmente na chamada "mídia alternativa" - que nos governos do PT foi inclusive patrocinada com verbas públicas oficiais (vide o escândalo popularmente conhecido como dos "blogs sujos") -, tudo isso virou fichinha perto do que vemos hoje na fabricação diária de fake news e do assassinato de reputações.

O surgimento do tal #PavãoMisterioso, perfil fake compartilhado por milhões de bolsonaristas em resposta à divulgação a conta-gotas das conversas vazadas do ministro Sergio Moro pelo The Intercept Brasil, inventando diálogos ridículos, absurdos e fantasiosos que envolveriam o jornalista Glenn Greenwald, o deputado David Miranda (PSOL) e outros personagens da esquerda, é repugnante e desprezível.

Não basta sabermos que se trata de um perfil sabidamente fictício, montado para atacar a honra das pessoas com mentiras, leviandades e até obscenidades, o mais chocante é que essa ação criminosa seja comandada e disseminada abertamente por ministros, por parlamentares da base do presidente e pelos seus próprios filhos, que endossam cinicamente essas postagens de puro terrorismo digital.

Se na era do mimeógrafo a estratégia era repetir mil vezes uma mentira até ela se tornar verdade aparente, como ensinou Joseph Goebbels, o ministro da propaganda de Adolf Hitler, imagine agora na época em que os memes e os stories fazem parte da rotina diária da quase totalidade dos formadores de opinião, que passaram eles próprios (e cada um de nós) de simples receptores de notícias a produtores de conteúdo e emissores de informação. É a receita do caos!

sábado, 6 de julho de 2019

Vamos botar fogo no parquinho! (A quem interessa detonar Sergio Moro e a Operação Lava Jato?)

A política não é para amadores!

Quem não sabe brincar, não desce pro play!

Vamos raciocinar, meu povo!

O que está acontecendo no Brasil, afinal? A quem interessa detonar Sergio Moro e a Operação Lava Jato?

E depois que o Intercept Brasil vazou as conversas privadas do ex-juiz com os procuradores, entraram no jogo também a Globo, a Folha, o Estadão e a Veja? Todos os veículos que os petistas chamavam de PIG, ou Partido da Imprensa Golpista? Toda a mídia que todos os governos amam odiar?

Pode isso, Arnaldo?

Botaram até o Faustão na história! Ô loco, meu!

Daqui a pouco vão mandar para a cadeia Moro, Deltan e Faustão e soltar Lula, Cunha e Cabral.

Estranha a indignação seletiva de alguns dos nossos legalistas. Não vemos o mesmo fervor que condenam Moro por atuar “parcialmente” para prender corruptos, com ministros do STF, por exemplo, que soltam empresários e políticos ao arrepio da lei.

Mais exemplos: condenados em 2ª instância, ou o estimado Zé Dirceu, ou o impune Aécio, ou os empresários da máfia dos transportes no Rio, entre outros réus privilegiados pelo grau de amizade ou pelas contas bancárias em paraísos fiscais, soltos sempre que recorrem ao “sistema”.

Por que parte da imprensa, lideranças políticas e formadores de opinião preferem condenar, nesse caso, o ex-juiz Sergio Moro e o procurador Deltan Dallagnol? Porque, dizem por aí, podemos também ser vítimas dos excessos da lei... Será?

O sistema jurídico que libera até saidinha do Dia das Mães para Suzane Richtofen não mobiliza nem causa tanta indignação quanto a suposta injustiça de termos um bando de políticos corruptos presos pela atuação tachada de “ilegal” de um juiz. Aliás, numa crítica bastante subjetiva. Pois há quem não veja ilegalidade (a não ser no vazamento de conversas privadas).

E assim caminha o nosso Brasil...

Mas é inusitado todo esse estardalhaço e a repercussão mundial com os diálogos vazados do Moro com os procuradores. Uns vêem crime. Outros, o cachorro correndo atrás do rabo: Moro orientava ações da Lava Jato. Que novidade, hein?

A questão é que Sergio Moro e Deltan Dallagnol sempre se posicionaram publicamente como protagonistas da Lava Jato. E o próprio Moro nunca se apresentou como imparcial. Construiu a imagem como caçador de corruptos. Ninguém nunca viu suas palestras, entrevistas, artigos, reportagens e livros sobre ele? Só agora isso espanta?

Legal ou ilegal (e há controvérsias, senão o caso já estaria liquidado), o juiz Sergio Moro sempre atuou parcialmente na Operação Lava Jato. Basta ver todas as suas falas públicas. Isso era visto com normalidade (menos pela defesa dos condenados). O que mudou com a #VazaJato? Estranho...

A partir dos diálogos vazados (e da posse de Moro como ministro) mudaram as análises sobre o posicionamento do então juiz. Bizarro. Ou estavam todos dormindo ou mudou a interpretação dos fatos. Afinal, existe posição definitiva sobre eventuais ilegalidades? Prosseguem as divergências.

Quem acompanha desde o início a Lava Jato sabia que havia uma ação coordenada dos agentes públicos e instituições do Estado e da Justiça contra a corrupção. Isso é ilegal? Fere o Estado de Direito? Como se enfrenta o crime organizado?

Em uma Operação desse porte contra todo um sistema mafioso, era novidade que o juiz agiria com parcialidade? Esperava-se imparcialidade ou o enfrentamento desse sistema, que busca brechas legais e todo tipo de manobras lícitas e ilícitas para brecar as investigações?

Na Lava Jato devemos exigir “normalidade” jurídica como se o réu fosse um ladrão de galinha? Somos ingênuos ou hipócritas? Algum inocente foi condenado? Houve favorecimento de algum réu? Provas adulteradas? Testemunhas ameaçadas? Ou a ação coordenada ficou no limite da legalidade?

Como combater a máfia encastelada no poder? Ou alguém acredita que havia outra forma (no caso, uma ação descoordenada) para enfrentar o crime organizado? Aliás, a Lava Jato, a partir da força-tarefa, não foi exatamente a soma de esforços dos agentes públicos para punir os corruptos?

O então juiz Sergio Moro puniu inocentes ou agiu de forma coordenada, nos limites da legalidade, com a força-tarefa do Ministério Público, da Receita e da Polícia Federal? Os condenados tiveram suas defesas cerceadas? Direitos foram violados? Não havia provas contra eles ou os processos foram adulterados? Foi feita justiça ou se cometeu alguma injustiça?

E, finalmente, façam o favor de não confundir o nosso apoio à Lava Jato ou o repúdio à execração do Moro e do Deltan com uma suposta adesão ao bolsonarismo. Longe disso! Xô, Bolsonaro! Me inclua fora dessa! Aliás, o maior erro do Moro foi justamente entrar para esse governo de retrógrados e lunáticos.

Dito isso, data venia, que todos os corruptos sejam punidos! Do PT, do MDB, do PSDB, do PSL, da PQP!

sexta-feira, 5 de julho de 2019

Um ou dois terços pelo Brasil: Oremos pela salvação!

O presidente que um terço do Brasil elegeu - num país dividido e polarizado - é um completo alienado, imprudente, desajuizado, inconsequente, despreparado, insano, destrambelhado, insensato, destemperado, transtornado, indecoroso, inapto e inepto. A mais recente ignomínia (perdão pelo termo difícil, mas é o adequado) foi defender o trabalho infantil.

Usou o próprio exemplo para garantir que "não foi prejudicado em nada" por ter trabalhado colhendo milho aos "nove, dez anos de idade" em uma fazenda de São Paulo. Porém, fica a dúvida: será que não foi prejudicado em nada mesmo? Ao juízo de quem? Esses traços tão característicos da personalidade e do caráter bolsonarista seriam os mesmos hoje se ele tivesse sido devidamente tratado como criança? Não seria um pai diferente? Não seria um homem melhor?

Talvez não precisasse fazer arminha com os dedos para se autoafirmar, nem enxergasse inimigos imaginários em todo canto, nem agisse como neurótico de uma interminável guerra ideológica, nem fosse criticado por condenáveis comportamentos autoritários, violentos, machistas, racistas, homofóbicos, misóginos, nem acabasse tutelado por auxiliares débeis ou gurus charlatães.

Eu não votei nele, mas respeito a escolha democrática de um terço da população (e explico abaixo esse "um terço", antes que me acusem de fake news por não reconhecer o voto da maioria absoluta dos eleitores). Respeitem, portanto, o meu direito de fazer oposição. Tenho de aturar a escolha resultante da maioria dos votos válidos, ou de um terço dos brasileiros. Aturem também a minha indignação com este aparvalhado retrógrado e sua turminha mentecapta.

Somos 210 milhões de brasileiros, segundo os dados oficiais. Destes, 147,3 milhões estávamos habilitados a votar para presidente em 2018. Os que escolheram Jair Bolsonaro no 1º turno somaram pouco mais de 49,2 milhões (46,03% dos votos válidos, ou 33,4% do total de eleitores, ou ainda cerca de 23% da população). Então, um terço dos votos foram para o candidato do PSL.

Outros 57,7 milhões de eleitores optamos por algum dos demais candidatos. Eram 12 (sendo Fernando Haddad, Ciro Gomes, Geraldo Alckmin e João Amoedo os mais votados). Sem contar os 3,1 milhões de votos em branco e os 7,2 milhões de nulos. E tivemos ainda um índice recorde de abstenções: 29,9 milhões de pessoas, ou 20,3% do eleitorado. No 1º turno, dois terços dos eleitores não votamos neste presidente.

No 2º turno, Bolsonaro teve 57,7 milhões de votos (55,13% dos votos válidos, ou 39,2% dos eleitores, ou ainda cerca de 27,5% da população). Outros 47 milhões optaram por votar em Haddad. Os votos em branco caíram para 2,4 milhões e os nulos subiram para 8,6 milhões. As abstenções aumentaram em 1,4 milhão: foram 31,3 milhões de ausentes (ou 21,3% do eleitorado).

Conclusão matemática (e política) óbvia: dois terços dos brasileiros não escolheram Bolsonaro. Mais da metade do povo não votou nele nem em ninguém. É assim que funciona nosso sistema eleitoral. Não chega a ser novidade, mas às vezes é bom reforçar os números, principalmente diante dos fatos que nos assombram diariamente e dos índices das mais recentes pesquisas sobre a aceitação do governo.

Em geral, um terço da população apóia o presidente. É basicamente a repetição do resultado das eleições. Entretanto, como vivemos num estado democrático de direito, esperamos que o presidente governe também para os dois terços que - se ainda não o reprovam categoricamente (os tais "ruim/péssimo" das pesquisas), também não o aprovam abertamente (afinal, "regular" é uma avaliação positiva ou negativa após seis meses de gestão?).

Maiorias e minorias são circunstanciais. Direitos são permanentes, constantes e universais. Um terço dos brasileiros escolheram Bolsonaro. Dois terços, não. Um terço ainda o qualifica positivamente. Dois terços, não exatamente. Conclusão: o Brasil segue dividido. Eu sei qual é a minha metade, qual é o meu terço, mas o governo parece seguir à deriva.

Não pertenço ao terço bolsonarista, nem ao terço lulista. Sou oposição a ambos. Prefiro uma terceira opção. E você? Apesar de tudo, torcemos todos pelo bem geral da Nação! Mas se nada der certo, encontre o seu terço e... reze! Oremos pela salvação!

Mauricio Huertas, jornalista, é secretário de Comunicação do #Cidadania23 em São Paulo, líder RAPS (Rede de Ação Política pela Sustentabilidade), editor do #BlogCidadania23 e apresentador do #ProgramaDiferente.

quinta-feira, 4 de julho de 2019

Especial: #ProgramaDiferente no mundo da lua!



Há 50 anos, Neil Armstrong foi o primeiro homem a pisar a Lua, seguido por Buzz Aldrin, ambos astronautas da missão Apollo 11. O foguete Saturno V partiu da Flórida (EUA) no dia 16 de julho e o módulo lunar Eagle pousou na Lua na noite dia 20 de julho de 1969.

Este #ProgramaDiferente é especial para todos os terráqueos, lunáticos, extra-terrestres e até terraplanistas e bolsonaristas. Você acredita que o homem foi à lua? Há várias teorias da conspiração. Vamos revê-las com bom humor e a palavra da ciência. Assista.

quarta-feira, 3 de julho de 2019

Heróis ou vilões: você escolhe o seu lado na História!

Um ponto que não pode passar despercebido nas análises políticas que forem feitas sobre Sergio Moro: ele ainda é o "herói" para quem tem como "anti-herói" Lula. E vice-versa.

Não que precisemos de heróis, nem que existam de fato tais personagens na vida real, sobretudo no mundo político, mas eles sobrevivem imbatíveis no imaginário popular. E estão aí para enfrentar e vencer os inimigos.

Por isso, são rasas, míopes e puramente subjetivas as opiniões de quem decreta o "desMOROnamento" do ex-juiz. Ele segue forte, com seus superpoderes e habilidades inabaláveis, feito o herói de capa e máscara dos filmes e dos quadrinhos. 

Não cabem apenas explicações racionais nesses episódios marcados fortemente pela comoção popular. A razão, pura e simples, não explica fenômenos eleitorais nem o surgimento de líderes populistas e carismáticos. Para o bem e para o mal.

Aliás, é necessário que se diga, o verdadeiro "mito" da política atual é Sergio Moro, não o aparvalhado Jair Bolsonaro. O atual presidente, eleito circunstancialmente em 2018, era a arma que estava à mão para o voto anti-petista. E a facada foi o golpe crucial para o enredo heroico que se construía. Mas o clamor popular era (e ainda é) por Sergio Moro.

Os diálogos vazados da Lava Jato só reforçam esse heroísmo para a parcela anti-petista. O ruído crítico à sua suposta vilania vem do outro lado, com viés de esquerda e credibilidade duvidosa. Soam como as tradicionais onomatopeias das brigas entre heróis e vilões (Crash! Zap! Pow! Boom!). Até que os dois se levantam e partem para o próximo confronto. Nenhuma novidade.

Assim como criou Bolsonaro (e a campanha #EleNão foi o erro crasso, ao nominar o inimigo), o petismo alimenta agora o "herói" Sergio Moro. Está consolidando o seu destino eleitoral. Moro é a essência dessa polarização, muito mais que Bolsonaro x Lula. E a tendência é que esses dois extremos continuem mobilizando opiniões, paixões e votos pelos próximos anos.

Não vamos nos enganar. O caminho do diálogo, do equilíbrio e da razão contra a polarização seguirá complicado. Praticamente interditado pelas milícias virtuais e pelas claques das redes sociais, carentes de heróis e vilões. Os atalhos ideológicos à direita ou à esquerda são muito mais atraentes.

O que se viu nas manifestações deste domingo foi que milhares de brasileiros saíram às ruas para um quase inédito - nessas proporções - ato de apoio a uma liderança emergente, protótipo de herói (ou vilão). Nem a imprensa se acostumou ainda a essa prática, chamada por alguns de "protesto a favor" (oi?).

O #LulaLivre mobiliza menos gente e vem sempre reforçado pela rejeição à direita e ao novo governo retrógrado. Os atos pró-Moro (muito mais fortes e amplos que os atos pró-Bolsonaro, que são mero repúdio ao PT) se assemelham ao que já se viu no Brasil apenas com "heróis" mortos: Tancredo em 1985 e Senna em 1994. Isso deve significar algo na História.

terça-feira, 2 de julho de 2019

Legado para a democracia e para o bom jornalismo: Mais de 1.000 horas de vídeos no #ProgramaDiferente



Concluímos o 1º semestre desta 5ª temporada do #ProgramaDiferente com um total de 207 programas jornalísticos temáticos, sendo 23 já exibidos até agora neste ano, semanalmente, e outros 26 ainda inéditos, que serão disponibilizados até o final de 2019 (totalizando 233 programas em cinco anos de trabalho).

Foram mais de 500 mil visualizações nestes primeiros seis meses, mantendo a média anual de 1 milhão de espectadores e mais de 100 mil seguidores nas redes sociais.

Veja aqui um resumo de todos os programas.

Um sucesso absoluto para quem, antes da estreia em 2015, não tinha certeza nem mesmo se conseguiria colocar o 1º programa no ar.

Pois estamos aí com mais de 120 horas de material editado no formato do programa, além de outras 1.000 horas gravadas de matérias, debates, entrevistas, palestras e eventos. Um acervo inestimável!

Neste ano, ao contrário dos anteriores, não tivemos nenhuma parceria externa. É um jornalismo 100% independente, primando pela qualidade da informação e total liberdade de expressão, sempre com muito bom senso, responsabilidade e respeito à democracia, à diversidade, à pluralidade e à transparência dos fatos!

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