quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Desvendando o Orçamento de São Paulo para 2015: reunião na Câmara vai avaliar cortes de Haddad em setores vitais, enquanto IPTU e ônibus vão aumentar

Haddad: "corte" é com ele mesmo!
"Desvendando o Orçamento de 2015": participe nesta quinta-feira, 4 de dezembro, às 19h, no 1º subsolo da Câmara de São Paulo, deste encontro para discutir a proposta orçamentária de 2015 para a cidade, priorizando o debate sobre a qualidade de vida da população e o planejamento para as áreas sociais.

Diz o senso comum - e a prática confirma - que o Orçamento anual de uma metrópole do tamanho e com a complexidade de São Paulo é mera peça de ficção.

Pois vamos direto a alguns números da proposta orçamentária do prefeito Fernando Haddad para 2015, que apontam nessa direção.

O Orçamento paulistano de 2015 é de R$ 51,3 bilhões. Para efeito comparativo, lembre-se que o Orçamento aprovado para o último ano da gestão da prefeita Marta Suplicy, em 2004, foi de R$ 14,3 bi. No último ano do prefeito Gilberto Kassab, em 2012, o Orçamento municipal foi de R$ 38,8 bi.

Portanto, em tese, Haddad - que precisa desesperadamente recuperar sua popularidade para tentar a reeleição daqui a dois anos - terá em 2015 mais que o triplo de recursos que Marta Suplicy teve para gastar há 10 anos. Será que politicamente um Haddad vale por três Martas? Em comparação com o último ano de Kassab, o Orçamento de Haddad também bate com folga o do seu antecessor, tendo quase mais uma Marta de lambuja.

É muito dinheiro. Nunca se previu um Orçamento tão vultoso para São Paulo, ainda mais com novidades como a sanção ao alívio da dívida com a União, e os reajustes do IPTU e da tarifa de ônibus. Mas quanto desses recursos vão entrar de fato nos cofres da Prefeitura e quanto desse montante vai ser investido realmente para a melhoria da vida do cidadão paulistano?

O Orçamento é um exercício de estica-e-puxa que tenta equilibrar a previsão das despesas com a das receitas. Como há um custo fixo para a administração manter a sua estrutura, como gastos com pessoal e amortização da dívida, para citar dois casos típicos, o que "sobrar" de dinheiro é o que estará disponível para investimento em novas obras e projetos.

Assim, muitos destes números do Orçamento são uma aposta no escuro, praticamente um jogo de futurologia.

Vejamos alguns casos concretos: a Prefeitura espera para 2015 uma receita tributária 10% superior à prevista para 2014. Portanto, obviamente, precisará aumentar a arrecadação. O reajuste de taxas e impostos é a medida mais usual.

Na cobrança do IPTU, por exemplo, a expectativa da arrecadação é de 9% a mais que o previsto para 2014, mas na prática pode haver um aumento extraordinário de 44% sobre o que foi efetivamente arrecadado. Pois o Orçamento traz embutido o cálculo do reajuste que em 2014 foi barrado na Justiça e que agora volta à pauta, inclusive com a possibilidade de cobrança retroativa (a prefeitura nega, mas o paulistano pode receber dois carnês para pagar).

Esse aumento - desejado pelo governo e combatido pela oposição - pode representar um reforço considerável de R$ 2,2 bi sobre a arrecadação do IPTU (até setembro de 2014). É o "fôlego" no caixa que o PT sonha para dar início às obras prometidas e paralisadas (entre outras coisas, R$ 1 bi para os corredores de ônibus e R$ 1 bi para construir duas pontes sobre o Rio Pinheiros e iniciar o prolongamento de 3 km da avenida Doutor Chucri Zaidan, por exemplo).

A expectativa com o ISS também prevê uma diferença de R$ 1 bi a mais (ou 10,1%) sobre a arrecadação de 2014. O mesmo otimismo segue com as demais receitas de impostos que cabem ao município, como ITBI (12,1% a mais), ICMS (4,7%) e IPVA (4,1%).

Porém, a maior obra de ficção desses dados orçamentários (sujeitos, portanto, à manipulação política e eleitoral) ocorre na previsão da transferência de recursos do governo federal.

Em 2014, Haddad previa receber da tão propalada "parceria" com a presidente Dilma, pelo simples "privilégio" de ser petista, R$ 5,9 bi. Recebeu efetivamente pouco mais de R$ 206 milhões, ou irrisórios 3,8% do previsto.

Para 2015, o Orçamento da Prefeitura é um pouco mais "pé-no-chão": espera receber R$ 4,7 bi de recursos federais (uma redução de 22,5% sobre o previsto em 2014, mas ainda assim mais de 20 vezes o montante que foi efetivamente transferido neste ano). Ou seja, o prefeito Haddad não passa mesmo de um fanfarrão...

Outra previsão não-cumprida neste ano foi na arrecadação das Operações Urbanas (com os chamados CEPACs, ou Certificados de Potencial Adicional de Construção). A Prefeitura anunciou que receberia R$ 1,7 bi. Não recebeu nada (zero!) e reduziu a previsão de 2015 para R$ 600 milhões.

Dos maiores projetos e ações de Haddad prometidos desde a campanha eleitoral, os únicos que caminham minimamente, mas ainda a passos lentos, são Intervenções no Sistema Viário (foram gastos até setembro 54,3% do total previsto para 2014), Regularização Fundiária (44,1%), Urbanização de Favelas (39,3%), Construção de Unidades Habitacionais (38,9%), Reforma dos CEUs (27,8%) e Implantação e Requalificação de Terminais de Ônibus (27,7%).

Todo o restante dos investimentos da Prefeitura em 2014 não chegaram a um quarto do que foi previsto, como por exemplo a Execução do Programa de Mananciais (13,9%) e a Construção de Centros de Educação Infantil (12,5%), além de ficar evidente o total descaso com a Saúde, investindo apenas 9,8% do orçado para a Construção e Reforma de Unidades de Pronto Atendimento e ridículos 1,6% na Construção e Instalação de Hospitais.

Ou seja, os números revelam com precisão as prioridades da gestão petista, como apontamos sempre aqui: Haddad é só o prefeito "maníaco das faixas" (para ônibus e bicicletas), ainda assim mal e porcamente instaladas, e do atendimento ao interesse corporativo do mercado imobiliário e dos movimentos partidarizados dos sem-teto. E olhe lá!

Para 2015, a Prefeitura prevê cortes drásticos no Orçamento de secretarias vitais como Coordenação das Subprefeituras, Educação, Transportes, Serviços, Infra-Estrutura Urbana, Pessoa com Deficiência e Mobilidade Reduzida, e até do Serviço Funerário.

Na proposta orçamentária original (que os vereadores prometem alterar por meio de emendas e substitutivos), as 32 subprefeituras paulistanas - que já vivem em situação de penúria - tem uma previsão em média de 8 a 10% de redução de verbas, chegando ao cúmulo do corte ser ainda maior nas unidades mais periféricas, como Sapopemba (29,2%), Capela do Socorro (21,1%), Ermelino Matarazzo (16,8%), M´Boi Mirim (13,2%) e Santo Amaro (13%).


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quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Enganador do presente, exterminador do futuro

Parque? Que parque?

Prefeitura diz que não tem dinheiro para atender reivindicação do povo e implantar os parques prometidos.

Para a especulação imobiliária, tudo! Para a qualidade de vida, nada?

E agora?

A Operação Urbana Mooca/Vila Carioca, prevista desde o Plano Diretor de 2002 e repetida agora com um nome mais abrangente ("Bairros do Tamanduateí"), é mais uma propaganda enganosa da gestão Haddad.

A Prefeitura quer encaminhar o projeto para a Câmara Municipal até o segundo semestre de 2015, com o objetivo declarado de "promover o desenvolvimento do perímetro que abrange os bairros da Mooca, Cambuci, Ipiranga, Vila Zelina, Vila Prudente e Vila Carioca".

Mas as ideias do prefeito não correspondem aos fatos. De acordo com a exposição que vem ocorrendo em audiências públicas (Mooca, dia 1º; Vila Prudente, 3; e Ipiranga, 8 de dezembro), trata-se de "um plano de intervenção urbana que visa aproximar o trabalho da moradia, aumentar o número de áreas verdes, promover maior acesso a serviços, cultura, lazer e equipamentos sociais, melhorar a mobilidade urbana e minimizar as inundações na região".

Parece perfeito no papel - e tão somente na apresentação virtual desta gestão que demonstra dia a dia o seu despreparo e o improviso das suas ações. Na prática, tudo se desmancha no ar. O distanciamento dos problemas concretos é típico de quem desconhece a cidade que administra. Ou que enxerga São Paulo como um daqueles adolescentes que se divertiam em jogos online, já fora de moda, simuladores de ambientes tridimensionais.

"No desenho é muito bonito", ironizou uma das participantes, na primeira das audiências públicas que fingem dialogar com a população mas na verdade apenas impõem a estratégia caça-níqueis da Prefeitura (que anuncia a presunçosa intenção de arrecadar mais de R$ 5 bi com a venda de CEPACs, ou Certificados de Potencial Adicional de Construção) e expõem um preocupante autismo político e social.

"Ainda bem que no desenho é bonito", respondeu o secretário de Desenvolvimento Urbano, Fernando de Mello Franco, antes de completar, em tom sério: "Já imaginou se apresentassemos um desenho feio, como iríamos ganhar o apoio da população?"

Parece piada, mas esse comportamento do secretário de Haddad é emblemático. A Prefeitura propõe uma via de mão única: precisa do apoio da população mas em troca só oferece a ilusão de dias melhores. A preocupação objetiva com a qualidade de vida do cidadão paulistano é nula.

Tanto que Haddad não vai atender nenhuma das principais (e mais justas) reivindicações da população desses bairros, como a implantação do Parque Verde da Mooca ou do Parque da Vila Ema.

Alega não ter recursos para desapropriar essas áreas, ao mesmo tempo em que promete adquirir terrenos disponíveis para uma infinidade de equipamentos sociais, moradias populares e "novos parques" na região. Pura enganação! Historinha pra boi (e o povo) dormir! Faltou contar que os terrenos já estão nas mãos das construtoras!

Leia: E aí, Haddad? Vai permitir nova invasão na Mooca?

Até porque a Operação Urbana é um plano meramente arrecadatório, sem nenhum compromisso com o mundo real.

A intenção da Prefeitura é embolsar dinheiro antecipadamente e jogar para administrações futuras (20 ou 30 anos) o que chama de "mitigação" dos monstruosos impactos ambientais decorrentes dessa ação irresponsável.

O desejo do prefeito é adensar estes sete bairros ligados pela antiga via férrea e por grandes galpões no eixo do Rio Tamanduateí com um potencial construtivo de seis vezes o tamanho do terreno. Uma aberração!

São previstas novas moradias para mais de 20 mil famílias (num corredor que atualmente possui 14 mil), ou seja, Haddad propõe aumentar em 143% a população local, igualando o adensamento dessas áreas ao dos maiores de São Paulo, que são hoje bairros degradados como República e Santa Cecília.

Num surto de "sincericídio", o representante da Prefeitura nas audiências públicas chegou a admitir que há muito mais aspectos negativos do que positivos para os atuais moradores dos bairros atingidos. "Mas isso é normal, pois o plano é transformador da realidade", disse.

Oi? Transformador da realidade? Na real, eles querem é transformar a nossa vida num INFERNO, isso sim!

Será que o prefeito e os brilhantes técnicos da Prefeitura sabem quanto tempo um morador perde atualmente no trânsito para se deslocar dentro do próprio bairro ou até o centro, por vias como a Avenida do Estado, Anhaia Mello, Salim Farah Maluf e Radial Leste, para citar apenas os corredores mais tradicionais? Agora imagine a situação com uma vez e meia mais pessoas, mais carros, mais barulho, poluição e desordem...

Socorro! Se hoje a Prefeitura já não dá conta do trânsito e dos serviços básicos de limpeza, educação, saúde, lazer, cultura, iluminação etc., como quer nos convencer que, num passe de mágica, criará a infraestrutura necessária para atender mais de 20 mil novas famílias, grande parte vinda de submoradias na periferia e necessitadas de emprego e de assistência social?

Não será com este simulacro de plano urbanístico que o PT vai disfarçar a falta de visão e de planejamento da sua desastrada gestão. Se essa suntuosa apresentação estiver descolada da realidade - como parece estar a Operação Urbana - pode pintar faixas vermelhas no asfalto da cidade inteira e procurar infinitas soluções de marketing que Haddad não vai disfarçar a sua "ruinddad". Vai é destruir a Mooca e outros bairros históricos de São Paulo.

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terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Artigo: "Haddad em pele de cordeiro"

Artigo de Carlos Fernandes (PPS/SP)
Mais uma propaganda enganosa da gestão Haddad: essa história de aumentar o IPTU para cobrar mais do rico e anistiar o pobre é mentira! Com esse golpe de marketing ele não faz política social, mas eleitoreira. Caso típico do lobo em pele de cordeiro.

Ao apostar, como sempre, na divisão rico x pobre, ou centro x periferia, Haddad erra o alvo. Em vez de universalizar a cobrança, fazendo com que todos paguem um pouco (ou o justo, cada um pagando proporcionalmente aquilo que pode), a Prefeitura reforça a desigualdade: isenta metade da cidade e castiga a outra metade.

Veja que incoerência: Haddad anuncia que está privilegiando o cidadão mais pobre, mas o aumento abusivo do imposto para todo o comércio atinge em cheio a classe trabalhadora, onerando o setor que gera emprego e renda. Pura maldade.

O reajuste maior para os moradores do centro é outro erro de visão. Haddad esquece que essa região, melhor assistida de infra-estrutura, atrai também famílias de baixa renda. Será que o prefeito conhece o perfil do morador de regiões como Sé, Luz, República, Brás, Bela Vista? Podem ser considerados bairros de "rico"? Ora...

Aliás, lembre-se que essa foi uma das principais promessas de todos os candidatos a prefeito - e do próprio Haddad: a reaproximação "casa/trabalho", incentivando a moradia na região central e levando mais emprego e renda para a periferia.

Agora, numa só tacada, com esse aumento abusivo do IPTU para o comércio e para residências do centro, Haddad desestimula o repovoamento desses bairros ao tornar impraticável o custo com moradia, e cria mais um obstáculo para os comerciantes na cidade como um todo. 

Ou seja, Haddad reforça o déficit habitacional no centro e aumenta a crise de emprego na periferia, ao inviabilizar o pequeno comércio. Além de patrocinar o repasse deste aumento para o preço final de serviços e produtos, encarecendo ainda mais o custo de vida na cidade.

Quem onera trabalhadores, aposentados, comerciantes e a classe média há mais de uma década é o governo federal do PT. A situação vem se agravando com a crise econômica, a subida da inflação e a ameaça no horizonte do retorno da recessão e do desemprego.

Esse é o resumo dos governos do PT, onde Haddad e Dilma se equivalem: incompetência e irresponsabilidade, encobertos por muita propaganda para tentar esconder o que fica cada vez mais evidente. 

Carlos Fernandes foi subprefeito da Lapa e preside o PPS paulistano.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Pode fazer auditoria, pode fazer consultoria, mas o único atestado é da incompetência da gestão Haddad

A última notícia sobre ônibus na cidade de São Paulo (além do aumento da tarifa, que vem por aí) é mais um atestado da incompetência, do improviso e da irresponsabilidade do prefeito Fernando Haddad: ele contratou uma consultoria em transportes por R$ 5,4 milhões com o objetivo declarado de reestruturar as cerca de 1.300 linhas existentes.

Mas, espera lá! A Prefeitura não tinha contratado também uma auditoria com a promessa de abrir logo uma nova licitação para o sistema, já que o atual contrato com as empresas de ônibus está vencido e segue prorrogado indefinidamente? Então, o que isso significa? Que, se não bastasse não abrir a licitação até a conclusão da auditoria, agora também não vai abrir antes do final dessa consultoria? É isso?

Pois o contrato com a consultoria prevê que o estudo deve estar concluído em um ano e meio. Ou seja, qualquer solução só seria de fato colocada em prática a partir do segundo semestre de 2016, no último ano da gestão petista, às vésperas da eleição. Como ficará a situação até lá? A Prefeitura seguirá prorrogando o atual contrato vencido com as mesmas empresas de ônibus que estão sendo auditadas? Ou vai abrir licitação para atender os usuários com a estrutura que já existe, sem prever as mudanças que serão propostas após a tal consultoria?

Ou seja, faça o que fizer, a Prefeitura estará equivocada. Levou dois anos prometendo abrir nova concorrência para melhorar a qualidade do serviço prestado e por um custo menor. Agora empurra para o último ano da gestão uma solução capenga, como de praxe em tudo que Haddad coloca a mão. Lamentável!

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Quer saber aonde o Haddad vai colocar o IPTU? Ops!

O prefeito Haddad é tão bonzinho, né? Agora ele anuncia que vai "perdoar" o aumento retroativo do IPTU de 2014 e que o reajuste de "apenas" 20% para residências e 35% para o comércio vale só a partir de 2015.

Ahhhhhhh, que prefeito compreensivo... É o nosso herói!!! (O super cara-de-pau, só se for!)

É muita incomPTência na gestão da cidade. Apesar dos aumentos abusivos que vem por aí (IPTU, tarifa de ônibus etc.), Haddad tira recursos do Orçamento de áreas vitais da Prefeitura (Saúde, Educação, Transportes, Infra-Estrutura Urbana, Meio Ambiente, Subprefeituras).

O próprio reembolso prometido aos contribuintes que, segundo a Prefeitura, pagaram mais do que deviam no IPTU de 2014, vai sair (vejam só!) do dinheiro destinado à construção de creches!!! Setor que já vive uma situação calamitosa!!! Ô maldade!!!

Enfim, muita gente já começou a ver sentido em outra crítica objetiva que fazemos: com o aumento abusivo do IPTU para o comércio e residências da região central, Haddad reforça a desigualdade e desestimula tanto a moradia no centro quanto o emprego na periferia.

Mas nada que surpreenda vindo desse Robin Hood com foco distorcido pelo marketing eleitoral...

Ele faz o oposto do que prometeu na campanha, de reaproximar "casa/trabalho" ao incentivar mais habitação popular na região que já é bem assistida de infra-estrutura e, em contrapartida, levar emprego e renda aos bairros mais distantes, que concentram a maioria da população trabalhadora (e que se desloca diariamente para o centro).

Quer entender com fatos e números por que reclamamos tanto da gestão "ruinddad"? Leia as últimas postagens do Blog do PPS e compareça ao encontro "Desvendando o Orçamento da Cidade para 2015", na próxima quinta-feira, dia 4, às 19h, na Câmara Municipal. Entre outros eventos de uma agenda recheada. Participe!

Olha o nível da propaganda que Haddad vem divulgando nas redes sociais (como no Haddad Tranquilão, seguindo o modelo da Dilma Bolada, aqueles perfis tão "espontâneos" onde a paródia chega a ser menos cômica que a figura original, ou Seja Dita Verdade, outra mais falsa que nota de R$ 3,00)

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sexta-feira, 28 de novembro de 2014

Não podemos abrir mão do direito de fiscalizar e de cobrar o cumprimento das metas do prefeito Haddad

É surpreendente que, por mais que a produtividade do parlamento paulistano seja a mais baixa que se tem notícia nos últimos tempos e o prefeito Fernando Haddad tenha cumprido apenas 13% das metas da gestão, já na metade do seu mandato, entidades fiscalizadoras como a Nossa São Paulo e o Voto Consciente pareçam tão condescendentes com as administrações do PT.

Causa estranheza essa aparente mudança de empenho (ou de critérios?) para quem sempre atuou com tanta firmeza na cobrança às gestões anteriores da cidade, seja na Prefeitura sob o comando de Gilberto Kassab (PSD) e de José Serra (PSDB), seja no Legislativo dirigido pelos vereadores José Police Neto (PSD) e Antonio Carlos Rodrigues (PR), para citar apenas os mais recentes antes deste último biênio com os petistas Haddad e vereador José Américo à frente da Prefeitura e da Câmara Municipal de São Paulo.

À essa altura - passados dois anos de mandato - o prefeito Kassab estava sendo cobrado duramente pelo cumprimento ínfimo do plano de metas, enquanto hoje as mesmas entidades parecem relevar a inoperância de Haddad, além de tentar desviar o foco dos problemas centrais e querer encontrar aspectos positivos onde a maioria dos paulistanos só enxerga atraso, despreparo e improviso.

Quer exemplos? Veja o tratamento que a Nossa São Paulo dá para assuntos como os corredores de ônibus, diante de um quadro em que o contrato do transporte é prorrogado indefinidamente e bilhões de reais escoam dos cofres públicos sem controle e sempre sob a suspeita de irregularidades.

Ou para a saúde pública, enaltecendo promessas vazias da Prefeitura que destoam da realidade marcada pelo atendimento insatisfatório que é proporcionado pela atual gestão (segundo pesquisa divulgada pela própria entidade, cujos coordenadores se reúnem regularmente com Haddad e também integram o Conselho da Cidade).

Qualquer release da assessoria de imprensa da Prefeitura vira notícia neste plano estratégico de recuperação da popularidade de Haddad, alimentado pela imprensa cooPTada e por entidades "amigas". Temas como as obras contra enchentes, não realizadas, e a gambiarra das ciclovias merecem menos críticas do que o espaço que é oferecido para elogiar e referendar promessas futuras que nem sequer saíram do papel.

É o caso das boas intenções anunciadas pela Prefeitura para o Programa Minha Casa Minha Vida, por exemplo, quando na realidade o que acontece é o oposto do mais sincero "interesse popular", ao favorecer movimentos organizados ao invés da maioria dos cidadãos e o mercado imobiliário em detrimento das moradias para as famílias de baixa renda.

Promessas grandiosas da campanha de Haddad foram abandonadas pela falta de recursos ou mesmo pela inviabilidade operacional, como o "Arco do Futuro", puro truque midiático, mais uma propaganda enganosa caça-votos.

A Prefeitura até ensaia realizar parte das obras do projeto, como a construção de viadutos sobre a Marginal Pinheiros, ao custo impraticável de R$ 1 bilhão, mas omite que ela trará benefícios principalmente para empreendimentos imobiliários de grandes empreiteiras como a Odebrecht, não para a população de modo geral.

Tratamos especialmente da questão orçamentária em outra postagem do Blog do PPS, mostrando, por exemplo, a redução das verbas destinadas às Subprefeituras, o que (se não sofrer modificação no projeto substitutivo a ser votado) inviabiliza qualquer plano de descentralização administrativa e enfraquece a necessária tese do poder local, além dos novos parques prometidos e abandonados, piorando a situação de áreas que já estavam degradadas.

Aproveitamos ainda para anunciar que o Diretório do PPS/SP promoverá no dia 4 de dezembro, quinta-feira, às 19h, no 1º subsolo da Câmara Municipal, uma reunião aberta para discutir o Orçamento de 2015 para a Cidade de São Paulo, priorizando o debate sobre a qualidade de vida do paulistano e as áreas sociais. Deixe agendado e participe!

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quarta-feira, 26 de novembro de 2014

O malabarismo ideológico da claque petista para distorcer a realidade e justificar os crimes ambientais

Os petistas estão cada vez mais craques no malabarismo ideológico: tanto no plano federal, ao desdizer tudo aquilo que falaram mal dos ministeriáveis da Dilma, como a diva dos ruralistas, chamada também de "miss motosserra" e que ajudou a descaracterizar o código florestal, como no plano municipal, ao darem um nó na verdade para justificar a irresponsabilidade (e o crime ambiental) do prefeito Haddad ao legalizar as ocupações irregulares em áreas de mananciais.

É inacreditável a cara-de-pau da milícia PTbull, adestrada para ser fiel ao partido (e desleal com o restante da população), ao tentar nos convencer agora que "Moradias populares na Nova Palestina vão preservar mananciais". Meu Deus! É a completa distorção da realidade!

É exatamente o oposto que a ação (ou a omissão) do poder público vem provocando: a destruição das áreas de mananciais!

Vereadores da Frente pela Sustentabilidade e da Comissão do Meio Ambiente da Câmara Municipal, como Ricardo Young (PPS), Gilberto Natalini (PV) e Mário Covas Neto (PSDB), entre outras honrosas exceções, tem travado uma batalha inglória contra a maioria cooPTada pelo governo.

Queremos parques, Haddad!

Queremos preservar o que resta do verde e das áreas de mananciais, em nome da qualidade de vida de cada cidadão paulistano e do futuro da capital de São Paulo!

Devemos, sim, atender o déficit de moradias populares. Mas não a qualquer preço, atropelando a lei e o bom senso, muito menos da forma demagógica, hipócrita e partidarizada que a sua gestão vexatória vem fazendo.

É muita ruinddad, prefeito! Que vergonha!

Leia mais:







Artigo: "Incorporadora Haddad & Boulos Ltda."

Artigo de Carlos Fernandes (PPS/SP)
Ao anunciar como se fosse uma grande ação da Prefeitura de São Paulo "entregar" o controle de 20% do Programa Minha Casa Minha Vida aos movimentos sem-teto, a imprensa cai (por ingenuidade ou má fé) na armadilha do marketing petista.

Será que setores da mídia não percebem ou querem deliberadamente omitir o fato de que essa é mais uma prova da incompetência e do despreparo do prefeito Haddad? Ele está prevaricando (não cumprindo com as obrigações da sua função) ao "privatizar" uma responsabilidade que é da gestão pública e furar a fila dos programas habitacionais.

Em vez de atuar em parceria com entidades organizadas idôneas, até por meio de mutirão, promovendo a justiça social e priorizando quem está há mais tempo à espera da casa própria, o prefeito  não consegue cumprir as promessas de campanha e joga essa responsabilidade para cima da própria população. 

Calcula-se em mais de 250 mil imóveis o déficit habitacional na cidade. Porém, há quase um milhão de famílias na fila dos programas de moradia, esperando por um local para morar (no caso dos sem-teto e de famílias que habitam áreas de risco) ou uma casa melhor (no caso de moradores de favelas, por exemplo).

E o que Haddad faz? Passa por cima de todo esse ordenamento administrativo para atender ao MTST nos novos empreendimentos imobiliários paulistanos, como se fossem todos sócios de uma grande incorporadora, funcionando alheia aos interesses da maioria da população. 

Explica-se: numa canetada de Haddad, os movimentos sociais (MTST à frente) ganham o terreno da Prefeitura, contratam ao bel prazer a empresa que fará a construção das moradias e indicam segundo seus próprios critérios quais famílias irão receber as chaves das casas.

É um prato cheio para quem fingia fazer oposição à atual gestão, como o bem-nascido Guilherme Boulos, líder do MTST, com ações orquestradas e a cumplicidade criminosa da Prefeitura do PT. Também parece um perigoso precedente, ao ensinar que quanto maior a pressão e a ameaça sobre o governo, maiores as "conquistas" dos movimentos.

Neste ano, Haddad usou o MTST para chantagear a Câmara a aprovar mais rapidamente o Plano Diretor. Em troca, prometeu entregar ao movimento a posse de terrenos públicos e privados invadidos pelos sem-teto, incluindo áreas de mananciais. Um absurdo! 

Não será com irresponsabilidade, lavando as mãos de suas obrigações como homem público, que Haddad vai resolver os problemas habitacionais da cidade ou recuperar a sua popularidade perdida, já visando a reeleição. Não vamos nos calar diante deste descaso pela "coisa pública". Isso é crime e vamos denunciá-lo!

Carlos Fernandes foi subprefeito da Lapa e preside o PPS paulistano.

terça-feira, 25 de novembro de 2014

A quem interessa essa onda de invasões, Haddad?

Pra quem ainda não entendeu a estreita relação entre Haddad e as ocupações ilegais: São cúmplices!

Há uma simbiose entre a Prefeitura e os movimentos sem-teto. Uns fingem fazer reivindicação por justiça social, mas fazem chantagem e pressão político-partidária. Outro finge defender os interesses da maioria, mas privilegia a minoria partidarizada, orquestrada pelo PT.

Quando ambos estão ganhando algo, a cidade perde!

Corta pra mim: "Haddad é o maníaco da faixa!"

A definição é do jornalista Marcelo Rezende, apresentador do programa Cidade Alerta, da Record: "Não é possível: Haddad deve ser dono de alguma fábrica de tintas".

"É o maníaco da faixa!", afirma o criador do bordão "Corta pra mim!", conhecedor do modus operandi da malandragem.

Daqui a pouco o paulistano vai precisar sair de casa com manual de instrução para atravessar a rua! Ou com um mapa das gambiarras do Haddad!

Mas a Prefeitura é "democrática" e luta pela "igualdade": desrespeita igualmente motoristas, pedestres e ciclistas, em bairros centrais e na periferia, sem distinção!

É um festival de improviso e irresponsabilidade!

Uma gestão sem planejamento, sem critério, sem diálogo!

Piora o caos urbano, trava ainda mais o trânsito, desqualifica qualquer intervenção que visa a melhora da qualidade de vida...

A última ação desastrada é esse festival incompreensível de faixas coloridas na frente de uma escola na Vila Mariana - bairro em que, veja só, o prefeito nasceu: Faixa para embarque de alunos ao lado de ciclovia revolta pais.

É muita ruinddad, Haddad! Pede pra sair!

Leia mais:

Prefeito Haddad, vamos falar sério sobre as ciclovias?

Não podemos abrir mão do direito de fiscalizar e de cobrar o cumprimento das metas do prefeito Haddad

Não é só pelos vinte centavos, né, Haddad?

Procura-se prefeito para uma cidade desgovernada

Ética de conveniência? Repúdio seletivo? Coisa do PT!

PPS lança manifesto que convoca diálogo da oposição de agora até 2016: "São Paulo, a cidade pós-Haddad"

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

"¿Por qué te callas?" (...) Há um silêncio ensurdecedor para várias perguntas que os petistas não respondem

Petista é bom em frase feita, em reproduzir a cartilha do marketing político, em atacar a oposição, dar palpite na opinião dos outros e tentar desqualificar quem o critica.

Mas, quando é confrontado com a realidade dos fatos e das suas próprias contradições, fica quietinho por não ter nada a dizer.

Ou, ao contrário, tem muito a dizer e por isso mesmo se cala para não se comprometer. Mas vai esperar o que de um petista? Chegamos num ponto extremo em que já podemos afirmar, sem medo de errar: o que é bom para o PT, é ruim para o Brasil.

Afinal, como justificar, por exemplo, os novos ministeriáveis da presidente Dilma Roussef? (menos de um mês depois de acusar a oposição de querer entregar a Economia aos interesses dos bancos privados, de privilegiar os setores conservadores da sociedade e defender medidas recessivas etc. etc. etc.)

Dilma vê recusado seu convite ao presidente do Bradesco para ser ministro da Fazenda, mas insiste e vai se contentar com um preposto do banco? É isso mesmo, produção?

E como explicar a escolha da musa dos ruralistas, que já recebeu o pomposo título de "miss motosserra de ouro" dos ambientalistas (e petistas!), para o Ministério da Agricultura?

Cadê a "intelectualidade de esquerda" (fake), que estava toda prosa até agora com a reeleição, para se manifestar?

Como justificar que Dilma e Lula não sabiam de nada sobre o maior escândalo de corrupção da História deste país, na Petrobras? Ou que desconheciam seus tentáculos bilionários no Executivo, no Legislativo, nos partidos, nas empreiteiras e em todas as obras do governo federal?

O que eles querem nos fazer acreditar? Que são inocentes no meio de um antro de corruPTos? Ou na verdade são incompetentes por nomear e manter, por 12 anos, funcionários corruptos sob os olhos da Presidência? Ou são omissos, por terem sido avisados da corrupção sem tomar nenhuma providência objetiva?

Ou são, como tentam nos convencer, os salvadores da Pátria, ordenando a Polícia Federal e o Ministério Público a investigar e punir os culpados, doa a quem doer, como se eles não fossem cúmplices das ações e omissões do seu próprio governo?

Vamos, por um só momento, fingir que acreditamos na versão do governo ("não sabia de nada", e, quando soube, "mandou investigar e punir") e na defesa das empreiteiras (foram achacados por meia dúzia de corruptos infiltrados na Petrobras, para não serem prejudicados nos contratos públicos, mas sem o aval da Presidência e dos partidos governistas).

Ora, ora... Nenhum desses megaempreiteiros denunciou a Lula e Dilma o que estava acontecendo bem debaixo do nariz presidencial? Circularam bilhões de reais pelos dutos da corrupção sem que os principais interessados (governo e empresários), partindo do princípio da presunção da inocência de ambos, tivesse se incomodado minimamente com esses "malfeitos"? (que péssimo neologismo petista para atenuar a corrupção sistêmica da última década...)

Petista é bom para reproduzir rótulos: "privataria tucana", "imprensa golpista", "trensalão", "cartel do governo Alckmin", "seca da Cantareira"...

O PT, hoje, sobrevive (ideologicamente) disso!

É sempre o discurso pronto, endossado pela cúpula do partido para ser difundido pela militância PTbull nas redes, que reforça a polarização e o preconceito (rico x pobre, branco x preto, esquerda x direita, sul/sudeste x nordeste, petista x tucano, coxinha x petralha).

Os petistas tiveram tanto sucesso na chamada "desconstrução" dos adversários (como fizeram com Marina Silva e Aécio Neves no 1º e no 2º turno de 2014), que agora parecem ter inaugurado a "auto-desconstrução" do próprio (des)governo. É tanta ruindade, tanta contradição, tanta pergunta sem resposta, que causa até um certo constrangimento fazer oposição ao PT, de tão fácil.

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Não é só pelos vinte centavos, né, Haddad?

Com o brasileiro estupefato com a revelação em doses diárias do maior escândalo de corrupção que se tem notícia na História e o PT no centro da crise, o paulistano paga um preço ainda maior (literalmente) pela incompetência e o despreparo da gestão do prefeito Fernando Haddad.

Além do aumento da conta de luz, da gasolina, do aluguel e do supermercado, vem aí o aumento da tarifa de ônibus. Isso depois de tanta polêmica sobre os vinte centavos, há um ano e meio, que deram início à onda de manifestações pelo país.

A Prefeitura segue estagnada, não cumprindo nem metade das metas estabelecidas - e também não prestando contas das promessas. A Câmara Municipal, idem. Enquanto isso, as suspeitas decorrentes da falta de transparência no Executivo e no Legislativo vão se avolumando...

Correm boatos de que o mesmo grupo empresarial que controla o Frigorífico JBS (carnes Friboi) - e que por acaso foi o maior doador da campanha eleitoral de 2014 - está diversificando a sua atuação e já é o favorito para vencer algumas concorrências abertas pelas administrações do PT, como a de iluminação pública na cidade de São Paulo.

As ciclovias são um festival de improviso: de "Prefeito Lukscolor", o garoto-propaganda das tintas, apelido merecido por espalhar pela cidade as faixas brancas dos ônibus e vermelhas das bicicletas sem critério nem planejamento, Haddad virou alvo de nova brincadeira das redes sociais. Agora é o "Prefeito Liquid Paper", após "apagar" ciclovias erradas (e pior, sem admitir o erro).

No setor da moradia, controlado pelo partido do aliado Paulo Maluf, o prefeito "amigo do mercado imobiliário" conseguiu transformar os movimentos sociais em verdadeiras incorporadoras habitacionais.

Após ceder à pressão de invasores profissionais, massa de manobra do próprio PT, Haddad entregou 20% do Programa Minha Casa Minha Vida aos sem-teto.

Explica-se: os movimentos ganham o terreno da Prefeitura, contratam ao bel prazer a empresa que fará a construção das moradias e indicam segundo seus próprios critérios quais famílias irão receber as chaves das casas. (Que beleza!)

É um prato cheio para quem fingia fazer oposição à atual gestão, com ações orquestradas e a cumplicidade criminosa da Prefeitura do PT. Também parece um perigoso precedente, ao ensinar que quanto maior a pressão e a ameaça sobre o governo, maiores as "conquistas" dos movimentos.

Aonde vamos parar com esse descaso pela "coisa pública"?

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quinta-feira, 20 de novembro de 2014

PPS lança manifesto que convoca diálogo da oposição de agora até 2016: "São Paulo, a cidade pós-Haddad"

Ao final de 2014, chegamos à metade da gestão do prefeito Fernando Haddad com um sentimento de frustração de quem vê a cidade de São Paulo desgovernada, entregue a gente despreparada e incompetente, com a administração loteada politicamente e aparelhada partidariamente.

Passamos dois anos sem chegar nem perto das metas de governo apresentadas pelo PT. Teremos pela frente outros dois anos para ouvir mais promessas e sermos outra vez cobaias do marketing que aposta sempre na polarização eleitoral, na divisão da população e no acirramento do ódio e do preconceito para se manter no poder.

Nós acabamos de sair de um processo eleitoral que reelegeu a presidente Dilma Roussef com 54,5 milhões de votos, ou 51,64% dos votos válidos. Porém, outros 87,3 milhões de brasileiros não votaram na candidata do PT. Foram 51 milhões de votos em Aécio Neves (48,36% dos votos válidos), além de 36,3 milhões de abstenções e votos nulos ou brancos (26,76% do eleitorado).

Ou seja, a insatisfação dos brasileiros com o governo, mas também com a política e os políticos de um modo geral, ficou latente nas urnas. Talvez o PT ainda não tenha entendido o recado, pois a vitória eleitoral pode iludir os mais afoitos e encobrir o insurgente desejo de mudança. Porém, nada altera o fato de que a maioria da população (mais de 61% do total de 142 milhões de eleitores) simplesmente não endossa os métodos e práticas destes 12 anos de desgoverno petista.

É o entusiasmo do povo que se manifestou nas urnas, nas redes e nas ruas em busca de uma nova forma de fazer política, com ética, transparência e respeito às instituições democráticas e aos princípios republicanos, que nos estimula a permanecer unidos neste movimento de resistência às investidas totalitárias e à tomada de assalto do Estado (da cidade, do país).

"Vamos falar sobre São Paulo?" foi uma frase emblemática da campanha de 2012, dita na entrevista de um candidato a prefeito ao apresentador César Tralli, no SPTV da Rede Globo, que sintetiza aquilo que a maioria da população deseja: discutir soluções para os inúmeros problemas do nosso cotidiano.

O que buscamos neste momento é justamente reunir partidos, lideranças políticas e comunitárias para debater a cidade pós-Haddad. Vamos mudar São Paulo aglutinando todas as forças da sociedade no combate ao desgoverno e ao aparelhamento típicos do PT, que paulistas e paulistanos já começaram a escorraçar democraticamente no voto.

O convite é aberto a eleitores, partidos e apoiadores dos candidatos que se opuseram ao PT nas eleições presidenciais de 2014 (Aécio Neves, Marina Silva, Pastor Everaldo, Eduardo Jorge), nas eleições ao Governo do Estado (Geraldo Alckmin, Paulo Skaf, Gilberto Natalini, Laércio Benko) e à Prefeitura de São Paulo em 2012 (José Serra, Celso Russomanno, Gabriel Chalita, Soninha Francine, Paulinho da Força), entre outros.

Vamos falar sobre São Paulo, a cidade escondida sob um falso espetáculo de progresso e gigantismo, quando na verdade é uma metrópole desgovernada e mal planejada, entregue a ações cosméticas e gambiarras, centro principal da fragilidade administrativa, social, econômica e da degradação urbana, moral e política.

São Paulo não pode permanecer nas mãos de aventureiros que seguem destruindo e descaracterizando ruas, bairros, parques e praças. Queremos conscientizar e mobilizar os paulistanos para a criação e a manutenção de um ambiente social saudável, revitalizando o espaço público com planejamento e responsabilidade.

Por isso fazemos este chamamento para o debate programático e a construção de uma cidade mais humana, justa, ética, solidária e sustentável. Uma cidade com políticas públicas e parcerias sociais que possibilitem mais rapidamente a inserção dos excluídos, a radicalização da democracia, a plena transparência dos poderes e a construção mais sólida e eficaz das bases da cidadania.

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

Artigo: "O Brasil cai na real depois da eleição"

Artigo de Carlos Fernandes (PPS/SP)
Durou pouco o país das maravilhas que a presidente Dilma e parte majoritária da imprensa, subordinada aos interesses do governo, tanto se empenharam em divulgar no ano da Copa e da sucessão presidencial.

Passada a eleição, a ilha da fantasia apresentada pelo PT na propaganda eleitoral não resistiu. Estão aí os aumentos da gasolina, da luz, do aluguel, dos juros, do dólar, da conta do supermercado...

Prepare-se que em 2015, com o efeito cascata da crise e da incompetência gerencial de Dilma e aqui em São Paulo de Haddad, outros preços vão subir. A tarifa de ônibus é uma delas. Num contrato emergencial prorrogado indefinidamente, mais indevassável que a caixa preta de um avião, só o prefeito e o secretário Jilmar Tatto, que assinou com os donos de empresas de transporte esse compromisso bilionário há mais de dez anos, conhecem os termos e os motivos de tanto mistério que o envolve.

Está caindo a máscara do PT. Infelizmente, só agora aquela parte da imprensa cúmplice da maquiagem do governo acorda para a realidade. Curioso que só depois do 2º turno é que começam a surgir reportagens das obras atrasadas do PAC, incluindo estádios incompletos, superfaturados e toda a infraestrutura que deveria ter ficado pronta para a Copa e não ficou.

O nosso diagnóstico da crise foi pontual e certeiro. Faz tempo que cantamos a bola do que estava por vir em razão da volta da inflação, da inoperância administrativa, dos escândalos de corrupção e da falta de articulação política do governo. Porém, o clima de oba-oba era tamanho que colou na oposição o rótulo marqueteiro de "pessimista".

Os remédios amargos, inevitáveis, atribuídos até então à receita oposicionista, começam a ser aplicados  pelo próprio governo, numa contradição gritante entre a presidente e a candidata Dilma. E todo aquele discurso de campanha cai por terra, com medidas duras que vão travar ainda mais o desenvolvimento do país e trazer consequências para a população.

O Brasil vive uma profusão de crises: é crise econômica, fiscal, política, social; é crise de energia e da água; é crise ministerial... E o PT segue impassível, como se nada de grave estivesse acontecendo com o país, escondido atrás de falsas soluções como plebiscitos, conselhos populares e o controle social da mídia, para tentar manter o Congresso, a sociedade e a imprensa sob controle.

Vai ser difícil.

Carlos Fernandes foi subprefeito da Lapa e preside o PPS paulistano.

terça-feira, 18 de novembro de 2014

Procura-se prefeito para uma cidade desgovernada

A ruindade da gestão Haddad é tão evidente que a sucessão eleitoral entra na pauta da cidade antes mesmo da metade do seu mandato. Pior: a antecipação da campanha parte de dentro do próprio PT!

Com outro detalhe inusitado: a senadora e ex-prefeita Marta Suplicy já havia diagnosticado também a ruindade do governo Dilma e ensaiado um "Volta, Lula", no desespero para salvar a lavoura diante do previsível tsunami resultante do frágil primeiro mandato dilmista.

Ou seja, existe sinal de vida inteligente no mundo petista, apesar de perdido num universo de corruPTos e incomPTentes. Marta mostra que nem todos aderiram à cegueira conveniente do poder e se renderam à fantasia do marketing governista.

Por isso, exceção à regra, ela virou "persona non grata" para a raivosa milícia PTbull (e entrou para a lista de caça a ser abatida, somando-se a ex-petistas como Marina Silva, Eduardo Jorge e Soninha Francine). É sintomática a pancadaria que sofre de militantes profissionais nas redes sociais.

Com todos os seus defeitos, a gestão de Marta Suplicy foi milhões de vezes superior à do prefeito Haddad. O povo de São Paulo sabe disso. O PT, ainda mais. Daí o desespero. Assim como na época de Erundina, a maior parte dos problemas da Prefeitura não foram fruto dos erros pessoais da prefeita da ocasião, mas da falha no DNA petista.

O agravante para Haddad é que, além de ser dominado pela cúpula do PT e seu modus operandi aprimorado para o aparelhamento e a dilapidação da máquina pública, ele é particularmente despreparado e inaPTo para o cargo.

Diante deste quadro, o nome de Marta se coloca naturalmente na disputa. Sem espaço no PT, pode buscar abrigo no PMDB, no PR ou na Rede. O fato é que, por qualquer legenda, se ela fizer uma oposição qualificada contra o prefeito Haddad, atrairá parcela significativa do voto petista (descontente com os rumos do partido) e também do anti-petista.

O primeiro efeito da antecipação da campanha, com a possível candidatura de Marta e a tentativa de reeleição de Haddad, será forçar o PSDB a buscar um nome de peso para chegar ao 2º turno.

Fala-se no vereador e ex-ministro Andrea Matarazzo, no senador Aloysio Nunes e no deputado Bruno Covas, mas também nunca se descarta José Serra (há quem já defenda como chapa supostamente imbatível: Serra prefeito e Russomanno vice).

Animado pelos resultados de 2014, como recordista nacional de votos para deputado, e de 2012, onde só não chegou ao 2º turno para prefeito pela "desconstrução" patrocinada pelo PT, Celso Russomanno é o vice dos sonhos de qualquer oponente, mas é provável que venha mesmo novamente como candidato a prefeito, inclusive liderando as primeiras sondagens de intenção de voto, apesar das fragilidades do seu PRB.

Há outros personagens coadjuvantes, como Gilberto Kassab, que pode ser nomeado ministro (das Cidades?), fato que o levaria (ou não?) a fechar o apoio do PSD a Haddad. Se bem que dentro do partido dele há lideranças que já saíram descontentes (e derrotadas) pela aliança com o PT em São Paulo, como Police Neto, Marco Aurélio Cunha e Alexandre Schneider.

Uma aposta de risco para Kassab seria tentar atrair Paulo Skaf ou Gabriel Chalita do PMDB do vice-presidente Michel Temer para o PSD, ou apostar na candidatura de Henrique Meirelles (se este também não for nomeado para o Ministério de Dilma).

Ainda que estejamos muito longe da eleição municipal, a bola da vez é Marta Suplicy. E, mesmo se passar essa onda, parece improvável surgir outro nome competitivo para quebrar a quadra de protagonistas (HaddadMartaRussomanno e um nome tucano, com alguma vantagem para Aloysio).

Alguém arrisca um cenário diferente?

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