
Isso porque no Mato Grosso do Sul, nada menos que 9.896 mulheres podem ser levadas a julgamento num processo sob acusação de terem praticado aborto, desde o final dos anos 90. A polêmica decisão é do juiz da 2ª Vara do Tribunal do Júri de Mato Grosso do Sul, Aloísio Pereira dos Santos.
Em abril do ano passado, houve a instalação de um inquérito contra a proprietária de uma clínica de planejamento familiar, com 20 anos de funcionamento no centro de Campo Grande (MS), acusada de praticar abortos. A apreensão de milhares de prontuários médicos deu origem ao processo em massa contra as quase 10 mil mulheres.
A delegada Regina Márcia Rodrigues Mota, que conduz o caso, afirmou que está estudando "a organização de uma força-tarefa para concluir os inquéritos e remetê-los à Justiça". O promotor de Justiça Paulo César dos Passos fundamentou: "A pressa é para evitar a prescrição do delito, que ocorre em oito anos."

Leia aqui a nota das Mulheres do PPS sobre o episódio de Campo Grande.
Trata-se de uma decisão arbitrária, autoritária, absurda, persecutória. Uma ameaça aos direitos e às conquistas da mulher, que transforma em crime um problema social e generaliza questões pessoais e absolutamente subjetivas.
