sexta-feira, 9 de novembro de 2007

Soninha grava inserções do PPS no Anhangabaú

Com o mote "PPS: porque dá (sim!) pra fazer diferente", a vereadora Soninha Francine, pré-candidata do PPS à Prefeitura de São Paulo, gravou na tarde desta quinta-feira, no Vale do Anhangabaú, centro da cidade, duas diferentes inserções para a TV que irão ao ar nos dias 23, 26, 28, 30 de novembro e 3 de dezembro, durante o horário eleitoral gratuito.

"A linguagem é a mais simples possível, com cara mais de vídeo-reportagem do que comercial, em um lugar com a ´cara de São Paulo´ (eu sempre penso no
Anhangabaú), plano único",
explica Soninha, com simplicidade. "Eu falo para a câmera, em pé, de modo informal, roupa normal, pó para não brilhar e só."

Os dois comerciais de 30 segundos são variações do mesmo tema, algo mais ou menos assim: "Você detesta política e quer desligar a TV? Eu entendo... Mas a política, com todos os seus problemas, faz parte da sociedade, e isso significa que a sociedade pode – se quiser de verdade – mudar a política. Para mudar, você precisa se interessar. Não é só votar a cada dois anos e fazer uma manifestação quando a coisa aperta... Nós queremos pensar política, governo, sociedade junto com você. Até porque os problemas são muito complexos para alguém resolver sozinho."

Ou: "Às vezes a gente olha o noticiário político e não entende nada! Às vezes entende e é pior ainda... Mas a política é muito importante. Tem a ver com o ar que você respira, a água que sai da torneira, as oportunidades que você recebe, seu trabalho, seu descanso, sua felicidade. Já que é tão importante, venha discutir com a gente o que se pode ou deve fazer!"

Dirigentes e parlamentares opinam sobre 2008

"Melhor do que simplesmente ter uma candidatura própria à Prefeitura de São Paulo é ter Soninha Francine como candidata. Eu estou muito orgulhoso de apresentar aos eleitores paulistanos uma mulher com a garra, a firmeza de convicções, a coragem de discordar e de debater temas controvertidos. A clareza de objetivos ao enfrentar uma disputa que a Soninha demonstra a São Paulo e ao Brasil.

Nós vamos para as eleições de 2008 em São Paulo com a melhor candidata. Se for escolhida prefeita, a cidade vai poder confiar nela porque não troca suas convicções por alianças espúrias que podem facilitar a vitória. Não foge de assuntos importantes só porque podem atrapalhar a votação. É uma mulher de convicções, de posições claras, e essas qualidades das quais eu estou falando a gente observa na Soninha desde os primeiros contatos. É uma honra tê-la ao nosso lado."

Roberto Freire, presidente nacional do PPS

"A filiação da vereadora Soninha Francine, anunciada pré-candidata do PPS à Prefeitura de São Paulo, fortalece a legenda, dá mais visibilidade às propostas do partido e favorece a chapa de candidatos a vereador.

É importante para o PPS reafirmar-se programática e ideologicamente como um partido democrático de esquerda, composto em grande parte por uma nova geração de políticos éticos e comprometidos com a busca de novos caminhos para o desenvolvimento econômico, político e social do Brasil."

Carlos Fernandes, presidente municipal do PPS/SP

"Vamos com tudo para eleger o maior número de candidatos do PPS nas eleições municipais de 2008. Em São Paulo, estaremos pra lá de bem representados com a candidatura de Soninha para a Prefeitura, uma pessoa íntegra, combativa e sensível às principais causas da população, como bem demonstra sua atuação. E ainda por cima entende de futebol! O que a gente pode mais desejar em uma prefeita?"

Davi Zaia, deputado e presidente estadual do PPS/SP

“O PPS da cidade de São Paulo tem tido uma correta direção política, sob a batuta do Carlos Fernandes, da executiva e do diretório municipal. Acertamos ao apoiar Serra e Kassab e ao lançar chapa própria de vereadores. Obtivemos vitória política e consequentemente espaço administrativo. Tivemos problemas, é verdade, tanto no desempenho dos vereadores eleitos, como no exercício de funções administrativas. Porém, tratamos isto com dignidade, seriedade e espírito público – marcas do PPS!

Temos novos desafios e grandes oportunidades para 2008. Tirar resultados e aprendizados de nossas experiências administrativas e ter perfil próprio no desenvolvimento de uma proposta para a cidade de São Paulo. Nossa chapa de pré-candidatos a vereadoras e vereadores é competitiva e representativa, refletindo a presença dos diversos segmentos da sociedade. A vinda da nossa pré-candidata Soninha Francine é um diferencial e se constitui num grande avanço.

Agora, devemos dialogar com a sociedade, ser propositivos neste quadro de desesperança, ter postura ética neste mar de lama, ter uma visão equilibrada - que de um lado afirme nossas propostas e presença e de outro mantenha a nossa capacidade de ver o todo, preservando nossas parcerias políticas estratégicas. São desafios que o nosso PPS esta ainda mais apto a enfrentar. Vamos à luta!”

Arnaldo Jardim, vice-líder da bancada do PPS na Câmara dos Deputados

"A filiação da vereadora Soninha Francine ao PPS representa um importante marco para o nosso partido. Suas ações em busca de inclusão social e respeito aos diretos dos cidadãos e ao meio ambiente demonstram o grande ganho político que nosso partido teve com a sua vinda. Com Soninha, o PPS paulistano fica muito mais forte e rico de idéias e ideais."

Roberto Morais, deputado estadual, líder do PPS na Assembléia

"A candidatura própria em São Paulo será uma excelente oportunidade para o PPS mostrar suas idéias, reafirmando sua vocação de um partido autônomo, moderno e voltado para as questões sociais."

Alex Manente, deputado estadual

"Fico feliz com a filiação e pré-candidatura da Soninha. Tem todo meu apoio. O nome dela agrega valor, conteúdo e uma imagem qualitativa e renovadora para o PPS."

Lars Grael, velejador, medalhista olímpico e ex-secretário de Esportes do Estado de São Paulo, recém-filiado ao PPS

quinta-feira, 8 de novembro de 2007

PT: nervos à flor da pele e vísceras expostas

Se não bastassem as disputas pelo comando da legenda, no processo de eleições internas já iniciado (comum devido às tendências que convivem e se digladiam dentro do partido), dessa vez a briga dos cardeais extrapolou a cozinha do PT e chegou às ruas.

Pois é briga de rua, um verdadeiro vale-tudo, o que se vê agora entre o deputado federal Devanir Ribeiro, defensor da idéia do terceiro mandato para Lula, e o deputado estadual Rui Falcão, fiel escudeiro da ex-prefeita Marta Suplicy - todos do PT de São Paulo, este modelo de cordialidade e convivência pacífica entre os (des)iguais.

Interessante que a briga nacional do PT é toda paulista (opõe Palocci à Tattolândia, enquanto corre por fora o azarão José Eduardo Cardozo), e no comando paulista do partido faz relembrar um duelo do futebol carioca dos anos 80 (Zico x Edinho). Hilário. O PT é mesmo um mundo à parte.

Falcão escreveu o artigo "Terceiro mandato, uma proposta inoportuna e inconveniente"; Ribeiro retrucou com "Miopia e amnésia".

Os adjetivos trocados publicamente entre os "companheiros"? Oportunista, desinformado, mentiroso... e por aí vai!

Acompanhe o embate: "Miopia e amnésia" e "Terceiro Mandato, uma proposta inoportuna e inconveniente". Voltamos ao assunto no próximo round (preferimos o termo em inglês, porque traduzir para "assalto" poderia gerar mais confusão).

A volta de Manguari Pistolão e Lorde Bundinha

Para os saudosos do trabalho de Oduvaldo Vianna Filho, o Vianinha (1936-1974), vale assistir em São Paulo a remontagem da peça Rasga Coração, considerada a sua obra-prima.

Segundo a crítica especializada, chega a ser surpreendente que tenham sido escritos no início da década de 70 alguns diálogos que parecem extremamente atuais, sobre os efeitos do progresso na destruição do planeta e o descaso com a preservação da natureza.

Trata-se de ótima oportunidade, também, para rever os personagens Manguari Pistolão, inspirado no jornalista Noé Gertel, do velho Partidão, e o boêmio Lorde Bundinha.

Proibida pela Ditadura e tornada um dos símbolos da luta contra a censura, a ação se passa através de saltos narrativos entre presente e passado.

No presente, assiste-se à história de Manguari Pistolão, um funcionário público que é militante do Partido Comunista, e seus problemas com o filho Luca, um jovem rebelde interessado em macrobiótica e zen-budismo.

No tempo do passado, a ação enfoca a vida do fiscal da Saúde Pública 666, pai de Manguari, a luta dos militantes do PC contra o Estado Novo e a ação integralista. As arruaças e canções de Lorde Bundinha, tio de Manguari, fazem as ligações entre os diferentes planos.

"O fascinante em Vianinha é que ele não cria o herói como um ser perfeito. Manguari é frágil, cheio de contradições, equívocos e conflitos. Mas é um lutador, um lutador político, um homem capaz de indignar-se com a injustiça e agir contra ela, essa é sua força", diz o ator Zecarlos Machado. "Como também foi Vianinha. Sua trajetória foi de luta pelas coisas que acreditou."

O diretor Dudu Sandroni, de quem partiu a iniciativa da montagem, chama atenção para a oportunidade de rever a peça após mais de três décadas."Ela faz uma crítica ao homem de esquerda brasileiro e sua adesão ao sistema em diferentes tempos da História. É muito interessante revê-la nesse momento em que a geração de Vianinha chegou a o poder. E não estou falando só de Lula, mas também de FHC, toda essa geração que chegou ao poder pós-1964."

Como explicou o próprio Vianinha, no prefácio: "Em primeiro lugar, Rasga Coração é uma homenagem ao lutador anônimo político, aos campeões das lutas populares: preito de gratidão à Velha Guarda, à geração que me antecedeu, que foi a que politizou em profundidade a consciência do país. (...) Em segundo lugar, quis fazer uma peça que estudasse as diferenças que existem entre o novo e o revolucionário. O revolucionário nem sempre é novo absolutamente e o novo nem sempre é revolucionário".

Rasga Coração. 135 min. 12 anos. Sesc Santana (349 lug.). Av. Luiz Dumont Villares, 579, 6971-8700. R$ 20. Sábados, às 21h; domingos, às 19h. Até 25/11

PPS realiza o 1º Encontro dos Pré-candidatos

Amanhã, sexta-feira, dia 9 de novembro, a partir das 19h, acontece o 1º Encontro dos Pré-candidatos do PPS às eleições municipais de 2008, com a presença da vereadora Soninha Francine (pré-candidata à Prefeitura de São Paulo), dos deputados federais e estaduais, militantes e dirigentes do PPS.

Trata-se da primeira reunião de trabalho e apresentação de todos os novos filiados e pré-candidatos a vereador do partido na capital, a etapa inicial de uma longa e promissora caminhada até as eleições de 5 de outubro de 2008.

Ao promover este 1º Encontro, a Direção do PPS/SP reitera que está diariamente à disposição, na sede paulistana, para todos os esclarecimentos necessários, informações sobre a rotina partidária, formulação e discussão de propostas de políticas públicas para a cidade.

Temos também o nosso site oficial na Internet e o Blog do PPS/SP, que estão abertos para receber contribuições de textos, idéias, artigos, críticas e sugestões.

O próximo passo será colocar no ar uma ferramenta inovadora, aberta e interativa para receber e debater propostas para São Paulo, que nos permitirá constuir um programa de governo identificado com os cidadãos paulistanos e que marcará definitivamente este novo perfil do PPS.

Neste sentido, a pré-candidatura da vereadora Soninha Francine à Prefeitura é também uma alternativa para qualificar o debate, resgatar princípios e ideais que parecem fora de moda na política, construir um programa de governo verdadeiramente identificado com os cidadãos paulistanos e reaproximar o PPS de movimentos populares e sociais.

Esta série de atividades e realizações demanda um esforço coletivo e responsabilidade mútua. Participe!

Evento: 1º Encontro dos Pré-candidatos do PPS para 2008

Data: Sexta-feira, dia 9/11, a partir das 19h.

Local: Sindicato dos Padeiros de São Paulo (Rua Major Diogo, 126 - Bela Vista)

quarta-feira, 7 de novembro de 2007

Aquecimento global e consciência ambiental

Uma pesquisa encomendada pela emissora de TV britânica BBC ouviu 22 mil pessoas em 21 países sobre o aquecimento global e a consciência ambiental.

De acordo com o levantamento, realizado pela empresa GlobeScan junto com o Programa Internacional de Atitudes Políticas da Universidade de Maryland, apenas 50% dos brasileiros disseram que as pessoas "definitivamente" terão que mudar seus estilos de vida para combater as mudanças climáticas. Outros 38% disseram que as mudanças "provavelmente" terão de ocorrer.

Apesar de parecer incrível que só metade da população brasileira se preocupe com a questão ambiental, superamos a média global: no conjunto de 21 países, 41% dos entrevistados disseram que "definitivamente" terá de haver mudanças, e 37% que "provavelmente" deverão ocorrer mudanças.

Há ainda 65% dos brasileiros consultados que apóiam que o aumento dos impostos seja vinculado à geração de energia limpa - o segundo mais baixo índice entre os 21 países pesquisados, o que mostra a descrença em impostos "carimbados" no Brasil, como deveria ter sido a CPMF para a saúde.

Mesmo quando a idéia é que o volume total de impostos permaneça inalterado, os brasileiros não mostram propensão a pagar mais pela energia. A taxa de pessoas que apóiam a idéia continua em 65%, enquanto na maioria dos outros países esse índice é bem maior. Apenas no México e nos Estados Unidos a idéia teve menos apoio, com 64%.

Mesmo em tempos de projeções catastróficas para o planeta, com o grave alerta da ONU sobre as conseqüências do aquecimento global (um bilhão de pessoas sem água, fome, doenças, o desaparecimento de 30% de todas as espécies de vida animal e vegetal), parece que o tema demora a cair no "gosto popular".

Nós, do PPS, temos convicção do papel que cabe a cada cidadão, individual e coletivamente, para controlar o aquecimento global, permitindo ao menos que ele não seja tão devastador. Estamos tentando fazer a nossa parte. Veja aqui como participar. Acompanhe o relatório de atividades do PPS sobre o Meio Ambiente e conheça a proposta de neutralização do carbono.

PPS está de cara nova na cidade de São Paulo

A filiação ao PPS mais comentada na mídia é a da vereadora Soninha Francine (ex-PT), que já se coloca como pré-candidata à Prefeitura de São Paulo. Mas há várias outras aquisições valiosas, que vão também nos permitir requalificar o debate sobre a cidade, resgatar princípios e ideais que parecem fora de moda na política, construir um programa de governo verdadeiramente identificado com os cidadãos paulistanos e reaproximar o PPS de movimentos populares e sociais.

O velejador, medalhista olímpico e ex-secretário de Juventude, Esporte e Lazer do Estado de São Paulo, Lars Grael, por exemplo, é outro recém-filiado do PPS e uma excelente opção de candidato à vice-prefeitura de São Paulo.

Ainda no segmento esportivo, disputará em 2008 uma vaga na Câmara Municipal de São Paulo o ídolo corinthiano Ronaldo Soares Giovanelli, goleiro que mais vestiu a camisa do Corinthians em seus 97 anos de história. Outros nomes com experiência são o ex-secretário municipal de Esportes, Heraldo Corrêa, e o presidente do Clube Indiano, Haroldo dos Santos.

No setor de Cultura e Educação, há o cineasta e ex-secretário estadual João Batista de Andrade (foto), o ator e ex-deputado Kito Junqueira, o produtor cultural Alexandre Youssef (coordenador de Juventude na gestão da prefeita Marta Suplicy) e o ex-vereador eleito pelo PCdoB (2000-2004), Cláudio Fonseca, presidente do Sindicato dos Profissionais em Educação no Ensino Municipal.

Outros sindicalistas e representantes de categorias profissionais também estão filiados ao PPS, como Chiquinho Pereira (foto), do Sindicato dos Padeiros, Ernane Pastore (Motoboys), Benedito de Souza (Técnicos Industriais), Hamilton Sant´anna (Modelos), Toninho da Cooperativa (Transportes), Luciano Tadeu Damiani (Videolocadoras), Miriam Modesto (Jornalistas), Osvanir de Souza (Taxistas) e Eliomar Rodrigues Pereira (Escolas de Educação Infantil).

Dissidentes de outros partidos também se filiaram ao PPS: o grupo da deputada federal Luiza Erundina se transferiu do PSB e apresenta algumas pré-candidaturas para 2008, com destaque para Edson Silva, ligado à comunidade católica. Do PSC migraram o comerciante Jesus de Aquino e a representante do movimento GLBT Sandra Catarina. Do PSDB vieram Heida Lee, da comunidade chinesa, a professora Vera Lucia Zanelato e o jovem José Lemes Soares.

Outras pré-candidaturas de professores se destacam: Edinho Dom Macário, Edgard Santana, José Máximo Filho, Jihad Saab.

Há ainda bancários (Sérgio Olivastro, Sandra Barbosa, Antonio Pinto Sobrinho), médicos (Dr. Milton Ferreira, Dr. Luiz Mamede, Dr. Belfort, Dr. Reinaldo Rubens de Barros, Dr. Edson Monteiro, Dr. Fábio Kassab), comerciantes (Adalberto Maciel, Ivan Melo, Paulo Cesar Fonseca) e funcionários públicos (Adélcio Meira, Reginaldo dos Santos, Tania Lentini, J.R., Carlos Aguiar, Toninho Teixeira, Valderi Nogueira).

No setor empresarial, o mais novo filiado é Ciro Batelli, que foi por 14 anos vice-presidente da rede de hotéis Caesar Palace, com sede em Las Vegas. Formado em Direito, presidente do Comitê Nacional Pró-Legalização do Jogo no Brasil, é consultor internacional em turismo e entretenimento.

Há vários empresários que se destacam no PPS, como o ex-deputado Emerson Kapaz; o jovem Ronaldo Koloszuk, dirigente da FIESP; Pedro Massami, dono de uma rede de supermercados na zona leste; o construtor Antonio Carlos Barros; o publicitário Vivaldo Rodrigues; o jornalista Rogério Casagrande; além de Luiz Fernando Naso e Antonio Cipolla, que já fazem parte da direção municipal do partido.

Na defesa do Direito do Consumidor, há dois grandes destaques: os advogados Paulo Cremonesi e Rosana Chiavassa, ela que foi a primeira mulher a disputar a presidência da OAB de São Paulo.

Da Juventude do PPS, há pré-candidatos como os advogados Ricardo Maritan e Eduardo Mennucci (neto do deputado Palmiro Menucci, presidente do Centro do Professorado Paulista), o publicitário Ivor Carvalho, e os estudantes Janaína Costa, Rogerio Oliveira e Mario Malina (neto do dirigente histórico do PCB/PPS, Salomão Malina).

No setor da Segurança Pública, destaca-se o delegado do Denarc, Clóvis Ferreira de Araújo.

No segmento evangélico há, entre outros, os pastores Marcio Leon, Marcos Maia, Otacílio Oliveira e Hideraldo Pagliarini.

Entre engenheiros, arquitetos e urbanistas há nomes como o subprefeito da Casa Verde, Marcos Gadelho, e o fundador da ONG Riscos Urbanos, Joca Martins.

Até um ex-vereador de Taquaritinga e presidente da Câmara daquele município por três oportunidades, Wilson Abdalla Mansur Zaquia, transferiu o domicílio para o PPS de São Paulo.

Assim vai se formando a nova cara do PPS e uma chapa própria de pré-candidatos a vereador que em 2008 o partido terá a oportunidade de apresentar à sociedade. Há vários outros nomes a destacar, cada um com boa expressão e representatividade dentro do seu segmento. Voltaremos ao assunto, apresentando um a um.

terça-feira, 6 de novembro de 2007

Lula, o modesto, não é Chavez. É Thatcher ou Khol?

Curiosa a definição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre a possibilidade de uma manobra constitucional para lhe dar o direito de concorrer a mais uma reeleição: o 3º mandato seria "procurar sarna para se coçar", na opinião do presidente.

Ora, mas o que seriam mais quatro ou cinco anos para quem já passou as últimas três décadas "coçando", sustentado pela máquina petista?

Ironia à parte, o próprio Lula diz que o debate sobre proposta de mais uma reeleição é "falta de sensibilidade" e "insensatez pura". Porém, esquece que são os seus mais próximos aliados dentro do PT que se movimentam neste sentido.

Talvez quando lhe servirem o prato pronto da reeleição, ele dirá mais uma vez: "Eu não sabia de nada..."

Outra fala típica lulista: ele diz achar "engraçadas", quando se critica a reeleição sem limites, as comparações ao venezuelano Hugo Chávez e não aos primeiros-ministros da Europa que ficam no poder.

"É engraçado, porque eu já vi Margareth Thatcher [primeira-ministra do Reino Unido de 1979 a 1990] ser tantas vezes reeleita, já vi Helmut Khol [primeiro-ministro da Alemanha de 1982 a 1998] ficar tanto tempo, e eu nunca vi ninguém perguntar se vários mandatos sucessivos eram ruins", disse.

Entra em campo Lula, o modesto.

A Copa do Mundo é nossa!!! (ou deles?)

Por falar de Lula entrando em campo, será algum delírio persecutório, um mero transtorno oposicionista passageiro ou manifestação exacerbada de irritação política o fato de enxergarmos no logo da Copa de 2014, nestes quatro números estilizados, uma semelhança exagerada com quatro letrinhas: L - U - L - A ?

Bom, podem dizer que é um ato falho ou traição do subconsciente. Talvez o reconhecimento enviesado da "conquista" do governo Lula ao lado de toda a corja da CBF de Ricardo Teixeira & cia. ao trazer a Copa para o Brasil, nesta empolgante disputa de país-sede sem adversários.

O fato é que não faltam motivos para criticar. Parece coisa de velho esquerdista repetindo o chavão: "o futebol é o ópio do povo". Aliás, "repetir o chavão" deve soar aos ouvidos de jovens esquerdistas desacostumados com essa frase como prática de venezuelano que reelege o "grande" presidente Chavez. Nada muito diferente do nosso.

O ex-goleiro Ronaldo, ídolo da torcida do Corinthians, foi um dos que soltou o verbo contra o oba-oba da Copa do Mundo no Brasil, como se os políticos não tivessem mais nenhuma preocupação com a miséria e as carências da população nas áreas de saúde e educação, por exemplo.

É bom ouvir isso de alguém que vive do futebol e que é apaixonado pelo esporte, para mostrar que, como diria Nelson Rodrigues, toda unanimidade é burra.

Que venha a Copa, e com ela os investimentos e a infra-estrutura que (esperamos) acabará sendo herdada para o bem das cidades que sediarão os jogos do torneio. Mas não pensem que o povo é bobo, que aceita qualquer engodo que lhe passam como se fosse a oitava maravilha do mundo. Nem todos.

Leia abaixo artigo de outro ídolo corintiano, Sócrates (que escreve com o seu filho Gustavo), além da opinião do jornalista Janio de Freitas e da vereadora Soninha Francine sobre a Copa no Brasil.

Artigo: A quem serve a Copa no Brasil?

SÓCRATES e GUSTAVO VIEIRA DE OLIVEIRA *

Não se tem dúvida do êxtase que será uma Copa no Brasil. Festa e futebol é uma combinação perfeita para nós, brasileiros.

É o que temos de melhor para mostrar ao mundo. Porém, ao observar esse grande evento no seu entorno, de forma mais profunda, percebe-se a distância que nos separa das condições e do merecimento para recebê-lo.

O futebol é fenômeno social, parte fundamental da cultura do país, inegável elemento de identidade nacional e extremamente simbólico. O futebol brasileiro (dentro e fora de campo) muito diz sobre o que somos, nossos valores, a dinâmica social e as relações de poder. É uma mostra didática do que é o Brasil. A Copa não deve ser analisada sob ótica diferente.

A falta de condições salta aos olhos nos primeiros movimentos realizados rumo à indicação e, a partir de agora, à organização desse megaevento. Ao verificar as lideranças que ameaçam tomar frente do processo, é possível antecipar o futuro de apropriação do bem coletivo, da personificação maliciosa da obra social difusa, da preponderância de interesses indignos e ilegítimos em benefício de si mesmos, de seu pequeno grupo e na defesa do podereco que eterniza essas práticas no futebol (e no país).

O comitê organizador da Copa 2014 é o melhor retrato (conforme informação desta Folha): uma só pessoa, que tudo pode e a ninguém presta satisfação e contas. Um déspota! Mas não devemos nos preocupar.

Qualquer evento esportivo acontece por si só. É só a bola rolar que as atenções se direcionam para o campo e esses "requintes" se esvaem e depois são esquecidos com a avalanche de informações direcionadas -especialmente as veiculadas pelo império midiático, onipresente e onipotente no futebol, que tem papel fundamental no atraso das instituições esportivas. Sempre foi assim no Brasil, não é?

O que interesseiramente ignoram e querem que ignoremos é o potencial mobilizador e de transformação social desse fenômeno jogado com os pés. Essa é a legítima função do futebol, a qual, se aflorasse, não encontraria limites para transformar realidades, integrar culturas e pessoas, formar cidadãos e consciências, enfim, servir de vetor do desenvolvimento e da igualdade social.

Essa é o entendimento fundamental que nos falta, a essência que daria sentido a uma Copa no Brasil e que, com esses valores, por beneficiar a todos (benefício verdadeiro, não apenas a felicidade fugaz por assistir a alguns jogos), nos faria, com muito orgulho, merecer tal evento.

Nem mesmo se pode afirmar que há condições para as melhorias dos equipamentos urbanos, conseqüência do fato de sediar um evento dessa magnitude. É o que se verifica com a experiência do Pan. Apesar de inúmeras promessas de legados fantásticos e benfeitorias maravilhosas, passada a competição, pouco se verifica de melhoria na vida cotidiana do carioca.

O que se viu foi uma imensidão de recursos públicos investidos de forma nada transparente, usados, em sua maioria, para maquiar ações sociais provisórias e, portanto, ineficientes, melhorias urbanas não prioritárias e para construir praças esportivas que servem aos mesmos citados anteriormente, seja em forma de concessões à exploração privada a preços ridículos, seja para um efêmero "circo sem pão" esportivo que sustenta esse podereco.

Nesse cenário, o mais cruel é perceber que o único que merece vivenciar uma Copa do Mundo, devido à paixão delirante dedicada ao futebol, pela intensidade com que esse esporte é parte de sua cultura e identidade, é aquele que, também por tudo isso, não é estimulado a discernir sobre a manipulação de sua paixão e a enxergar essa realidade -ou seja, o torcedor e o povo brasileiro.

Sob esses aspectos, com uma visão mais profunda e complexa, que insere a Copa do Mundo e o próprio futebol dentro do contexto social e político, driblando a idéia e o poder dos contrários, enfim, por ir além da festa e do futebol, mesmo que sufocando o torcedor dentro de nós, não vemos condições de o Brasil sediar um evento com tal magnitude e simbolismo e, ao mesmo tempo, proporcionar transformações na realidade social do nosso país, que é o que a nós (sonhadores de um Brasil mais humano e justo) interessa.

* SÓCRATES BRASILEIRO SAMPAIO DE SOUZA VIEIRA DE OLIVEIRA, 53, é médico e ex-jogador de futebol (Copas do Mundo de 82 e 86).

* GUSTAVO CECILIO VIEIRA DE OLIVEIRA, 30, é advogado, especializado em administração esportiva pela FGV.

(artigo publicado na Folha de S. Paulo de 3/11)

Artigo: O Bonde dos Irresponsáveis

JANIO DE FREITAS *

Em poses e cores para todos os gostos, hoje a TV e amanhã os jornais vão brindar-nos com imagens de um grupo de governadores, encabeçado por seu presidente, em viagem à Suíça sob a justificativa geral de fazer "lobby" pela indicação do Brasil para sede da Copa do Mundo de 2014.

O motivo citado é uma falsidade: o Brasil é candidato único, logo, não era necessária pressão alguma, a Fifa ficou sem alternativa. O que as imagens vão mostrar, de fato, não é um grupo de governadores com seu presidente, aquele que lhes solta verbas em troca de agrados, é o bonde dos irresponsáveis.

Bem à maneira carioca, assaltantes do Rio deram esse nome -bonde- ao tipo, digamos, de operação em que agem uns seguindo os outros, todos orientados para o mesmo objetivo. O bonde que se mostra na Suíça é uma contrafação do bonde carioca.

De olho no duplo objetivo de agradar a Lula e de explorar os entusiasmos ingênuos dos seus eleitorados, o grupo de governadores está contribuindo para o propósito irresponsável de desviar vários bilhões das necessidades mais prementes, para uma espécie de festa que não faz falta ao Brasil.

O arrazoado que a Fifa recebeu com o compromisso do governo brasileiro é um amontoado de mentiras. Tanto sobre condições já existentes para sustentar a candidatura à Copa, entre as quais estão referências à infra-estrutura e à segurança absolutamente forjadas, como sobre disponibilidades do país para cumprir as exigências em construção de estádios e de mais e gigantesca infra-estrutura pelo país afora, para os eventos da Copa e para os alegados milhões de torcedores estrangeiros.

Tostão, hoje tão admirável no jornalismo quanto foi no futebol, anteontem lembrou na Folha, em ponderações sobre a Copa no Brasil, o gasto gigantesco com o Pan no Rio. O gasto admitido é superior a quatro vezes o custo apresentado para trazer os jogos. E não está incluída grande parte das obras presentes no custo orçado, mas não saídas do papel, como o metrô da Barra.

Nunca foi apresentado o custo final e verdadeiro do Pan: é uma verificação que o Ministério Público Federal e o do Estado do Rio devem à população e à sua própria respeitabilidade.

O que se sabe de certo é que os dados oficiais não são confiáveis, ou por incompletos alguns, ou porque falsos. Sem falar nas manipulações que multiplicaram custos de obras e equipamentos como milagres do padrão de moralidade nacional.

O tal saldo, em turismo para o Pan e em aumento formidável dos visitantes futuros, não houve. O saldo em melhorias para a cidade, idem, porque não houve as tais obras. O saldo para o esporte está em um centro esportivo que a prefeitura nem ao menos conseguiu arrendar por uma ninharia, e lá está, na Barra, com o custo por se pagar e com a manutenção significando novos custos -e entregue aos mosquitos da dengue na Barra.

O novo estádio de futebol, um dos milagres da multiplicação de custos, foi arrendado ao Botafogo para um ou dois jogos por semana, enquanto o Maracanã, há 57 anos uma bomba de sugar recursos públicos, fica ocioso na maior parte das semanas.

A Olimpíada de 2004 custou à Grécia US$ 12 bilhões. Iria pagar-se com o turismo imediato, os patrocínios e, nos anos vindouros, com o incentivo adicional aos atrativos gregos para visitantes estrangeiros com poder aquisitivo.

Além do imenso rombo, por não se cumprir nenhuma das previsões de receita, a Grécia recebeu da Olimpíada um outro problema financeiro, sobre o qual nem cogitara: a vasta estrutura de construções esportivas e equipamentos não encontra uso que a justifique, mas o custo de conservação pesa muito nos recursos públicos.

Enrolado na CPMF, o ministro Guido Mantega, da Fazenda, admitia ontem o aumento das verbas para a saúde, como retribuição aos votos oposicionistas, "em mais 1%, depois até 2%, 3%". Embora criada para financiar a saúde, a CPMF só é destinada a tal fim, pelo governo da justiça social, em 42% do total arrecadado.

A oferta de Mantega, portanto, com base na arrecadação de R$ 40 bilhões, representaria aumento entre R$ 400 milhões e R$ 1,2 bilhão para a saúde. Não há como fazer comparação com o custo da Copa, porque o seu custo orçado é mentiroso, e o acréscimo da roubalheira usual é imprevisível. Nem é preciso comparar: a oferta de Mantega subscreve a indigência dos serviços de saúde no país, no tratamento tanto aos pacientes como aos médicos, enfermeiros, hospitais e escassos postos de saúde.

Isso, porém, é motivo de inquietação para pessoas responsáveis, ou simplesmente pessoas. Não move o bonde dos irresponsáveis.

(artigo publicado na Folha de S. Paulo em 30/10)

Artigo de Soninha Francine; eis o ótimo título: "!!?!"

SONINHA*

!!?!

Apesar da "magnitude" e da "complexidade" de uma Copa, a Fifa "inspecionou" relatórios, não as cidades. Começa bem.

Eis que o Brasil será novamente sede de uma Copa, vencendo por W.O. "O grupo de inspeção opina que o Brasil está em condições de organizar uma Copa do Mundo excepcional", informa o relatório de avaliação da candidatura. O país "possui o potencial necessário e demonstrou que é muito capaz de organizar uma Copa excepcional", reitera. "Demonstrou" como, caras-pálidas?

Um relatório objetivo, baseado na inspeção das condições atuais e na análise de promessas e projeções para o futuro distante, não deveria jamais se aventurar no território dos adjetivos. "Excepcional"?

Isto porque, "apesar de o Brasil poder orgulhar-se de uma vasta tradição como anfitrião de eventos esportivos (?!) e de outra natureza, as normas e exigências da Fifa excedem consideravelmente as de qualquer outro evento organizado na história do país". É verdade. Mas o rigor das normas em si não parece ser o mesmo dos autores do relatório.

Para começar, eles verificaram pessoalmente 5 das 18 cidades candidatas. E em visitas breves. Foram nove dias no total. Diante de evento de tamanha "magnitude e complexidade", como dizem, não seria recomendável assistir ao menos a um jogo de futebol em cada cidade? Não seria mais útil do que almoçar nos palácios de governo?

Há lugares em que nem pisaram. As 13 outras candidatas fizeram apresentações "profissionais e apaixonadas" aos inspetores enquanto estavam no Rio de Janeiro. Foi o suficiente para "se darem conta perfeitamente (!) do potencial de cada uma".

Isso porque era candidatura única... Se fossem vários os concorrentes, eles teriam tempo para inúmeras viagens internacionais. Que gastassem sola de sapato por aqui!
O relatório é contraditório em si mesmo. A conclusão final é a de que temos "boa infra hoteleira e em número suficiente nas possíveis cidades anfitriãs".

Mas o capítulo específico sobre estadia diz que "é preciso se esforçar para fazer frente ao déficit que ainda existe" e identifica uma insuficiência ""em particular, no caso de São Paulo" (!!). Mais adiante, diz que as cifras estão abaixo do requerido "nas cidades-chaves de Rio de Janeiro e São Paulo" (!!!).

Em compensação, depois de "revisar esta informação exaustiva com absoluta objetividade", o grupo de inspeção concluiu que "a atual (!!!) infra-estrutura de transporte permitiria ao Brasil organizar uma excelente (!) Copa em 2014".

"As 18 possíveis anfitriãs têm bons aeroportos". Ao prever grandes deslocamentos em função de determinadas partidas, o grupo "pode confirmar com confiança (!!!) que a infra-estrutura de aeroportos poderia receber numerosos passageiros em viagens de ida e volta em um único dia". Quanto ao transporte urbano, temos "boas infra-estruturas para dar conta dos espectadores de uma partida". Incrível. Devem ter ido ao Maracanã de helicóptero.

Se ao menos dissessem que "os investimentos anunciados proporcionarão estrutura...". O Brasil tem o direito de querer sediar uma Copa. Mas podíamos fazer mais por merecer o evento... Mais que só amar e jogar bem o futebol. Nesse jogo, não se pode perder nem cogitar ganhar jogando feio.


(artigo publicado na Folha de S. Paulo em 30/10)

Artigo econômico: Taxa de câmbio a R$ 1,60?

YOSHIAKI NAKANO*

Países como o Brasil, que mantém o diferencial de taxa de juros muito elevado, devem ser inundados por dólares

O Real vem sofrendo uma forte apreciação em função do excesso de liquidez (de dólares) no mercado financeiro internacional. Em relação à taxa média de 2004, o real já se apreciou em 75,3%.

Com as atuais taxas de juros, a oferta de dólares é tão grande que, além de aquela apreciação, o Banco Central comprou mais de US$ 110 bilhões nesse mesmo período. Obviamente, há algo de errado na política do Banco Central. A pergunta que se faz é o que acontecerá com a taxa de câmbio no futuro próximo.

A taxa de câmbio deverá continuar se apreciando. Apesar da crise financeira e da contração de crédito nos Estados Unidos, a liquidez deverá continuar elevada, e, com a redução na taxa de juros pelo Federal Reserve, os países emergentes deverão receber cerca de US$ 1 trilhão de ingresso total de capitais financeiros por ano nos próximos anos. Países como o Brasil, que mantêm o diferencial de taxa de juros muito elevado ou têm grande disponibilidade de ativos com lastro, deverão ser inundados por dólar.

Além disso, haverá uma pressão adicional para apreciação cambial, e o Brasil tornar-se-á deficitário nas transações correntes. Com a forte depreciação do dólar nos últimos anos, as exportações dos Estados Unidos estão agora acelerando fortemente, com crescimento de mais de 15%. As importações vêm crescendo cerca de 5% e em desaceleração. Ou seja, o déficit de transações correntes deverá cair e imporá um forte ajuste sobre o resto do mundo.

Países como China, Índia e exportadores de petróleo não devem abrir mão de seus modelos de desenvolvimento, ou seja, não devem reduzir seus superávits nas transações correntes. Então, outros terão que fazê-lo, tornando-se deficitários, para contrabalançar a redução no déficit norte-americano.

É um questão de débito e crédito, já que, no global, as exportações mundiais equivalem às importações mundiais. Europa, com apreciação do euro, certamente absorverá parte desse ajuste, mas os candidatos naturais a terem déficit são os países latino-americanos, particularmente o Brasil, países que adoram consumir e se endividar sem pensar no futuro.

Com a atual taxa de câmbio, o nosso saldo comercial já caiu, até setembro deste ano, 22,31%, em relação ao ano anterior, pois as importações vêm crescendo a uma taxa de 31,9%, enquanto as exportações cresceram apenas 12,6% e se desacelerando.

Neste quadro, são inevitáveis novas apreciações do real e é provável que atinja R$ 1,60 ou até R$ 1,50 no próximo ano. Qual será a taxa de câmbio é uma questão de convenção do mercado financeiro. Num processo de apreciação cambial, os especuladores profissionais sabem que, atrás deles, virá a manada de especuladores amadores e, assim, se a maioria convencionar que a maioria acreditará que a taxa de câmbio continuará se apreciando e atingirá R$/ US$ 1,50, então isso acontecerá.

A taxa de câmbio é o preço da moeda estrangeira, um ativo sem custo de produção. Assim, seu preço depende da expectativa de retorno, e esta é dada pelo diferencial de taxa de juros mais a expectativa de apreciação cambial. Esta última é uma profecia que se auto-realiza, particularmente quando do outro lado do balcão você tem a politica monetária brasileira.

* YOSHIAKI NAKANO, 62, diretor da Escola de Economia de São Paulo da FGV (Fundação Getulio Vargas), foi secretário da Fazenda do Estado de São Paulo no governo Mario Covas (1995-2001); artigo publicado na Folha de 4/11.

segunda-feira, 5 de novembro de 2007

Confira o calendário e a legislação para 2008

Eleição de prefeito e vereadores será realizada em 5 de outubro de 2008. Comícios começam em 6 de julho; propaganda na TV e no rádio, em 19 de agosto. O segundo turno, se houver, no dia 26 de outubro. Veja aqui mais informações.

Visite também os sites PPS-SP, do diretório estadual, e PPS-SAMPA, do diretório municipal do partido.

As pessoas saem do PT ou o PT sai das pessoas?

Não há no Brasil ninguém, em sã consciência e com algum poder de se indignar diante da miséria, do atraso, da desigualdade e da falta de dignidade, que em certo momento da vida não tenha simpatizado ou mesmo votado no Partido dos Trabalhadores.

Seja na emblemática eleição de Lula contra Collor em 1989, seja em São Paulo na polarização entre Suplicy (primeiro Eduardo, depois Marta) e Paulo Maluf, não havia como escapar: o "novo" era o PT. Mas o novo envelheceu. Veio o poder e com ele os escândalos, as ações e omissões de um partido que tanto fez para ser diferente que acabou se igualando e até superando todos os demais naquilo que tinham de pior.

Agora vem a discussão sobre a fidelidade partidária. Será que a vereadora Soninha Francine foi infiel ao sair do PT? Ou a traição foi do partido, que abandonou as velhas bandeiras, princípios, posturas e ideais e se bandeou para o lado dos antigos adversários?

Soninha tem dado as suas explicações desde que deixou o PT, há um mês. Mas outras figuras expressivas da política já deixaram antes o Partido dos Trabalhadores. O que elas disseram? O que estes políticos, todos respeitados por sua ética, coerência e espírito público, têm em comum?

Engraçado que o primeiro rompimento estrondoso foi o da ex-prefeita Luiza Erundina, atacada ferozmente pelos petistas justamente por defender uma política de alianças (no governo Itamar Franco, após o impeachment de Collor). O mais recente, de Soninha, também traz a marca da intransigência petista: ela é criticada até por ter assistido a jogos do Palmeiras ao lado do governador tucano José Serra.

Mas o caso de Soninha traz mais um agravante, que é o oposto do que o PT sempre defendeu: "Saio porque acho que algumas de nossas inclinações, hoje, são muito diferentes. Onde o partido já foi até intransigente, ficou muito concessivo. Onde eu acho que é o caso de negociar, o PT se recusa. Quem conviveu comigo nesse tempo de mandato sabe das nossas divergências - naturais, inevitáveis, mas talvez predominantes hoje em dia."

"Enquanto estava no partido, sempre fiz ou concordei em público com várias críticas feitas a ele. Política de alianças sem qualquer consistência ideológica e programática, posicionamentos esquisitos no plenário da Câmara, política macroeconômica que não condiz com o que sempre defendemos, perseguição ou virtual abandono a colegas mais críticos e ´independentes´ etc.", diz a vereadora do PPS.

Soninha afirma que saiu do PT por "divergências acumuladas e persistentes e algumas questões programáticas, como o fato de o governo do PT ter como aliados pessoas que não têm nada a ver com aquilo que, em tese, o partido defende".

"Os ´coronéis´ de sempre", aponta Soninha. "E, pelas sinalizações até aqui, o partido pretende manter essa orientação".

Luiza Erundina, deputada

"A saída do PT foi a decisão mais difícil da minha vida. Fiquei 17 anos no PT, sou uma das fundadoras do PT, nunca fui de outro partido. Eu me formei no PT e sou devedora do PT. Mas em dado momento percebi, até por conta da minha experiência na Prefeitura de São Paulo, que algumas coisas tinham que mudar. Nós não podíamos nos manter fechados, intransigentes. Quando decidimos ir ao governo Itamar Franco, desrespeitando uma decisão do partido — porque eu dizia que se havíamos ajudado a derrubar o Collor, nós tínhamos a obrigação de ajudar o país —, minha vida no PT foi ficando insuportável. Eu fiquei um ano numa crise quase existencial. Até cheguei a pensar em sair da política e continuar no PT. Por outro lado, entendia que ainda tinha uma vida útil, muita energia, uma experiência acumulada. Também entendi que o partido não é o fim, mas o meio. Sem nenhuma crítica ao partido, mudei de casa mas não mudei de rua. Eu continuo no campo do socialismo e de esquerda. Não fiz nenhuma concessão."

Cristovam Buarque, senador

"Eu saí do PT porque vi que o partido já não era mais um partido de mudança, que não tinha mais vigor transformador."

"Eu não mudei. O PT que mudou. Eu acho que vai ser difícil para ele (Lula). Porque ele mudou de posição. Minhas posições são as mesmas."

"Eu só saí do PT porque eu vi que o PT não vai ter tempo de pensar o Brasil. Pelos próximos cinco a dez anos, o PT só vai ter tempo de pensar o próprio PT. É um partido sem projeto para o Brasil, porque está procurando um projeto para o próprio partido. Não saí porque o PT é um partido corrupto. A imensa maioria da militância petista é de gente honesta. Mas gente decente que vai ficar cinco a dez anos voltada para dentro. E o Brasil não tem tempo de esperar que daqui a dez anos o Brasil volte como um grande partido."


Chico de Oliveira, sociólogo

"Tenho o direito de cobrar do Partido dos Trabalhadores pelo governo que ele realiza, pela minha condição de militante e de cidadão. E, daqui por diante, exclusivamente pela minha condição de cidadão. Pois muito além do que imagina e pensa a direção partidária, o PT tem que dar satisfações à cidadania, que lhe deu as condições para disputar democraticamente e chegar ao governo. Falta a essa liderança consciência democrática e republicana, enquanto lhe sobram arrogância, prepotência e maneirismos caboclos de péssima fatura."

"Não confio mais nos dirigentes do partido --os que estão no governo e os que permanecem nas instâncias partidárias. Sequer suponho que esse todo seja homogêneo."

"Afasto-me porque não votei no Partido dos Trabalhadores para vê-lo governando com um programa que não foi apresentado aos eleitores. Nem o presidente nem muitos dos que estão nos ministérios nem outros que se elegeram para a Câmara dos Deputados e para o Senado da República pediram meu voto para conduzir uma política econômica desastrosa, uma reforma da Previdência anti-trabalhador e pró-sistema financeiro, uma reforma tributária mofina e oligarquizada, uma campanha de descrédito e desmoralização do funcionalismo público, uma inversão de valores republicanos em benefício do ideal liberal do êxito a qualquer preço, uma política de alianças descaracterizadora, uma ´caça às bruxas´ anacrônica e ressuscitadora das piores práticas stalinistas, um conjunto de políticas que fingem ser sociais quando são apenas funcionalização da pobreza."


Heloísa Helena, ex-senadora

"Vou usar toda a minha capacidade de luta e de trabalho para, entre outras coisas, ajudar o PT a recordar os nossos entusiasmados discursos de oposição. No dia em que, para estar na política, eu precisar me sentar à mesa com ladrões tolerados, daqueles que praticam tudo o que está no Código Penal e, mesmo assim, são recebidos com sorrisos e fanfarra nos salões da high society, vou comer giz na sala de aula. Volto, feliz, a lecionar na Universidade Federal de Alagoas. Para mim, é quente ou frio. Morno, eu vomito."

"A minha relação de amor e de identidade não é com a sigla. É com um projeto que, ao longo da história, foi representado por essa sigla. Quando ela não mais representar isso, por mais que eu chore abraçada com a estrela do PT, com aquilo que para mim vai ser memória, eu saio."

"Não acredito que o que está acontecendo seja culpa de Lula, não é uma questão de malevolência individual. O que está havendo é uma inaceitável demonstração de fraqueza do partido, de não se apropriar de um momento tão belo para viabilizar as mudanças profundas de que o Brasil precisa e que o PT prometeu em seu programa. É muito triste dizer isso, mas eu acho que o medo venceu a esperança."

"Tem gente que diz que estou pregando sozinha no deserto. Eu sei que não estou. Mas, mesmo que estivesse acompanhada de mim mesma, eu estaria em boa companhia."


Fernando Gabeira, deputado

"Intelectualmente, tinha visão da precariedade do Estado e das circunstâncias em que nos movemos. O domínio da política pela economia, a transformação dos governantes em administradores do caos vem do próprio processo de globalização. Observei o meu espaço aqui deste Parlamento em comparação com as Bolsas de Valores. As Bolsas de Valores são espaços onde as pessoas gritam e às vezes têm um psicologia diorda. No entanto, as bolsas de valores passaram a prevalecer sobre as decisões que tomamos no Parlamento, a irracionalidade prevalece sobre a racionalidade, e nós os políticos passamos a ser funcionários do grande capital tentando aplacar os seus sustos, as suas neuroses e os seus medos."

"Ora, não era esse o caminho que eu queria trilhar, existe autonomia da política, existem políticos do século passado com visão de conjunto, visão de longo alcance e aplicam essa visão de longo alcance em cada circunstância do seu cotidiano, mas quando se transforma em um Governo apenas que gera os interesses do grande capital, os problemas da Bolsa de Valores e correlatos, quando se transforma nisso, perdemos a visão do futuro. Administrar o quotidiano e, ao administrá-lo, passamos a preocupar-nos apenas com as eleições e estar no Governo, mas a nossa geração não pode se contentar com estar no Governo, nem pode dizer que quer continuar no Governo, ela deve dizer por que está no Governo, o que estamos fazendo no Governo, o que queremos do Governo. Isso, infelizmente não foi feito."

"Na verdade, eu poderia ter percebido isso. Mas eu me deixei também me levar pelo entusiasmo popular e pelo meu entusiasmo. Eu achei que havia uma saída no Estado. Mas eu sabia eu o Estado está em frangalhos, eu sabia que o grande capital nos deixou uma margem mínima de atuação, mas achava que era possível criar. Hoje eu não digo claramente para todos que meu sonho acabou. Não é isso. Eu digo claramente que sonhei um sonho errado. O sonho errado foi confiar que nós podíamos fazer tudo aquilo que nós prometíamos rapidamente, confiar que poderíamos fazer tudo aquilo num período de 4 anos ou imediatamente. Não. O sonho foi pior ainda: foi confiar que era possível transformar o Brasil a partir do Estado; foi não compreender que o Estado já perdeu o dinamismo e que o dinamismo agora se encontra na sociedade. Se o Brasil vai se transformar, vai se transformar através da sociedade. A sociedade é que vai impor os caminhos e o Estado virá - que bom que venha - talvez cansado, talvez lento, mas virá acompanhando nosso caminho."

"Eu quero dizer que até hoje, até a poucos dias passados eu fiquei muito triste porque eu passei a partilhar desse erro da sociedade brasileira que era esperar um Governo salvador e ficar triste, amargurado porque o Governo salvador não nos salvava, o Governo salvador não tomava as medidas que nós esperávamos. Aí eu recuperei a minha alegria quando disse: ´Não, vou sair e vou buscar os meus caminhos´. E com isso abri uma ampla clareira, pude respirar pela primeira vez e estou respirando muito saindo desse clima sufocante das esperanças negadas."

"Quando entrei no PT ou trabalhei com os verdes para se unirem aos trabalhadores, raciocinava ainda com um quadro europeu. Eu pensava que o PT poderia desempenhar nesse processo um papel que a Social Democracia Européia julgou, mas agora, quando o PT chega ao Governo, vejo que a perspectiva dos dirigentes é parecida com a dos dirigentes também comunistas do Leste Europeu, uma visão de produtivismo estreita, sem a compreensão das variáveis ambientais. Então, a sucessão desses desencontros entre mim e muitos companheiros do Governo, foi me levando a compreensão de que realmente essa experiência da Esquerda só poderia ser bem classificada numa frase do meu querido companheiro e eleitor Cazuza: é um museu de grandes novidades."

quinta-feira, 1 de novembro de 2007

Freire participa do Globo News Painel neste sábado

O presidente nacional do PPS, Roberto Freire, gravou hoje em São Paulo o programa Globo News Painel, apresentado pelo jornalista William Waack. O tema do debate foram os 90 anos da Revolucão Russa.

O programa vai ao ar neste sábado, dia 3, às 23h. Será reprisado no domingo, às 03h05, 11h05 e 20h05, e na segunda, às 5h05.

Espelho, espelho meu...

Enquanto o presidente Lula permanece, em público, negando a intenção de viabilizar um terceiro mandato, perpetuando-se no poder à moda Chavez, deputados vinculados pessoalmente a ele seguem fazendo manobras nos bastidores para possibilitar nova reeleição.

Noticia-se agora que, a pedido do deputado Fernado Ferro (PT-PE), o presidente da Câmara Arlindo Chinaglia (PT-SP) mandou desarquivar uma PEC (Proposta de Emenda Constitucional) que permite a reeleição sem limites para cargos majoritários, abrindo caminho para a aprovação de um terceiro mandato para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Segundo a Folha publica hoje, o movimento dos petistas foi feito de forma silenciosa e pode acelerar a discussão levantada pelos deputados Devanir Ribeiro (PT-SP) e Carlos Willian (PTC-MG), que defendem a possibilidade de terceiro mandato para Lula, uma vez que a emenda já foi aprovada pela CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) da Câmara em junho de 2000.

Todos os deputados envolvidos são bem próximos do presidente Lula. Devanir, companheiro desde os tempos de metalúrgico, já disse que irá apresentar uma emenda constitucional no próximo mês sugerindo um referendo para que a população decida sobre o terceiro mandato, que seria realizado juntamente com as eleições municipais.

É o PT em passos firmes para a venezuelização do Brasil...

quarta-feira, 31 de outubro de 2007

Secretário do PPS economiza R$ 1,7 bi para SP

Os jornais de hoje destacam que a Prefeitura de São Paulo "recuou" da idéia de rescindir os contratos de lixo, ao contrário do que anunciavam o prefeito Gilberto Kassab (DEM) e o secretário de Serviços Dimas Ramalho (PPS), e fez um acordo com as empresas de coleta para reformar o contrato inicial de R$ 10 bilhões (com duração de 20 anos) firmado em 2003, durante a gestão de Marta Suplicy (PT).

Pelo acordo, porém, a prefeitura vai pagar menos do que o previsto na licitação comandada pela ex-prefeita. O valor mensal recebido pelas empresas será 17,31% menor do que o previsto no contrato, o que representa uma economia de R$ 105 milhões por ano (ou R$ 1,7 bilhão até o final do contrato, em 2023).

Por outro lado, o Conselho Superior do Ministério Público do Estado (MPE) decidiu pelo arquivamento do procedimento investigativo que apurava eventual superfaturamento de preços nos contratos firmados pela administração petista. É uma no cravo, outra na ferradura.

Atualmente, as empresas cobram R$ 50,7 milhões. A prefeitura, no entanto, por decisão unilateral, paga apenas R$ 33,6 milhões (34% a menos). A partir de agora, o desembolso mensal será de R$ 41,9 milhões.

O percentual de desconto de 17,31% foi calculado pela Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas), da USP.

A Fipe foi contratada pela prefeitura, em março de 2005, para refazer o cálculo do custo dos serviços prestados pelas empresas responsáveis pela coleta de lixo.

O então prefeito José Serra (PSDB) pretendia usar o resultado do levantamento para demonstrar que os contratos estavam superfaturados.

Ainda na campanha eleitoral, em 2004, Serra disse que havia indícios de corrupção na licitação para a contratação das duas empresas que fariam a coleta de lixo por 20 anos a um custo total de R$ 9,8 bilhões.

Já no início de sua gestão, Serra determinou que a prefeitura desistisse dos recursos judiciais que impediam o cancelamento dos dois contratos e preparasse uma nova licitação.

A Fipe concluiu que os valores dos contratos estavam corretos, mas que mudanças nas datas de início de serviços previstos em contratos, como construção de aterros sanitários, coleta de lixo porta a porta nas favelas, entre outros, os pagamentos mensais poderiam ser 17,31% menores.

Desde outubro de 2005, quando a Fipe concluiu o estudo, a Prefeitura, a Loga e a Ecourbis vêm discutindo o acordo. Nesse período, pelo menos três vezes o governo decidiu retomar a idéia inicial e anular os contratos. Isso acabou não sendo feito porque o governo temia um "apagão" no sistema de coleta.

O acordo confirmado ontem foi fechado há cerca de dois meses. As empresas aceitaram receber 17,31% a menos desde que os investimentos fossem prorrogados, como propôs a Fipe. Apesar do acordo, ainda corre na Justiça ação do Ministério Público, de 2004, pedindo a anulação dos contratos.

Diário de S. Paulo: Até tu, Chagas?

terça-feira, 30 de outubro de 2007

Ciro já está "madurinho" e admite erros de 2002

Não era sem tempo. Às vésperas de completar 50 anos de idade (em 6/11) e passados outros cinco das eleições de 2002, quando foi o candidato a Presidente da República pelo PPS (pela segunda vez consecutiva, repetindo 1998), o deputado federal Ciro Gomes (atualmente no PSB) diz que agora já está "madurinho" e reconhece que fez "muita bobagem naquela campanha". Tem toda razão.

Em um artigo que publicamos naquela época, faltando 20 dias para a eleição, já antevíamos no título ("Onde Ciro Gomes perdeu a eleição") e no conteúdo os efeitos catastróficos dessas "bobagens" que hoje ele admite ter cometido e que lhe tiraram do segundo turno das eleições. Leia alguns trechos:

"Ciro e Mangabeira Unger, feitos Dom Quixote e Sancho Pança, saíram por aí lutando contra moinhos de vento e sonhando conquistar o mundo. Com um projeto prepotente e personalista, um ufanismo requentado e mal calibrado, uma linguagem rebuscada e idéias salvacionistas, a dupla entronou-se num castelo de areia sem levar em conta a força do vento e das marés."

"Ciro Gomes não precisava de nada nem de ninguém, a não ser da sua figura imponente e de seu estilo empolado. Julgou ainda ter tirado a sorte grande duas vezes: ao encontrar numa atriz global a sua alma-gêmea e num professor de Harvard o seu cérebro-irmão. Chegou ao PPS como quem entra num ambiente hostil, sem fazer grandes concessões e, ao contrário, pregando a rápida substituição de um velho partido de quadros por outro novo, de massas. Enfim, a legenda (qualquer uma) era só a parte burocrática do negócio; e o PPS, simples moeda de troca: deram-lhe uma agremiação tradicional, simpática e limpinha, e ele nos daria votos, prestígio e a redenção. Assim estava escrito."

"Mas Ciro Gomes, inadvertidamente, seguia a passos firmes na (des)construção do projeto do PPS. E começou a perder a eleição, por ironia do destino, justamente quando mais promissor parecia o seu horizonte. Achou que lhe bastava seguir com seu carisma, grandes idéias e boas intenções, um discurso ferino e afiado, o tempo de TV e uma equipe juntada entre parentes, conterrâneos, empregados e amigos mais próximos, para enfrentar os ´interesses do mercado´, das ´elites´, dos ´barões´ e ganhar a eleição."

"Errou. Sobretudo, errou ao afastar-se do rumo natural da centro-esquerda para ressuscitar fantasmas e assombrações, de ex-colloridos a oportunistas da pior espécie. Errou ao aproximar-se de Martinez, de Fleury, de Roberto Jefferson, de Brizola, do PFL. Errou ao ceder às chantagens da Força Sindical e entregar a vaga de vice na chapa a Paulo Pereira da Silva. Errou internamente no PPS ao enfraquecer Roberto Freire e deixar que João Herrmann se julgasse fortalecido. Errou quando trouxe das cinzas o velho ACM. Errou quando trouxe das cinzas o ex-ministro Cabrera, peça do jogo malufista em São Paulo. Errou. Errou tanto que até o próprio Fernando Collor, tendo toda a corja reunida, viu-se no direito de estrilar."

"E Ciro abusou do direito de errar. Declarou: ´o mercado que se lixe´, quando dele se esperava equilíbrio e sensatez. Atacou de burro um ouvinte de rádio só por ter arriscado uma pergunta mais incômoda. Comprou briga com jornalistas, simples operários da notícia, quando queria atingir seus patrões. Faltou com a verdade repetidas vezes, ainda que em assuntos irrelevantes, como o fato de ter ou não estudado a vida toda em escolas públicas."

"Ciro protagonizou ainda uma das cenas mais esdrúxulas da história política brasileira: o beija-mão com ACM. Meteu-se numa polêmica desnecessária com o estudante negro em Brasília, que desrespeitou a regra de um debate, quando tal função caberia simplesmente ao mediador. Reduziu a pó toda a imagem positiva obtida até então do affair com Patrícia Pillar ao cometer uma terrível gafe machista. E por aí foi, num terreno pantanoso, com a língua solta e a sutileza de um elefante numa loja de cristais."

"Ciro Gomes errou a ponto de transformar José Serra num sujeito quase simpático. Desprezou o marketing e o profissionalismo da campanha. Perdeu-se na hora de decidir se posaria de vítima ou revidaria na mesma medida. Demorou para responder aos ataques (previsíveis) dos tucanos e, quando o fez, exagerou a mão. Sua tropa-de-choque abandonou o discurso político e partiu para o linguajar mais chulo: fulana é ´mal amada´, beltrano merece ´tomar porrada´. Baixou o nível. Caiu na armadilha do adversário. Jogou na lata do lixo a credibilidade de 80 anos da tradição do PCB/PPS em oito dias de exposição na TV."


Maktub. Estava escrito.