terça-feira, 18 de junho de 2019

Saindo do armário com o #ProgramaDiferente



Na semana da tradicional Parada do Orgulho LGBT de São Paulo, que acontece neste domingo, 23 de junho, na Avenida Paulista, e poucos dias depois de o STF decidir pela criminalização da homofobia e da transfobia, equiparando essas práticas condenáveis ao crime de racismo, o #ProgramaDiferente mostra como os jovens de hoje "saem do armário" e se assumem gays. A relação com a família, com os amigos, com a religião e todo o preconceito que ainda existe. Assista.

domingo, 16 de junho de 2019

#BlogCidadania23 mantém o apoio à Lava Jato

Aqui neste espaço fazemos jornalismo e política, jamais religião ou mitologia. Portanto, não seguimos gurus nem idolatramos lideranças populares ou figuras midiáticas. Ao contrário, para citar os exemplos da polarização da moda, criticamos igualmente Lula e Bolsonaro e seus seguidores mais fanáticos e intolerantes.

Também não consideramos Sergio Moro um herói, mas um servidor público que desempenhou uma importante função como juiz e - pelo que entendíamos até ele assumir o ministério da Justiça - um dos idealizadores e responsáveis estratégicos pelo bom andamento da Operação Lava Jato.

Registre-se que sempre defendemos a democracia e o estado de direito.

Portanto, fica a dúvida: Estaremos desviando desses princípios ao manter o apoio à Lava Jato? Por que?

Precisamos responder com clareza e objetividade uma pergunta essencial, em meio a toda essa polêmica:
Consideramos criminosa a participação de Sergio Moro na coordenação das ações da Operação Lava Jato (comprovada agora por meio do vazamento de conversas privadas)? Sim ou não? 
Se SIM, defendemos a nulidade de suas ações? Todas elas ou só aqueles que se referem à condenação do Lula, que são as que foram pinçadas das conversas vazadas e mereceram destaque no material publicado pelo The Intercept
Se NÃO, é importante destacar que em uma Operação complexa e inédita como a Lava Jato parece natural que juiz e MP troquem informações sobre os caminhos jurídicos a tomar e que isso não significa nenhuma ilegalidade, nem tampouco indica fraude ou parcialidade que tenha interferência processual ou implique cerceamento na defesa do réu.
O #BlogCidadania23 é da segunda opinião. Mantemos o apoio à Operação Lava Jato. Entendemos que é fundamental para a democracia depurar a boa política.

Se há crimes, puna-se quem os cometeu. Excessos, ilegalidades, fraudes, idem. E isso vale para todos. Acusados e acusadores. Investigadores e investigados. Réus e vítimas. Corruptos e corruptores. Juízes, policiais, procuradores ou políticos envolvidos.

Até sobre a suposta perseguição exagerada ao Lula já comentamos por aqui, antes mesmo de todo esse escândalo das conversas vazadas, com uma posição bastante clara e objetiva: Chegou a hora de soltar o Lula: ou o Brasil prende todo político corrupto ou não prende ninguém, tá ok? (clique no link e leia até o fim antes de dar opiniões precipitadas e tirar conclusões pelo título, apenas).

Mas nada do que ocorreu até aqui é motivo suficiente para que nós entremos nessa campanha insana pela nulidade da Operação Lava Jato, que ganha corpo entre formadores de opinião e em alguns setores significativos da política e da sociedade.

Apoiamos a Lava Jato: no passado, no presente e no futuro.

Leia também:

#VazaJato: Escândalo sobre mensagens de Sergio Moro ameaça condenações da Operação Lava Jato

#VazaJato: Nem ataque nem defesa da Lava Jato se sustentam em argumentos racionais e consistentes

sexta-feira, 14 de junho de 2019

Morre o jornalista Clóvis Rossi

Um ícone do jornalismo, sem dúvida. Grande jornalista, excepcional repórter, ser humano de primeira qualidade.

Perdemos mais um dos insubstituíveis! Morre Clóvis Rossi. Morre um pouco a boa informação.

Triste. :´(

Vale reler seus artigos mais recentes, publicados na Folha, outros tantos republicados neste blog, e relembrar alguns de seus pensamentos:

"Num pais de miseráveis não é surpresa a barriga vir na frente da ética e da moral."

"Não adianta pregar aos convertidos, é preciso inventar e por em prática meios que arrebatem."

"Jornalismo, independentemente de qualquer definição acadêmica, é uma fascinante batalha pela conquista das mentes e corações de seus alvos: leitores, telespectadores ou ouvintes. Uma batalha geralmente sutil e que usa uma arma de aparência extremamente inofensiva: a palavra, acrescida, no caso da televisão, de imagens. Mas uma batalha nem por isso menos importante do ponto de vista político e social. […] Entrar no universo do jornalismo significa ver essa batalha por dentro, desvendar o mito da objetividade, saber quais são as fontes, discutir a liberdade de imprensa no Brasil."

quarta-feira, 12 de junho de 2019

#VazaJato: Nem ataque nem defesa da Lava Jato se sustentam em argumentos racionais e consistentes

A direita é estúpida demais, insana, inconsequente e incapaz de apresentar uma defesa racional e isenta do trabalho realizado pela Operação Lava Jato sem apelar para esparrelas ideológicas (ou desqualificar o jornalista que publicou as conversas vazadas).

A esquerda, por sua vez, é hipócrita o bastante para fingir surpresa de saber que Sergio Moro atuava como mentor da Operação Lava Jato e trocava figurinhas com Deltan Dallagnol e outras estrelas ascendentes do MP.

Faltavam provas? Ora, santa ingenuidade, há dezenas de entrevistas, palestras, livros, artigos, matérias, filmes, documentários etc. sobre as semelhanças da Lava Jato com a Operação Mãos Limpas e a importância do trabalho estratégico coordenado pelo juiz, pelos procuradores e pelos policiais federais na investigação, na denúncia e na punição dos corruptos. Deles, os “pais” da Lava Jato.

Inclusive de como criar um cerco de proteção à Operação contra a reação que certamente viria, reforçada pelo espírito de corpo (e de porco) dos políticos suspeitos, investigados e condenados e de seus partidos cúmplices.

Enfim, o que as conversas vazadas revelam? Uma articulação para cercar e prender corruptos dentro das normas jurídicas do país. Eles se uniram contra os réus? Oh! Novidade! Mas alguém flagrou alguma tentativa de burlar a defesa dos acusados? Forjaram provas? Inventaram fatos inverídicos? Ameaçaram testemunhas?

Pegaram um juiz e os procuradores que se apresentam desde sempre como moralizadores da política e caçadores de corruptos conversando sobre - surpresa! - como moralizar a política e punir corruptos. Ora, ora...

Se esse papel caberia ou não a eles numa democracia idealizada é outra história. Mas querer a nulidade da Operação Lava Jato alegando terem surgido provas de que o juiz e os procuradores se articularam para encontrar o melhor caminho justamente para prender esses corruptos parece uma verdadeira piada nesta nossa singular republiqueta.

Veja também:

#VazaJato: Escândalo sobre mensagens de Sergio Moro ameaça condenações da Operação Lava Jato

Cem anos da Ordem DeMolay no #ProgramaDiferente



#ProgramaDiferente desta semana fala dos 100 anos da Ordem DeMolay. Mas o que é isso, afinal? Filosofia? Filantropia? Sociedade secreta? Quem são os jovens brasileiros que participam? O que pensam? Como é esse rito de iniciação maçônica? Tem alguma coisa de conspiração illuminati ou de nova ordem mundial? Por que tanto mistério para quem vê de fora? Assista.

terça-feira, 11 de junho de 2019

Servidor paulistano poderá ter até 5 "meios-feriados": Bruno Covas suspende expediente na Prefeitura em dias de jogos do Brasil na Copa do Mundo Feminina

Se depender da torcida dos funcionários da Prefeitura de São Paulo, a seleção brasileira feminina vai longe na Copa do Mundo da França. Isso porque, assim como o ineditismo de ter pela primeira vez a transmissão ao vivo dos seus jogos pela Rede Globo, o prefeito Bruno Covas (PSDB) também inova ao suspender o expediente do funcionalismo municipal nos dias de jogos - uma prática que era restrita à seleção masculina.

Há uma possibilidade de até 5 dias de trabalho reduzido em São Paulo. Ou seja, quanto melhor a participação das brasileiras na Copa da França, haverá mais jogos e consequentemente mais folga e menos horas trabalhadas para os servidores paulistanos. Então, obviamente a torcida pelo sucesso das meninas (ou nem tão meninas assim, como Marta, com 33 anos; Cristiane, 34; e Formiga, 41) é total! Dá-lhe, Brasil!

Nesta quinta-feira, 13 de junho, por exemplo, o expediente será suspenso a partir das 11h para o jogo Brasil x Austrália que acontece às 13h. Na próxima terça-feira, dia 18, tem Brasil x Itália às 16h, mas o expediente será encerrado às 14h. Se o Brasil se classificar, o mesmo deve acontecer nas próximas fases (oitavas, quartas e semifinal), com jogos no meio da semana. As horas não trabalhadas devem ser compensadas até 30 de setembro, segundo o decreto do prefeito.

Ainda não há informação se a Câmara Municipal também vai dispensar seus funcionários ou se o horário dos jogos vai interferir no funcionamento do plenário (o jogo de terça-feira, às 16h, por exemplo, acontece num horário que coincide com a realização das sessões). Atualizaremos essa informação assim que estiver disponível.

A medida surpreende pelo fato de a população não estar assim tão ligada na participação do Brasil na Copa Feminina. Com outro detalhe: a concorrência da seleção masculina na Copa América, que terá o seu primeiro jogo nesta sexta à noite e divide as atenções do público. Por enquanto, não há nenhum clima de torcida na cidade, não se vêem bandeiras nem ruas enfeitadas. Covas é, de fato, um torcedor otimista.

segunda-feira, 10 de junho de 2019

#VazaJato: Escândalo sobre mensagens de Sergio Moro ameaça condenações da Operação Lava Jato

A semana já começa com uma bomba política: conversas vazadas entre o ex-juiz Sergio Moro, atual ministro da Justiça, e procuradores da força-tarefa da Operação Lava Jato colocam em dúvida a legalidade de suas ações.

De um lado, há quem veja orientação indevida de Moro - que por princípio deveria ser imparcial - nos trabalhos de investigação e acusação do Ministério Público. Do outro lado, está quem acredita que o vazamento das conversas tenha como finalidade desmoralizar a Lava Jato e anular condenações.

A publicação do escândalo - que ganhou repercussão imediata nas redes com a hashtag #VazaJato - é responsabilidade do jornalista Glenn Greenwald, fundador do portal de notícias The Intercept e que ficou conhecido mundialmente após ajudar o ex-analista de sistemas da CIA, Edward Snowden, a tornar públicos detalhes sigilosos de vários programas que constituem o sistema de vigilância global dos Estados Unidos.

O jornalista Gleen Greenwald é casado com o deputado federal David Miranda (PSOL/RJ), que também ficou conhecido naquele episódio por ajudar na obtenção dos dados para publicação em diversos jornais, e tomou posse na Câmara neste ano com a renúncia do deputado Jean Wyllys, pois até então era suplente do partido e assumiu a titularidade do cargo.

"O arquivo fornecido pela nossa fonte sobre o Brasil é um dos maiores da história do jornalismo", afirma Greenwald. "Ele contém segredos explosivos em chats, áudios, vídeos, fotos e documentos sobre Deltan Dallagnol, Sergio Moro e muitas facções poderosas."


Cá entre nós, não é surpresa nenhuma esses contatos entre o juiz Sergio Moro, promotores, procuradores, policiais federais e setores da imprensa. Todos sempre se apresentaram como partícipes de uma megaoperação contra a corrupção no Brasil - nos mesmos moldes da italiana Mãos Limpas.

Resta saber o tamanho do estrago da revelação dessas conversas hackeadas e o resultado da guerra que se dará pela intrincada rede de interesses poderosos em jogo, entre os defensores e os inimigos da Lava Jato. Será o fim das operações nesses moldes? Haverá anulação de sentenças? Que tipo de reação política terá o Congresso Nacional? E o Supremo Tribunal Federal, como vai reagir?

Para relembrar:

Os cinco anos da Operação Lava Jato no #ProgramaDiferente

Deltan Dallagnol: Unidos Contra a Corrupção no #ProgramaDiferente

'Ninguém está acima da lei', discursa o juiz Sergio Moro, em inglês, na cerimônia de formatura da Universidade de Notre Dame, nos Estados Unidos

#ProgramaDiferente com Deltan Dallagnol, Guilherme Leal e Carlos Melo trata da Lava Jato, da luta contra a corrupção e do agravamento da crise política

#ProgramaDiferente debate semelhanças e diferenças entre a Operação Lava Jato, no Brasil, e a Mãos Limpas, na Itália: Quais são os efeitos práticos e as limitações do combate eficaz à corrupção na política?

Veja a íntegra do discurso de Lula antes de ser preso e o fascismo de uma seita de lulistas fanáticos contra os repórteres no Dia do Jornalista

2013-2018: Cinco anos dos movimentos pela renovação da política no Brasil

Lava Jato e Mãos Limpas: o efeito, as consequências e os inimigos das duas maiores operações contra a corrupção no Brasil e na Itália

O juiz Sergio Moro e a ministra Cármen Lúcia no Fórum Mitos & Fatos

Enfim, o dia que o Brasil inteiro esperava: a primeira condenação do ex-presidente Lula pelo juiz Sergio Moro na Operação Lava Jato

Campanha em defesa de Lula parte para o ataque contra o juiz Sergio Moro, enquanto a Operação Lava Jato fecha o cerco contra o ex-presidente

Manifestação #ForaDilma na reta final do processo de impeachment mostra que população segue mobilizada contra a corrupção e no apoio a Sergio Moro

Guerra do partido da estrela: o petismo contra-ataca a Lava Jato

#ProgramaDiferente trata do combate à corrupção e da necessidade da reforma política, ao exibir palestras de Sergio Moro e de Fernando Gabeira

O filme "Polícia Federal - A Lei É Para Todos", sobre os bastidores da Operação Lava Jato, já é a maior bilheteria do cinema nacional em 2017

Tudo sobre o impeachment: reveja no #ProgramaDiferente

quinta-feira, 6 de junho de 2019

Vetada homenagem aos 35 anos do MST no chamado "plenário virtual" da Câmara Municipal de São Paulo

Em uma semana marcada pelo cancelamento da sessão de terça-feira, 4 de junho, e da reunião do colégio de líderes por luto (morreu Ignês Fontana Tatto, mãe dos vereadores Arselino Tatto e Jair Tatto, do deputado estadual Enio Tatto, do deputado federal Nilto Tatto e do vice presidente do diretório estadual do PT e ex-secretário de Transportes, Jilmar Tatto), apenas o chamado "plenário virtual" apresentou resultados objetivos, com a conclusão da 2ª rodada de votação digital dos projetos de honrarias e homenagens.

Desta vez, como prevíamos, o embate ideológico ficou mais nítido. Foi barrada a concessão de uma salva de prata pelos 35 anos do MST, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, proposta exatamente por um dos integrantes do clã dos Tatto, o vereador Jair, caçula da "Tattolândia". Outros 14 projetos foram aprovados, mas também receberam alguns votos contrários.

Além de não atingir o quórum mínimo exigido para aprovação (eram necessários 37 votos, ou 2/3 dos 55 vereadores, mas a homenagem ao MST recebeu apenas 33 votos favoráveis e 5 contrários, além de 4 abstenções), o vereador Fernando Holiday (DEM) solicitou que o projeto seja levado ao plenário tradicional para discussão. Normalmente aprovadas de forma simbólica, essas homenagens só costumam emperrar quando são confrontadas por questões ideológicas.

"Eu me posiciono contrariamente porque entendo que o MST é uma organização terrorista que há anos atenta contra a liberdade e o direito à propriedade dos brasileiros", afirmou Holiday, um dos expoentes do MBL, o Movimento Brasil Livre, expressão da "nova direita" brasileira. 

"É lamentável que o parlamento municipal tenha que perder tempo e dinheiro com um projeto que, além de inútil, flerta com a criminalidade e zomba de brasileiros que estão sendo prejudicados por este movimento antidemocrático e que deveria ser rechaçado por qualquer parlamento que se dê ao respeito", concluiu o vereador do DEM.

Também votaram contra a homenagem ao MST os vereadores André Santos (PRB), Dalton Silvano (DEM), Gilberto Nascimento (PSC), Janaína Lima (Novo) e Xexéu Tripoli (PV). As abstenções registradas foram de Aurélio Nomura (PSDB), Rinaldi Digilio (PRB), Rute Costa (PSD) e Toninho Paiva (PL). Outros 12 vereadores simplesmente não votaram.

Apenas duas homenagens foram aprovadas por unanimidade de votos (47 vereadores favoráveis e 8 ausentes): Maria da Penha Maia Fernandes, inspiradora da chamada "Lei Maria da Penha", e Tadao Yamashita, vice-presidente do Conselho Deliberativo da Beneficência Nipo-Brasileira de São Paulo e membro da Comissão do Conselho do Hospital Nipo-Brasileiro.

Todos os demais homenageados, embora aprovados, tiveram algum grau de rejeição, fundamentalmente por questões ideológicas ou até religiosas, como o voto contrário do evangélico André Santos (PRB) ao empresário Facundo Guerra, dono de bares e casas noturnas, ou três votos contrários (notadamente antipetistas) à escritora Conceição Evaristo, mulher de origem humilde e uma das mais importantes ativistas do movimento negro na cultura brasileira.

Por outro lado, a homenagem à empresária Josefa Adecilda Silva Araújo, conhecida popularmente como Sylvia Design, aprovada com 44 votos, teve apenas o registro da abstenção de Toninho Vespoli (PSOL), enquanto mereceu uma exaltação especial da vereadora Edir Sales (PSD).

"A ilustre homenageada é do time das mulheres guerreiras, valentes e vitoriosas da nossa cidade. De empacotadora a empresária de sucesso. Dessa forma, apoio a presente congratulação com meus sinceros cumprimentos, o que muito engrandece a cidade de São Paulo com sua nova filha. Seja bem vinda!", deixou consignado a vereadora ao registrar seu voto digital.

quarta-feira, 5 de junho de 2019

Hoje o #ProgramaDiferente é 100% vegano



No Dia Mundial do Meio Ambiente, o #ProgramaDiferente é 100% Vegano. Mas, afinal, o que é veganismo? Quais as diferenças entre vegano e vegetariano? O que propõem o veganismo? O que os veganos comem? Quem são? Como vivem? É possível um mundo vegano? Na questão da alimentação, faz bem ou mal à saúde? E os animais tem direitos? Assista.

terça-feira, 4 de junho de 2019

Cinquenta anos em cinco meses (de retrocesso)

Eu não queria nem Bolsonaro nem o PT na Presidência. Então, saí derrotado das eleições, obviamente. Perdi feio. O que não me torna agora um "isentão", porém não me faz também cúmplice dessa polarização insana das duas bolhas de lunáticos à esquerda e à direita.

Sigo crítico do petismo e do bolsonarismo, embora os petistas já tenham sido defenestrados, enquanto os bolsonaristas se refestelam como novos inquilinos do poder. São a bola da vez.

Feitas as devidas apresentações, com passe livre para ser odiado pelos fãs-clubes de fiéis e fanáticos de ambos os lados, cada qual com seus criminosos de estimação, exponho a minha preocupação com o Brasil dividido - o que não é necessariamente uma evidência democrática. Ao contrário, parece um risco iminente às nossas instituições e à vitalidade do estado democrático de direito.

Não estou satisfeito com a política brasileira. Não gosto de político corrupto. Não aprecio mitos nem arremedos de ditadores. Não acredito em salvadores da Pátria. Ou seja, ao mesmo tempo em que faço coro no grito por mudança, não me encaixo no perfil típico das milícias virtuais, nem de um nem do outro. Mas também não julgo todo e qualquer político ruim. Não generalizo. Acho que a solução passa obrigatoriamente pela política. Nova ou velha, tanto faz. Mas boa, certamente. Precisamos urgente da boa política.

E o que temos hoje nas linhas de frente do governo e da oposição? Lixo tóxico! Fichas sujas, populistas, demagogos, hipócritas. Estão em alta as celebridades instantâneas das redes, algumas tão ou mais deletérias que o mais velhaco dos políticos tradicionais. O filtro ideológico não impede a ascensão da escória na mão inversa. Longe disso, o voto de ódio é quase um espelho. Reflete os dois lados da mesma moeda da péssima política. Daí herdarmos igualmente destros e canhotos incapazes, despreparados, desqualificados.

O que é o presidente Jair Bolsonaro senão um JK caipora, que desfaz cinquenta anos em cinco meses, um milico curupira com os pés voltados para trás? Será verdadeiramente um mito, como anuncia o séquito bolsonarista, ou simplesmente um personagem folclórico? Uma anomalia eleitoral? Um Midas às avessas que contamina tudo aquilo que toca, num país com economia vegetativa e a sociedade à beira da septicemia?

Pois veja que, em apenas cinco meses, Bolsonaro e sua prole já conseguiram a proeza de enfraquecer todos os seus pilares de sustentação: das olavetes aos militares; da suposta reserva moral de Sergio Moro, que dissolve em praça pública, ao reformismo de Paulo Guedes, o Posto Ipiranga que às vezes também parece abandonado à própria sorte, correndo o risco de parar no meio do caminho por conta do combustível adulterado.

Quais as prioridades destes cinco meses de governo? Facilitar a posse e o porte de armas? Anistiar predadores ambientais? Proteger infratores de trânsito? Combater a ideologia de gênero? Confrontar um suposto marxismo cultural, pelo qual se justificam os mais diversos ataques à educação e à cultura? Fustigar comunistas imaginários? Esconjurar Paulo Freire? Inculcar a ideia de um evangélico no Supremo? Patrulhar o comportamento alheio?

Seria um zero à esquerda, não fosse a impropriedade de atribuir tal expressão popular a um extremista de direita. Um nada! Aliás, lembro de um exemplo lúdico que ilustra bem a queda do muro, à qual os bolsonaristas parecem ainda não terem se dado conta: o filme "Adeus, Lênin!". Talvez falte a esses reaças que pretendem reescrever e reinterpretar a História um "Adeus, Ustra!".

E que o futuro do Brasil, o nosso destino, seja esse: voltar aos rumos da boa política. Não apagar o passado nem tentar maquiar os fatos de acordo com aquilo que nos agrada ideologicamente, mas aprendendo com os erros cometidos para não repeti-los. É inegável que Bolsonaro já tem o seu lugar na História. O meme que virou presidente. Um erro histórico, sem dúvidas. Uma página a ser virada em breve!

Mauricio Huertas, jornalista, é secretário de Comunicação do #Cidadania23 em São Paulo, líder RAPS (Rede de Ação Política pela Sustentabilidade), editor do #BlogCidadania23 e apresentador do #ProgramaDiferente.

segunda-feira, 3 de junho de 2019

Uma boa reflexão sobre o novo cenário político

Um texto necessário para nossa leitura e reflexão. Foi publicado nesta segunda-feira, 3 de junho, na Folha de S. Paulo. Vale a leitura.

O Pós-PSDB

O divórcio entre o PSDB e suas origens na esquerda foi assinado

A convenção nacional do PSDB na última sexta-feira (31) consolidou a candidatura de João Doria à Presidência da República e o definitivo reposicionamento do PSDB no campo da direita. Nada de errado nisso, boa sorte para os caras.

A história dos tucanos é um caso interessantíssimo para a ciência política: foi um caso claro em que a posição do partido dentro da disputa nacional determinou mais seu desenvolvimento do que a ideologia inicial de seus fundadores.

O "social democracia" no nome do partido era de verdade. A maior parte dos fundadores do PSDB vinha da centro esquerda, da melhor centro esquerda: FHC, Covas, Serra, Bresser,

Gente fundamental na briga por introduzir a pauta dos direitos sociais na Constituição de 1988. Na verdade, a atuação incontestavelmente de esquerda do PSDB aconteceu aí, antes de sua fundação.

Mas PSDB nunca foi um nome que nomeasse muito bem a coisa. Os partidos sociais-democratas europeus sempre foram estruturados em torno dos sindicatos. Quando o PSDB escolheu seu nome, Franco Montoro advertiu: se o PT moderar o discurso, os sociais-democratas serão eles.

Talvez por essa inconsistência o PSDB tenha sido o único grande partido conhecido mais por sua mascote (o tucano) do que por sua sigla.

Mas a tensão ideológica dentro do partido não se deve apenas à origem de seus fundadores na oposição à ditadura militar.

O PSDB só virou protagonista nacional quando FHC lançou o Plano Real (não, não foi o Itamar, parem com isso). E o Plano Real foi um negócio politicamente muito singular.

No começo dos anos 1990, excepcionalmente, o que era prioritário para a administração macroeconômica também era prioritário para o combate às desigualdades: derrotar a hiperinflação.

Foi nessa confluência que a singular coalizão de políticos sociais-democratas e economistas ortodoxos gerou o PSDB moderno.

Não há a menor garantia de que essa circunstância vá se repetir sempre. É muito comum, e talvez seja a regra, que medidas necessárias à estabilidade econômica gerem mais desigualdade. Por isso, aliás, políticas redistributivas são necessárias.

Eventualmente, a disputa com o PT fez do PSDB o ponto de convergência da direita brasileira. Quem entrou no PSDB a partir do meio dos anos 90 já entrou querendo brigar com a esquerda. As pautas levantadas pelos tucanos, a maneira como votaram no Congresso a partir daí, refletiram essa virada.

Foi um longo processo, mas o divórcio entre o PSDB e suas origens na esquerda foi assinado na última sexta-feira. O PSDB de Doria é um partido claramente de direita, que está, sim, como Gengis Khan, mais ao centro do que Bolsonaro.

Não sei se vai dar certo. Se Bolsonaro for um sucesso, por que alguém votaria em Doria? E se não for, o discurso de direita ainda vai soar tão atraente? Na centro direita, Doria enfrentará a concorrência do DEM e do partido que deve se formar em torno da candidatura de Luciano Huck.

Agora a bandeira social-democrata está esperando que alguém no Brasil a pegue do chão. Se ao menos houvesse no Brasil um partido com base sindical sólida, experiência com políticas de redistribuição de renda e que estivesse precisando reciclar seu discurso, talvez fosse possível fazer alguma coisa a esse respeito.

Celso Rocha de Barros
Servidor federal, é doutor em sociologia pela Universidade de Oxford (Inglaterra).