
Nem o "fato novo" de ter como presidente uma mulher é tão "novo" assim. De tempos em tempos é eleita uma estudante ajeitadinha para obter um pouco de atenção da mídia e tentar emplacar uma nova musa para maquiar as velhas idéias e práticas antidemocráticas que dominam a entidade.
A candidata à musa da vez é Lúcia Stumpf (foto acima), 25 anos, estudante de jornalismo da FMU (faculdade particular paulistana), eleita com 1.802 votos, o que corresponde a 72% do total de 2.493 estudantes-eleitores. Essa é a representatividade do estudante brasileiro? Faz-me rir.

Lúcia Stumpf é a 18ª presidente da entidade (a quarta mulher) filiada ao PCdoB desde 1981, quando o comunista Aldo Rebelo (SP) foi eleito.
A palavra de ordem da nova presidente é "trabalhar nos próximos dois anos para retomar a trajetória de luta que caracterizou a UNE no passado".
Ok, traduzindo por favor: "A UNE nos próximos dois anos vai ser a UNE da ocupação das universidades públicas", afirmou Lúcia Stumpf.
Ora, ora. A plataforma da "nova gestão" é intensificar as passeatas e manifestações, com prioridade para a invasão de universidades públicas como forma de reivindicar melhorias no ensino. Nada mais antigo.
A UNE prepara para o mês de agosto a "Jornada Nacional de Lutas". Traduzindo, mais uma vez: "A ocupação é um formato legítimo de reivindicação. É um formato legítimo de manifestação dos estudantes. Vamos amadurecer essa idéia ao longo dos próximos meses durante a organização da jornada."
O discurso não combina com a ação. A UNE faz críticas contundentes à política econômica, mas segue atrelada ao governo como um bezerro às tetas da mamãe vaca. "Lula é muito diferente dos governos neoliberais anteriores", garante Lúcia, citando como pontos altos do petista as políticas sociais. Então, tá.