
Depois de mensalão, valerioduto, apagão aéreo, vampiro, sanguessuga, dólar cubano em caixa de whisky, entre tantos escândalos que o presidente Lula garante não enxergar, a visão deve ficar mais prejudicada com um novo "cisco" no olho do governo.

Segundo reportagem da Folha de S. Paulo, as referências à palavra "doação" partem do fundador da Cisco do Brasil, Carlos Carnevali, e de executivos da Mude Comércio e Serviços Ltda., apontada como a importadora oculta da Cisco - Francisco Gandin, José Roberto Pernomian e Fernando Grecco.
Num dos trechos do relatório, a PF informa que Grecco conversa com Pernomian, ambos da Mude, para "acertarem valores e datas do negócio de Carlinhos Carnevali com um representante do PT".
Em outro momento, a polícia relata um diálogo entre Carnevali e Gandin, em que este cita negócios entre o fundador da Cisco e a Caixa. Não há no documento referência ao nome do suposto contato do PT com os executivos da Cisco e da Mude. No Tribunal Superior Eleitoral também não existe qualquer registro de doação da Cisco ou de Carnevali a petistas. Carnevali e Pernomian estão presos na PF em São Paulo.
Existe a suspeita de que o grupo de investigados, com a Cisco e a Mude à frente, tenha montado um esquema de fraudes com ramificações pelo serviço público. Na Operação Persona, ao menos sete auditores da Receita Federal foram citados como envolvidos no esquema de sonegação de imposto.
Na composição executiva da Caixa, a atual presidente é Maria Fernanda Ramos Coelho, filiada ao PT de Pernambuco, e a vice-presidente de Tecnologia da Informação, Clarice Coppetti, tem longa trajetória no PT gaúcho. Maria Coelho assumiu a presidência em 2006, no lugar de Jorge Mattoso, numa das maiores crises do banco.

Multinacional de origem americana, a Cisco domina cerca de 80% do mercado de equipamentos de informática no Brasil. Indiretamente, ou seja, por meio de empresas que só comercializam seus produtos, fornece material, por exemplo, para a Receita, que atuou na investigação que revelou o esquema de fraudes montado pela parceria Cisco/ Mude.
Segundo a investigação da PF, da Receita e do Ministério Público, Cisco e Mude montaram uma cadeia de empresas nos EUA e no Brasil para introduzir no país produtos de informática com preços até 70% mais baixos que a média do mercado. Nos últimos cinco anos, segundo a Receita, os envolvidos deixaram de recolher R$ 1,5 bilhão em impostos, usando notas frias, subfaturamento de importados, "laranjas" e "offshores".