segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Prossegue a disputa pela "nova classe média"

Ninguém sabe ao certo o que é, mas os números impressionam: a "nova classe média" representará 57% do eleitorado em 2014. De olho no voto dessa massa disforme e abstrata, todos os partidos lançam mão de um discurso para atraí-la. Quem vai chegar mais perto?

Em março, o Blog do PPS/SP propôs uma refundação política para atender com mais eficácia e sensibilidade a juventude e a classe média. Poucos dias depois, não por acaso, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso escreveu que a oposição deveria voltar a atenção para a nova classe média.

Basicamente o mesmo discurso de Gilberto Kassab e Claudio Lembo na formação do PSD da costela do DEM, aquele neopartido que "não é de direita, de centro, nem de esquerda" e pode acabar fazendo água de tão inodoro, insípido e incolor.

A nova formatação política proposta por Marina Silva e alguns dos seus seguidores "marineiros", entusiasmados com os quase 20 milhões de votos que surgiram espontaneamente, na reta final da campanha de 2010, segue na mesma linha provando o poder formador de opinião que têm essa nova classe média e a juventude em rede.

Agora é ministro da Secretaria de Assuntos Estratégicos, Wellington Moreira Franco, quem tenta fazer de Dilma Roussef, que já foi a mãe do PAC, a madrastra desta nova casta sóicio-econômica em ascenção.

"Nosso futuro está ligado a ela (a "nova classe média"), não tenho dúvida", arrisca o ministro do PMDB, tentando pegar carona na paternidade - nem que para isso seja necessário um exame de DNA no Programa do Ratinho.

Em tese, o interesse do governo é buscar formas de impedir o retorno do grupo à pobreza e impedir que se reduza o crescimento da população nessa faixa de renda. Desde 2003, ele foi de 46,57%. Na prática, estão de olho mesmo nos 57% do eleitorado.

Como revela matéria da jornalista Marta Salomon em O Estado de S. Paulo de hoje: "Se o peso dos votos dos emergentes é claro, o peso do bolso não fica atrás. No cenário econômico, eles também ganharam a posição de protagonistas. Segundo cálculo da Fundação Getúlio Vargas (FGV), a classe média já concentra 46,24% do poder de compra dos brasileiros, à frente dos consumidores das classes A e B, com 44,12%. Diferentes metodologias calculam entre 104 milhões e 105,5 milhões o número de integrantes da classe média - algo entre 53,9% e 55% da população do País."

Para a Fundação Getúlio Vargas (FGV), pertencem à classe média os brasileiros com renda familiar mensal entre R$ 1.200 e R$ 5.174. O Data Popular, instituto de pesquisa dedicado ao tema, considera da classe média quem tem renda mensal entre R$ 323 e R$ 1.388 por pessoa da família, ou renda domiciliar de R$ 2.295.

"A popularização da internet e a educação funcionam como travas contra o risco de empobrecimento dessa população", diz Renato Meirelles, diretor do Data Popular. Para Márcio Pochmann, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, o destino da classe média dependerá do modelo de desenvolvimento adotado. Ele defende investimentos em inovação tecnológica e geração de empregos de melhor qualidade.

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Todos os partidos querem falar para a classe média

O dilema de Dilma: novo estilo ou um tiro no pé?

Em mais um interessante artigo no Valor Econômico, Renato Janine Ribeiro, professor de ética e filosofia política da USP, toca no ponto certo do governo de Dilma Roussef. A presidente tem o seu estilo, mas será que pode se libertar das amarras fisiológicas do PT e dos partidos que lhe dão sustentação?

Leia na íntegra o artigo de Janine Ribeiro e alguns trechos abaixo:

Em meio ano, Dilma Rousseff demitiu três ministros de Pastas importantes. (...) Dilma continua falando pouco. Também não é de escrever. Ela assina. Assina demissões. Há uma lógica clara no seu modo de demitir.

Quando um ministro é suspeito de corrupção, ela quer que preste satisfação à sociedade. Dá-lhe uma chance. Não demite ninguém de pronto. Porém, se a satisfação prestada não for convincente - e foi esse o problema de Palocci, que era o grande ministro de uma grande Pasta, bem como o de Alfredo Nascimento, que dirigia um dos principais ministérios da Esplanada, não só pelo dinheiro manejado mas pela popularidade que gera, se construir e consertar estradas - o ministro sai. Esse não é um juízo criminal.

Não sabemos se foram ou não culpados das acusações que lhes foram dirigidas. É um julgamento político. A política lida com aparências. Para ela, não basta a mulher de César ser honesta, ela tem de parecer honesta - para retomar o célebre dito de Júlio César, pronunciado assim mesmo na terceira pessoa. (...)


Em suma, a presidente dá chance a quem é criticado e espera que a pessoa se mostre capaz de superar o mau momento. Porém, cobra. Um ministro não ficará no cargo fazendo-se de tonto. (...)

Ainda ignoramos como Dilma vai se comunicar. O que vimos é que exige respeito. É um dado importante. É um começo. Talvez precise terminar de ajeitar o governo. Isso demora - talvez um ano. Depois, terá de mostrar que ideais vai transmitir - como FHC e Lula fizeram. Está indo bem na tarefa de pôr ordem no ministério. Terá de mostrar para quê. Isto é: o que tem a propor ao povo. Esperemos.

PPS paulistano anuncia quatro encontros de zonais

Com a presença da potencial candidata do PPS à Prefeitura de São Paulo, Soninha Francine; dos presidentes do Diretório Nacional, Roberto Freire, do Estadual, Davi Zaia, e do Municipal, Carlos Fernandes; do presidente de honra do PPS/SP, Moacir Longo ; e do vereador Dr. Milton Ferreira; entre outros dirigentes, militantes e pré-candidatos para 2012, o PPS paulistano definiu neste sábado, 6 de agosto, o calendário para os seus congressos zonais.

Serão quatro grandes encontros, reunindo os zonais de cada região da cidade. Nestes encontros serão eleitas as direções locais do partido e também debatidos os grandes temas preparatórios para o Congresso Estadual e para o Congresso Nacional do PPS.

CALENDÁRIO DE CONGRESSOS ZONAIS

03 de setembro - ENCONTRO REGIONAL E ELEIÇÕES DOS ZONAIS NORTE: SANTANA, VILA MARIA, CASA VERDE, TUCURUVI, JAÇANÃ, VILA SABRINA, LAUZANE PAULISTA

17 de setembro - ENCONTRO REGIONAL E ELEIÇÕES DOS ZONAIS OESTE: LAPA, PINHEIROS, PIRITUBA, NOSSA SENHORA DO Ó, BRASILÂNDIA, PERUS, JARAGUÁ. CENTRO EXPANDIDO: BELA VISTA PERDIZES, SANTA IFIGÊNIA, MOOCA, JD .PAULISTA, VILA MARIANA

24 de setembro - ENCONTRO REGIONAL E ELEIÇÕES DOS ZONAIS SUL I: SANTO AMARO, CAMPO LIMPO, BUTANTÃ, CAPÃO REDONDO, RIO PEQUENO, JARDIM SÃO LUÍS. SUL II: VALO VELHO, CAPELA DO SOCORRO, CIDADE ADEMAR, GRAJAÚ, PIRAPORINHA, PARELHEIROS, PEDREIRA. SUDESTE: VILA PRUDENTE, INDIANÓPOLIS, SAÚDE, IPIRANGA, JABAQUARA, CURSINO.

1º de outubro - ENCONTRO REGIONAL E ELEIÇÕES DOS ZONAIS LESTE I: PENHA DE FRANÇA, TATUAPÉ, ERMELINO MATARAZZO, VILA MATILDE, VILA FORMOSA, SAPOPEMBA, CANGAÍBA, PONTE RASA. LESTE II: SÃO MIGUEL PAULISTA, ITAQUERA, ITAIM PAULISTA, GUAIANASES, SÃO MATEUS, JARDIM HELENA, VILA JACUÍ, CIDADE TIRADENTES, CONJUNTO JOSÉ BONIFÁCIO, PARQUE DO CARMO, TEOTÔNIO VILELA.

22 de outubro - CONGRESSO MUNICIPAL DO PPS. Local: Câmara Municipal de São Paulo.

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Diretório paulistano se reune neste sábado, às 11h

O Diretório Municipal do PPS/SP se reune neste sábado, 6 de agosto, a partir das 11h da manhã, no Salão Nobre (8º andar) da Câmara Municipal de São Paulo, para tratar dos preparativos para as eleições municipais de 2012 e aprovar as normas para os congressos do PPS, que ocorrem a partir do próximo mês.

O processo congressual que será concluído nos dias 9, 10 e 11 de dezembro, com o 17º Congresso Nacional do PPS ("Unir a Esquerda Democrática para Mudar o País"), na cidade de São Bernardo do Campo, em São Paulo, terá início com os encontros zonais e municipais (15 de agosto a 24 de outubro), e estaduais (25 de outubro a 6 de novembro).

Estadual define normas e delegados para Congresso

O diretório estadual do PPS/SP já se reuniu no sábado, 23 de julho, com o objetivo de aprovar as normas válidas para o Congresso de São Paulo, anunciado para o dia 6 de novembro.

O número de delegados ao Congresso Estadual, definido com base na votação em cada cidade nos anos de 2008 e 2010, pode chegar a 1.474, eleitos diretamente nos congressos municipais. Há pelo menos um delegado em cada um dos 645 municípios paulistas.

A cidade de São Paulo terá o maior número de delegados (172), seguida de São Bernardo (34), Piracicaba (33), Mogi das Cruzes (26), Campinas (18), Araraquara (17), Pindamonhagaba (12), Guarulhos (11), São José dos Campos (11), Orlandia (10), Indaiatuba (10), Santos (10) e Santo André (10).

Foi ainda nomeada uma comissão para a formulação do documento congressual do PPS/SP, composta por Soninha Francine, Dina Kinoshita, Alberto Aggio, Moacir Longo e Maurício Huertas.

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Criada comissão para elaborar documentos do Congresso do PPS; verifique aqui as teses do partido

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Veja o trabalho de Zaia, Soninha e Ari Friedenbach

O remodelado portal da Secretaria de Emprego e Relações do Trabalho, do Governo do Estado de São Paulo, torna mais visível e acessível o trabalho realizado por três lideranças destacadas do PPS: o secretário Davi Zaia, a presidente da Superintendência do Trabalho Artesanal das Comunidades (Sutaco), Soninha Francine, e o coordenador do Selo da Diversidade, Ari Friedenbach (foto).

Há excelentes iniciativas para o trabalhador paulista, coordenadas pela equipe da Secretaria, como o Banco do Povo e o Emprega SP.

Também a Sutaco anuncia uma novidade: vai abrir uma nova loja na estação do metrô Vila Madalena, na Linha 2 – Verde, para atender mais artesãos e difundir melhor o artesanato no Estado. Hoje aproximadamente 120 profissionais são atendidos, por mês, pela Sutaco.

A estação Vila Madalena foi escolhida por suas vocações culturais e artísticas, além da manifestação de shows, festivais e feiras, incluindo também de artesanato como, por exemplo, a Feira da Vila.

Atualmente a Sutaco está com sua única loja aberta na sede da Secretaria, localizada na Rua Boa Vista, 170, das 8h às17h – Centro.

Selo da Diversidade

O Selo da Diversidade, programa que foi reformulado pela Secretaria de Emprego do Estado, é uma política de governo que certifica as empresas que tenham ações de acolhimento da diversidade, como cor, religião, sexo, idade, classe social, política entre outras.

A atividade é simples: se uma empresa deseja se certificar junto ao programa, ela solicita às empresas qualificadoras, reconhecidas pelo governo, para que atuem no processo de certificação por meio de selos, um de Adesão e outro conhecido como Pleno.

As empresas que tiverem ações de inclusão social de por meio da diversidade, recebem o primeiro selo de Adesão e após o período de um ano, se as normas forem executadas corretamente, a empresa recebe o selo Pleno e é reconhecida pelo governo como parceira da diversidade.

Acompanhe diariamente: http://www.emprego.sp.gov.br/

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Câmara aprova Dia do Orgulho Hetero; PPS é contra

A Câmara Municipal de São Paulo aprovou nesta terça-feira, 2 de agosto, o projeto de lei 294/2005, do vereador Carlos Apolinário (DEM), que institui, no município, o Dia do Orgulho Heterossexual. O projeto depende apenas de sanção do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, para virar lei.

O líder do PPS na Câmara paulistana, vereador Claudio Fonseca, manifestou o voto contrário da bancada. Veja aqui o pronunciamento.

No semestre passado, a polêmica em torno desse projeto impediu os vereadores de votar outros projetos individuais. Para superar o impasse, houve acordo pela aprovação nesta terça-feira.

O texto propõe que a data deverá ser "comemorada" todo terceiro domingo do mês de dezembro. O projeto estabelece que a data passará a constar do calendário oficial do município e afirma que caberá à Prefeitura de São Paulo "conscientizar e estimular a população a resguardar a moral e os bons costumes".

Autor do projeto, o vereador Carlos Apolinário afirmou que o projeto não é contra a comunidade gay. "Faço um apelo pelo respeito à figura humana dos gays", afirmou.

Apolinário disse que o projeto foi apenas uma forma de se manifestar contra "excessos e privilégios" destinados à comunidade gay. Ele afirmou que um dos privilégios é a realização da Parada LGBT na Avenida Paulista enquanto a Marcha para Jesus foi deslocada para a Zona Norte da cidade.

Manifestaram-se contra o projeto, além do líder do PPS, as bancadas do PT (11 vereadores), PC do B (dois) e os vereadores Claudio Prado (PDT), Gilberto Natalini (sem partido), Juscelino Gadelha (sem partido), Roberto Tripoli (PV) e Eliseu Gabriel (PSB).

sábado, 30 de julho de 2011

Algumas ações concretas para a "nova política"

Muito se fala da "nova política", da falência do atual modelo partidário e da crise de credibilidade dos políticos e de suas instituições. O processo congressual do PPS, que tende a concluir pela "refundação" do partido e a reafirmação do sonho de reunir a sociedade em um novo movimento, somado à tese bastante semelhante que é apresentada por Marina Silva na sua desfiliação do PV, são fatores convergentes que permitem uma visão otimista sobre a oportunidade de mudança gerada pelo momento de crise.

Há uma proposta ousada defendida dentro do PPS, quase utópica, que é avançar para a política em "rede", livrar o partido das armadilhas burocráticas, das amarras hierárquicas e abrir verdadeiramente as suas decisões para a sociedade. Trata-se do princípio da "radicalidade democrática", definição genérica que pode enfim ter um significado concreto com a transição do PPS para REDE 23, sigla e símbolo desta Renovação Democrática.

Está lançada a oportunidade de consolidar a nova formatação política que vinha sendo proposta desde 1992, com o surgimento do PPS, e que agora se torna factível diante da crise do atual modelo partidário (aqui e no mundo) e da atuação eficaz e revolucionária daqueles que já fazem (ou que pretendem fazer) política por fora dos partidos.

Podemos ser protagonistas desta “nova política”, tanto na forma quanto no conteúdo.

Como colocar em prática a REDE 23 – Renovação Democrática

Estamos propondo cinco medidas bastante simples, práticas e concretas para iniciar a implementação “radicalmente democrática” desta REDE 23, promovendo a interação nas redes sociais, descentralização, transparência e democratização das decisões de uma ação política coletiva com direção compartilhada:

1) Implantação da consulta online sobre os temas em pauta, tanto em reuniões presenciais do Diretório como em conferências virtuais, permitindo o voto “sim”, “não” ou “abstenção”, e sua justificativa, desde que devidamente identificado (membros titulares e suplentes de cada instância têm direito ao voto como se estivessem presentes fisicamente; demais militantes e simpatizantes também se manifestam e o resultado obtido por maioria simples será contabilizado como um voto válido para deliberação naquela instância, contando inclusive como primeiro critério de desempate, ou voto de minerva).

2) Conferências virtuais e consultas online para tratar de temas de interesse do partido e da sociedade podem ser propostas a qualquer tempo, por convocação do Presidente, da Comissão Executiva, do líder da bancada parlamentar ou por requerimento da maioria simples dos membros do Diretório.

3) Criação da Coordenação ou Secretaria de Redes Sociais, para garantir a interação permanente por todos os meios virtuais disponíveis com todos os dirigentes, detentores de mandato, militantes e simpatizantes, incluindo a realização de conferências virtuais e consultas online (que podem ser requeridas e efetuadas num prazo mínimo de 48 horas, de acordo com a urgência do tema).

4) Divulgação e transmissão de todas as reuniões do Diretório e/ou de sua Comissão Executiva, com interação de militantes e simpatizantes (não-filiados), assim como a disponibilização permanente, em todos os meios de comunicação do partido, de um espaço livre e democrático para o debate e a formulação de propostas.

5) Escolha, por meio das redes sociais, do “vereador virtual” em 2012, representante do partido que se comprometa a realizar uma campanha diferenciada - terá custo zero, apenas com apoiadores voluntários e nenhuma utilização de material que suja a cidade (panfletos, faixas, pintura de muros, carros de som) – e, se eleito, um mandato coletivo (a atuação do vereador ou da vereadora virtual será toda pautada por consulta direta à população, em tempo real, através da internet ou de outros recursos tecnológicos). Veja detalhes da idéia lançada na última eleição pelo PPS/SP: Vereador Virtual

Conheça a proposta da REDE 23 - Renovação Democrática.

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Ei, PSDB: Por que não lançam para prefeito o FHC?

Não que alguém no PSDB vá ouvir qualquer conselho, nem é essa a pretensão. Mas passaram tanto tempo tentando esconder FHC, num erro tático e estratégico sem tamanho, que não percebem que o melhor nome tucano para a Prefeitura de São Paulo em 2012 seria justamente o do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

Fala-se numa prévia no PSDB e já estão lançados os nomes de José Aníbal, Bruno Covas, Andrea Matarazzo e Ricardo Tripoli. Também corre por fora Aloysio Nunes, porém a verdadeira incógnita é se José Serra aceitará ou não o desafio de disputar novamente a Prefeitura (o que praticamente o obrigaria a cumprir os quatro anos de mandato, afastando-o definitivamente do sonho presidencial).

E FHC segue, aos 80 anos, como o mais lúcido dos tucanos, vencendo finalmente a barreira imposta por marqueteiros e iluminados do próprio PSDB que julgaram que o legado de seus dois governos (que o PT espertamente tachou de "herança maldita") implicaria na derrota do Partido da Social-Democracia Brasileira.

Ficaram com medo de perder por defender os bons (ou não?) governos de FHC. Resultado: perderam de um jeito pior, omitindo as suas conquistas, realizações e iniciativas que seriam copiadas e perpetuadas pelo governo do PT, incluindo o carro-chefe da área social, o Bolsa Família.

Ironia do destino, o desagravo a FHC coube exatamente a uma estrela petista, a presidente Dilma Roussef, que homenageou "o acadêmico inovador, o político habilidoso, o ministro-arquiteto de um plano duradouro de saída da hiperinflação e o presidente que contribuiu decisivamente para a consolidação da estabilidade econômica".

"Mas quero aqui destacar também o democrata. O espírito do jovem que lutou pelos seus ideais, que perduram até os dias de hoje", disse a presidente Dilma. "Esse espírito, no homem público, traduziu-se na crença do diálogo como força motriz da política e foi essencial para a consolidação da democracia brasileira em seus oito anos de mandato."

Dilma ressaltou ainda a "admiração por sua abertura ao confronto franco e respeitoso de ideias". Eis que a presidente petista manifestou o que pouquíssimos tucanos, influenciados por cálculos eleitoreiros baseados em pesquisas capengas, tinham coragem de expressar.

FHC disputar a Prefeitura de São Paulo seria uma homenagem recíproca: a ele e à cidade. O ex-presidente poderia enfim ocupar a cadeira que disputou e perdeu em 1985 para Jânio Quadros e encerraria com chave-de-ouro uma vida pública brilhante.

Mas, enfim, esse é só um palpite de quem vê a política de fora do ninho tucano. Por aqui, o PPS terá novamente candidatura própria à Prefeitura, repetindo a experiência bem sucedida em 2008 com Soninha Francine, apresentando uma proposta alternativa viável e moderna para a cidade de São Paulo.

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sábado, 23 de julho de 2011

"Máfia à brasileira", por Fernando de Barros e Silva

Depois de viajar o país, a má reputação do PR chegou ao centro de São Paulo, no tradicional bairro do Brás, onde funciona a Feira da Madrugada, que reúne em torno de 5.000 comerciantes.

O caso veio à tona anteontem, quando a Folha publicou uma carta de Agnaldo Timóteo (PR-SP) dirigida ao ex-administrador da feira: "Você se lembra, Geraldo, que os oportunistas do meu partido te exigiram R$ 300 mil mensais?".

Às vezes é útil lembrar que este personagem histriônico do lúmpen-malufismo é um representante do povo -vereador e do PR, o aliado de sempre do governo petista. Não se sabe ao certo quem seriam os "oportunistas" (ou se há no PR alguém que não o seja), mas o próprio Timóteo disse anteontem ao jornal que "nada acontece no PR que não passe pelo Valdemar".

O deputado Valdemar Costa Neto parece estar em todas, no atacado do Dnit ou no varejo do Brás, mas o esquema de propinas da feira é abrangente, vai além do "boy" de Mogi.

Em carta que enviou ao prefeito Gilberto Kassab em março deste ano, o criador da feira, Geraldo de Souza Amorim, hoje afastado de seu comando, relata que vinha sendo achacado e ameaçado de morte. Na entrevista que a Folha publica hoje, ele reitera o que disse e se refere a chantagens que teria recebido do vereador Adilson Amadeu (PTB) e do deputado federal Milton Monti, mais um do PR paulista.

Sob o sucesso do comércio popular que se instalou no local (um antigo terreno da rede ferroviária federal), criou-se uma teia de conexões entre o submundo do crime e o submundo da política. Ela envolve personagens mais e menos graúdos que vendem proteção e extorquem dinheiro de quem trabalha em condições precárias e perigosas.

A feira do Brás talvez seja um retrato concentrado do país de Lula -onde ascensão econômica, selvageria social e gangsterização da política andam de mãos dadas. Quem quiser terá ali um roteiro pronto para um filme de máfia à brasileira.

(Artigo de Fernando de Barros e Silva, publicado na Folha de S. Paulo de sábado, 23 de julho de 2011)

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Diretório estadual do PPS/SP se reune no sábado

O Diretório Estadual do PPS/SP se reune neste sábado, 23 de julho, a partir das 9h30 da amanhã (auditório Paulo Kobayashi, Assembléia Legislativa de São Paulo), para tratar dos preparativos para as eleições municipais de 2012 e aprovar as normas para os congressos do PPS, que ocorrem a partir de agosto.

O processo congressual que será concluído nos dias 9, 10 e 11 de dezembro, com o 17º Congresso Nacional do PPS ("Unir a Esquerda para Mudar o País"), na cidade de São Bernardo do Campo, em São Paulo, terá início com os encontros zonais e municipais (15 de agosto a 24 de outubro), e estaduais (25 de outubro a 6 de novembro).

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Criada comissão para elaborar documentos do Congresso do PPS; verifique aqui as teses do partido

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Programa Cidades Sustentáveis: ótima iniciativa!

A Rede Nossa São Paulo, a Rede Social Brasileira por Cidades Justas e Sustentáveis e o Instituto Ethos, anunciam o lançamento do "Programa Cidades Sustentáveis", que ocorrerá no dia 19 de agosto de 2011, às 9h30, no Sesc Consolação (rua Dr. Vila Nova, 245), em São Paulo.

O objetivo é sensibilizar, mobilizar e oferecer ferramentas para que as 5.565 cidades brasileiras se desenvolvam de forma econômica, social e ambientalmente sustentável.

"Considerando que 85% da população do Brasil é urbana, o debate sobre a qualidade de vida nas cidades assume enorme relevância. São grandes os desafios e, para sermos exitosos em ações que contribuam para o desenvolvimento sustentável, será necessário o envolvimento de cidadãos, empresas e governos", afirma o convite da Nossa São Paulo.

No evento de lançamento, que contará com a participação do jornalista André Trigueiro (apresentador do programa Cidades e Soluções, da Globonews, e comentarista da Rádio CBN) serão apresentados:

- Indicadores de Sustentabilidade Urbana para os 12 eixos temáticos da Carta Compromisso, fundamentais como ferramentas de gestão para as prefeituras signatárias e, também, para o monitoramento da sociedade;

- Casos exemplares para os indicadores. O objetivo é que as boas práticas orientem a gestão pública no sentido de melhorar os diversos indicadores de forma integrada;

- Relatório online de prestação de contas da Carta Compromisso;

- Nova versão do site www.cidadessustentaveis.org.br

- Campanha publicitária desenvolvida pela DPZ

Haverá ainda um debate sobre o desenvolvimento sustentável das cidades, numa perspectiva nacional e internacional, o pronunciamento de entidades representativas dos prefeitos brasileiros, a apresentação de propostas para as cidades-sede da Copa de 2014 e da Olimpíada de 2016, e o papel das cidades na Rio+20.

terça-feira, 19 de julho de 2011

Janine Ribeiro fala de "surpresa bem democrática"

O colunista do jornal Valor Econômico Renato Janine Ribeiro, professor de ética e filosofia política da USP, foi mencionado na tese da REDE 23 e se manifestou:

"Uma surpresa bem democrática: faz uma semana escrevi um artigo que não era muito simpático ao PPS (embora fosse respeitoso). Pois não é que um grupo do PPS de SP o citou e aceitou como referência? Há horas em que acho que esse país pode, ainda, tornar-se uma grande democracia.

É raro alguém demonstrar esse espírito de diálogo democrático. Mesmo diante de uma crítica - respeitosa, sim - vocês souberam lidar com ela da forma que reputo a melhor: pensar. Meus parabéns."


Renato Janine Ribeiro gravou ontem sua participação no Programa do Jô, que deve ir ao ar nesta semana.

Castells defende rede e propõe "outra democracia"

O filósofo e sociólogo espanhol Manuel Castells é autor de "A sociedade em rede" e defensor da tese do "capitalismo informacional". Veja sua manifestação recente sobre Comunicação, Poder e Democracia:

"(...) A batalha do poder está em nossas mentes, na forma que pensamos. Ela determina o que fazemos. E as mentes são redes: redes neuronais, que formam suas visões de mundo, suas concepções, em relação com outras pessoas, outras mentes, outras redes de neurônios e com as redes de nosso entorno social e natural.

(...) A internet deveria se utilizada em processos participativos e de consulta. A participação precisa ser mais que presenciar uma reunião burocrática, ao final de um dia de trabalho.

(...) Em todo o mundo, estamos vivendo uma crise muito séria e profunda da democracia. A democracia representativa foi uma conquista histórica dos povos, que custou muito sangue, suor e lágrimas, contra os despotismos que dominaram grande parte do mundo. Porém, a partir do momento em que já se constituem instituições democráticas, imediatamente formam-se partidos políticos, que definem as regras da participação política de acordo com seus interesses e os interesses que representam. Fecham-se outras vias de representação e se assegura por lei eleitoral que apenas os partidos majoritários podem governar.

A democracia representativa é reduzida, a distância em relação aos cidadãos aumenta, e a classe política organiza-se como classe própria, como trabalho profissional. Já não importa qual ideologia o político segue, ou se é corrupto ou não. Eles podem dizer: “a política sou eu, a política é o partido e o partido sou eu”.

Qualquer tipo de intervenção política tem que passar por essa instância estrutural dos partidos. Em consequência, quando há corrupção, há impunidade. Quando há erros graves na condução de políticas sobre a crise econômica, não se responsabiliza ninguém por tais erros e pelas consequências que produziram sobre os cidadãos.

Só quando chegam as eleições os políticos pagam por seus erros. Mas o eleitor deve escolher entre dois menus da mesma cozinha. Porque as leis eleitorais foram construídas para que os partidos majoritários continuem sendo majoritários. A menos que ocorram ´terremotos eleitorais´, o que não é impossível, mas só acontece como consequência de mudanças sociais profundas.

Portanto é necessário que a ideia de uma reconstrução da democracia esteja nas ruas, aqui e no mundo. Aqueles que representam a democracia hoje não podem fazer essa reconstrução, pois ela vai contra seus interesses como grupo profissional e grupo político.

Muitos tentaram implantar mudanças, porém seus próprios partidos cortaram esses projetos. É o sistema que bloqueia essa reconstrução, e não os indivíduos. Esses sistemas têm interesses poderosos, relacionados ao poder político, econômico, cultural, tecnológico.

Se não houver uma pressão social, não haverá mudança. E a mudança social inicia com as mentes: o que muitas pessoas estão fazendo, aqui e em outros lugares, é mudar a forma de pensar de si mesmas e das demais, pensar diferente e pensar juntos(...)".


Veja aqui a íntegra da fala de Manuel Castells.

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domingo, 17 de julho de 2011

PPS debateu em Conferência o que é ser esquerda

Há quatro anos, o PPS promoveu a Conferência da Esquerda Democrática "Caio Prado Júnior", encontro suprapartidário que pretendia debater o que é ser uma esquerda moderna, suas características e o seu projeto transformador para o Brasil, em homenagem ao centenário de nascimento do historiador marxista Caio Prado Júnior (1907-1990).

O PPS/SP participou ativamente dos debates, desde a primeira reunião preparatória da Conferência, realizada em fevereiro de 2007 (relembre aqui), até uma série de propostas, artigos e entrevistas apresentadas no Blog e nos sites do partido.

Reveja aqui o seminário "Visão Crítica da Política Econômica", promovido no dia 3 de agosto de 2007, na Assembléia Legislativa, com a participação dos economistas Luiz Gonzaga Belluzzo, Yoshiaki Nakano, Júlio Sergio Gomes de Almeida e Gilberto Dupas.

Entrevistas

O Blog do PPS/SP também realizou uma série de entrevistas exclusivas sobre os rumos da esquerda no Brasil e a importância da Conferência Caio Prado Júnior. Veja alguns trechos abaixo:

Juca Kfouri: “Gostaria de acreditar que a Conferência Caio Prado Júnior possa ter o papel de refundar um pensamento de esquerda no país, algo que parece ter virado palavrão.” (leia mais)

Rodolfo Konder: "Os partidos vivem uma crise porque não souberam compreender as mudanças, nem respeitar valores éticos essenciais, nem incorporar novos temas como o aquecimento global, por exemplo. Uma política de esquerda deve apontar caminhos para o futuro." (leia)

Luis Nassif: “Nem esquerda, nem direita conseguiram produzir uma síntese ou empunhar a bandeira do desenvolvimento com inclusão social. O espaço da esquerda está vago de idéias. Mais do que nunca é importante definir pontos programáticos nítidos.” (leia)

Lars Grael: “A esquerda precisa atualizar seu discurso com novo programa, novos ideais, novas metas e priorizar valores que estavam na periferia do debate como: Meio-Ambiente, Esporte, Cultura, Lazer, Matriz Energética, Defesa e Soberania Nacional.” (leia mais)

José Dirceu: “Ser de esquerda é alargar e aprofundar a democracia e lutar pela igualdade, contra a discriminação e o preconceito, particularmente, contra o racismo e todo o tipo de discriminação contra os homossexuais e o portador de deficiência. Ser de esquerda é lutar pela paz no mundo, pela preservação do meio ambiente. É estar ao lado da juventude brasileira na sua luta por dignidade. Ser de esquerda é antes de mais nada, ser a favor da igualdade, da justiça e da liberdade.” (leia mais)

Demétrio Magnoli: "Talvez seja a oportunidade de capturar as bandeiras nunca realizadas do republicanismo radical - e assim reinventar a esquerda no Brasil. Há demanda por um partido e um programa desse tipo. No fim, quem sabe o PPS venha a ser o partido que o PSDB nunca conseguiu ser?" (leia)

Hamilton Garcia de Lima: "É preciso abrir o PPS - ou qualquer outra organização que daí se produza - para a sociedade, inventando novos métodos de organização em rede e rompendo com o modo tradicional de fazer política, centrado exclusivamente nos interesses eleitorais dos parlamentares." (leia)

Luiz Sérgio Henriques: "É possível dizer, esquematicamente, que hoje os partidos e o mundo da política aparecem descolados da sociedade, aparecem mais como agências de governo do que como representantes da sociedade. A única certeza, neste ponto, é que o fosso crescente entre política e cidadania é o caminho para o desastre." (leia)

Nádia Campeão: "A Conferência certamente já acerta homenageando o pensamento de Caio Prado Júnior. Mas entendo que é tarefa de primeira ordem de todos os brasileiros preocupados com os destinos da nação debruçar-se sobre qual desenvolvimento serve ao nosso país, como enfrentar e superar o ainda enorme abismo social, como aprofundar a democracia e não restringi-la, e qual arco de forças sociais e politicas é capaz de conduzir estes processos." (leia)

Leia também uma reportagem e ainda um artigo exclusivo sobre: "O que é ser de esquerda hoje?"

sábado, 16 de julho de 2011

"Sonhatismo", por Marcelo Rubens Paiva

O pragmatismo considera que uma ideia é útil e necessária se tiver efeitos práticos e funcionais.

Charles Peirce, o terror dos estudantes de Comunicação, um dos pais da semiótica, junto com William James, foi quem dissecou: o significado de qualquer conceito é a soma de todas as consequências possíveis.

"O método pragmatista é de terminar discussões metafísicas, que de outro modo seriam intermináveis. O mundo é um ou muitos? Livre ou destinado? Material ou espiritual?", perguntava James, antevendo a náusea causada pelos existencialistas, que sangraram o sentido de essência e existência, tornando dolorida a vida de todos nós.

"Não é hora de ser pragmático, é hora de ser sonhático e de agir pelos nossos sonhos", disse Marina Silva, 20 milhões de votos na última eleição, ao anunciar a desfiliação ao PV.

"Estamos procurando metabolizar uma nova forma de fazer política. Não há ainda uma fórmula. As pessoas estão na expectativa, mas também estou. Não deve ser criada a ilusão da velha liderança."

Parece Lula no verão de 1980 no Colégio Sion, procurando angariar simpatia dos movimentos sociais e reunificar as esquerdas para o projeto utópico de um partido puro, fiel a seu programa, livre dos vícios da política partidária anterior.

Marina lembrou que, ao se candidatar em 2010, depois de largar o PT, pensava na criação de "um grande movimento", e que deveríamos "reinventar o futuro".

Confirmou que a experiência no PV serviu para sentir que o sistema político brasileiro está "empedernido" e sem capacidade de renovação.

O sistema partidário petrificado é fruto de uma esperteza do general Golbery do Couto e Silva, o mentor da ditadura brasileira, que ao ver ameaçada a liderança do partido governista, Arena, num sistema bipartidário artificial, extinguiu os dois partidos de então e liberou o registro de novos.

O resultado é que, segundo o TSE, têm registro os manjados PMDB, PSDB, PTB e seu racha PDT, o PT, fundado no Colégio Sion, e seus rachas PSOL e PSTU, o DEM e o PP, o PCB e seus rachas PCdoB e PPS, PSB, PCO e PV.

Também tem registro: PTC (Partido Trabalhista Cristão), PSC (Partido Social Cristão), PMN (Partido da Mobilização Nacional), PRP (Partido Republicano Progressista), PTdoB (Partido Trabalhista do Brasil), PRTB (Partido Renovador Trabalhista Brasileiro), PHS (Partido Humanista da Solidariedade), PSDC (Partido Social Democrata Cristão), PTN (Partido Trabalhista Nacional), PSL (Partido Social Liberal), PRB (Partido Republicano Brasileiro), PSD (Partido Social Democrático).

E o que agora não sai das páginas policiais, o PR (Partido da República).

Suas causas se dividem em trabalhismo centrismo, participativo e populista, conservadorismo liberal, democracia cristã, sincretismo, liberalismo social, humanismo, trotskismo, comunismo marxista-leninista, socialismo, ambientalismo e "distributismo" (PHS), filosofia econômica defendida por pensadores católicos, que prega que os meios de produção devem ser amplamente distribuídos.

São os termos que regem seus programas. Sem contar os que seguem salmos evangélicos e cristãos.

Escândalos políticos e a propaganda eleitoral gratuita captada por um zapping casual dão pistas de quem faz parte da base aliada, reparte o bolo, sorri nas fotos, administra correios, aeroportos, portos, estradas, agências reguladoras, serviços essenciais.

Sim, era o PR que tomava conta do Dnit, órgão fundamental para o crescimento do País e a manutenção das nossas estradas e vidas. Desvios de verbas foram detectados. O ministro dos Transportes, exonerado.

Continua na mão do PR, ainda, a fatia bilionária do bolo, para o bem da governabilidade.

"O ideal que move as pessoas para melhorar o mundo em que vivem, e onde no futuro outros irão viver, deve estar na popa e não na proa, a nos impulsionar para o futuro", defende Marina.

Mas o que todos se perguntam é se será Alice Braga ou Dira Paes a escolhida para interpretá-la no filme de Sandra Werneck (já fizeram testes), e se ela se filiará a outro partido.

Há os com registro em TREs estaduais, que aguardam o do TSE, como o Partido da Transformação Social (PTS), Partido Ecológico Nacional (PEN), Partido Federalista (PF), Partido Humanista do Brasil (PHB), Partido Pátria Livre (PPL).

Existem os em processo de legalização: Conservadores (CONS) e seu racha, o Partido Conservador (P-CON), Libertários (Liber), Movimento Negação da Negação (MNN), Partido Autonomista (Auto), Partido da Organização Parlamentar (POP), Partido da Mulher Brasileira (PMB), Partido da Real Democracia (PRD), Partido de Representação da Vontade Popular (PRVP), Partido do Esporte (PE), Partido do Terceiro Setor (P3S), Partido Geral do Trabalho (PGT) e outro racha, o Partido Geral dos Trabalhadores do Brasil (PGTdoB), Partido Livre (Livre), Partido Nacional do Consumidor (PNC), Partido Nacionalista Brasileiro (PNB), Partido Nacionalista Democrático (PND), Partido Novo (Novo), Partido Socialista Estudantil (PSE), Partido Verde Amarelo (PVA) e a velha conhecida União Democrática Nacional (UDN).

Sem contar as agremiações sem registro, algumas já famosas, como a União Democrática Ruralista (UDR), a Liga Estratégica Revolucionária (LER-QI), que aparentemente defende a luta armada, com grande penetração no meio estudantil, e o Partido Pirata do Brasil (PPB), o legítimo que, espera-se, não rache ou tenha cópias - movimento pertencente ao PPInternational, forte nos países escandinavos e atuando em mais de 50 países.

Há ideais históricos, bem fundamentados, assim como há muita malandragem.

Na farofa ideológica, talvez se entenda por que os aeroportos estão caóticos, muitos morrem nas estradas, a saúde e educação são precárias, e os altos impostos não implicam bons serviços.

Contam-se nos dedos as obras de infraestrutura em andamento.

Abrir um partido pode ser um negócio. Mais lucrativo e talvez menos burocrático do que abrir uma empresa. Sua agenda: empregar o maior número de aliados, com carteirinha ou não.

Pertencer à base governista é como ser da elite de uma federação comercial. Os lucros giram entre 10% a 50% do orçamento afanado dos cofres públicos.

Diferentes correntes ideológicas sugam do mesmo bolo.

Há décadas que se tenta uma reforma política, já que a atual não é nada pragmática (funcional).

Impossível, se são os próprios interessados que devem conduzi-la. Mas não custa ter sonhatismos eventuais.

(Artigo de Marcelo Rubens Paiva, publicado em O ESTADO DE S. PAULO de 16 de julho de 2011)

quarta-feira, 13 de julho de 2011

O que dizer do "casamento" entre PT e PMDB?

Dizem que uma imagem vale mais que mil palavras. Está certo. Bastaria a foto do bolo com os "noivinhos" Dilma e Temer, selando a união entre PT e PMDB.

Mas estes grandes líderes do nosso tempo não se contentam com pouco. Veja algumas frases publicadas hoje na imprensa, sobre o grande acontecimento:

- PMDB festeja "casamento" com petistas

- De acordo com líder do PT, Paulo Teixeira, "o que o povo uniu os líderes jamais separam"

- Líderes do PMDB e do PT na Câmara celebram com bolo o ‘casamento’ entre as duas siglas, decorado com bonecos de Dilma e Temer

- "Amor à 15ª vista". (De acordo com os participantes do encontro, o 15 -que é justamente o número do PMDB- se refere aos anos que as duas legendas ainda pretendem caminhar juntos.)

Precisa dizer mais alguma coisa?

"O guru do subsolo", por Fernando de Barros e Silva

"Trabalhar é transformar sonhos em realidade"; "cada gesto é transformador". Ou então: "Há talentos por toda parte. Alguns estão empoeirados, outros escondidos. Espane. Revele". Este é Gabriel Chalita, o político que pratica autoajuda. Há quem se sensibilize com seus clichês motivacionais.

Estranho é que Chalita faça propaganda gratuita de si mesmo no circuito de TV do metrô, uma empresa estatal atualmente sob os cuidados de Geraldo Alckmin, de quem o deputado-guru é amigo.

Durante semanas, dez vídeos com pílulas dessas sábias baboseiras foram exibidos oito vezes ao dia em mais de 5.000 aparelhos instalados em mais de cem vagões, para um público médio de 3,3 milhões de pessoas. Uma autoajuda e tanto para quem já autodeclarou que será autocandidato à prefeitura.

A direção do Metrô diz que a responsabilidade é da TV Minuto, que administra o circuito. E a TV Minuto (do Grupo Bandeirantes) diz que apenas exibiu, de graça, "dicas de bem-estar" do deputado-candidato. Por um mês no ar (ou fazendo campanha debaixo da terra), Chalita teria que pagar, pela tabela da emissora, em torno de R$ 100 mil.

O problema, como é obvio, não é de preço, mas de favorecimento de um candidato, no caso disfarçado de filósofo da revista "Caras". Os vídeos só foram retirados do ar depois da reportagem de Catia Seabra e Daniela Lima, domingo na Folha.

Numa disputa ainda muito indefinida, mas que tende a ser pulverizada entre nomes de pouca expressão, Chalita serve como opção a Alckmin para chegar ao segundo turno. Mas serve também para que o PMDB negocie em boas condições com o PT a sua não candidatura.

Tudo é possível no mundo de Chalita. Pode ser que ele espane. Pode ser que ele se revele.

Tipo midiático, que transita entre a religião e a autoajuda e age como animador espiritual do eleitorado, o pensador do subsolo está cavando seu espaço -e muito mais adiantado que as obras do metrô.

(Artigo de Fernando de Barros e Silva, publicado na Folha de S. Paulo de quarta, 13 de julho de 2011)

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Sair da "zona de conforto" para ser protagonista

"...PPS, antigo Partido Comunista Brasileiro: serve uma excelente retórica de esquerda somada a uma prática frágil. O PPS subsistirá mas, como vários partidos, sua vocação é ser coadjuvante - o que não é desonra alguma: também coadjuvantes recebem o Oscar."

A análise acima é do renomado Renato Janine Ribeiro, professor de ética e filosofia da USP, no artigo "O PSDB hoje é uma nau sem rumo", publicado no jornal Valor Econômico de hoje.

Juntemos esta visão de sermos meros coadjuvantes, que não é apenas o modo como a maioria nos vê de fora, mas também como muitos nos enxergamos aqui dentro, com as diversas manifestações que temos feito sobre a crise do atual modelo político-partidário, a falta de credibilidade dos políticos, a necessidade de "refundação" do PPS e da esquerda democrática, e teremos a centelha desta "nova política" que buscamos.

Ou seja, devemos sair da "zona de conforto" e avançar, dialogar, agregar esforços, idéias e pessoas neste movimento transformador, enfrentar a crise de credibilidade dos políticos e de representatividade dos partidos, mudar a forma de atuação e nos abrirmos verdadeiramente para a sociedade. A oportunidade de mudança está lançada. Seremos coadjuvantes ou protagonistas?

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Busca da "nova política" aproxima grupo de Marina


Cada vez mais, parece haver uma convergência entre os ideais da presidenciável Marina Silva, do seu grupo que se desfilia do PV e o que propõe o PPS no processo congressual que se inicia em agosto e será concluído nos dias 9, 10 e 11 dezembro de 2011, em São Paulo, provavelmente com uma espécie de "refundação" da legenda e a busca de uma "nova política", mais adequada aos novos tempos e à crise do atual modelo partidário.

Acompanhe abaixo a repercussão do ato de desfiliação dos "marineiros" do PV e o anúncio do movimento que será lançado para buscar essa nova formatação política:

Marina anuncia saída do PV e diz que é hora de ser 'sonhático'

Marina deixa o PV e defende que partidos abandonem velhas práticas

Marina apoiará candidatos que defendam 'causa verde'

"Não vou ficar na cadeira cativa de candidata em 2014", diz Marina Silva ao deixar PV

Leia o discurso de Marina na íntegra


Com a saída de Marina Silva do PV, o PPS reitera o compromisso público assumido com o grupo da presidenciável de lhe garantir legenda para as eleições de 2012 e buscar consolidar uma terceira via para 2014.

Esse pacto é proposto exatamente no momento em que, assim como os chamados "marineiros", o PPS também busca a formatação de uma nova organização política, mais aberta, transparente, democrática, renovada, sensível aos anseios da sociedade e que supere o atual modelo ultrapassado de política-partidária.

Leia também:

PPS acompanha "encontro por uma nova política"

Cada cidadão, uma voz. E os partidos definham...

PPS reitera proposta de pacto com grupo de Marina

"O Futuro de São Paulo", com presença de Alckmin

Os deputados federais Arnaldo Jardim e Dimas Ramalho, do PPS/SP, convidam para o Seminário: “O Futuro de São Paulo”, a ser realizado neste sábado, 9 de julho, com a presença do governador Geraldo Alckmin.

09h30 – Credenciamento / Abertura
10h00 – “A Energia de São Paulo” - José Anibal - Secretario de Energia
10h45 – “O Estado e os Municípios” - Sidney Beraldo - Chefe da Casa Civil
11h30 – “São Paulo e o Brasil” – Governador Geraldo Alckmin


Data: 09 de Julho de 2011
Local: Fecomércio (Rua Dr. Plínio Barreto, 285 - Paralela av. 9 de Julho) - Bela Vista - São Paulo

quinta-feira, 7 de julho de 2011

PPS acompanha "encontro por uma nova política"

A direção do PPS estará presente nesta quinta-feira no "Encontro por uma Nova Política", que deve reunir, além da presidenciável Marina Silva, que anuncia sua saída do PV, os empresários Guilherme Leal e Roberto Klabin, o ex-candidato ao Senado por São Paulo Ricardo Young, o ex-candidato ao governo de São Paulo Fábio Feldmann, o deputado federal Alfredo Sirkis (RJ), o ex-candidato ao governo do Rio de Janeiro Fernando Gabeira, o ex-coordenador da campanha do PV à Presidência João Paulo Capobianco e o ex-presidente do diretório do PV paulista Maurício Brusadin.

Os questionamentos são os mesmos que fazemos. "Afinal, qual é a representação política que desejamos? De que maneira queremos discutir os nossos destinos e os de nosso país? Como deve ser a nossa relação com o Poder e como o Estado deve se relacionar com os cidadãos? Que modelo de desenvolvimento desejamos para o Brasil? O que as próximas gerações podem esperar de nós? Como o Brasil pode ser protagonista no mundo e mostrar que economia e preservação dos recursos naturais integram a mesma equação no processo civilizatório?"

Para debater essas questões e outras que envolvem a maneira como queremos nos relacionar com o mundo, com os outros e com as instituições, é que se propõe o “Encontro Por Uma Nova Política”.

"Uma nova Política, com “p” maiúsculo, que possibilite a criação de novas formas de representação dos mais variados interesses que existem em nossa sociedade e na qual o projeto de desenvolvimento do Brasil seja construído sobre o eixo da sustentabilidade, as ações do Estado tenham a transparência como princípio, o espírito republicano conduza aqueles que escolhemos para nos representar, o respeito à cidadania impere e promova a valorização da diversidade."

O “Encontro por uma Nova Política” acontece nesta quinta-feira, dia 7, em São Paulo, no Espaço Crisantempo (rua Fidalga, 521, Vila Madalena), a partir das 14h.

Leia também:

Carta de desfiliação do ex-presidente do PV/SP

segunda-feira, 4 de julho de 2011

FHC e Itamar: reconhecimento depois dos 80 anos

As homenagens pelo aniversário de 80 anos de Fernando Henrique Cardoso e pelo falecimento de Itamar Franco, aos 81, permitem enfim reconhecer a importância destes dois presidentes para a consolidação da democracia brasileira. Nunca antes na história desse país, parodiando outro presidente, sucessor de ambos, parece ter existido um consenso tão justo e merecido.

Pena que Itamar Franco, fora uma ou outra homenagem em vida, não teve oportunidade de ler tudo o que se disse sobre ele como neste fim-de-semana. Ainda asssim se fez justiça, pois Itamar morreu em plena atividade, iniciando mais um mandato de senador pelo PPS, eleito com votação expressiva.

Lúcido e acessível, FHC voltou à moda. Com opiniões polêmicas e corajosas, da liberação da maconha à tese de refundação dos partidos, foi homenageado por aliados e até por antigos opositores, numa espécie de desagravo pelos anos em que - por erro de cálculo de políticos e marqueteiros - tentaram esconder as suas realizações.

Leia também:

Entrevista de FHC ao jornal "O Estado de S. Paulo"

sexta-feira, 1 de julho de 2011

A farra com o seu, o meu, o nosso dinheiro...

Dois fatos acontecendo ao mesmo tempo, nessa espécie de farra com o dinheiro público, expõem as contradições da nossa democracia diante de um país desigual e injusto. Demonstram mais: práticas que podem até ser legais, mas parecem imorais exatamente pelo contraste em que vive o país e a nossa população.

O anúncio da fusão entre os supermercados Pão de Açúcar e Carrefour, bancada em 85% por dinheiro público, do BNDES, é uma demonstração inequívoca do desvio de função de um banco que deveria financiar o desenvolvimento industrial do país, mas se dedica, nos governos Lula e Dilma, a aportar enormes quantias de recursos na formação de grandes conglomerados privados, com a justificativa esfarrapada de defender o nacionalismo econômico.

Por outro lado, os vereadores de São Paulo aprovam a concessão de incentivos fiscais de até R$ 420 milhões para a construção do estádio do Corinthians, na Zona Leste da cidade. Na prática, um cheque nominal à construtora responsável pela obra. Dizem, aliás, empresa que estaria bancando as viagens do seu novo garoto-propaganda, Luis Inácio Lula da Silva.

O PPS protesta contra esses dois absurdos.

O líder do PPS na Câmara Municipal de São Paulo, Vereador Claudio Fonseca, afirma ser favorável ao desenvolvimento da região, mas é contra a destinação de recursos públicos para a construção de um estádio particular. “É uma atividade privada que precisa ser financiada por recursos privados. A cidade já fez a sua parte cedendo a área para a construção da arena esportiva”.

Segundo ele, com esses recursos destinados pela Prefeitura ao Corinthians, seria possível construir 840 escolas de educação infantil para atender, em cada uma delas, 240 crianças. Ou seja, mais de 200 mil crianças atendidas por dia.

A história do Pão de Açucar, da família Diniz, coincidentemente também amicíssima de Lula, indica as mesmas contradições entre interesses públicos e privados.

"Eu não entendo essa estratégia de concentrar 30% do mercado nacional de varejo na nova empresa e colocar o desemprego na antessala dos trabalhadores de ambos os supermercados", afirma o presidente nacional do PPS, deputado Roberto Freire.

"Não vamos sonhar que após a fusão os empregos serão somados. Onde houver uma loja Pão de Açúcar vizinha de uma do Carrefour, certamente sobrará apenas uma, desalojando os empregados daquela que foi fechada."

"Também não devemos imaginar que, com a concentração do mercado, os preços serão nivelados por baixo. Vai sobrar para o consumidor, que terá de pagar mais caro nas compras. Os fornecedores também perdem, porque terão menos poder de barganha."

Agora vá voce, humilde leitor, tentar um empréstimo bancário. Ou vá fazer uma comprinha no mercado, ou assistir um jogo no futuro estádio. Diga lá que eu e você somos sócios dessas obras... ;-)

Veja o programa do PPS exibido quinta-feira na TV

terça-feira, 28 de junho de 2011

Cada cidadão, uma voz. E os partidos definham...

O sucesso da campanha presidencial de Marina Silva e a ensaiada debandada de seu grupo do PV, bem como as mudanças que ocorrem mundialmente nos partidos políticos, todos enfraquecidos e desacreditados, são frutos em grande medida da revolução implementada pelas redes sociais.

É evidente que a sociedade - e a juventude, principalmente - não se sente mais atraída ou representada pelos atuais partidos políticos. Hoje em dia a política não se faz necessariamente - e exclusivamente - pelos partidos.

Cada vez mais, a democracia deixa de ser representativa e passa a ser exercida de forma direta. Cada cidadão, uma voz. E a soma dessas vozes - muitas vezes de forma espontânea e livremente desorganizada - constrói uma nova realidade, que transpassa do mundo virtual para o mundo real instantaneamente, em questão de segundos (ou 140 toques no computador).

Os partidos continuam sendo instrumentos necessários para quem, atendendo as exigências da legislação vigente, pretende disputar uma eleição. Reunem ainda um número significativo de gente bem intencionada, preocupada com a coletividade e disposta a se organizar da forma tradicional, fazer valer seus direitos, chegar ao poder com visão republicana e transformar a sociedade de acordo com a vontade da maioria.

Mas a escassez de credibilidade dos partidos devido à infinidade de escândalos envolvendo políticos e a própria ineficácia e atuação errática das legendas afasta a maioria das pessoas da política-partidária e provoca verdadeira ojeriza aos cidadãos de bem.

Porém, nem todos que atuamos politicamente estamos resignados com a crise. A movimentação dos "marineiros" e a disposição radicalmente democrática do PPS, a partir de seus congressos internos, de promover uma "refundação" e se abrir para as redes sociais, demonstra que ainda há sinal de vida inteligente nos partidos. O que falta, talvez, é que os bons se unam e promovam as mudanças necessárias.

Leia também:

Fabio Feldmann: "A vida fora dos partidos políticos"

PPS reitera proposta de pacto com grupo de Marina

Como fazer política após a falência dos partidos?

Fabio Feldmann: "A vida fora dos partidos políticos"

Hoje, depois de 24 anos de militância exercida também no PSDB, desfilio-me do meu último reduto partidário, o PV; atuarei suprapartidariamente

Cheguei ao Congresso Nacional em 1987, como deputado constituinte pelo PMDB, aos 31 anos.

Hoje, após 24 anos de militância exercida também no PSDB, desfilio-me do meu último reduto partidário, o Partido Verde, que imaginei pudesse vir a ser o endereço da inovação e da coragem de mudar a política brasileira para alinhá-la com o futuro, com a luta por um desenvolvimento justo e sustentável.

Não posso deixar de reconhecer no presente a energia social e política vivida durante a elaboração da Constituição de 88, quando o país reencontrou-se com a democracia por meio de um novo pacto político.

Foi um marco insuperável, porque dava enorme esperança -talvez um tanto irrealista- de que a política, a partir dali, disporia de seus recém-conquistados instrumentos para ser o lócus da construção de um país aberto ao clamor por valorização da diversidade, combate aos preconceitos e desigualdades, participação social no processo de tomada de decisões e concretização de propostas econômicas, políticas e sociais que então emergiam do novo conhecimento sobre as consequências da degradação ambiental no planeta.

A sociedade brasileira compreendeu progressivamente a transição histórica que já se anunciava naquela época. Mas o sistema político, não. Demos passos importantes: estabilidade econômica e política, liberdade de manifestação, ampliação dos direitos sociais e reconhecimento de novos direitos, entre os quais o de um meio ambiente sadio para as presentes e as futuras gerações.

Estive na linha de frente da elaboração de parte da legislação brasileira: artigo 225 da Constituição Federal, Lei da Mata Atlântica, Política Nacional de Educação Ambiental, Política Nacional de Recursos Hídricos, Lei de Acesso à Informação, Lei de Defesa da Concorrência, Política Nacional de Resíduos Sólidos. Participei de um período em que a política partidária estava associada a conteúdo e a causas tangíveis nas suas propostas.

Mesmo sem mandato legislativo, continuei a atuar em instâncias públicas importantes, como o Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas, a Rio+10, o Fórum Paulista de Mudanças Climáticas Globais e de Biodiversidade, e na elaboração de diversas legislações, como a Política Estadual de Mudanças Climáticas.

Ao mesmo tempo, assisti ao gradual descolamento do sistema partidário da sociedade, transformando-se em espaço prioritário de conquista e manutenção de poder, de administração de butins eleitorais, ao largo das demandas, dos sonhos e da criatividade que vêm da sociedade. Ou seja, os partidos estão parados, fechados e deslocados dos temas que hoje entendo como os mais importantes para a sociedade.

Sempre procurei ser uma ponte para a intervenção da sociedade civil com os governos e Parlamentos, por acreditar que qualquer coisa que se faça à revelia dela não é consistente nem legítima. É por onde pretendo prosseguir.

Colaborar para desobstruir o caminho de uma agenda para o século 21, que liberte o país das visões ultrapassadas pelos fatos e pelas novas configurações sociais. Não desisti da política.

Quero atuar suprapartidariamente com os novos movimentos, que buscam cidadania planetária e discussão mais profunda sobre as alternativas do Brasil e do planeta.

Continuo na estrada, mas desço definitivamente do ônibus do sistema partidário. Que, aliás, está parado à beira do caminho, quebrado, vazando óleo, com os pneus carecas, poluindo o ar. E seus dirigentes não percebem que, cada vez mais, os passageiros descem e se juntam numa caminhada, à sua revelia.

FABIO FELDMANN, 56, é ambientalista. Foi deputado federal por três mandatos e candidato a governador do Estado de São Paulo pelo PV. (Artigo publicado na Folha de S. Paulo desta terça-feira, 28 de junho de 2011)

domingo, 26 de junho de 2011

PPS reitera proposta de pacto com grupo de Marina

Com a saída anunciada de Marina Silva do PV, o PPS reitera o compromisso público assumido com o grupo da presidenciável de lhe garantir legenda para as eleições de 2012 e buscar consolidar uma terceira via para 2014.

Esse pacto é proposto exatamente no momento em que, assim como os chamados "marineiros", o PPS também busca a formatação de uma nova organização política, mais aberta, transparente, democrática, renovada, sensível aos anseios da sociedade e que supere o atual modelo ultrapassado de política-partidária.

Repetimos o nosso entendimento: ir contra o que propõe Marina Silva hoje é fechar os olhos para uma parcela bastante significativa da população, que deu nas urnas o seu recado de descontentamento contra a mesmice da política e tem o desejo sincero de transformar a sociedade.

Nesse sentido o PPS se reúne nesta semana com o ex-presidente do PV paulista, Maurício Brusadin, para avançar na construção deste pacto e reafirma o interesse de dialogar com outras lideranças identificadas com a campanha presidencial de Marina Silva, como Alfredo Sirkis, Fabio Feldmann, Guilherme Leal, João Paulo Capobianco, Ricardo Young, Fernando Gabeira, Eduardo Jorge, Aspásia Camargo, entre outros.

Reveja aqui a proposta do pacto entre o PPS e os chamados "marineiros" para 2012 e 2014.

Leia também:

Marina pede para sair do PV


Como fazer política após a falência dos partidos?

terça-feira, 21 de junho de 2011

Confira os resultados da pesquisa Sonho Brasileiro

Já mencionamos por aqui o estudo sobre o que pensam os jovens, nesta interessante pesquisa intitulada "Sonho Brasileiro". Há bastante coisa interessante.

Por exemplo:

Quando perguntados sobre seu ‘sonho para o Brasil’, as respostas mais citadas foram: menos violência (18%), menos corrupção (13%) e menos desigualdade social (10%).

Onde você imagina que pode atuar para contribuir com o país? 28% dando exemplo de cidadania a pessoas que estão ao seu redor; 21% fiscalizando o poder público.

Confira aqui os resultados completos da pesquisa.

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Como fazer política após a falência dos partidos?

Como é, afinal, a "nova formatação política" que o PPS propõe a partir de seus congressos, considerando a falência dos atuais modelos político-partidários no Brasil e no mundo?

Provavelmente não exista ainda - e talvez seja até melhor não haver - uma proposta pronta e acabada. Mas a soma de opiniões diversas, de dirigentes, militantes e simpatizantes, em reuniões presenciais e na participação em redes sociais, aponta exatamente para isso: a prática de uma política muito mais próxima do cotidiano da sociedade, mais ágil, dinâmica, transparente, radicalmente democrática, inovadora e transformadora.

Pesquisas recentes demonstram que 71% dos jovens brasileiros consideram possível fazer política usando a internet, sem intermediários (partidos e políticos). Outros 59% deles afirmam não ter nenhum partido político de preferência.

Quem compreender esta informação e abraçar esta idéia com sinceridade, coragem, ousadia e criatividade - inclusive com o desprendimento de reconhecer este esgotamento do modelo tradicional de organização e mobilização - dará um passo firme na conquista de novos adeptos e na legitimidade de tentar dar vez e voz principalmente aos jovens que não se sentem representados nos atuais partidos.

Leia também:

Internet é arma política para 71% dos jovens

Wikidemocracia, a reforma política


Criada comissão para elaborar documentos do PPS

terça-feira, 14 de junho de 2011

Quem não quer estar ao lado de Marina Silva?

É injustificável essa queda de braço da atual direção nacional do PV com a senadora Marina Silva e seu grupo político. O motivo? Fala-se na imprensa que a intenção de renovar o partido, interferir na sua direção, reformar os estatutos e combater o fisiologismo da legenda desagrada a burocracia dominante.

Noticia-se que a presidenciável estuda deixar o PV para ter liberdade de apoiar candidatos de agremiações diversas em 2012. E, talvez para 2014, montar um novo partido - denominado inicialmente de Partido da Causa Ecológica.

Ex-ministra de Lula, Marina foi candidata à Presidência da República em 2010 pelo PV e conquistou quase 20 milhões de votos, com uma campanha alternativa que ganhou participação espontânea e entusiasmada, principalmente da juventude nas redes sociais.

Veja a ironia: enquanto a atual direção do PV se opõe ao arejamento do partido, o PPS busca exatamente a formatação de uma nova organização política, mais aberta, transparente, democrática, renovada, sensível aos anseios da sociedade e que supere o atual modelo ultrapassado de política-partidária.

Ir contra o que propõe Marina Silva hoje é fechar os olhos para uma parcela bastante significativa da população, que deu nas urnas o seu recado de descontentamento contra a mesmice da política e tem o desejo sincero de transformar a sociedade.

Pois, anunciado o 17º Congresso Nacional que terá como tema "Unir a Esquerda para Mudar o País", às vésperas dos 20 anos de fundação do PPS (e 90 anos do pioneiro PCB), com um balanço crítico da transição PCB/PPS e tendo como maior objetivo a formatação de uma nova organização política, é a oportunidade de construirmos verdadeiramente uma terceira via para o Brasil.

Já estão convidados publicamente para o diálogo, além de Marina Silva, figuras expressivas que mostram descontentamento com os atuais rumos do PV: Fernando Gabeira, Alfredo Sirkis, Fabio Feldmann, Guilherme Leal, João Paulo Capobianco, Ricardo Young, Eduardo Jorge, Mauricio Brusadin, entre outros.

A intenção não é trazê-los para dentro da hierarquia do PPS, mas estabelecer um pacto para as eleições de 2012, garantindo legenda para seus representantes, e, juntos, consolidarmos esta proposta alternativa e promissora para 2014 com uma nova formatação político-partidária e social.

Está na hora de termos bom senso, coragem e ousadia pelo Brasil e pelo nosso futuro. Demos o primeiro passo. Nas postagens abaixo há mais detalhes sobre os novos rumos que estamos buscando para o país.

Leia também:

Valor: Marina Silva recebe convite do PPS

PPS convida Marina e aliados do PV para ingressarem na sigla

segunda-feira, 13 de junho de 2011

A terceira via no Brasil e autocrítica da esquerda

Há razões para o otimismo, enfim.

#sonhobrasileiro dos jovens: 59% deles afirmam não ter nenhum partido político de preferência @jornaldacbn (sobre os resultados da pesquisa “Sonho Brasileiro” entre a juventude)

A senadora e presidenciável Marina Silva pode se desligar do PV, ficar “independente” em 2012 e cogita para 2013 fundar o Partido da Causa Ecológica.

A reunião do Diretório Nacional do PPS provou que existe vida inteligente, idealismo, garra, paixão, vontade de transformar a sociedade e refundar o partido.

Vamos juntar tudo isso – e a nossa crítica eqüidistante dos dois lados da mesma moeda, que são o PT e o PSDB – e avançar verdadeiramente para uma terceira via no Brasil.

Fazendo a nossa autocrítica, podemos ser protagonistas da construção do futuro que tanto sonhamos para o país.

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Criada comissão para elaborar documentos do PPS

O Diretório Nacional do PPS aprovou por unanimidade, durante reunião neste sábado (11/6), em Brasília, a criação de uma comissão de sistematização para elaborar o texto-base para o XVII Congresso Nacional do PPS, que acontecerá nos dias 9, 10 e 11 de dezembro, em São Paulo.

A comissão formada pelo presidente nacional do PPS, deputado federal Roberto Freire (SP), e pelos dirigentes Givaldo Siqueira (RJ), Anivaldo Miranda (AL), Caetano Araujo (DF), Alberto Aggio (SP), Maurício Huertas (SP) e Luzia Ferreira (MG) tem até o dia 5 de agosto, dez dias antes do início do processo congressual, para formatar o texto inicial (que receberá contribuição posterior dos congressos municipais, estaduais e núcleos temáticos).

Até o início de agosto, a Comissão receberá contribuições de todo o partido e de especialistas em diversas áreas. Os temas são livres. Também será criado no Portal do PPS um espaço para o debate e publicação das contribuições recebidas.

Acompanhe abaixo alguns dos documentos já apresentados, que devem orientar a elaboração do documento congressual do PPS.

“Unir a Esquerda Democrática Para Mudar o País"

REDE 23 - Renovação Democrática (de Esquerda)

O PPS e os novos desafios do Brasil

Sobre o PPS, seu percurso e posicionamento

“Unir a Esquerda Democrática Para Mudar o País"

Convoco a todos dirigentes e militantes para o debate com a temática “Unir a Esquerda Democrática Para Mudar o País”, em uma época marcada por agudos desafios no Brasil e no mundo. Nesse sentido, esta contribuição que ora apresentamos visa abrir um fecundo processo de discussão sobre nosso futuro como organização partidária.

Abraços

Roberto Freire
Presidente do PPS


TEXTO BASE

NO RUMO DO XVII CONGRESSO


Há pouco menos de 20 anos o PPS era fundado, no X congresso do PCB. Inspirado na avaliação crítica da trajetória do socialismo real, propunha uma alternativa de mudança, na perspectiva de uma esquerda moderna sob a diretriz da democracia.

Definiram-se então a radicalidade democrática como objetivo e instrumento de mudança, a reforma democrática do estado como estratégia de ação, as forças emergentes do novo mundo do trabalho e da cultura como parceiros preferenciais e a construção de um partido de novo tipo e de uma nova formação política como ferramentas desse projeto.

O XVII Congresso será o momento de avaliação dessa experiência, de verificação do percurso do PPS à luz dos objetivos definidos naquele momento e de reconsideração desses objetivos, à luz da história dos últimos 20 anos.

Nessa direção, apresentamos um roteiro de teses para iniciar os debates congressuais. Não é objetivo deste texto justificar em detalhe todos os pontos do roteiro, mas apresentar seus temas gerais, assim como alguns dos pressupostos de sua seleção.

Anexamos o documento 2010: o PPS pensando o Brasil, contribuição programática à campanha de José Serra, resultado de um esforço de discussão coletiva recente do partido, base para a elaboração de muitas das teses propostas no roteiro.

1 – O PPS no quadro da esquerda contemporânea

O PPS permanece no campo da esquerda? Para muitos observadores externos, bem como para alguns de seus filiados a resposta a essa pergunta é não. Para muitos outros militantes e dirigentes a resposta é afirmativa. Definir com maior clareza a identidade política e ideológica do PPS é, portanto, a tarefa mais importante do Congresso. Para tanto é indispensável debater o significado da esquerda no mundo atual, suas diferenças em relação ao campo da direita, assim como as divisões internas à esquerda e o posicionamento do PPS em relação a elas.

Esquerda significa, hoje como ontem, tomar a equidade como valor fundamental e problema principal da agenda da política. Significa reconhecer que a tradição e o mercado criam, perpetuam e justificam desigualdades e que as soluções da direita liberal e conservadora não são, portanto, aceitáveis para nós.

Afirmamos a atualidade e importância da oposição entre esquerda e direita para a descrição e entendimento do campo da política. A tese do fim dessa oposição, do fim da esquerda em particular, foi alimentada pelas crises que atingiram sucessivamente os modelos originados dessa matriz: o socialismo real e a social-democracia.

O fim do socialismo real, depois de um longo período de agonia, teve como causa imediata os efeitos da revolução científica e tecnológica no mundo capitalista. O PPS foi fundado ao final de um processo de discussão em que a auto-reforma do regime socialista aparecia como uma possibilidade real. O fracasso dessa reforma mostrou a incapacidade do regime de conduzir a bom termo uma transição na direção de um socialismo democrático.

As conclusões políticas firmadas na época, na direção correta, arrojadas para a época, foram, porém, tímidas vistas de hoje. Era e é necessário reconhecer o fracasso do modelo bolchevique, inspirado na revolução de outubro, teorizado por Lenin e reproduzido pelos partidos comunistas. Insurreição, assalto ao poder, estatização dos meios de produção, regime de partido único.

Essa receita que pareceu por um tempo o único caminho para o socialismo revelou-se um beco sem saída. Aprendemos com o século XX que, considerando um conceito exigente de socialismo, que contemple a dimensão da democracia e da sustentabilidade das conquistas alcançadas, nunca, em nenhuma das tentativas realizadas, a aplicação dessa fórmula levou ao socialismo. Insurreições são capazes de derrubar governos, mas não de mudar as relações entre os homens. Essas relações somente mudam na política, em condições de operação democrática.

Anterior ao colapso do socialismo real foi a crise da social-democracia. Não a social-democracia no sentido amplo, como opção de esquerda pela mudança no interior das instituições democráticas, como contraposição ao revolucionarismo bolchevique, mas a social-democracia como modelo de domesticação e humanização do capitalismo, inspirado em Keynes.

A receita aqui foi outra. Estado forte, produtor de insumos básicos, engenheiro da prevenção de crises. O Estado que, como fiador simultâneo do lucro dos empresários e da segurança dos trabalhadores, exige em troca o voto dos cidadãos e garantia de emprego e salário dos capitalistas. O Estado da democracia representativa, no qual as decisões são tomadas por governantes eleitos e representantes corporativos de trabalhadores e empregadores.

A crise desse modelo e a hegemonia liberal de quatro décadas que se seguiu à idade de ouro da social-democracia não decorreram de capitulação política, mas de dificuldades estruturais do modelo em condições de globalização e revolução tecnológica.

A crise dividiu a social-democracia. Sua ala mais tradicional considerou a tentativa de adaptação dos partidos socialistas, trabalhistas e social-democratas à nova realidade uma rendição ao liberalismo. Mantém, até hoje, a proposta social-democrata num mundo sem condições de sustentá-la.

Nesse mundo, a possibilidade do pleno emprego desapareceu, a margem de variação das políticas econômicas dos estados nacionais encolheu, o estado de bem-estar social tornou-se mais caro e menos eficiente e um número cada vez maior de problemas passou a depender de soluções negociadas no âmbito supranacional.

Nessas condições, a aplicação da velha receita da social-democracia parece muitas vezes gerar efeitos opostos aos que provocou na idade de ouro do modelo. Estagnação econômica, aumento da desigualdade, inflação e apagões diversos.

A ala renovadora da social-democracia, por sua vez, compreendeu, em linhas gerais, a necessidade da mudança e seu rumo, mas com uma importante omissão. Perceberam a insuficiência do Estado para regular o mercado e a necessidade, de um lado, de instâncias reguladoras supranacionais e, de outro, da regulação da sociedade civil organizada no plano local. Perceberam que um projeto renovado de esquerda deveria transitar do Estado na direção do autogoverno e que um novo Estado, reformado, era indispensável para essa travessia.

Não perceberam, contudo, a necessidade de um caminho semelhante no interior do próprio mercado. A emergência e importância cada vez maior do novo mundo do trabalho, que reúne trabalhadores por conta própria, trabalhadores familiares, terceirizados, micro e pequenos empresários, cooperativas e trabalhadores com participação nos lucros das empresas, exigem também mudanças, no rumo do aumento da iniciativa, da responsabilidade e da participação dos trabalhadores na gestão das empresas. Nessa segunda dimensão da mudança, subestimada ou ignorada pelos social-democratas renovadores, o caminho vai do Estado para a autogestão.

Essa omissão levou todos os social-democratas renovadores a naturalizar, na prática, o mercado e a aproximar-se das propostas liberais.

Comprovada, na recente crise econômica mundial, a incapacidade de o liberalismo gerir e equacionar os problemas que produz, o status quo mostrou sua cara: um pêndulo que oscila entre o mercadismo liberal e o estatismo conservador da social-democracia tradicional.

Em que medida é possível qualificar de conservador a mesma relação de políticas baseadas na intervenção do Estado que víamos como progressistas no passado? Na medida em que seus efeitos hoje parecem ser opostos aos verificados ontem. O antigo estatismo, associado comumente ao nacionalismo e ao desenvolvimentismo, produziu desenvolvimento nacional, crescimento econômico e, embora em medida muito menor que a social-democracia européia, redução das desigualdades, inclusão social e segurança dos trabalhadores. A reprodução contemporânea dessa receita parece, por sua vez, produzir estagnação econômica, aumento da desigualdade e pauperização da população.

O ponto fundamental é reconhecer que não é a maior ou menor presença do Estado, mas sim a função desse Estado, que define uma posição de esquerda. Estatismo conservador é estado forte que se limite a arrumar a economia durante as ressacas do liberalismo, é estado forte que permite a manutenção ou aumento da desigualdade, é estado forte que subordina as questões da equidade, da democracia e da sustentabilidade a objetivos estratégicos outros.

Por isso é urgente o aggiornamento da esquerda democrática. A crítica a partir do estatismo não representa necessariamente mudança e pode implicar retrocessos, do ponto de vista da democracia e da equidade.

Nessa perspectiva, o avanço consiste em incorporar de forma resoluta e completa a questão da equidade na perspectiva da democracia e da sustentabilidade.

Em suma, de forma simplificada, o revolucionarismo, no seu horizonte, pretendia pôr fim ao mercado. A social-democracia pretendia domesticar e humanizar o mercado. A esquerda democrática e moderna deve partir de uma visão mais ampla e afirmar sua crítica aos males do mercado e aos males do Estado. Deve se colocar como propositora de um programa que vise, ao mesmo tempo, regular e democratizar o mercado, mas também ampliar e democratizar o Estado.

Em outras palavras. O fracasso do revolucionarismo desmentiu a hipótese leninista de superação do capitalismo. A social-democracia conseguiu demonstrar, em momentos e países localizados, a insuficiência da hipótese marxista de pauperização dos trabalhadores e de manutenção dos salários nos níveis de subsistência. A esquerda moderna e democrática deve demonstrar a insuficiência da hipótese marxista da necessidade do exército industrial de reserva.

2 – O PPS no quadro partidário brasileiro

A direita conservadora no Brasil, herdeira do Centrão da Constituinte, reúne-se hoje nos partidos do governismo. Esse conjunto de partidos mais preocupados em apoiar governos e deles participar que em disputar eleições presidenciais é heterogêneo do ponto de vista de sua história, composição e representação social. Nele se encontram o PMDB, vindo da resistência à ditadura militar, mas também o PTB e o PP, com origem no apoio a esse regime. Hoje seu norte comum é o apoio ao governo da vez, por meio da abdicação dos poderes legislativos em troca de participação na máquina estatal. Exercem poder de veto sobre toda e qualquer proposta que extrapole os limites dos interesses dominantes ou implique reforma do Estado. A regra eleitoral, personalista e antipartidária, que vigora no país favorece uma tendência à homogeneização em torno desse padrão que afeta em maior ou menor medida a todos os partidos.

Difícil é imaginar nas condições presentes a possibilidade de um governo que consiga autonomizar-se por completo desses partidos. Deve ficar claro, contudo, que o alcance e a profundidade das mudanças progressistas estarão em relação inversa ao seu peso na coalizão governamental.

Os Democratas buscam afirmar um projeto, ainda não concretizado, de construção de um partido de direita liberal. Ancorado em lideranças locais conservadoras, instaladas por décadas no poder, mostra dificuldades de operar afastado das máquinas do Estado. O sucesso de sua dissidência recente, o PSD, mostra, ao mesmo tempo, essa dificuldade oposicionista e a existência de espaço para mais um sigla no campo do governismo.

O revolucionarismo persiste nos pequenos partidos neobolcheviques.

Finalmente temos os dois partidos que com mais densidade eleitoral polarizam as disputas desde 1994: PSDB e PT.

O PT foi criado como tentativa consciente de modernizar o projeto revolucionarista, mas sob o discurso do novo persistiu o velho projeto. Sua crítica ao socialismo real não foi de fundo, a partir da questão democrática, mas permaneceu na superfície: a burocratização e os desvios, supostamente à direita, em relação ao modelo original.

A experiência eleitoral e, principalmente, a conquista de importantes prefeituras, levaram o PT rapidamente para uma postura social-democrata clássica. A prática do partido à frente do governo, a partir de 2002, foi além e reproduziu, sem discussão interna, políticas e propostas anteriormente criticadas no governo anterior. Coexistem no PT hoje as duas faces da social-democracia: mercadismo liberal e o estatismo conservador. Ambas abraçadas de maneira pragmática, não refletida, de forma a conservar todo o vezo autoritário herdado do revolucionarismo.

O projeto do PT, além disso, mantém, de forma amplificada, a inspiração sindicalista que se encontra na sua origem. Portador de uma visão concentrada nos interesses econômicos das classes subalternas, mal consegue ultrapassar a perspectiva da democratização da sociedade pela via do consumo. Sem capacidade de universalização de um projeto transformador da sociedade, desconsidera as dimensões da participação, da iniciativa e da responsabilidade dos cidadãos, tanto na política e quanto na gestão econômica.

O PSDB procurou desde sua fundação, ao separar-se do PMDB, uma identidade social-democrata. No governo FHC avançou para uma posição renovadora e foi o grande responsável pela revolução econômica e social que se iniciou com o Plano Real e que está na base de todos os avanços obtidos nos últimos 15 anos. No entanto, os avanços foram limitados pela aliança conservadora que sustentou o governo, pelo sectarismo da oposição e pelas divisões internas do partido. As candidaturas presidenciais posteriores mostraram a ambigüidade e vacilação do PSDB na defesa de seu legado à frente do governo.

Nesse quadro partidário há, sem dúvida espaço para uma esquerda democrática e moderna. A condição de sua viabilidade é a afirmação política clara de suas posições, capaz de demarcar suas diferenças em relação tanto ao revolucionarismo quanto às diferentes manifestações partidárias da social-democracia.

Para melhor enfrentar os desafios que vislumbramos aqui, temos uma pauta que precisa ser superada, fundada nos seguintes itens:

1 – A nova formação política e a nova realidade da sociedade em rede, no Brasil e no mundo;
2 – Análise da trajetória do PPS e o momento atual, seu papel na oposição e as eleições de 2012;
3 – Balanço do Trabalho de Direção.