domingo, 17 de junho de 2007

Elio Gaspari: Por trás do ´Arruma dois pau pra eu´

Outro artigo interessante da Folha deste domingo é de Elio Gaspari: "Vavá está sendo linchado", afirma. "O homem do ´arruma dois pau pra eu´ é o biombo. Querem a jugular de Lula, o dos 60 milhões de votos."

Leia:

Genival Inácio da Silva, o Vavá, está sendo covardemente linchado porque é irmão do presidente da República. Ele é acusado de tráfico de influência sem que até hoje tenha aparecido um só nome de servidor público junto ao qual tenha traficado qualquer pleito que envolvesse dinheiro do erário.

Um fazendeiro paulista metido numa querela de terras queria reverter uma decisão unânime do Superior Tribunal de Justiça. Vavá recomendou-lhe um advogado. Isso não é tráfico de coisa alguma. Um empreiteiro queria obras e encontrou-se com ele num restaurante. Ninguém responde se Vavá conseguiu favorecer esse ou qualquer outro empreiteiro.

A divulgação cavilosa e homeopática de trechos de gravações telefônicas envolvendo parentes de Nosso Guia tornou-se um processo intimidatório e difamador capaz de fazer corar generais do Serviço Nacional de Informações, o SNI da ditadura. No caso de Vavá, as suspeitas jogadas até agora no ventilador não guardam nexo com os fatos. Não há proporção entre as acusações que lhe fazem e o grau de exposição a que foi deliberadamente submetido.

A Polícia Federal vasculhou sua casa (um imóvel de classe média em São Bernardo do Campo). A diligência foi apresentada como parte de uma Operação Xeque-Mate, destinada a desbaratar uma quadrilha envolvida em contrabando, tráfico de drogas e máquinas caça-níqueis. Não era pouca coisa. Pelo que se sabe até agora, coletaram cinco papéis. Entre eles, duas cartas que não foram entregues. Vavá tentou alavancar dois casos com empresas privadas (Vale e CSN). Nenhum dos pleitos chegou à direção das companhias.

Os grampos policiais estabeleceram um vínculo entre Vavá e dois mercadores de casas de jogo e atravessadores de negócios. Um deles, Nilton Servo, ameaçou "trucidar" a família de um desafeto. O outro, Dario Morelli, compadre de Lula, julgava-se protegido pelas suas amizades e disse que a polícia pensaria "duas vezes em fazer qualquer coisa". Foi preso. Os dois planejavam maracutaias e contavam com a ajuda do irmão do presidente, a quem dizem ter dado algo como R$ 15 mil nos últimos meses. Nas palavras de Servo, "o Vavá é para ser usado".

Numa conversa, Vavá fez-lhe um pedido: "Ô, arruma dois pau pra eu?"

Lula tem 15 irmãos e algo como cem parentes. Desde que Tomé de Souza chegou a Salvador, nenhuma família de governante teve tão poucas relações com o Estado como a dos Silva. Mais: nenhuma veio de origem tão modesta e continuou a viver em padrões tão modestos. (Noves fora o Lulinha da Gamecorp.)

Vavá meteu-se por sua conta e risco com os negócios de Servo e do compadre Morelli. Desqualificá-lo por lambari, deseducado ou pé-de-chinelo é parte do linchamento. Ele é um cidadão, ponto. Seus atos vêm sendo investigados e serão levados à apreciação da Justiça. Podia ser membro da Academia Brasileira de Letras, dava na mesma. Antes da conclusão do inquérito policial, Vavá foi irremediavelmente satanizado a partir de indícios, suspeitas e manipulações. Seu linchamento não busca o cidadão metido com vigaristas. Busca a jugular do irmão.

Durante a última campanha eleitoral, quando o comissariado petista chafurdou na compra de um dossiê contra os tucanos, demonizou-se a figura de Freud Godoy, um assessor de Lula, conviva de sua panelinha. Durante três dias ele pareceu encarnar toda a corrupção nacional. Freud foi arrolado em dois processos, um criminal e outro eleitoral. Dizer que foi inocentado é pouco. Ele nem sequer foi indiciado.

O pessoal do século 21 sabe que Jimmy Carter é um ex-presidente dos Estados Unidos (1977-1981), Prêmio Nobel da Paz de 2002. Passará para a história como um exemplo de retidão. Isso agora. Quando estava na Casa Branca, Carter foi atazanado pela exposição de seu irmão Billy, caipira alcoólatra que se tornou lobista (registrado) do governo líbio. Criou-se o neologismo Billygate. Morreu em 1988, aos 51 anos, falido. Virou poeira da História.

Ninguém quer a jugular de Vavá, como não se queria a de Billy Carter. O negócio é outro.

sábado, 16 de junho de 2007

Luís Mir lança livro "Partido de Deus" em São Paulo

"O PT é a maior invenção político-religiosa do Brasil", afirma Luís Mir, militante comunista há 30 anos, historiador e pesquisador médico, catarinense de Joinville.

É autor de três livros: “A Revolução Impossível” (Best Seller, 1994), “Guerra Civil” (Geração, 2004) e “Partido de Deus – Fé, Poder e Política” (Editora Alaúde), que será lançado em São Paulo nesta segunda-feira (18/6), às 19h, na Livraria Cultura (Conjunto Nacional, Av. Paulista, 2073).

O que é a CNBB? Quais eram os seus ideais cristãos de amparo e emancipação dos necessitados? Por que propôs um projeto transformador que nada mais é que institucionalizar a pobreza? A criação do PT como braço político da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil. A articulação entre a Teologia da Libertação, os bispos brasileiros e o recrutamento nos sindicatos paulistas.

Nesta obra, Mir retrata a influência da Igreja Católica no Brasil e na criação do Partido dos Trabalhadores.

"O PT é um projeto salvacionista, político-religioso e herdeiro da Ação Católica. A Igreja Católica começa a perder o seu rebanho a partir da década de 1970. E a CNBB acreditava que poderia reconquistar o monopólio religioso através de uma ação político-pastoral", afirma Luís Mir.

"As Comunidades Eclesiais de Base se estabeleceram nas periferias, nas áreas mais pobres, discutindo assistência à saúde e serviços sociais. Essa forte presença política criou um fato novo no Brasil, os movimentos sociais religiosos. E esses movimentos sociais se transformaram em movimentos políticos. Isso desaguou na Pastoral Operária, nas lutas sindicais do ABC. O passo natural foi organizar esses movimentos num partido político, o PT. A CNBB tinha um modelo, o Solidariedade, da Polônia."

O autor diz ainda que o PT é um projeto político de sucesso, mas, desde o princípio, condenado ao fracasso.

"O projeto do PT não é social-democrata puro, reformista. É salvacionista. Vende a redenção. Ele não se harmoniza com uma realidade laica e republicana. É contra a pílula anticoncepcional, a biotecnologia e o progresso. É um projeto da civilização da pobreza, ou seja, dar condições de subsistência para que os pobres e miseráveis se mantenham. Mas em nenhum momento é um projeto reformista, avançado e civilizador. O Fome Zero é um programa religioso, que distribui pão. O PT seguiu religiosamente o projeto econômico do governo anterior porque não tinha projeto. Nem sequer tinha quadros. Foi obrigado a buscar pessoas em outros partidos e em estatais para poder administrar. Os dois projetos, o do Estado e o da CNBB, se chocaram e fracassaram."

O PT tem futuro? "O PT já acabou. É um cadáver insepulto."

Para saber mais, só lendo o livro. Agradecemos pelo convite e estaremos no lançamento. Em breve, o Blog do PPS/SP publicará uma entrevista com Luís Mir.

sexta-feira, 15 de junho de 2007

Martalice no País das Maravilhas...

Assista aqui.

Se quiser ver um ladrão em ação, vá à Câmara

O que? Ver ladrão na Câmara? Como assim?

Pelo menos é o que diz o site oficial da Câmara Municipal de São Paulo. Está lá: quer ver um ladrão bem sucedido em ação, vá ao parlamento paulistano. É o destaque desta semana.

Uai! Assim também já é demais! Não faz muito tempo que vereadores paulistanos foram presos (inclusive uns estão de volta à política), mas diz que a polícia já soube e está correndo atrás dos bandidos.

Melhor reler a informação.

Vejamos: "Ladrão de Diamantes" na Câmara... Ops, filme de ação é destaque na programação deste domingo e será exibido a partir das 11h30.

Ahhhhhhhhhhh, bom! É cinema.

Mas que título sugestivo, hein, para um cineminha em pleno Legislativo paulistano!

"Ladrão de Diamantes" (EUA, 2004) é um filme de ação, dirigido por Brett Ratner, que traz, entre outros, os atores Pierce Brosnan, Woody Harrelson, Salma Hayek e Don Cheadle no elenco.

No filme, o criminoso Max Burdett (Pierce Brosnan) decide curtir sua aposentadoria em uma ilha paradisíaca, depois de um roubo muito bem-sucedido. Seu plano é deixar o mundo do crime e aproveitar a vida ao lado de sua namorada Lola (Salma Hayek).

O propósito de Max é ameaçado, no entanto, pelo agente do FBI, Santley P. Lloyd (Woody Harrelson). O policial persegue o criminoso há muito tempo e parte para a mesma ilha, onde tem início um jogo entre os dois. O filme tem duração de 100 minutos.


Dizem que é uma programação de lazer e de cultura especialmente destinada à terceira idade. Além de cinema tem dança de salão, leitura e jogos de dominó, dama e baralho.

Xadrez não tem na Câmara? Por que? Os vereadores não gostam?

Globo desmonta versão de Renan Calheiros

O Jornal Nacional provou ontem por A + B que a defesa do senador Renan Calheiros (PMDB-AL) é um queijo suiço: cheia de furos. Notas frias, empresas de fachada, sócios laranjas, números superfaturados, informações que não batem. Assista.

Todos já davam como certo o arquivamento do processo, no qual o peemedebista é acusado de quebra de decoro parlamentar. A expectativa da oposição, no entanto, é que as denúncias divulgadas pela Rede Globo influenciem senadores a darem continuidade ao processo, sem o arquivamento do caso hoje, como previsto.

Alheio a tudo isso, o senador Epitácio Cafeteira (PTB-MA), relator do processo no Conselho de Ética, disse que não vai alterar seu relatório que absolve o presidente do Senado.

"Não tenho que mudar meu relatório sobre uma coisa anterior. Meu relatório é sobre uma coisa antiga. De qualquer maneira, deixa um grau de dúvida", disse. "Acho que pelo menos a denúncia deve ser examinada".

Renan é acusado de quebra de decoro parlamentar por supostamente ter usado o lobista Cláudio Gontijo, da construtora Mendes Júnior, para pagar pensão e aluguel à jornalista Mônica Veloso, com quem tem uma filha.

quinta-feira, 14 de junho de 2007

"De novo! De novo!", repete o teletubbie Trustee

Bicho papão, mula sem cabeça, boi da cara preta, homem do saco... Nada disso parece mais aterrorizador para uma criança do que os teletubbies. Invenção da BBC de Londres para ser um programa cultural dedicado a crianças de 2 a 5 anos de idade, virou um sucesso retumbante em mais de 20 países.

"De novo! De novo!" parece ser a única frase inteligível dos teletubbies, esses seres indecifráveis e insuportáveis.

Os teletubbies conhecidos eram quatro: Tinky Winky, Dipsy, Laa-laa e Po. O primeiro, aliás, sempre foi considerado "suspeito", por ser lilás, carregar uma bolsa vermelha e o símbolo triangular do movimento gay na cabeça. Suspeição à parte, surge um novo teletubbie: o Trustee.

Trustee Mangabeira. De novo! Este também é suspeito. De novo! É só o que se ouve falar. De novo! Vai tomar posse amanhã... De novo!

Ao menos aprendemos um termo do vocabulário jurídico como "trustee", que é uma espécie de agente de confiança comercial. Ficamos sabendo que Mangabeira Unger atuou como consultor e trustee da Brasil Telecom (BrT), quando era controlada pelo Banco Opportunity.

Ok, você ainda não entendeu o que é um trustee. Nem eu. Mas basta saber que Mangabeira recebeu cerca de US$ 2 milhões (!!!) como trustee para gerenciar as ações judiciais da Brasil Telecom contra a Telecom Italia e os fundos de pensão.

"De novo! De novo!"

Desta forma, a essência do seriado é o (des)prazer evidente que o telespectador têm de assistir as coisas duas ou mais vezes.

O governo Lula é o pai dos teletubbies. O episódio do trustee Mangabeira é só mais uma de suas repetições constantes. A imprensa noticia que Mangabeira vai ser ministro! De novo! E avisa que a posse foi adiada. De novo!

E o Brasil, feito as crianças apopléticas que ficam paradas na frente da TV, assiste a um seriado em que só acontecem coisas repetidas, em que tudo é mostrado inúmeras vezes. Da posse do ministro aos casos de corrupção.

Os teletubbies repetem, repetem e repetem as suas mensagens subliminares de forma tão insistente que criaram um limbo temporal. A humanidade ficará eternamente presa à era Lula. Nunca antes neste país se viu tamanha hipnose. O episódio da reeleição foi uma pequena amostra. O eleitorado - em transe - repetiu: "De novo! De novo!".

E de novo diz-se que complicou a nomeação de Mangabeira Unger para um cargo de ministro no governo Lula.

Agora é uma carta de Mangabeira, em que o trustee e ex-futuro ministro (ou futuro ex-ministro) dá a entender, na avaliação de assessores do presidente Lula, que praticaria, no cargo de ministro, tráfico de influência, uma vez que ele admite que sua presença no Brasil geraria benefícios ao "Trust" (o empregador do trustee), ou seja, à Brasil Telecom.

Diz trecho da carta: "(...) o professor acredita que disporá do tempo necessário para se desincumbir de suas responsabilidades como Curador e que, de fato, suas permanências mais freqüentes no Brasil poderão ecoar em benefício do 'Trust'."

O jornal Valor Econômico de hoje revela que a carta irritou a cúpula do governo por duas razões. Primeiro, por causa do desejo de Mangabeira Unger de permanecer como trustee da BrT, uma decisão que contraria exigência feita pelo Palácio do Planalto para que ele assuma o cargo de ministro. Além disso, provocou forte estranhamento, no governo, o fato de ele ter dado a entender, na carta ao juiz americano, que sua presença no governo de alguma forma ajudaria a BrT.

As idas e vindas do professor também irritaram o presidente Lula. Mangabeira, lembra o jornal, foi convidado a assumir o cargo de ministro no dia 20 de abril. Ele pediu um tempo para se licenciar de Harvard e, dez dias depois, entrou com ação na Justiça americana contra a BrT, exigindo direitos que lhe teriam sido negados nos últimos dois anos. A ação incomodou o governo porque três fundos de pensão ligados a empresas estatais são acionistas da BrT.

De concreto, mesmo, até agora, só a mudança do nome da Pasta: passou a ser Secretaria Especial de Planejamento Estratégico (Seple) em vez de Secretaria Especial de Ações de Longo Prazo (Sealopra). Por que será?

Leia aqui mais sobre Mangabeira. De novo! De novo!

PPS/SP já tem mais de 40 pré-candidatos a prefeito

O PPS/SP já se organiza para as eleições de 2008, revitalizando seus diretórios municipais e zonais, e lançando pré-candidaturas competitivas em todo o estado, como é o caso de Mauro Menuchi (Jundiaí), Rubinelli (Mauá), Lair da Apae (Ribeirão Pires), Manente (São Bernardo) e Edna Flor (Araçatuba).

Isso sem contar os municípios já administrados pelo PPS, onde os prefeitos podem se reeleger (por exemplo, Juan Pons Garcia, em São Sebastião) ou fazer seu sucessor (como Edinho Araújo, reeleito prefeito de Rio Preto em 2004).

Veja no site estadual a relação de mais de 40 pré-candidatos do PPS/SP às prefeituras municipais.

quarta-feira, 13 de junho de 2007

Cara de um, focinho de outro

Eles só pensam naquilo! É uma mistura de prazer com poder (à moda antiga, como naqueles letreiros das antigas pharmácias).

Primeiro foi Lula, que não se fez de rogado e revelou na visita do presidente Bush ao Brasil que "estamos andando com muita solidez para encontramos o chamado Ponto G, para fazermos alguma coisa.”

Depreende-se da revelação lulista, com um certo esforço, que Brasil e EUA estariam buscando ativamente o máximo de satisfação mútua, ou seja, a realização para ambos de seus interesses do ponto de vista comercial e geopolítico.

Agora foi Marta Suplicy, que é sexóloga e está ministra, quem apelou, à imagem e semelhança de Lula, ao orientar os turistas que enfrentam filas nos aeroportos: "Relaxa e goza". (assista)

Marta ainda comparou o sofrimento nas filas dos aeroportos às dores do parto. "Isso é igual a parto. Depois esquece tudo."

Ponto G? Relaxa e goza? Parto? Isso é uma violência contra o bom senso e a inteligência do cidadão brasileiro. Um estupro! (Mas, como diria aquele famoso aliado de Lula e Marta, "estupra, mas não mata!" - ou não Marta, numa variação eleitoral)

Esses aqui estão nos matando: de vergonha! Mais uma frase para os anais do governo Lula (anais no sentido de registro dos principais acontecimentos do ano, por favor). A "antologia" da política brasileira está completa, formada por todas as antas petistas.

O mar não está para peixe: Lula e seus lambaris

Segundo Lula e suas matáforas, a PF se preparava para encontrar um cardume de pintados e acabou arrastando na rede, meio sem querer, um peixe pequeno: "O Vavá, nessa história, me parece mais um lambari que foi pego", compara Lula. "Qual é a vantagem? É um lambari especial porque é irmão do presidente."

Lula acrescentou: "Se vocês conhecerem o Vavá, ele está mais para ingênuo do que para lobista."

É verdade. Tudo isso só leva a crer uma coisa: da família, o único que não pode alegar nem ingenuidade, nem inocência, é Lula.

Tanto Genival Inácio da Silva, o Vavá, como José Ferreira da Silva, o "Frei" Chico, parecem ser gente do bem. O primeiro, talvez um pouco mais deslumbrado com o irmão presidente, disposto a faturar "uns dois pau pra eu", como chegou a pedir em algumas gravações. O segundo, um sujeito mais politizado, centrado.

O irmão Chico (que ganhou o apelido de "frei" incorporado ao nome pela calvície típica no topo da cabeça) foi o "culpado" pela entrada de Lula no meio sindical e, conseqüentemente, na política.

Ex-militante do PCB, vítima de três infartos recentes, vem atuando ultimamente como elo entre o irmão presidente e o restante da família.

Foi assim, por exemplo, quando Frei Chico foi incumbido de organizar a ida da família do então presidente eleito do país para a cerimônia de posse, em Brasília, em 1º de janeiro de 2003.

O mesmo aconteceu em janeiro de 2005, quando um dos irmãos mais novos dos dois, Odair Inácio de Góes, morreu de infarto. Coube a Frei Chico avisar o presidente, que estava em viagem oficial na Colômbia. Contou a notícia para Lula, de quem ouviu uma reclamação por não ter sido avisado antes. Depois, representou o irmão na cerimônia de enterro.

Ainda que o contato pessoal entre os dois seja raro, como diz a família de Frei Chico, ele é mais freqüente do que com os demais parentes - nas contas de Frei Chico, os Silva são 19 irmãos no total, sendo que 15 estavam vivos em 2005.

Antes mesmo de Lula ser eleito presidente, Frei Chico falava sobre a distância do irmão. "A gente fala mais besteira. De política, só o necessário. Lula é da família uma vez por mês, a vida do Lula não pertence mais a ele", disse em junho de 2002.

Na biografia escrita pela jornalista Denise Paraná, Lula diz que sua ligação com Frei Chico é apenas "biológica". "Ou seja, um negócio evidentemente de irmão para irmão. Não tinha nenhuma afinidade política com Frei Chico", afirmou, no livro publicado em 1996.

Até a criação do PT foi alvo de críticas de Frei Chico. Para ele, Lula fazia o jogo da burguesia e contribuía para a divisão da esquerda. E não é que o cabra estava certo?

Leia aqui mais detalhes sobre a família de Lula.

Receita do dia: Fritada de lula com molho de laranja

Categoria da Receita: peixes e frutos do mar

Cozinha: brasileira

Dificuldade de Preparo: fácil

Temperatura: quente

Rendimento da Receita: 4 porções

Tempo de preparo: 30 min

Ingredientes:

• pimenta-do-reino a gosto
• sal a gosto
• 2 xícaras (chá) de óleo de soja
• ½ xícara (chá) de farinha de trigo
• 500 g de lulas pequenas
• tomate e alface para acompanhar

molho de laranja:
• pimenta-do-reino a gosto
• sal a gosto
• 2 colheres (sopa) de endro picado
• 8 colheres (sopa) de azeite de oliva
• ½ xícara (chá) de suco de laranja

Modo de preparo

Molho de laranja: bata no liquidificador o suco de laranja por 30 segundos. Sem parar de bater, adicione lentamente o azeite em fio e continue a bater até obter uma emulsão. No final, misture o endro e tempere com o sal e a pimenta-do-reino. Reserve na geladeira.

Limpe e lave as lulas, retire a pele, corte o corpo em anéis e mantenha os tentáculos íntegros. Seque-os bem com toalha de papel e empane (uma camada bem fina) na farinha de trigo, temperada com o sal e a pimenta-do-reino.

Elimine o excesso de farinha de trigo e reserve. Coloque o óleo de soja numa panela e leve ao fogo por 4 minutos, ou até ficar bem quente. Junte, aos poucos, os anéis de lula e os tentáculos e frite até ficarem crocantes.

Retire com uma escumadeira e coloque sobre toalha de papel para eliminar o excesso de gordura. Sirva com o molho de laranja com endro. Se preferir, sirva com uma salada de alface e tomate.

Falta um mês para os Jogos Pan-Americanos

Será em uma sexta-feira 13, daqui a exatamente 30 dias, no Maracanã, que seis mil bailarinos e outras mil pessoas estarão trabalhando nos bastidores para a festa de abertura do Pan do Rio.

O Brasil gastou 12 vezes mais do que investiu o governo da República Dominicana na última competição, realizada em 2003. O governo terá gasto R$ 3,7 bilhões no Pan 2007. Em Santo Domingo, foram investidos R$ 300 milhões.

É mais dinheiro do que será gasto nos preparativos da Copa na África do Sul em 2010. É mais dinheiro do que o investido nos preparativos para as Olimpíadas na China em 2008.

Em cerimônia de recepção da tocha pan-americana, em Brasília, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reclamou que "tem muita gente que acha caro" o gasto do Pan, mas disse que o evento servirá como credencial para a realização da Olimpíada no Brasil no futuro.

Os custos do Pan já excedem em quase 800% o orçamento de 2002, quando o Rio apresentou sua candidatura: de R$ 414 milhões para R$ 3,7 bilhões.

Uma coisa é certa. O Pan do Rio já bateu vários recordes: assalto em altura, assalto com vara, assalto em distância, assalto triplo e assaltos ornamentais.

terça-feira, 12 de junho de 2007

"Pára com isso, múmia paralítica! Coisa horrorosa!"

Parece piada, mas não é.

Agenda oficial do presidente Lula neste 12 de junho, dia dos namorados: participa (às 19h30) da abertura do 7º Congresso Nacional dos Metalúrgicos da CUT, em Guarulhos. Antes, o petista recebe Bruna Lombardi para uma audiência na suíte presidencial do Ceasar Park.

Para quem não lembra ou não tem idade para isso, vale à pena rememorar um quadro do humorista Agildo Ribeiro no antigo "Planeta dos Homens", interpretando aquele que talvez tenha sido o seu personagem mais marcante.

O professor de mitologia tinha um mordomo a quem insultava chamando-o de "múmia paralítica" e outros impropérios, toda vez que ele tocava uma sineta. Isso acontecia quando o professor frequentemente desviava-se dos temas das suas aulas e passava a suspirar pela atriz Bruna Lombardi, ou então fazia alguma piada em analogia à situação política do Brasil.

Lula é a reencarnação da múmia paralítica. Em meio ao maior escândalo do seu governo, recorre à Bruna Lombardi. Só falta botar a culpa no mordomo.

Entrevista: Nádia Campeão, presidente do PCdoB

Dando continuidade à série de contribuições para a Conferência "Caio Prado Júnior", painel de debates suprapartidários que o PPS promove para discutir os novos rumos da esquerda democrática e um projeto viável para o país, o Blog do PPS/SP entrevista Nádia Campeão, presidente estadual do PCdoB de São Paulo e integrante da sua direção nacional.

Paulista de Rio Claro, palmeirense, engenheira agrônoma, mãe de dois filhos, Nádia Campeão foi a primeira mulher a comandar a Secretaria Municipal de Esportes, Lazer e Recreação de São Paulo, na administração da prefeita Marta Suplicy (2001-2004).

Nádia ingressou na política em 1978, ainda estudante. De 1980 a 1990, morou em Santa Luzia, interior do Maranhão. Contratada como agrônoma, identificou problemas com a distribuição de renda e virou defensora dos agricultores. Também se destacou em movimentos feministas como diretora da União Brasileira de Mulheres e atuou na coordenação das campanhas da Frente Brasil Popular pela eleição de Lula à Presidência da República. Foi candidata a vice-governadora do petista Aloizio Mercadante em 2006.

Leia a entrevista exclusiva de Nádia Campeão ao Blog do PPS/SP:

Como foi a sua experiência à frente da Secretaria de Esportes de São Paulo? O que aprendeu nesta passagem? Quais as principais realizações? Como o esporte pode servir para a inclusão social de crianças e jovens? Podemos aplicar este modelo em outras secretarias e governos?

Foi uma experiência extremamente positiva, porque é uma posição em que se pode realizar ações concretas, sentir diretamente quais são as demandas da população e desenvolver/acumular elaboração de políticas públicas para a área de esporte e lazer.

O aprendizado é enorme: desde o conhecimento, ainda que insuficiente, da enormidade de desafios que representa a cidade de São Paulo, passando pela importância de se governar em permanente diálogo com a sociedade e as comunidades, até a difícil questão de administrar a coisa pública com rigor, eficácia e transparência.

Considero que as principais realizações durante o mandato à frente da Secretaria foram a implantação de programas continuados como o Recreio nas Férias e os Jogos da Cidade, a construção do projeto esportivo dos CEUs, a recuperação de parte da estrutura esportiva sob administração da prefeitura - reabertura de piscinas, de ginásios (com destaque para o ginásio poliesportivo do Pacaembu), do Centro Olímpico e outras.

Esporte é parte de processos educacionais para crianças e jovens e como tal deve ser visto. A questão social é enfrentada quando se permite o amplo acesso, sobretudo nas periferias, a estas atividades integrantes ou complementares da educação formal, seja em número de horas ou em diversidade de ações.

Na sua opinião, Nádia, o que é ser de esquerda hoje no Brasil?

É manter, no plano das idéias e das ações, postura de contestação ao sistema capitalista predominante no mundo atual, cuja essência é a exploração do trabalho e dos recursos naturais segundo a lógica do lucro máximo, o predomínio avassalador do capital financeiro determinando quais são os limites de desenvolvimento que cabe a cada nação, e a ação imperialista e agressiva das superpotências capitaneadas pelos Estados Unidos.

No Brasil, é a defesa de um projeto nacional que garanta amplo desenvolvimento sustentável com distribuição de renda, soberania frente aos ditames da estratégia neoliberal, a integração de projeto social, econômico e cultural da América Latina, a defesa e ampliação dos direitos sociais, a ampliação da democracia e a luta contra todo tipo de preconceito e discrimnação.

Para o eleitorado, ainda existe uma diferença clara entre esquerda, centro e direita?

Creio que sim, pelo menos para parte do eleitorado. E como o eleitorado brasileiro está cada vez mais informado e incorporado aos processos democráticos, a diferenciação entre posições políticas vai permanecer e será mais compreendida.

Por que os partidos políticos vivem hoje uma crise de identidade?

No geral, existe uma fragilidade dos partidos frente às lideranças políticas e partidárias. Os partidos são necessários para disputar as eleições, mas depois passam a ter papel secundário, são trocados sem que haja perda de mandato, suas decisões não servem como referência para os eleitos. E, em alguns casos, partidos se desgastam quando não praticam aquilo que pregam, alguns nem mesmo têm programa conhecido e consistente.

Qual a importância da Conferência Caio Prado Júnior, realizada para discutir a esquerda democrática e um projeto para o Brasil?

A Conferência certamente já acerta homenageando o pensamento de Caio Prado Júnior. Mas entendo que é tarefa de primeira ordem de todos os brasileiros preocupados com os destinos da nação debruçar-se sobre qual desenvolvimento serve ao nosso país, como enfrentar e superar o ainda enorme abismo social, como aprofundar a democracia e não restringi-la, e qual arco de forças sociais e politicas é capaz de conduzir estes processos.

O PT, considerado o maior partido da esquerda no Brasil, construiu uma ampla aliança partidária para exercer o poder e se viu envolvido em denúncias de corrupção e escândalos. Estes fatos podem trazer alguma consequência para os partidos de esquerda hoje e no futuro?

Amplitude em alianças partidárias são indispensáveis nos processos políticos, mas cumprem seu papel se baseadas em plataformas programáticas e participação em instâncias de decisão frentistas.

Aqueles que se envolveram em casos de corrupção arcam com o ônus das responsabilizações, das investigações, punições e, é claro, na imagem e desempenho eleitoral.

Apesar das tentativas de generalização que nadam ajudam a democracia, de que todos os partidos e políticos são iguais, o tempo e a história vão demonstrando as diferenças.

As políticas assistenciais do governo Lula, que tem o Bolsa-Família como carro-chefe, são eficazes no combate à pobreza e à miséria? Essas medidas podem ser consideradas políticas de esquerda? Por que?

As políticas compensatórias são importantes nas condições do Brasil, em que persiste profunda desigualdade social. Mas não podem se dar em detrimento de políticas públicas de caráter universal e estrutural - saúde e educação públicas de qualidade, entre outras -, nem muito menos da garantia de desenvolvimento nacional, que gere emprego e renda dignas a todos os brasileiros. Estes são os maiores desafios que a esquerda tem que responder.

A reforma política que se discute no Congresso propõe mudanças pontuais, como maior rigor na fidelidade partidária, introdução de listas partidárias fechadas nas eleições, financiamento público de campanha, cláusula de barreira etc., além de colocar em debate temas como o voto distrital e o parlamentarismo. Qual a sua opinião sobre a reforma?

O que o Brasil necessita é de mais democracia e mais pluralismo, de ampliação da participação popular em mecanismos de decisão como referendos, plebiscitos e ações populares, de maior presença da mulher na política, de fortalecimento dos partidos e acesso aos meios de comunicação.

Estes seriam os verdadeiros objetivos de uma Reforma Política democrática. Mas o que se ensaia no Congresso é uma reforma pontual, sob encomenda dos ditos grandes partidos, que querem preservar seus espaços e seus interesses próprios.

Só assim se pode compreender a obsessão pelo retorno da cláusula de barreira, já declarada insconstitucional pelo STF, ou mesmo da adoção do voto distrital.

Após 8 anos desta gestão, o que restará para o esporte nacional com as realizações da dobradinha PC do B / PT no Ministério do Esporte? Onde o país avançou? Onde retrocedemos? O que poderia ter sido diferente?

Só é possível avaliar realmente os quatro anos da primeira gestão do governo Lula e do seu Ministério de Esporte. E acho que foram bastante positivos, inclusive no esporte.

As principais realizações foram a implantação do Programa Segundo Tempo, que eu espero que se consolide e amplie; a aprovação de leis importantes como Estatuto do Torcedor, Bolsa-Atleta e Incentivo Fiscal para o Esporte, que precisam ser regulamentadas e fiscalizadas; e as duas Conferências Nacionais do Esporte que avançaram no debate, na integração e na definição de políticas públicas para o setor.

Negócios em família: Lula não sabia de nada?

Frei Chico - O Lula quer que você vá lá ouvir uma coisa.

Vavá - Hein?

Frei Chico - Vai conversar com ele à noite.

Vavá - Ahã.

Frei Chico - Tá? Ele quer conversar na casa dele, tranqüilo, tá? Então vamos pensar um dia aí.

Vavá - Tá. mas eu vou de tarde e vou voltar. Não vou ficar lá não.

Frei Chico - Eu quero saber, Vavá, porque tem umas broncas lá que você anda apresentando uma pessoa lá no ministério.

Vavá - Eu?

Frei Chico - Vavá, depois nós conversa, tá?


O diálogo entre os irmãos de Lula era a prova que faltava para complicar a vida do presidente.

Vavá, o irmão mais velho, está sendo investigado pela Polícia Federal no caso da máfia dos caça-níqueis. Ele recebeu uma advertência de outro irmão do presidente, conhecido como Frei Chico, sobre suas atividades junto a um ministério, onde teria apresentado uma pessoa.

Um dos telefonemas para Genival Inácio da Silva gravados pela Polícia Federal durante a Operação Xeque-Mate partiu da casa de Frei Chico. Nos relatórios da PF, a pessoa que faz a ligação é identificada como "Roberto". Mas o número do telefone é o da casa de José Ferreira da Silva, o Frei Chico.

Frei Chico mora em um apartamento de um conjunto habitacional em São Caetano do Sul, no Grande ABC, em São Paulo. O telefone está em nome da mulher dele. Inicialmente relutou em reconhecer, mas no fim da noite o irmão de Lula admtiu que a voz das gravações é mesmo dele.

Ele confirmou ainda que conversou com o irmão no dia 20 de maio, sobre uma possivel viagem dele (Vavá) a Brasilia:

"O Vavá disse qualquer coisa que estava indo a Brasília. Eu falei pra ele: 'Não vá, Vavá... porque você sabe que não tem como, o Lula desde o começo não deixou nenhum parente se meter'. O Vavá falou: 'Não, mas é um amigo meu', naquele jeito dele. 'É um amigo meu e tal'. Eu falei: 'Não vai'. Aí, depois, não sei que outras conversas eu tive a mais. Não sei", afirmou Frei Chico. Veja.

segunda-feira, 11 de junho de 2007

Uma "parada" para pensar...

A "diversidade", que sempre foi a principal marca da Parada do Orgulho Gay e o seu maior atrativo, será também a causadora de mudanças drásticas para o próximo ano.

A festa cresceu tanto como fonte geradora de receita que joga para segundo plano a essência da maior manifestação popular em defesa das liberdades (de ação, pensamento, expressão, consciência etc.) e contra todas as formas de preconceito (de gênero, orientação sexual, raça, credo) e discriminação (racismo, machismo, homofobia).

A Parada virou só mais um negócio a ser explorado política e economicamente. Um grande negócio, onde os números e cifras se sobrepõem às pessoas e às suas causas. Puro show business.

Infelizmente, junto com o recorde de público vieram outros recordes: de ocorrências de roubos e furtos, cenas de violência, agressões, empurra-empurra e todo o tipo de excessos. A Associação da Parada do Orgulho GLBT de São Paulo (APOGLBT), organizadora do evento, já pensa em restringir o acesso de público para 2008.

É inegável que o crescimento da Parada gerou visibilidade para as questões do movimento de gays e lésbicas, mas acabou despertando o lado hipócrita da sociedade brasileira, que tolera o evento porque "movimenta a economia da cidade".

Ou seja, o foco principal deixou de ser o combate ao preconceito e à homofobia, bem como a definição de políticas públicas, passando a ser o quanto gera de recursos para o turismo paulistano e para o segmento de hotéis, restaurantes e o comércio em geral.

Se fosse assim, o tráfico de drogas, a exploração dos jogos de azar, o contrabando e a pirataria, o tráfico de órgãos etc. são todas práticas com enorme potencial para movimentar a economia. Onde iríamos parar?

O PPS discorda dessa visão distorcida. A importância da Parada continua a ser a manifestação pela liberdade e pela igualdade. A economia é mero detalhe. O acessório não pode se sobrepor ao essencial, sob o risco de perder a razão da sua existência.

Há algo de podre no reino de Lula

A pimeira impressão era de que as investigações envolvendo um dos irmãos de Lula, Genival Inácio da Silva, o Vavá, e outro de seus compadres, Dario Morelli, serviriam para reforçar a imagem do presidente e seu suposto "espírito republicano".

Ou seja, Lula mostraria à opinião pública que as investigações da Polícia Federal não têm nada de política, são imparciais e que a sua administração não poupa ninguém na apuração de possíveis irregularidades, cortando na própria carne quando preciso.

O marketing de Lula, o Grande, porém, está indo por água abaixo.

O tráfico de influência e a exploração de prestígio praticados por Vavá estão gravados em uma série de telefonemas. Difícil saber até que ponto ele ajudou efetivamente a máfia dos caça-níqueis e se fazia mesmo parte da quadrilha, mas parece cada vez mais evidente que Lula e o entorno do Palácio tinham conhecimento das atuações marginais do irmão e do compadre.

Aliás, não é de hoje que o crime e a corrupção batem à porta de Lula. O compadre Dario Morelli é uma versão atualizada de Freud Godoy, outro que se viu metido em escândalos e tinha uma função obscura nos bastidores do poder, confundindo a relação pessoal, familiar e profissional com a família Inácio da Silva.

Delúbio Soares, Silvio Pereira, Paulo Okamotto, Jorge Lorenzetti, Oswaldo Bargas, José Dirceu, José Genoino, Luiz Gushiken, Antonio Palocci... Todos, muito além de "companheiros", eram amigos íntimos do presidente Lula.

Isso para não falar de outro caso nebuloso, o do filho Lulinha com a Telemar na sociedade da empresa Gamecorp.

Até quando Lula vai manter a postura de marido traído (ou amigo traído, compadre traído, irmão traído...) e ser o último a saber?

Agora, a lista foi coroada com o irmão Vavá e o compadre Dario Morelli, atingidos pela Operação Xeque-Mate.

Nesse jogo de xadrez (afinal, será que esse povo vai mesmo parar no "xadrez"?), os peões já foram todos derrubados. Até quando o Rei vai ficar em pé?

Operação Mãos Limpas


Nunca antes neste país se viu operações da PF como essas...

Artigo: Um lixo de reforma

FERNANDO RODRIGUES *

Quem diria, a divisão interna do PT pode nos salvar. Os petistas fazem hoje uma reunião sobre reforma política. Se não houver consenso - o que parece possível -, o assunto fica encerrado nesta legislatura. Eis aí uma contribuição positiva dessa sigla ao país.

A reforma política proposta só piora algo já muito ruim. Seu ponto central são as listas pré-ordenadas de candidatos. Os eleitores passam a votar numa relação fixa de nomes.

Os primeiros são eleitos. Criam-se as oligarquias vitalícias. Os defensores das listas rebatem.

A ordem dos candidatos seria decidida em convenções partidárias. Patacoada legítima. Não há risco de as atuais agremiações políticas promoverem reuniões democráticas entre seus filiados.

Mas os pró-lista insistem: se não dermos poder aos partidos, como teremos estímulo à vida partidária?

Simples. Basta editar medidas mais comedidas e eficazes.

Uma possibilidade é votar a proposta de emenda constitucional que institui a cláusula de desempenho eleitoral para os partidos. Só quem atingir 5% dos votos poderá ter amplo acesso à TV, rádio e dinheiro público. Os outros ficam com dois minutos por semestre.

É ilógico partidos de aluguel ou nanicos ideológicos terem tanto dinheiro público e tempo de TV como se fossem gigantes.

Não se trata de acabar com os pequenos nem de exaltar o caráter (sofrível) das grandes siglas. Ocorre que a mixórdia de nanicos impede, aí sim, o aparecimento de agremiações de fato nacionais e aptas a incorporar mais ativistas. A cláusula de desempenho é uma saída. Não prospera pois não interessa ao Planalto se indispor com essa escória de 300 congressistas sempre pronta a colaborar no Legislativo.

Reforma política boa é reforma simples. A discussão no Congresso vai em outra direção. O seu fracasso será a melhor notícia em meses.


* Fernando Rodrigues, jornalista, desde 1987 na Folha de S. Paulo, foi repórter, editor de Economia, correspondente em Nova York (1988), Tóquio (1990) e Washington (1990-91). Na Sucursal de Brasília da Folha desde 1996, assina a coluna Brasília, na página 2 do jornal, às segundas, quartas e sábados.

domingo, 10 de junho de 2007

Artigo: O Golpe do Comissariado

ELIO GASPARI *
A nomenklatura do PT quer que a patuléia pague as campanhas sem direito a escolher os candidatos

Nesta semana, possivelmente amanhã, o comissariado do Partido dos Trabalhadores poderá fechar questão na defesa da instauração do voto de lista para as eleições de deputados. Estará dado um poderoso passo para a cassação do direito dos cidadãos escolherem seus representantes na Câmara.

Aos trancos e barrancos, esse direito está aí desde o século 19. A nomenklatura do PT, assim como as do PSDB e do DEM, querem impor um sistema pelo qual os eleitores ficarão obrigados a votar nos partidos, elegendo maganos colocados numa lista de acordo com as preferencias dos donatários das siglas. É um sistema que se parece mais com as ordenações manuelinas do século 16 do que com a tradição do sistema eleitoral brasileiro.

Hoje o eleitor escolhe um candidato e seu voto vai para o grande panelão da sigla pela qual ele concorre. O total de votos obtidos pelo partido num Estado é dividido por um quociente que relaciona o tamanho do eleitorado com o número de vagas em disputa. São empossados os candidatos que tiveram maior votação. Nesse sistema vota-se num, mas freqüentemente ajuda-se a eleger outro. No Rio, os 51 mil votos dados ao tucano Márcio Fortes, ex-presidente do BNDES, socorreram o pecúlio de Silvio Lopes, o ex-prefeito de Macaé que teve a colaboração de 14 parentes na administração da cidade.

Não haverá mais o voto no candidato. Nem em Fortes, nem em Lopes. Se o PT paulista puser o Professor Luizinho (59 mil votos em 2006) na frente de Arlindo Chinaglia (170 mil votos), Luizinho terá precedência.

A pergunta é obvia: quem faz a lista e quem a ordena? Os partidos, com suas obras e suas pompas. Um bom exemplo de democracia partidária está na forma como o PT tratou o assunto. Uma pesquisa da Fundação Perseu Abramo mostrou que 63% da militância do partido defende a manutenção do atual sistema eleitoral.

A bancada de 83 deputados discutiu a proposta e dividiu-se, com leve vantagem para a lista. O comissário José Dirceu assombrou-se: "Andam propondo que a bancada do PT seja liberada para votar a reforma política, ou seja, cada deputado ou deputada vota segundo sua convicção. Quer dizer, estão propondo o fim do PT. É demais!" (Dirceu retificou essa afirmação ao perceber que, com o fechamento da questão, as convicções irão às favas e seu PT sobreviverá.)

O comissariado petista convocou duas reuniões da Comissão Executiva. Uma para amanhã, outra para quinta-feira. Como seus 21 membros querem o voto de lista, a bancada e um pedaço da militância poderão ser atropeladas. Isso no PT que é relativamente democrático. Nele os defensores das listas expõem-se à contradita. No PSDB e no DEM, há grão duques cabalando o golpe eleitoral sem botar o rosto na vitrine.

Arma-se a hegemonia das máquinas partidárias. Salve José Dirceu e José Genoino, ex-reis do PT. Alô Eduardo Azeredo, ex-príncipe do PSDB. Viva Roberto Jefferson, imperador do PTB. Avoé Valdemar Costa Neto, sultão do PL. Alvíssaras, Pedro Corrêa, ex-faraó do PP.

O golpe eleitoral tem tudo para ser aprovado pelos parlamentares de um Congresso bafejado por hábitos de apropriações desmoralizantes. Não custa lembrar as palavras de Renan Calheiros na última posse de Lula: "Quem morreu não foi a democracia, não foi a ética, quem apodreceu foi o nosso sistema político uninominal". A menos que "sistema político uninominal" seja um codinome da "gestante", o doutor Calheiros quer adaptar as regras do jogo às conveniências de sua parentela.

O cambalacho ilumina os deputados porque uma gambiarra determinará que as listas partidárias da eleição de 2010 sejam encabeçadas pelos parlamentares eleitos em 2006. Em poucas palavras: A prorrogação do mandato para cerca de 80% da Câmara.

Tungada no direito de escolher seus candidatos, a patuléia será convidada a pagar a conta. Criando-se o financiamento público das campanhas, os contribuintes pagarão R$ 7 por eleitor alistado.

Argumenta-se que se a choldra pagar, acabarão as caixas paralelas.

Parolagem. As caixas da malandragem só acabarão quando seus beneficiários tiverem medo de ir para cadeia. Sem grades, sempre que houver alguém querendo dar dinheiro a candidato, haverá algum mensaleiro mordendo o mercado. O financiamento público das campanhas eleitorais brasileiras será mais um caso de taxação das vítimas.

Estima-se que, com os mimos da reforma, o PRB poderá ficar com R$ 8 milhões. Pouca gente sabe, mas PRB é o Partido Republicano Brasileiro, que elegeu um só deputado. O MDB, com 93 cadeiras, embolsará R$ 136 milhões. Isso sem contar o prestígio acumulado em diretorias da Petrobras, da Caixa Econômica e do Banco do Brasil.

Depois de tanta notícia ruim, uma boa. Há duas boas vozes petistas contra o voto de lista. São o deputado Carlos Zarattini e o senador Eduardo Suplicy. Zarattini foi o quinto mais votado na bancada do PT de São Paulo. Poderia ser um crítico silencioso da maracutaia, pois se ela for consumada, seu mandato será prorrogado.

Há poucas semanas ele foi à tribuna da Câmara e advertiu:

"Em vez de realizarmos campanhas nas ruas discutindo e debatendo com o eleitor, levando-lhe nossas propostas, ouvindo o que ele tem a dizer -o que é, inclusive, muito importante para reciclarmos nossos pontos de vista-, vamos levar essa disputa da formação da lista para dentro dos partidos. E salve-se quem puder, porque, lá dentro, a briga vai se dar em outros termos".

Quais termos? Perguntaria Delúbio Soares.


* Elio Gaspari é jornalista. Em 1984, ganhou uma bolsa de três meses do Wilson Center for International Scholars. Sua intenção era escrever um ensaio cujo título já estava definido: Geisel e Golbery, o Sacerdote e o Feiticeiro. Em cerca de cem páginas, pretendia explicar por que entre 1974 e 1979 o ex-presidente e o chefe do seu Gabinete Civil desmontaram a ditadura militar, quando na década anterior, entre 1964 e 1967, haviam ajudado a construí-la. Dezoito anos depois, o que era um ensaio se transformou em cinco livros. Começou sua carreira jornalística no Semanário Novos Rumos, foi assistente do colunista Ibrahim Sued. Trabalhou no Diário de São Paulo, na revista Veja e no Jornal do Brasil. Sua coluna é hoje publicada na Folha de São Paulo, no O Globo, no Zero Hora e em mais outros dez jornais.

A Mega-Sena acumulou de novo!

Desta vez foi o concurso 874, sorteado neste sábado, pela Caixa Econômica Federal, em Campos de Goytacazes, no Rio de Janeiro. Os números foram 10, 20, 42, 44, 52 e 59.

É o 5º sorteio acumulado seguido. O último prêmio (sorteio nº 869) saiu em 23 de maio, para um único cartão. Dos últimos 12 sorteios (do 863 ao 874), este foi o único premiado.

Uma média de um prêmio a cada seis concursos desafia qualquer probabilidade matemática. Haja pé-frio dos apostadores (e pé-quente do ganhador da bolada acumulada).

Há quem acredite em coincidências, há quem veja indícios de armação. Teorias conspiratórias à parte, há algo estranho no ar. Reveja.