quinta-feira, 24 de maio de 2018

O Brasil do futuro e o presidente-vírgula

A crise dos combustíveis - com o ridículo pedido literal de "trégua" por três dias aos caminhoneiros grevistas (não acatado, obviamente) - é apenas o capítulo mais recente da desprezível obra escrita por Michel Temer, o "presidente-vírgula".

Nada mais emblemático, preciso e objetivo para definir esse governo pífio do que aquele desastrado slogan "O Brasil voltou, 20 anos em dois". Não errou na vírgula, mas no tamanho do atraso. Retrocedemos muito mais.

Registre-se que o fato de considerarmos o período Temer uma triste página a ser virada da nossa história não nos iguala aos repetidores da narrativa do "golpe". Ao contrário dos que vinculavam o #ForaTemer a um #VoltaLula, sempre tachamos o processo de impeachment, os resultados da Operação Lava Jato e a prisão dos corruptos de todos os partidos como legítimos e necessários para a estabilidade democrática e a vitalidade republicana.

Apoiamos a transição que se impôs constitucionalmente para o pós-PT, então a "ponte para o futuro" (perdão pelo trocadilho involuntário com o documento lançado em 2015 com as propostas do "novo" presidente) passava consequentemente por Michel Temer, pelo PMDB e partidos aliados. O problema - e não havia outra solução legalista - é que esse consórcio temerário reúne o que existe de mais retrógrado e nocivo da política brasileira desde Cabral (não o ex-governador do PMDB preso, mas o descobridor).

A posse de Temer, sabíamos todos, não significaria uma ruptura com o passado, até porque ele e sua turma foram cúmplices da bandalheira petista. Porém, uma atenuante era a esperança de vermos executadas as reformas prometidas. Até porque, como não buscaria a reeleição - garantiu o presidente - poderia adotar medidas impopulares mas emergenciais para remediar o colapso do Estado e de suas unidades federativas. Não só descumpriu a promessa como ainda ensaiou uma natimorta candidatura. Triste ilusão do presidente-vírgula, deixar de ser o candidato-traço.

Não é à toa a crescente rejeição do eleitorado à política tradicional. O estrago que a quadrilha petista já tinha causado à esquerda é repetido agora ao centro, dentro do chamado "campo democrático", com o fracasso deste presidente (até no seu papel de mero cumpridor de tabela na transição) e a proliferação de pré-candidatos inexpressivos para ocupar um vazio de lideranças, fruto de governos medíocres e opositores incompetentes.

Resta pouco tempo até a eleição, para a consolidação de uma candidatura representativa do Brasil que desejamos para o futuro. Será impossível o entendimento em torno de um presidenciável que aponte minimamente para um governo íntegro, austero, reformista, democrático, criativo, responsável, justo, respeitador das leis e promotor das condições de igualdade? Se valer a máxima de que Deus é brasileiro, que nos acuda nessa hora. Por favor! Agradecemos antecipadamente. Amém! E ponto final.

Mauricio Huertas, jornalista, é secretário de Comunicação do PPS/SP, diretor executivo da FAP (Fundação Astrojildo Pereira), líder RAPS (Rede de Ação Política pela Sustentabilidade), editor do Blog do PPS e apresentador do #ProgramaDiferente

Combate à homofobia e ao preconceito: uma pauta necessária, principalmente em ano de eleição



Com a pauta sempre atual e necessária do combate à homofobia, o #ProgramaDiferente antecipa a semana da 22ª Parada Gay, ou do Orgulho LGBT (ou LGBTI e mais tantas siglas), que acontece no próximo dia 3 de junho, em São Paulo. Por menos teoria e mais prática de políticas públicas de igualdade e de ações não-discriminatórias.

Destacamos a diversidade no seu sentido mais amplo e contra qualquer tipo de preconceito, assunto obrigatório principalmente em ano de eleição. Temos ainda um bate-papo esclarecedor e descontraído com a participação da cartunista Laerte; do psicólogo Eliseu Neto, coordenador do PPS Diversidade; e de Maju Giorgi, fundadora do grupo Mães pela Diversidade. Assista.

quarta-feira, 23 de maio de 2018

Prefeito Bruno Covas mantém rotina de visitas à Câmara em meio a suspeita no TCM e discussão sobre as mordomias deste órgão auxiliar do Legislativo

Assim como seu antecessor João Doria, o atual prefeito de São Paulo, Bruno Covas (PSDB), mantém a rotina de visitar mensalmente os vereadores paulistanos na Câmara Municipal. Ouve no atacado as demandas dos parlamentares (enquanto no varejo a tarefa cabe ao Secretário da Casa Civil, vereador Eduardo Tuma) e trata dos projetos do Executivo - que, aliás, compõem quase com exclusividade a pauta desta semana.

Uma exceção na pauta é o projeto polêmico de autoria dos conselheiros do Tribunal de Contas do Município, que propõe o aumento do teto salarial de seus funcionários (atrelado ao subsídio dos próprios conselheiros, o que representaria uma despesa extra na casa dos R$ 10 milhões), isso num momento em que mais uma notícia-bomba sobre o TCM é assunto nos bastidores da Câmara.

O Ministério Público investiga o atual presidente do TCM, ex-vereador do PT João Antonio, sob suspeita de ter recebido propina das empresas responsáveis pela limpeza pública e varrição das ruas da cidade. Um assunto recorrente na Câmara - e que volta à tona sempre que a imprensa publica algum escândalo - é a proposta de extinção do TCM, um órgão que por lei é mero auxiliar do Legislativo, com apenas 5 conselheiros, mas que consome aproximadamente R$ 300 milhões anuais dos cofres paulistanos (mais do que muitas secretarias e cada uma das 32 prefeituras regionais).

terça-feira, 22 de maio de 2018

O Blog do PPS lamenta a morte de Alberto Dines



O jornalista, escritor e professor Alberto Dines era referência da profissão, sempre atuante e combativo. Aos 86 anos (com 66 de profissão), era pesquisador sênior do Laboratório de Estudos Avançados em Jornalismo da Unicamp e editor-responsável do Observatório da Imprensa, criado por ele, o primeiro portal de acompanhamento da mídia no Brasil, com versão online e pela televisão.

Reveja aqui a participação de Alberto Dines em dezembro de 2015 no #ProgramaDiferente, da TVFAP.net, com a sua análise sobre a crise do governo brasileiro, que se agravava naquele momento. Ele afirmava ser contra o impeachment da presidente Dilma Roussef e defendia o parlamentarismo como saída para a crise.

Carioca, Alberto Dines iniciou sua carreira em 1952 como crítico de cinema da revista A Cena Muda. No ano seguinte foi convidado trabalhar como repórter na recém-fundada revista Visão, cobrindo assuntos ligados à vida artística, ao teatro e ao cinema. Posteriormente passou a fazer reportagens políticas. Permaneceu na Visão até 1957, quando foi para a revista Manchete. Tornou-se assistente de direção e secretário de redação. 

Em 1959 assumiu a direção do segundo caderno do jornal Última Hora. No ano seguinte foi nomeado editor-chefe da recém-criada revista Fatos e Fotos, tendo colaborado, nessa ocasião, no jornal Tribuna da Imprensa, então pertencente ao Jornal do Brasil. Em 1960, dirigiu o Diário da Noite, dos Diários Associados de Assis Chateaubriand, convertendo-o em tablóide vespertino.

Ingressou em janeiro de 1962 no Jornal do Brasil como editor-chefe. Em 1963 criou e ocupou a cadeira de jornalismo comparado na Faculdade de Jornalismo da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ). Nesse período fundou, dirigiu e colaborou regularmente com os Cadernos de Jornalismo e Comunicação do Jornal do Brasil. Em 1965 instituiu a cadeira de teoria da imprensa na PUC-RJ, onde lecionou até 1966.

Convidado omo paraninfo de uma turma desta Faculdade logo após a edição do AI-5, fez um discurso criticando a censura e, em conseqüência, foi preso em dezembro de 1968 e submetido a inquérito. Em 1971 recebeu o Prêmio Maria Moors Cabot da Universidade de Colúmbia, nos Estados Unidos.

Foi demitido em 1973 do Jornal do Brasil, depois de 12 anos como editor. No JB criou o Departamento de Pesquisa, a Editoria de Fotografia, a Agência JB, além dos Cadernos de Jornalismo. Em 1974 deixou a Fatos e Fotos, viajando para os Estados Unidos, onde foi professor-visitante na Universidade de Columbia durante um ano.

Retornou ao Rio de Janeiro em julho de 1975 e assumiu a chefia da sucursal carioca da Folha de S. Paulo. Em 1980, deixou o jornal e passou a colaborar no semanário O Pasquim, onde reeditou a coluna "Jornal dos Jornais". Em seguida assumiu o cargo de secretário editorial da Editora Abril, em São Paulo. Como diretor-editorial-adjunto, participou da criação de revistas como a Exame de Portugal.

Entre 1988 e 1995 residiu em Lisboa como diretor do Grupo Abril em Portugal. Foi também diretor da empresa Jornalistas Associados, que prestava serviços de consultoria no Brasil e em Portugal. Em 1994 criou em Portugal o Observatório da Imprensa.

De volta ao Brasil em 1994, foi o responsável pela criação do Laboratório de Estudos Avançados em Jornalismo da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Passou também a escrever, entre agosto de 1994 e setembro de 1995, uma coluna de crítica ao jornalismo na revista Imprensa.

Em abril de 1996 lançou a versão eletrônica do Observatório da Imprensa, jornal de crítica e debate sobre o jornalismo contemporâneo, que passou a ter uma edição na TV Educativa do Rio de Janeiro em maio de 1998. Voltou ao Jornal do Brasil em outubro de 1998, onde passou a manter coluna semanal de crítica jornalística.

Recebeu o título de notório saber em história e jornalismo pela USP, na qual também é membro da comissão de avaliação do curso de jornalismo. Lamentamos profundamente a sua morte, uma perda irreparável para o jornalismo brasileiro.

'Ninguém está acima da lei', discursa o juiz Sergio Moro, em inglês, na cerimônia de formatura da Universidade de Notre Dame, nos Estados Unidos



Escolhido orador pelos formandos da Universidade de Notre Dame, nos Estados Unidos, onde já desempenharam a mesma função os ex-presidentes Barack Obama e George W. Bush, o juiz Sergio Moro afirmou neste domingo, 20 de maio, que "ninguém está acima da lei" e que esta é uma lição não só para o Brasil, "mas até para democracias maduras".

No discurso em inglês, pelo qual foi aplaudido de pé ao final, Sergio Moro falou sobre o trabalho na Operação Lava Jato, que, segundo ele, "não tem sido fácil" e traçou um paralelo com a Operação Mãos Limpas, na Itália. Ele citou o número de condenados por lavagem de dinheiro e corrupção (157, por enquanto). Assista aqui a íntegra do pronunciamento, legendado em português.

"Nunca se esqueçam da pedra angular das nações democráticas, que é o Estado de Direito. Isso significa que todos têm igual proteção da lei, isso significa que é preciso proteger os mais vulneráveis, mas também significa que ninguém está acima da lei", afirmou.

O juiz federal classificou a corrupção como "vergonhosa", mas destacou como positivo o endurecimento da lei sobre esses crimes. "Eu não sei o que vai acontecer com o futuro do Brasil. Nós podemos sofrer reveses, mas eu acredito que demos a nós mesmos ao menos uma chance de ter um país melhor", afirmou.

"Não tem sido um trabalho fácil. Velhos hábitos de corrupção sistêmica e impunidade são difíceis de derrotar", disse, emendando que há "ameaças, riscos e tentativas de difamação", mas que, apesar disso, as investigações e julgamentos continuam. Afirmou ainda, sem citar nomes, que entre os condenados há empresários das maiores construtoras brasileiras, além de políticos de alto escalão como "um ex-governador, um ex-ministro da Fazenda, um ex-presidente da Câmara e até mesmo um ex-presidente". 

Em outubro de 2017, Sergio Moro já havia recebido o Notre Dame Awards, uma honraria concedida pela Universidade a pessoas que são "pilares de consciência e integridade, cujas ações beneficiaram seus compatriotas", segundo a instituição. O prêmio existe desde 1992 e já foi entregue a personalidades como Madre Teresa de Calcutá, o ex-presidente norte-americano Jimmy Carter e o irlândes John Hume, agraciado com o Nobel da Paz em 1998.

Na premiação, o presidente da Universidade de Notre Dame, reverendo John I. Jenkins, disse que o juiz está "engajado em nada menos que a preservação da integridade da nação com sua aplicação firme e não enviesada da lei". Ao apresentar o juiz brasileiro mais uma vez, nesta semana, Jenkins lembrou que o escritor peruano e prêmio Nobel da Paz Mario Vargas Llosa afirmou que escolheria Moro "sem vacilar um segundo" se precisasse eleger um brasileiro como exemplo para o mundo.

Veja também:

#ProgramaDiferente debate semelhanças e diferenças entre a Operação Lava Jato, no Brasil, e a Mãos Limpas, na Itália: Quais são os efeitos práticos e as limitações do combate eficaz à corrupção na política?

Presidente do PPS paulistano, Carlos Fernandes participa do evento "A Mobilidade do Século 21"

Evento que debate "A Mobilidade do Século 21" nesta quarta-feira, 23 de maio, terá a participação do presidente do PPS paulistano e prefeito regional da Lapa, Carlos Fernandes. Se você quiser comparecer, inscreva-se aqui.

A série "Envolverde Convida" é uma realização do Instituto Envolverde, organização da sociedade civil que fez do jornalismo sua principal ferramenta para estimular o diálogo social sobre a sustentabilidade.

Participe:

A MOBILIDADE NO SÉCULO 21

DATA: 23 de MAIO de 2018

HORÁRIO: 10h às 12h

LOCAL: UNIBES CULTURAL- Rua Oscar Freire, 2500 - ao lado do metrô Sumaré - Sumaré, São Paulo

Muitas cidades do mundo estão planejando a mobilidade pós 2030. Algumas apostam na eletrificação, outras na proibição de motores diesel e uma grande maioria tem nos transportes públicos a opção preferencial. Qual a tendência da mobilidade urbana no Brasil do século 21?

PROGRAMAÇÃO

9h30 Credenciamento

10h00 Abertura

10h20 Diálogo

Lincoln Paiva – Mestre em urbanismo, especialista em mobilidade urbana

Carlos Fernandes - Prefeito regional da Lapa

Dal Marcondes – jornalista, presidente do Instituto Envolverde

Reinaldo Canto – jornalista, diretor de Projetos Especiais do Instituto Envolverde

12h00 Encerramento

segunda-feira, 21 de maio de 2018

Fim-de-semana agitado para filiados do PPS paulistano com Soninha, Arnaldo Jardim e Carlos Fernandes

Repercutiu bastante nas redes sociais as atividades deste fim-de-semana que reuniram a vereadora Soninha Francine, o deputado federal Arnaldo Jardim e o prefeito regional da Lapa, Carlos Fernandes, que é também o  presidente do PPS paulistano.

O sábado começou cedo com um café da manhã na Vila Leopoldina, na zona oeste, para conversar sobre as bases do edital de concessão de novo entreposto do Ceagesp, que serão conhecidas em junho. O governo do Estado vai divulgar o resultado do estudo das quatros propostas apresentadas pelos consórcios interessados na concessão do novo Ceagesp, a ser transferido do local atual.

Na Sociedade Benfeitora Jaguaré, a ação foi plantar árvores junto com alunos do bairro em um local onde antes existia um grande ponto viciado de lixo, bem na porta da escola. O espaço foi revitalizado pelo projeto Nossa Vila Limpa. Depois as crianças plantaram também verduras na horta no pátio da escola e aprenderam que essas mudas serão a salada deles daqui a uns dias.

No Mercado Municipal da Lapa, a conversa foi com os permissionários, além de uma visita à obra de drenagem e requalificação das paradas de ônibus, que está sendo feita ali ao lado. No Ecoponto da Barra Funda, o bate-papo foi com o pessoal da Coopermiti e os taxistas do ponto que fica embaixo do Viaduto Antártica, sobre sustentabilidade e a reciclagem de resíduos eletroeletrônicos.

Depois das atividades na zona oeste, houve tempo ainda para encontros no extremo oposto da cidade, no Cangaíba, em São Miguel e no Itaim Paulista, bairros da região leste, com militantes e dirigentes zonais do PPS paulistano e com o prefeito, o vice-prefeito e vereadores de Poá, tratando sobre alimentação saudável e a situação do país para as eleições de outubro.

sexta-feira, 18 de maio de 2018

#ProgramaDiferente encerra série sobre "Desafios Políticos de um Mundo em Intensa Transformação" com o tema "Reinventando o Estado Democrático"



Encerrando a série "Desafios Políticos de um Mundo em Intensa Transformação", o #ProgramaDiferente trata do tema "Reinventando o Estado Democrático". Como políticos, partidos e até mesmo os intelectuais podem se adaptar a uma prática que contemple os anseios de uma nova sociedade? Como não ficar falando apenas para si mesmos, desconectados do mundo real, que se reinventa minuto a minuto?

Participam do programa Adrian Wooldridge, jornalista, colunista da Economist e coautor de A Quarta RevoluçãoFernando Henrique Cardoso, sociólogo e ex-presidente da República (1995-2002); e Roberto Freire, deputado federal e presidente nacional do PPS. Que mundo novo é esse em que vivemos? Como aproveitar as vivências e experiências para termos dias melhores? Assista.

quinta-feira, 17 de maio de 2018

Velha política e a vergonha nossa de cada dia

Passada a trapalhada do tragicômico slogan do governo federal "O Brasil voltou, 20 anos em 2", talvez outro escrito pelo garoto prodígio Michelzinho, que aos 7 anos já tinha criado o "Ordem e Progresso", agora ao aprender na escola o correto emprego da vírgula, temos nesta quinta-feira, 17 de maio, mais uma daquelas coincidências históricas inusitadas.

Completamos o 1º aniversário da delação da JBS contra o presidente Michel Temer: e nada aconteceu, apesar da gravação de diálogos comprometedores e antirrepublicanos, além de imagens de carregadores de mala de dinheiro e outros flagrantes de igual teor, que causariam vergonha alheia até na Velhinha de Taubaté, aquela que seria a última pessoa no Brasil a duvidar da honestidade do Presidente da República.

Mas esses defensores fiéis dos mais altos mandatários do País não se limitam à ficção da personagem de Luis Fernando Veríssimo dos tempos do general Figueiredo, nem aos temerários arautos do atual presidente.

Esta quinta-feira marca também a estreia de um documentário que reforça a narrativa petista do "golpe" contra a ex-presidente Dilma Rousseff. Quem tiver estômago para tanto (argh!), pode pagar para assistir "O Processo", lançado em meia dúzia de salas dos cinemas mais chiques e caros do Brasil.

O que esse pessoal custa a entender, à esquerda ou à direita, no PT, no PSDB ou no "novo" MDB (ex-PMDB, que já foi o velho MDB), é que o brasileiro está farto de todos os corruptos, independente da denominação ou da coloração partidária.

Tirando os beneficiários de um ou de outro esquema, o cidadão comum, honesto e trabalhador, não tem bandido de estimação. Quer cadeia para todo e qualquer político ladrão. Seja Temer ou Lula, Dilma ou Aécio, que se investigue, apure as responsabilidades e condene exemplarmente. Doa a quem doer. Aí sim avançaremos 518 anos em um.

terça-feira, 15 de maio de 2018

Roberto Freire fala sobre o cenário eleitoral de 2018



No Jornal da Gazeta, o deputado federal por São Paulo e candidato à reeleição Roberto Freire, presidente nacional do PPS, fala sobre o partido e as eleições de 2018 à jornalista Maria Lydia. Ele avalia a importância das pesquisas de intenção de voto, opina sobre o cenário de presidenciáveis com a desistência de Joaquim Barbosa, critica a esquerda e a direita igualmente descompromissadas com a democracia e aposta no crescimento de Geraldo Alckmin, ainda que aponte dificuldades neste momento para a ampliação da candidatura. Assista.

Gabeira: "As ideias brigam, as pessoas não devem"

É incrível a lucidez, o bom senso e o equilíbrio do jornalista e escritor Fernando Gabeira. Aos 77 anos, afastado da política eleitoral e um dos mais brilhantes nomes do jornalismo atual, ele representa hoje boa parte daquilo que defendemos para o Brasil e o mundo em termos de boas ideias e integridade de caráter. Vale a pena ler essa entrevista publicada no jornal O Estado de S. Paulo. Uma verdadeira aula.

“Seria excelente se discutíssemos com paixão, compreendendo que as ideias brigam, mas as pessoas não devem brigar.” (Fernando Gabeira)

Jornalista e escritor, hoje com programa na GloboNews e coluna no jornal O Estado de S.Paulo, aos 77 anos, Fernando Gabeira protagonizou importantes momentos da vida política brasileira. Mineiro de Juiz de Fora, mas muito mais carioca da gema, combateu a ditatura; foi candidato a governo e prefeitura do Rio de Janeiro e também à presidência da República; deputado federal por quatro mandatos consecutivos; e pioneiro na defesa do meio ambiente. Apesar do admirável e longo percurso na política acabou por abandonar a atividade. Voltou para as redações, onde começou sua vida profissional, e dedica-se também à produção literária.

Gabeira participou da luta armada contra a ditadura militar como militante do movimento Revolucionário Oito de Outubro, o famoso MR8. Em 1969, sequestrou, junto com mais 11 jovens guerrilheiros, o embaixador norte-americano Charles Elbrick. O episódio foi relatado em seu livro “O que é isso companheiro?”, que virou um clássico da literatura nacional. Um ano depois, ao resistir à prisão, levou um tiro nas costas que perfurou o fígado, mas resistiu. Passou então uma década exilado no Chile, Itália e, principalmente, na Suécia onde estudou Antropologia pela Universidade de Estocolmo.

Quando a ditadura entrou em declínio, Gabeira voltou ao país e virou, novamente, assunto nacional. Não mais pela ousadia de, ainda garoto, capturar diplomata e enfrentar os anos de chumbo. No verão de 1980, o ex-guerrilheiro, acostumado a frequentar nu as praias da Grécia, passou a comparecer ao Posto Nove, em Ipanema, vestido com uma tanga lilás de crochê. Com isso pretendia debater o machismo e a diversidade sexual. Esse foi outro aspecto político de sua trajetória: a defesa de pautas polêmicas como profissionalização da prostituição, casamento gay e legalização da maconha.

Nesse maio de 2018, em que se comemora os 50 anos de maio de 1968, o Brasil atravessa uma de suas maiores crises – política, moral e econômica. Os momentos são distintos, mas a data emblemática. Para pensar o contexto atual do país sob essa perspectiva histórica, o blog entrevistou Fernando Gabeira. Discreto, elegante e muito lúcido, o jornalista retirou-se da política, mas não desistiu do Brasil.

Gabeira: "O Brasil não acabou"

Por Juliana Cunha Lima Neves

Estamos em maio de 2018, comemorando 50 anos de maio de 1968. Para o senhor, que foi testemunha e protagonista de nossa história política, o Brasil está melhor? Valeu a pena a luta?

A luta que houve no Brasil não está circunscrita apenas ao que houve, em 1968. Ela é muito mais ampla. Valeu a pena porque conquistamos a democracia, ultrapassamos o primeiro obstáculo que era a impossibilidade de escolher diretamente um presidente da República, surgiu o movimento em torno das eleições diretas e, depois disso, houve um processo democrático que chegou ao ponto que chegou.

Hoje o sistema partidário está falido, mas as instituições que o regulam estão trabalhando no sentido de punir responsáveis pelos erros que aconteceram, que é o caso da Lava Jato. E prepara-se agora, no processo eleitoral, uma resposta articulada da sociedade sobre tudo isso que aconteceu. Evidentemente que é uma resposta limitada. Não houve uma reforma política de fato. As coisas estão de tal maneira, que as portas da renovação estão muito estreitas. Mas, o processo democrático está em curso e teremos que partir dessa crise para reconstruir.

Não que o país esteja destruído. Reconstruir o sistema político, partidário, as estruturas políticas com um objetivo de estabelecer, novamente, uma conexão entre o sistema político e a sociedade.

E nos costumes, no que o senhor acha que avançamos ou regredimos?

Na verdade os movimentos no Brasil não se deram só no campo da política, mas no da cultura também, e o tropicalismo é um exemplo disso. O maio de 1968 e as ideias de 1968 no exterior são um pouco diferentes do que aconteceu aqui. No Brasil foi a partir do declínio da ditadura militar que começaram mais fortemente as pretensões do feminismo, da luta contra o racismo, dos homossexuais. Isso estava em gestação no fim da ditadura militar. Quando cheguei ao Brasil, em 1979, havia um jornal chamado Lampião que era o primeiro porta voz do movimento gay e surgiu com uma distância grande de 1968. Da mesma maneira, o movimento feminista ganhou maior dimensão no país a partir da democratização. Esses movimentos se fortaleceram no processo de democratização.

O movimento de 1968 se expressou em diferentes países e em tempos diferentes. Aqui a luta principal era em torno da derrubada do governo autoritário. No exterior era uma luta mais cultural. O slogan de nosso “maio de 1968” era “proibido proibir” ou “desejamos o impossível”. São coisas que expressavam uma situação em que o movimento dos trabalhadores, já não era mais o grande sujeito das transformações. As expressões não eram mais econômicas, eram culturais. Esse processo foi mais lento no Brasil, quando as expressões culturais passam a ser mais importantes.

Existe hoje no Brasil uma grande presença do feminismo, do movimento negro, do movimento gay. Todas essas questões foram assimiladas. Agora, o quanto avançamos depende de como vemos. Se entendermos o avanço em termos de nossas identidades culturais, avançamos muito. Mas, precisamos entender também qual foi o preço do avanço das identidades culturais, que enfraqueceram um pouco a força da luta nacional. Começou a ter uma divisão bem forte na própria sociedade, que não está apenas nas identidades culturais, mas em toda luta política.

Nós nos dividimos muito mais do que estávamos divididos no passado. Na luta pelas Diretas estávamos todos no mesmo palanque. A luta nacional era uma coisa pensada. Tínhamos objetivos nacionais. Com o nível de radicalização e de hostilidade recíproca, que aconteceram de lá para cá, as ideias de um projeto nacional em torno de alguma coisa que supere identidades e diferenças ideológicas é muito difícil hoje. Talvez mais do que no passado.

O que é ser progressista?

Para responder a esta pergunta, é preciso avaliar a palavra progresso. Que tipo de progresso se quer. Tem progressista que quer o crescimento econômico. Tem o progressista que não deseja o progresso econômico a todo custo, mas um progresso sustentável. Não só na preservação de recursos naturais, mas também em uma ética das nova geração. A ética nas novas gerações é progressista.

Como o senhor se define hoje politicamente?

Eu não sinto essa necessidade de me definir. Tive uma formação mais de esquerda, procuro avaliar o que considero correto ou não nas ideias de esquerda. E, hoje, tomo posições um pouco desconfiado de uma rigidez ideológica. Busco encontrar soluções que, independente de serem direita ou esquerda, me pareçam mais adequadas. Eu respeito as pessoas que são de esquerda e de direita, mas nem sempre elas têm razão em tudo.

O que é ser esquerda?

Não acho a forma de ser de esquerda no Brasil adequada. Na minha opinião, ser de esquerda hoje é compreender, primeiro, que a democracia não é apenas uma tática. A democracia não é um pretexto para se chegar ao controle total do poder. A democracia é uma visão estratégica e algo a se conquistar progressivamente, cada vez mais. Isso já define um nível de esquerda fundamental. Ser de esquerda também significa avaliar se ela tem alguma alternativa para o capitalismo. É algo para se discutir. Se a alternativa para o capitalismo se produz na mesa de trabalho ou vai se mostrar ao longo do desenvolvimento do próprio capitalismo.

Em outras palavras, se a história tem script ou não. Eu sou daqueles que acham que hoje a história não tem script pré-determinado. Então, nesse sentido, eu não sou de esquerda. Não tenho nenhuma fé no curso da história, em determinado rumo.

O Brasil atravessa uma de suas maiores crises – política, moral e econômica. Passamos pelo impeachment de Dilma Rousseff, por um período de grave recessão na economia, temos enfrentado o combate a corrupção e testemunhado um conflito institucional entre judiciário e classe política. Como desdobramentos tivemos intervenção federal no Rio de Janeiro, a morte de Marielle e a prisão de Lula. Qual a sua visão sobre esse momento que vivemos?

O momento é de pensar nas eleições de 2018 e discutir, amplamente, a reconstrução do país em novas bases. Isso, para mim, é o principal do momento, que está ofuscado pelos fragmentos do passado. A prisão do Lula, todas as coisas que foram avaliadas em termos de corrupção, o desenvolvimento da Lava Jato já são hoje secundários frente a necessidade que temos de olhar para frente. De pensar como vamos sair dessa crise e buscar algum entendimento.

Seria excelente se discutíssemos com paixão, mas discutíssemos também compreendendo que as ideias brigam, mas as pessoas não devem brigar. Seria necessária uma discussão que clareasse o rumo dos políticos sobre o que fazer, a partir de janeiro de 2019.

As eleições de 2018 podem apaziguar a instabilidade política do país?

Eu não acho. Nas eleições sempre há muita polarização. Mas, se conseguirmos retirar essa polarização da cena principal, o lado mais radical da polarização, fica mais fácil a gente se aproximar de alguns consensos nacionais. Agora é inevitável que exista polarização de extremos. É inevitável que pelas circunstâncias históricas e desenvolvimento da conjuntura, o extremo mais a direita cresça e chegue aos seus limites nessas eleições. Alguns extremos da direita chegaram no segundo turno em outros países como na França na eleição do Macron e Marie Le Pen. Esse processo me parece que vai também se configurar no Brasil.

O senhor já tem candidato a presidência da República?

Não (risos). Nessas eleições minha intenção não é comentar as características de um ou outro candidato. Mas, discutir coisas que possam ser consensuais para tentar levar qualquer vencedor a considerar isso uma demanda que tem que ser atendida.

Além de jornalista e escritor, o senhor tem um percurso político admirável: combateu a ditatura, foi candidato a governo e prefeitura do Rio de Janeiro, também a presidência da República, foi deputado federal por mais de um mandato, defendeu causas nobres e caras ao Brasil, principalmente, nas questões ambientais. Por que o senhor continuou jornalista e escritor e abandonou a política?

Perdi quase todas as eleições, de modo que não posso ser considerado um vencedor nesse campo. Fui eleito como deputado quatro vezes e procurei desenvolver meu trabalho. Em determinado momento senti que a questão da corrupção tinha um papel fundamental. Me dediquei um pouco ao combate a corrupção. Fui sub-relator de uma CPI que funcionou, chamada CPI dos Sangue Sugas, que teve efeito razoável. Mas, a partir do segundo governo do Lula, as coisas ficaram muito difíceis para se lutar contra a corrupção no Congresso. Você estava em território minado. Eu senti que era deputado, mas que não conseguia fazer aquilo que era necessário. Então decidi abandonar e voltar a minha carreira de jornalista, que gosto muito. Comecei quando garoto e estou terminando agora.

O atual cenário político do Rio de Janeiro é desolador. A Lava Jato e essa crise toda trouxe à tona a precariedade da política carioca. O Estado tem pouquíssimos quadros qualificados de políticos. O senhor era com certeza um deles, mas não permaneceu na política. O que acontece no Rio de Janeiro?

O que aconteceu no Rio foi um longo período de dominação do PMDB. E toda minha atividade eleitoral, independente das propostas da campanha, era no sentido de derrotar esse grupo, que me parecia bastante problemático pela corrupção e pela incompetência. Isso não foi realizado porque se vivia, no momento, uma euforia do petróleo. Havia também muito dinheiro injetado no Rio de Janeiro através da aliança entre o Lula e o Cabral. A sociedade se deixou seduzir pela candidatura do Cabral e pelo que propunha, que era muito sedutor: prosperidade, abundância de dinheiro, algo que interessava muita gente. Todos participando desse banquete. Então houve uma tendência à vitória dele.

Era muito difícil competir com o Cabral. Além deles terem muito dinheiro, que vinha da corrupção, tinha também a sedução do crescimento econômico e um investimento maciço do governo federal aqui. Isso fez com que a oposição se desarticulasse e, agora, com a queda do Cabral não tem no Rio de Janeiro nenhuma alternativa para a reconstrução. Eu concordo que há uma escassez grande de quadros para a transição.

O descrédito da atividade política e dos políticos dominam o país como um todo. O que seria, na sua opinião, a tão desejada renovação política no Brasil? Como chegar lá?

Uma coisa que a prática no Congresso me mostrou é que a renovação não pode ser apenas a entrada de novos nomes. Porque mesmo que entrem com boas intenções, depois de um tempo, que nada mudou na estrutura, no funcionamento do Congresso, as pessoas passam a falar a linguagem dos velhos. Elas começam a falar o idioma antigo.

É preciso mudar aspectos do funcionamento, do mecanismo para que a pessoa não seja sufocada ou engolfada pelo tradicional. A renovação nunca pode ser confiada como uma renovação a partir do zero. Vou te dar um exemplo cômico. Se tivéssemos 512 deputados novos e mais o Eduardo Cunha eleito, era capaz dele enrolar todos e dirigir o Congresso durante muito tempo, com os mecanismos e as coisas que existem lá. Então é fundamental que exista uma preocupação mais articulada de se apoiar pessoas que passaram pelo Congresso, dispostas a renovar, mas que não tiveram oportunidade de fazer isso no mandato. Elas podem transmitir essa experiência, que ajudaria a conduzir um outro caminho lá dentro.

É preciso fazer um redesenho institucional?

O redesenho institucional implica uma coisa muito ampla, que talvez a gente não possa fazer. Deve haver uma série de medidas e caminhos a ser conquistada em associação com esse grupo renovador. Um grupo que se salva no Congresso e a sociedade. O foro privilegiado é uma das metas. Acabar com o foro privilegiado e outros fatores que podem contribuir um pouco para controlar a corrupção.

Outra coisa que minha presença lá dentro ensinou é que um grupo articulado de renovadores, em contato e permanente debate com a sociedade, tem poder de conquistar muitas coisas. Nós tivemos dificuldade para garantir o voto aberto nas cassações de mandatos. Quando essa questão foi colocada houve um grande empenho da sociedade para que o voto aberto fosse adotado. E levamos isso a voto aberto e a votação foi quase maciça. Então cada vez que você consegue colocar um tema na agenda e envolver a sociedade, a pressão sobre o Congresso é grande, e você pode obter algumas vitórias. Isso dá mais poder à sociedade dentro do próprio Congresso.

Em maio de 2018, como o senhor enxerga o futuro do Brasil?

Eu não enxergo claramente o futuro do Brasil. Mas, o Brasil avança em vários campos. Em termos econômicos estamos vivenciando uma recuperação econômica. Acho que o Brasil pode recuperar a importância econômica que estava adquirindo inclusive no mundo. Podemos reconstruir o sistema político partidário, que tenha o mínimo de respeito e integração com a sociedade. No campo cultural, espero um Brasil criativo, reverente com todas as suas características.

O Brasil não acabou. Não estou esperando um Brasil, porque o Brasil está aqui. E existem muitas coisas no Brasil, que me apoio em termos de esperança. Uma delas é o potencial de nossa riqueza natural. É claro que o processo de destruição ambiental traz preocupação. Mas, podemos esperar que exista, cada vez mais no Brasil, uma consciência de preservação do meio ambiente. Eu espero um Brasil mais sustentável e consciente da importância das suas riquezas naturais.

Agora vou te confessar a última coisa. É isso que espero, mas já esperei coisas e nem todas as coisas que esperei se realizaram. Tudo vai depender de combinar com os russos.

segunda-feira, 14 de maio de 2018

Dois meses da morte de Marielle. Quem matou?

São dois meses sem sabermos quem matou e quem mandou matar a vereadora Marielle Franco (PSOL) e seu motorista Anderson Gomes, assassinados em 14 de março, no Rio de Janeiro.

Vazam acusações, boatos e suspeitas, mas de concreto a Polícia e o Ministério da Segurança Pública não trouxeram absolutamente nada.

É muito pouca objetividade e eficiência pelo barulho que se fez na época, como auto-promoção do governo e da intervenção federal em curso. O Brasil precisa de mais justiça e menos marketing, por favor.

sexta-feira, 11 de maio de 2018

Dia das Mães: Gravidez na Adolescência



Neste especial do Dia das Mães, o #ProgramaDiferente trata de um tema social, cultural, comportamental e de saúde pública, urgente e polêmico: a Gravidez na Adolescência. Quais são as responsabilidades de uma criança que faz criança? Como a família, a escola e a sociedade atuam nessa questão? Como propor essa discussão a meninos e meninas sem que o assunto se torne um porre e cause aversão?

Quem relata a experiência de ser mãe jovem são as próprias meninas que engravidaram cedo. Os medos, as preocupações, as emoções à flor da pele, a reação dos amigos e dos pais. Também a médica ginecologista e obstetra Albertina Duarte, coordenadora do Programa de Saúde do Adolescente no Estado de São Paulo, traz informações relevantes sobre o tema. Assista.

quinta-feira, 10 de maio de 2018

Ministro Barroso fala no Brazil Forum sobre foro privilegiado, falhas e polêmicas do Supremo, e ainda diz que brasileiro é "viciado no Estado"



#ProgramaDiferente traz a íntegra da participação do ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal, na terceira edição do Brazil Forum UK, evento realizado anualmente em Londres e Oxford. Desde junho de 2013 no STF, ele vem se destacando principalmente por bater de frente com outros ministros como Gilmar Mendes. Na capital britânica, Barroso fala sobre os 30 anos da Constituição Federal, a crise ética, política e institucional, avalia que o Brasil sofre de “oficialismo”, “patrimonialismo” e “desigualdade”, e que essas três disfunções ajudam a atrasar o avanço da história do país.

Sobre o oficialismo, Barroso disse que há uma grande dependência do Estado na vida brasileira, que se trata, de acordo com ele, de um verdadeiro vício. “Qualquer projeto depende do financiamento do BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social), da Caixa, do prefeito ou do governador. Temos que expandir a sociedade e reduzir essa dependência”, defendeu. “A presença excessiva do Estado gera a cultura de favorecimento e está por trás do loteamento de cargos públicos, por exemplo”. Assista.