segunda-feira, 21 de janeiro de 2019

Cidadania, sustentabilidade e democracia


“Caminhante não há caminho, se faz caminho ao andar…”

(Antonio Machado, poeta espanhol)



Aprendemos no dia a dia, nas relações pessoais e profissionais, na família, na amizade, no casamento, em qualquer texto motivacional, na religião, na política, na vida: a crise pode gerar risco e oportunidade. Estamos neste exato momento de perigo, de dificuldades e conflitos, de mudanças bruscas e manifestações violentas. Precisamos enfrentar essa conjuntura problemática, superar esta crise e impedir consequências mais perversas, danosas e permanentes.

Nós, cidadãos e agentes políticos, devemos agir com responsabilidade. Liderar. Apontar caminhos. Nós, que buscamos o caminho do equilíbrio, das práticas democráticas e dos princípios republicanos, fomos derrotados pela polarização, pelo ódio, pela intolerância, pelo preconceito. Perdemos, com os nossos valores e ideais, para estratégias políticas predatórias, para a descrença de parcela significativa da população nas instituições e para o discurso populista de direita e de esquerda.

Está na hora de reagir, levantar, sacudir a poeira e reerguer pontes para o futuro. Precisamos compreender que esse movimento político que foi vitorioso, tanto quanto a alternativa que se mostrou mais viável quantitativamente no 2º turno das eleições de 2018, são igualmente danosos, retrógrados e ultrajantes para o modelo sustentável de desenvolvimento que desejamos ver implantado no País.

O que nos une, seja a insatisfação com esse sistema obsoleto, involutivo e opressor ou com a forma fisiológica, corrupta e patrimonialista de se fazer política, cria a oportunidade para darmos um passo firme e decisivo na construção de uma nova plataforma para o exercício da cidadania, na qual o cidadão comum possa expressar seu ativismo autoral a serviço da construção de novos paradigmas políticos.

Daí o chamamento que se faz à coletividade, às forças vivas da sociedade, às personalidades públicas e aos brasileiros anônimos descontentes com esse atual cenário polarizado entre as duas faces da mesma moeda da velha política, que hoje atuam não apenas em partidos mais tradicionais e ideológicos, como o PPS, o PV ou a novata Rede Sustentabilidade, mas são também protagonistas desses inovadores movimentos cívicos como Agora, Acredito e Livres, entre outros.

É uma oportunidade única e histórica essa possibilidade concreta e objetiva que temos posta, a partir dos congressos partidários recém-convocados pelo PPS e pela Rede, para a efetivação dessa nova formatação política, como um partido-movimento que se constitua em defesa de um país socialmente justo, politicamente democrático, economicamente inclusivo e ambientalmente sustentável.

Que busquemos incansavelmente o consenso para uma fundamentação programática e estatutária que expresse da melhor forma essa unidade entre os que se identificam com o campo das reformas progressistas, da justiça social, do desenvolvimento sustentável e da defesa da democracia. Mas não podemos deixar escapar das nossas mãos essa chance de construir algo realmente transformador, que absorva e reúna solidariamente as melhores qualidades e o aprendizado acumulado de cada um dos elos formadores dessa nova corrente.

Somos de luta e de paz, meus amigos, em tristes tempos de guerra. Estamos na mesma trincheira da resistência democrática. Não podemos permitir que roubem os nossos sonhos, que ameacem as nossas conquistas, que ofendam a nossa história, que subtraiam a nossa liberdade. É hora de olhar para a frente, juntar forças, seguir adiante, traçar um novo caminho com passos firmes, coragem e altivez. O primeiro passo, por si só, é um ato de Cidadania.

Mauricio Huertas, jornalista, é secretário de Comunicação do PPS/SP, líder RAPS (Rede de Ação Política pela Sustentabilidade), editor do Blog do PPS e apresentador do #ProgramaDiferente

sábado, 19 de janeiro de 2019

Burrice sem partido: a idiotização das ideologias

Na cartilha do bolsonarismo, até hoje o Brasil era dominado por comunistas e a China é um modelo de liberalismo a ser seguido.

Essa viagem dos deputados do PSL, cheia de desculpas esfarrapadas para o motivo da excursão e com argumentos risíveis da direita caipira para tentar atenuar o histórico da ditadura comunista chinesa, é piada pronta.

Mas não se iluda, eles não são apenas ignorantes e idiotas. São desonestos e mal intencionados.

O que se vê, hoje, são máscaras caindo.

À esquerda e à direita, há bandidos e pilantras. Ou você não sabia?

Cabe a nós, que não embarcamos nessa polarização oportunista e conveniente, nem alimentamos essa relação simbiótica de interdependência retórica e moral que garante a sobrevida de ambos e os levou ao 2º turno das eleições de 2018, buscar uma saída equilibrada, racional, viável e eficaz.

Não que seja uma tarefa simples, mas não há solução mágica nem salvadores da Pátria. Sem atalhos fáceis, o caminho é sempre o estado democrático de direito.

sexta-feira, 18 de janeiro de 2019

Faça o que eu mando mas não faça o que eu faço

Esse é o mandamento "up to date" do bolsonarismo. A última atualização da mais velha e abjeta forma de fazer política. Sinto informar à parcela de inocentes úteis entre os 57,7 milhões de brasileiros que elegeram Jair Messias Bolsonaro para a Presidência da República, mas, se vocês ainda não perceberam, só ajudaram a trocar as moscas. Porque o resto...

A média de um escândalo por dia deste novo governo é mantida com louvor. É uma sucessão de trapalhadas e pataquadas. Lembra até daquele que foi um dos momentos antológicos de Dilma Rousseff na essência do raciocínio dilmês: "Não vamos colocar meta. Vamos deixar a meta aberta, mas, quando atingirmos a meta, vamos dobrar a meta."

Estão dobrando a mer... ops, a meta! Viva Bolsonaro, a Dilma de farda! O meme que virou presidente. Saído diretamente das esquetes do CQC para a cadeira presidencial. Um salto e tanto para quem não passava de piada ruim do baixo clero em Brasília. Diretamente da comédia para a tragédia do dia a dia. Mas o que já não tinha tanta graça vai se tornando calamitoso. Dias piores virão.

A notícia mais recente: que negócio é esse de um dos zeros-filhos (aliás, chamar os filhos de 01, 02 e 03 é piada pronta, né? Saem os zeros à esquerda e entram os zeros à direita...), mas, voltando, que negócio é esse de Flávio Bolsonaro pedir (e o STF acatar!) a suspensão da investigação sobre o motorista-laranja Fabrício Queiroz, aquele que movimentou R$ 1,2 milhão em um ano, supostamente recebia devolução de salário dos assessores do gabinete e depositava cheque para a primeira-dama?

Imagina se isso fosse no governo do PT!? Cadê os bolsominions? MBL? Vem Pra Rua? Cadê a Joice Hasselmann? Bia Kicis? Alexandre Frota? Carla Zambelli? Janaina Paschoal? Major Olímpio? Sérgio Moro? Cadê os robozinhos das redes sociais? Estão todos comemorando a posse das quatro armas e esqueceram de ler o resto do noticiário? Ou é tudo fake news da mídia golpista? (não, espera, a mídia é petista ou bolsonarista? Fiquei confuso...)

Do diversionismo da ministra Damares Alves criando polêmicas lá do alto do pé de goiaba para distrair a galera, passando por questões como a instalação de uma base americana no Brasil, as demissões na Apex e na Funai, o inominável novo nomeado do Enem, a despetização fajuta do Onyx, a promoção meritória do talentoso filho do vice... (ah! vai listando aí a proliferação de escândalos, não estou conseguindo acompanhar...) esse governo é de uma incompetência atroz!

Não basta ser retrógrado, autoritário, intolerante, preconceituoso, é preciso também ser contraditório, desonesto, incoerente e incapaz! Se você pegar todos os discursos recentes de bolsonaristas atacando os governos petistas, ou, na mão inversa, as peças de defesa do petismo contra as denúncias e acusações na imprensa e na justiça, vai ver o novo samba do crioulo doido (que bota no bolso a genial criação do saudoso Stanislaw Ponte Preta).

Escândalo no reino! Os bobos-da-corte chegaram ao poder! Estamos fritos!

Mauricio Huertas, jornalista, é secretário de Comunicação do PPS/SP, líder RAPS (Rede de Ação Política pela Sustentabilidade), editor do Blog do PPS e apresentador do #ProgramaDiferente

quarta-feira, 16 de janeiro de 2019

Enquanto isso, no mundo surreal da política...



Vem aí a 5ª temporada do #ProgramaDiferente. Enquanto você aguarda a estreia no dia 20 de janeiro, com mais 50 programas temáticos inéditos, assiste e se diverte com mais um episódio de "O mundo surreal da política" :-) Bom humor é tudo! Veja aqui.

O segredo é uma fórmula simples e objetiva ao apresentar semanalmente um bom programa jornalístico, informativo, crítico e colaborativo (com entrevistas, debates, notícias e prestação de serviços), amparado por um conteúdo abrangente e bem apurado que lhe garante respeito, credibilidade e mais de 5 milhões de views no Youtube, Twitter e Facebook, tudo isso escorado por um olhar isento e alternativo ao da imprensa tradicional.

Veja outras chamadas da 5ª temporada do #ProgramaDiferente:


 

 

terça-feira, 15 de janeiro de 2019

Quem descobriu o Brasil? Fernando Gabeira!

Devem ter te ensinado na escola que Pedro Álvares Cabral descobriu o Brasil. Mas isso foi lá em 1500. Hoje, para descobrir de verdade o Brasil que está aí, precisamos navegar pelos textos de Fernando Gabeira.

Jornalista, escritor, ex-deputado, é talvez o mais lúcido analista político brasileiro e certamente leitura obrigatória para quem, como nós, pretendemos debater e compreender o atual momento do país.

Vale muito acompanhar o seu blog e seus programas de TV. São primorosos e afinadíssimos com a nossa realidade.

Leia abaixo alguns dos mais recentes artigos de Fernando Gabeira:

SOBROU PARA DARWIN

UM NOVO ATO EM FEVEREIRO

SALVAÇÃO E SALVADORES

POLÍTICOS PARA SE FALAR BEM

UMA PEQUENA DOSE DE JÂNIO

O BODE NA SALA

NOTAS DE UM VELHO MARINHEIRO

Renato Janine Ribeiro: Uma autocrítica de esquerda

Relutei em escrever a respeito, porque votei em Haddad várias vezes e o apoiei claramente. Mas de sua foto de camisa rosa lendo Anisio Teixeira, não gostei. Como não gostei nada daquela imagem, em tempos de campanha, em que ele aparecia arrancando a máscara do Lula para mostrar seu rosto. Daquela vez, pensei que a imagem o diminuía, o colocava como um ersatz do Lula, não como ele próprio. Até disse, na época: ele ganha se for ele. Se ficar se curvando às regras do partido para ser isso, para não dizer aquilo, não dá. Não sei se ganharia sendo ele mesmo, mas o saldo teria sido melhor.

Voltando: dois meses depois da eleição, dez dias depois da posse do pior governo do Brasil, era hora do candidato mais votado da oposição estar criando alianças. De ir além dos 28 milhões de votos que teve no primeiro turno. Eu não critiquei Marina Silva porque ela, duas vezes sucessivas, não foi fidelizar o número surpreendente de eleitores que confiaram nela para a presidência da República? Por que eu trataria meu candidato de forma diferente? 

Esperava que as lideranças do PT estivessem agora – na verdade, desde o fim do segundo turno – visitando quem apoiou Haddad (Marina, Joaquim Barbosa, Ciro Gomes, tantos outros) e quem ele gostaria que o apoiasse (a começar por FHC). Em vez disso, vejo uma foto dele zoando a ministra Damares. Gente, é pouco.

Lacrar não adianta, tenho insistido. Vejo o lacre na ministra Damares. Vejo o pessoal de esquerda zoando por que o motorista de um Bolsonaro está sendo atendido no Einstein. Só isso, galera? Não têm algo melhor a fazer?

Esse governo tem feito muita besteira e não acredito que o núcleo de extrema-direita continue forte por muito tempo. Penso que a direita autoritária mas sensata vai passar a perna na extrema-direita pirada. Mas vamos ficar esperando isso acontecer? Torcendo? Esperando que o mercado faça isso por nós? 

Os grandes partidos de esquerda têm uma espécie de sístole e diástole, uma alternância entre uma estratégia de abertura para alianças mais amplas e outra de fechamento sobre si. A abertura aparece nas propostas de Frente Popular, no governo Lula e em outros momentos que, geralmente, são de vitória. O fechamento é quando, ameaçado ou sentindo-se ameaçado, o grande partido de esquerda se tranca na ortodoxia. Pois bem, o PT perdeu, é bom saber. Perdeu com 45 milhões de votos, o que é bastante voto, mas muitos deles não eram de petistas ou pelo menos, não de petistas extremistas. E agora, em vez de assegurar a união desses 45 milhões, e de aproveitar o que o governo tem feito para aumentar este número, o que vejo nas lideranças é o trabalho intenso, empenhado, em reduzir esse número! Em perder apoios!

E aposto: vai haver gente comentando que Ciro não é confiável, que Marina nem pensar, que isso mas aquilo... Eu não sou fã da derrota. Não acho que é mais bonito ser pouco. Porque com a extrema-direita no poder nós de classe media podemos até não sofrer tanto, mas os pobres vão penar bastante. Por isso não gozo com a derrota. E penso que está na hora de reunir. Se a frase “ninguém larga a mão de ninguém” tem sentido, é esse. Uniao. É claro que é difícil saber em torno do quê, mas pelo menos podemos começar dizendo que não estamos aqui para zoar, nem para lacrar, nem para excomungar, e sim para procurar uma aliança dos setores democráticos e progressistas. Se pelo menos tivermos esse propósito, podemos depois fazer um programa. Ufa.

Parte 2 - E ontem, depois que escrevi sobre a necessidade de que a esquerda saísse da lacração e dos memes e ampliasse sua base, com projetos novos, um amigo querido me ligou e disse:

- Não são os partidos nem o governo que fará isso.

Penso que ele tem razão. Penso que devemos pensar em iniciativas que vão além dos partidos. Podem ser entidades respeitadas, existentes, exigentes. Pode ser sindicato, associação profissional, OAB, ONGs, o que for, mas precisamos ter propostas que inovem e ampliem.

Já cansou isso de ver gente se acusando por causa da derrota (foi o Ciro! foi o Haddad!). Vamos para a frente. Vamos entender por que perdemos. Não adianta ficar só denunciando as fraudes, empulhações etc.

O que precisamos é desenvolver ideias, projetos, tudo o mais.

Na educação, por exemplo, vejo o entusiasmo dos jovens - alguns dos quais se elegeram deputados - por fazer coisa nova. Esses jovens não estão apenas lamentando ou denunciando. Estão fazendo.
E isso vale para muita coisa que rola nas áreas que promovem a inclusão social.

Se os partidos e seus fãs querem ficar discutindo nomes, façam isso. Penso que precisamos sair daí. Precisamos ver do que o Brasil precisa. Ter ideias. Pegar projetos bons, dá-los a conhecer. Enfim, muita coisa a fazer.

Renato Janine Ribeiro é professor de filosofia da USP, cientista político e escritor. Foi ministro da Educação no governo da presidente Dilma Rousseff, entre abril e setembro de 2015.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2019

Que movimento boçal este bolsonarismo, meu Deus!

Que o Blog do PPS faz e fará sempre oposição declarada a esse governo boçal do presidente Jair Bolsonaro não deve ser novidade para ninguém, né?

Tanto quanto fizemos oposição aos (des)governos de Lula e Dilma Rousseff, bem como registramos a nossa posição contrária, crítica e equidistante a Bolsonaro e Haddad no 1º e no 2º turno das eleições de 2018.

Estava muito claro para nós que essas duas saídas polarizadas à direita e à esquerda seriam igualmente equivocadas e prejudiciais ao Brasil. Mas se esta foi a decisão da maioria do eleitorado, não há o que se discutir. Assim funciona o estado democrático de direito, e assim seguimos: eles no governo, nós na oposição. Simples assim.

Aqui da trincheira da resistência à burrificação e ao ódio reinante, que tenta reescrever a História de acordo com as narrativas mais convenientes ao bolsonarismo ou ao lulismo, vamos tentar preservar a racionalidade, o equilíbrio e o bom senso. Trazemos hoje a coletânea de alguns bons textos que fazem pensar e dão em boa medida o retrato desse momento insano que o país vive. Leia:

Henry Bugalho: O avesso da verdade

Celso Rocha de Barros: Os Generais

Esquerda x Direita: Bolsonarismo importa dos EUA teoria conspiratória sobre marxismo cultural

Antonio Prata: A milícia de Brancaleone

Jair Bolsonaro: O meme que virou presidente

Enquanto isso, no mundo surreal da política...

Henry Bugalho: O avesso da verdade

Mundo obscuro ajudou a eleger um presidente

"Até agora, todos os ditadores tiveram de trabalhar duro para suprimir a verdade. Nós, por meio de nossas ações, estamos dizendo que isto não é mais necessário (...) decidimos livremente que queremos viver num mundo pós-verdade". Steve Tesich, dramaturgo sérvio, 1992.

A verdade está perdendo importância na compreensão do mundo. Esse é um fenômeno de forte conteúdo político que busca impor uma narrativa que prescinde ou distorce os fatos.

Hoje, muitos youtubers direitistas veiculam uma mensagem padronizada: nas últimas décadas, estava em curso a implantação do comunismo no Brasil. Nessa teoria conspiratória, o filósofo Antonio Gramsci seria o pilar de um movimento global para destruir o capitalismo a partir das instituições educativas, políticas e culturais. Uma revolução secreta para desintegrar nossos valores tradicionais.

Nessa guerra psicológica, a agressividade de vários influenciadores não é apenas questão de estilo. É funcional, mesmo que muitos deles a adotem por imitação ou intuitivamente. Deve-se confundir o oponente, desacreditá-lo, abalar o seu moral.

A estratégia é a construção de uma narrativa pós-verdade, alheia ao conhecimento consolidado. Afinal, todos navegamos pelo mundo por meio de nossas histórias. Para aceitarmos dada interpretação da realidade, antes de tudo ela precisa fazer sentido. Uma história mentirosa coerente convence mais que uma verdade incoerente.

Esse esforço de reinvenção da interpretação da realidade está em curso. Todos os dias somos bombardeados por afirmações de ideólogos apresentando uma versão revisitada do passado e uma nova visão para o presente.

Em grande medida, as falas revisionistas de Bolsonaro, negando fatos sobre a ditadura militar ou alardeando uma "ameaça comunista", têm origem em Olavo de Carvalho, um dos responsáveis por importar e reembalar teorias conspiratórias norte-americanas.

Originalmente vinculado a seitas esotéricas e tariqas islâmicas, ele foi consolidando, em círculos marginais sem nenhum reconhecimento acadêmico, uma reputação de filósofo conservador, negando o legado do Iluminismo, da ciência moderna e dos valores democráticos decorrentes da Revolução Francesa.

Pouco importou que seu autodidatismo e falta de critério o levassem, por exemplo, a incitar o temor de um movimento global pela legalização da pedofilia. Esse mundo obscuro foi relevante na eleição de um presidente.

Neste instante, uma guerra ocorre no ambiente virtual. De um lado, arautos da pós-verdade, alguns ocuparão cargos políticos ou ministérios. De outro, cientistas, pesquisadores, professores, historiadores e filósofos esforçando-se para preservar uma compreensão mais criteriosa da realidade.

Confrontamos agora o avesso da verdade. Este é o instante no qual profissionais que trabalham com o saber devem estar dispostos a defender o conhecimento contra as investidas do obscurantismo, e no qual agentes políticos terão de evitar a corrosão das estruturas democráticas por figuras autoritárias que habitam um mundo de ilusões conspiratórias, onde comunistas espreitam a cada esquina.

Henry Bugalho é formado em filosofia, autor de "O Rei dos Judeus" e "O Personagem"; youtuber de temas filosóficos e contemporâneos

(Artigo publicado na Folha de S. Paulo de segunda-feira, 14 de janeiro de 2018)

Celso Rocha de Barros: Os Generais

Gostaria que a nova conversa dos militares com a democracia incluísse também a esquerda

Algumas semanas atrás, os sites chapa-branca deram um escândalo porque um dos “Manuais do Candidato” para o concurso do Itamaraty tinha uma passagem desabonadora sobre Bolsonaro.

O texto, do historiador João Daniel Lima de Almeida (grande fera, aliás), lamentava que a participação dos militares na discussão sobre o desenvolvimento brasileiro tivesse se tornado tão apagada que o único representante da categoria no debate nacional fosse Bolsonaro, um homofóbico convicto.

Antes que os bolsonaristas comecem a chorar de novo, esclareço: no ano em que o texto foi escrito (2013), Bolsonaro declarou que se orgulhava de ser homofóbico (está no YouTube). A afirmação de Almeida é factualmente correta.

Mas o importante não é isso, o importante é o seguinte: todos os oficiais das Forças Armadas sabem que Almeida tem razão.

Depender de Bolsonaro para participar da vida política nacional é uma tristeza.

Alguém acha que os generais gostam de participar de reuniões com os filhos do presidente, os discípulos de Olavo de Carvalho, o Onyx? Duvido.

Mas pensaram os generais: se a vida lhe dá um amigo do Queiroz, faça uma laranjada.

E as últimas semanas mostram que há vantagens em participar de um governo de gente que não passa em psicotécnico. Afinal, as chances de parecer moderado são excelentes.

Enquanto o novo chanceler fazia seu discurso de posse, Mourão se reunia com representantes do governo chinês. E mais: tuitava que estava na reunião, como se dissesse “ó, não se preocupem não, tem adulto nesse negócio”.

Há também relatos de que Augusto Heleno quer limitar a influência dos olavistas. Não é nada pessoal, Olavo. Um amigo meu também foi dispensado do Exército por ter cara de maluco.

E se seu emprego fosse manter o Onyx na linha você também teria aquela expressão carrancuda do Santos Cruz. Coitado, achou que não tinha nada mais difícil do que pacificar a República Democrática do Congo.

 De modo que já há gente depositando suas esperanças na possibilidade dos generais produzirem um governo Bolsonaro bípede.

Sempre é possível, tomara que aconteça, mas, pessoalmente, ainda concordo com o Manual do Candidato do Itamaraty: é triste que os militares tenham voltado a participar da vida política brasileira na cola da turma do Bolsonaro. Torço para que os líderes de nossas Forças Armadas não se revelem moderados só por comparação com os malucos do atual governo.

Não há absolutamente nada de errado com a nomeação de ex-militares como ministros. Afinal, todo mundo, antes de ser ministro, era alguma outra coisa: militares não são menos qualificados do que economistas, advogados, sindicalistas ou pastores. Os centros de formação militares são excelentes, os oficiais em geral conhecem bem o país. É bom que voltem a ser cogitados para cargos públicos.

Mas seria muito melhor se não voltassem no governo de um sujeito que se entusiasma tanto quando fala em golpe de Estado.

O discurso do novo presidente é tudo o que gostaríamos que a reconciliação das Forças Armadas com a política brasileira não fosse.

E gostaria que a nova conversa dos militares com a democracia incluísse também a esquerda. Com Bolsonaro na sala, não parece fácil.

Celso Rocha de Barros é servidor federal, doutor em sociologia pela Universidade de Oxford (Inglaterra) e colunista da Folha de S. Paulo.

Esquerda x Direita: Bolsonarismo importa dos EUA teoria conspiratória sobre marxismo cultural

Tese diz que esquerda se infiltrou nas artes, imprensa e outras instituições para destruir a civilização ocidental por dentro

Maurício Meireles
Folha de S. Paulo

Fábricas e fazendas não estão mais com nada. O grande movimento da esquerda agora, em vez de buscar o poder pelas armas, seria a luta no campo da cultura —apropriando-se, pouco a pouco, de instituições como as escolas, universidades, editoras e a imprensa, além das artes e do entretenimento.

O objetivo, para a nova direita que chegou ao poder com a eleição de Bolsonaro, é muito claro: destruir a civilização ocidental e seus valores, algo impossível apenas com o controle dos meios de produção.

Essa revolução discreta, segundo esse ponto de vista, vinha pisando leve e falando baixo há quase um século. Por isso ninguém percebeu.

A esse alegado veneno —de inoculação lenta, mas igualmente mortífero— a nova direita dá o nome de “marxismo cultural”, o braço do globalismo na cultura. Com a ascensão do novo presidente, essa expressão passa a se espalhar de forma mais intensa.

Não se trata de uma jabuticaba. O conceito chegou ao Brasil importado dos Estados Unidos. Aqui, foi disseminado especialmente pelo escritor Olavo de Carvalho, que, de sua casa nos EUA, alimenta intelectualmente as novas lideranças da direita no país.

Não é por acaso que, dentro do governo, os ministros da Educação e das Relações Exteriores —os dois indicados pelo escritor— falam em exorcizar o marxismo cultural em suas respectivas áreas. Nos discursos de outras lideranças conservadoras pelo mundo, em países como a Hungria, a Itália e a Polônia, a ideia também corre solta.

O conceito ganhou bastante visibilidade em 2011, quando o extremista Anders Behring Breivik matou 69 pessoas na Noruega. Na ocasião, o atirador publicou um manifesto que, entre outros pontos, acusava uma conspiração dos marxistas culturais.

Para a esquerda, tudo não passa disso, uma teoria da conspiração. As notas de rodapé do discurso bolsonarista, contudo, indicam de onde a direita tirou essa ideia. E ela é uma cópia das crenças dos conservadores americanos —esse marxismo que não diz seu nome seria criação dos intelectuais da Escola de Frankfurt, instituto de pesquisa criado na Alemanha em 1923.

O novo diretor do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais, Murilo Resende, por exemplo, tem em seu blog “A Escola de Frankfurt - Satanismo, Feiura e Revolução”, tradução de um texto famoso sobre o tema, citado por Breivik no seu manifesto. Já o procurador da República Guilherme Schelb, que foi cotado para o MEC, tem falado em palestras e entrevistas sobre Herbert Marcuse, um dos intelectuais do grupo.

“Essa turma nunca leu esses autores, pegam tudo de orelhada”, diz o cientista político Renato Lessa. “Sequer leram o [ensaísta liberal] José Guilherme Merquior, que fez um livro excelente sobre a Escola de Frankfurt. O que caracteriza essa turma é uma ignorância cultural muito grande.”

O grupo alemão se forma em um momento no qual a esquerda tentava entender por que raios os proletários do mundo não tinham imitado os soviéticos e, na Alemanha, tinham até aderido ao nazismo.

Adorno, Horkheimer, o próprio Marcuse e outros, todos judeus, fugiram para os Estados Unidos com a ascensão de Hitler. Lá, diz a direita, não só tentam destruir a sociedade que os acolheu como exportam suas ideias malévolas para o mundo todo.

E o Brasil com isso? Basta lembrar as últimas polêmicas no campo da cultura e dos costumes —Queermuseu, Escola sem Partido, ideologia de gênero, meninas vestem rosa e meninos, azul. Em todas elas, a direita parte do princípio de que a esquerda tenta corroer a civilização judaico-cristã por dentro.

Os militantes identitários —feministas, negros e gays—, que defendem a representatividade em obras de arte, seriam agentes do marxismo cultural. Desejariam levar sua agenda adiante, questionando instituições como a família nuclear e pregando uma moral sexual degenerada.

A revisão que esses grupos tentam promover nos cânones da cultura ocidental —na literatura, por exemplo, tentando incluir negros e mulheres— é lida pela mesma chave. O politicamente correto faria parte da mesma barafunda.

“Nenhuma bibliografia séria trata esses autores como parte de algo chamado marxismo cultural. O Brasil está imitando uma certa direita paranoica americana”, diz Eduardo Wolf, doutor em filosofia pela USP, que lança em março um livro sobre guerras culturais e tem um capítulo sobre o assunto.

Não é mentira que exista uma tradição na esquerda que trata da crítica dos valores da sociedade capitalista —ou que defende a disputa pelas instituições culturais.

O comunista italiano Gramsci, outro a quem os conservadores atribuem culpa em uma tramoia mundial, falava em conquista da hegemonia. O próprio Marcuse, ídolo da contracultura nos anos 1960 e amado por Hélio Oiticica, defendeu o poder subversivo da libertação sexual na época.

A novidade com a direita americana dos anos 1990 é a teoria da conspiração, a ideia de um grande movimento orquestrado, que vê jornais, Hollywood e outros espaços como locais cheios de marxistas mexendo as cordas do mundo.

O conservador americano William S. Lind, em um breve documentário chamado “The History of Political Correctness” (a história do politicamente correto), de 1999, resumiu toda a tese, enquanto tentava explicar como a América tinha sido seduzida pelo politicamente correto —levado a cabo por feministas, gays e outros militantes de esquerda.

A tese se espalhou tanto que virou moda militantes mais exaltados acusarem o trilhardário George Soros como financiador do marxismo cultural —tanto que a universidade que criou na Hungria está sendo expulsa do país pelo presidente Viktor Orbán.

Wolf acredita que haja sim uma hegemonia de esquerda na intelectualidade, ou no circuito das artes e da comunicação —mas acrescenta que há outros fatores que contribuem para tal, como afinidades intelectuais ou pessoais.

“A esquerda recusa, de uma só vez, tanto as teorias conspiratórias do ‘marxismo cultural’ nas instituições quanto a [ideia de que tenha] uma hegemonia avassaladora. Isso se deu por várias razões, de modo complexo. Negar esse predomínio de esquerda só alimenta o discurso paranoico da direita conspiratória.”

Maurício Meireles é jornalista especializado na cobertura de literatura, mercado editorial e políticas de livro e leitura. É repórter e colunista da Folha de S. Paulo.

domingo, 13 de janeiro de 2019

Antonio Prata: A milícia de Brancaleone

“As eleições acabaram, não há lugar para revanchismo”, dizem os supostos arautos da racionalidade, “agora é torcer pra dar certo” — e todos aqueles que não acompanham as primeiras estultices do governo Bolsonaro fazendo coraçãozinho com a mão são petistas ressentidos, incapazes de aceitar as regras da democracia: “Vai pra Cuba!”.

Tenho dificuldade em torcer para o governo Bolsonaro “dar certo”, não por ser um “petista ressentido” —no infinito rol dos inimigos da pátria criado por esta direita neo-jurássica estou mais para “esquerda-caviar”. O problema é que não compreendo o que seria este governo “dar certo”. Se for Bolsonaro e sua milícia de Brancaleone conseguirem pôr em prática boa parte do que prometeram na campanha e começaram a tentar implementar nas últimas duas semanas —com exímia incompetência, felizmente—, estou fora.

Sejamos francos: estes caras são uns lunáticos. Como não chamar de maluco quem acredita que o aquecimento global é um “plot marxista”? Quem acha que a Folha (“Foice”) de S.Paulo e a Globo (“Red Globo”) são comunistas? Quem vê um plano da esquerda, infiltrada em todas as ramificações do ensino e da cultura, para destruir a família? Para Olavo de Carvalho, o Osho da seita Jair messiânica, o “plot” é ainda mais doido: a esquerda é manipulada pelo grande capital que, minando a família do trabalhador, poderá explorá-lo melhor.

“A sociedade que o ‘multiculturalismo’ anuncia” —escreveu aqui na “Foice”, em 2017, o Rajneesh dosbolsominions— “(...) é uma sociedade de tipo romano em que só os ricos e poderosos têm o privilégio de possuir uma família estruturada, enquanto o povão se esfarela numa poeira de átomos soltos, sem pais nem mães, nem tradição, nem passado, nem referência —a massa de manobra ideal para os engenheiros sociais a soldo da elite bilionária”.

Imagina o grau de delírio da pessoa para, toda vez que vê a bunda do Zé Celso, enxergar a carteira do George Soros? Nem no Centro Acadêmico de Ciências Sociais eu me lembro de testemunhar paranoia tão delirante. E olha que lá no CA o pessoal misturava Foucault com maconha, Kaiser quente e Bakunin —coquetel, agora sei, preparado pelos ocultos barmen da “elite bilionária”.

Voltando à terra: imagino que a maioria dos que torcem para o governo “dar certo” se refere à recuperação da economia. Sim, todos queremos crescimento, empregos, riqueza. Mas o que viria na esteira deste crescimento? Porte de arma para a população no país que já é o campeão mundial em mortes por bala? “Ponto final em todos os ativismos no Brasil”, i.e., mais violência contra mulheres, negros, LGBTs? Destruição das florestas, extinção das reservas indígenas? Execuções sumárias pela polícia? Murundu na política externa só para lamber as botas do Trump?

Os mesmos jedis da racionalidade que “torcem pelo Brasil” costumam reduzir tudo à economia, como se o nosso grau de desenvolvimento pudesse ser medido em toneladas de soja e as pautas de “costumes” fossem perfumaria. Ora, “costume” não é dar um ou dois beijinhos. É uma questão de costume escravizar ou não escravizar seres humanos. Uma mulher morrer assassinada a cada duas horas é uma questão de costume. (Eis a tradição que se preserva com a cretinice do azul e do rosa). Desigualdade e injustiça: costume. O que separa a Noruega do Brasil não é a economia, o DNA, a providência divina: são os costumes.

Sinceramente, não sei para o que torcer. Parece-me que a tragédia dell’arte que ora se desenrola diante de nossos olhos não tem como “dar certo”.

Antonio Prata é escritor e roteirista, autor de “Nu, de Botas”, e colunista do jornal Folha de S. Paulo.

sexta-feira, 11 de janeiro de 2019

Última homenagem ao amigo Nelson Suguieda

Morreu nesta sexta-feira, 11 de janeiro, Nelson Suguieda, nosso amigo, trabalhador dedicado e dirigente do PPS paulistano.

De forma inesperada, aos 52 anos, um infarto tirou a vida deste grande cara, exemplo de servidor público.

O sepultamento será neste sábado, dia 12, às 10h da manhã, no Cemitério do Morumbi (Rua Dep. Laércio Corte, 468), onde o corpo também está sendo velado.

Entre as várias homenagens e depoimentos dos amigos e companheiros de partido, unânimes em apontar as suas grandes qualidades, vale reproduzir o texto do jornalista César Hernandes postado nas redes sociais na tarde desta sexta-feira:
Nelsão era um companheiro para todas as horas. Conheci-o no PPS, partido do qual faço parte, mas foi trabalhando ao seu lado que descobri um grande e incansável trabalhador. Dividiu comigo madrugadas adentro auxiliando as vítimas das chuvas e dos incêndios (como na queda do prédio do Largo do Paysandu). 
Servidor público pra lá de dedicado, estava pronto para qualquer situação adversa. Ano passado, na Comunidade do Sapo, região da Água Branca, ficou comigo até as 5 da matina ajudando na distribuição de materiais e no cadastramento das famílias. Não esmorecia jamais, apesar de uma saúde frágil e que merecia mais atenção.
Lutou como poucos na Defesa Civil de São Paulo, mas infelizmente, nos últimos meses, estava triste com a sua situação profissional - apesar de ser um "pé de boi" no dia a dia da Lapa. Mas o que o Nelsão gostava mesmo era de atender a população nas situações de calamidade pública, como no acidente com o avião da TAM, em 2007. Isso o tornava maior do que ele foi aqui nesse plano. Seu coração, grande também, não resistiu mais. Parou de bater na última madrugada. Descanse em paz, Nelsão Hiro Suguieda.
O presidente do PPS paulistano e subprefeito da Lapa, Carlos Fernandes, também lembrou de um momento típico de Suguieda (veja a foto abaixo): ele aproveitava um dia de folga para fazer a manutenção do equipamento de trabalho da Defesa Civil.

"Esse é o cara! Para onde ele for, vai fazer a diferença. Por aqui vai fazer uma falta danada...", resumiu Carlos Fernandes.


quinta-feira, 10 de janeiro de 2019

Faltam 1.451 dias para o fim do governo Bolsonaro

São 10 dias de governo do presidente Jair Bolsonaro. Ufa! Vamos sobreviver. Talvez não o autor desse texto, se continuar desafiando a fúria dos bolsominions com opiniões desagradáveis e questionamentos idênticos aos que fazíamos nas gestões petistas.

Afinal, a milícia (logo mais armada) está aí para proteger o mico (ops, digo, o mito). Estão certos. É da natureza dos cães de guarda proteger a mão que os alimenta, seja o dono destro ou canhoto. Foi com Lula, é com Bolsonaro. E assim será pelos próximos 1.451 dias desse governo, se tudo der certo (para eles e para nós).

Não foi fácil, mas sobrevivemos aos 2.922 dias sob a presidência de Lula, aos 1.959 dias de Dilma Rousseff (ou 2.069 até o impeachment) e aos 851 dias de Michel Temer (mais 111 dias de lambuja, desde o afastamento provisório da petista). É mais ou menos isso, nessa conta feita no papel do pão. Ou seja, foram 4.881 dias de petismo, 962 sob a "temeridade" do PMDB e, desde o 2º turno das eleições de 2018, em 28 de outubro, mais 75 dias de Bolsonaro, o meme que virou presidente com sua trupe de filhos, militares, retrógrados, criacionistas, lunáticos e fanáticos de todo o tipo. Dai-nos força, Senhor!

quarta-feira, 9 de janeiro de 2019

Jair Bolsonaro: O meme que virou presidente

O título é bom, tá ok? Dá livro. Dá documentário. O personagem (ame-o ou odeie) é ótimo. O ator, um "mito" canastrão, típico do período no qual adentrou o Brasil. Vivemos tempos em que transbordam o ódio e a intolerância. A velha esquerda vazou pelo ladrão. A direita mais chucra verte da fossa sanitária. A podridão da política é evidente. Obscurantismo, preconceito, retrocesso, fake news são as marcas dessa "nova era". Deprimente.

Se isso é o novo, que tristeza! Indigência moral, penúria intelectual. A onda da mediocridade varre as redes e as ruas. A generalização dos maus políticos contamina todo o sistema e anula os bons. Tira o espaço essencial da política como mediadora dos interesses públicos e joga todo mundo na vala comum da politicagem, das negociatas e do oportunismo. É a desforra do até então chamado baixo clero do parlamento. Nivelou por aquilo de pior que existia.

Vale o registro desse período. O Blog do PPS faz isso há 13 anos. Informa, relata, analisa, cobra, investiga, compara, opina. Incomoda (Ufa! Que bom!). Seguiremos nessa tarefa, queiram ou não.  Desagradando gregos e troianos. Abaixo, um resumo do que temos publicado sobre Jair Bolsonaro e esse recorte singular da nossa História. Tristes tempos.

Oi, sumido! Quantos likes vale esse governo?

Problema vai ser quando o monstro sair do armário

Das fake news ao fake gov: Será o início do fim?

Presidente Bolsonaro, conte comigo... na oposição!

Cota de malucos de Bolsonaro já está preenchida?

Uma oposição responsável contra Haddad e Bolsonaro

Democracia e Sustentabilidade por um Brasil melhor

Boa política é a maior derrotada neste 2º turno

Vamos falar daquele que não se deve dizer o nome?

O Brasil que eu quero e vou buscar em 7 de outubro

O Brasil nas mãos de quem o brasileiro quiser

Que Brasil teremos depois de 7 de outubro?

Políticos, meus velhos, vocês não entenderam nada!

Fé cega, faca amolada e a eleição presidencial

Os movimentos cíclicos da política no mundo

O Brasil do "ame-o ou deixe-o" de Silvio Santos

Eleições 1989-2018: direto do túnel do tempo

Conheça a seleção de presidenciáveis de 2018

"Matar gente" x "comer gente": A polarização idiotizada

Boçalnaro, o atraso e a ignorância climática

Artigo: Falando a sério sobre Bolsonaro

Para ajudar a entender Lula e Bolsonaro

De Lula a Bolsonaro: mocinhos e vilões nesse telecatch entre esquerda e direita

"Autismo político" do centro pode levar a 2º turno entre Haddad e Bolsonaro

Movimentos visíveis e invisíveis até o domingo

Cresce chance de Bolsonaro ser eleito no 1º turno

Que rumos tomam a eleição após cinco dias de TV?

3, 2, 1... e Jair Bolsonaro: TCHIBUM! #EleNão

Onda #BolsonaroNão tenta sensibilizar eleitor brasileiro

O PT criou e alimenta Bolsonaro. Não reclamem!

Façam as suas apostas para 7 de outubro

Uma semana decisiva para as eleições de 2018

Procura-se o sucessor de Jair Bolsonaro (mas, já???)

Bloco democrático e reformista é lançado para tentar impedir "castástrofe"

#ProgramaDiferente: Bolsonaro, que mito foi esse?

#ProgramaDiferente: Tudo tem início, meio e fim

Discurso "bolsonazi" no #ProgramaDiferente

#ProgramaDiferente sem censura nem preconceito

Os riscos à democracia no Brasil de Bolsonaro

A retrospectiva de 2018 no #ProgramaDiferente