domingo, 15 de julho de 2007

Estatuto da Criança e do Adolescente: 17 anos

O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) atinge a sua quase maioridade: completa hoje 17 anos de vigência. Desde 1990, a lei consolidou direitos, como a constituição dos conselhos tutelares (presentes em 90% dos municípios brasileiros), o enfretamento à violência sexual e o combate ao trabalho infantil. Mas nem tudo são flores. A criança e o adolescente não representam um problema "menor".

Um avanço inequívoco do ECA foi ter colocado crianças e adolescentes como sujeitos de direitos e prioridade absoluta das políticas públicas governamentais. Daí o surgimento de programas de apoio às famílias e de transferência de renda, que favoreceram a melhoria de vários indicadores (como de evasão escolar e saúde infantil), além do acesso facilitado à creche e à escola, por exemplo.

Porém, o ECA é acusado de patrocinar a impunidade de menores infratores (que nem sempre são também menores carentes, mas têm os mesmos privilégios), ao tratá-los de forma diferenciada e, com isso, propiciar a cooptação de menores pelo crime.

O chamando "adolescente em conflito com a lei", termo politicamente correto adotado pelo ECA, seria uma forma de abrandar a responsabilidade social que temos sobre jovens que entram cada vez mais cedo para o mundo do crime. O ECA, portanto, segundo este entendimento, restringe o poder disciplinador e punitivo da família e do Estado.

Ao prever que um adolescente, a partir dos 12 anos, tenha como pena máxima por qualquer crime uma medida de privação de liberdade por até três anos, há praticamente um incentivo para a utilização desses menores na criminalidade.

Ou seja, enquanto um maior de 18 anos pode ser condenado a penas severas (até 30 anos de cadeia), um menor de 18 pode cometer um crime hediondo e ficar internado em uma instituição por três anos, no máximo, saindo em liberdade e com a "ficha limpa" terminado esse período.

Enfim, é um tema que merece ser debatido e encarado com seriedade. Voltaremos ao assunto.

sexta-feira, 13 de julho de 2007

Lula e o mico na abertura do Pan-Americano

Não foi um mico. Foi um King Kong, de proporções olímpicas. O presidente Lula, além de ter sido vaiado todas as vezes em que apareceu no telão ou que teve o seu nome mencionado na cerimônia do Pan-Americano do Rio, no Maracanã, ficou sem cumprir sua parte no protocolo: fazer o pronunciamento de abertura dos Jogos.

Em pé na tribuna de honra, com o microfone e a "cola" do texto que falaria na mão, Lula foi anunciado pelo presidente da Organização Desportiva Pan-Americana, o mexicano Mario Vasquez Raña (na foto com Lula), recebeu a enésima vaia da noite e foi "atropelado" por Carlos Arthur Nuzman, o presidente do COB (Comitê Olímpico Brasileiro), na tentativa de poupar Lula de novo contrangimento.

Mas a emenda saiu pior. Lula, que estava sendo focalizado pelas câmeras de TV, pronto para falar, ficou com cara de bobo. Veja.

De resto, a festa foi digna de Primeiro Mundo.

O discurso mais rápido da história do Brasil

Nunca antes nesse país um presidente fez um discurso tão rápido. A imprensa vinha destacando o "recorde" do presidente cubano Fidel Castro, durante o Pan-Americano de Havana, em 1991. Famoso por seus discursos intermináveis, Fidel surpreendeu pela objetividade e rapidez ao declarar abertos os Jogos daquele ano: vinte segundos.

Mas Lula superou Fidel: seu "discurso" (!?) durou, digamos... zero segundos. A foto acima, entre o prefeito César Maia e o governador do Rio, Sérgio Cabral, mostra o "pronunciamento" (?!) inédito do presidente: sem palavras.

Lula fez pose. E só. Não pronunciou uma única sílaba. O Maracanã, lotado, vaiou ruidosamente o presidente. Seus acompanhantes não esconderam o constrangimento.

Patriotismo sob fiscalização: saudade da Ditadura?

Essa nem o saudoso Stanislaw Ponte Preta, em seu impagável Febeapá (Festival de Besteiras que Assola o País), imaginaria: hastear a bandeira brasileira e cantar o Hino Nacional passam a ser obrigação semanal de professores, alunos e funcionários de todas as escolas municipais de São Paulo.

Mas não é só isso: a cerimônia deve ser registrada em livro específico, com o dia e a hora em que foi hasteada a bandeira e cantado o hino. Ou seja, o cumprimento da lei estará sujeito à fiscalização municipal. Como se ninguém tivesse nada mais sério para se preocupar...

Essa é uma das determinações da Lei nº 14.472, sancionada pelo prefeito Gilberto Kassab (DEM) a partir do trabalho de consolidação da legislação municipal realizado pela Câmara paulistana e publicada no "Diário Oficial da Cidade" desta quarta-feira, dia 11.

A lei que trata dos símbolos, honrarias e hinos oficiais do município tem outras regras inusitadas, como tornar obrigatória a execução do Hino de Interlagos antes das corridas do Grande Prêmio Brasil de Fórmula 1.

É isso mesmo: além do Hino Nacional, foram oficializados o Hino de Interlagos, o Hino à Negritude, o Hino da Mooca e o Hino da Zona Leste, que devem ser executados obrigatoriamente em cerimônias oficiais.

Por exemplo, o Hino à Negritude deve fazer parte de “todas as solenidades que envolvam a raça negra”. Os hinos da Mooca e o da Zona Leste, por sua vez, devem ser entoados em eventos relacionados a essas regiões.

O texto da lei apresenta ainda medidas e formatos de símbolos oficiais, além de lembrar que a azaléia é a flor símbolo da cidade e a Avenida Paulista é a imagem oficial da Capital.

Stanislaw Ponte Preta ficaria constrangido com tanta matéria-prima para seu Febeapá. Os humoristas que se cuidem. A concorrência dos políticos é desleal.

quinta-feira, 12 de julho de 2007

Participe das reuniões temáticas do PPS/SP

O Diretório Municipal do PPS/SP convida para suas reuniões temáticas.

Meio Ambiente

Hoje, 12 de julho, às 19h, o secretariado de Meio Ambiente do Diretório Municipal paulistano promove reunião sobre Recursos Hídricos.

Na próxima quinta-feira, 19 de julho, o tema do secretariado de Meio Ambiente será Política Urbana.

Formação e Políticas Públicas

Amanhã, sexta,13 de julho, às 19h, a Secretaria de Formação e Políticas Públicas do Diretório Municipal do PPS/SP promove reunião sobre os Conselhos Tutelares da Criança e do Adolescente, debatendo o calendário eleitoral de 2007 e as estratégias da militância do PPS.

Juventude

Na quarta-feira, 18 de julho, às 19h, o secretariado de Juventude do Diretório Municipal paulistano se reúne para discutir a Conferência Caio Prado Júnior, a conjuntura política e as eleições municipais de 2008.

Diretório Municipal do PPS/SP
Rua Dona Germaine Burchard, 352 - Água Branca
Informações: tel. 3477-2388 / 2157-8823

Cancelado evento do PPS na Assembléia de SP

Foi cancelada a reunião em que os economistas Luiz Gonzaga Beluzzo e Yoshiaki Nakano participariam nesta sexta-feira, dia 13 de julho, às 9h da manhã. Será informada posteriormente a nova data do evento organizado pelo PPS, como parte das iniciativas em São Paulo da Conferência Caio Prado Jr., que o partido promove para debater os rumos da esquerda democrática e um projeto político para o país.

O evento, com a presença do presidente nacional do PPS, Roberto Freire, aconteceria no Plenário Tiradentes, da Assembléia Legislativa (Av. Pedro Álvares Cabral, 201), em frente ao Parque do Ibirapuera.

Leia aqui a visão de Nakano sobre a economia.

Veja também os preparativos do PPS/SP para a Conferência Caio Prado Júnior.

quarta-feira, 11 de julho de 2007

Enfim, a recaída oposicionista de José Serra!

Enfim, o governador José Serra (PSDB) teve uma recaída oposicionista: disse que o Brasil é "trouxa" em política externa e vive um "desvario cambial". Já estava mesmo na hora de resolver essa dúvida hamletiana de ser ou não ser crítico do governo Lula.

Serra também qualificou como "trololó de economistas" os argumentos que conferem às forças de mercado, incluindo o superávit comercial, a apreciação do real ante o dólar. "É para enganar quem não é economista", alfinetou.

O presidente nacional do PPS, Roberto Freire, apoiou com entusiasmo a recaída oposicionista do governador paulista, afirmando que a manifestação de Serra mostra que “ele era o candidato de esquerda (em 2002), embora os partidos de esquerda (incuindo o PPS, no segundo turno) tenham apoiado Lula, que já reconheceu que não é de esquerda”.

Para Freire, o governo Lula pratica uma política econômica que atenta contra os interesses nacionais e que só interessa ao sistema financeiro, “ao capital, que não tem pátria”. O presidente do PPS entende ainda que, com sua crítica, Serra mostrou que “o rei está nu”, apesar do clima de euforia.

Na avaliação de Freire, enquanto Lula deu continuidade ao modelo econômico do PSDB (atitude que foi elogiada por várias lideranças tucanas), Serra, desde o governo FHC, criticava os postulados neoliberais aplicados pela equipe econômica.

“A crítica que o governador faz é muito arguta e tem a responsabilidade de quem exerce um mandato político, vinculado e antenado com o interesse nacional, o interesse público”, afirmou.

As declarações de Serra foram feitas ontem na Francal (maior feira de calçados do país). “Não temos uma política econômica que corresponda aos interesses da produção, dos produtores brasileiros, mas sim uma política monetária e financeira que privilegia a especulação, o cassino em que transformaram a economia brasileira”.

Segundo Freire, o país vive uma euforia - “no sentido de algo distante da realidade” – de que temos uma boa política econômica. Mas o crescimento é “medíocre e pífio”, por causa da administração de "um governo incapaz, inconseqüente e inepto".

Uma velha máxima pode ser adaptada ao dilema serrista de ser ou não ser oposição: "Quando Serra está no governo, ele é bom; mas quando está na oposição, é melhor ainda."

Mais do mesmo na UNE, com nova maquiagem

Falar em "nova gestão" da UNE é dourar a pílula. Impossível haver alguma novidade no continuísmo do PCdoB à frente da septuagenária União Nacional dos Estudantes, o quintal dos remanescentes do comunismo à albanesa no Brasil.

Nem o "fato novo" de ter como presidente uma mulher é tão "novo" assim. De tempos em tempos é eleita uma estudante ajeitadinha para obter um pouco de atenção da mídia e tentar emplacar uma nova musa para maquiar as velhas idéias e práticas antidemocráticas que dominam a entidade.

A candidata à musa da vez é Lúcia Stumpf (foto acima), 25 anos, estudante de jornalismo da FMU (faculdade particular paulistana), eleita com 1.802 votos, o que corresponde a 72% do total de 2.493 estudantes-eleitores. Essa é a representatividade do estudante brasileiro? Faz-me rir.

Aliás, musa por musa, a deputada federal Manuela D´Ávilla (foto), também do PCdoB e gaúcha como Lúcia Stumpf, faz mais sucesso junto aos herdeiros de Mao e Stálin, aos estudantes, à juventude e aos marmanjos em geral.

Lúcia Stumpf é a 18ª presidente da entidade (a quarta mulher) filiada ao PCdoB desde 1981, quando o comunista Aldo Rebelo (SP) foi eleito.

A palavra de ordem da nova presidente é "trabalhar nos próximos dois anos para retomar a trajetória de luta que caracterizou a UNE no passado".

Ok, traduzindo por favor: "A UNE nos próximos dois anos vai ser a UNE da ocupação das universidades públicas", afirmou Lúcia Stumpf.

Ora, ora. A plataforma da "nova gestão" é intensificar as passeatas e manifestações, com prioridade para a invasão de universidades públicas como forma de reivindicar melhorias no ensino. Nada mais antigo.

A UNE prepara para o mês de agosto a "Jornada Nacional de Lutas". Traduzindo, mais uma vez: "A ocupação é um formato legítimo de reivindicação. É um formato legítimo de manifestação dos estudantes. Vamos amadurecer essa idéia ao longo dos próximos meses durante a organização da jornada."

O discurso não combina com a ação. A UNE faz críticas contundentes à política econômica, mas segue atrelada ao governo como um bezerro às tetas da mamãe vaca. "Lula é muito diferente dos governos neoliberais anteriores", garante Lúcia, citando como pontos altos do petista as políticas sociais. Então, tá.

terça-feira, 10 de julho de 2007

China executa político corrupto... E nós?

Está em todos os jornais do mundo: "China executa ex-ministro por corrupção". O ex-chefe da Administração Estatal de Alimentos e Remédios da China, Zheng Xiaoyu, foi executado hoje, após ser condenado por corrupção, em uma sentença com a qual Pequim tenta conter a pressão internacional diante da crise sanitária que afeta os produtos chineses.

Zheng, de 63 anos, recebeu em 29 de maio a sentença à pena de morte do Tribunal Popular Municipal Intermediário Número 1 de Pequim, que calculou os subornos recebidos em US$ 832 mil (incluindo presentes, o que representa cerca de R$ 1,6 milhão) e o acusou ainda de descumprimento do dever.

As últimas execuções de políticos corruptos na China tinham ocorrido em 2004, com a pena aplicada ao vice-governador Wang Huaizhong, e em 2002, com as mortes de Hu Changqing, vice-governador da província de Jiangxi, e de Cheng Kejie, vice-presidente do Legislativo, todos eles por terem aceitado subornos.

O presidente Lula esteve na China em 2004 (como mostra a foto acima), mas parece que, apesar de anunciar empolgado uma aproximação "econômica, cultural e política", não se deixou influenciar pelo "tratamento anti-corrupção" do governo chinês.

A comitiva presidencial era integrada por nada menos de 430 pessoas, entre os quais sete ministros, seis governadores, um senador, dez deputados e mais de 350 executivos de empresas brasileiras interessadas em negociar com a China.

Pena de morte aos políticos corruptos na China. Suicídio de políticos corruptos no Japão. E no Brasil? Bem, por aqui os corruptos são detentores de mandatos, controlam partidos políticos, têm imunidade parlamentar e até presidem o Congresso Nacional...

Negócio da China: o que difere o PT do PCC?

Um fato curioso: entre os nomes presentes na viagem de Lula à China estavam os ex-ministros Antonio Palocci (Fazenda), Alfredo Nascimento (Transportes) e Luiz Gushiken (Comunicação e Gestão Estratégica), que mais tarde sairiam do governo em meio a denúncias de corrupção.

Antes disso, em 2001, Lula já tinha estado por lá num intercâmbio entre o Partido dos Trabalhadores e o PCC (Partido Comunista Chinês). Mas os métodos atuais do PT se assemelham mais com o outro PCC, o Primeiro Comando da Capital ou "partido do crime", que funciona nas cadeias de São Paulo.

Veja abaixo o que Lula escreveu sobre a China, naquela época, para o "Linha Aberta", órgão de comunicação do PT:

"A China é um gigante que está dormindo. Deixem-no dormir, pois quando acordar ele irá sacudir o mundo". Foi Napoleão Bonaparte quem disse isso. Se estivesse vivo hoje, tenho certeza de que ele diria que o gigante já acordou.

Escrevo de Beijing, a capital da China, onde lidero uma comitiva do Partido dos Trabalhadores que, desde o dia 14, a convite do governo chinês, visita oficialmente o país pela primeira vez. O crescimento econômico do país é extraordinário. Beijing parece um monumental canteiro de obras, que se espalha uniformemente tanto no centro como na periferia. Que lições nós, brasileiros, podemos tirar desse desenvolvimento e do modo como a China está encarando o processo de globalização econômica?

Tratamos dessa questão com Wei Jianxing, um dos principais dirigentes do Bureau Político Permanente do Comitê Central do Partido Comunista da China, que recebeu nossa comitiva em audiência, no Grande Palácio do Povo, esta semana.

A China, como o Brasil, é um país continental. Uma das diferenças básicas é que o gigante asiático tem 1,3 bilhão de habitantes, cerca de 23% da população mundial, mas apenas 7% das terras agricultáveis do planeta. Mesmo assim, consegue produzir o suficiente para alimentar esse mundo de gente. O Produto Interno Bruto é de 1,1 trilhão de dólares e deve crescer 8% neste ano. Na verdade, a China detém as maiores taxas de crescimento do mundo nas últimas duas décadas. Isso com a renda per capita crescendo 6% ao ano, o que significa que o país, além de crescer em ritmo invejável, tem diminuído significativamente a desigualdade social.

O Banco Mundial divulgou recentemente um relatório afirmando que, consideradas as estatísticas internacionais como um todo, a China foi nos últimos anos o principal país responsável pela diminuição da pobreza no mundo. Descontados os chineses, a pobreza teria crescido. A principal razão para esse contraste é que a China está se modernizando e se integrando à globalização, mas busca fazê-lo de modo autônomo e soberano. Tudo indica que, na China, o FMI não está dando ordens nem impondo os seus modelos econômicos.

Os chineses nos explicam que estão praticando o que chamam de socialismo de mercado. A impressão que dá é que eles estão aprendendo a ganhar dinheiro com os capitalistas, para gastá-lo como socialistas.

Até pode ser que os chineses aceitem uma economia de mercado, mas certamente não admitem uma sociedade dominada pelo mercado. O Estado chinês tem participado diretamente do atual estágio da globalização, mas não abre mão do planejamento, da definição de prioridades. Ou seja, não permite que o mercado decida em nome da sociedade.

A diferença entre a participação da China e a do Brasil na globalização salta aos olhos. Nosso país não tem praticamente autonomia nenhuma, o desenvolvimento econômico vem sendo sistematicamente sacrificado e a desigualdade social aqui é crescente. Enquanto isso, as determinações do FMI continuam sendo seguidas à risca pelo governo brasileiro.

Durante a audiência com Jianxing, sem dúvida um dos momentos mais significativos da visita até agora, a nossa delegação apresentou ao dirigente chinês uma nota oficial do partido em que defende "a continuidade e o aprofundamento da política de parceria estratégica entre a China e o Brasil, países de expressão continental e responsabilidade mundial". O PT deixou claro que considera do maior interesse do Brasil e dos brasileiros ampliar as relações diplomáticas, econômicas, culturais e tecnológicas com o povo chinês.

A nota manifesta ainda plena solidariedade com a China em relação ao incidente provocado por um avião-espião norte-americano, que recentemente invadiu o espaço aéreo daquele país, provocando a morte de um piloto chinês. Repudia também a tentativa norte-americana de retomar a corrida armamentista, violando tratados e acordos internacionais de natureza bilateral e multilateral.

Devo reconhecer que estou muito satisfeito com a intensa programação de trabalho que nossa comitiva tem cumprido em Beijing. E digo isso em nome de toda a delegação, destacando José Dirceu, presidente nacional do partido, Jorge Viana, governador do Acre, Antonio Palocci, prefeito de Ribeirão Preto, e os deputados federais Paulo Delgado (MG) e Jaques Wagner (BA). Na próxima semana visitaremos Xangai e outras províncias importantes da China.


Eis o texto de Lula. Ao que consta, permanecem todos bem vivos.

Deu no Estadão: Freire pode ser vereador em SP

O jornal O Estado de S. Paulo de hoje antecipa uma informação que vem sendo tratada há um bom tempo, internamente, pela direção do partido: Roberto Freire, presidente nacional do PPS, poderá ser candidato a vereador em São Paulo.

Pesquisas de opinião realizadas pelo PPS/SP mostram a viabilidade da candidatura de Roberto Freire, uma das maiores referências da ética na política, para qualificar o debate em São Paulo.

Leia a matéria do repórter Eduardo Reina:

Freire quer disputar vaga de vereador em São Paulo

Ele foi escolhido um dos parlamentares mais influentes do Congresso pelo Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (DIAP) durante 14 anos. Ocupou uma cadeira de deputado federal por cinco mandatos. Também foi senador por Pernambuco e cogitou sair candidato a presidente da República no ano passado. Agora, como presidente do PPS e suplente de senador por Pernambuco, quer dar uma virada radical na vida política.

Aos 65 anos, o ex-comunista Roberto Freire prepara a transferência de seu domicílio eleitoral para a cidade de São Paulo e uma candidatura a vereador em 2008.

"O voto de opinião é muito forte em São Paulo. Voltar à cena política numa eleição municipal na principal cidade brasileira dá outra dimensão para um político. Seria uma volta com influência maior", diz Freire, ainda fazendo suspense sobre os planos.

O presidente do PPS admite que há propostas do partido em São Paulo para ter o seu nome como puxador de votos na disputa eleitoral do ano que vem. "Mas não sou candidato agora. Analisamos como o partido está em São Paulo. Como presidente nacional do partido, a preocupação é a eleição de 2008. Minha candidatura a vereador deve ser avaliada em todo o partido, nacionalmente".

A preocupação citada por Freire é expressa também por várias lideranças do PPS no Estado. Todos querem a candidatura, com vistas à formação de uma bancada forte na Câmara Municipal. Um integrante do partido frisou que a candidatura de Freire "daria um norte" à política em São Paulo.

Há alguns entendimentos para que, no ano que vem, seja negociada uma aliança entre PSDB, DEM e PPS na capital.

Outro integrante do diretório paulista ressalta que também estão em jogo as eleições para governador e presidente em 2010. Segundo esse dirigente, os planos são de "fortalecer as bases municipais".

O ex-senador não entende como retrocesso a sua eventual transferência de Pernambuco para o Legislativo municipal de São Paulo e muito menos perda de espaço político em sua terra natal. "Em Pernambuco o respeito existe. Sou suplente de senador. E seria honrada essa volta no Legislativo de uma cidade do porte de São Paulo", explicou Freire.


Conheça aqui a vida e a trajetória política de Roberto Freire.

Conheça as ferramentas de comunicação do PPS

Além deste Blog do PPS/SP, estão no ar o site do PPS-SP Estadual e o site municipal PPS-SAMPA.

São todas ferramentas integradas da Comunicação do PPS, um passo decisivo para tornar mais ágil, moderno e eficaz todo o processamento de informações do partido, tanto para o seu público interno (militantes, dirigentes, candidatos, parlamentares) quanto para a sociedade.

Veja aqui também todas as realizações e a mobilização do PPS/SP para a Conferência "Caio Prado Júnior", painel de debates sobre os rumos da esquerda democrática e um projeto viável para o Brasil.

O site estadual abre espaço para todos os municípios, deputados estaduais, federais, prefeitos, vice-prefeitos e vereadores, que têm acesso facilitado a todo tipo de notícias sobre o partido.

Já o site municipal paulistano traz um raio-x completo do PPS na Capital, com indicadores da sua atuação política, notícias para filiados e simpatizantes, divulgação da agenda de eventos, relação de todos os seus dirigentes e representantes eleitos, balanço da atuação do diretório, arquivo de documentos partidários, link direto para o site nacional do PPS e um espaço interativo.

Veja também o link para os e-mails e sites pessoais dos parlamentares do PPS/SP (deputados federais, estaduais e vereadores paulistanos).

segunda-feira, 9 de julho de 2007

País ganhou na loteria, mas está gastando o prêmio

Essa é a opinião do economista Yoshiaki Nakano, da Fundação Getúlio Vargas, como já havia manifestado em conversa com o presidente do PPS, Roberto Freire.

Repetiu agora nesta matéria (reproduzida abaixo) publicada no jornal Valor Econômico, e deve reiterar na próxima sexta-feira, dia 13, às 9h da manhã, em encontro promovido pelo PPS/SP com o também economista Luiz Gonzaga Beluzzo, na Assembléia Legislativa, sob a coordenação do deputado federal Arnaldo Jardim e do deputado estadual e presidente paulista do partido, David Zaia.

Nakano foi secretário especial de Assuntos Econômicos do Ministério da Fazenda e secretário da Fazenda do Estado de São Paulo no governo Mario Covas (1995-2001), entre outros cargos públicos. É professor e diretor da Escola de Economia de São Paulo da FGV. É co-editor da revista de Economia Política.

Leia a matéria do Valor Econômico:

O Brasil ganhou na loteria nos últimos quatro anos, devido à expressiva melhora nos termos de troca do comércio exterior, mas não aproveita o prêmio como deveria, avalia o professor Yoshiaki Nakano, ex-secretário da Fazenda do Estado de São Paulo.

Para ele, o país poderá crescer nos próximos três anos a uma taxa próxima a 4% sem enfrentar desequilíbrios significativos, mas não está garantida uma expansão sustentada da economia a taxas robustas por muito mais tempo do que isso.

Crítico mordaz da política econômica, Nakano insiste que a combinação de juros altos e câmbio valorizado é um entrave a uma expansão mais forte do investimento e a política fiscal continua errada: os gastos correntes do governo não param de crescer, ao passo que a capacidade de investir do setor público segue baixíssima, mesmo com o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

Diretor da Escola de Economia de São Paulo da FGV, Nakano diz que a melhora dos termos de troca (a diferença entre os preços de exportações e importações) ocorrida desde 2003 garantiu ao país um ganho de cerca de US$ 20 bilhões.

Esse presente garantiu uma virada espetacular nas contas externas, que se traduz em superávit em transações correntes, abrindo espaço para um crescimento mais forte sem pressões inflacionárias.

O problema, para Nakano, é que a política econômica continua errada e não levará a aumento significativo da taxa de investimento, hoje na casa de 17% do PIB.

"O investimento tem crescido, mas essa alta ainda é insuficiente", afirma Nakano, referindo-se à expansão na casa de 8% a 10% ao ano, que experimenta a formação bruta de capital fixo (investimento na construção civil e em máquinas e equipamentos).

Para Nakano, o indicador tem que atingir algo como 25% do PIB para o país crescer a ritmo forte e por muitos anos. "O país ganhou na loteria, mas está consumindo o prêmio."

O câmbio valorizado vai produzir estragos não desprezíveis, adverte ele, que se diz cada vez mais preocupado com o nível do dólar.

"Primeiro, porque você quebra empresas e não é apenas o setor industrial que reclama, até plantador de cana reclama do câmbio."

O outro problema é que ao longo do tempo o superávit nas contas externas tende a ser revertido, ainda que isso possa demorar alguns anos. Se concretizado, esse cenário tenderá levar a desvalorização mais abrupta do câmbio no futuro, causando o círculo vicioso que o país já viveu várias vezes: o dólar sobe, a inflação aumenta, o BC eleva os juros e a economia esfria.

O dólar barato também impede a diversificação das exportações do país, reduzindo a competitividade dos setores que produzem manufaturados.

"Todos os países que conseguiram crescer aceleradamente por décadas diversificaram as exportações. O Brasil está fazendo o contrário", afirma ele, que considera um risco apoiar as vendas externas, principalmente em commodities, sujeitas a oscilações de preços caso a economia global passe a crescer menos.

"Se você estiver com exportação de manufaturados significativa, com diversificação, tem um seguro contra esse tipo de risco."

Nakano ataca o nível dos juros no Brasil. Para o economista, a queda da Selic tem sido muito lenta e não há por que ela ser muito mais elevada do que os juros pagos pelo Tesouro em emissões no exterior. Em maio, por exemplo, o país pagou 8,938% ao ano numa emissão de títulos denominados em reais no mercado internacional, ao passo que hoje a Selic está em 12% ao ano.

Nakano também critica o fato de que, no Brasil, a taxa básica serve não apenas como instrumento de política monetária no mercado aberto - um objetivo de curto prazo - como também para corrigir títulos pós-fixados (as Letras Financeiras do Tesouro, LFTs) - algo de longo prazo. Com isso, o BC "tabela" para cima os juros do mercado de dívida pública, de modo que as taxas mais longas não refletem as melhores condições de solvência do país, evidenciadas na queda do risco-Brasil.

Além da combinação de juros altos e câmbio valorizado, Nakano vê na qualidade da política fiscal outro grande obstáculo ao crescimento sustentado.

A dívida interna está sob controle e tem caído como proporção do PIB, mas a questão é que o gasto corrente (aposentadorias, pessoal, custeio da máquina pública, programas como o Bolsa Família) continua a crescer a taxas muito acima da expansão da economia.

O aumento descontrolado das despesas correntes diminui o espaço para investimentos públicos em infra-estrutura, além de contribuir para a valorização do câmbio.

A questão é que os gastos de consumo do governo se concentram nos bens não-comercializáveis (que não sofrem a influência direta do dólar), o que ajuda a apreciar a moeda.

"É necessário cortar o gasto corrente do governo, para fazer com que a mudança na taxa real de câmbio seja persistente", afirma Nakano.

Com uma política fiscal baseada em cortes de gastos correntes, o câmbio tenderia a se depreciar, o governo poderia gastar mais com investimentos e os juros poderiam cair com força.

Nakano mostra muito ceticismo em relação à capacidade de o governo aumentar os investimentos em infra-estrutura. Para ele, o fato de que, de janeiro a maio, o governo gastou apenas R$ 990 milhões no Programa Piloto de Investimentos (PPI, que reúne obras de infra-estrutura tidas como prioritárias) é evidência da "falência do modelo de Estado brasileiro" - o total previsto para o PPI neste ano é de R$ 11,2 bilhões. "Quando se trata de investimento, há uma incompetência total", afirma ele.

Com essas críticas, Nakano não quer vaticinar o caos no curto prazo. Acha que o ganho dos termos de troca não será revertido de uma hora para outra, uma vez que a crescente integração de países como a China e a Índia à economia global e o forte crescimento de outros emergentes deve garantir a permanência dos preços das commodities em patamares elevados por um tempo razoável.

Essa situação permite que o consumo cresça mais do que a produção por alguns anos sem provocar explosão de importações ou inflação. O problema, para ele, é que o país está perdendo "uma grande oportunidade" de criar as condições para um crescimento mais forte de modo sustentado. "O país está gastando o prêmio da loteria", repete.


(Por Sergio Lamucci, do Valor Econômico, em 9/7/2007)

sábado, 7 de julho de 2007

PPS paulista reúne militância e pré-candidatos

Foi um sucesso a reunião do PPS de São Paulo realizada neste sábado (7/7), na Assembléia Legislativa, com a presença de centenas de militantes, dirigentes e pré-candidatos do partido na capital e no interior, em pleno fim-de-semana prolongado, antecipando o feriadão de segunda-feira, 9 de julho.

Participaram do evento, entre outras personalidades, prefeitos e vereadores, o presidente nacional do PPS, Roberto Freire; o coordenador eleitoral do partido, Paulo Elisiário; os presidentes do partido no Estado (deputado David Zaia) e na Capital (Carlos Fernandes); o deputado federal e vice-líder do PPS na Câmara dos Deputados, Arnaldo Jardim; o deputado estadual Alex Manente; e a ex-deputada Zulaiê Cobra Ribeiro.

O Diretório Estadual do PPS/SP debateu a situação política do país; conheceu o Projeto "Pé na Estrada", uma ação do partido para centrar esforços, nas eleições municipais de 2008, em cidades com mais de 100 mil eleitores; e elegeu os 30 delegados paulistas para a Conferência Caio Prado Júnior, evento que o PPS promove para debater os rumos da esquerda democrática e um projeto transformador para o Brasil.

O ex-goleiro e ídolo corinthiano Ronaldo Soares Giovanelli, pré-candidato a vereador na cidade de São Paulo, foi uma atração à parte. Cercado por fãs, distribuiu autógrafos e relembrou os títulos conquistados com a camisa número 1 do Corinthians, que vestiu e honrou por 11 anos (602 jogos). Leia mais.

PPS da Capital reforça chapa de vereadores

Além do ídolo corinthiano Ronaldo, outros pré-candidatos a vereador do PPS paulistano confirmaram a filiação ao partido na reunião deste sábado. É o caso, por exemplo, do pré-candidato Barros (na foto entre o presidente nacional do PPS, Roberto Freire, e o presidente municipal Carlos Fernandes), liderança da zona leste de São Paulo que em 2004 disputou a eleição para vereador pelo PSB; e do cirurgião dentista Dr. Luiz Mamede, professor da Unisa (Universidade de Santo Amaro) e especialista em saúde pública, que disputará sua primeira eleição.

A chapa de pré-candidatos a vereador conta ainda com nomes que já tiveram votação expressiva pelo próprio PPS, como é o caso do Dr. Milton Ferreira (o terceiro na foto, com Carlos Fernandes, o deputado federal Arnaldo Jardim e o deputado estadual David Zaia), médico de Guaianases (zona leste da Capital) e atual suplente do partido na Câmara Municipal.

Cristo Redentor está entre as maravilhas do mundo

Com forte lobby do governo e da Rede Globo, o Cristo Redentor está entre as novas sete maravilhas do mundo. A primeira nova maravilha anunciada foi a Grande Muralha da China. A estátua carioca do Cristo foi a terceira. Os nomes dos vencedores foram revelados hoje, na cerimônia realizada em Portugal.

O monumento de Petra na Jordânia foi o segundo anunciado das novas sete maravilhas. O quarto foi a cidade inca de Machu Picchu. A pirâmide de Chichén Itzá, no México, foi o quinto nome dito pelos apresentadores. O Coliseu de Roma foi o sexto, e o sétimo e último anunciado como nova maravilha foi o Taj Mahal, na Índia.

O concurso, promovido por uma fundação suíça, recebeu votações pela internet e por mensagens telefônicas. Ao total, o concurso recebeu cerca de 100 milhões de votos. A iniciativa não tem apoio unânime e a Unesco, que se dedica ao patrimônio mundial, decidiu não participar do evento.

A iniciativa, de origem privada, pretende completar a lista das sete maravilhas da Antiguidade definidas por volta de 200 a.C: o templo de Ártemis, os jardins suspensos da Babilônia, o mausoléu de Halicarnassus, o colosso de Rodes, o farol de Alexandria, a estátua de Zeus e a grande pirâmide do Egito. Somente esta última existe até hoje.

Algumas campanhas tentaram angariar votos para seus representantes. O Cristo Redentor e a Muralha da China tiveram apoio governamental e marketing agressivo.

A cerimônia deste sábado foi apresentada pelo ator britânico Ben Kingsley (do filme Gandhi) e a atriz americana Hillary Swank (Menina de Ouro).

O ex-astronauta Neil Armstrong, o ex-secretário-geral da ONU Kofi Annan, a atriz e a cantora Jennifer Lopez e o primeiro-ministro português, José Socrates, presidente em exercício da União Européia (UE), estiveram entre os presentes.

A produção foi retransmitida em mais de 170 países. Os organizadores estimam a audiência de 1,6 bilhão de espectadores ao redor do mundo.

sexta-feira, 6 de julho de 2007

Quem se incomoda com a proximidade de Zulaiê?

Alguém tentou mandar um recado enviesado hoje, pelo Painel, coluna política da Folha de S. Paulo, sobre a aproximação entre a ex-deputada tucana Zulaiê Cobra Ribeiro e o PPS/SP:

"Vai sonhando. A ex-deputada tucana Zulaiê Cobra procura legenda para se candidatar à Prefeitura de São Paulo. Já ouviu do PPS que, se a condição para entrar no partido for essa, nada feito."

Das duas, uma: ou alguém de fora, enciumado, acha que pode barrar a filiação e a possível candidatura de Zulaiê à Prefeitura de São Paulo; ou alguém de dentro do partido, descontente com as conversas já bastante adiantadas com os presidentes municipal (Carlos Fernandes), estadual (David Zaia) e nacional (Roberto Freire), pensa em melar a filiação com fofoca de jornal.

Politicagem barata. Rasteira. Pobre. Pequena. Covarde.

Se for plantação de fora, é uma prova de que a vinda de Zulaiê está incomodando. Um indicativo do barulho que ela pode fazer na eleição de 2008. Uma demonstração inequívoca, portanto, de força da sua pré-candidatura.

Se for de dentro, deve ser coisa de algum destrambelhado que dá tiro no próprio pé. Além de depor contra a imagem do partido e a palavra de seus principais dirigentes, dá mostra de miopia política: quem tem alguma legitimidade, representatividade ou influência para impedir o projeto de Zulaiê no PPS não precisa mandar recado pelos jornais. É só manifestar a sua contrariedade à direção partidária ou à própria pré-candidata, com quem estamos dialogando com ética, franqueza e transparência já há alguns meses.

A decisão de ter ou não uma candidatura à Prefeitura de São Paulo não será uma decisão pessoal, individual, nem na base da fofoca, mas uma construção coletiva, partidária.

Acompanhe aqui as informações sobre a aproximação de Zulaiê Cobra com o PPS. Tudo é feito às claras.

Diretório do PPS/SP tem reunião neste sábado

Neste sábado, 7 de julho, às 9h30, o Diretório Estadual do PPS/SP estará reunido no Auditório Franco Montoro, da Assembléia Legislativa de São Paulo, sob o comando do presidente Roberto Freire , para discutir a seguinte pauta:

- Organização do partido em São Paulo;
- Projeto "Pé na Estrada" (prioridade para as 47 cidades com mais de 100 mil eleitores);
- Preparativos para a Conferência da Esquerda Democrática Caio Prado Júnior, que será realizada em Brasília de 17 a 19 de agosto;
- Planejamento para as eleições municipais de 2008.

quinta-feira, 5 de julho de 2007

PPS debate esporte, paradesporto e acessibilidade

O Diretório do PPS/SP promoveu nesta quarta-feira à noite, em sua sede municipal, um seminário de políticas públicas de esportes, paradesporto e acessibilidade aos portadores de deficiências, com palestras de Mara Gabrilli, Ulrich Hoffmann e Heraldo Corrêa.

Mara Gabrilli, 38 anos, é vereadora (PSDB), psicóloga, publicitária e ex-secretária da Pessoa com Deficiência e Mobilidade Reduzida da Cidade de São Paulo.

Há cerca de treze anos, envolveu-se num grave acidente de carro. Fraturou o pescoço e a coluna cervical, ficando tetraplégica. Vários nervos que controlam órgãos vitais foram afetados. Mara perdeu os movimentos do pescoço para baixo e passou dois meses num respirador artificial. Em 1997, ela fundou a ONG Projeto Próximo Passo, que visa melhorar o cotidiano das pessoas com deficiência física.

Ulrich Hoffmann, 67 anos, secretário adjunto da Habitação do Estado de São Paulo, ex-presidente da SPTrans (empresa gerenciadora do transporte na cidade), é engenheiro formado pelo Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ITA).

À frente da SPTrans em 2005 e 2006, entre outras iniciativas, trabalhou em parceria com a secretária Mara Gabrilli para garantir a acessibilidade nos ônibus paulistanos. O destaque é o serviço "Atende", que oferece transporte especial e gratuito para portadores de deficiências. Abrange pessoas que vão fazer reabilitação e tratamento, além de facilitar o acesso destas ao trabalho, estudo, esporte, lazer e atividades da vida diária.

Heraldo Corrêa Ayrosa Galvão, 52 anos, é ex-secretário de Esportes, Lazer e Recreação da Cidade de São Paulo (2005-2007). Formado em Turismo, Lazer e Recreação pela Universidade Anhembi-Morumbi, fez cursos de extensão na Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), trabalhou como ator e diretor, e foi responsável pela implantação da Televisão Pública de Angola (2001-2002).

Na década de 70, durante a gestão de Olavo Setúbal na Prefeitura de São Paulo, já havia trabalhado na Secretaria Municipal de Esportes, quando a pasta era ocupada pelo deputado Caio Pompeu de Toledo. Na época, participou da criação e implantação de programas de esporte e lazer na cidade, como o "Adote um atleta", "Ruas de lazer", "Olimpíadas Infanto-Juvenis", "Futeboys", "Um ginásio em cada prédio" e as primeiras edições do "Passeio ciclístico da Primavera". Em 1978, foi o primeiro coordenador de Turismo da cidade.

À frente da Secretaria na gestão de José Serra e no primeiro ano de Gilberto Kassab, Heraldo Corrêa tem entre as suas principais realizações a reforma do Centro Olímpico de Treinamento e Pesquisa, além de iniciativas como Inclui Sampa, Olimpeão, Sampa Skate, Super Férias, Arena no Vale, Motogol, Ponto a Ponto etc.

"Fizemos desta Secretaria um verdadeiro instrumento de inclusão social, disseminação e popularização do esporte e, ainda, de aproximação do cidadão e da comunidade com seus espaços públicos e com a sua cidade", afirma Heraldo Corrêa.

Os números da acessibilidade em São Paulo

Há cerca de 1,5 milhão de deficientes e 2 milhões de pessoas com mobilidade reduzida, como obesos, idosos e gestantes, na cidade de São Paulo.

As estatísticas, entretanto, não são 100% confiáveis. "Os únicos dados mais recentes são os do Censo do IBGE de 2000", diz Mara Gabrilli. "Mas, como o questionário é autodeclaratório, um senhor que usa óculos pode, por exemplo, se considerar cego."

Calcula-se que existam em São Paulo 416 mil deficientes físicos, como paraplégicos (que não movimentam as pernas), hemiplégicos (sem movimentos em um dos lados do corpo), tetraplégicos (que não mexem os quatro membros), amputados e outros.

Os cegos somam 687 mil, os surdos, 247 mil, e os deficientes intelectuais, 131 mil, caso de quem sofre, por exemplo, de síndrome de Down.

Desde 1999, os anões (2 mil na cidade, segundo estimativa da Associação Gente Pequena do Brasil) passaram a ser considerados deficientes no país.

• Transporte – Os ônibus adaptados passaram de 300 para 1.287, mais de um por linha. Desses, 43 têm um sistema que permite baixar a suspensão para receber cadeirantes, idosos e cegos com cão-guia.

• Cultura – O projeto Arte Inclui levou até agora mais de 7.500 deficientes ao cinema, ao teatro e a exposições.

• Educação – Desde setembro do ano passado, qualquer pessoa pode solicitar impressões de livros em braile ou audiolivros (com texto narrado) em uma das sete bibliotecas municipais com acervo em braile ou nos dez CEUs que fazem parte do programa.

• Trabalho – Dos 4.375 deficientes que entregaram o currículo nos Centros de Apoio ao Trabalho, 673 conseguiram uma vaga. Metade deles era de deficientes físicos. A qualificação ainda é uma barreira: só 10% possuem ensino superior completo.

• Esporte – Em setembro do ano passado, a cidade abrigou pela primeira vez os Jogos Municipais Inclui Sampa. Cerca de 153 pessoas com deficiência competiram em modalidades paradesportivas.

• Acessibilidade – Em 2006, a prefeitura investiu 11,3 milhões de reais na reforma de 62 quilômetros de calçadas da cidade, que agora passam a ser acessíveis a deficientes. Elas têm piso com indicações táteis e sem irregularidades.

• Habitação – Foram lançados em junho de 2005, na Casa Cor, os Selos de Habitação Universal e Visitável. Eles rotulam imóveis que permitem acesso de pessoas com deficiência.

Geração de bárbaros, selvagens, desumanos

O caso da empregada doméstica agredida por rapazes no Rio de Janeiro não é um fato isolado. A servente Nair Silva Alves, 67 anos, de uma escola de Dracena (interior de SP), teve dois braços quebrados e ferimentos em um dos olhos ao ser pisoteada por estudantes de 5ª a 8ª séries.

A professora D.N.S., de 44 anos, foi atingida por um golpe quando dava aula para uma turma da 8ª série na Escola Estadual Pedro Augusto Rangel, em Votorantim. Com o impacto, caiu e quebrou quatro dentes ao bater com o maxilar no chão. Ela afirma ter ficado “atordoada” e não sabe dizer em que circunstâncias o choque ocorreu. “A informação que tenho é de que havia dois alunos brincando ou brigando e que o golpe teria me atingido sem querer”.

A professora Eunice Martins dos Santos, de 47 anos, teve a mão direita prensada na porta de um banheiro e perdeu a ponta do dedo indicador na escola municipal onde dá aula, em São Bernardo do Campo, no ABC. Eunice disse que foi agredida por um aluno porque correu atrás dele. O garoto de dez anos teria se escondido no banheiro após o intervalo e não queria voltar para a sala de aula. Ela teria empurrado um pouco a porta da cabine, mas ele a bateu com força, atingindo o dedo da professora da 4ª série do ensino fundamental.

Outra professora, de 26 anos, levou socos no rosto e no pescoço de um de seus alunos, um adolescente de 15 anos. Ele cursava a 8ª série do ensino fundamental em uma escola pública de Suzano, na Grande São Paulo. A agressão começou porque o aluno discordou dos argumentos da professora sobre a escolha de um grupo que representaria a escola em um evento. Por não ter boas notas e bom comportamento, o adolescente foi um dos excluídos. Após o término da aula, o rapaz atacou a educadora.

“Ele me segurou pelo avental, pegou minha cabeça e começou a dar socos por cima”, relatou. O primeiro pensamento foi se defender das pancadas. “Eu tentei reagir, mas não consegui porque o garoto é mais alto do que eu. Nem sei como desci as escadas (para ir à direção)”. O resultado foi um olho roxo, hematomas e mãos machucadas.

Em Piraju, a 328 km de São Paulo, alunos incendiaram o carro da diretora da escola. Ela havia denunciado um deles à polícia. O carro da diretora foi incendiado dentro da garagem da casa dela. As janelas da casa e o telhado também foram atingidos. Os suspeitos são dois alunos de 15 e 16 anos.

Mais violência

Nas escolas de São José do Rio Preto, a 440 km da capital paulista, mais violência assusta os professores. Em uma das escolas, estudantes colocaram fogo numa cortina. Em outra, os vidros dos banheiros e os vasos sanitários foram quebrados.

A ocorrência mais grave quase terminou em tragédia: foi o caso do aluno de 14 anos que queimou com um isqueiro o cabelo de uma professora.

Mas não são somente os jovens que se envolvem em ocorrências deste tipo. No começo do ano, em Salto de Pirapora, na região de Sorocaba, uma professora foi agredida por uma aluna que freqüentava o curso de alfabetização para adultos. A estudante de 32 anos parou de estudar, mas alega que foi a professora que começou a briga.

Em Macatuba, a 315 km de São Paulo, um ato contra uma professora de biologia também virou caso de polícia. Trinta e cinco alunos do terceiro ano do ensino médio são suspeitos de despejar cola de secagem rápida na cadeira que ela ocupava. Ao sentar, a professora percebeu a umidade, mas, mesmo assim, acabou tendo a roupa rasgada e um pequeno ferimento na pele.

Onde estamos? Para onde vamos?

Contardo Calligaris: "Quadrilhas de canalhas"

Contardo Calligaris *
Está com medo de tornar-se doméstica ou prostituta? Bata em pobres, índios e putas
Em poucas linhas, na Folha de sexta, dia 29 de junho, Eliane Cantanhêde descreveu perfeitamente o mundo no qual é possível que rapazes de classe média queimem um índio pensando que é "só um mendigo" ou espanquem uma mulher pensando que é "só uma prostituta".

Provavelmente, não teria sido muito diferente se eles tivessem pensado que era só uma empregada doméstica.

É um mundo em que a permissividade é o melhor remédio contra a inevitável insegurança social. Nesse mundo, os pais fazem qualquer coisa para que seus rebentos acreditem gozar de um privilégio absoluto; esse é o jeito que os adultos encontram para acalmar sua própria insegurança, para se convencer de que eles mesmos gozam de privilégios garantidos e incontestáveis.

Como escreveu Maria Rita Kehl no Mais! de domingo passado, nesse mundo, aos inseguros não basta ser cliente, é preciso que eles sejam clientes especiais.

Uma classe média insegura é o reservatório em que os fascismos sempre procuraram seus canalhas. Você está com medo de perder seu lugar e, de um dia para o outro, tornar-se índio, mendigo ou empregada doméstica? Pois é, pode bater neles e encontrará assim a confortável certeza de seu status.

Aos inseguros em seu desejo sexual, aos mais apavorados com a idéia de sua impotência ou de sua "bichice", é proposto um remédio análogo. Você provará ser "macho" batendo em "veados" e prostitutas.

Há mais um detalhe: a inteligência humana tem limites, a estupidez não tem. Essa diferença aparece sobretudo no comportamento de grupo.

Imaginemos que a gente possa dar um valor numérico à inteligência e à estupidez. E suponhamos que o valor médio seja dois.

Pois bem, três sujeitos mediamente inteligentes, uma vez agrupados, terão inteligência seis. Com a estupidez, a coisa não funciona assim: a estupidez cresce exponencialmente. A soma de três estúpidos não é estupidez seis, mas estupidez oito (dois vezes dois, vezes dois). Quatro estúpidos: estupidez 16. Cinco: estupidez 32.

Curiosamente, essa regra vale até chegar, mais ou menos, a um grupo de dez. Aí a coisa tranca: a partir de dez, torna-se mais provável que haja alguém para discordar da boçalidade ambiente. Não porque, entre dez, haveria necessariamente um herói ou um sábio, mas porque, num grupo de dez, quem se opõe conta com a séria possibilidade de que, no grupo, haja ao menos um outro para se opor junto com ele.

Esse funcionamento, por sua vez, decai quando o grupo se torna massa. É difícil dizer a partir de quantos membros isso acontece, mas não é preciso que sejam muitos: um grupo de linchamento, por exemplo, pode desenvolver toda sua estupidez coletiva com 20 ou 30 membros.

Em alguns Estados dos EUA, é permitido dirigir a partir dos 16 anos. Mas, em muitos condados desses Estados, vige uma lei pela qual um jovem, até aos 21 anos, só pode dirigir se houver um adulto no carro. Pouco importa que esse adulto seja habilitado a se servir de um carro.

O problema não é a perícia do motorista, mas o fato estatístico de que três, quatro ou cinco jovens num mesmo carro constituem um perigo para eles mesmos e para os outros: o grupo de "amigos" potencializa a estupidez de cada um, muito mais do que sua inteligência. Talvez seja por isso, aliás, que, para o legislador, a formação de quadrilha é um crime em si.

Qualquer pai de adolescente reza ou deveria rezar para que seu filho encontre rapidamente uma namorada e passe a sair na noite com ela, não com a turma dos amigos. Pois a turma é parente da gangue.

Como se sabe, o pai de um dos cinco jovens que, na madrugada do dia 23 de junho, na Barra da Tijuca, espancaram Sirlei Dias de Carvalho Pinto, comentou, defendendo o filho: "Prender, botar preso junto com outros bandidos? Essas pessoas que têm estudo, que têm caráter, junto com uns caras desses?". É o desespero de quem sente seu privilégio ameaçado: como assim, tratar a gente como qualquer um? Não éramos "clientes especiais"?

Mas as frases revelam também a distância entre o filho que o pai conhece em casa (o filho que teria "caráter") e o filho que se revela na ação do grupinho (esse filho não tem "caráter" algum).

O que precede poderia ser entendido como uma atenuante, tipo: eles agiram assim não por serem canalhas, mas por estarem em grupo. Ora, cuidado: o grupo não produz, ele REVELA os canalhas.

* Contardo Calligaris, italiano, é psicanalista, doutor em psicologia clínica e ensaísta. Vive e clinica entre os EUA e São Paulo. Ensinou estudos culturais na New School de Nova York e antropologia na Universidade da Califórnia em Berkeley. Assina uma coluna às quintas-feiras no caderno Ilustrada da Folha, na qual reflete sobre a cultura e a modernidade. É autor de "A Adolescência" (Publifolha, 2000), entre outros.

quarta-feira, 4 de julho de 2007

Um Maracanã lotado disputa vaga na Câmara de SP

Estão marcadas para o próximo dia 22 de julho as provas do concurso público para emprego na Câmara de São Paulo. São 110.097 candidatos disputando 197 vagas em cargos de todos os níveis de escolaridade e remuneração entre R$ 755,66 e R$ 5.137,57.

Ou seja, uma média de 559 candidatos por vaga. Isso significa uma concorrência 10 vezes maior que o vestibular da Fuvest, por exemplo.

Há oportunidades para Auxiliar Operacional (ensino fundamental ou equivalente); Técnico Administrativo; Técnico Administrativo (áreas: Higiene Dental, Contabilidade; Eletrônica; Enfermagem; Fotografia e Informática) e Técnico Administrativo na área de Taquigrafia. Todos de nível médio completo ou equivalente.

Já os candidatos com formação superior disputam vaga de Analistas e Consultores Legislativos, nas seguintes áreas: Contabilidade, Serviço Social, Engenharia Civil, Engenharia Mecatrônica, Administração, Arquitetura, Biblioteconomia, Economia, Enfermagem, Fisioterapia, História, Informática, Medicina, Odontologia, Pedagogia, Psicologia, Sociologia, Jornalismo e Direito.

terça-feira, 3 de julho de 2007

Os planos do PT para voltar à Prefeitura de SP

O PT tem pelo menos seis concorrentes à vaga de candidato à Prefeitura de São Paulo em 2008. Cada qual com a sua estratégia, dependendo de diversas variáveis: a ex-prefeita e ministra do Turismo Marta Suplicy; o presidente da Câmara dos Deputados Arlindo Chinaglia; o senador e ex-candidato ao governo do Estado, Aloizio Mercadante; o ministro da Educação Fernando Haddad; o deputado federal, expoente da "tattolândia" e discípulo de Marta, Jilmar Tatto; e, azarão correndo por fora, o deputado federal José Eduardo Cardozo.

O comando do PT paulista (e paulistano) é do grupo aliado de Marta Suplicy. Portanto, obviamente a decisão da candidatura sairá exclusivamente com o seu aval. Parece cada vez mais claro que Marta Suplicy só será candidata novamente se Geraldo Alckmin (PSDB) não estiver na disputa, reduzindo a chance de novo insucesso da ex-prefeita.

Também parece óbvio que Alckmin só não será o candidato tucano se não quiser, ou se for abatido em pleno vôo por um "tiro amigo". Mas se não lhe serrarem as asas, ele é o grande favorito (a 15 meses da eleição).

O cenário ideal de Marta é ver Alckmin fora da disputa e o PSDB partir sem muito entusiasmo (e rachado) para a campanha à reeleição de Gilberto Kassab (DEM, ex-PFL). Por isso, contradições à parte, o cenário ideal do PT acaba sendo também o melhor contexto para o próprio Kassab tentar se reeleger.

Até abril de 2008, a guerra entre os prefeituráveis deve ter muitas baixas. Não cabe todo mundo na disputa e a munição guardada parece ser bem pesada. De um lado, os pré-candidatos petistas. Do outro, o rearranjo de forças entre tucanos e democratas, serristas e alckmistas. Vamos ver no que isso vai dar.

ONG petista é acusada de desvio de verba do MEC

O jornal "O Estado de S. Paulo" de ontem revelou a existência de um "curso fantasma" que desvia verba do Ministério da Educação (MEC). Segundo a reportagem, uma ONG financiada pelo Programa Brasil Alfabetizado cadastra classes inexistentes e não paga os profissionais que trabalham.

Apenas no primeiro semestre deste ano, o ministério lulista liberou cerca de R$ 20 milhões para entidades que têm sede na capital paulista e são responsáveis por executar o Programa Brasil Alfabetizado, mas admite que não sabe o que é feito do dinheiro.

De acordo com o Estadão, "a proposta de erradicar o analfabetismo esbarra em um esquema de desvio de verba que envolve organizações não-governamentais credenciadas pelo MEC".

Durante mais de um mês, os repórteres analisaram as contas do ministério e procuraram 130 das 241 turmas montadas pelo Centro de Educação, Cultura e Integração Social de São Paulo - uma dessas ONGs, com sede em Guaianases, zona leste de São Paulo.

Pelo menos 65 delas são fantasmas. Há, ainda, professores que não receberam salários, educadores contratados para alfabetizar em três lugares ao mesmo tempo e duplicidade de turmas.

As ONGs são pagas para alfabetizar pessoas de 15 anos em diante. Na capital, 12 entidades foram cadastradas - 11 já receberam verbas para cumprir aquela que seria uma das mais importantes metas do ministério: acabar com o analfabetismo.

Em São Paulo, parte dos 68 mil alfabetizadores cadastrados atua desde o início do ano. Mas, terminado o primeiro semestre, centenas deles não viram um centavo da verba liberada.

Para ser cadastrada, a ONG precisa ter o seu projeto aprovado pelo MEC. O Centro de Educação, Cultura e Integração Social de São Paulo recebeu sinal verde em 2006.

A ONG paulista ganhou R$ 632.887,20 do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação para alfabetizar 5.709 pessoas, com 146 alfabetizadores. A verba foi depositada em 3 de abril, na conta 000041493X, agência 1267, do Banco do Brasil. Só pelo grupo de 65 turmas fantasmas, a entidade recebeu pelo menos R$ 98.800,00 e deixou de alfabetizar um mínimo de 650 alunos.

Até sexta-feira, grande parte dos educadores não tinha recebido salário. Na lista, estão Marilza Aparecida Santos, de 34 anos, e Gilmar Dias Souza, de 38. Desde fevereiro, eles alfabetizam quatro turmas em um sala de aula improvisada na garagem. “Estão me devendo pelo menos R$ 800”, reclama Souza.

O dirigente da ONG, Adaílton Marques Jordão, filiado ao PT, só repassou parte do que deve a Marilza na sexta-feira, quando o jornal já havia entrado em contato. Souza não recebeu nada e conhece pelo menos outros 20 alfabetizadores nessa situação.

Terreno baldio

Entre os endereços visitados pelos jornalistas, há terrenos baldios e residências, em vez de salas de aula. Há casos em que o número não existe na rua. A reportagem fez vários contatos com a ONG, mas foi informada de que Jordão e a coordenadora pedagógica, Ilma da Cruz Santos, estavam viajando e não tinham data para retornar.

Lula: "avanço social" contra o crime organizado

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta segunda-feira que seu governo está empenhado em derrotar o crime organizado.

"Queremos competir com o crime organizado, na certeza que só vamos derrotá-lo na hora em que conseguirmos levar benefícios para os lugares mais pobres do País", afirmou, citando especificamente o Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro.

Lula anunciou, ao lado do governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), investimentos de R$ 3 bilhões do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), nas áreas de saneamento e urbanização de favelas no Estado do Rio.

"Se o Estado não cumprir o seu papel e não der (melhores) condições ao povo, o narcotráfico e o crime organizado darão", afirmou.

Na semana passada, Lula já havia anunciado em São Paulo investimentos de R$ 7 bilhões do PAC para saneamento e urbanização de favelas.

Interessante a visão do governo lulista. É uma espécie de enfrentamento do crime organizado pelo crime desorganizado.

segunda-feira, 2 de julho de 2007

Curiosidade: hoje é exatamente o meio do ano

Talvez seja cultura inútil, mas é interessante saber que estamos exatamente na metade do ano de 2007. Hoje é o 183º dia do ano. Já atravessamos 182 dias e faltam outros 182 para chegarmos a 2008.

O dia 2 de julho marca ainda o aniversário de nascimento do físico Mário Schenberg (1914-1990) e da escritora Zélia Gattai (1916).

Vereadores de SP fogem de "Provão" da Veja

A edição paulistana da Revista Veja pegou pesado com os 55 vereadores de São Paulo. Tentou sem sucesso aplicar um "provão" nos representantes do Legislativo e, com a negativa das respostas (que a revista chamou de "fuga"), acabou publicando uma matéria detonando os parlamentares.

"Os 55 vereadores paulistanos boicotam questionário de conhecimentos gerais sobre a cidade elaborado por Veja São Paulo", afirma a revista. As ilustrações publicadas aqui são as mesmas da reportagem.

Segundo relato da Veja, "os doze líderes das bancadas partidárias, além de outros vereadores, participavam de uma votação marcada por muita discussão e gritaria. Do lado de fora da sala eram ouvidas frases como ´acham que vamos passar recibo de ignorância?´ ou ´isso é uma casca de banana para denegrir a nossa imagem!´".

Em nota, os vereadores tentaram se explicar: "...por não conhecermos o teor das perguntas previamente, pedimos que nos sejam enviadas as mesmas para que possamos elaborar as respostas com a precisão que esta revista merece".

Acompanhe a seguir o "Provão" dos vereadores e abaixo o gabarito.

1 - Qual é o orçamento da cidade aprovado pela Câmara Municipal para o ano de 2007 (em reais)?
a) 40,7 bilhões
b) 21,5 bilhões
c) 35,7 bilhões
d) 61,5 bilhões
e) 54,7 bilhões

2 ­- Os atuais 687 fiscais municipais são responsáveis por 600 atribuições. Entre as alternativas abaixo, qual não faz parte das tarefas desses agentes?
a) fiscalizar fogos de artifício
b) vistoriar calçadas
c) fiscalizar banca de jornais
d) apreender produtos piratas
e) acompanhar corte e poda de árvores

3 ­- No ano passado, a cidade registrou 2056 homicídios. Qual distrito concentrou o maior número dessas ocorrências?
a) São Miguel Paulista
b) Capão Redondo
c) Itaim Paulista
d) Engenheiro Marsilac
e) Jardim Ângela

4 -­ Quanto custam, respectivamente, as passagens de ônibus, metrô e de trem da CPTM (em reais)?
a) 2,30; 2,60; 2,60
b) 2,10; 2,30; 2,30
c) 2,30; 2,10; 2,60
d) 2,10; 2,60; 2,60
e) todas custam 2,30

5 -­ Quem não pode iniciar um projeto de lei na Câmara Municipal de São Paulo?
a) prefeito
b) vereadores
c) um grupo de pelo menos 5% dos eleitores da cidade
d) uma comissão legislativa da Câmara
e) promotores de Justiça

6 ­- Um teatro da cidade pretende colocar um banner em sua fachada de 200 metros quadrados. Qual é a área máxima que essa placa deve ocupar para que a casa cumpra a Lei Cidade Limpa?
a) 10 metros quadrados
b) 20 metros quadrados
c) 30 metros quadrados
d) 40 metros quadrados
e) a lei proíbe a instalação

7 ­- Como se diz em inglês: "Prazer em conhecê-lo. Sou vereador de São Paulo, a quarta maior cidade do mundo"?
a) Nice to meet you. I'm a city council member of São Paulo, the world's largest city
b) Pleasure to meet you. I'm a deputy of São Paulo, the world's fourth largest city
c) Nice to meet you. I'm a member of the city council of São Paulo, the fourth largest city in the world
d) How do you do? I'm a city council member of São Paulo, the fourth biggest city in the world
e) Nice to met you. I'm the council member of São Paulo, the fourth bigger city in the world

8 -­ Quanto cada um dos 10,7 milhões de paulistanos pagará neste ano de 2007 para manter a Câmara dos Vereadores funcionando (em reais)?
a) 15
b) 18
c) 25
d) 40
e) 62

9 -­ Quanto à concordância verbal, a frase inteiramente correta é:
a) Cada um dos participantes, ao inscrever-se, deverão receber as orientações necessárias
b) Os que prometem ser justos, em geral, não conseguem sê-lo sem que se prejudiquem
c) Já deu dez horas e a entrega das medalhas ainda não foram feitas
d) O que se viam era apenas destroços, cadáveres e ruas completamente destruídas
e) Devem ter havido acordos espúrios entre prefeitos e vereadores daqueles municípios

10 ­- São Paulo tem milhares de leis, algumas delas tão estranhas que até parecem piada. O(a) senhor(a) é capaz de diferenciar as verdadeiras das falsas?
a) Lei nº 13650, de 2003 ­ institui o Dia dos Vampiros, comemorado em 13 de agosto
b) Lei nº 14212, de 2006 ­ estabelece o Dia da Família Mineira, celebrado em 21 de abril
c) Lei nº 13440, de 2002 ­ proíbe o uso de aparelho celular nos postos de gasolina
d) Lei nº 14158, de 2006 ­ institui o Dia do Controle do Stress, comemorado em 23 de setembro
e) Lei nº 14168, de 2006 ­ permite que o motorista parcele o pagamento de multas de trânsito na cidade
f) Lei nº 14119, de 2005 ­ estabelece o Dia do Pico do Jaraguá, comemorado em 20 de março

1.B, 2.D, 3.B, 4.E, 5.E, 6.B, 7.C, 8.C, 9.B, 10.Todas são verdadeiras

Sinais de descontentamento na base de Serra

O primeiro sinal de rebelião dos deputados que compõem a base de sustentação do governo José Serra (PSDB) na Assembléia já tinha sido dado em maio, na votação da reforma da Previdência paulista. Parte da bancada governista se recusou a votar o requerimento do governo para iniciar a discussão do projeto e abandonou o plenário.

Os tucanos descontentes cobravam cargos prometidos pelo presidente da Assembléia, Vaz de Lima (PSDB), na eleição da Mesa Diretora. São cargos na própria presidência da Casa, perdidos pelos tucanos na legislatura anterior, quando tomou posse como presidente o deputado Rodrigo Garcia (DEM).

O boicote provocou uma derrota do governo, que não conseguiu os 48 votos necessários para aprovar no plenário o início do debate do projeto da Previdência. Pelas regras da Assembléia, a proposta precisa ser discutida por 12 horas pelos deputados antes de ir à votação.

Na semana passada, outro gesto de rebeldia agitou a base do governo no Legislativo, que conta com 70 dos 94 parlamentares, de dez partidos diferentes (PSDB, PTB, PPS, PSB, PV, DEM, PR, PP, PDT e PMDB).

Dois dos aliados de maior peso da base governista estão em pé de guerra. DEM e PV disputaram a presidência da Comissão de Transportes, rachando os votos governistas.

O deputado Aldo Demarchi (DEM) foi eleito na quinta-feira (28/6) presidente da Comissão, por cinco votos a quatro. Ele derrotou o candidato Edson Giriboni (PV).

Além de seu próprio voto, o representante dos Democratas recebeu o apoio dos deputados Antônio Mentor (PT), José Zico Prado (PT), Roberto Morais (PPS) e Campos Machado (PTB).

Com Edson Giriboni (PV), votaram João Caramez (PSDB), Orlando Morando (PSDB) e Rogério Nogueira (PDT).

Responsável, entre outras coisas, pela análise de projetos e contratos relativos a obras do Metrô, do Rodoanel e das concessões das rodovias paulistas, a Comissão de Transportes é considerada por muitos a mais importante das 23 comissões permanentes da Assembléia.

Como é óbvio pela contagem de votos, o PT foi o fiel da balança, elegendo como vice-presidente o deputado José Zico Prado. Vamos ver no que dá...

domingo, 1 de julho de 2007

PPS/SP mobilizado para Conferência Caio Prado Jr.

A Conferência da Esquerda Democrática "Caio Prado Júnior", encontro suprapartidário que o PPS promoverá no mês de agosto, em Brasília, pretende debater o que é ser uma esquerda moderna, suas características e o seu projeto transformador para o Brasil, em homenagem ao centenário de nascimento do historiador marxista Caio Prado Júnior (1907-1990).

Reuniões preparatórias estão sendo organizadas em todo o país. Propostas, análises, críticas e sugestões são recebidas pelo PPS e publicadas em um site específico do evento (www.ccpj.org.br).

Já estão integrados aos debates personalidades como Fernando Henrique Cardoso (PSDB), Jarbas Vasconcelos (PMDB), Luiza Erundina (PSB), Cristóvam Buarque (PDT) e Fernando Gabeira (PV), entre outros.

"É uma conferência política que tem como objetivo contribuir no debate para que a esquerda brasileira tenha capacidade de definir um projeto para o Brasil, definindo-se inclusive como esquerda", explica o presidente nacional do PPS, Roberto Freire. "Essa é a crise pela qual passa o pensamento progressista em todo o mundo.”

Temas como meio ambiente, crescimento econômico, justiça social, desenvolvimento e distribuição de renda devem estar entre as prioridades dos debates.

O PPS/SP está participando ativamente dos debates, desde a primeira reunião preparatória da Conferência, realizada em fevereiro (relembre aqui), até uma série de propostas, artigos e entrevistas apresentadas no Blog e nos sites do partido.

Entre as centenas de propostas encaminhadas, o ranking do site da Conferência registra "Juventude: Cidadania, Educação e Cultura" (leia), do PPS/SP, como a "mais lida" e a "mais polêmica".

Entre as cinco "mais aplaudidas" pelos visitantes do site, três são originárias do Blog do PPS/SP: esta sobre a juventude; "S.O.S. Planeta Terra: faça já a sua parte!" (leia) e "O PPS e a neutralização do carbono" (acompanhe).

Entrevistas

O Blog do PPS/SP também está realizando uma série de entrevistas exclusivas sobre os rumos da esquerda no Brasil e a importância da Conferência Caio Prado Júnior. Veja alguns trechos abaixo:

Juca Kfouri: “Gostaria de acreditar que a Conferência Caio Prado Júnior possa ter o papel de refundar um pensamento de esquerda no país, algo que parece ter virado palavrão.” (leia mais)

Rodolfo Konder: "Os partidos vivem uma crise porque não souberam compreender as mudanças, nem respeitar valores éticos essenciais, nem incorporar novos temas como o aquecimento global, por exemplo. Uma política de esquerda deve apontar caminhos para o futuro." (leia)

Luis Nassif: “Nem esquerda, nem direita conseguiram produzir uma síntese ou empunhar a bandeira do desenvolvimento com inclusão social. O espaço da esquerda está vago de idéias. Mais do que nunca é importante definir pontos programáticos nítidos.” (leia)

Lars Grael: “A esquerda precisa atualizar seu discurso com novo programa, novos ideais, novas metas e priorizar valores que estavam na periferia do debate como: Meio-Ambiente, Esporte, Cultura, Lazer, Matriz Energética, Defesa e Soberania Nacional.” (leia mais)

José Dirceu: “Ser de esquerda é alargar e aprofundar a democracia e lutar pela igualdade, contra a discriminação e o preconceito, particularmente, contra o racismo e todo o tipo de discriminação contra os homossexuais e o portador de deficiência. Ser de esquerda é lutar pela paz no mundo, pela preservação do meio ambiente. É estar ao lado da juventude brasileira na sua luta por dignidade. Ser de esquerda é antes de mais nada, ser a favor da igualdade, da justiça e da liberdade.” (leia mais)

Demétrio Magnoli: "Talvez seja a oportunidade de capturar as bandeiras nunca realizadas do republicanismo radical - e assim reinventar a esquerda no Brasil. Há demanda por um partido e um programa desse tipo. No fim, quem sabe o PPS venha a ser o partido que o PSDB nunca conseguiu ser?" (leia)

Hamilton Garcia de Lima: "É preciso abrir o PPS - ou qualquer outra organização que daí se produza - para a sociedade, inventando novos métodos de organização em rede e rompendo com o modo tradicional de fazer política, centrado exclusivamente nos interesses eleitorais dos parlamentares." (leia)

Luiz Sérgio Henriques: "É possível dizer, esquematicamente, que hoje os partidos e o mundo da política aparecem descolados da sociedade, aparecem mais como agências de governo do que como representantes da sociedade. A única certeza, neste ponto, é que o fosso crescente entre política e cidadania é o caminho para o desastre." (leia)

Nádia Campeão: "A Conferência certamente já acerta homenageando o pensamento de Caio Prado Júnior. Mas entendo que é tarefa de primeira ordem de todos os brasileiros preocupados com os destinos da nação debruçar-se sobre qual desenvolvimento serve ao nosso país, como enfrentar e superar o ainda enorme abismo social, como aprofundar a democracia e não restringi-la, e qual arco de forças sociais e politicas é capaz de conduzir estes processos." (leia)

Artigos

Outra contribuição do PPS/SP para a Conferência são os artigos publicados de personalidades como Alberto Aggio, Marco Vinício Petrelluzzi, João Batista de Andrade, Carlos Heitor Cony, entre outros.

Leia aqui também: "O que é ser de esquerda hoje?"

Assista a entrevista de Roberto Freire a Juca Kfouri

Reveja aqui a participação do presidente do PPS, Roberto Freire, no programa "Juca Entrevista", exibido na semana passada, pelo canal ESPN Brasil.

Juca Kfouri e Roberto Freire falaram das alegrias e dos escândalos do futebol, do Pan-Americano do Rio com seu orçamento elástico, que deverá ser investigado posteriormente, e, como não poderia deixar de ser, da situação política do país e até da conferência da esquerda democrática "Caio Prado Júnior", que o PPS vem promovendo desde fevereiro.

Freire revelou ainda que é torcedor fanático do Sport Club do Recife e ex-jogador da seleção pernambucana de basquete.

Assista: parte 1, parte 2 e parte 3.