sexta-feira, 16 de agosto de 2019

Vai cair a 1ª máscara de Jair Bolsonaro

A questão do projeto que pune o “abuso de autoridade” é crucial para o bolsonarismo.

1) Se vetar, Bolsonaro compra briga com parte considerável do Congresso (inclusive com Rodrigo Maia, que se mostrou ruim em matemática ao não conseguir contar 31 braços levantados, que garantiriam o voto nominal, quando a TV mostrou mais que isso).

2) Se não vetar, estará antecipado o divórcio com parte do eleitorado que votou em Bolsonaro circunstancialmente, mas é sobretudo anti-petista e lavajatista. Essa união de governistas com oposicionistas para restringir a ação de juizes, promotores e policiais atinge em cheio a confiança dos fãs da Lava Jato.

Ao contrário do Novo e do Cidadania, partidos que se posicionaram unidos contra esse projeto que parece ser um passa-moleque na turma de Sérgio Moro e Deltan Dallagnol, o PSL de Bolsonaro não fechou questão e estava dividido na hora de garantir regimentalmente o voto nominal, em vez do simbólico, para a população saber, um por um, o pensamento de cada deputado.

E aí, Bolsonaro? Vai agradar e servir a quem? À base parlamentar ou ao povo brasileiro?

Realidade Virtual, Inteligência Artificial e Realidade Aumentada no #ProgramaDiferente



O #ProgramaDiferente conta a história e revela as novidades da Realidade Virtual, da Realidade Aumentada e da Inteligência Artificial. Quais são os avanços tecnológicos, o que temos hoje em dia e o que podemos esperar para o futuro? Como funciona esse ambiente virtual, criado a partir de um sistema de computadores, capaz de enganar os sentidos do usuário ao induzir efeitos visuais, sonoros e até táteis, obtendo uma sensação de realidade. Assista.

quinta-feira, 15 de agosto de 2019

Oi, eleitor do Bolsonaro, vamos conversar?

Esse diálogo é só com quem votou 17 pra Presidente, talquei?

Sei que não deve estar sendo fácil manter a pose e fingir que está tudo às mil maravilhas. Não está! Mas vamos repetir para quem quiser ler e ouvir que o Brasil está mudando para melhor, porque é Deus do comando! E nós temos fé!

Pelo menos nos livramos dos bandidos, dos corruptos e da esquerdalha no governo, né? Já é uma grande coisa!

Enfim, nenhum de nós queria o PT de volta, certo? Então, faz parte! Bola pra frente!

São oito meses nesse processo de limpeza depois dos 14 anos do PT, dos dois anos do Temer e, antes, dos outros oito anos de FHC e do PSDB. Tudo farinha do mesmo saco! Afundaram o Brasil!

Não é fácil, mas já aprovamos a Reforma da Previdência, a MP da Liberdade Econômica, a redução da tarifa para remédio de câncer, o aumento dos pontos na carteira de motorista, o direito de andar armado... #BolsonaroOrgulhaOBrasil #BolsonaroTemRazão

Cá entre nós, essa mania do Bolsonaro ficar só falando de cocô, fazer piada fora de hora, enaltecer torturador, querer colocar o filho na Embaixada dos Estados Unidos só porque ele fala inglês, fritou hambúrguer e entregou pizza, não pega lá muito bem para um Presidente. Mas ele é autêntico! Isso que vale!

O PSL liberar seus deputados para votarem no projeto que pune "abuso de autoridade" de juiz, polícia e promotor também ficou muito mal explicado. Como que o PSL não fecha questão para proteger a Lava Jato, pô!? Cadê a Joice Hasselmann? Cadê a Carla Zambelli? Cadê a Bia Kicis? E o Major Olímpio?

E tem também essas traições, brigas internas, a expulsão do Alexandre Frota... Esse PSL é um balaio de gatos, hein!? Bem que o Bolsonaro avisou!

Fica difícil entender quem é aliado e quem é inimigo. O Frota, pô, parecia um cara legal... Agora se mostrou um traíra! Criticando o Capitão! Mas não ia dar certo mesmo um ex-ator pornô como símbolo da direita conservadora, do povo de Deus e da família tradicional. Deixa pra lá! Melhor assim!

As máscaras caem, mais cedo ou mais tarde. Lembra do Bebianno, do Reinaldo Azevedo, dos moleques do MBL, do Lobão, do Marco Antonio Villa, do Marcelo Madureira, do Carlos Andreazza? Estavam com a gente ou estavam contra? Um pé em cada canoa não dá, pô!

Bolsonaro ganhou a eleição, porra! Nosso JB! Johnny Bravo! (Não é o melhor personagem, eu preferia algo mais Vingadores, Homem de Ferro, Capitão América, mas se o Mito curte é porque é bom! Johnny Bravo!)

Não entendi direito também esse negócio do Dias Toffoli, presidente do STF indicado pelo Lula, estar aliado agora ao nosso governo e até suspender as investigações contra o Flavio Bolsonaro. A decisão está certa, era pura intriga de petralha contra os filhos do Bolsonaro, mas esse Supremo não dá ponto sem nó! É bom ficar de olho...

Agora ficam falando que teve acordo com esses ministros, eu não acredito! Só se me provarem que o Paulo Guedes quer fatiar a Receita Federal e mudar a estrutura do Coaf  (órgão que produz os relatórios sobre movimentações suspeitas de dinheiro) por alguma negociata! Não pode ser! Só se o Sérgio Moro disser que tem coisa errada, aí eu acredito!

O que eu vejo o tempo todo é intriga dessa oposição vagabunda! Essa extrema imprensa, essa mídia vendida! Tudo mortadela infiltrada nas redações! É só ver com essa gente insiste em compartilhar notícias desfavoráveis ao governo. Incrível como torcem contra o Brasil, pô!

Aqui no meu grupo de whatsapp não entra inimigo da Pátria, não! E se alguém falar contra o meu presidente no facebook ou no twitter eu boto pra f*** mesmo!

Ah, se todo brasileiro fosse patriota como o Luciano Hang, o véio da Havan, esse Brasil seria uma potência econômica! Mas estamos caminhando para isso! Bolsonaro ganhou, porra!

Voltando ao nosso diálogo, eu preciso confessar uma coisa: Eu não votei no Bolsonaro!

Também não votei no 13 (até me culpo um pouco por isso!), mas eu acreditava em uma alternativa melhor para o Brasil, fora dessa polarização burra, com menos ódio e rancor, com menos paixão e mais civilidade, tolerância e racionalidade.

Perdi feio, né? Todo mundo que não votou nem no PT, nem no Bolsonaro, se deu mal! O Brasil escolheu e pronto!

Errou? Acho que errou. Mas agora acabou a campanha. Fica para 2022.

Esse governo, sinceramente, não é lá essas coisas. Parece atuar com sinal trocado ao que o PT fazia. Prega a divisão, tá cheio de gente maluca, incompetente, irresponsável, despreparada e mal intencionada. Quer impor uma ideologia em vez de buscar a unidade... Mas é o que temos!

Eu critico o Bolsonaro, sim! Assim como critiquei a ditadura e depois o Sarney, o Collor, o Itamar, o FHC, o Lula, a Dilma, o Temer... Quem está no poder tem que ser criticado, fiscalizado, prestar contas à população. E o nosso papel é cobrar, criticar, propor alternativas.

Quem tem obrigação, compromisso, responsabilidade de acertar é quem ganhou a eleição, oras! Sempre a turma que está no poder não gosta de ser criticada, é claro! Eles estão no governo tentando nos convencer que pretendem fazer o melhor.

O problema é que nem sempre o melhor para eles é também o melhor para o Brasil, né? Ou você não percebeu que a base de sustentação dos governos nunca muda? São sempre os mesmos, desde a ditadura! Os mesmos interesses, os mesmos partidos, as mesmas bancadas, os mesmos empresários, os mesmos bancos, o mesmo sistema.

Eles fingem que tudo muda a cada eleição para, no fim, ficar tudo exatamente como estava antes. Eles sempre vencem e o povo, iludido, esperançoso, ó... ****-SE!

Não adianta me acusar de petralha, esquerdalha, comunista. Sem mimimi. Não perdi boquinha nenhuma. Não me incomoda o fato de ser governado pela direita ou pela esquerda, desde que estejamos num Estado Democrático de Direito. Não vale me mandar pra Cuba, nem pra Venezuela.

Parodiando o outro: "Lula tá preso, babaca!".

Aproveitando: Você viu o Queiroz por aí?

Viva a democracia! Vou falar o que eu penso, agrade você ou não!

Enfim, a conversa foi boa, mesmo se você me xingar no final. É assim mesmo.

Eu não espero que um eleitor bolsonarista assuma com sinceridade o seu arrependimento. Ainda não. Mas esse dia vai chegar. Acontece com todos. E eu estou aqui esperando para receber você de braços abertos. Prometo nem dizer: "Eu já sabia!". Não precisa tripudiar, né?

Sou brasileiro, não desisto nunca!

quarta-feira, 14 de agosto de 2019

Respeitável público, o Ministro da Deseducação Abraham Weintraub no #ProgramaDiferente



O governo Bolsonaro junta um bando de lunáticos com especialistas em coisa nenhuma, provocadores e bajuladores. Tem como dar certo? Qualquer pensamento crítico ou questionamento público é menosprezado, afinal de contas eles chegaram para reescrever a história, lacrar no twitter e no whatsapp e mostrar que agora tudo é diferente porque o governo é de direita, talquei?

Aí o Brasil é obrigado a conviver com um time de mentecaptos, a começar pelo chefe e sua prole, mais a linha de frente de terraplanistas, analfabetos funcionais e ideólogos fugidos do manicômio: Damares Alves, Olavo de Carvalho, Eugênio Aragão, Ricardo Salles, Abraham Weintraub e outros dignos de reprovação no exame psicotécnico.

Entre os personagens mais folclóricos e burlescos, o ministro da Deseducação, Abraham Weintraub, merece um capítulo à parte. Aspirante a humorista e showman virtual frustrado, ele aparece de dublê de Gene Kelly numa adaptação vexatória de "Cantando na Chuva de Fake News" a provocador barato dos estudantes e professores que foram às ruas nas manifestações contra o desmonte do setor.

"Onde está Wally?", ele provoca no twitter, com imagens selecionadas para dar a falsa ideia da irrelevância dos protestos. Compara o público com o tamanho da torcida da Lusa, a tradicional e querida Associação Portuguesa de Desportos, chamada pelo deseducador ignorante de Portuguesa Futebol Clube, e que, segundo ele, seria suficiente para "lotar uma frota de Combis" (assim mesmo, Kombi com C).

Respondemos no ato: Vamos brincar de "Onde Está Wally" pra achar o Queiroz? Ou os assassinos da Marielle? Ou um ministro equilibrado, capaz e responsável nesse governo de lunáticos do presidente Bolsonaro?

Não dá, sinceramente, para tolerar as sandices e asneiras diárias deste desgoverno do meme que virou presidente. Veja abaixo a sequência de postagens do ministro da Deseducação e as nossas respostas:


Assista aqui um resumo da performance ridícula do ministro Abraham Weintraub e, em seguida, veja alguns artigos e outros vídeos bastante didáticos de tudo o que pensamos do bolsonarismo (e da polarização burra com o lulismo), nesse triste período da nossa história:

Socorro! Os idiotas já dominam o mundo virtual!

terça-feira, 13 de agosto de 2019

Bolsonarismo + Lulismo = Monstro de duas cabeças

Verdades incômodas que precisam ser ditas: o bolsonarismo e o lulismo são fenômenos idênticos, siameses, espelhados à direita e à esquerda, que se retroalimentam e contaminam a democracia com muito ódio, preconceitos, intolerância e ideologias igualmente ultrapassadas. É um monstro de duas cabeças que aterroriza o Brasil com seus seguidores fanáticos, interdita o debate e impede a renovação saudável do ambiente político.

Mas todo esse despreparo, a inaptidão, a irresponsabilidade, a boçalidade e a inépcia de Jair Bolsonaro na função de Presidente da República, governando apenas para a sua bolha direitista, conservadora e retrógrada, enquanto elege toda a sociedade não idiotizada do país e as instituições democráticas e republicanas como inimigas, aponta para uma tragédia anunciada.

Cada ataque desferido por Bolsonaro e pelo seu desgoverno de lunáticos contra as liberdades individuais e coletivas ou contra o estado de direito, é um tiro no pé do Brasil e uma ação irresponsável que o afasta cada vez mais de qualquer possibilidade mínima de convivência pacífica e civilizada com os não convertidos e com os opositores declarados, que crescem a cada bobagem dita.

Assim como Bolsonaro cresceu e surfou na rejeição ao petismo, ele vai acabar conseguindo, na direção contrária, a proeza de ressuscitar Lula e o PT. Este é o resultado óbvio dessa polarização simbiótica entre as duas faces de uma mesma moeda desgastada e desvalorizada da velha política. E às vezes parece que é isso mesmo que ambos querem: manter viva essa rixa ideológica nas ruas, nas redes e na mídia, para que ambos sigam se beneficiando eleitoralmente, ora como protagonistas, ora como antagonistas.

O bolsonarismo é cria direta do antipetismo. Culpa única e exclusiva dos erros do próprio PT e do sentimento de traição à esperança que havia despertado no brasileiro. Isso porque Lula custou a chegar ao céu politicamente, mas acabou no caminho inverso até o inferno. Se antes enfrentou e venceu todos os preconceitos existentes contra o pau-de-arara e ex-sindicalista sem formação escolar, sendo eleito e reeleito presidente (após três tentativas) e repetindo a mágica com a limitada Dilma Rousseff, depois voltou a despencar para as trevas com os escândalos de corrupção do seu partido e a cadeia.

Quando dizemos que Bolsonaro é o meme que se elegeu presidente, não é maldade nem exagero. Personagem dileto de programas de TV como os humorísticos Pânico e CQC ou dos debates bizarros de Luciana Gimenez, exatamente por encarnar esse tipo meio folclórico, meio paspalho, ele acabou personificando toda a rejeição ao PT e às esquerdas por estar no lugar certo e na hora certa, até como vítima do atentado à faca por um transtornado ex-filiado do PSOL. Símbolo da direita, foi o que bastou para eleger o nosso Forrest Gump: mito dos descerebrados e avessos à política tradicional.

Lulistas e bolsonaristas se assemelham em tudo: nos gestos, nas palavras, nas ações. E levantam a bola um do outro ao escolher o opositor como alvo preferencial. A cada #EleNão na campanha ou deboche do #LulaLivre, mais fermento para os dois extremos da polarização. Um presidente ameaça de cadeia o jornalista norte-americano Glenn Greenwald, do The Intercept Brasil. Outro ameaçou de extradição o jornalista norte-americano Larry Rohter, correspondente do The New York Times.

Ambos buscam criar a narrativa mais conveniente, mesmo quando alheia aos fatos, nem que para isso seja necessária uma reinterpretação da história para atender a sua ideologia. Ambos fazem uso de milícias virtuais no assassinato de reputações, na guerra de versões e na difusão de fake news. Ambos demonstram repulsa pelo jornalismo tradicional, tachado por uns de "mídia golpista" e por outros de "extrema imprensa", substituído estrategicamente por blogueiros sujos, tuiteiros e youtubers levianos a serviço do governo da ocasião.

Tentam provar a associação de petistas com o PCC. Por outro lado, estão aí as evidências da ligação de bolsonaristas com milicianos. Uns denunciam que crimes como os de Celso Daniel ou Toninho do PT foram acobertados para proteger figurões do partido. O mesmo se diz, na mão inversa, sobre o mistério que cerca o assassinato da vereadora Marielle, envolvendo políticos e policiais. E aparecem conluios, laranjas, esquemas, privilégios, corrupção nos três poderes.

Aonde tudo isso vai parar? Ninguém sabe. Mas é preciso desenhar para todo mundo entender: É possível ser ao mesmo tempo crítico do lulismo e do bolsonarismo. Ser oposição a Bolsonaro não nos torna lulistas. E vice-versa: eu posso me opor ao Lula e ao PT sem me tornar um bolsonarista (Deus me livre!). A democracia e a boa política clamam por diálogo, civilidade, tolerância, planejamento, fiscalização, ação. Que os democratas se façam presentes!

Mauricio Huertas, jornalista, é secretário de Comunicação do #Cidadania23 em São Paulo, líder RAPS (Rede de Ação Política pela Sustentabilidade), editor do #BlogCidadania23 e apresentador do #ProgramaDiferente.

segunda-feira, 12 de agosto de 2019

Cala a Boca, Bolsonaro! (Até quando aguentar?)



Sabe aquele sujeito que é o espalha-roda? Aonde ele chega, todo mundo se dispersa. Ninguém aguenta. Na rodinha de amigos, na conversa do café, no trabalho, no almoço da família, na mesa do bar. É inconveniente, grosseiro, inoportuno. Quando aparece, você logo pensa: "Xiiii! Lá vem ele!".

São assim esses oito meses do governo Jair Bolsonaro. Nada muito diferente dos 30 anos em que ele foi deputado. O espalha-roda. O tiozão das correntes no whatsapp. O problema é que agora o meme virou presidente. Os idiotas chegaram ao poder. Saíram todos juntos do armário para dominar o mundo.

Então é uma asneira atrás da outra: até regular a quantidade de vezes que você deve ir ao banheiro o sujeito quer. Faz piada fora de hora. Emprega parente e acha bonito. Age como um bobalhão deslumbrado com a cadeira que jamais acreditou verdadeiramente que ocuparia, até porque sempre soube que não tinha capacidade para tanto.

Comemora o regime militar, idolatra torturador. Vive como fiscal do comportamento alheio. Afirma que ninguém passa fome no Brasil. Que o desmatamento da Amazônia é mentira e que defender o meio ambiente é coisa de vegano, ou de quem só come vegetais. Justifica o trabalho infantil, pede cadeia para jornalista, diz que a questão de gênero é coisa do capeta.

Precisa mais? Ele faz, diariamente, nas suas demonstrações de preconceito, ignorância e incivilidade. E o bando de aloprados que acham que o sujeito é um "mito" não admite nenhuma crítica. Como abrir os olhos do brasileiro que não entende que podemos ser oposição ao Bolsonaro sem virar petista, comunista, lulista, isentão ou algo do tipo? Assista no #Olhar23.

sábado, 10 de agosto de 2019

Socorro! Os idiotas já dominam o mundo virtual!

Mais atuais do que nunca as frases do imortal Nelson Rodrigues sobre os idiotas que dominariam o mundo. Ao menos no mundo virtual, das redes e aplicativos digitais, os idiotas já assumiram o poder e perderam a vergonha de mostrar a cara.

A eleição de Jair Bolsonaro foi um marco para tirar os imbecis do armário. Repetir asneiras, destilar preconceitos, defender abominações políticas, sociais, culturais, comportamentais, religiosas, virou regra geral destes tristes tempos.

O bolsonarismo é tão doentio e totalitário que ataca até mesmo quem se declara de direita mas apenas se recusa a ser um idiota fanático e procura manter alguma sensatez e espírito crítico.

Casos emblemáticos são os dos direitistas e anti-petistas Reinaldo Azevedo, ou Marco Antonio Villa, ou Carlos Andreazza, ou Marcelo Madureira, ou Lobão, ou o MBL, entre outros perseguidos pela horda bolsonarista raivosa nas redes sociais.

Quando vocês, bolsonaristas, vão entender que podemos criticar igualmente os erros do PT e de Bolsonaro? Que criticar Bolsonaro não nos torna petistas (ou vice-versa, ao criticar Lula)? Que o mundo não se limita a esses dois pólos? Que podemos ser ao mesmo tempo contrários às ditaduras de direita e de esquerda? Que a censura ou a tortura como instrumentos políticos e ideológicos, ou ainda de controle do Estado, são aberrações inaceitáveis em uma sociedade civilizada? Apenas reflitam.

Não é possível desprezar a ciência, admitir a censura, defender a tortura, tolerar ditaduras ou idolatrar torturadores. Defendemos a democracia e as garantias constitucionais. Não daremos trégua a idiotas, doentes, ignorantes, desinformados ou mal intencionados. Idolatrar Ustra, por exemplo, repetindo o gesto de Bolsonaro, é repugnante. Basta!

Um palpite: Bolsonaro é mero fantoche mas mãos de quem tem objetivos antidemocráticos e de dominação ideológica. Ele só repete aquilo que sua mente limitada lhe permite. É o mesmo paspalho que se elegeu deputado há 30 anos. Mas agora o Brasil piorou, fazendo da piada assunto sério e legitimado pelo voto. O meme virou presidente. É o "mito" de fanáticos descerebrados que seguem repetindo asneiras e fake news.

Um ressalva: merecem respeito os eleitores de Bolsonaro ou do PT, como quaisquer outros. Por outro lado, merecem nosso total repúdio e desprezo os fanáticos, lunáticos e milicianos virtuais da direita ou da esquerda. A esses, combateremos com as armas constitucionais, bom senso, informação e caráter. Se precisar, a gente desenha, aí até adoradores e replicantes de Lula e Bolsonaro vão conseguir entender.

Droga de ministro dessa droga de governo diz que "maconha medicinal" é lobby da indústria da droga

Não é possível tolerar a ignorância, o preconceito, a desinformação e o obscurantismo do ministro da Cidadania, Osmar Terra, na questão da liberação da “maconha medicinal”. Em artigo neste sábado, na Folha de S. Paulo, acusa a Anvisa de lobby da indústria da droga! Típico deste governo de Jair Bolsonaro.

Se Osmar Terra tivesse na família algum caso de paciente em que o uso do canabidiol transformasse a
vida e fosse a única esperança de melhora, não diria tanta asneira. Até a Organização Mundial da Saúde reconhece o que o Ministério da Cidadania quer negar. É a gestão da “Terra plana”.

Não bastasse a nulidade de conhecimento médico-científico ou de argumentos consistentes que justifiquem a intenção do ministro, além de uma posição ideológica baseada em mentiras e suposições alarmistas, é bom contextualizar quais seriam os outros interesses em jogo.

Quem é Osmar Terra, afinal? Ele acusa um suposto lobby de empresas interessadas em liberar as drogas no País. E quais seriam as empresas que ajudaram a financiar esta droga de político? Quem são os doadores da campanha desse ministro chinfrim, eleito em 2018 deputado federal pelo MDB do Rio Grande do Sul. 

Médico formado pela UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) e dirigente sindical, Osmar Terra se elegeu deputado federal pela primeira vez em 2006, ficando antes na suplência nas eleições de 2002 e 1998. Nesse período, ele se licenciou da Câmara para exercer os cargos de secretário de Saúde no governo do Rio Grande do Sul e ministro do Desenvolvimento Agrário, durante o governo Temer.

Até 2014, sua candidatura foi majoritariamente bancada por empresas como a JBS, dona da marca Friboi, dos irmãos Joesley e Wesley Batista, denunciados e presos por diversos escândalos e ilegalidades. Em 2018, o MDB foi responsável por quase todas as receitas. Além de deputado, secretário e ministro, Terra foi prefeito do município de Santa Rosa (RS) entre 1993 e 1996.

Há outras movimentações suspeitas com denunciados e condenados da Operação Lava Jato. De acordo com matéria do jornal O Estado de São Paulo, Terra pediu uma doação à OAS para o financiamento de sua campanha em 2014. Ele mesmo confirma o pedido de R$ 150 mil à empreiteira e que fez ligações a Léo Pinheiro para saber da propina. No entanto, afirma não ter recebido via caixa 2, apesar de a doação não aparece na sua declaração ao TSE.

Ele também esteve envolvido em denúncia do Ministério Público Federal por obstrução de Justiça, quando era secretário da Saúde no Rio Grande do Sul – por não ter informado, depois de cinco insistências, a situação da falta de medicamentos. Terra foi absolvido em 2011 pelo então presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa, porque sua secretária adjunta Arita Gilda Bergmann assumiu a responsabilidade pelo caso.

Outra denúncia inusitada, esta feita pelo "Destak Jornal", foi pedir ressarcimento à Câmara dos Deputados por um combo de pipoca e refrigerante comprado em uma sessão de cinema em 27 de setembro de 2015, em Brasília. A cota parlamentar deve ser utilizada para custeio de despesas ligadas diretamente às atividades parlamentares. Que droga, hein?

sexta-feira, 9 de agosto de 2019

Método da loucura derrotará Bolsonaro

Texto de Reinaldo Azevedo, fundamental para ser lido e provocar a nossa reflexão:

Método da loucura derrotará Bolsonaro

Presidente nunca pretendeu, vê-se agora, governar efetivamente o país

O jogo de Jair Bolsonaro tem zero de improviso e cem por cento de método. Isso não quer dizer que seja eficiente ou bom. Ser metódico não é sinônimo de estar correto. Especialmente quando se toma a decisão de dar uma banana ao resto do mundo.

O presidente já passou a operar no modo eleitoral. Deflagrou a campanha pela reeleição tão logo a Câmara aprovou em primeira votação a reforma da Previdência. O placar alargado, reafirmado com poucas defecções na quarta (7), lhe deu a certeza de que o jogo da economia está ganho. Aí já há um erro essencial de diagnóstico, note-se.

Com pouco mais de seis meses no cargo, vimos o antigo deputado do baixo clero reencarnar no presidente. E ainda com mais virulência. Havia algo de meio apalhaçado no parlamentar que, de vez em quando, atraía a atenção da imprensa em razão do exotismo frequentemente estúpido do que dizia.

A personagem exibia um quê de "clown" meio abobalhado. Suas micagens ideológicas não rendiam nem debate nem divergência substantiva porque primitivas, desinformadas e simplórias na sua truculência. É impossível responder a quem nem errado consegue estar.

Se, antes, manejava só a própria opinião desengonçada, detém agora instrumentos de Estado. E tudo o que fala tem consequência. Aqui e no mundo.

O homem é insubordinável à institucionalidade porque não a reconhece. Como não reconhecia a hierarquia quando pertencia ao Exército. Jamais coube no uniforme do bom soldado.

Nunca pretendeu, vê-se agora, governar efetivamente o país. Ele quer o poder de mando, o que é coisa distinta. Um governante negocia, tenta convencer, concede e obtém concessões de adversários.

O atual inquilino do Palácio do Planalto só entende manifestações de rebeldia —como a sua quando militar— e de obediência. Vê-se no papel de líder de uma pretensa revolução moral que vai enterrar o "socialismo".

O, por assim dizer, pensamento do presidente e de parte da sua tropa não tem fundamento econômico, político, jurídico ou administrativo. Os fantasmas, cumpre lembrar, fantasmas são porque alheios e imunes ao mundo real.

Não é improviso, mas há muito de loucura no tal método. Incapaz de entender ainda que rudimentos de economia e gestão, houve por bem deflagrar uma nova guerra ideológica já de olho em 2022. O país mal saiu da ressaca pesada do ano passado.

Está de volta o defensor da ditadura, o apologista da tortura, o justificador de decapitações em presídios, o inimigo do meio ambiente, o adversário dos índios, o zombeteiro dos direitos humanos, o fanático das armas, o depreciador de minorias, o propagador do ódio à imprensa livre...

A quem fala Bolsonaro? Aposta em manter unida a sua tropa nas redes sociais e antevê, no outro extremo, a radicalização do discurso das esquerdas. Estas, até agora, não morderam a isca, ainda que seja mais por inapetência e desorientação do que por sagacidade.

Esse jogo que consiste em manter aniquilado o centro e seus matizes —centro-direita e centro-esquerda— e em travar batalhas finalistas com uma esquerda radicalizada vai dar certo? Tudo leva a crer que não. E nem tanto em razão de atores internos.

Logo Bolsonaro vai perceber que a reforma da Previdência não basta para recolocar o país no rumo do crescimento e que um governante que tem mais motosserras na língua do que há, já em penca, nas florestas afasta investidores e ameaça a economia.

Antes que seja bem-sucedido na sua guerra doméstica contra fantasmas, o mundo pode transformá-lo e ao país em párias. A capa desta semana da liberal The Economist traz o título "Relógio da morte para a Amazônia".

Um dos tocos de árvore que a ilustram tem o formato do mapa do Brasil. No miolo, pode-se ler: "O mundo deve deixar claro a Bolsonaro que não vai tolerar seu vandalismo".

Ou ainda: "Empresas de alimentos, pressionadas pelos consumidores, devem rejeitar a soja e a carne produzidas em terras amazônicas exploradas ilegalmente. Os parceiros comerciais do Brasil devem fazer acordos atrelados a seu bom comportamento [ambiental]".

As boçalidades ditas pelo presidente e por auxiliares contra o Inpe ganharam o mundo. No melhor dos cenários para o futuro do país e da democracia, o bufão logo começará a ser vítima de sua própria concepção de mundo.

Se não consegue aprender nada com os livros, receberá lições da carne e da soja. E, então, ou o método da loucura cede às imposições da realidade, ou essa realidade botará Bolsonaro para correr. Antes que consiga disputar a reeleição.

Reinaldo Azevedo
Jornalista, autor de “O País dos Petralhas”.

quinta-feira, 8 de agosto de 2019

Quem é Ustra, o "herói nacional" de Bolsonaro



Mais uma vez, como é recorrente, o presidente Jair Bolsonaro afirmou que o coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, chefe do DOI-Codi durante a ditadura militar, é um "herói nacional". Ustra foi o primeiro militar brasileiro a responder em processo judicial pelas torturas ocorridas na época da ditadura. Assista.

Durante entrevista nesta quinta-feira, 8 de agosto, Bolsonaro comentou com jornalistas que receberia a viúva do militar, Maria Joseíta Silva Brilhante Ustra, para um almoço no Palácio do Planalto. Ustra morreu em 2015, aos 83 anos, após comandar o órgão de repressão política do governo militar e ser reconhecido como torturador por inúmeras vítimas.

“Tem um coração enorme. Eu sou apaixonado por ela. Não tive muito contato, mas tive alguns contatos com o marido dela enquanto estava vivo. Um herói nacional que evitou que o Brasil caísse naquilo que a esquerda hoje em dia quer”, declarou Bolsonaro.

O almoço com a viúva de Ustra e a reiterada declaração de que ele é um "herói" acontece poucos dias depois de Bolsonaro contrariar documentos oficiais e afirmar que Fernando Augusto Santa Cruz, desaparecido durante o regime militar e pai do presidente da OAB, Felipe Santa Cruz, foi assassinado por militantes de esquerda. A Comissão Nacional da Verdade, porém, apurou que ele foi "preso e morto por agentes do Estado brasileiro". Mas Bolsonaro não aceita e debocha de todos nós.

Como Nossos Pais no #ProgramaDiferente



O #ProgramaDiferente desta semana traz o tema "Como Nossos Pais", reunindo o espírito das duas grandes celebrações deste domingo, 11 de agosto (Dia dos Pais e Dia da Juventude), com o aniversário de 50 anos do Festival de Woodstock, considerado o maior festival de rock´n roll de todos os tempos, e os ideais do movimento hippie (será que ainda resistem hoje em dia?). Assista.

quarta-feira, 7 de agosto de 2019

#OLHAR23: Bolsonaro já virou caso de interdição?



Quando a realidade predomina sobre a paródia, perdemos todos: jornalistas, críticos, humoristas, políticos. O meme que virou presidente se supera. A piada se apodera do desgoverno de lunáticos. Perderam completamente o senso do ridículo. É caso para internação. Interdição. A sátira do #Olhar23 já vem pronta nos pronunciamentos do presidente Jair Bolsonaro. Pobre Brasil. Assista.

terça-feira, 6 de agosto de 2019

Câmara de São Paulo quer fim do recesso de julho

A Câmara Municipal de São Paulo deve votar o fim ou a redução do recesso do mês de julho. Ou seja, vão acabar as férias de 30 dias dos vereadores no meio do ano, que representam uma tradição antiga do parlamento e são bastante questionadas pela população. O projeto vai a votos nos próximos dias e deve ser aprovado por acordo de lideranças.

Assim, no retorno efetivo dos vereadores paulistanos ao trabalho nesta semana, depois do final deste que pode ter sido o último recesso parlamentar de 30 dias no meio do ano, essa é a principal novidade midiática do ano pré-eleitoral.

Há assuntos mais polêmicos que virão à pauta nas próximas semanas, como a revisão do plano diretor, a anistia para imóveis irregulares, a mudança do sistema de transportes por ônibus na cidade e a continuidade do plano de desestatização do município.

Também serão retomadas as "cotas" de projetos de vereadores que seguem para votação (com acordo para aprovação) em plenário. Cada um dos 55 parlamentares vai indicar inicialmente um projeto em 1ª votação, na sequência um projeto em 2ª e definitiva votação e finalmente projetos que exigem quorum qualificado (dois terços dos votos), que neste ano ainda não foram à pauta.

O prazo estimado é de ao menos uma semana para apresentação desses projetos em 1ª votação. Assim, na prática, nenhum projeto de iniciativa de vereador (com exceção do já anunciado fim do recesso) será votado antes da quarta-feira, 14 de agosto. Também serão indicadas denominações, honrarias e homenagens pelos vereadores para compor a pauta do chamado "plenário virtual".

O que são "cotas de projetos"?

Bem, falamos dessas "cotas" de projetos de vereadores que tem aprovação garantida, mas você sabe como isso funciona? Entendeu o espírito da coisa?

Há muitos anos, sempre às vésperas das eleições, a produtividade dos vereadores era medida na maioria das vezes pela quantidade de projetos aprovados e transformados em leis.

Enquanto um vereador - candidato à reeleição - apresentava uma lista extensa de projetos aprovados, recebendo destaque positivo da imprensa, outros tantos tinham pouco ou nada para apresentar à população. A repercussão junto à opinião pública era péssima e o efeito eleitoral, devastador.

Atualmente, com todos os vereadores aprovando uma quatidade idêntica de projetos todos os anos, eliminou-se pela raiz esse critério quantitativo para diferenciar os vereadores. Os velhos rankings de produtividade simplesmente deixaram de existir.

De fato, medir a competência ou a qualidade de um parlamentar pela quantidade de projetos aprovados não parece ser a avaliação mais justa. Por outro lado, nivelar por baixo ou pela média, para não beneficiar quem produz mais nem prejudicar quem produz menos, também não parece lá muito sensato ou meritório. Mas é a regra tácita da Câmara.

E você, eleitor e cidadão paulistano, o que acha disso tudo?

segunda-feira, 5 de agosto de 2019

E essas mentiras de pescador, Bolsonaro?

O presidente Jair Bolsonaro mentiu no facebook ao responder a um questionamento do #BlogCidadania23. Neste domingo, 4 de agosto, depois dele postar uma mensagem dirigida aos "pescadores do Brasil", o editor do Blog deixou o seguinte comentário na página pessoal de Bolsonaro: "Já pagou a sua multa por pesca ilegal, presidente?".

A resposta, nominal ao jornalista, veio 4 minutos depois: "Fui multado no mesmo dia e quase na mesma hora em que registrei presença no painel eletrônico da Câmara, numa terça-feira. Os documentos, auto de infração e certidão da Câmara estão à disposição da imprensa. Obrigado pelo questionamento."

O problema é que o argumento não corresponde aos fatos. Primeiro, porque há uma foto de Bolsonaro no barco, flagrado no momento da infração, tirada pelo próprio fiscal que aplicou a multa, datada de 25 de janeiro de 2012, uma quarta-feira. Mas ele responde como se a autuação tivesse ocorrido em 6 de março, já depois do fim do recesso parlamentar, data em que foi formalizado o auto da ilegalidade, 41 dias após o flagrante da fiscalização.

O jornalista reproduziu no perfil de Bolsonaro a foto que atesta a sua mentira, ele de sunga no dia da pesca ilegal, mas o presidente parou de responder. O assunto foi tratado como "fake news" por milhares de apoiadores que comentaram e curtiram incessantemente o post e a resposta inicial do "mito". Toda e qualquer crítica é atacada e desmentida pela milícia virtual bolsonarista.

Pescador de ilusões 

Esta postagem de Bolsonaro sobre a pesca foi a segunda sobre o tema nas redes sociais. Nessa em que compartilhava um vídeo de pescadores de Santa Catarina a caminho de Brasília, afirmou que seria "um prazer" recebê-los e que fará tudo o que estiver ao alcance dele e do secretário da Pesca, Jorge Seif, para "desburocratizar, desregulamentar e otimizar a pesca no Brasil".

Num post anterior, Bolsonaro já havia comemorado a reversão, na justiça federal, de uma proibição da pesca da tainha na costa brasileira.

Afirmou que "os agentes públicos, principalmente eu, Presidente da República, não podemos atrapalhar quem produz".

 Ignorou o fato de que a proibição existe justamente para preservar o ciclo reprodutivo da peixe e para garantir que seus estoques pesqueiros sejam mantidos, no chamado "período de defeso" da espécie.

Mas esperar alguma consciência ambiental de Bolsonaro seria realmente pedir demais. Vide as afirmações bizarras sobre o desmatamento, inclusive desmentindo os dados oficiais do INPE, ou sobre a preocupação com a natureza e a sustentabilidade, que ele entende ser exclusividade de "veganos que comem vegetais" (sic).

Respondendo a outro comentário, de um homem que defendia a preservação de uma faixa litorânea de segurança contra a pesca de arrastão, o presidente ironizou, demonstrando total ignorância sobre o tema: "Que tal psicultura na piscina, boi no quintal e soja na cobertura do prédio. Eu apóio."

Essas respostas agressivas de Bolsonaro são feitas sob medida para "lacrar" na internet entre os seus seguidores. A turba bolsonarista vibra, curte, comenta, repercute, compartilha.

Os críticos, por mais fatos e argumentos que apresentem, são detonados: o xingamento mais corriqueiro é "petista", mas os ataques pessoais vão abaixo da linha da cintura.

Até ameaça de morte surge entre os comentários, entre outras lembranças à mãe do internauta e insinuações de cunho sexual.

#VTNC

Um outro comentário ao questionamento do #BlogCidadania23, em tom irônico, brincava: "Com certeza não foi o Bolsonaro que respondeu essa... Educação e fineza não são características suas".

O presidente respondeu no seu melhor estilo ogro: "Mario Alencar me desculpe, mas VTNC (vai tomar...)".

Demonstração explícita, uma verdadeira aula prática, de como rasgar qualquer manual de etiqueta, cerimonial, decoro e civilidade.

Mas o pior não é nem o comportamento inadequado do presidente. É a mentira, mesmo. Bolsonaro mentiu descaradamente na resposta ao jornalista. Simples assim. Ele se contradiz. Desmente a sua própria resposta anterior sobre a multa, que era a seguinte:

"Passei quatro anos respondendo por crime ambiental. Este tipo de delito, para ser caracterizado, tem que haver materialidade. Na área onde o Ibama me encontrou, nem peixe tem. Nada foi apreendido pela fiscalização. Eu não fui mais lá porque, se eu aparecer por lá, vou ser autuado. Não vou dar mole. Tive que abandonar o lugar onde gostava de passear com a minha família. A verdade é que me perseguem. Já respondi também, por quatro anos, pelo crime de racismo. Também provei que era uma denúncia infundada."

Flagrante da ilegalidade

O então deputado federal Jair Bolsonaro foi flagrado por fiscais do Ibama enquanto pescava às 10h50 do dia 25 de janeiro de 2012, uma terça-feira, dentro da Esec (Estação Ecológica) de Tamoios, unidade de conservação em Angra dos Reis (que agora o presidente já anunciou que pretende transformar na "Cancun brasileira").

Bolsonaro negou o flagra, mas uma foto feita pelos fiscais mostra o atual presidente com camiseta e sunga brancas em um bote com uma vara de pesca. Ele recusou se identificar (como se fosse necessário para reconhecê-lo) e afirmou que tinha autorização para pescar.

Segundo o relatório da fiscalização relativo à multa, Bolsonaro ainda se negou a sair da área de proteção e ligou para o então ministro da Pesca do governo Dilma Rousseff, o petista Luiz Sérgio. Os fiscais presentes na ação afirmaram que, aparentemente, Bolsonaro foi orientado pelo ministro a sair da unidade de conservação. Antes de sair, segundo os agentes do Ibama, porém, afirmou que no dia seguinte voltaria ao local para pescar.

Mesmo com as fotos de Bolsonaro no momento da ilegalidade, sua defesa, protocolada no Ibama em 22 de março de 2012, afirmava que o então deputado estava decolando do aeroporto Santos Dumont, no Rio, seguindo para Brasília, na mesma hora e local da aplicação da multa.

Tal defesa, entretanto, foi baseada na data oficial do auto de infração, 6 de março, não no dia exato da ocorrência. A demora de 41 dias teria ocorrido, segundo o Ibama, pela recusa de Bolsonaro em mostrar seus documentos, o que dificultou a aplicação formal da multa.

Veja aqui as matérias sobre a multa de Bolsonaro:

Bolsonaro retaliou fiscais do Ibama após ser multado por pesca irregular

Bolsonaro ignora flagra e diz que não estava em autuação por crime ambiental

Ibama anula multa de Bolsonaro por pesca irregular em área protegida

Ibama decide que multa a Bolsonaro por pesca irregular está prescrita

sexta-feira, 2 de agosto de 2019

Ser de esquerda ou de direita, sem vergonha!

Você pode ser de direita ou de esquerda sem defender ditaduras, tortura, repressão, massacres, censura. Você pode ser de direita ou de esquerda sem ser escroto, estúpido, fanático, lunático, intolerante, preconceituoso, intransigente. Você pode ser de direita ou de esquerda, sem vergonha. Mas não deve ser um sem-vergonha nem de direita nem de esquerda, que é o que mais vemos por aí.

Você pode ser de esquerda ou de direita e lutar por um mundo melhor. Você pode ser de esquerda ou de direita e defender o estado democrático de direito, as liberdades individuais e coletivas, os preceitos republicanos. Você pode ser de esquerda ou de direita e pregar o desenvolvimento sustentável, a cidadania, a justiça social, a redução das desigualdades, o respeito às minorias, o fortalecimento da economia e desejar uma melhor qualidade de vida para todos.

Você pode ser de direita ou de esquerda. Pode até nem ser de direita nem de esquerda. Pode ser de centro. Pode ser um pouco de cada. Pode não ser nada. Pode ser progressista, pode ser conservador, pode ser reacionário. Pode ser liberal, socialista, social-democrata, trabalhista, reformista, nacionalista, economicista, ambientalista, militarista, pacifista, anarquista. Pode ser o que bem entender. Ou nem entender bem o que é.

Você pode ser de esquerda ou de direita. Você pode ser e não dever nada a ninguém. Você pode ser porque somos democratas. Somos republicanos. Somos constitucionalistas. Temos direitos, deveres e obrigações. Mas não somos obrigados a obedecer aqueles que nos oprimem, se não estiverem amparados por lei. Somos legalistas. Podemos reagir a tudo aquilo que coage, compele, constrange, impõe, sujeita, pressiona, reduz, subordina, vincula, violenta.

Você pode ser governo ou fazer oposição. Pode ser petista, pode ser bolsonarista. Pode ser contra, pode ser do contra, pode ser a favor ou muito pelo contrário. Pode ser crítico, pode ser adesista. Pode até ser incoerente nas suas ideias e ações. Pode querer #LulaLivre ou #LulaPreso. Aliás, pode sempre lembrar que Lula tá preso, babaca! E pode pensar que outros tantos também deveriam estar. Pode se achar esperto. Pode ser ingênuo. Pode ser malandro. Inclusive ser corrupto, marginal, bandido. Não deveria, mas pode. Se for, ainda pode e deve pagar pelo que fez.

Você pode ser de direita ou de esquerda. Pode tudo. E deve somente o necessário. Eu também posso ser o que eu quiser, independente do seu julgamento, da sua aprovação, da sua simpatia, da sua ideologia. O que não podemos (nem devemos) tolerar é algum obtuso, mal-intencionado, arrogante, despreparado, desqualificado de direita ou de esquerda querer decidir por mim o que eu sou.

Você pode ser, debater, pensar, repensar, agir. Pode ir e vir. Pode errar e corrigir. Pode terminar. Pode recomeçar. Pode transformar. Pode votar. Pode não votar. Pode se candidatar. Pode reclamar. Pode por e tirar do poder o político que você escolheu. Pode ir para as ruas. Pode ficar em casa. Pode falar, cantar, gritar, acreditar, postar, protestar, tuitar, curtir, compartilhar. Pode calar, se quiser, mas não devem nos calar. Não podem. Democracia, sempre! Ditadura, nem de esquerda nem de direita. Não, obrigado! Nunca!

Mauricio Huertas, jornalista, é secretário de Comunicação do #Cidadania23 em São Paulo, líder RAPS (Rede de Ação Política pela Sustentabilidade), editor do #BlogCidadania23 e apresentador do #ProgramaDiferente.

Que passe rápido essa doença do bolsonarismo

Dois textos primorosos dos jornalistas Ruy Castro e Mariliz Pereira Jorge, publicados ontem e hoje na Folha de S. Paulo, dão a exata medida do que é o bolsonarismo e das pequenas tragédias cotidianas que o Brasil está enfrentando com esse meme que virou presidente. É um período absolutamente surreal. Triste. Lamentável. Que passe rápido, para o bem de todos.

Mariliz Pereira Jorge: Fale mais, Bolsonaro

O peixe e o falastrão quase sempre morrem pela boca

Bolsonaro disse que não vai mudar seu jeito. Ele está certo. Tem que continuar desse jeitinho, tão "espontâneo", sem filtro, que seus eleitores admiram. Apoio total para que diga tudo o que pensa. Fale mais, presidente. Fale tudo o que vossa excelência, ops, pensa. Faça piada com pinto de japonês, chame nordestino de paraíba, diga que não tem fome no Brasil, minimize a questão do trabalho infantil, ameace jornalista de pegar cana.

Diga que não houve ditadura, que jornalista torturada não foi torturada. Insinue que sabe o que aconteceu com desaparecido político. Chame de balela documentos oficiais sobre os mortos do regime. Diga que o nazismo é de esquerda. E que o Exército não matou ninguém, afinal, o que são 80 tiros?

Diga que pode perdoar o Holocausto, que vai fechar a Ancine, que não pode filme com prostituta ou propaganda com transexual. Proíba as palavras "lacrou" e "morri" em peças do governo. Diga mais, mito, diga que vai privilegiar o filhão com uma embaixada e que vai mandar a família passear com helicóptero da FAB.

Fale para quem quiser ouvir que o Brasil não pode ser país de turismo gay, mas quem quiser sexo com mulher, fique à vontade. Fale mais, tiozão do pavê. Diga que só os veganos se preocupam com o meio ambiente. Defenda trabalho forçado para presidiários. É proibido, mas e daí?

Fale mais, sincerão. Diga que o IBGE não sabe nada sobre desemprego, que a Fiocruz não tem dados confiáveis sobre drogas, que o Inpe mente sobre o desmatamento, que o Brasil é exemplo para o mundo em preservação ambiental, o país que menos usa agrotóxico.

Fale mais, todos os dias, sem falhar nenhum, para que seja de conhecimento geral, para que não nos esqueçamos nem por um único dia o autocrata, ignóbil, sem empatia, o ser obtuso que desgoverna este país. Fale mais, que tá pouco. Fale mais porque o peixe e o falastrão quase sempre morrem pela boca.

Mariliz Pereira Jorge
Jornalista e roteirista de TV


Ruy Castro: Se você ainda

Se ele faz tudo isso em público, imagine na intimidade

Se você acha Jair Bolsonaro um horror só porque ele detesta índios, gays, transexuais, nordestinos, crianças, professores, estudantes, cientistas, artistas, jornalistas, pacifistas, imigrantes, doentes mentais, dependentes químicos, presidiários, desaparecidos políticos, ambientalistas, veganos e até famintos; ou se você se assusta porque, em vez daqueles, ele prefere torturadores, milicianos, fabricantes de armas, chacinadores, devastadores do ambiente, mineradores, disseminadores de agrotóxicos, exploradores do trabalho infantil, criminosos do trânsito, censores e, de modo geral, as piores pessoas do país;

Se ele lhe provoca náuseas ao fazer declarações impiedosas sobre pessoas mortas, tanto as que morreram de fome, nos presídios, nas ruas ou mesmo em combate, e ao insultar suas famílias, que têm o direito de amá-las; ao demonstrar seu cavalar desconhecimento sobre artistas que elevaram o nome do Brasil no exterior, como João Gilberto; e, dizendo-se cristão, frequentar igrejas por motivos políticos tanto quanto estádios de futebol;

Se você se indigna porque ele despreza instituições que nos tornaram adultos e respeitados, como o Itamaraty, o Inpe, a Funai, o Ibama, a Fiocruz e a OAB, e, diariamente, agride uma Constituição que jurou respeitar e nunca leu; ou porque desmerece o trabalho de brasileiros que têm dedicado a vida a construir o Brasil, e não a parasitá-lo durante 28 anos num covil da Câmara dos Deputados;

Se você continua esperando que ele se explique sobre as histórias mal contadas que o cercam, envolvendo seus filhos, motoristas que “sabem fazer dinheiro”, vendedoras de açaí, ministros suspeitos, candidatos laranjas e mentiras puras e simples;

Enfim, se você ainda se surpreende ouvindo-o dizer coisas inenarráveis ao ser filmado cortando o cabelo numa cadeira de barbeiro, imagine o que ele não faz sozinho, sem testemunhas, sentado em outra espécie de trono.

Ruy Castro
Jornalista e escritor, autor das biografias de Carmen Miranda, Garrincha e Nelson Rodrigues

Três Pensadores in Concert no #ProgramaDiferente



No melhor estilo dos Três Tenores que encantaram o mundo nos anos 90, o Brasil tem seus Três Pensadores in Concert: Mário Sérgio Cortella, Leandro Karnal e Clóvis Barros Filho. O #ProgramaDiferente reflete um pouco sobre a vida e as redes sociais através da visão dessas três figuras carimbadas da internet, verdadeiros gurus eletrônicos e referências de sucessivas gerações, vistos até como ameaças da esquerda ao pensamento emergente da direita. Mas tem motivo pra todo esse fuzuê? Assista.