terça-feira, 9 de outubro de 2007

PT parte para o "divórcio litigioso" de Soninha

Do blog da vereadora Soninha:

Situaçãozinha desagradável

No dia em que eu decidi que iria mesmo sair agora do PT, saiu uma nota no Painel da Folha:

Na boa? A vereadora Soninha disse a um dirigente do PT paulistano que ingressará hoje no PPS, partido pelo qual pretende ser candidata a prefeita, sem criticar os ex-correligionários. Petistas, porém, acham que esse acordo de paz não tem como durar”.

Quando eu li isso, pensei: “Por que será que eles pensam isso? Será que acham que não vou resistir à tentação, na campanha, de falar mal do PT? Que vou me render às ´qualis´ (pesquisas de opinião) que pedirem para ser mais agressiva, ou que o PPS vai me pressionar nesse sentido?”.

Enquanto estava no partido, sempre fiz ou concordei em público com várias críticas feitas a ele. Política de alianças sem qualquer consistência ideológica e programática, posicionamentos esquisitos no plenário da Câmara, política macroeconômica que não condiz com o que sempre defendemos, perseguição ou virtual abandono a colegas mais críticos e “independentes”, etc. Não pretendia sair agora rememorando uma porção de problemas; embora fosse óbvio que as pessoas perguntariam por que saí, eu responderia em linhas gerais, até porque nem precisaria explicar muito. (Não é difícil entender)

Como eu lembrei agora há pouco na CBN, nesses anos todos de crise, de críticas justas e injustas, de desencanto justificado ou perseguição desmedida ao partido, ouvi um milhão de vezes a pergunta: “Por que você não sai do PT?”. Eu sempre respondi: “Porque ainda não desisti. Porque faço parte de um grupo incomodado, inconformado, questionador que quer brigar lá dentro”, etc.. Agora, ao me perguntarem “Por que você saiu?”, dá vontade de responder simplesmente: “Porque AGORA eu desisti”.

Mas não gosto de dizer isso porque tem gente lá dentro que AINDA não desistiu. Que continua lutando por um partido mais democrático, coerente, republicano, socialista, transparente, etc. Não quero esvaziar a bola deles, dizendo que não tem mais jeito. Talvez tenha. Mas como eu poderia continuar lutando sem acreditar nisso do fundo do coração? Eu desisti. Não tinha mais energia.

Agora, com a decisão do Supremo, o PT vai tentar reaver meu lugar na Câmara na Justiça. Exercendo o direito de defesa que o STF me assegurou, vou ter de explicar por que saí do partido. É claro que isso significa (re)fazer a exposição da coleção de motivos que me levaram a isso. Ou seja: acionada pelo partido, que escolha terei eu a não ser criticar o partido?

A ação na Justiça ainda demorará algum tempo. O Superior Tribunal Eleitoral sequer definiu como funcionará o processo. Mas as pessoas já me perguntam em entrevistas: “E por que, vereadora, a senhora saiu?”. “Por divergências acumuladas e persistentes”. “Quais, por exemplo?”. “Bom, algumas questões programáticas...”. “Como o que?”. “Como o fato de o governo do PT ter como aliados pessoas que não têm nada a ver com aquilo que, em tese, o partido defende... Os “coronéis” de sempre... E, pelas sinalizações até aqui, o partido pretende manter essa orientação”.

Por alguma razão que Freud talvez explique, eu me sinto mais desconfortável agora do que antes. Porque acho que antes, lá dentro, a crítica tinha uma razão de ser – a tentativa de melhorar o partido, de refazer sua linha, retomar o prumo. Quando saí, foi um alívio dessa pressão, essa responsabilidade, e eu quis mesmo guardar algum recato. “Não vou falar mal do meu ex”. (Uma vez o Lula disse que “ex” é terrível... Referindo-se, mesmo, a ex-petistas). Mas aí o divórcio, que era amigável, vira litigioso; o juiz chama as partes para decidir quem vai ficar com a guarda do filho, e a gente acaba lavando a roupa no tribunal.

Desagradável. E tem chão! Vamos ver como vai ser.


Leia aqui a posição do Blog do PPS/SP sobre este assunto.