terça-feira, 2 de abril de 2019

Querem reescrever a história ao gosto do freguês

Quando eu me refiro ao meme que virou presidente, além da ironia, da crítica e da irreverência que parecem óbvias, ou acima de qualquer deboche ou desrespeito que não existem senão como decepção e desalento, está a constatação de um fato indiscutível - e que agora começa a ter efeitos devastadores e constrangedores: o Brasil elegeu para a Presidência da República alguém que até outro dia não passava de piada de mau gosto. Ele próprio símbolo da escória e da indigência política.

O que mudou, então, para transformar o bobo da vez, o ridículo de plantão, o nome do baixo clero que era escolhido para sofrer o bullying lacrador no programa de humor de alguns anos atrás, justamente na esperança de ser ele o protagonista da mudança desse estado de coisas que cobrávamos entre risos nervosos e que agora um bando majoritário de descerebrados o elevaram ao patamar de mito, herói e salvador da pátria?

São tempos insanos. Um verdadeiro pesadelo! Resultado em grande parcela do engodo que foram os governos petistas. Da esperança de mudança que gerou frustração ao se mostrar idêntica no modus operandi à bandidagem da velha política, da corrupção, do fisiologismo, do continuísmo. Todo o avanço conquistado desde a redemocratização, colocado em risco pela desonestidade de um partido e pela imoralidade do presidencialismo de cooptação que se empoderou em Brasília.

O estrago está feito. Conseguiram enxovalhar toda a história das esquerdas no Brasil. Jogaram no mesmo balaio comunistas, socialistas, sociais-democratas, ambientalistas, sustentabilistas e até liberais, enquanto reavivavam os zumbis da direita mais retrógrada, populista, reacionária e hostil à democracia. Como fizeram isso? Com suas milícias virtuais, com seus assassinatos de reputações, com a guerrilha de robôs e fake news.

O mundo virtual resolveu fazer uma espécie de remake da Guerra Fria, adaptada para a guerrilha digital entre progressistas e conservadores, reproduzindo as disputas e os conflitos estratégicos entre esquerda e direita que pareciam em desuso desde o fim dos anos 80, com a queda do muro, redimensionados agora para a era das redes sociais e das narrativas fictícias à moda de Goebbels, repetindo uma mentira mil vezes até que ela se torne aparente verdade.

É inacreditável o processo em curso: a tentativa de reescrever a História ao gosto do freguês. Cada bolha ideologizada e idiotizada, cada qual em seu extremo, produz e divulga a sua própria versão dos fatos. Do golpe que não é golpe, do nazismo que é de esquerda, do crime que é relativizado, do fundamentalismo religioso, do idiota que vira guru, do político preso que se torna preso político na versão patrocinada pelo inquilino do poder na ocasião. Tente, invente, crie uma narrativa paralela diferente.

A revolução tecnológica que vivemos atualmente terá, naturalmente, como todo processo revolucionário e transformador, consequências históricas dentro da nossa sociedade, alterando profundamente características comportamentais e até mesmo o modo como vemos o mundo e nos relacionamos com as outras pessoas. Resta saber aonde isso vai parar.

Essa mudança radical já começou e seus efeitos são facilmente percebidos em nosso dia a dia, pelas mãos de uma geração que tornou o smartphone complemento do seu próprio corpo e nosso cérebro virtualmente dependente dos mecanismos de busca na internet, além de todo o contexto político, econômico, cultural e social que vem se transformando ao toque dos dedos em uma tela. 

Nem os gênios do passado imaginariam ter reunidas na palma da mão todas as invenções revolucionárias que vieram espaçadas no tempo, como a imprensa de Gutemberg, que mudou a história da leitura e da circulação de ideias em escala mundial; o rádio de Marconi, que uniu outras três tecnologias, do telégrafo, do telefone e das ondas de transmissão, para revolucionar a comunicação; depois tudo isso aprimorado e amplificado com o surgimento da televisão, e do computador, e da internet, e das redes sociais, e dos aplicativos.

Pois os inventos estão aí, todos juntos e misturados. É tudo ao mesmo tempo agora, e até por isso você pode ler esse texto neste exato minuto. Hoje cada um de nós é ao mesmo tempo receptor e emissor de infomação. Somos produtores incansáveis de notícias, palpites, opiniões. Certezas e verdades se tornam mais fluidas e subjetivas. Fatos são mais facilmente descartáveis e descartados, diante da profusão incontrolável e inabsorvível de dados, de referências, de conhecimento.

Somos escravos da tecnologia. Viciados em bits e bytes. Presos a conexões e algoritmos. Pior: vivemos de tal modo abduzidos por esse universo digital que mal nos damos conta de criar mecanismos de defesa contra a viralização do pensamento dominante que tentam nos impor.

Mas uma coisa é certa: ou ativamos nosso olhar crítico, nosso filtro ético mental, nosso antivírus ideológico, ou seremos massa de manobra fácil desses usurpadores da política e da realidade. Está na hora de assumirmos também o ativismo autoral da nossa própria História.

Mauricio Huertas, jornalista, é secretário de Comunicação do #Cidadania23 em São Paulo, líder RAPS (Rede de Ação Política pela Sustentabilidade), editor do #BlogCidadania23 e apresentador do #ProgramaDiferente.

segunda-feira, 1 de abril de 2019

#ProgramaDiferente: Como ajudar Moçambique



Pessoas do mundo inteiro estão interessadas em ajudar as vítimas do ciclone Idai em Moçambique, no Zimbábue e no Malaui. Organismos de ajuda humanitária internacional recolhem doações para mais de um milhão de pessoas atingidas no sudeste da África.

O #ProgramaDiferente mostra como colaborar, apresentando a situação diretamente do local da tragédia. Reproduzimos imagens que circulam o mundo por meio de veículos da grande imprensa, mas também o relato pessoal de um youtuber de Moçambique, Marcelino Francisco

Na região de Beira, em Moçambique, onde o estrago foi maior, há milhares de pessoas ilhadas, sem água e sem comida, e há o risco de um surto de cólera. Doações podem ser feitas para entidades reconhecidas mundialmente como a ONU, o Programa Mundial de Alimentos das Nações Unidas, a Unicef  ou o Médicos sem Fronteiras.

Você acompanha ainda uma conversa do apresentador de TV Luciano Huck com o escritor moçambicano Mia Couto, que também apresenta os dados da sua própria entidade, a Fundação Fernando Leite Couto, para receber ajuda para as famílias desabrigadas. Assista.

O Parlamentarismo está na raiz do #Cidadania23

O debate sobre o tema circula ainda timidamente nas nossas redes internas, mas faz parte da gênese do #Cidadania23 e também já integrava o programa de seu antecessor, o PPS.

O Estadão deste 1º de abril - que não se perca pela data - informa em nota: "Cidadania, antigo PPS, quer adoção do Parlamentarismo". É verdade.

Diante de tantas crises políticas recentes, acontecimentos que paralisam o País e colocam em risco as conquistas democráticas a cada nova turbulência no regime Presidencialista, é necessário manter no radar essa possibilidade (talvez até uma necessidade) de adoção do Parlamentarismo.

Afinal, dos últimos cinco presidentes eleitos diretamente pelo povo desde a redemocratização, dois sofreram impeachment (Collor e Dilma) e outro está preso (Lula). Restam FHC e Jair Bolsonaro, este ainda uma incógnita.

“O Cidadania defende o Parlamentarismo, um regime de governo mais democrático", explica o presidente nacional do partido, Roberto Freire, julgando oportuna a iniciativa do senador José Serra (PSDB/SP) de retomar a discussão sobre a implantação do Parlamentarismo. Nessa proposta, a mudança passaria a valer a partir de 2023, na sucessão do atual presidente.

O #BlogCidadania23 e o #ProgramaDiferente debatem o assunto com bastante frequência. Reveja aqui alguns exemplos:

Assista a íntegra do debate sobre Parlamentarismo com José Serra, Eduardo Jorge e Davi Zaia

#ProgramaDiferente Especial: Franco Montoro e o Parlamentarismo

Debate: Presidencialismo, Semipresidencialismo ou Parlamentarismo

A transição pós-PT, o presidencialismo de cooptação e as penas que voam no ninho tucano

#ProgramaDiferente antenado às pautas do dia: reforma política, parlamentarismo, combate à corrupção etc.

O #ProgramaDiferente analisa a crise do petismo e debate o parlamentarismo como alternativa

Alberto Dines afirma ser contra o impeachment e defende parlamentarismo para o Brasil sair da crise

2013-2018: Nos cinco anos dos movimentos pela renovação da política, o Brasil fará o teste nas urnas

Debate sobre a Reforma Política no #ProgramaDiferente

#ProgramaDiferente debate a República, a Democracia e a Reforma Política

sexta-feira, 29 de março de 2019

Ajude a fazer o #Olhar23 e a divulgar a opinião do #Cidadania23. Encaminhe seu vídeo. Participe!




Olá, este é um convite especial para filiados, militantes e simpatizantes do #Cidadania23

Cidadãos, cidadãs, cidadanistas!

Você, mande seu vídeo e vamos fazer juntos o #Olhar23

Grave no seu celular a sua opinião sobre os fatos políticos mais relevantes da semana e marque nas redes sociais com a hashtag #Olhar23

Este é o nosso programa, o programa do novo #Cidadania23

Para quem não sabe, e para quem já sabe não custa repetir, o #Cidadania23 é uma nova formação política originada do antigo PPS com a participação de integrantes de movimentos como o Agora, o Livres, o Acredito, o Renova e a RAPS.

Quem quiser conhecer mais sobre os nossos princípios, propostas e ideais, veja aqui:



Podemos contar com você? Então, encaminhe seu vídeo.

Vamos mostrar o nosso ponto de vista sobre a política e a democracia.

#Olhar23

É a nossa voz. É a nossa vez.

Diferente de tudo que tem por aí.

Até o próximo #Olhar23 - e fique de olho!

De Jango a Bolsonaro: o significado do 31 de março à esquerda e à direita no #ProgramaDiferente



O #ProgramaDiferente desta semana reúne três datas emblemáticas para tratar de um só tema: o Estado Democrático de Direito. Os primeiros 90 dias de governo do presidente Jair Bolsonaro coincidem com os 55 anos do golpe de 1964 e com os 100 anos de nascimento de João Goulart, o Jango, presidente derrubado pelos militares naquele 31 de março que daria início aos 21 anos de ditadura no Brasil. Vale registrar a história e os erros do passado para nunca mais o País cair nessa conversinha de salvadores da Pátria em detrimento da liberdade. Assista.

quinta-feira, 28 de março de 2019

Uma fábula para quem pensa em melhorar Bolsonaro

Ainda circulam por aí algumas pessoas que sinceramente acham que podem transformar Jair Bolsonaro em coisa melhor do que ele foi a vida inteira. Dar um upgrade ético, ideológico, político e humano no meme que virou presidente.

De um nacionalista xenófobo num liberal moderno. De orgulhoso admirador de torturador e assassino da ditadura em defensor da democracia e do estado de direito. De parlamentar ridicularizado do baixo clero com uma pauta monotemática num estadista republicano à altura do cargo para o qual foi eleito.

A esses cidadãos de boa vontade, cabe lembrar uma velha fábula: "O escorpião e o sapo". Todo mundo já ouviu falar sobre o escorpião que pede a um sapo que o leve até a outra margem de um rio. O sapo tem medo de ser picado durante a travessia, mas o escorpião argumenta que, se picasse o sapo, ambos se afogariam.

O sapo concorda e começa então a carregar o escorpião, mas no meio do caminho o escorpião ferroa o sapo, condenando os dois ao afogamento. Quando perguntado por que havia lhe picado, o escorpião responde: aquela era a sua natureza e nada poderia ser feito para mudar esse destino.

Ninguém vai mudar Jair Bolsonaro. É da natureza dele. É selva!

#Cidadania23: Democracia não exalta ditaduras

Uma nota do #Cidadania23, assinada em conjunto pelo presidente Roberto Freire (SP), pela líder no Senado, Eliziane Gama (MA), e pelo líder na Câmara dos Deputados, Daniel Coelho (PE), dá a posição oficial do novo partido sobre aquilo que Freire considera "estultice de Bolsonaro mandar comemorar o golpe de 1964 e tentar reescrever a História como se não tivesse havido ditadura". É isso aí! Viva a democracia!

Eis a íntegra da nota:

Ao determinar ao Ministério da Defesa a retomada das comemorações relativas ao golpe militar de 31 de março de 1964, o presidente Bolsonaro reafirmou a sua obsessão em dividir o Brasil em dois lados – esquerda e direita, patriotas e não patriotas, bons e maus.

O esforço de reconciliação nacional proporcionado pela Lei da Anistia e pela Constituição Cidadã de 1988 é ignorado e, ao invés de o poder público apostar em pedagogias de unidade, leva aos cidadãos e às famílias preconceitos e valores de ódio e intolerância.

No dicionário do presidente, conceitos como paz, tolerância, debate, liberdade, direitos inalienáveis, humanismo são substituídos por violência, arma e sangue, se necessário. Projeto para o futuro, comum a todo partido democrático, dá lugar na concepção do presidente a projetos para o passado.

Traz à baila interpretações a partir de visões do anacrônico antiglobalismo e alucinações de um suposto marxismo cultural que engole a tudo e a todos, como um buraco negro do qual nem a luz escaparia.

Desenvolvimento, reformas, incentivo ao empreendedorismo, reconhecimento do livre mercado, políticas públicas, justiça social, estado eficiente e não perdulário – eis uma pauta que unifica o Brasil. Ditaduras ou governo que as elogiam podem até conseguir alguns sucessos econômicos conjunturais, mas não dão estabilidade e a segurança jurídica que uma Nação demanda em sua marcha por mais riqueza, democracia e felicidade.

Temos o respeito histórico pelas Forças Armadas brasileiras e reconhecemos sua luta e dedicação pela integralidade do nosso território e na defesa dos interesses nacionais.

Entretanto, é forçoso reconhecer que o regime inaugurado em 1964, e que perdurou por 21 anos, foi um equívoco histórico, resultado de embates internos nas Forças Armadas que remontam ao tenentismo na década de 1920, à emergência dos países socialistas com a revolução russa de 1917, à guerra fria que se instalou no mundo a partir do fim da Segunda Guerra Mundial, ao conceito de segurança nacional formulado pela hegemonia norte-americana. Ao contrário do que se afirma, não veio para impedir a ascensão ao poder dos comunistas – uma falácia, pois as correntes socialistas nunca tiveram no Brasil força para implantar unilateralmente seus projetos.

O golpe de 1964, como ocorreu em muitos países da América Latina e em outras partes do mundo, apenas obedeceu a um alinhamento cego ao poder americano e de suas corporações econômicas. Rasgou a Constituição, fechou o Congresso, forçou ao exílio dezenas de brasileiros, censurou, prendeu, torturou, matou, foi ineficaz no combate à corrupção, gerou privilégios não republicanos.

Ao reconhecer os equívocos das Forças Armadas, também reconhecemos os equívocos de modo geral das esquerdas brasileiras, particularmente daqueles segmentos avessos à democracia que acreditaram ser possível derrubar o regime por meio de ações violentas e armadas. Felizmente, caminho que nunca foi seguido pelas formações políticas que estão na raiz do PCB/PPS e, agora, Cidadania.

É do reconhecimento de equívocos históricos que se constrói a unidade de um país, dentro da pluralidade das ideias e da alternância democrática de poder.

É legítimo a todos discutir fatos históricos, à luz de suas concepções e conceitos. É deplorável e inconstitucional o Executivo conclamar instâncias e instituições republicanas a exaltar fatos que colidem com o regime democrático.

É grave quando um presidente da República insiste em governar um país com revanchismos e por meio de fantasmas e não pela Constituição.

Eliziane Gama - Líder do Cidadania no Senado


Daniel Coelho - Líder do Cidadania na Câmara

Roberto Freire - Presidente do Cidadania

Quem está contente com esse presidente? Bolsominion só pode ser idiota, ingênuo ou mal intencionado!

Brasil Vergonha acima de tudo. Deus acima de todos. nos acuda!

A já histórica surra da excelente deputada federal Tabata Amaral (PDT/SP) no despreparadíssimo ministro da Educação Ricardo Veléz é um retrato instantâneo desse (des)governo do presidente Jair Bolsonaro. Justamente na Educação - essencial para o desenvolvimento do País, entregue nas mãos de aventureiros desqualificados e que não tem a menor ideia do que fazer ali.

Temos o Brasil dividido em bolhas ideológicas, com uma minoria consciente que tenta atuar fora dessa polarização idiotizada e que por isso merece todo o nosso respeito, apoio e admiração. É o caso de Tabata e dos novos movimentos políticos surgidos recentemente, como Agora, Renova, Acredito, Livres, RAPS e o próprio #Cidadania23.

Alguém anunciou que o ministro da Educação seria demitido. Mas, que nada, Bolsonaro reaparece em 280 toques no twitter, o diário oficial ideal do presidente que não tem muito a dizer e possui apenas três neurônios, para desmentir aquilo que qualquer governo sério faria. Seguem empregados Veléz, Araujo, Damares, permanece a eminência parda do guru Olavo e todo um time de lunáticos que seriam reprovados num exame psicotécnico.

Ainda nas redes, Bolsonaro 00 e seus filhotes 01, 02 e 03 seguem confrontando a imprensa e os três poderes - veja a insanidade que é esta família inquilina do poder, eles atuam como oposição à própria base governista.

Contra Rodrigo Maia, insinuam que o presidente da Câmara dos Deputados está "abalado por problemas pessoais" (se referindo à prisão do sogro Moreira Franco). Recebem como resposta que "abalados estão os brasileiros" esperando que Bolsonaro governe, pois até agora ele só está "brincando de presidir o país".

Foi até bonzinho e sutil, Maia. Devia ter respondido que abalados estamos todos com esta família envolvida com milicianos, verbas de gabinete desviadas, depósitos de milhões em contas pessoais, candidatos laranjas, vídeo de golden shower, puxa-saquismo explícito no Trump, ordem de comemoração ao golpe de 64, vergonha alheia mundial ao elogiar as ditaduras do Chile e do Paraguai, e por aí vai... #VergonhaAlheia.

Contardo Calligaris: 'Marxismo cultural'

Complô para tornar o marxismo dominante é a teoria conspiratória do momento

O sintoma mais evidente de nossos tempos é uma raiva psicopata, sem freios morais: "Concorde comigo ou morra".

Essa raiva é facilitada por teorias conspiratórias: não se discute com inimigos que conspiram nas sombras. Eles devem ser aniquilados.

Por exemplo, sem a teoria de uma conspiração judaica contra o mundo ("O Protocolo dos Sábios de Sion", um falso), o genocídio dos judeus pelos nazistas talvez acontecesse, mas não teria como se justificar.

As teorias da conspiração sempre existiram, mas se multiplicaram nos anos 1960. Agora a internet ajuda sua proliferação. O fim da Segunda Guerra deixou a todos sem a tarefa meritória de acabar com fascismo e nazismo. E o futuro era o possível conflito nuclear: seria bom se cada lado pudesse focar um "inimigo".

Algumas tinham a ver com eventos específicos (quem matou Kennedy, hein?). As mais interessantes e loucas eram interpretações do "sistema" inteiro. Quem tentava se apoderar do mundo, hein? Os judeus, os maçons, os católicos?

Como se fabrica uma "boa" teoria conspiratória? Um pouco de "sexto sentido"; uma retórica vaga e estereotipada (os discursos de MacCarthy ou a acusação nos processos de Praga em 1952); uma grande valorização da família (só dá para confiar nos parentes em primeiro grau) e a arte de transformar qualquer julgamento negativo sobre a gente em um temor paranoide dos outros, que conspiram contra nós.

Quem quiser ler mais sobre a cultura da conspiração pode ver Michael Barkun ("Culture of Conspiracy", 2003). As teorias da conspiração satisfazem a nossa ávida procura de um sentido da história e do mundo. E é um sentido simples: a luta entre a luz (a gente) e a escuridão (os outros).

Também as teorias conspiratórias são um amparo para o exército dos que não conseguem mudar sua vida para melhor: eles atribuem assim seus infortúnios a uma força externa e irresistível (nada a ver com eles). 

Visto pela esquerda, o mundo era um complô da CIA ou do mercado (endinheirados de quartola reunidos em salas privadas de restaurantes caros). Visto pela direita (sobretudo libertária), o mundo era um complô da KGB para impor os abusos da potência do Estado: os tanques russos sairiam de Budapeste (1956) ou de Praga (1968) e desfilariam pelas nossas ruas.

Toda teoria conspiratória confere uma gratificação narcisista a quem acredita nela (diferentemente da massa ignara, eu sei o que está acontecendo de verdade). Infelizmente, toda teoria conspiratória, assim que ela for constituída, adota um viés de confirmação: ou seja, tudo que discorda dela é considerado como o fruto da atividade oculta dos inimigos. Torna-se impossível argumentar.

Um dos maiores historiadores conservadores dos Estados Unidos, Richard Hofstadter, escreveu uma obra ainda seminal: "The Paranoid Style in American Politics" (1964). As observações dele ainda podem nos guiar.

Por exemplo, o inimigo é, em grande parte, uma projeção do sujeito que se sente perseguido. O estilo paranoide é, no fundo, a imitação do suposto inimigo.

Tomemos o exemplo da teoria conspiratória do momento, o dito "marxismo cultural", ou seja, a ideia de que haveria um complô para tornar o marxismo dominante em nosso mundo. A ideia é especialmente ridícula, considerando que o marxismo não deu muito certo na sua luta cultural: não emplacou nem a ideia de luta de classe nem o projeto de terminar com o Estado.

Desde a metade do século passado, a esquerda apenas defende os valores da Revolução Francesa (que foi a grande revolução burguesa): igualdade perante a lei, solidariedade, liberdade e laicidade.

Esses valores, que tornaram o mundo mais habitável, são hoje atacados como se fossem "marxistas".

Bom, uma teoria conspiratória ajuda a 1) ter inimigos que a gente possa perseguir, 2) não revelar que a gente é incapaz de pensar, 3) não revelar que a gente é incapaz de governar (me defendo dos "marxistas culturais", isso não é um plano suficiente para o Ministério da Educação?), 4) justificar um aparelhamento ideológico pior do que o que seria praticado pelos inimigos (rezas, bandeiras, hino e outras baboseiras, em vez de um plano de estudos).

Enfim, Hofstadter dizia também que, nas teorias conspiratórias, a "liberdade sexual" é um vício frequentemente atribuído aos inimigos. Engraçado, hein?

Contardo Calligaris é psicanalista, colunista da Folha de S. Paulo, autor de “Hello, Brasil!” e criador da série PSI (HBO). 

quarta-feira, 27 de março de 2019

Recadinho ao meme que virou presidente: Nem de direita, nem de esquerda! #DitaduraNuncaMais

Chamar simplesmente de ridículo por pedir que se comemore o aniversário da ditadura chega a ser injusto.

Ridículo e grotesco Jair Bolsonaro era quando exercia esse papel de bocó no baixo clero da Câmara dos Deputados e em programas de TV. Mas o fundo do poço nunca tem limite.

Agora o meme que virou presidente é acima de tudo infame, irresponsável e desqualificado para o cargo que ocupa, ao fazer apologia de um regime inconstitucional e criminoso principalmente contra os direitos humanos.

Não contente com todas as bobagens ditas sobre a ditadura brasileira, tendo inclusive entre seus ídolos um notório torturador e assassino, causou constrangimento internacional ao elogiar recentemente as ditaduras de direita no Chile e no Paraguai, por exemplo, enquanto posa de democrata fake ao denunciar a ditadura de esquerda na Venezuela.

Tão inconsequentes e mal informados quanto Bolsonaro são seus seguidores mais fanáticos, analfabetos políticos que vociferam nas redes sociais contra democratas e republicanos, sem perceber que essa liberdade que possuímos hoje não existiria se o Brasil vivesse ainda aquele período de exceção, marcado por censura, perseguição ideológica, tortura e morte dos opositores da ordem vigente.

Então, não custa repetir: #DitaduraNuncaMais

Ditadura de direita ou de esquerda é ditadura. Somos contra. Simples assim.

Viva a Democracia!

O #ProgramaDiferente abordou diversas vezes esse triste período da nossa história. Não custa informar o que foi ditadura no Brasil, para mostrar como são completamente ignorantes, idiotas ou mal intencionados - e não cabe atenuante nesses adjetivos - os seus defensores.

terça-feira, 26 de março de 2019

Vereador Claudio Fonseca anuncia novo nome do PPS e lê carta de princípios na Câmara de São Paulo



O líder do #Cidadania23 na Câmara de São Paulo, vereador Claudio Fonseca, que é também professor e presidente do Sindicato dos Profissionais em Educação no Ensino Municipal, comunicou oficialmente em plenário nesta terça-feira, 26 de março, a mudança de nome do PPS para Cidadania e leu a íntegra da carta de princípios da nova formação partidária. Assista.

Veja também:

Conheça a Carta de Princípios do #Cidadania23

#Cidadania23: Um partido pra chamar de meu!

O Blog do PPS se transforma no #BlogCidadania23

domingo, 24 de março de 2019

#Cidadania23: Um partido pra chamar de meu!

Antes de mais nada, frente à descrença generalizada na política, nas mãos desses políticos populistas, hipócritas, corruptos e fisiológicos envolvidos nos mais tenebrosos escândalos, dessa polarização burra e odiosa que divide o Brasil em bolhas ideologizadas e idiotizadas, a dúvida é: será que eu ainda preciso de um partido pra chamar de meu? A resposta, por mais incrível e antiquada que pareça, é SIM!

Se queremos um mundo melhor, mais justo e mais plural, sem preconceito e intolerância, menos desigual, violento e inseguro, com oportunidades para todos, temos que ocupar todos os espaços disponíveis e fazer valer a nossa voz. Ter a liberdade de sermos quem nós somos, o direito de expressar os nossos sentimentos, a garantia de correr atrás dos nossos sonhos e ideais.

A política não pode ser monopólio desses velhacos que manipulam os três poderes e lembram do povo só na hora de apertar botão em dia de eleição. A política tem que ser invadida, hackeada por gente jovem e bem intencionada, essa geração que já marca presença nas ruas e nas redes e que agora precisa arejar as instituições, redemocratizar a democracia, reinstalar o sistema ao disputar e ganhar cadeiras no parlamento e no executivo.

Cidadãos de bem, ativistas autorais que botem pressão diária nos políticos tradicionais, revolucionem os partidos e fiscalizem com isenção e autonomia o poder público. Que a periferia ganhe protagonismo. Que a borda invada o centro. Que as minorias tenham vez e exerçam a sua devida representação. Que a nossa opinião não seja ouvida apenas entre amigos, nos grupos de whatsapp ou nos stories do instagram.

Que a gente mostre a nossa cara na sociedade e exercite no dia-a-dia a nossa cidadania. Na mídia, na política, no mercado de trabalho, na porta de casa, na escola, na família, no lazer, na cultura, no parque, na praça, na ciclovia, no transporte público, na associação do bairro, na igreja, no movimento que pede mudança na política, na entidade de defesa dos animais.

Mas entre tantas siglas e bandeiras, trinta e tantos partidos oficializados no país, por que escolher esse tal de #Cidadania23? O que essa legenda que se diz nova, no meio de tantas outras que prometem a mesma coisa, tem de diferente das demais? Qual motivo ou argumento sensato te convenceria a ingressar, a votar ou até mesmo a ser você um dos seus candidatos? Ninguém aguenta mais tanto blablablá!

Ao conhecer a Carta de Princípios desse recém-nascido #Cidadania23, uma certeza você tem: vai ler uma proposta sincera, moderna, viável e diferenciada para responder grande parte das nossas angústias diante de uma realidade global que se torna, dia a dia, mais asfixiante e desesperadora.

Esse partido-movimento surge como uma chance de se concretizar de forma coerente os ideais democráticos, da cidadania plena, da sustentabilidade e da justiça social. É uma oportunidade de se falar de igual para igual com o político que tem mandato ou com o cidadão anônimo da base, que faz a política cotidiana na sua rua, na sua comunidade.

Se aprendemos por tentativa e erro, vale apostar no que propõe essa turma originada do antigo PPS com a soma de integrantes desses novos movimentos como Agora, Livres, Acredito, Renova, RAPS e outros. Muito além de uma nova sigla, eles (nós) pretendem(os) inaugurar uma forma diferente e inovadora de ver e de fazer a política, integrada aos novos tempos e inserida nessa revolução tecnológica que transforma continuamente a sociedade.

Em linhas gerais, essa nova formatação partidária se propõe a trilhar um caminho propositivo, reformador e equidistante da atual polarização entre a velha esquerda e essa "nova" direita - que de nova não tem absolutamente nada. Reafirma seus compromissos com a cidadania, a liberdade, o humanismo, a diversidade, o meio ambiente, o estado democrático de direito e os princípios republicanos.

Não parece pouca coisa, nem uma missão fácil. Precisamos arregaçar as mangas, pisar barro e vender o nosso peixe. Mas quem disse que temos medo de dificuldades ou de cara feia dos figurões da velha política? Então, vamos em frente, trilhar este novo caminho. Sejam bem vindos cidadãos, cidadãs, cidadanistas! Por um Brasil melhor, sempre!

Mauricio Huertas, jornalista, é secretário de Comunicação do #Cidadania23 em São Paulo, líder RAPS (Rede de Ação Política pela Sustentabilidade), editor do #BlogCidadania23 e apresentador do #ProgramaDiferente.

sábado, 23 de março de 2019

O Blog do PPS se transforma no #BlogCidadania23

O Blog do PPS cumpriu até aqui o seu papel. A partir deste sábado, 23 de março de 2019, quando o PPS muda de nome e inaugura uma nova formatação partidária, propondo um novo conceito, uma nova marca e um jeito diferente de ver e de fazer a política, o bom e velho blog também deixa de existir na configuração que o conhecíamos.

Blog do PPS nunca se apresentou como veículo formal do partido, um porta-voz oficial, chapa branca. Ao contrário, sempre foi independente, bem humorado, libertário, provocador e multiplicador de ideias.

Seguiremos nessa missão: apresentar sempre um olhar crítico, isento, livre e irreverente sobre a política como ela é - e como deveria ser - nos municípios, nos estados, no país e no mundo. Com responsabilidade, liberdade, independência e compartilhando os princípios da cidadania.

Estreamos hoje o #BlogCidadania23, ou simplesmente #Cidadania23, uma plataforma multimídia no endereço Cidadania23.com e nas redes sociais.

Então, sejam bem vindos cidadãos, cidadãs, cidadanistas!

Os textos deste blog não refletem, necessariamente, a opinião oficial do #Cidadania23

Foram 4.433 dias desde o surgimento do Blog do PPS em 1º de fevereiro de 2007. Aproximadamente 4.300 postagens em mais de 12 anos de atuação ininterrupta, praticamente diária, servindo de fonte de informação com qualidade e credibilidade para filiados e simpatizantes do partido, para a própria imprensa e para uma quantidade imensurável de leitores e de seguidores nas redes sociais.

Desde o conceito lançado como #REDE23, nossos objetivos primordiais foram atingidos com sucesso em busca dessa nova forma de fazer política (que não se limita a ser "nova" ou "velha", de direita ou de esquerda, mas acima de tudo transformadora, livre, sem rabo preso e exercida de forma ética, transparente e com dignidade).

Partimos do princípio que na democracia contemporânea os partidos tradicionais não se bastam. Dependem, para fazer política, do estabelecimento e manutenção de redes de relações com outros partidos, movimentos, instituições, grupos na internet, cidadãos interessados e personalidades influentes nos temas que trabalham.

Os partidos já não conseguem (nem podem) monopolizar a política como faziam na época da circulação restrita da informação e devem assumir a postura de interlocutores dos cidadãos, da sociedade organizada e dos movimentos cívicos, co-formuladores de suas reivindicações e seus tradutores na linguagem das leis e das políticas públicas.

Missão dada é missão cumprida. Fomentamos esse movimento de discussão e mobilização em torno de causas pontuais e objetivos comuns, que abrangia outras siglas partidárias, entidades, organizações, sindicatos, associações, indivíduos politizados e grupos organizados na internet. Avançamos e chegamos até aqui.

Nestes 12 anos, alguns posts viralizaram e atingiram mais de 300 mil visualizações cada um. Fora isso, somados os mais de 100 mil seguidores diretos no Facebook, Instagram, Twitter e Youtube, além dos mais de 5 milhões de views em nosso canal de TV, interagimos com um público diário incalculável.

Pois o #BlogCidadania23 vem potencializar as ações do novo partido e integrar uma rede de parceiros como o #ProgramaDiferente, a TVFAP.net, o #Olhar23 e o portal Câmara Man, além de páginas independentes como Esquerda Democrática e Reformistas, e até perfis provocadores como Pedro Álvares Cabral e Zero à Esquerda.

Cada um do seu jeito, cada qual com a sua cara, mas com alguns objetivos em comum: principalmente a defesa da plena liberdade de expressão e de pensamento e dos princípios do estado democrático de direito.

Veja aqui dez textos que resumem de onde viemos e para onde vamos:

Cidadania, sustentabilidade e democracia

Um novo nome para um novo ser e um fazer diferente

É hora de tirar a bunda da cadeira, levantar do berço esplêndido e fazer a diferença na política

O Brasil nas mãos do meme que virou presidente

A política vive dias sombrios. Triste Brasil.

De 2013 a 2018: Qual foi o nosso aprendizado?

Conheça a Carta de Princípios do #Cidadania23

Em Congresso Extraordinário realizado neste sábado, 23 de março, em Brasília, o PPS aprovou a mudança de nome para Cidadania, ou #Cidadania23, ampliou a sua direção, indicou um calendário congressual e ainda apresentou uma Carta de Princípios da nova formação política.

Leia a Carta de Princípios:

"Nós, delegados do Partido Popular Socialista e de diversos movimentos sociais, reunidos em Brasília, deliberamos pela criação de uma nova formação partidária, nomeada Cidadania, que trata com a mesma importância as questões econômicas e sociais, e que:

– se constrói em oposição à polarização política e a favor do diálogo e da convergência;

– se compromete com o combate à pobreza e o combate às desigualdades sociais;

– defende a responsabilidade fiscal em respeito aos impostos que são fruto do trabalho dos cidadãos;

– apoia a sustentabilidade nas suas dimensões ambiental, política e econômica;

– acredita na liberdade como um direito inalienável;

– combate as diferentes formas de preconceito e discriminação;

– se compromete em construir uma cultura de solidariedade e paz;

– se dedica a promover igualdade de oportunidades para todos os que residem no Brasil, brasileiros ou não;

– tenha pluralidade como prioridade na construção dos debates e processos de deliberação do partido;

– combate o populismo e discute os problemas complexos do Brasil e do mundo com a seriedade que eles merecem;

– acredita no acesso à educação como principal vetor da cidadania;

– defende o fortalecimento das instituições democráticas;

– defende a transparência como mecanismo de controle social;

– se compromete com a redução das fronteiras físicas e políticas entre as pessoas;

– reafirma o seu compromisso em construir uma política na qual a participação cidadã inclua diferentes segmentos da sociedade, que são hoje minoritários em representação, como mulheres, negros, indígenas, LGBTI+, pessoas com deficiência e jovens.

Conclamamos todos os cidadãos, cidadãs e movimentos da sociedade civil organizada, que compartilham desses valores, a participar conosco da construção dessa nova formação partidária."

Brasília, 23 de março de 2019

Cidades burras, desumanas, segregadas, inabitáveis

A notícia que circulou nesta semana sobre as crianças de uma escola pública barradas na exposição do Mickey, no Shopping JK Iguatemi, simplesmente por serem pobres, ou negras, ou de alguma forma incômodas ao padrão de luxo almejado por esse centro de compras paulistano, expõe como vivemos tempos insanos, desumanos e como estamos falidos no quesito da civilidade.

Outro aspecto, além da óbvia solidariedade e da indignação que nos causa esse ato explícito de brutalidade, ignorância, preconceito e possivelmente racismo, é perceber como estamos construindo cidades absolutamente segregadas, inabitáveis e burras (ao contrário dos políticos, teóricos e tecnólogos que celebram frequentemente as "cidades inteligentes").

Problemas incontornáveis de mobilidade, trânsito, transporte, segurança, educação, cultura, poluição, zeladoria, tudo nessa notícia nos remete à reflexão sobre o tipo de cidade, de sociedade e de cidadãos que somos e também quais indivíduos e coletividade estamos formando a partir de lições como esta passada às crianças de regiões periféricas que se percebem tão indesejáveis e malquistas nessa metrópole hostil e segregacionista.

Segue um texto interessante e provocativo, para nos fazer pensar mais a respeito:

Restaurante de shopping representa o fracasso da humanidade

(por Marcos Nogueira, do Blog Cozinha Bruta)

Duas considerações sobre o lamentável episódio das crianças barradas na exposição do Mickey em um shopping de São Paulo

1. Baita ideia de jerico da prefeitura de Guaratinguetá. Premiar alunos carentes com visita ao playground dos ricos paulistanos é um atestado de falta de noção.

2. Graças ao incidente, as crianças tiveram uma experiência pedagógica preciosa. Saíram de casa para se divertir com o ratinho da Disney e deixaram a inocência nos bueiros da Vila Olímpia. Voltaram para casa cientes de sua posição na sociedade.

Todo shopping center é um mausoléu da civilização. O JK Iguatemi, em particular, se parece com uma tumba gigante. Um caixote de pedra branca e corredores frios, onde só falta a inscrição em baixo-relevo para avisar às gerações vindouras: “Gente, deu merda.”

O mais bizarro é que um dos pontos altos da excursão era o lanche na praça de alimentação. Qual o sentido de viajar 200 quilômetros para comer fritura e açúcar embalados no papelão com propaganda infantil?

Comer em shopping deveria ser uma conveniência. Algo como a barraca de pastel das feira: você foi fazer compras, bateu fome, a comida está ali ao lado… Virou o programa das famílias, casais e grupos de amigos que consideram o mundo aqui fora perigoso demais.

O shopping é um gueto invertido. Para evitar o convívio com os indesejáveis, a elite se tranca voluntariamente em gaiolas de luxo. Abre mão da própria liberdade para não se imiscuir.

O setor da alimentação percebeu a aversão dos abonados às calçadas, seus pombos e seus pedintes. Cada vez mais restaurantes abrem em shopping centers.

Jantar neles é uma experiência singular. Você entrega o carro blindado ao valet e caminha brevemente por uma galeria que poderia estar em Dubai ou na Flórida.

Aí entra a mágica dos arquitetos: o ambiente do restaurante é projetado para dar a ilusão de que não se está num shopping. Um simulacro de restaurante de rua, sendo que a rua real está a poucos passos dali. Demencial.

A bolha de brilho e glamour tem suas imperfeições. Uma é a lei, que garante o acesso público aos centros de compra. Outra falha é inerente ao capitalismo: é preciso faturar, e não é mole faturar com um modelo de luxo puro-sangue.

Assim, surgem as praças de alimentação. Para lá se dirige, na hora do almoço e na happy hour, a massa de recepcionistas, secretárias, contadores, cabeleireiros, motoristas, manicures e outros tipos pouco fulgurantes. Às vezes, vêm até umas excursões de escolas do interior.

Enquanto os ricos tentam fugir do povão, o povão quer sonhar com coisas que nunca vai poder comprar. Comer batata frita enquanto observa as madames engaioladas.

Para os pobres, shopping center é um zoológico de gente rica.

sexta-feira, 22 de março de 2019

PPS muda de nome neste sábado, dia 23 de março

O PPS (Partido Popular Socialista) muda de nome em congresso nacional extraordinário que será realizado neste sábado, dia 23 de março, em Brasília, passados 27 anos da sua fundação como herdeiro do antigo PCB, no ano de 1992.

O nome mais cotado é Cidadania, embora Liberdade também apareça como opção.

Essa segunda refundação da história do PCB/PPS, digamos assim, propõe mais uma vez algo que vai muito além de uma nova sigla, mas pretende também inaugurar uma forma diferente e inovadora de ver e de fazer a política, integrada aos novos tempos e inserida nessa revolução tecnológica que transforma continuamente a sociedade.

Em linhas gerais, essa nova formatação partidária se propõe a trilhar um caminho propositivo, reformador e equidistante da atual polarização entre a velha esquerda e essa "nova" direita - que de nova não tem absolutamente nada. Reafirma seus compromissos com a cidadania, a liberdade, o humanismo, a diversidade, a sustentabilidade, o estado democrático de direito e os princípios republicanos.

“É necessária a mudança porque o mundo mudou, não podemos ficar presos a certos paradigmas”, afirma Roberto Freire, presidente do PPS. "É uma construção coletiva na sociedade brasileira, aberta a quem se identifique com a política democrática, humanista e reformista que se afirmará nessa nova formação política."

“Essa mudança de nome é essencial", concorda o deputado federal Daniel Coelho (PPS/PE), líder da bancada na Câmara. "Vamos mostrar que é possível fazer um partido que atue como movimento, mais conectado com a população".

Novela do "ninguém sai, ninguém entra": Thammy e Camilo Cristófaro trocam farpas na Câmara Municipal



Em mais um capítulo da novela da saída (que não se concretizou) do vereador Camilo Cristófaro (PSB) e da posse (que também não aconteceu) de Thammy Miranda (PP), os dois protagonistas desse imblóglio se pronunciaram na tribuna da Câmara Municipal de São Paulo nesta quinta-feira, 21 de março.

Como antecipou o Câmara Man, uma liminar do ministro Edson Fachin, do TSE, reconduziu Cristófaro ao cargo e consequentemente suspendeu a posse de Thammy. Essa reviravolta inesperada causou indignação no suplente que havia sido convocado pela Mesa da Câmara.

Filho trans da cantora Gretchen, Thammy foi convidado pelo presidente da Câmara, vereador Eduardo Tuma (PSDB), a se manifestar mesmo sem assumir o cargo. Na sequência falou Camilo Cristófaro. Houve troca de farpas. Assista.

quinta-feira, 21 de março de 2019

Luciano Huck recomenda fala de Lady Gaga a Dalai Lama e prefeitos de cidades dos Estados Unidos



O #ProgramaDiferente mostra a íntegra de um vídeo com a cantora Lady Gaga e o líder religioso tibetano Dalai Lama, recomendado nesta semana pelo apresentador de TV e ativista de movimentos cívicos Luciano Huck, que exibiu um pequeno trecho nas suas redes sociais.

Para Luciano Huck, as palavras de Lady Gaga são importantes neste momento do Brasil, de ódio, violência, polarização exacerbada e enfrentamento ideológico. A conversa, que contou ainda com a participação do empresário e bilionário norte-americano Philip Anschutz e foi mediada pela jornalista Ann Cury, ocorreu durante um encontro de prefeitos de cidades dos Estados Unidos. Vale mesmo a pena acompanhar e ouvir com atenção. Assista.

Bolsominions de um lado, petistas do outro: burros, fanáticos e alienados de mãos dadas

Qual a reação dos bolsominions - aquele milicianos burros, fanáticos e alienados que infestam as redes sociais - diante da pesquisa que mostra uma queda de popularidade à moda de bêbado descendo a ladeira do presidente Jair Bolsonaro? É tudo fake news! Claro!

Eu leio nas redes (e obviamente acredito) que o Ibope é do Lula, que fez na cela em Curitiba as contas que mostram Bolsonaro com a pior avaliação de presidentes em primeiro mandato (comparando com FHC, Lula e Dilma).

Afinal, a tia do amigo da prima de uma vizinha da cozinheira da Polícia Federal que contou pro irmão do chefe do pai do amigo do meu sobrinho, e que enfim revelou o segredo para uma pessoa que eu confio muito: a culpa é dos comunistas!!! Eu já sabia!!!

É tão ridículo o governo do meme que virou presidente que ele cai sozinho, sem oposição. Afinal, qual a diferença desses bolsominions para os petistas? Nenhuma! Só atuam na mão trocada, à esquerda ou à direita, venerando seus gurus Lula e Bolsonaro. Um bando de desmiolados (mas ao menos os militantes de esquerda passavam no exame psicotécnico)!

Enfim, essa pesquisa é totalmente injusta! Eles não entrevistaram nenhum robozinho difusor do bolsonarismo nas redes sociais! Nenhum dos pesquisadores é aluno do Olavo de Carvalho, como pode? Pesquisa comprada pelo Foro de São Paulo, só pode ser! Isso a imprensa não divulga!!!

Triste Brasil de milícias ideologizadas e idiotizadas que vivem em bolhas, alheias à realidade. Vamos orar. Brasil acima de tudo, Deus acima de todos.

segunda-feira, 18 de março de 2019

A incoerência do caipira Jair Bolsonaro na liberação do visto para bajular os turistas estrangeiros

Enquanto um dos zero-qualquer-coisa, o filhote Eduardo Bolsonaro, diz sentir VERGONHA dos brasileiros no exterior, sendo repreendido até pelo pastor Silas Malafaia, figura de proa da base religiosa e fundamentalista do governo, o papai-presidente Jair Bolsonaro libera turistas dos Estados Unidos, da Austrália, do Canadá e do Japão a entrarem no Brasil sem visto.

É mais uma medida demagógica, provinciana, bajuladora e serviçal do primo pobre para os primos ricos. Uma grande bobagem, sem reciprocidade nem contrapartida proporcional.

Ou seja, o turista brasileiro segue refém da burocracia interminável para conseguir seu visto e lá fora vai continuar sofrendo o típico constrangimento nas filas de entrada como qualquer "cucaracha" desse países latinos exóticos, com a diferença que agora temos um puxa-saco assumido de Donald Trump como chefe de Estado.

Pior: será que a ministra Damares, sempre tão histericamente preocupada com o turismo sexual que ameaça nossas crianças, não acha que essa facilitação para os gringos entrarem no país sem visto pode aumentar consideravelmente o risco e a ameaça da vinda desses criminosos para o Brasil?

O que dizer desses novos inquilinos do poder e do meme que virou presidente, hein? É tanta gente despreparada batendo cabeça que chega a dar dó, além da vergonha alheia, é claro. Quanto será que dura essa palhaçada até a população brasileira perceber a m**** que fez?

Os 30 anos do Memorial da América Latina



O #ProgramaDiferente desta semana comemora os 30 anos da inauguração do Memorial da America Latina, que aconteceu no dia 18 de março de 1989, em São Paulo. A importância da obra, o papel fundamental deste espaço para a cultura brasileira e o projeto cheio de simbolismos de Oscar Niemeyer, além da história política e de lutas pela liberdade dos povos latinos. Assista.

sexta-feira, 15 de março de 2019

Pessoas de bem precisam sair às ruas AMADAS!

Vamos lutar pela liberação da posse de ALMAS no Brasil.

Facilitar o porte de livros.

Com uma população apta a disparar informações sensatas que matem a ignorância.

O nosso alvo maior deve ser a Educação.

No mundo civilizado que eu quero para os meus filhos e netos, não existe um só argumento que possa me convencer da necessidade de professores armados nas escolas.

Queremos educadores munidos de conhecimento.

Preparados para engatilhar respostas rápidas e sensatas para aniquilar as dúvidas das nossas crianças.

Com armamento tecnológico para melhorar a qualidade do ensino em sala de aula.

Prontos para reagir imediatamente a qualquer ameaça que coloque em risco a boa formação moral e intelectual dos nossos estudantes.

Nada justifica a barbárie.

Cidadãos de bem precisam andar AMADOS.

A Segurança é nosso direito. Obrigação do Estado.

Que sejam cobrados os políticos das suas responsabilidades.

Que saibamos votar em gente competente, capaz, coerente.

Políticos que façam menos arminha com as mãos e usem mais a cabeça.

Por menos demagogia, menos hipocrisia, menos ódio.

Por menos violência, menos intolerância, menos preconceito.

Por menos medo, por menos armas, por menos palavras ao vento.

Por um mundo melhor.

Por mais amor, mais humanidade, mais empatia.

Por mais justiça.

Por mais civilidade.

Pela valorização da vida.

quinta-feira, 14 de março de 2019

O #ProgramaDiferente mostra os 20 anos do Massacre de Columbine, trágica inspiração para os jovens assassinos na escola de Suzano. É urgente discutir o ódio, a violência e o desarmamento no Brasil!



É imperativo discutir a violência, a insegurança e o estatuto do desarmamento diante do discurso de ódio e do ambiente de medo em que vivemos. Por uma triste coincidência, antecipamos este programa que já estava pronto para ser exibido em 20 de abril, na data do 20º aniversário do chamado Massacre de Columbine, inspiração macabra para os dois jovens assassinos que invadiram a Escola Professor Raul Brasil, em Suzano, neste 13 de março.

O #ProgramaDiferente propõe uma reflexão sobre a segurança pública e a influência desse clima de violência sobre os jovens, tratando especialmente do registro, posse e comercialização das armas de fogo. No Brasil, a eleição de Bolsonaro recolocou na pauta do dia a revisão do chamado estatuto do desarmamento, com um movimento que na prática defende o afrouxamento das leis e das restrições. Vamos relembrar também como foi o referendo de 2005 sobre o tema, revivendo as campanhas pró e contra a liberação da venda de armas. Assista.

quarta-feira, 13 de março de 2019

Uma tragédia gritante e o silêncio dos Bolsonaros

Seis horas após o triste episódio da escola de Suzano, nenhum dos Bolsonaros, sempre tão presentes nas redes, se dignou a manifestar solidariedade aos mortos e feridos por dois jovens assassinos armados e lunáticos.

00, 01, 02 e 03 são desequilibrados, insensíveis, desumanos. Sabem cuidar do rabo alheio, da educação, da cultura, do comportamento, das crenças, mas somem em duas ocasiões: quando são suspeitos de ilegalidades e, pior, no momento de serem solidários em uma tragédia!

Só na hora de fazer arminha com os dedos eles aparecem. Até com criança no colo.

Nojo dessa corja!

Atualização, às 16h11:









Finalmente uma palavra no "diário oficial" do presidente.

Vossa Excelência, Bolsolula, o presidente demagogo, hipócrita e mitômano de duas caras

As semelhanças entre o lulismo e o bolsonarismo são gritantes e incômodas para qualquer cidadão essencialmente democrata e isento do fanatismo doentio que se instalou à direita e à esquerda. O que se observa de fora dessa polarização - por uma minoria imune às paixões cegas, minimamente racional e consciente - é a total indigência política, intelectual e moral instituída por esses dois movimentos interdependentes que vivem cada qual em sua bolha ideologizada e idiotizada, mas ambos com os mesmíssimos vícios, radicalismos, ódios, preconceitos e intolerâncias.

As duas bolhas vivenciam suas realidades paralelas e espelhadas, as duas atreladas a falsos mito que, o tempo revela, mostram-se verdadeiros mitômanos. Lula e Bolsonaro são as duas faces da mesma moeda desvalorizada da velha política, mas que insiste em monopolizar o mercado do voto. Como um deles já declarou, embora os dois ajam e pensem de forma idêntica e necessária para manter unidas as suas hordas de fanáticos e milicianos virtuais: "Eu não sou um ser humano, sou uma ideia". Verdade. Duas ideias de jerico.

Pausa para respirar e refletir, com a convicção de que não sou dono da verdade. Ao contrário, faço parte de uma minoria que se propõe em vão - até quando? - a fugir dessa polarização. Assim, feita a abertura desse texto provocativo à maioria dos brasileiros, tendo em vista o resultado das eleições mais recentes que me provam que sou uma voz quase isolada e inexpressiva ante a maioria de bolsonaristas e lulistas, seguirei - se me permitirem - no meu raciocínio anti-Lula e anti-Bolsonaro.

Um minutinho para a palavra do Excelentíssimo Sr. Presidente da República:
1. Diante das ameaças à soberania nacional, da precariedade avassaladora da segurança pública, do desrespeito aos mais velhos e do desalento dos mais jovens; diante do impasse econômico, social e moral do país, a sociedade brasileira escolheu mudar e começou, ela mesma, a promover a mudança necessária. Foi para isso que o povo brasileiro me elegeu Presidente da República: para mudar. 
2. Durante a campanha não fizemos nenhuma promessa absurda. O que nós dizíamos, eu vou repetir agora, é que nós iremos recuperar a dignidade do povo brasileiro. Recuperar a sua auto-estima e gastar cada centavo que tivermos que gastar na perspectiva de melhorar as condições de vida de mulheres, homens e crianças que necessitam do Estado brasileiro. 
3. Para repor o Brasil no caminho do crescimento, que gere os postos de trabalho tão necessários, carecemos de um autêntico pacto social pelas mudança e de uma aliança que entrelace objetivamente o trabalho e o capital produtivo, geradores da riqueza fundamental da nação, de modo a que o Brasil supere a estagnação atual e para que o país volte a navegar no mar aberto do desenvolvimento econômico e social. 
4. O pacto social será, igualmente, decisivo para viabilizar as reformas que a sociedade brasileira reclama e que eu me comprometi a fazer: a reforma da Previdência, reforma tributária, reforma política e da legislação trabalhista, além da própria reforma agrária. Esse conjunto de reformas vai impulsionar um novo ciclo do desenvolvimento nacional.
5. Meus agradecimentos à imprensa, que tanto perturbou a minha tranquilidade nessa campanha, sem a qual a gente não consolidaria a democracia no país. Meu abraço aos deputados, aos senadores, meu abraço aos convidados estrangeiros, dizendo a vocês que, com muita humildade, eu não vacilarei em pedir a cada um de vocês, me ajudem a governar, porque a responsabilidade não é apenas minha, é nossa, do povo brasileiro que me colocou aqui."
Uma perguntinha: você é capaz de identificar o autor desses trechos tirados de discursos presidenciais e reproduzidos acima? Quer fazer uma aposta? O que, na sua opinião, parece ter sido pronunciado por Bolsonaro? Algo tem a cara da Dilma? Ou um toque de Temer? Pode existir algum trecho do Lula? Você arrisca? Talvez tirando o último trecho, com um improvável elogio à imprensa, você diria que o presidente Jair Bolsonaro pode ter pensado tudo isso que aí está? Mas você concorda com o conteúdo?

Pois saiba que todos esses são trechos dos discursos de posse de Lula como Presidente da República em 2003, parte proferida no Palácio do Planalto, outra parte no Congresso Nacional. E lá se vão 16 anos. Depois disso já tivemos a reeleição de Lula em 2006; a eleição e reeleição de Dilma em 2010 e 2014; a posse de Temer após o impeachment em 2016; a eleição de Bolsonaro em 2018 e a sua posse em 2019... e tudo continua irritantemente atual.

Poderia pinçar falas de Dilma e de Temer, ou as promessas de Bolsonaro, ou como cada um dizia que mudaria a política, inovaria na forma de governar e não repetiria os mesmos vícios dos antecessores. Como Lula e Bolsonaro se comprometeram a fazer as reformas. Como Lula e Bolsonaro juraram combater a corrupção, o toma lá dá cá e o fisiologismo partidário. E como PMDB, PT e agora o PSL se tornaram, respectivamente, os maiores partidos brasileiros.

Ainda que em lados distintos, tudo é sempre muito igual. Todos parecem farinha do mesmo saco. A demagogia, a incoerência e a hipocrisia imperam! Do surgimento do PMDB com a chamada Nova República até a fabricação do salvador da Pátria da vez, este que no momento (des)governa o Brasil pelo twitter, um meme que virou presidente, ouvimos as mesmas palavras repetidas. Parodiando a canção da Legião Urbana, "mas quais são as palavras que nunca são ditas?".

Ouvimos Sarney, Collor, Itamar, FHC, Lula, Dilma, Temer, Bolsonaro. Palavras... Mas o fato concreto é que um ciclo se encerra, iniciado no festejado ponto final dos 21 anos de ditadura e, feito um círculo vicioso, retrocedendo cinco décadas para uma possível (Deus nos livre!) interrupção desta nossa jovem democracia com a retomada do poder pelos saudosos daquela decrépita ditadura. O perigo é iminente. Só não vê quem não quer.

O problema é que o fracasso da esquerda democrática no imaginário popular - muito em razão da frustração com a falsa esperança que nos deram Lula e Dilma e que acabaram nos levando para o buraco - ressuscitou tudo aquilo que parecia enterrado nesses 35 anos de reabertura democrática, de consolidação do estado de direito e do amadurecimento dos princípios republicanos. Enfim, o que nos parecia um círculo virtuoso desmoronou nas nossas cabeças. Mas a saída para o novo não virá pelos extremos. O choque de realidade exige uma resposta equilibrada, sensata, coerente. Temos alguma?

Para concluir, mais palavras tiradas do discurso de um líder político: "A verdade não tem valor enquanto houver a ausência da vontade indomável de transformar essa percepção em ação!". Dica: quem disse isso foi um verdadeiro calhorda, ser repugnante, asqueroso. Lula? Bolsonaro? Não! Adolf Hitler. Resumindo: Falar, até papagaio fala. Não precisamos apenas de palavras, necessitamos de ações. À direita e à esquerda temos muita demagogia, hipocrisia, mitomania. Então, olhos abertos, ouvidos atentos e, vacinados contra esses canalhas de duas caras, sigamos em frente!

Mauricio Huertas, jornalista, é secretário de Comunicação do PPS/SP, líder RAPS (Rede de Ação Política pela Sustentabilidade), editor do Blog do PPS e apresentador do #ProgramaDiferente; em artigo inédito para a página Reformistas.

terça-feira, 12 de março de 2019

Marielle Franco no #ProgramaDiferente: Um ano de um crime sem solução; um ano de vergonha para o Brasil. Enfim os suspeitos estão presos: um deles é vizinho do presidente Jair Bolsonaro. Quem diria, hein?



Dois dias antes do crime completar um ano, eis que dois PMs suspeitos são presos. Há outros. Logo cedo nesta terça-feira, 12 de março, foram presos Ronnie Lessa, 48 anos, policial reformado, acusado de atirar na vereadora, e Élcio Vieira de Queiroz, de 46 anos. Um deles é vizinho do presidente Jair Bolsonaro. Que mundo pequeno esse, Jesus!

Rio de Janeiro, 14 de março de 2018. Há um ano, a vereadora carioca Marielle Franco e seu motorista Anderson Gomes eram covardemente assassinados. Passado todo esse tempo, com idas e vindas nas investigações e uma óbvia manipulação para preservar a identidade dos assassinos, o crime permanece sem solução. Uma vergonha para o Brasil.

Quem matou Marielle? Há seis meses, na passagem do Dia Internacional da Democracia, em 15 de setembro, #ProgramaDiferente já registrava essa inaceitável omissão e incapacidade do poder público de apontar e punir os culpados. É março de 2019. Será que agora vão apontar e punir os verdadeiros culpados?

A diferença neste um ano é que, se pensavam em calar a voz de Marielle na bala, se deram mal. Hoje ela é o maior símbolo dessa pauta política da mulher negra, jovem, favelada, feminista, lésbica. As causas que Marielle defendia ganharam muito mais repercussão. Vale reproduzir aquele programa de seis meses atrás. Assista.

segunda-feira, 11 de março de 2019

Bolsonaro é uma ameaça diária à nossa democracia!

Se não bastassem toda a inépcia, o despreparo e a irresponsabilidade de Jair Bolsonaro ao (des)governar o Brasil pelo twitter, ele segue cometendo abusos e ilegalidades.

Depois do vexatório episódio do vídeo escatológico do Carnaval e da anti-propaganda do País no mundo, protagonizada por esse meme que virou presidente, agora ele passou a atacar a honra e a dignidade de profissionais da imprensa.

De ontem para hoje, Bolsonaro, seus filhos e a corja de fanáticos e malucos atacam nominalmente uma jornalista do Estadão a partir de um boato mentiroso contra ela e, mais grave, estendendo a agressão ao pai, jornalista de O Globo que denuncia as milícias. Inaceitável!

Essas figuras deploráveis, Jair Bolsonaro à frente, atuam no esgoto da política! São uma ameaça diária à nossa democracia e às nossas instituições. São inconsequentes, são levianos, são desajuizados. O Brasil não pode ficar nas mãos desse tipo de gente!

Mas o que fazer? Um eventual impeachment para a posse do vice? A convocação de novas eleições? Você imagina uma situação dessas? De todo modo é preciso encontrar uma solução consensual que preserve a estabilidade e recupere o bom senso e a sanidade mental do País.

Segunda-feira de caos na cidade de São Paulo

Início de semana caótico em São Paulo. Diversos bairros alagados, avenidas interditadas, famílias ilhadas, deslizamentos, prejuízos incalculáveis, rodízio de veículos suspenso.

O prefeito Bruno Covas (PSDB), que não vive momento de grande popularidade, também não deu muita sorte: tirou uma semana de licença sem prever esse caos e será substituído (se não suspender a licença, o que já é cogitado) à frente da Prefeitura pelo presidente da Câmara Municipal, vereador Eduardo Tuma (PSDB).

sábado, 9 de março de 2019

Dois meses e já se cogita até o impeachment

"A estupidez cotidiana de Bolsonaro, a ausência absoluta de modos, a imoralidade intrínseca à sua personalidade, a violência que estimula, os ataques que desfere ao ordenamento jurídico  - diretamente ou por intermédio dos ministros ridículos que nomeou - e a perigosa permissividade que concede aos filhos para a usurpação de poderes".

Todos esses seriam motivos para já se cogitar até mesmo o afastamento do presidente da República, nas palavras do conceituado advogado Luís Francisco Carvalho Filho, embora ele próprio defina que "é cedo para impeachment"

"Mas se desperdiçar o acervo de confiabilidade que o processo eleitoral ainda lhe concede será enxotado do Palácio do Planalto, inclusive pelo mercado, como a mais repugnante liderança da história brasileira", conclui.

Vale a leitura do artigo na íntegra:

É cedo para impeachment

Jair Bolsonaro cultiva o próprio apodrecimento político

Para o afastamento do presidente da República não basta o crime de responsabilidade. Além da figura típica da Lei 1.079/50, fator determinante é a perda do apoio político. O processo de impeachment é complexo e exige quóruns elevados de votação no Congresso Nacional.

O presidente Jair Bolsonaro ainda tem muita lenha para queimar antes de o presidente da Câmara dos Deputados cogitar um processo.

Dilma Rousseff reclamava que Fernando Henrique Cardoso e Lula também promoveram as chamadas pedaladas fiscais, mas não foram julgados. Pode até ser verdade, mas a base parlamentar protegia os mandatos de seus antecessores em períodos de impopularidade. Collor também caiu por causa do ruído das ruas e do desgaste partidário.

Jair Bolsonaro flerta com o crime de responsabilidade desde que assumiu a Presidência da República, principalmente com o delito de "proceder de modo incompatível com a dignidade, a honra e o decoro do cargo".

É por isso que o vice-presidente, hábil, sem praticar até aqui atos de infidelidade, apresenta-se sempre como o personagem equilibrado de um governo insensato e sem direção, corrigindo pronunciamentos impróprios e explicando gestos esdrúxulos.

A definição do crime de responsabilidade é suficientemente ampla e imprecisa para alcançar a estupidez cotidiana de Bolsonaro, a ausência absoluta de modos, a imoralidade intrínseca à sua personalidade, a violência que estimula, os ataques que desfere, diretamente ou por intermédio dos ministros ridículos que nomeou, ao ordenamento jurídico (Constituição, leis e tratados internacionais) e a perigosa permissividade que concede aos filhos para a usurpação de poderes.

É gigantesca a força do Executivo pela quantidade de recursos, benesses e cargos que gerencia. O êxito econômico praticamente assegura a reeleição, qualquer que seja a sua linha ideológica.

O afastamento constitucional de um presidente eleito, além de traumático para o país, pela frustração que gera, é difícil de articular. Por isso, governantes histriônicos como Donald Trump e Jair Bolsonaro são capazes de sobreviver a eventuais tormentas.

É necessária a combinação fulminante de três fatores --o delito, a desmoralização e o isolamento. A favor de Bolsonaro, há a falta de credibilidade das lideranças alternativas.

O impeachment é a solução constitucional para a incapacidade de governar no regime presidencialista. Faz parte do jogo democrático. O PT tentou o afastamento de FHC, assim como tucanos defenderam o afastamento de Lula.

Diferentemente de Collor e por diversos motivos, o PT aparenta ser vitorioso na construção da narrativa de um suposto golpe depois da queda de Dilma. Collor não passava de um aventureiro. Caiu sozinho e pronto. Havia reserva política para as disputas futuras. Michel Temer assumiu depois do naufrágio moral do PT, mas não deu conta do recado. Também se deixou levar pelo vendaval da Lava Jato, mergulhando o país na crise que culminaria na escolha popular de mais um aventureiro.

Jair Bolsonaro tem a possibilidade de realizar uma reforma da Previdência, ainda que o projeto ideal seja desfigurado, e ganhar fôlego para a retomada do crescimento econômico. Mas se desperdiçar o acervo de confiabilidade que o processo eleitoral ainda lhe concede será enxotado do Palácio do Planalto, inclusive pelo mercado, como a mais repugnante liderança da história brasileira.

Luís Francisco Carvalho Filho é advogado criminal e colunista da Folha de S. Paulo; presidiu a Comissão Especial de Mortos e Desaparecidos Políticos (2001- 2004). 

sexta-feira, 8 de março de 2019

Tirem as crianças da sala, Bolsonaro chegou!

Ele só pensa NAQUILO! Diante da incompetência para governar e da incapacidade de encontrar coisa mais produtiva para fazer, o inepto presidente Jair Bolsonaro retoma suas velhas bandeiras populistas, retrógradas, hipócritas e preconceituosas.

O meme que virou presidente atua como caricatura de si mesmo e segue em uma campanha extemporânea e virulenta contra inimigos reais e imaginários. O sexo, principalmente, é ideia fixa!

Das supostas mamadeiras de piroca (perdoe o termo chulo, mas diante deste presidente escatológico é literalmente assunto de criança), entre outras fake news que mobilizaram seus apoiadores de campanha, até o infeliz, deplorável e já mundialmente famoso compartilhamento do vídeo do Carnaval (nosso Golden Shower Gate, a versão "brasileirinhas" para o Watergate), Bolsonaro não cansa de passar vergonha e de constranger a parte civilizada do País.

Se não bastasse, incansável, cometeu mais tolices na tarde desta quinta-feira, 7 de março, ao retomar suas "lives" nas redes sociais: entre outras propostas demagógicas, como anunciar que vai proibir a instalação de lombadas eletrônicas ("fábricas de multas"), ele simplesmente recomendou que pais e mães rasguem as páginas ilustradas de uma cartilha de saúde do governo federal para os adolescentes.

Como de praxe, ele mesmo apresenta as imagens que em tese o incomodam, como fez com o vídeo do bloco carnavalesco e com o livrinho do dedo colocado no lugar dos órgãos sexuais dos personagens, na sua participação no Jornal Nacional, durante a campanha. Dessa vez ele ataca a tal cartilha federal, identificada errônea e propositalmente como "carteira de vacinação", para alarmar os "cidadãos de bem" e a "família brasileira".

O que na visão ideologizada de Bolsonaro e de seus seguidores descerebrados é apontado como pornografia e ameaça à formação das crianças, nada mais é do que orientação didática sobre prevenção às doenças sexualmente transmissíveis e à gravidez indesejada. Ou seja, assuntos que são abominados pela mentalidade distorcida desses novos inquilinos do poder. Tirem as crianças da sala!

Em vez de censurar o debate civilizado, restringir o acesso  à informação, imiscuir-se na intimidade das pessoas, ver fantasmas aonde não existem e reprimir direitos individuais e liberdades coletivas, o presidente da República poderia se ater às responsabilidades para as quais ele foi eleito. Do contrário, interditados não devem ser os temas que lhe desagradam, mas o próprio presidente. Para o bem do Brasil!


Veja também:

Uma historinha infantil para qualquer um começar a entender o Brasil: Presidente Pateta e seus três Patetinhas no #ProgramaDiferente

Conheça e assista a série "É verdade esse bilete. Assinado: Damares" no #ProgramaDiferente

quinta-feira, 7 de março de 2019

#ProgramaDiferente: Mulheres no Poder!



O #ProgramaDiferente que celebra o Dia Internacional da Mulher, neste 8 de março, é sobre o empoderamento feminino, ainda que isso atualmente soe como um clichê. As mulheres são maioria, mas continuam sendo tratadas como minoria. Então, sempre é tempo de aprender a tratar a mulher com respeito e igualdade.

Lembramos de mulheres pioneiras na política, como a dama-de-ferro Margaret Thatcher, primeira-ministra do Reino Unido; Indira Gandhi, primeira-ministra da Índia; e Golda Meir, primeira-ministra de Israel. Destacamos ainda mulheres da atualidade, com um poder de atuação que não se limita à política, como Michelle Obama e Malala, a jovem ativista paquistanesa que ganhou merecidamente o Prêmio Nobel da Paz.

Aqui, preconceito, machismo e misoginia passam longe. Mulheres no Poder! Assista.