
O empenho do "missionário" foi tanto pela aprovação do projeto - em contraste com a sua atuação cotidiana sempre apagada - que despertou a curiosidade dos colegas. Qual não foi a surpresa de todos ao descobrirem que a iniciativa da dupla Hato / Olímpio escondia o verdadeiro interesse do projeto: modificar o traçado de uma via pública para beneficiar os proprietários de um terreno de quase 7 mil metros quadrados, entre as ruas Bruges e Benedito Fernandes, na zona sul de São Paulo.
A justificativa do projeto - uma flagrante ilegalidade e inconstitucionalidade - que modifica o trajeto da rua, uma prerrogativa do Poder Executivo e que abre perigoso precedente, é destinar o terreno para ser um estacionamento da tal Igreja do "missionário" do Poder de Deus, segundo ele uma "promessa" da Prefeitura.
A votação segue pendente na CCJ por não ter obtido maioria entre os seus nove membros: três são contra (Celso Jatene, do PTB; João Antonio e Ítalo Cardoso, do PT); três são a favor da "terra prometida" (Olímpio, do PP; Abou Anni, do PV; e Kamia, do PFL); e três se abstiveram, depois de receberem a informação do benefício exclusivo à Igreja (Agnaldo Timóteo, do PR; Aníbal de Freitas e Carlos Bezerra, do PSDB). Uma vergonha!