terça-feira, 17 de setembro de 2019

Bolsonarismo é o petismo na mão inversa

O cidadão com mais de dois neurônios já entendeu que não é possível ser antipetista e defender a Lava Jato e ao mesmo tempo continuar se declarando um eleitor bolsonarista consciente e satisfeito com as ações e realizações deste governo.

Pois se é verdade que o PT se meteu em escândalos e roubalheiras, justificando a rejeição popular e a surra nas urnas, também tem ficado evidente o empenho pessoal do presidente Jair Bolsonaro e dos seus rebentos 01, 02 e 03 para melar qualquer tipo de investigação mais aprofundada contra a banda podre da política.

Comentamos aqui outro dia que estavam cada vez mais evidentes as manobras governistas para tentar impedir investigações incômodas aos três poderes da República. Dissemos que, se não bastasse interferir na Lava Jato ao trocar o comando da Polícia Federal, esvaziar o Coaf e nomear um Procurador Geral visto como manipulável, a família Bolsonaro deixava as suas digitais também na pressão e nos conchavos para barrar a chamada CPI da Lava Toga.

Afirmamos ainda que o bolsonarismo está se restringindo cada vez mais rápido aos fanáticos, lunáticos, inaptos e ineptos. Quem votou em Jair Bolsonaro com alguma esperança sincera de mudança ou por falta de opção já identificou a armadilha.

"Ética, liberalismo, postura republicana, a defesa do estado democrático de direito e mesmo o cumprimento das próprias promessas de campanha passam longe deste governo!", foi a conclusão que chegamos no artigo "O divórcio entre bolsonaristas e lavajatistas", de 9 de setembro.

"Percebendo que o eleitor minimamente consciente começa a manifestar o seu descontentamento com o estelionato eleitoral, o bolsonarismo radicaliza ainda mais. Os ataques desmedidos a antigos apoiadores já é sinal do desespero crescente. O divórcio entre bolsonaristas e lavajatistas também é questão de tempo. A relação de confiança e o apoiamento mútuo já se esgarçaram."


Pois é idêntico o diagnóstico de Celso Rocha de Barros no artigo "Movimento bolsonarista reflui e radicaliza" , publicado na Folha de S. Paulo em 16 de setembro, portanto posterior ao nosso. Isso porque esse movimento que está acontecendo é óbvio. O bolsonarismo (ou boçalnarismo) está ruindo, graças a Deus! Não há cristão que aguente! (Brasil acima de tudo, Deus acima de todos!)

"Os bolsonaristas inteligentes sabem que a eleição de 2018 foi uma mistura de contingências que não devem se repetir: a facada, a desistência de outsiders como Joaquim Barbosa e Luciano Huck, a prisão de Lula, o casamento entre bolsonarismo e lavajatismo, o naufrágio das candidaturas ligadas a Temer", relata Rocha de Barros"Essa onda atraiu as elites econômica e política para Bolsonaro nas últimas semanas do primeiro turno. Agora a onda refluiu e o sistema busca alternativas."

E conclui: "O voto puramente antipetista parece ter abandonado Jair. Sua taxa de aprovação é semelhante à proporção do eleitorado que o apoiava antes da disparada no primeiro turno. A propósito, os dois principais governadores eleitos na onda bolsonarista —​Doria e Witzel— já tentam se afastar de Bolsonaro."

A cereja do bolo é o guru dos fanáticos descerebrados, Olavo de Carvalho, conclamando os idiotas a formarem uma militância organizada em defesa de Bolsonaro e partir para a "ação" (seja lá qual significado se queira dar a isso, mas certamente coisa boa não deve ser).

O bolsonarismo é o petismo na direção inversa, na mão trocada. E sabe quem chegou a essa conclusão? Não foi nenhum "isentão", como é carimbado o sujeito que enxerga defeitos à direita e à esquerda, nos fanáticos por Lula ou por Bolsonaro. Foi simplesmente a deputada mais votada da história do Brasil, com seus mais de 2 milhões de votos, eleita pelo partido do presidente, o PSL: Janaína Paschoal. Se ela diz, que somos nós para duvidar?

Mauricio Huertas, jornalista, é secretário de Comunicação do #Cidadania23 em São Paulo, líder RAPS (Rede de Ação Política pela Sustentabilidade), editor do
#BlogCidadania23 e apresentador do #ProgramaDiferente.


Leia também:

O que explica esse conchavo do filho e do partido de Bolsonaro com políticos suspeitos do PT e do Centrão para tentar impedir a criação da CPI da Lava Toga?

Arma de choque para GCM, restrição da venda de bebida e de cigarro, e a troca do ensino oficial nas escolas pela educação domiciliar. Você concorda?

Agora vai! A Câmara Municipal de São Paulo tem convocadas seis sessões extraordinárias em sequência nesta terça-feira, 17 de setembro, para garantir que sejam apreciados 48 projetos de lei e dois projetos de resolução que vem se arrastando há semanas na pauta por falta de entendimento político, obstruções regimentais ou mesmo pela prioridade dada a projetos do Executivo.

Essa pauta de projetos em 1ª votação faz parte da "cota" dos vereadores, que firmam um acordo inusitado que já virou praxe na Casa: ao final da cada legislatura, a intenção é que todos os 55 parlamentares tenham aprovado a mesma quantidade de projetos em 1ª e 2ª votação. Isso para que nenhum se destaque (positiva ou negativamente) pela produtividade na tentativa de reeleição.

As polêmicas do dia começam com o 1º item da pauta: um projeto do vereador Jonas Camisa Nova (DEM), que resgata proposta de 2005 do ex-vereador Farhat, eleito então como "o advogado do Ratinho", e que determina o uso do "taser", ou arma de choque paralisante, pela Guarda Civil Metropolitana.

Como as ações da GCM ocorrem, por exemplo, na contenção de manifestações populares ou em operações contra vendedores ambulantes e moradores sem-teto, é de se vislumbrar a repercussão e o efeito que terá tal medida na prática.

Entre outros projetos polêmicos que já citamos por aqui e vem se repetindo na pauta há semanas, estão a proibição da venda de bebida e de cigarro em determinados pontos comerciais da cidade e a permissão para que os pais troquem o ensino oficial nas escolas pela educação domiciliar das crianças. Relembre aqui.

Leia também:

segunda-feira, 16 de setembro de 2019

sexta-feira, 13 de setembro de 2019

FORA, MADURO!

Maduro anuncia controle da agência de cinema do país para vetar conteúdo contrário ao seu governo;

Maduro troca comando da Polícia Federal da região em que seu filho está sendo investigado;

Maduro muda estrutura e direção de orgão de controle de atividade financeira por investigar seus familiares;

Maduro muda direção aduaneira que barrava entrada de containers irregulares de porto que abastece de armas e drogas organização criminosa ligada ao governo;

Maduro anistia multas ambientais sofridas por ele mesmo e persegue fiscal que o multou;

Maduro contraria dados científicos produzidos por instituto de pesquisas espaciais que divulgou dados negativos de seu governo e muda direção do órgão;

Maduro nomeia seus familiares, sem qualificação, para os cargos mais importantes da república;

Maduro manda tirar do ar propaganda de banco público, já faturada, porque desgostou do conteúdo;

Maduro corta publicidade pública de órgãos de imprensa que falam mal do governo e edita medidas para prejudicá-los.

Juca Kfouri
13/09/2019

quinta-feira, 12 de setembro de 2019

A Literatura de Cordel no #ProgramaDiferente



O sotaque nordestino é ouvido de cabo a rabo neste #ProgramaDiferente sobre a Literatura de Cordel, que une do analfabeto ao intelectual nesse dialeto sem igual. Diga-se, aliás, que há exatamente um ano virou patrimônio imaterial, reconhecido em setembro de 2018 pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional.

Tipo de poema popular, oral e impresso em folhetos, geralmente expostos para venda presos em cordas ou cordéis, o nome surgiu em Portugal, país que tinha esse hábito de pendurar os livretos em barbantes. Acabou se tornando um símbolo da cultura do povo brasileiro.

Os autores, ou cordelistas, recitam seus versos de forma melodiosa e cadenciada, às vezes acompanhados do som da viola, bem como fazem suas leituras, cantorias ou declamações muito empolgadas e animadas para conquistar os possíveis compradores, desde a origem da tradição nas feiras do Nordeste.

E assim, na sua métrica poética, são transmitidos os costumes locais, fortalecendo as identidades regionais. Eita, cabra da peste! O cordel é uma conquista. Existe até - e o programa mostra - cordel com tema político, de ideologia socialista e comunista.

Tem "Dia do Poeta de Cordel" em agosto e em novembro tem "Dia do Cordelista". Isso tudo porque uma data apenas é pouco para celebrar todos esses artistas.A cultura popular, para nós, deve ser festejada o ano inteiro. Existe até a Academia Brasileira de Literatura de Cordel, com sede no Rio de Janeiro. Assista.

Manual de sobrevivência dos vereadores paulistanos

Costuma se dizer que a política não é para principiantes. A Câmara Municipal de São Paulo não fugiria à regra, né? Há uma espécie de código de etiqueta (ou seria um manual de sobrevivência?) em que todos os vereadores se enquadram, inclusive os mais novos que chegam com expectativa alta de mudança - como Janaína Lima (Novo), Fernando Holiday (DEM e MBL), Caio Miranda (PSB) e Sâmia Bomfim (PSOL), enquanto esteve por lá.

Isso para citar alguns exemplos. Mas a regra de ouro é mostrar que todos são iguais e ponto. Sobrevive apenas quem consegue se adequar ao sistema. É expressamente proibido algum vereador ou vereadora se destacar pela quantidade de boas ideias ou pelo número de projetos aprovados.

Entre os mandamentos tácitos dos vereadores está essa cota informal de projetos que nivela por baixo a produtividade da Casa. Eu explico: todos os vereadores devem necessariamente aprovar a mesma quantidade de projetos durante o ano (ou durante os quatro anos da legislatura). Ou seja, tanto faz o mérito ou a adequação das propostas. O trabalho parlamentar independe das boas ideias. Todos devem aprovar a mesma quantidade de projetos. E isso não se discute.

A próxima terça-feira, 17 de setembro, foi escolhida para atender parte dessa cota. Serão aprovados projetos de vereadores em 1ª votação (lembrando que são necessárias duas votações para o projeto seguir à sanção ou veto do Executivo). Nessa fase, os projetos normalmente são aprovados em votações simbólicas. Pouco ou nada se discute. A maioria nem se dá conta do que está votando. No máximo se registram votos contrários no microfone para constar dos registros oficiais.

Geralmente os vereadores escolhem um único dia da semana para as sessões extraordinárias. Vem sendo a quarta-feira, quando se discutem e são votados os projetos de lei, tanto de iniciativa dos próprios vereadores quanto do Executivo. Na próxima semana, excepcionalmente, para colocar em dia a "cota dos vereadores", está prevista também essa sessão de terça-feira para votação dos seus projetos, além da tradicional da quarta-feira para tentar terminar a discussão de projetos do Executivo (a prioridade é a anistia aos imóveis irregulares).

Se for cumprida essa cota, a pauta da semana seguinte (para quarta-feira, 25 de março) já está anunciada: reunirá projetos de vereadores em segunda e definitiva votação. O final do ano está se aproximando. Com ele, a preocupação com o Orçamento de 2020 e a apresentação das emendas parlamentares - uma das meninas dos olhos do Legislativo. Sem esquecer, claro, que 2020 é ano eleitoral. Grande parte da Casa precisa mostrar trabalho para buscar a reeleição. E assim segue a vida.

quarta-feira, 11 de setembro de 2019

Câmara de São Paulo vota anistia a obras e imóveis irregulares e em desacordo com a lei de zoneamento

Volta à pauta da Câmara Municipal de São Paulo nesta quarta-feira, 11 de setembro, já em segunda e definitiva votação, o projeto do Executivo que anistia as obras e edificações irregulares na cidade.

Por uma dessas coincidências infelizes e que acabam provocando humor involuntário, o número do projeto é 171 - número popularmente identificado com o artigo do Código Penal relativo ao crime de estelionato. 

A primeira votação do PL 171/2019 ocorreu no dia 8 de maio deste ano. Foram 46 votos favoráveis, nenhum contrário e duas abstenções. Ou seja, até a oposição votou favorável. Para esta segunda votação devem ser apresentadas emendas e substitutivos. Muita coisa pode mudar, dependendo do que for incluído ou alterado no projeto original. Por isso é bom ficar de olho.

O projeto pretende regularizar os imóveis que não atendem às normas de segurança, acessibilidade ou que estejam em desacordo com a lei de zoneamento. O que causa incômodo a quem respeita as leis é que, de tempos em tempos, essas anistias acabam premiando a ilegalidade. Tem gente que já descumpre as normas com a expectativa de que no futuro será beneficiada por uma anistia. Aí fica complicado, né?

De acordo com a atual proposta, apenas as propriedades construídas de forma irregular em áreas públicas, em locais de preservação ambiental permanente e também aquelas envolvidas em disputas judiciais não se enquadram nos critérios de regularização. O resto está liberado!

Os imóveis se dividem em três categorias. Com base no IPTU, as edificações residenciais de até 150 metros quadrados serão legalizadas automaticamente, sem necessidade de pagar taxas nem apresentar documentação.

Já os imóveis residenciais de 150 metros quadrados a 500 metros quadrados poderão ser regularizados mediante a apresentação de declaração do contribuinte, exceto nos casos que requerem pagamento de outorga por conta de excesso de área construída.

Na terceira categoria, estão edificações residenciais ou comerciais que exigem pagamento da taxa de outorga. Nesses casos, será necessário analisar o projeto construtivo e a propriedade, para verificar as normas de acessibilidade, segurança e zoneamento.

Mais polêmicas entre os vereadores

Entre outros projetos, na extensa pauta de 52 itens de propostas do Executivo e dos vereadores, está a autorização para vender à iniciativa privada alguns imóveis da Prefeitura, como por exemplo a antiga sede da Subprefeitura de Pinheiros, na Rua Henrique Schaumann, pelo valor estimado de R$ 2,5 milhões. Há outros seis imóveis na mesma situação, sendo que o de maior valor está estimado em R$ 44 milhões e fica na rua Baluarte, na Vila Olímpia.

Das iniciativas de vereadores em 1ª votação, a novidade é um projeto do vereador Jonas Camisa Nova (DEM), que resgata proposta de 2005 do ex-vereador Farhat, eleito então como "o advogado do Ratinho", e que determina o uso do "taser", ou arma de choque paralisante, pela Guarda Civil Metropolitana. Como as ações da GCM ocorrem, por exemplo, na contenção de manifestações populares ou em operações contra vendedores ambulantes e moradores sem-teto, é de se vislumbrar a repercussão e o efeito que terá tal medida na prática.

Outras polêmicas que vem há semanas na pauta, como a proibição da venda de bebida e cigarro ou a substituição do ensino oficial nas escolas pela educação domiciliar, você revê aqui.

terça-feira, 10 de setembro de 2019

O que explica esse conchavo do filho e do partido de Bolsonaro com políticos suspeitos do PT e do Centrão para tentar impedir a criação da CPI da Lava Toga?

Estão cada vez mais evidentes as manobras governistas para tentar impedir investigações incômodas aos três poderes da República.

Se não bastasse interferir na Lava Jato ao trocar o comando da Polícia Federal, esvaziar o Coaf e nomear um Procurador Geral visto como manipulável, o presidente Jair Bolsonaro deixa as suas digitais também na pressão e nos conchavos para barrar a chamada CPI da Lava Toga.

O senador Flavio Bolsonaro (PSL/RJ), amigo do suspeito Queiroz, assumiu pessoalmente as articulações para tentar evitar que os ministros do Supremo Tribunal Federal sejam investigados no Senado, como propõe o senador Alessandro Vieira (Cidadania/SE) e os 27 signatários do pedido de CPI.

O deputado federal Luciano Bivar (PSL/PE), presidente nacional do partido, confirmou que o filho de Bolsonaro está atuando diretamente para que senadores retirem suas assinaturas do requerimento e assim seja derrubada a terceira tentativa de instauração da investigação sobre o Judiciário no Legislativo, sem o mínimo necessário de apoiadores.

"Quando ele pede, está respaldado em cima do partido, com certeza", afirmou Bivar sobre a interferência do senador Flávio Bolsonaro. "O que a gente quer é a governabilidade. Não adianta você ir contra os outros Poderes. O PSL não tem esse sentimento."

A pressão sobre os parlamentares é reforçada ainda pela atuação do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM/AP) e pelo presidente do STF, ministro Dias Toffoli. A confirmação desse conchavo vem de outro deputado federal do PSL, o paulista Coronel Tadeu, que postou (e depois apagou) nas redes sociais uma denúncia da pressão sofrida por senadores e sanadoras para impedirem a investigação.

E aí, meus caros eleitores brasileiros e simpatizantes do presidente? O que dizer desse acordão em Brasília reunindo de bolsonaristas a petistas, passando por políticos suspeitos de corrupção do Centrão, além dos tão criticados ministros do STF que seriam justamente os maiores inimigos da Lava Jato? O que explica essa manobra vergonhosa com cheiro de pizza?

Será uma troca de favores para limpar a barra de todo mundo que poderia ser pego com a boca na botija? Será que o Executivo e o Legislativo estão passando o pano agora para o Judiciário em troca das investigações que foram interrompidas por ordem do Supremo e tinham flagrado ilegalidades da família Bolsonaro, inclusive supostas ligações com milicianos e movimentações financeiras suspeitas nas contas do filho e da esposa do presidente?

São perguntas que ficam no ar. A dúvida é legítima, já que o próprio PSL, o partido do presidente, que se dizia tão diferente dos demais, é quem está patrocinando essa articulação da chamada "velha política". Estranho, não?

O que as meninas superpoderosas do bolsonarismo e dos movimentos pela ética na política (as deputadas do PSL Joice Hasselmann, Carla Zambelli e Bia Kicis) tem a dizer sobre essa manobra vexatória do governo? Estão caladas???

Por outro lado, a deputada estadual Janaína Paschoal (PSL/SP), recordista de votos na história do Brasil, contraria mais uma vez o comando do seu partido e declara total apoio à CPI da Lava Toga. Ela faz ainda um alerta sobre o machismo inerente da política e do governo, já que a maior pressão está sendo exercida exatamente sobre as mulheres no Senado.

"Muito significativo que justamente as senadoras estejam sendo pressionadas. Mantenham as assinaturas, senadoras! Contamos com Vossas Excelências!", afirmou Janaína. "A CPI da Lava Toga não é contra o Poder Judiciário! É a favor! O Judiciário é muito importante, por isso a CPI é necessária! Eu apoio os senadores que pedem a CPI! Muda Senado, muda Brasil!".

Luciano Huck é a aposta de um novo Brasil

Bons ventos da boa política sopram com Luciano Huck e os chamados movimentos cívicos como Agora, Acredito, Renova, RAPS e Livres, entre outros. Estamos de olho, acompanhando e torcendo para isso dar certo, por uma nova forma de representação da sociedade. Por uma política diferenciada. Por um novo Brasil.

Não é à toa que Huck vem percorrendo o país, conhecendo seus problemas e estudando soluções. Aos 48 anos, o empresário e apresentador é a aposta concreta de uma nova geração de cidadãos que não se vê hoje representada na política e nos atuais partidos, muito menos nessa polarização burra que se manifesta nas redes, nas ruas e nas urnas.

Nesta segunda-feira, 9 de setembro, Huck foi uma das principais atrações do Fórum Exame, em São Paulo, que reuniu outros possíveis presidenciáveis, como os governadores João Doria (PSDB/SP) e Wilson Witzel (PSC/RJ). Único convidado aplaudido de pé, ele defendeu que se debata "o abismo social no Brasil".   

Diante de uma plateia, assim como ele, majoritariamente branca, vestindo jeans e com uma postura naturalmente mais informal do que os demais palestrantes, Huck também criticou a falta de diversidade no debate público brasileiro. "Não vamos resolver desigualdade com um monte de gente branca e rica sentada na Faria Lima", afirmou. 

Apesar de dizer que seu papel político se restringe a incentivar e participar de movimentos cívicos, o discurso em prol de um país melhor já coloca Luciano Huck como alternativa viável à sucessão do presidente Jair Bolsonaro (PSL), que não por acaso partiu para o ataque ao identificá-lo como possível adversário.

"A desigualdade é gritante. Favela virou paisagem e não pode. Se não fizermos nada, o país vai implodir. Quero ser um cidadão cada vez mais ativo para que o país se torne mais eficiente, mais afetivo e menos desigual", afirmou Huck

Há 20 anos viajando de norte a sul, em contato com gente simples para "estar com o dedo no pulso do Brasil", Huck percebeu que tinha dois caminhos: "Podia fingir que não era comigo e ficar no aquário do Projac como um peixinho bem alimentado ou poderia me jogar no oceano". Ele escolheu a segunda opção.

"Quem tem o poder de mexer no ponteiro da desigualdade é o Estado, mas não quis me aproximar mais, não estou em partido. Preferi me juntar ao Eduardo Mofarrej para prepararmos novas lideranças. Hoje, temos 17 lideranças que foram formadas pelo Renova e foram eleitos. Agora, no ciclo municipal, temos 31 mil inscritos. Isso é ouro puro", disse.

Outro projeto que Huck apoia é o Agora, um hub de novas práticas políticas. “Dali vai nascer um projeto de país. Existem coisas que não precisamos reinventar a roda. Posso elencar vários programas de educação da sociedade civil e de iniciativas do governo no Ceará e no Espírito Santo nessa área. O que precisamos é organizar aquilo que deu certo.”

Mas em outros pontos mudanças são necessárias. Huck diz que a elite brasileira pode contribuir com as soluções, mas é passiva e acha que "as respostas vêm com geração espontânea". "A agenda econômica desse governo é correta, as pessoas não estão torcendo contra, querem que avance. Se melhorar, ótimo. Mas a questão é que a enormidade do país que não depende só disso, de crescimento do Produto Interno Bruto. Depende de serviços e de proteção social."

Mesmo a população ribeirinha, que não passa fome, se sente pobre, pois pela TV e pelo rádio descobriram que existem coisas que nunca vão conseguir comprar e sonhos que não vão conquistar. "Visitei uma família subindo o rio Jurá, no Norte do país. Quando perguntei a uma criança chamada Eliana o que ela quer ser quando crescer, ela disse ‘juíza’. Hoje, ela não tem qualquer condição de conseguir, e é nosso papel construir um projeto de país para que o sonho dela se torne viável."

A menina Eliana e a família moram no coração da Amazônia, que nas últimas semanas entrou para o noticiário por causa da extensão das queimadas. Para Huck, a solução não é complexa – é possível transformar a floresta em um pólo de inovação, com um projeto sustentável, algo que ele chamou de "Amazônia 4.0". "O mundo inteiro tem interesse em consumir a floresta, e nós continuamos produzindo motocicleta e geladeira que são compradas por Santa Catarina. Não que eu tenha algo contra a Zona Franca de Manaus, mas podemos ir além disso."

A questão essencial é: Como mudar tudo isso num momento em que o país está tão polarizado e dividido? Esse é o grande desafio, segundo Huck. Para ele, as pessoas precisam deixar o discurso belicista de lado, já que não vai levar a lugar algum.

"A solução também não é sair daqui. O jeito é conversar e construir". Huck diz que isso é necessário para que os netos do pipoqueiro Pelé, de 76 anos, que mora em Lagoa da Prata, interior de Minas Gerais, tenham mais oportunidades que ele. Neto de escravos, trabalhou por 70 anos e nunca teve dinheiro para colocar porta na casa. "Não, Pelé não é miserável. Existem pessoas em situação ainda pior", conta Huck.

"Precisamos discutir mobilidade social no Brasil. O país já teve mobilidade social, não tem mais. Hoje, se você nascer pobre numa favela, a chance de morrer pobre numa favela do Brasil é enorme", afirmou o apresentador.

Apesar de garantir que não tem "projeto de poder" ou político propriamente dito, Huck será certamente protagonista do novo país e da sociedade renovada que surgirá desses debates, movimentos e organizações suprapartidárias. "Se a gente não fizer nada, o Brasil vai implodir", afirmou. "Quero contribuir como for possível para que o Brasil seja um país cada vez mais eficiente e mais afetivo, com menos desigualdade."

"O que posso trazer como contribuição neste momento são as minhas andanças pelo Brasil e tentar contribuir de alguma forma para que o Brasil seja um país melhor no futuro", disse Huck, ao comentar sobre o "tsunami político" que atingiu sua vida nos últimos dois anos e o fez cogitar inclusive ser candidato à Presidência da República no ano passado.

"A régua é a ética: não importa como você pensa, contanto que o sarrafo ético esteja na altura correta. É ali que a gente pretende que nasça um projeto de país. Não é um projeto político nem eleitoral. Não é do Luciano. Não é de ninguém, é de quem quiser olhar, é open source", explica Huck, em referência aos programas de computador em que os desenvolvedores contribuem para a construção do software.

Leia outras postagens do #BlogCidadania23 sobre Luciano Huck:

Vai, Luciano Huck! Representa esta nossa geração!

Acredito. Renova Brasil, Agora!

Cinco minutos com Luciano Huck sobre política

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Luciano Huck recomenda fala de Lady Gaga a Dalai Lama e prefeitos de cidades dos Estados Unidos

FHC: Candidatura de Huck seria boa para o Brasil, para arejar e botar em perigo a política tradicional

É chegada a hora de uma nova geração?

Possibilidade da candidatura de Luciano Huck coloca em debate o tema da renovação da política

Huck apóia candidatos pela renovação política

segunda-feira, 9 de setembro de 2019

O divórcio entre bolsonaristas e lavajatistas

O bolsonarismo está se restringindo cada vez mais rápido aos fanáticos, lunáticos, inaptos e ineptos. Quem votou em Jair Bolsonaro com alguma esperança sincera de mudança ou por falta de opção já identificou a armadilha.

Ética, liberalismo, postura republicana, a defesa do estado democrático de direito e mesmo o cumprimento das próprias promessas de campanha passam longe deste governo!

Percebendo que o eleitor minimamente consciente começa a manifestar o seu descontentamento com o estelionato eleitoral, o bolsonarismo radicaliza ainda mais. Os ataques desmedidos a antigos apoiadores já é sinal do desespero crescente. O divórcio entre bolsonaristas e lavajatistas também é questão de tempo. A relação de confiança e o apoiamento mútuo já se esgarçaram.

Os últimos golpes desferidos por Bolsonaro no funcionamento da Lava Jato, na autonomia da Polícia Federal e na isenção da Procuradoria Geral da República foram fatais para atingir a credibilidade do cidadão de bem que lhe deu um voto de confiança mas que não pertence aos grupos mais sugestionáveis por fake news e palavras de ordem ou que sofreram lavagem cerebral.

Quem já desconfiava das verdadeiras intenções de Bolsonaro com o enfraquecimento de Sérgio Moro e do Ministério Público, o esvaziamento do Coaf, o sumiço do Queiroz e as manobras suspeitas para impedir a investigação de crimes ou ilegalidades flagradas em movimentações financeiras injustificáveis, como os depósitos nas contas do filho e da mulher do presidente, agora tem uma certeza: Bolsonaro é mais do mesmo!

E quem diz isso não são esquerdistas invejosos, comunistas, petistas, eleitores de Fernando Haddad, inimigos reais ou imaginários do bolsonarismo. São os próprios eleitores do presidente Bolsonaro que agora sentem na pele o ódio e a perseguição dos milicianos virtuais e dos assassinos de reputação que agem de forma orquestrada nas redes sociais. Bolsonaristas simplesmente não admitem a crítica construtiva. Partem para o ataque e a eliminação sem dó.

Não à toa, os filhos de Bolsonaro começaram juntos uma campanha na tentativa de desestimular e até mesmo desqualificar qualquer crítica ao governo, como se todas fossem vinculadas à oposição ou a pessoas mal intencionadas.

O próprio presidente afirmou que criticar o governo agora é apressar a sua queda e o retorno do PT. “Se não acreditarem em mim e continuarem a me criticar, mais cedo eu caio e mais cedo o PT volta", afirmou Bolsonaro.

Parece uma sentença premonitória. Ou puro terrorismo infantilóide, como a ameaça do homem-do-saco que se usava para amedrontar crianças. De qualquer modo, está decretado o princípio do fim. Começou a contagem regressiva para o fracasso do bolsonarismo.

O que todos precisam entender é que a rejeição aos desmandos do PT e a ojeriza à política tradicional, ou mesmo o voto pontual da maioria do eleitorado em Jair Bolsonaro, não foram uma carta branca ou um salvo-conduto para que a direita repetisse os erros da esquerda. Confiança e maioria são circunstanciais, momentâneas e perecíveis.

A frustração e a desesperança voltam a dominar o ambiente. O brasileiro não é bobo. Pode até ser enganado por algum tempo, sempre de boa fé. Mas logo acorda, sacode a poeira e corrige o erro. A maioria do povo já esteve com Sarney, com Collor, com FHC, com Lula, com Dilma... Se está - cada vez menos - com Bolsonaro, é por ter acreditado que algo mudaria para melhor. A política é cíclica. E o fim, inevitável.

Mauricio Huertas, jornalista, é secretário de Comunicação do #Cidadania23 em São Paulo, líder RAPS (Rede de Ação Política pela Sustentabilidade), editor do #BlogCidadania23 e apresentador do #ProgramaDiferente.

sábado, 7 de setembro de 2019

AVISO AOS NAVEGANTES: CENSURA AQUI NÃO!

Um anuncia a censura ao cinema e ataca filmes nacionais como Bruna Surfistinha. Outro censura história em quadrinhos na Bienal com cena de dois personagens masculinos se beijando. Um terceiro manda recolher livros didáticos com orientação sexual para adolescentes. E seus seguidores se unem para cancelar exposições, para boicotar empresas, para difamar os críticos, para calar a imprensa, para demitir jornalistas.

A censura está de volta, ao arrepio da lei, com a criação de um index imaginário desta nova Inquisição. A perseguição aos supostos hereges é incentivada pelos representantes dessa onda retrógrada que sacode as redes, as ruas e as urnas. Assim como nos tempos medievais, as condenações populares tem um claro objetivo de dominação ideológica, econômica e social. Por enquanto, as fogueiras são virtuais. Por enquanto.

Os novos tribunais do Santo Ofício, que hoje funcionam pelo twitter, facebook e whatsapp, inventaram seu próprio "Index Librorum Prohibitorum" para investigar, julgar e punir quem ousar difundir conceitos que ameaçam a "nova direita", a família tradicional brasileira e o fundamentalismo religioso, mas que na verdade são de difícil comprovação no mundo real, identificados apenas por fanáticos e lunáticos, como "ideologia de gênero", "marxismo cultural" etc.

O curioso é que eles próprios não fazem autocensura. Esses inquisidores mequetrefes podem explorar a fé alheia, atropelar o bom senso e falar asneiras livremente. Eles usurpam do poder constituído para impor as suas verdades (muitas vezes, vejam a contradição, por meio de fake news), manipulam as instituições, burlam a Constituição.

O que incomoda mais, um beijo gay ou um presidente e ministros que chamam de feia a mulher de outro chefe de Estado? Um filme com nudez ou o presidente falando na TV quantas vezes você deve ir ao banheiro defecar? Um livro com orientação sexual ou o vídeo compartilhado nas redes perguntando o que é "golden shower"?

Aqui a nós cabe a resistência democrática, a defesa do estado de direito, a pregação dos princípios republicanos, a luta pelo respeito às minorias. Não calaremos diante de ameaças, nem de xingamentos ou agressões. A censura, o ódio, o preconceito, a violência e a intolerância não podem prosperar. Neofascistas, não passarão!

sexta-feira, 6 de setembro de 2019

O outro lado do 7 de setembro no #ProgramaDiferente



Um paralelo entre a convocação de Jair Bolsonaro aos brasileiros para saírem às ruas de verde-e-amarelo neste 7 de setembro e o mesmo pedido de Fernando Collor nos anos 90, que resultaria num estrondoso fracasso, com a população indignada vestindo preto e culminando com a renúncia e o impeachment do então presidente. E agora, com que roupa nós vamos?

Outra confrontação deste #ProgramaDiferente especial é entre o Grito da Independência e os 50 anos do sequestro do embaixador americano no Brasil, Charles Burke Elbrick. Ele foi sequestrado por militantes do Movimento Revolucionário 8 de Outubro (MR8) e da Ação Libertadora Nacional (ALN). Hoje Alfredo Sirkis, Fernando Gabeira e Eduardo Jorge falam sobre a democracia e as ditaduras de direita e de esquerda. O jornalista Eduardo Bueno também conta com muito humor o outro lado da nossa História. Assista.

quinta-feira, 5 de setembro de 2019

Nós devemos desculpas ao mundo pelo Bolsonaro

Vamos atender a convocação à moda Collor do desgoverno Jair Bolsonaro para o dia 7 de setembro?

Antes, nossas desculpas ao mundo por essa fraquejada da democracia brasileira ao eleger este inepto e incapaz.

Ninguém merece o meme que virou presidente. Basta!

#Cidadania23 #BlogCidadania23

terça-feira, 3 de setembro de 2019

#DireitosJá, Democracia sempre, Cidadania urgente!



Um fórum permanente pela democracia: isso é o #DireitosJá, movimento lançado na noite desta segunda-feira, 2 de setembro, no Tuca, o histórico teatro da PUC de São Paulo. Uma frente suprapartidária que nasce reunindo lideranças da sociedade civil e representantes de 16 partidos, claramente inspirada na campanha das Diretas Já e nas lutas pela redemocratização. Assista aqui algumas das manifestações.

Hoje os tempos são outros. O povo brasileiro elege livremente os seus representantes - e talvez aí esteja a principal contradição: é o presidente Jair Bolsonaro, seus apoiadores e o seu governo marcado pelo ódio, pelo despreparo e pela incivilidade que voltam a ameaçar a democracia, o estado de direito e as nossas instituições republicanas. Daí a necessidade deste movimento.

Estão unidos PT, PSDB, PSD, PV, PSB, PCdoB, PSOL, PTB, MDB, Solidariedade, Podemos, Rede Sustentabilidade, Novo, Democratas, Cidadania... Enfim, o mais amplo espectro de legendas de centro, esquerda e direita, com diferentes posicionamentos e visões de mundo, mas todas elas reunidas em torno de princípios democráticos e do respeito aos direitos fundamentais.

É isso que torna possível o diálogo e a união num mesmo movimento de diferentes lideranças como Fernando Henrique Cardoso (PSDB), Ciro Gomes (PDT), Fernando Haddad (PT), Flavio Dino (PCdoB), Marina Silva (Rede), Roberto Freire (Cidadania), Guilherme Boulos (PSOL), Eduardo Suplicy (PT), Marta Suplicy (sem partido), Soninha Francine (Cidadania), Geraldo Alckmin (PSDB), Antonio Anastasia (PSDB), Eduardo Jorge (PV), Rodrigo Maia (DEM), Márcio França (PSB), entre tantas outras personalidades.

Um ato que reúne jornalistas, políticos, artistas, intelectuais, estudantes, professores, sindicalistas, religiosos, advogados, movimentos sociais de negros, mulheres, LGBTs e índios. Que junta do cardeal e arcebispo de São Paulo Dom Cláudio Hummes ao filósofo e sociólogo norte-americano Noam Chomsky, com seus 90 anos de idade e um dos nomes mais respeitados da atualidade.

O #BlogCidadania23 e o #ProgramaDiferente, como todos sabem, são declaradamente anti-bolsonaristas. Fazemos oposição e críticas substanciais a este desgoverno de lunáticos, ineptos, desqualificados e inimigos da democracia.

Em resumo: a nossa divergência com os petistas, com a velha esquerda ou com a política tradicional se dá no campo partidário, político, ideológico, ético, até moral. Mas com esses bolsonaristas, além das discordâncias políticas e ideológicas, temos aversão no aspecto humano, existencial.

Não é possível que essas figuras execráveis, asquerosas, repugnantes, saudosas da ditadura e idólatras de torturadores, representem a cara e a alma do novo Brasil que desejamos construir. Precisamos mostrar que somos melhores que tudo isso aí, talquei?

Por isso desejamos que esse movimento #DireitosJá prospere e se fortaleça. Todo o sucesso do mundo na luta pelos direitos e garantias fundamentais. E que a oposição unida cresça e apareça.

Direitos já, Democracia sempre, Cidadania urgente!

segunda-feira, 2 de setembro de 2019

Alberto Goldman: Menos um democrata :´-(



Nossa homenagem a Alberto Goldman, ex-governador de São Paulo que morreu aos 81 anos neste domingo, 1º de setembro. Em 2015, ao completar 60 anos de vida pública, Goldman foi um dos entrevistados do #ProgramaDiferente.

Ele contou desde a sua origem no movimento estudantil, passando pela primeira eleição como deputado, em 1970, pelo MDB (mas como integrante do Partido Comunista Brasileiro na clandestinidade), e toda a longa e vitoriosa trajetória política até o seu auge, quando assumiu o Governo do Estado, entre abril de 2010 e janeiro de 2011.

Engenheiro da Escola Politécnica da USP, pianista, jogador de basquete (esporte que ainda praticava), Goldman era um dos políticos mais experientes do país. Duas vezes deputado estadual, seis vezes deputado federal, três vezes secretário de Estado e ministro dos Transportes do presidente Itamar Franco, ele analisou a crise do país e opinou sobre o futuro do PT e do governo Dilma Roussef, que enfrentaria um impeachment.

Ex-integrante do chamado "MDB autêntico", nome forte na luta pela redemocratização brasileira e um dos que se mantiveram fiéis ao PMDB quando várias outras lideranças de São Paulo e do Brasil fundaram o PSDB, em 1988, ele não poupou críticas aos antigos companheiros. Assista.

Relembre também:

Bloco democrático e reformista é lançado para tentar impedir a "castástrofe" de um 2º turno polarizado entre candidatos extremistas à direita e à esquerda

quinta-feira, 29 de agosto de 2019

50 anos do Jornal Nacional no #ProgramaDiferente



"O povo não é bobo, abaixo a Rede Globo". Para quem já ouviu ou gritou essas palavras de ordem nas últimas décadas, desde a redemocratização, nada melhor que um #ProgramaDiferente sobre os 50 anos do Jornal Nacional, ícone do jornalismo nacional no horário nobre da maior emissora do Brasil.

A história, os momentos marcantes, os erros, a suposta ideologia. A edição partidarizada do debate Collor x Lula nas eleições presidenciais de 1989. Criticado por governos de esquerda e de direita, deve ter alguma qualidade - além da audiência - para se manter no ar há tanto tempo. Aqui você tem um pouquinho deste meio século reunido em meia hora. Assista.

quarta-feira, 28 de agosto de 2019

Paulistanos sem cigarro, sem bebida e sem escola

Polêmicas na Câmara Municipal de São Paulo: Vereadores querem restringir venda de cigarro e de bebidas alcóolicas; outro projeto institui ensino domiciliar para crianças e adolescentes.

Proibir geral! Venda de cigarros, narguilé e outros derivados de tabaco proibida em padarias e supermercados. Venda de bebidas proibida nas lojas de conveniência.

Mas aí o paulistano pode comprar cigarro nas lojas de conveniência e bebidas nas padarias e supermercados. E também em bares e restaurantes. Ahhh! E o mais importante: pode fugir da escola!!!

Isso se forem aprovados em duas votações os projetos que propõem essas proibições e estão pautados em 1ª votação na ordem do dia:

PL 230 /2019 , do Vereador RINALDI DIGILIO (REPUBLICANOS)
Dispõe sobre a proibição da venda de cigarros, narguile e outros derivados de tabaco em padarias, supermercados e hipermercados no município de São Paulo. FASE DA DISCUSSÃO: 1ª.

PL 121 /2019 , dos Vereadores RUTE COSTA (PSD), GEORGE HATO (MDB)

Proíbe a venda de bebidas alcóolicas nas lojas de conveniências dos postos de combustível de São Paulo. FASE DA DISCUSSÃO: 1ª.

Para completar a trinca de projetos polêmicos, outro permite educar fora da escola tradicional ao instituir o ensino domiciliar para crianças e adolescentes (educação infantil, ensino fundamental e ensino médio). 

A ordem parece ser derrubar aquela máxima da sabedoria popular: “Lugar de criança é na escola”. Não mais! Abaixo as escolas e os professores! A moda da nova era é estudar e se formar em casa. (Será o mais recomendado? Por que e por quem?)

PL 84 /2019 , do Vereador GILBERTO NASCIMENTO (PSC)
Autoriza o ensino domiciliar na educação básica, formada pela educação infantil, ensino fundamental e ensino médio para os menores de 18 (dezoito) anos e dá outras providências. FASE DA DISCUSSÃO: 1ª.

terça-feira, 27 de agosto de 2019

Vergonha! Bolsonaro é doido e rasga dinheiro!

O presidente Jair Bolsonaro contradiz o senso comum: "É doido, mas não rasga dinheiro". Ele rasga. Não o dele próprio, claro, nem o da família. Mas o nosso, dos cofres públicos, de todos nós brasileiros (aliás, cadê o Queiroz?).

Não bastava ter rasgado dinheiro da Alemanha e da Noruega para o Fundo da Amazônia, ele agora desdenha de mais US$ 20 milhões de ajuda oferecida pelo G7 - os sete países mais ricos do mundo.

É doido, fanfarrão, falastrão, irresponsável, inepto, inapto, incompetente. Bolsonaro, o meme que virou presidente, nos obriga a adjetivar os textos sobre ele. Mas é tão desqualificado que qualquer adjetivação é insuficiente para expressar a nossa ideia sobre o bolsonarismo, a vergonha, a tristeza e a indignação que nos causa essa burrice coletiva que atinge um terço dos brasileiros (vale relembrar o texto Um ou dois terços pelo Brasil: Oremos pela salvação!).

Sim, porque Bolsonaro foi eleito por cerca de um terço dos brasileiros e segue com esse índice de apoio fanático e avesso à razão, segundo as pesquisas de popularidade. Ou seja, falamos aqui para os outros dois terços dos brasileiros racionais e civilizados. Cá entre nós, o que esse Bolsonaro tem na cabeça? Será que ele segue aquele conselho de fazer de dois em dois dias para pensar também? Ou nem isso?

O argumento do boçal é que os países ricos oferecem dinheiro porque teriam interesses inconfessáveis na Amazônia, ameaçando a nossa soberania. Digamos que Bolsonaro esteja certo (ele que já defendeu, há três anos, "entregar a Amazônia para exploração dos Estados Unidos, um país democrático e com poderio nuclear"). Por que aceitar ajuda dos EUA e de Israel, como já fez, e rejeitar da Alemanha, do Canadá, da Itália, do Japão, do Reino Unido e da França? Ideologia, servilismo ou alienação?

O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, artilheiro do time de incapazes, saiu numa cruzada pela mídia que começou no programa humorístico Pânico e terminou no Roda Viva, da TV Cultura. Foi desprezado pelo próprio partido (o Novo, que pede a sua desfiliação) e desautorizado pelo governo, que anunciou à noite ter recusado a ajuda do G7, que o ministro estava celebrando como necessária, já que faltam recursos e equipes para prevenir e combater as queimadas criminosas. Um show de nulidade e desinformação.

segunda-feira, 26 de agosto de 2019

Bolsonaro e o bolsonarismo envergonham o Brasil



Com o meme que virou presidente e ministros ineptos, o Brasil passa vergonha mundial. Viramos motivo de piada e de críticas do mundo civilizado (inclusive da parcela não-idiotizada de ao menos dois terços dos brasileiros imunes ao bolsonarismo). Em época de crise ambiental, esse desgoverno é lixo tóxico.

O jornal The New York Times classifica Jair Bolsonaro na sua 1ª página como o “menor, mais maçante e mais insignificante dos líderes”. A imprensa europeia dispara contra o “câncer” Bolsonaro. Na maior rede pública de TV da Alemanha, o presidente foi satirizado como “bobo da corte do agronegócio”, “boçal de Ipanema” e protagonista do filme O Massacre da Serra Elétrica. Assista.

Como disse a escritora Fernanda Young em seu último artigo antes da morte prematura neste fim-de-semana, estamos cercados por um "bando de cafonas na vulgaridade das palavras, na deselegância pública, na ignorância por opção, na mentira como tática, no atraso das ideias".

Também a atriz Fernanda Torres nos representou em seu texto mais recente"Qual a razão de elegermos políticos tão bélicos, tão devotos de Deus e da bala, que confundem direitos humanos com ideologia vermelha e prometem sanar o problema social com o extermínio bem aplicado?", questiona.

Veja mais:

#OLHAR23: O Olhar satírico do #BlogCidadania23

Ser de esquerda ou de direita, sem vergonha!

Socorro! Os idiotas já dominam o mundo virtual!

Que passe rápido essa doença do bolsonarismo

Será que o gado bolsonarista gosta de maus tratos?

Socorro! O Brasil foi sequestrado por lunáticos!

Sordidez, canalhice, despreparo, falta de compostura

E essas mentiras de pescador, Bolsonaro?

Ministros à altura do meme que virou presidente

Não que seja novidade a ruindade, o despreparo e a incapacidade deste governo, a começar pelo meme que virou presidente, Jair Bolsonaro.

Mas os exemplos diários da falta de decoro, do ódio, do preconceito, do desequilíbrio e da canalhice demonstrados pela linha de frente do seu ministério, numa guerra ideológica contra inimigos reais e imaginários, é de causar repulsa, vergonha e indignação.

É todo dia um 7x1 contra para quem tem um time com Onyx Lorenzoni (Casa Civil), Ernesto Araújo (Relações Exteriores), Ricardo Salles (Meio Ambiente), Damares Alves (Família), Marcelo Álvaro Antonio (Turismo), Osmar Terra (Cidadania) e Abraham Weintraub (Educação) - isso para citar apenas 7 dos 22. Uma seleção de mediocridade, grosseria e incompetência.

O pior é que, seguindo os passos do chefe, eles se julgam no direito de (des)governar e opinar sobre qualquer assunto pelo twitter, numa overdose tóxica de estupidez, insensatez e falta de discernimento. Não é possível tolerar tantas asneiras e ofensas sem reação. Essa trupe bolsonarista depõe contra qualquer resquício de inteligência e republicanismo. Virou uma excrescência antidemocrática.

É inaceitável que esse ministro da Deseducação, Abraham Weintraub, um desqualificado, chame publicamente o presidente francês Emmanuel Macron de "cretino", "sem caráter" ou "calhorda oportunista". O que é isso? Aonde vamos parar? Quem essa gente pensa que é? Isso é uma vergonha para o Brasil e para o povo brasileiro! Esse cara tem que sair do governo já!


O irmão do ministro, Arthur Weintraub, que é assessor especial da Presidência, segue a linhagem obtusa da família e do governo para atacar genericamente o presidente Macron (chamado por ele de Lacron), além de jornalistas e opositores (Lula, por exemplo, é o 9dedos). Também agrediu a atriz Patricia Pillar, que criticou o irmão-ministro por postar um vídeo treinando tiro ao alvo.

"Não é normal uma coisa dessas!!! O que é isso? Um Ministro da Educação posta isso???", escreveu a atriz. O irmão valentão rebateu, irônico: "Também achei que não é normal! Onde já se viu, errar um tiro em 20 com um alvo daquele tamanho?! Está enferrujado mesmo."

O ministro Ernesto Araújo (Relações Exteriores) também dispara pelo twitter, entre outras coisas, contra a "ideologia ambientalista", segundo ele "instrumento de controle econômico e psicossocial"; a "ideologia de gênero, que nega a natureza humana e gera violência", o "aquecimento global", uma "mentirosa distorção"; e as "políticas genocidas" de Maduro, na Venezuela. Um primor de diplomata primata.

Outros ministros seguem a mesma linha bélica: Ricardo Salles culpa o petismo pela crise ambiental na Amazônia, dizendo que os governos petistas venderam a floresta para madeireiros "mal intencionados e gananciosos". Também compartilha tweet em que Macron é chamado de "menino histérico".

E por aí vai. Todos eles se seguem, curtem, compartilham e repetem o mesmo padrão de sandices. Baixo nível completo e absoluto. É simplesmente asqueroso, repugnante, vexatório, revoltante. Fica registrado o nosso repúdio e a nossa oposição declarada e intransigente a essa escória da política.

Último texto de Fernanda Young: "Bando de cafonas"

A Amazônia em chamas, a censura voltando, a economia estagnada, e a pessoa quer falar de quê? Dos cafonas. Do império da cafonice que nos domina. Não exatamente nas roupas que vestimos ou nas músicas que escutamos — a pessoa quer falar do mau gosto existencial. Do que há de cafona na vulgaridade das palavras, na deselegância pública, na ignorância por opção, na mentira como tática, no atraso das ideias.

O cafona fala alto e se orgulha de ser grosseiro e sem compostura. Acha que pode tudo e esfrega sua tosquice na cara dos outros. Não há ética que caiba a ele. Enganar é ok. Agredir é ok. Gentileza, educação, delicadeza, para um convicto e ruidoso cafona, é tudo coisa de maricas.

O cafona manda cimentar o quintal e ladrilhar o jardim. Quer todo mundo igual, cantando o hino. Gosta de frases de efeito e piadas de bicha. Chuta o cachorro, chicoteia o cavalo e mata passarinho. Despreza a ciência, porque ninguém pode ser mais sabido que ele. É rude na língua e flatulento por todos os seus orifícios. Recorre à religião para ser hipócrita e à brutalidade para ser respeitado.

A cafonice detesta a arte, pois não quer ter que entender nada. Odeia o diferente, pois não tem um pingo de originalidade em suas veias. Segura de si, acha que a psicologia não tem necessidade e que desculpa não se pede. Fala o que pensa, principalmente quando não pensa. Fura filas, canta pneus e passa sermões. A cafonice não tem vergonha na cara.

O cafona quer ser autoridade, para poder dar carteiradas. Quer vencer, para ver o outro perder. Quer ser convidado, para cuspir no prato. Quer bajular o poderoso e debochar do necessitado. Quer andar armado. Quer tirar vantagem em tudo. Unidos, os cafonas fazem passeatas de apoio e protestos a favor. Atacam como hienas e se escondem como ratos.

Existe algo mais brega do que um rico roubando? Algo mais chique do que um pobre honesto? É sobre isso que a pessoa quer falar, apesar de tudo que está acontecendo. Porque só o bom gosto pode salvar este país.

Fernanda Young era escritora, atriz, roteirista e colunista do jornal O Globo; morreu neste domingo, aos 49 anos, e este é seu último texto publicado no jornal.

Fernanda Torres: "Na cabecinha"

Assisto ao noticiário e confirmo: o mundo vai acabar

Terça-feira gorda . Um homem sequestra um ônibus na ponte Rio-Niterói. Numa ação bem calculada da polícia, atiradores de elite o abatem, salvando a vida dos passageiros reféns.

Ao descer do helicóptero que o levou até a cena do crime, o governador Wilson Witzel não contém a euforia e, erguendo os punhos, comemora o desfecho como um torcedor de futebol que vibra diante de um gol.

Uma semana antes, sua política linha-dura de segurança pública, com uso de helicópteros blindados para atirar “na cabecinha” dos bandidos, havia enfrentado duras críticas.

Depois da morte de seis jovens inocentes em confrontos entre a polícia e o tráfico, a ONG Redes da Maré entregou à Justiça 1.500 cartas escritas e ilustradas por crianças da comunidade, pedindo maior racionalidade nas ações policiais.

Witzel reagiu incomodado, pondo a culpa dos óbitos nos defensores dos direitos humanos. E viu, no bem sucedido abate do sequestrador da ponte, uma justificativa para a truculência de sua gestão. Daí a alegria incontida do governador.

Nas declarações sobre o ocorrido, Witzel procurou ser comedido, se solidarizando inclusive com a família do sequestrador, mas a linguagem corporal que exibiu no desembarque não deixa dúvida quanto ao lucro político que pretendia extrair da tragédia.

Qual a razão de elegermos políticos tão bélicos, tão devotos de Deus e da bala, que confundem direitos humanos com ideologia vermelha e prometem sanar o problema social com o extermínio bem aplicado?

A razão é o medo.

Em entrevista ao programa Painel, na GloboNews, o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, ao ser confrontado com o diretor demitido do Inpe, o físico Ricardo Galvão, argumentou que os projetos de exploração da biodiversidade amazônica haviam fracassado e que era hora de buscar alternativas.

As queimadas e o desmatamento vexaminoso pareciam não afetar o ministro, que ressaltava as riquezas intocadas da região, minimizando o valor da ciência, o desmonte do Ibama e os benefícios trazidos pelo Fundo Amazônia.

Witzel e Salles se completam.

Ambos defendem a ideia de que o nhém-nhém-nhém ecológico-humanista da social-democracia faliu, foi para o ralo junto com o demônio encarnado do lulopetismo.

De fato, entra governo sai governo, os problemas de habitação, saneamento, saúde, segurança e educação só se agravam. Cruzado novo, cruzeiro novo, Nova República... O Brasil é o país condenado a começar do zero.

A diferença, agora, é que o desejo de jogar na latrina tudo isso que está aí, vem acompanhado da percepção de catástrofe irrefreável, de fim de mundo, que os atuais governantes parecem querer acelerar. O apocalipse está em voga.

As mudanças climáticas, os verões tórridos, as secas, incêndios e inundações, a miséria crescente, as migrações, o lixo tóxico, as epidemias e a recessão econômica, esse rosário de horrores sem solução breve ou possível, delineia um não futuro onde a morte aos milhões será inevitável.

Tenho vivido assim.

O caixa da farmácia embrulha uma cartela de analgésico num saco plástico gigante, eu recuso o invólucro e penso: o mundo vai acabar. Corro a lagoa respirando escapamentos e concluo: o mundo vai acabar. Dou descarga, como carne, separo o lixo, escovo os dentes, espero o ipê que plantei florescer e sei: o mundo vai acabar. Assisto ao noticiário e confirmo: o mundo vai acabar.

E não é nem preciso que a frente fria vinda do sul se misture com a fuligem das queimadas do norte, transformando em noite a tarde de agosto em São Paulo, para saber que o mundo vai acabar.

Porque até numa manhã de luz, com o verde da mata aceso contra o céu azul da Guanabara, tenho a certeza de que o mundo vai acabar.

O terceiro milênio não cumpriu o esperado. A classe média empobreceu, os empregos foram para o brejo, a tecnologia da rede revelou o pior de nós todos e seguimos escravos do consumo e da queima suja de combustível fóssil. Só uma catástrofe de proporções bíblicas fará parar a engrenagem.

É a angústia, o pânico do porvir, é o medo que se agarra em Deus e elege esse governador que, incapaz de conter o gozo, comemora o tiro, mesmo que devido, de um sniper.

Freud deu nome aos bois logo após a primeira das duas grandes guerras mundiais que teve a infelicidade de testemunhar. Essa ânsia de fim se chama pulsão de morte.

Só tem dado ela nas urnas eleitorais do planeta.

Fernanda Torres, é atriz e roteirista, autora de “Fim” e “A Glória e Seu Cortejo de Horrores”, e colunista da Folha de S. Paulo.

domingo, 25 de agosto de 2019

40 anos da Anistia e a volta do irmão do Henfil



Os 40 anos da Lei da Anistia e a volta do irmão do Henfil: esse é o tema do #ProgramaDiferente desta semana. Em uma época que tem muita gente que pretende reescrever a História do Brasil, emplacando a narrativa mais conveniente à sua ideologia, é importante reverenciar a democracia e rever os fatos como eles realmente ocorreram.

Em 28 de agosto de 1979, o então presidente João Baptista Figueiredo concedeu o perdão tanto aos perseguidos políticos (que a ditadura militar chamava de subversivos) quanto aos agentes da repressão. A Lei da Anistia possibilitou o retorno de diversos exilados, entre eles Herbert de Souza, o Betinho, eternizado como "o irmão do Henfil" na canção "O Bêbado e a Equilibrista", de João Bosco e Aldir Blanc, gravada por Elis Regina. Assista.

sábado, 24 de agosto de 2019

Marina aponta medidas que Bolsonaro deveria tomar para contornar a crise ambiental e sanar parte da incompetência vexatória do governo brasileiro

Muita gente cobra ações de Marina Silva, da Rede Sustentabilidade, como se ela não se posicionasse com frequência sobre assuntos polêmicos ou relevantes da política.

Principalmente nas questões que envolvem o Meio Ambiente, ela não apenas se posiciona como tem opiniões contundentes, objetivas e sensatas, que merecem ser compartilhadas por todos.

Segue texto de Marina:

O discurso do presidente Bolsonaro em cadeia nacional, na TV e no rádio, foi uma demonstração de que a pressão da sociedade fez o presidente engolir suas grosserias e ataques contra os que historicamente defendem o meio ambiente. Teve que declarar o compromisso de proteger as florestas e chegou até a falar em biodiversidade. Usou um tom brando em relação aos demais países e parou de culpar quem tenta ajudar e construir políticas públicas em defesa do patrimônio brasileiro, como as ONGs. Mas anunciou uma solução inócua: usar os militares para tentar conter um problema da dimensão das queimadas e desmatamentos.

É constrangedor saber que o governo só admitiu a existência do problema quando o mundo desabou sobre o Brasil. Ignoraram todos os avisos do INPE e da comunidade científica, sendo que a tecnologia para controlar os desmatamentos e as queimadas é dominada pelo Brasil há décadas. E não é feita com soldados e armas. Não é feita com pirotecnia. Não é feita com saliva, mas com políticas públicas duradouras e com instituições ambientais fortalecidas e valorizadas.

A solução desse problema passa por medidas efetivas como:

1) demitir o ministro incompetente que deixou a situação chegar a esse nível;
2) ressuscitar o Plano de Combate ao Desmatamento da Amazônia que foi destruído por Ricardo Salles;
3) retomar as operações de fiscalização ambiental do IBAMA e ICMBio;
4) retomar o funcionamento do Fundo Amazônia com o sistema de gestão e participação social que havia antes do governo Bolsonaro;
5) retomar a agenda de criação de unidades de conservação e de terras indígenas na Amazônia;
6) retomar o apoio ao trabalho do INPE, que está sendo substituído por uma empresa privada;
7) recuperar o orçamento do MMA;
recuperar a participação da sociedade e a transparência no MMA;
9) investir no aumento do orçamento dos programas de agricultura de baixo carbono, como o programa ABC, desenvolvido com apoio da Embrapa, que aumenta a produção e diminui desmatamento e emissão de CO2 significativamente;
10) investir no aumento do orçamento dos programas de manejo florestal e uso sustentável dos recursos da biodiversidade para gerar alternativas econômicas para a população da região;
11) retomar a realização das operações de inteligência com IBAMA e PF para desmontar as quadrilhas organizadas que financiam a grilagem de terrras, invasão de terras indígenas, desmatamento e exploração ilegal da floresta;
12) iniciar urgentemente um esforço que nos leve a certificação dos produtos agrícolas brasileiros para que se possa separar o joio do trigo, a exemplo da certificação florestal como FSC.

É isso que se espera do presidente. Apenas o discurso, não basta.

sexta-feira, 23 de agosto de 2019

Socorro! O Brasil foi sequestrado por lunáticos!

É incrível como os lunáticos se juntam em torno do bolsonarismo. É um misto de fanatismo com obscurantismo. Um surto de bestialidade. Esquizofrenia.

Só que a crise extrapola as nossas fronteiras, extravasa o mundinho virtual das redes sociais e ganha proporção global.

Que tipinho de gente é esse que vive da busca de inimigos reais e imaginários? Que usa um filtro ideológico para criar uma narrativa mentirosa e absurda como escudo para cada crítica, questionamento, advertência ou contestação?

Os posicionamentos do desgoverno do presidente Jair Bolsonaro são de causar vergonha e preocupação. Essa trupe vive uma realidade paralela, ignora o mundo real, despreza dados objetivos e refuta a ciência. Mas isso tem consequências.

Hoje o Brasil se equipara ao Irã ou à Coréia do Norte. Países governados por lunáticos que criaram realidades paralelas e inimigos imaginários, daí a retaliação e o isolamento mundial.

Basta acompanhar o que estão dizendo sobre o problema da Amazônia, que mobiliza as atenções do planeta para o Brasil.

Os bolsonaristas preferem continuar se manifestando para a sua bolha de seguidores fanáticos e imbecis em vez de enfrentar a crise com seriedade, assumir suas responsabilidades e se posicionar de maneira digna e altiva perante as demais nações.

Ao contrário, o presidente acusa uma ridícula e fantasiosa conspiração mundial para desestabilizar o seu governo. Como se para isso fosse necessário algo mais que os próprios tiros diários no pé, disparados por seus integrantes ineptos - a começar pelo próprio Jair Bolsonaro, mas repetidos pelo séquito à imagem e semelhança do mito dos tolos, como Ernesto Araújo, Ricardo Salles, Onyx Lorenzoni, Abraham Weintraub, Damares Alves, Eduardo Bolsonaro & Cia.




Acompanhe aqui toda a sequência de tweets do ministro Ernesto Araújo.


Leia também:

Carta aberta ao Presidente Jair Messias Bolsonaro

‘Quer que culpe os índios? Os marcianos?’, diz Bolsonaro sobre queimadas

terça-feira, 20 de agosto de 2019

X-Tudo da Câmara Municipal de São Paulo reúne de velórios e cemitérios a piscinões anti-enchente

A Câmara Municipal de São Paulo começa a discutir a partir desta quarta-feira, 21 de agosto, mais uma etapa do programa de desestatização iniciado pelo então prefeito João Doria, hoje governador, e continuado pelo prefeito Bruno Covas, ambos do PSDB.

No pacotão pautado em sessão extraordinário há uma mistura que reúne da concessão do Serviço Funerário, dos cemitérios e do crematório paulistano até parcerias público-privadas para a construção de piscinões anti-enchente.

Mas estão incluídos ainda pátios e terminais de ônibus, mercados municipais, os baixos de pontes e viadutos, entre outros serviços e equipamentos municipais que vão passar aos cuidados da iniciativa privada. Uma salada completa, que mistura alhos e bugalhos.

Há uma corrente - dentro da própria base governista - que pede o desmembramento de cada assunto em projetos de lei específicos, em vez desse chamado "X-Tudo", que pode inclusive ser mais facilmente contestado e barrado na Justiça.

A prioridade, no entendimento desses vereadores, deve ser mesmo a concessão do Serviço Funerário Municipal, órgão caro, arcaico e polêmico que detém o monopólio de todo o atendimento referente aos sepultamentos na cidade, abrangendo mais de 20 cemitérios, os velórios municipais e o crematório da Vila Alpina.

domingo, 18 de agosto de 2019

Será que o gado bolsonarista gosta de maus tratos?

Não basta afrontar a educação, a cultura e a ciência, ignorar o aquecimento global, negar os dados do desmatamento e rasgar dinheiro do fundo de preservação da Amazônia. O meme que virou presidente precisa ir além no obscurantismo, na indecência, na calhordice e no ataque às questões ambientais, à qualidade de vida e à agenda da sustentabilidade.

Em mais um gesto de populismo, demagogia, irresponsabilidade e sordidez, Jair Bolsonaro foi à 64ª Festa do Peão de Boiadeiro de Barretos, no interior paulista, para assinar um decreto que retrocede absurdamente nos padrões de bem-estar animal ao liberar provas que estavam proibidas nos rodeios por causar maus tratos e sofrimento.

Numa cerimônia marcada por gritos de "mito" e pela música "Eu te amo, meu Brasil", da dupla Dom & Ravel, tida como um hino do regime militar, o presidente da República discursou para garantir que defenderá os interesses dos promotores de rodeios e vaquejadas.

Menosprezou ainda os movimentos de proteção e defesa dos animais, tachados com deboche de "grupo do politicamente correto" e que, segundo o presidente, querem simplesmente impedir as festas desse tipo no Brasil.

"Respeito todas as instituições, mas lealdade eu devo a vocês. O Brasil está acima de tudo. Neste momento em que muitos criticam as festas de peões ou as vaquejadas quero dizer que, com muito orgulho, estou com vocês. Para nós não existe o politicamente correto, faremos o que tem de ser feito", afirmou Bolsonaro.

Ao insultar o ativismo pelos direitos dos animais, aproveitou para, mais uma vez, desmerecer também a luta histórica de negros e índios, além de demonstrar total ignorância ao opor a defesa do meio ambiente ao progresso do País. "Não voltei pra cá para demarcar terras indígenas ou quilombolas. O meio ambiente pode e vai casar com o desenvolvimento", afirmou.

Com o decreto assinado por Bolsonaro, fica definido que caberá ao Ministério da Agricultura avaliar os protocolos de bem-estar animal elaborados por entidades promotoras de rodeios e será possível a realização de provas não disputadas atualmente em alguns rodeios para poupar os animais de maus tratos.

Em Barretos, por exemplo, uma lei municipal impedia a prova do laço, que agora deve voltar à programação do evento, assim como a chamada prova do bulldog, que consiste no salto do cavaleiro sobre um bezerro em alta velocidade para imobilizar o animal. O veto tinha ocorrido após a morte brutal de um novilho, em 2011, que sensibilizou a opinião pública.

Além do decreto de Bolsonaro, o deputado federal Capitão Augusto, do PSL, mesmo partido do presidente, anunciou o relançamento da frente parlamentar dos rodeios, vaquejadas e provas equestres. Agora com apoio oficial declarado, a estimativa é estimular o setor. Hoje, cerca de 400 dos 645 municípios paulistas já promovem eventos de montarias em touros.

Nota do Blog: na foto postada com essa matéria, Bolsonaro é o de camisa branca.

sexta-feira, 16 de agosto de 2019

Vai cair a 1ª máscara de Jair Bolsonaro

A questão do projeto que pune o “abuso de autoridade” é crucial para o bolsonarismo.

1) Se vetar, Bolsonaro compra briga com parte considerável do Congresso (inclusive com Rodrigo Maia, que se mostrou ruim em matemática ao não conseguir contar 31 braços levantados, que garantiriam o voto nominal, quando a TV mostrou mais que isso).

2) Se não vetar, estará antecipado o divórcio com parte do eleitorado que votou em Bolsonaro circunstancialmente, mas é sobretudo anti-petista e lavajatista. Essa união de governistas com oposicionistas para restringir a ação de juizes, promotores e policiais atinge em cheio a confiança dos fãs da Lava Jato.

Ao contrário do Novo e do Cidadania, partidos que se posicionaram unidos contra esse projeto que parece ser um passa-moleque na turma de Sérgio Moro e Deltan Dallagnol, o PSL de Bolsonaro não fechou questão e estava dividido na hora de garantir regimentalmente o voto nominal, em vez do simbólico, para a população saber, um por um, o pensamento de cada deputado.

E aí, Bolsonaro? Vai agradar e servir a quem? À base parlamentar ou ao povo brasileiro?