
Ontem à noite, a TV mostrou a cena lamentável de um boi encontrado morto na praia dos Ingleses, em Florianópolis. O animal morreu afogado no mar, no desespero de tentar fugir dos participantes da "farra". Depois sua carne foi repartida entre os frequentadores da praia.
A prática da farra do boi, ainda que vedada, cresce exatamente na Semana Santa. Mas algumas comunidades a promovem em casamentos, aniversários, jogos de futebol e outras ocasiões especiais. Empresários, criadores de gado, donos de restaurantes, donos de hotéis e políticos estão entre os "patrocinadores" que doam os bois para a "festa".
No ano passado, foram registradas 467 ocorrências de maus tratos e tortura ao animal. O balanço deste ano será divulgado pela PM de Santa Catarina na segunda-feira.
Na "farra", um boi é solto nos chamados "mangueirões" (pasto cercado com madeira) ou no meio da multidão, e é perseguido com paus, cordas, chicotes, pedras e armas cortantes pelos participantes, que se divertem com o desespero e a dor do animal.
A farra do boi é crime previsto no artigo 32 da lei federal 9.605, que determina multa e detenção de até um ano para quem "praticar ato de abuso, maus-tratos, ferir ou mutilar animais". A morte do boi acrescenta mais um terço à pena.
Tradição bárbara

Como regra geral, os bois podem ser apedrejados, esfaqueados, espancados, ter seus chifres quebrados e caudas arrrancadas, mas há um certo "cuidado" para que o animal permaneça vivo até o final da "brincadeira".
Alguns defendem a farra como um ritual simbólico, uma encenação da Paixão de Cristo, onde o boi representaria Judas; seria, portanto, um traço cultural e religioso a ser respeitado e mantido. Nada mais absurdo numa sociedade que se pretende civilizada.