domingo, 18 de agosto de 2019

Será que o gado bolsonarista gosta de maus tratos?

Não basta afrontar a educação, a cultura e a ciência, ignorar o aquecimento global, negar os dados do desmatamento e rasgar dinheiro do fundo de preservação da Amazônia. O meme que virou presidente precisa ir além no obscurantismo, na indecência, na calhordice e no ataque às questões ambientais, à qualidade de vida e à agenda da sustentabilidade.

Em mais um gesto de populismo, demagogia, irresponsabilidade e sordidez, Jair Bolsonaro foi à 64ª Festa do Peão de Boiadeiro de Barretos, no interior paulista, para assinar um decreto que retrocede absurdamente nos padrões de bem-estar animal ao liberar provas que estavam proibidas nos rodeios por causar maus tratos e sofrimento.

Numa cerimônia marcada por gritos de "mito" e pela música "Eu te amo, meu Brasil", da dupla Dom & Ravel, tida como um hino do regime militar, o presidente da República discursou para garantir que defenderá os interesses dos promotores de rodeios e vaquejadas.

Menosprezou ainda os movimentos de proteção e defesa dos animais, tachados com deboche de "grupo do politicamente correto" e que, segundo o presidente, querem simplesmente impedir as festas desse tipo no Brasil.

"Respeito todas as instituições, mas lealdade eu devo a vocês. O Brasil está acima de tudo. Neste momento em que muitos criticam as festas de peões ou as vaquejadas quero dizer que, com muito orgulho, estou com vocês. Para nós não existe o politicamente correto, faremos o que tem de ser feito", afirmou Bolsonaro.

Ao insultar o ativismo pelos direitos dos animais, aproveitou para, mais uma vez, desmerecer também a luta histórica de negros e índios, além de demonstrar total ignorância ao opor a defesa do meio ambiente ao progresso do País. "Não voltei pra cá para demarcar terras indígenas ou quilombolas. O meio ambiente pode e vai casar com o desenvolvimento", afirmou.

Com o decreto assinado por Bolsonaro, fica definido que caberá ao Ministério da Agricultura avaliar os protocolos de bem-estar animal elaborados por entidades promotoras de rodeios e será possível a realização de provas não disputadas atualmente em alguns rodeios para poupar os animais de maus tratos.

Em Barretos, por exemplo, uma lei municipal impedia a prova do laço, que agora deve voltar à programação do evento, assim como a chamada prova do bulldog, que consiste no salto do cavaleiro sobre um bezerro em alta velocidade para imobilizar o animal. O veto tinha ocorrido após a morte brutal de um novilho, em 2011, que sensibilizou a opinião pública.

Além do decreto de Bolsonaro, o deputado federal Capitão Augusto, do PSL, mesmo partido do presidente, anunciou o relançamento da frente parlamentar dos rodeios, vaquejadas e provas equestres. Agora com apoio oficial declarado, a estimativa é estimular o setor. Hoje, cerca de 400 dos 645 municípios paulistas já promovem eventos de montarias em touros.

Nota do Blog: na foto postada com essa matéria, Bolsonaro é o de camisa branca.

sexta-feira, 16 de agosto de 2019

Vai cair a 1ª máscara de Jair Bolsonaro

A questão do projeto que pune o “abuso de autoridade” é crucial para o bolsonarismo.

1) Se vetar, Bolsonaro compra briga com parte considerável do Congresso (inclusive com Rodrigo Maia, que se mostrou ruim em matemática ao não conseguir contar 31 braços levantados, que garantiriam o voto nominal, quando a TV mostrou mais que isso).

2) Se não vetar, estará antecipado o divórcio com parte do eleitorado que votou em Bolsonaro circunstancialmente, mas é sobretudo anti-petista e lavajatista. Essa união de governistas com oposicionistas para restringir a ação de juizes, promotores e policiais atinge em cheio a confiança dos fãs da Lava Jato.

Ao contrário do Novo e do Cidadania, partidos que se posicionaram unidos contra esse projeto que parece ser um passa-moleque na turma de Sérgio Moro e Deltan Dallagnol, o PSL de Bolsonaro não fechou questão e estava dividido na hora de garantir regimentalmente o voto nominal, em vez do simbólico, para a população saber, um por um, o pensamento de cada deputado.

E aí, Bolsonaro? Vai agradar e servir a quem? À base parlamentar ou ao povo brasileiro?

Realidade Virtual, Inteligência Artificial e Realidade Aumentada no #ProgramaDiferente



O #ProgramaDiferente conta a história e revela as novidades da Realidade Virtual, da Realidade Aumentada e da Inteligência Artificial. Quais são os avanços tecnológicos, o que temos hoje em dia e o que podemos esperar para o futuro? Como funciona esse ambiente virtual, criado a partir de um sistema de computadores, capaz de enganar os sentidos do usuário ao induzir efeitos visuais, sonoros e até táteis, obtendo uma sensação de realidade. Assista.

quinta-feira, 15 de agosto de 2019

Oi, eleitor do Bolsonaro, vamos conversar?

Esse diálogo é só com quem votou 17 pra Presidente, talquei?

Sei que não deve estar sendo fácil manter a pose e fingir que está tudo às mil maravilhas. Não está! Mas vamos repetir para quem quiser ler e ouvir que o Brasil está mudando para melhor, porque é Deus do comando! E nós temos fé!

Pelo menos nos livramos dos bandidos, dos corruptos e da esquerdalha no governo, né? Já é uma grande coisa!

Enfim, nenhum de nós queria o PT de volta, certo? Então, faz parte! Bola pra frente!

São oito meses nesse processo de limpeza depois dos 14 anos do PT, dos dois anos do Temer e, antes, dos outros oito anos de FHC e do PSDB. Tudo farinha do mesmo saco! Afundaram o Brasil!

Não é fácil, mas já aprovamos a Reforma da Previdência, a MP da Liberdade Econômica, a redução da tarifa para remédio de câncer, o aumento dos pontos na carteira de motorista, o direito de andar armado... #BolsonaroOrgulhaOBrasil #BolsonaroTemRazão

Cá entre nós, essa mania do Bolsonaro ficar só falando de cocô, fazer piada fora de hora, enaltecer torturador, querer colocar o filho na Embaixada dos Estados Unidos só porque ele fala inglês, fritou hambúrguer e entregou pizza, não pega lá muito bem para um Presidente. Mas ele é autêntico! Isso que vale!

O PSL liberar seus deputados para votarem no projeto que pune "abuso de autoridade" de juiz, polícia e promotor também ficou muito mal explicado. Como que o PSL não fecha questão para proteger a Lava Jato, pô!? Cadê a Joice Hasselmann? Cadê a Carla Zambelli? Cadê a Bia Kicis? E o Major Olímpio?

E tem também essas traições, brigas internas, a expulsão do Alexandre Frota... Esse PSL é um balaio de gatos, hein!? Bem que o Bolsonaro avisou!

Fica difícil entender quem é aliado e quem é inimigo. O Frota, pô, parecia um cara legal... Agora se mostrou um traíra! Criticando o Capitão! Mas não ia dar certo mesmo um ex-ator pornô como símbolo da direita conservadora, do povo de Deus e da família tradicional. Deixa pra lá! Melhor assim!

As máscaras caem, mais cedo ou mais tarde. Lembra do Bebianno, do Reinaldo Azevedo, dos moleques do MBL, do Lobão, do Marco Antonio Villa, do Marcelo Madureira, do Carlos Andreazza? Estavam com a gente ou estavam contra? Um pé em cada canoa não dá, pô!

Bolsonaro ganhou a eleição, porra! Nosso JB! Johnny Bravo! (Não é o melhor personagem, eu preferia algo mais Vingadores, Homem de Ferro, Capitão América, mas se o Mito curte é porque é bom! Johnny Bravo!)

Não entendi direito também esse negócio do Dias Toffoli, presidente do STF indicado pelo Lula, estar aliado agora ao nosso governo e até suspender as investigações contra o Flavio Bolsonaro. A decisão está certa, era pura intriga de petralha contra os filhos do Bolsonaro, mas esse Supremo não dá ponto sem nó! É bom ficar de olho...

Agora ficam falando que teve acordo com esses ministros, eu não acredito! Só se me provarem que o Paulo Guedes quer fatiar a Receita Federal e mudar a estrutura do Coaf  (órgão que produz os relatórios sobre movimentações suspeitas de dinheiro) por alguma negociata! Não pode ser! Só se o Sérgio Moro disser que tem coisa errada, aí eu acredito!

O que eu vejo o tempo todo é intriga dessa oposição vagabunda! Essa extrema imprensa, essa mídia vendida! Tudo mortadela infiltrada nas redações! É só ver com essa gente insiste em compartilhar notícias desfavoráveis ao governo. Incrível como torcem contra o Brasil, pô!

Aqui no meu grupo de whatsapp não entra inimigo da Pátria, não! E se alguém falar contra o meu presidente no facebook ou no twitter eu boto pra f*** mesmo!

Ah, se todo brasileiro fosse patriota como o Luciano Hang, o véio da Havan, esse Brasil seria uma potência econômica! Mas estamos caminhando para isso! Bolsonaro ganhou, porra!

Voltando ao nosso diálogo, eu preciso confessar uma coisa: Eu não votei no Bolsonaro!

Também não votei no 13 (até me culpo um pouco por isso!), mas eu acreditava em uma alternativa melhor para o Brasil, fora dessa polarização burra, com menos ódio e rancor, com menos paixão e mais civilidade, tolerância e racionalidade.

Perdi feio, né? Todo mundo que não votou nem no PT, nem no Bolsonaro, se deu mal! O Brasil escolheu e pronto!

Errou? Acho que errou. Mas agora acabou a campanha. Fica para 2022.

Esse governo, sinceramente, não é lá essas coisas. Parece atuar com sinal trocado ao que o PT fazia. Prega a divisão, tá cheio de gente maluca, incompetente, irresponsável, despreparada e mal intencionada. Quer impor uma ideologia em vez de buscar a unidade... Mas é o que temos!

Eu critico o Bolsonaro, sim! Assim como critiquei a ditadura e depois o Sarney, o Collor, o Itamar, o FHC, o Lula, a Dilma, o Temer... Quem está no poder tem que ser criticado, fiscalizado, prestar contas à população. E o nosso papel é cobrar, criticar, propor alternativas.

Quem tem obrigação, compromisso, responsabilidade de acertar é quem ganhou a eleição, oras! Sempre a turma que está no poder não gosta de ser criticada, é claro! Eles estão no governo tentando nos convencer que pretendem fazer o melhor.

O problema é que nem sempre o melhor para eles é também o melhor para o Brasil, né? Ou você não percebeu que a base de sustentação dos governos nunca muda? São sempre os mesmos, desde a ditadura! Os mesmos interesses, os mesmos partidos, as mesmas bancadas, os mesmos empresários, os mesmos bancos, o mesmo sistema.

Eles fingem que tudo muda a cada eleição para, no fim, ficar tudo exatamente como estava antes. Eles sempre vencem e o povo, iludido, esperançoso, ó... ****-SE!

Não adianta me acusar de petralha, esquerdalha, comunista. Sem mimimi. Não perdi boquinha nenhuma. Não me incomoda o fato de ser governado pela direita ou pela esquerda, desde que estejamos num Estado Democrático de Direito. Não vale me mandar pra Cuba, nem pra Venezuela.

Parodiando o outro: "Lula tá preso, babaca!".

Aproveitando: Você viu o Queiroz por aí?

Viva a democracia! Vou falar o que eu penso, agrade você ou não!

Enfim, a conversa foi boa, mesmo se você me xingar no final. É assim mesmo.

Eu não espero que um eleitor bolsonarista assuma com sinceridade o seu arrependimento. Ainda não. Mas esse dia vai chegar. Acontece com todos. E eu estou aqui esperando para receber você de braços abertos. Prometo nem dizer: "Eu já sabia!". Não precisa tripudiar, né?

Sou brasileiro, não desisto nunca!

quarta-feira, 14 de agosto de 2019

Respeitável público, o Ministro da Deseducação Abraham Weintraub no #ProgramaDiferente



O governo Bolsonaro junta um bando de lunáticos com especialistas em coisa nenhuma, provocadores e bajuladores. Tem como dar certo? Qualquer pensamento crítico ou questionamento público é menosprezado, afinal de contas eles chegaram para reescrever a história, lacrar no twitter e no whatsapp e mostrar que agora tudo é diferente porque o governo é de direita, talquei?

Aí o Brasil é obrigado a conviver com um time de mentecaptos, a começar pelo chefe e sua prole, mais a linha de frente de terraplanistas, analfabetos funcionais e ideólogos fugidos do manicômio: Damares Alves, Olavo de Carvalho, Eugênio Aragão, Ricardo Salles, Abraham Weintraub e outros dignos de reprovação no exame psicotécnico.

Entre os personagens mais folclóricos e burlescos, o ministro da Deseducação, Abraham Weintraub, merece um capítulo à parte. Aspirante a humorista e showman virtual frustrado, ele aparece de dublê de Gene Kelly numa adaptação vexatória de "Cantando na Chuva de Fake News" a provocador barato dos estudantes e professores que foram às ruas nas manifestações contra o desmonte do setor.

"Onde está Wally?", ele provoca no twitter, com imagens selecionadas para dar a falsa ideia da irrelevância dos protestos. Compara o público com o tamanho da torcida da Lusa, a tradicional e querida Associação Portuguesa de Desportos, chamada pelo deseducador ignorante de Portuguesa Futebol Clube, e que, segundo ele, seria suficiente para "lotar uma frota de Combis" (assim mesmo, Kombi com C).

Respondemos no ato: Vamos brincar de "Onde Está Wally" pra achar o Queiroz? Ou os assassinos da Marielle? Ou um ministro equilibrado, capaz e responsável nesse governo de lunáticos do presidente Bolsonaro?

Não dá, sinceramente, para tolerar as sandices e asneiras diárias deste desgoverno do meme que virou presidente. Veja abaixo a sequência de postagens do ministro da Deseducação e as nossas respostas:


Assista aqui um resumo da performance ridícula do ministro Abraham Weintraub e, em seguida, veja alguns artigos e outros vídeos bastante didáticos de tudo o que pensamos do bolsonarismo (e da polarização burra com o lulismo), nesse triste período da nossa história:

Socorro! Os idiotas já dominam o mundo virtual!

terça-feira, 13 de agosto de 2019

Bolsonarismo + Lulismo = Monstro de duas cabeças

Verdades incômodas que precisam ser ditas: o bolsonarismo e o lulismo são fenômenos idênticos, siameses, espelhados à direita e à esquerda, que se retroalimentam e contaminam a democracia com muito ódio, preconceitos, intolerância e ideologias igualmente ultrapassadas. É um monstro de duas cabeças que aterroriza o Brasil com seus seguidores fanáticos, interdita o debate e impede a renovação saudável do ambiente político.

Mas todo esse despreparo, a inaptidão, a irresponsabilidade, a boçalidade e a inépcia de Jair Bolsonaro na função de Presidente da República, governando apenas para a sua bolha direitista, conservadora e retrógrada, enquanto elege toda a sociedade não idiotizada do país e as instituições democráticas e republicanas como inimigas, aponta para uma tragédia anunciada.

Cada ataque desferido por Bolsonaro e pelo seu desgoverno de lunáticos contra as liberdades individuais e coletivas ou contra o estado de direito, é um tiro no pé do Brasil e uma ação irresponsável que o afasta cada vez mais de qualquer possibilidade mínima de convivência pacífica e civilizada com os não convertidos e com os opositores declarados, que crescem a cada bobagem dita.

Assim como Bolsonaro cresceu e surfou na rejeição ao petismo, ele vai acabar conseguindo, na direção contrária, a proeza de ressuscitar Lula e o PT. Este é o resultado óbvio dessa polarização simbiótica entre as duas faces de uma mesma moeda desgastada e desvalorizada da velha política. E às vezes parece que é isso mesmo que ambos querem: manter viva essa rixa ideológica nas ruas, nas redes e na mídia, para que ambos sigam se beneficiando eleitoralmente, ora como protagonistas, ora como antagonistas.

O bolsonarismo é cria direta do antipetismo. Culpa única e exclusiva dos erros do próprio PT e do sentimento de traição à esperança que havia despertado no brasileiro. Isso porque Lula custou a chegar ao céu politicamente, mas acabou no caminho inverso até o inferno. Se antes enfrentou e venceu todos os preconceitos existentes contra o pau-de-arara e ex-sindicalista sem formação escolar, sendo eleito e reeleito presidente (após três tentativas) e repetindo a mágica com a limitada Dilma Rousseff, depois voltou a despencar para as trevas com os escândalos de corrupção do seu partido e a cadeia.

Quando dizemos que Bolsonaro é o meme que se elegeu presidente, não é maldade nem exagero. Personagem dileto de programas de TV como os humorísticos Pânico e CQC ou dos debates bizarros de Luciana Gimenez, exatamente por encarnar esse tipo meio folclórico, meio paspalho, ele acabou personificando toda a rejeição ao PT e às esquerdas por estar no lugar certo e na hora certa, até como vítima do atentado à faca por um transtornado ex-filiado do PSOL. Símbolo da direita, foi o que bastou para eleger o nosso Forrest Gump: mito dos descerebrados e avessos à política tradicional.

Lulistas e bolsonaristas se assemelham em tudo: nos gestos, nas palavras, nas ações. E levantam a bola um do outro ao escolher o opositor como alvo preferencial. A cada #EleNão na campanha ou deboche do #LulaLivre, mais fermento para os dois extremos da polarização. Um presidente ameaça de cadeia o jornalista norte-americano Glenn Greenwald, do The Intercept Brasil. Outro ameaçou de extradição o jornalista norte-americano Larry Rohter, correspondente do The New York Times.

Ambos buscam criar a narrativa mais conveniente, mesmo quando alheia aos fatos, nem que para isso seja necessária uma reinterpretação da história para atender a sua ideologia. Ambos fazem uso de milícias virtuais no assassinato de reputações, na guerra de versões e na difusão de fake news. Ambos demonstram repulsa pelo jornalismo tradicional, tachado por uns de "mídia golpista" e por outros de "extrema imprensa", substituído estrategicamente por blogueiros sujos, tuiteiros e youtubers levianos a serviço do governo da ocasião.

Tentam provar a associação de petistas com o PCC. Por outro lado, estão aí as evidências da ligação de bolsonaristas com milicianos. Uns denunciam que crimes como os de Celso Daniel ou Toninho do PT foram acobertados para proteger figurões do partido. O mesmo se diz, na mão inversa, sobre o mistério que cerca o assassinato da vereadora Marielle, envolvendo políticos e policiais. E aparecem conluios, laranjas, esquemas, privilégios, corrupção nos três poderes.

Aonde tudo isso vai parar? Ninguém sabe. Mas é preciso desenhar para todo mundo entender: É possível ser ao mesmo tempo crítico do lulismo e do bolsonarismo. Ser oposição a Bolsonaro não nos torna lulistas. E vice-versa: eu posso me opor ao Lula e ao PT sem me tornar um bolsonarista (Deus me livre!). A democracia e a boa política clamam por diálogo, civilidade, tolerância, planejamento, fiscalização, ação. Que os democratas se façam presentes!

Mauricio Huertas, jornalista, é secretário de Comunicação do #Cidadania23 em São Paulo, líder RAPS (Rede de Ação Política pela Sustentabilidade), editor do #BlogCidadania23 e apresentador do #ProgramaDiferente.

segunda-feira, 12 de agosto de 2019

Cala a Boca, Bolsonaro! (Até quando aguentar?)



Sabe aquele sujeito que é o espalha-roda? Aonde ele chega, todo mundo se dispersa. Ninguém aguenta. Na rodinha de amigos, na conversa do café, no trabalho, no almoço da família, na mesa do bar. É inconveniente, grosseiro, inoportuno. Quando aparece, você logo pensa: "Xiiii! Lá vem ele!".

São assim esses oito meses do governo Jair Bolsonaro. Nada muito diferente dos 30 anos em que ele foi deputado. O espalha-roda. O tiozão das correntes no whatsapp. O problema é que agora o meme virou presidente. Os idiotas chegaram ao poder. Saíram todos juntos do armário para dominar o mundo.

Então é uma asneira atrás da outra: até regular a quantidade de vezes que você deve ir ao banheiro o sujeito quer. Faz piada fora de hora. Emprega parente e acha bonito. Age como um bobalhão deslumbrado com a cadeira que jamais acreditou verdadeiramente que ocuparia, até porque sempre soube que não tinha capacidade para tanto.

Comemora o regime militar, idolatra torturador. Vive como fiscal do comportamento alheio. Afirma que ninguém passa fome no Brasil. Que o desmatamento da Amazônia é mentira e que defender o meio ambiente é coisa de vegano, ou de quem só come vegetais. Justifica o trabalho infantil, pede cadeia para jornalista, diz que a questão de gênero é coisa do capeta.

Precisa mais? Ele faz, diariamente, nas suas demonstrações de preconceito, ignorância e incivilidade. E o bando de aloprados que acham que o sujeito é um "mito" não admite nenhuma crítica. Como abrir os olhos do brasileiro que não entende que podemos ser oposição ao Bolsonaro sem virar petista, comunista, lulista, isentão ou algo do tipo? Assista no #Olhar23.

sábado, 10 de agosto de 2019

Socorro! Os idiotas já dominam o mundo virtual!

Mais atuais do que nunca as frases do imortal Nelson Rodrigues sobre os idiotas que dominariam o mundo. Ao menos no mundo virtual, das redes e aplicativos digitais, os idiotas já assumiram o poder e perderam a vergonha de mostrar a cara.

A eleição de Jair Bolsonaro foi um marco para tirar os imbecis do armário. Repetir asneiras, destilar preconceitos, defender abominações políticas, sociais, culturais, comportamentais, religiosas, virou regra geral destes tristes tempos.

O bolsonarismo é tão doentio e totalitário que ataca até mesmo quem se declara de direita mas apenas se recusa a ser um idiota fanático e procura manter alguma sensatez e espírito crítico.

Casos emblemáticos são os dos direitistas e anti-petistas Reinaldo Azevedo, ou Marco Antonio Villa, ou Carlos Andreazza, ou Marcelo Madureira, ou Lobão, ou o MBL, entre outros perseguidos pela horda bolsonarista raivosa nas redes sociais.

Quando vocês, bolsonaristas, vão entender que podemos criticar igualmente os erros do PT e de Bolsonaro? Que criticar Bolsonaro não nos torna petistas (ou vice-versa, ao criticar Lula)? Que o mundo não se limita a esses dois pólos? Que podemos ser ao mesmo tempo contrários às ditaduras de direita e de esquerda? Que a censura ou a tortura como instrumentos políticos e ideológicos, ou ainda de controle do Estado, são aberrações inaceitáveis em uma sociedade civilizada? Apenas reflitam.

Não é possível desprezar a ciência, admitir a censura, defender a tortura, tolerar ditaduras ou idolatrar torturadores. Defendemos a democracia e as garantias constitucionais. Não daremos trégua a idiotas, doentes, ignorantes, desinformados ou mal intencionados. Idolatrar Ustra, por exemplo, repetindo o gesto de Bolsonaro, é repugnante. Basta!

Um palpite: Bolsonaro é mero fantoche mas mãos de quem tem objetivos antidemocráticos e de dominação ideológica. Ele só repete aquilo que sua mente limitada lhe permite. É o mesmo paspalho que se elegeu deputado há 30 anos. Mas agora o Brasil piorou, fazendo da piada assunto sério e legitimado pelo voto. O meme virou presidente. É o "mito" de fanáticos descerebrados que seguem repetindo asneiras e fake news.

Um ressalva: merecem respeito os eleitores de Bolsonaro ou do PT, como quaisquer outros. Por outro lado, merecem nosso total repúdio e desprezo os fanáticos, lunáticos e milicianos virtuais da direita ou da esquerda. A esses, combateremos com as armas constitucionais, bom senso, informação e caráter. Se precisar, a gente desenha, aí até adoradores e replicantes de Lula e Bolsonaro vão conseguir entender.

Droga de ministro dessa droga de governo diz que "maconha medicinal" é lobby da indústria da droga

Não é possível tolerar a ignorância, o preconceito, a desinformação e o obscurantismo do ministro da Cidadania, Osmar Terra, na questão da liberação da “maconha medicinal”. Em artigo neste sábado, na Folha de S. Paulo, acusa a Anvisa de lobby da indústria da droga! Típico deste governo de Jair Bolsonaro.

Se Osmar Terra tivesse na família algum caso de paciente em que o uso do canabidiol transformasse a
vida e fosse a única esperança de melhora, não diria tanta asneira. Até a Organização Mundial da Saúde reconhece o que o Ministério da Cidadania quer negar. É a gestão da “Terra plana”.

Não bastasse a nulidade de conhecimento médico-científico ou de argumentos consistentes que justifiquem a intenção do ministro, além de uma posição ideológica baseada em mentiras e suposições alarmistas, é bom contextualizar quais seriam os outros interesses em jogo.

Quem é Osmar Terra, afinal? Ele acusa um suposto lobby de empresas interessadas em liberar as drogas no País. E quais seriam as empresas que ajudaram a financiar esta droga de político? Quem são os doadores da campanha desse ministro chinfrim, eleito em 2018 deputado federal pelo MDB do Rio Grande do Sul. 

Médico formado pela UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) e dirigente sindical, Osmar Terra se elegeu deputado federal pela primeira vez em 2006, ficando antes na suplência nas eleições de 2002 e 1998. Nesse período, ele se licenciou da Câmara para exercer os cargos de secretário de Saúde no governo do Rio Grande do Sul e ministro do Desenvolvimento Agrário, durante o governo Temer.

Até 2014, sua candidatura foi majoritariamente bancada por empresas como a JBS, dona da marca Friboi, dos irmãos Joesley e Wesley Batista, denunciados e presos por diversos escândalos e ilegalidades. Em 2018, o MDB foi responsável por quase todas as receitas. Além de deputado, secretário e ministro, Terra foi prefeito do município de Santa Rosa (RS) entre 1993 e 1996.

Há outras movimentações suspeitas com denunciados e condenados da Operação Lava Jato. De acordo com matéria do jornal O Estado de São Paulo, Terra pediu uma doação à OAS para o financiamento de sua campanha em 2014. Ele mesmo confirma o pedido de R$ 150 mil à empreiteira e que fez ligações a Léo Pinheiro para saber da propina. No entanto, afirma não ter recebido via caixa 2, apesar de a doação não aparece na sua declaração ao TSE.

Ele também esteve envolvido em denúncia do Ministério Público Federal por obstrução de Justiça, quando era secretário da Saúde no Rio Grande do Sul – por não ter informado, depois de cinco insistências, a situação da falta de medicamentos. Terra foi absolvido em 2011 pelo então presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa, porque sua secretária adjunta Arita Gilda Bergmann assumiu a responsabilidade pelo caso.

Outra denúncia inusitada, esta feita pelo "Destak Jornal", foi pedir ressarcimento à Câmara dos Deputados por um combo de pipoca e refrigerante comprado em uma sessão de cinema em 27 de setembro de 2015, em Brasília. A cota parlamentar deve ser utilizada para custeio de despesas ligadas diretamente às atividades parlamentares. Que droga, hein?

sexta-feira, 9 de agosto de 2019

Método da loucura derrotará Bolsonaro

Texto de Reinaldo Azevedo, fundamental para ser lido e provocar a nossa reflexão:

Método da loucura derrotará Bolsonaro

Presidente nunca pretendeu, vê-se agora, governar efetivamente o país

O jogo de Jair Bolsonaro tem zero de improviso e cem por cento de método. Isso não quer dizer que seja eficiente ou bom. Ser metódico não é sinônimo de estar correto. Especialmente quando se toma a decisão de dar uma banana ao resto do mundo.

O presidente já passou a operar no modo eleitoral. Deflagrou a campanha pela reeleição tão logo a Câmara aprovou em primeira votação a reforma da Previdência. O placar alargado, reafirmado com poucas defecções na quarta (7), lhe deu a certeza de que o jogo da economia está ganho. Aí já há um erro essencial de diagnóstico, note-se.

Com pouco mais de seis meses no cargo, vimos o antigo deputado do baixo clero reencarnar no presidente. E ainda com mais virulência. Havia algo de meio apalhaçado no parlamentar que, de vez em quando, atraía a atenção da imprensa em razão do exotismo frequentemente estúpido do que dizia.

A personagem exibia um quê de "clown" meio abobalhado. Suas micagens ideológicas não rendiam nem debate nem divergência substantiva porque primitivas, desinformadas e simplórias na sua truculência. É impossível responder a quem nem errado consegue estar.

Se, antes, manejava só a própria opinião desengonçada, detém agora instrumentos de Estado. E tudo o que fala tem consequência. Aqui e no mundo.

O homem é insubordinável à institucionalidade porque não a reconhece. Como não reconhecia a hierarquia quando pertencia ao Exército. Jamais coube no uniforme do bom soldado.

Nunca pretendeu, vê-se agora, governar efetivamente o país. Ele quer o poder de mando, o que é coisa distinta. Um governante negocia, tenta convencer, concede e obtém concessões de adversários.

O atual inquilino do Palácio do Planalto só entende manifestações de rebeldia —como a sua quando militar— e de obediência. Vê-se no papel de líder de uma pretensa revolução moral que vai enterrar o "socialismo".

O, por assim dizer, pensamento do presidente e de parte da sua tropa não tem fundamento econômico, político, jurídico ou administrativo. Os fantasmas, cumpre lembrar, fantasmas são porque alheios e imunes ao mundo real.

Não é improviso, mas há muito de loucura no tal método. Incapaz de entender ainda que rudimentos de economia e gestão, houve por bem deflagrar uma nova guerra ideológica já de olho em 2022. O país mal saiu da ressaca pesada do ano passado.

Está de volta o defensor da ditadura, o apologista da tortura, o justificador de decapitações em presídios, o inimigo do meio ambiente, o adversário dos índios, o zombeteiro dos direitos humanos, o fanático das armas, o depreciador de minorias, o propagador do ódio à imprensa livre...

A quem fala Bolsonaro? Aposta em manter unida a sua tropa nas redes sociais e antevê, no outro extremo, a radicalização do discurso das esquerdas. Estas, até agora, não morderam a isca, ainda que seja mais por inapetência e desorientação do que por sagacidade.

Esse jogo que consiste em manter aniquilado o centro e seus matizes —centro-direita e centro-esquerda— e em travar batalhas finalistas com uma esquerda radicalizada vai dar certo? Tudo leva a crer que não. E nem tanto em razão de atores internos.

Logo Bolsonaro vai perceber que a reforma da Previdência não basta para recolocar o país no rumo do crescimento e que um governante que tem mais motosserras na língua do que há, já em penca, nas florestas afasta investidores e ameaça a economia.

Antes que seja bem-sucedido na sua guerra doméstica contra fantasmas, o mundo pode transformá-lo e ao país em párias. A capa desta semana da liberal The Economist traz o título "Relógio da morte para a Amazônia".

Um dos tocos de árvore que a ilustram tem o formato do mapa do Brasil. No miolo, pode-se ler: "O mundo deve deixar claro a Bolsonaro que não vai tolerar seu vandalismo".

Ou ainda: "Empresas de alimentos, pressionadas pelos consumidores, devem rejeitar a soja e a carne produzidas em terras amazônicas exploradas ilegalmente. Os parceiros comerciais do Brasil devem fazer acordos atrelados a seu bom comportamento [ambiental]".

As boçalidades ditas pelo presidente e por auxiliares contra o Inpe ganharam o mundo. No melhor dos cenários para o futuro do país e da democracia, o bufão logo começará a ser vítima de sua própria concepção de mundo.

Se não consegue aprender nada com os livros, receberá lições da carne e da soja. E, então, ou o método da loucura cede às imposições da realidade, ou essa realidade botará Bolsonaro para correr. Antes que consiga disputar a reeleição.

Reinaldo Azevedo
Jornalista, autor de “O País dos Petralhas”.

quinta-feira, 8 de agosto de 2019

Quem é Ustra, o "herói nacional" de Bolsonaro



Mais uma vez, como é recorrente, o presidente Jair Bolsonaro afirmou que o coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, chefe do DOI-Codi durante a ditadura militar, é um "herói nacional". Ustra foi o primeiro militar brasileiro a responder em processo judicial pelas torturas ocorridas na época da ditadura. Assista.

Durante entrevista nesta quinta-feira, 8 de agosto, Bolsonaro comentou com jornalistas que receberia a viúva do militar, Maria Joseíta Silva Brilhante Ustra, para um almoço no Palácio do Planalto. Ustra morreu em 2015, aos 83 anos, após comandar o órgão de repressão política do governo militar e ser reconhecido como torturador por inúmeras vítimas.

“Tem um coração enorme. Eu sou apaixonado por ela. Não tive muito contato, mas tive alguns contatos com o marido dela enquanto estava vivo. Um herói nacional que evitou que o Brasil caísse naquilo que a esquerda hoje em dia quer”, declarou Bolsonaro.

O almoço com a viúva de Ustra e a reiterada declaração de que ele é um "herói" acontece poucos dias depois de Bolsonaro contrariar documentos oficiais e afirmar que Fernando Augusto Santa Cruz, desaparecido durante o regime militar e pai do presidente da OAB, Felipe Santa Cruz, foi assassinado por militantes de esquerda. A Comissão Nacional da Verdade, porém, apurou que ele foi "preso e morto por agentes do Estado brasileiro". Mas Bolsonaro não aceita e debocha de todos nós.

Como Nossos Pais no #ProgramaDiferente



O #ProgramaDiferente desta semana traz o tema "Como Nossos Pais", reunindo o espírito das duas grandes celebrações deste domingo, 11 de agosto (Dia dos Pais e Dia da Juventude), com o aniversário de 50 anos do Festival de Woodstock, considerado o maior festival de rock´n roll de todos os tempos, e os ideais do movimento hippie (será que ainda resistem hoje em dia?). Assista.

quarta-feira, 7 de agosto de 2019

#OLHAR23: Bolsonaro já virou caso de interdição?



Quando a realidade predomina sobre a paródia, perdemos todos: jornalistas, críticos, humoristas, políticos. O meme que virou presidente se supera. A piada se apodera do desgoverno de lunáticos. Perderam completamente o senso do ridículo. É caso para internação. Interdição. A sátira do #Olhar23 já vem pronta nos pronunciamentos do presidente Jair Bolsonaro. Pobre Brasil. Assista.