segunda-feira, 31 de dezembro de 2007

E lá se vai 2007: o ano que não deixa saudades

Adeus ano velho, feliz ano novo. É da natureza humana. Sempre acreditamos que o melhor está por vir. Então, no balanço dos acontecimentos de 2007, o que deixamos para trás?

Por exemplo, tivemos a primeira e emblemática derrota do governo Lula: o fim da CPMF. Não que tenha sido, em si, um grande ganho para o país (a charge ao lado diz tudo: a CPMF é uma formiguinha perto da paquidérmica carga de impostos). Mas mostrou ao presidente-messias que em uma democracia nem tudo é como lhe convém pessoalmente. Que em 2008 venha a reforma tributária!

Antes disso, numa sexta-feira, 13 (de julho), o presidente Lula já havia enfrentado outro constrangimento: as seis históricas vaias da multidão que lotava o Maracanã, na abertura dos Jogos Pan-Americanos. Foi o primeiro sinal.

Tragédias não faltaram. Logo em janeiro de 2007, foram sete pessoas mortas, tragadas pela cratera da obra do metrô em São Paulo. Entre as vítimas, a aposentada Abigail Rossi de Azevedo, mãe do dirigente do PPS Silvio Antonio Azevedo, ex-chefe de gabinete do vereador Edivaldo Estima.

Em 17 de julho aconteceu o trágico acidente com o Airbus da TAM em Congonhas. Foram 199 mortos. Resultado da incompetência crônica na gestão do setor aéreo.

Até terremoto matou no Brasil, pela primeira vez na história. Uma menina de cinco anos foi soterrada após um tremor de 4,9 graus na escala Richter, na vila de Caraíbas, norte de Minas Gerais.

Outros atos bárbaros marcaram o ano, como os recentes casos da menina de 15 anos presa por um mês com 20 homens na cadeia do Pará, e o do menino da mesma idade morto com 30 choques elétricos pela PM no interior de São Paulo.

De Brasília não faltam exemplos assombrosos, mas um projeto que nem sequer recebeu muito espaço na mídia merece ser tratado aqui pelo tamanho absurdo: a instituição da "bolsa estupro". Como????? Parece piada. Parece exagero. Mas infelizmente não é!

Dois deputados evangélicos (Henrique Afonso, do PT do Acre, e Jusmari Oliveira, do PR da Bahia) apresentaram na Câmara dos Deputados o projeto, que recebeu parecer favorável do relator da matéria, o padre católico José Linhares, do PP do Ceará.

Em que consiste a brilhante idéia? O projeto de lei prevê o pagamento de indenização às mulheres que tenham filhos resultantes de violência sexual, segundo seus autores como desestímulo à prática do aborto.

O estuprador ganha o status de "pai" no projeto e o aborto é classificado como "injusiça monstruosa com o feto".

É um upgrade do famoso "estupra, mas não mata" do filósofo Paulo Maluf. "Será justo que a mãe faça com o bebê o que nem o estuprador ousou fazer com ela: matá-la?", questiona o deputado federal Jusmari Oliveira.

Acho quem nem é necessário falar mais nada sobre 2007. Sobrevivemos até aqui. Basta.

domingo, 30 de dezembro de 2007

Estacionamento gratuito no shopping? Lei do PPS!

Em sua última edição do ano, a revista Veja São Paulo, na seção Mistérios da Cidade, faz menção ao projeto aprovado na Câmara de São Paulo que tornaria gratuito (se o prefeito Gilberto Kassab sancionar a lei, o que parece improvável) parar o carro em shopping centers paulistanos para quem gastasse em compras pelo menos 10 vezes o valor a ser pago no estacionamento.

A revista, estranhamente, só não faz menção ao autor do projeto de lei, que é o vereador Edivaldo Estima (PPS). Polêmica a idéia é, sem dúvida. Mas parece bastante justa e sensata para estimular o comércio e incentivar o consumidor. Merece ao menos ser debatida com seriedade.

Acompanhe aqui mais detalhes sobre o projeto do vereador Edivaldo Estima e veja abaixo a íntegra da proposta, que seguiu para sanção ou veto do prefeito Kassab:

PROJETO DE LEI Nº 454/07

AUTOR: EDIVALDO ESTIMA
PARTIDO: PPS

"DISPÕE SOBRE A COBRANÇA DE PERMANÊNCIA DE VEÍCULOS EM ESTACIONAMENTO NOS SHOPPING CENTERS, HIPERMERCADOS E CONGÊNERES E DÁ OUTRAS PROVIDÊNCIAS.

A CÂMARA MUNICIPAL DE SÃO PAULO DECRETA:

Art. 1º Ficam dispensados do pagamento referente ao uso de estacionamento em shopping centers, hipermercados e congêneres instalados no município de São Paulo, os clientes que comprovarem despesa correspondente a pelo menos dez vezes o valor da referida cobrança.

Parágrafo Único - A gratuidade a que se refere o caput só será efetivada mediante a apresentação de notas fiscais que sejam datadas do dia no qual o cliente faz o pleito à gratuidade.

Art. 2º O período de permanência do veículo no estacionamento dos estabelecimentos citados no Artigo 1º, por até quinze minutos, deve ser gratuito.

Art. 3º O benefício previsto nesta Lei só poderá ser concedido ao cliente que permanecer por, no máximo, 4 (quatro) horas no interior do shopping centers, hipermercados ou congêneres.

§ 1º O tempo de permanência do veículo, deverá ser comprovado através da emissão de um documento quando de sua entrada no estacionamento.

§ 2º Caso o cliente ultrapasse o tempo previsto para a concessão da gratuidade prevista no artigo 3º, arcará com o valor excedente de acordo com a tabela de preços, normalmente utilizada pelo estabelecimento.

Art. 4º Ficam os shopping centers hipermercados e congêneres obrigados a divulgar o conteúdo desta lei através da colocação de cartazes em suas dependências.

Art. 5º Esta Lei entrará em vigor na data de sua publicação. Revogam-se as disposições em contrário.

Sinal dos tempos: a política de hoje em dia

(charge de Novaes, do Jornal do Brasil)

sábado, 29 de dezembro de 2007

De sapo a príncipe: Kassab, o prefeito perfeito?

De candidato a vice-prefeito de São Paulo imposto ao PSDB pelo então PFL (que o próprio titular da chapa, José Serra, custou a engolir) a herdeiro da administração da maior cidade do país, o prefeito Gilberto Kassab é o protótipo perfeito do sapo que virou príncipe.

Um artigo do jornalista Melchiades Filho, publicado na Folha de S. Paulo de hoje, faz um bom uso dessa imagem de sapo, associado ao polêmico programa da MTV. Veja:

Beija Sapo

O roteiro do programa é simples: pretendentes escondidos por uma máscara de sapo competem pelo direito de beijar uma menina (ou um rapaz). A escolha se dá por meio de perguntas e provas tolas. Tão tolas que parecem boladas para que o casal NÃO tenha idéia um do outro e, desse modo, tornem o mais gratuito possível o amasso que invariavelmente arremata a gincana televisiva.

Ok, o prefeito de São Paulo pode não despertar a volúpia dos adolescentes sarados e salivantes da MTV. Mas há um quê de Beija Sapo no tititi em torno do nome dele. Gilberto Kassab conseguiu imprimir uma marca à sua gestão, com o elogiável projeto Cidade Limpa.

Meteu o trator em redutos dos rivais, sobretudo na periferia, com o apoio de coronéis municipais como o "neodemo" Milton Leite.

Mostrou que é bom de tática pré-eleitoral ao escolher saúde (os ambulatórios AMAs) e educação (as superescolas CEUs) como prioridades de governo - respectivamente apontados como um ponto fraco e um ponto forte da administração de Marta Suplicy, sua antecessora e provável adversária em 2008.

E marcou presença onde a notícia estivesse, fosse ela boa ou ruim. Mas, se fecha o ano em alta, é também por causa de outra fortaleza detectada nas pesquisas: prefeito sem um único voto, ainda é desconhecido e por isso pouco rejeitado.

Dois estudos de psicologia de Harvard, incluídos pelo "New York Times" na lista das principais inovações das ciências em 2007, ajudam a compreender o fenômeno.

Um, aplicado na medicina, conclui que somos mais felizes quando não temos expectativas. Outro, na economia, que tendemos a fazer uma avaliação mais positiva de um sujeito quando temos poucas (ou ambíguas) informações sobre ele.

Para o sapo Kassab, é bom que continue assim. Não estranhe se a campanha da reeleição, como no programa da Cicarelli, opte por não aprofundar muito as coisas.

Entrevista do prefeito Kassab ao Jornal da Tarde

Clique na figura para ampliar e permitir a leitura:

quarta-feira, 26 de dezembro de 2007

Nepotismo no Tribunal de Contas do Estado de SP

Pegou mal a revelação de que todos os conselheiros do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo empregam parentes. É a veha história: para os sete titulares do TCE, a contratação de familiares sem concurso público não é ilegal. Pode ser. Mas é imoral.

Segundo reportagem da Folha de S. Paulo, os sete conselheiros do TCE de São Paulo, órgão criado para fiscalizar os gastos do Executivo, empregam filhos, irmãos e noras em cargos de confiança. A maioria dos parentes, mesmo sem concurso público, recebe por mês cerca de R$ 12 mil líquidos.

Os conselheiros têm cargos vitalícios e ganham cerca de R$ 24 mil líquidos por mês.

O campeão na contratação de parentes é o vice-presidente do TCE, Eduardo Bittencourt, que nomeou seus 5 filhos para trabalhar no gabinete, com salário médio de R$ 12 mil. Bela renda familiar. Numa conta rápida, são R$ 84 mil mensais (R$ 24 mil para o papai conselheiro e R$ 60 mil para os filhos sortudos).

Segundo a reportagem apurou, no entanto, nenhum deles comparece ao tribunal. É o caso de Carolina Bittencourt Roman, 33, bacharel em direito (sem a carteira da OAB). Nomeada há nove anos como assessora técnica de gabinete, com um salário mensal de R$ 12 mil líquidos, ela seria a responsável pela leitura de cabeçalhos de correspondências e documentos enviados ao pai.

Funcionários do TCE afirmam desconhecer Carolina e os irmãos. No mês passado, o próprio chefe-de-gabinete do conselheiro, Marcos Renato Böttcher, disse à Folha não saber se os cinco efetivamente trabalham no tribunal.

A Promotoria da Cidadania do Estado instaurou uma investigação para apurar eventual improbidade administrativa (má gestão pública) praticada por Bittencourt nas nomeações. E por aí vai...

sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

O Ibope e os resultados contraditórios de Kassab

E a Folha de S. Paulo investe na polêmica sobre os dois resultados diferentes apresentados pelo Ibope em um mês: um apontava o crescimento vertiginoso do prefeito Gilberto Kassab (ganhando inclusive de Marta Suplicy na projeção para o segundo turno); outro, divulgado após a pesquisa do Datafolha, parece ter sido um "ajuste à realidade". Veja a matéria do jornal:

Duas pesquisas realizadas pelo Ibope em pouco mais de um mês, dois vencedores diferentes num eventual segundo turno entre a ex-prefeita de São Paulo Marta Suplicy (PT) e o atual Gilberto Kassab (DEM).

Levantamento do instituto divulgado anteontem pela TV Globo - feito entre os dias 15 e 18 de dezembro - mostrou que a petista bateria o democrata por 46% a 35% numa eventual segunda votação, uma vantagem de 11 pontos percentuais. O resultado difere da pesquisa anterior do Ibope, realizada entre os dias 10 e 14 de novembro.

Naquele mês, o vencedor de um eventual segundo turno entre os dois era o atual prefeito, com 47%. Marta (38%) seria derrotada com uma desvantagem de 9 pontos percentuais.

A inversão dos resultados, diz o Ibope, é devido ao objetivo de cada pesquisa e à ordem em que foram feitas as perguntas para os entrevistados.

A pesquisa de novembro, como mostrou reportagem da Folha de S. Paulo, foi encomendada pela Associação Comercial de São Paulo (ACSP), que tem Kassab como um de seus vice-presidentes. A pedido da ACSP, o Ibope priorizou, em seu questionário, perguntas sobre a avaliação da prefeitura atual, feitas antes das sobre intenção de voto.

Então, antes de dizer em qual candidato votaria, o eleitor havia sido submetido a oito questões sobre a gestão de Kassab, em perguntas que apresentavam seu nome. O Ibope afirmou ontem, por meio de nota, que as questões iniciais "podem ter influenciado os resultados obtidos nas perguntas sobre intenção de voto, principalmente nas simulações de segundo turno, dado o caráter plebiscitário dessas questões".

Segundo o instituto, o objetivo era comparar a avaliação da administração Kassab com uma pesquisa de julho, também feita a pedido da associação.

Na pesquisa do Ibope encomendada pela TV Globo, a intenção era a "avaliação eleitoral do município". Assim, as primeiras perguntas foram sobre intenção de voto, diz o Ibope.

O resultado obtido nesse último levantamento do Ibope se aproxima do que foi revelado pelo Datafolha, em pesquisa realizada entre os dias 26 e 29 de novembro. Segundo o Datafolha, a petista venceria Kassab com vantagem de dez pontos percentuais.


Leia também:

Prefeito Kassab: do céu ao inferno em 7 dias

Ibope: Kassab venceria Marta em São Paulo

Fernando de Barros e Silva: "Águas republicanas"

Não consigo ter simpatia pela greve de fome de d. Luiz Cappio. Sua atitude, de quem se submete à privação e ao martírio, pondo em risco a própria vida em nome de uma causa superior, parece-me uma manifestação extrema do masoquismo católico -um dos traços definidores dessa religião.

Associado à sorte dos pobres, em nome de quem sempre falou, o sofrimento que o bispo se auto-infligiu teve o efeito de provocar uma corrente de identificação e solidariedade pelo país. O engajamento de artistas na luta em "defesa do rio" acabou por converter a transposição num caso de grande apelo emocional, um drama mexicano.

Está fora de dúvida que sejam pessoas de boa-fé, ou movidas por bons sentimentos. Mas emoção e desinformação andam de mãos dadas -e neste caso certamente não são boas companhias. Pareceria até cômico, não fosse antes trágico, que uma liderança religiosa se torne o ponto de referência da discussão de um tema que exige a mobilização de tantos conhecimentos técnicos.

O maniqueísmo católico não costuma ser amigo do pensamento. E a igreja, lembre-se, é uma das grandes responsáveis pelo lobby obscurantista em relação ao aborto, além de sustentar posição criminosa ao proibir o uso da camisinha. Não sei o que Cappio diria a respeito.

A obra do São Francisco consta do programa de governo de Lula. Foi discutida em audiências públicas. Obteve a licença ambiental e removeu todos os entraves legais. É controvertida? Não há dúvida.

Há quem considere seus efeitos socialmente escassos ou muito duvidosos diante de investimento tão faraônico. O grande beneficiário, diz-se, seria o agronegócio.
Há ainda quem veja na transposição uma mina de ouro para o financiamento de futuras campanhas. É, de fato, a maior obra do PAC, injeção bilionária de dinheiro do Orçamento no cofre das empreiteiras.

O governo fez sua escolha e tem seus argumentos. O país é laico e o regime, republicano. Melhor assim.


(Artigo do jornalista Fernando de Barros e Silva, publicado na Folha de S. Paulo de hoje)

quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

Boicote de ACR contra Soninha repercute na mídia

Clique na matéria do Diário de S. Paulo para ampliar:

A retaliação do Centrão à vereadora Soninha

Já que a vereadora Soninha Francine (PPS) se absteve na eleição da Mesa Diretora, que reelegeu Antonio Carlos Rodrigues (PR) para a presidência da Câmara Municipal de São Paulo (reveja), o "Centrão" resolveu dar o troco na mesma moeda e se absteve de votar um projeto da vereadora, nesta terça e quarta-feira, apesar do acordo firmado para a votação de uma proposta de cada parlamentar.

A retaliação é clara e assumida pelos vereadores que se auto-denominam do "Centrão" (que reúne partidos como PR, PMDB, PP, PTB, PSB, PRB e PV), com o reforço do PT.

Enquanto aprovam projetos bizarros e ridicularizados pela imprensa, como reproduzimos no Blog do PPS/SP nos últimos dias, o ótimo projeto colocado na pauta da Câmara a pedido da vereadora Soninha fica pendente de votação por represália.

A situação é ridícula e absurda: na ânsia de retaliar a vereadora do PPS, passou despercebido que, apesar de ter Soninha entre os autores do projeto pendente, a idéia partiu da ONG Voto Consciente, através da Comissão de Legislação Participativa (cujos membros são os signatários do projeto); ou seja, a proposta é de iniciativa popular, não da vereadora Soninha.

O cúmulo da insanidade: O vereador Farhat (PTB), aquele que foi eleito com o slogan "o advogado do Ratinho", apesar de constar como um dos autores do projeto, também se absteve, por ordem do Centrão. Risível.

Veja a íntegra da proposta colocada em pauta a pedido da vereadora Soninha, que garantiria mais transparência à máquina pública:

PROJETO DE LEI Nº 617/06

AUTORES: SONINHA, CLAUDIO PRADO, RICARDO MONTORO, JORGE TADEU, FARHAT, GOULART E ABOU ANNI

"DISPÕE SOBRE A PUBLICAÇÃO NO SITE OFICIAL DOS ÓRGÃOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA DIRETA, INDIRETA OU FUNDACIONAL DE QUALQUER DOS PODERES DO MUNICÍPIO DE SÃO PAULO, DOS NOMES, CARGOS, UNIDADES OU DEPARTAMENTOS E CORREIO ELETRÔNICO, NO RESPECTIVO ENDEREÇO ELETRÔNICO, DE SEUS FUNCIONÁRIOS, EMPREGADOS E SERVIDORES, E DÁ OUTRAS PROVIDÊNCIAS.

A Câmara Municipal de São Paulo DECRETA:

Art. 1º Os órgãos da Administração Pública Direta, Indireta ou Fundacional de qualquer um dos Poderes do Município incluirão em seu sítio na "Internet" uma relação contendo as seguintes informações sobre seus funcionários, empregados e servidores:

I - Nome completo;

II - Cargo que ocupa;

III - Unidade em que o cargo está lotado;

IV - Correio eletrônico, no respectivo endereço eletrônico, onde houver.

§ 1º A lista contendo as informações mencionadas neste artigo deverá ser atualizada a cada 30 (trinta) dias.

§ 2º O Poder Público providenciará no sentido de dotar, progressivamente, todos servidores de um correio eletrônico individualizado.

Art. 2º Os Poderes Executivo e Legislativo, cada um no seu respectivo âmbito, expedirão instruções a todos seus órgãos, conforme disposto no artigo 1º desta lei, para concretização das providência necessárias à efetivação das medidas ora estabelecidas, no prazo de 30 (trinta) dias, a contar da data de publicação desta lei.

Art. 3º As despesas decorrentes da execução desta lei correrão por conta das dotações orçamentárias próprias, suplementadas se necessário.

Art. 4º Esta lei entra em vigor na data de sua publicação, revogadas as disposições em contrário.


Leia mais aqui sobre o boicote do Centrão à vereadora Soninha.

Ibope repete Datafolha: Soninha tem de 2% a 4%

Veja aqui os resultados da pesquisa do Ibope sobre as intenções de voto para a Prefeitura de São Paulo, divulgada nesta quarta-feira à noite. Marta Suplicy (PT) e Geraldo Alckmin (PSDB) seguem na frente, virtualmente empatados. Gilberto Kassab (DEM) e Paulo Maluf (PP) vêm em seguida na maioria dos cenários.

Soninha Francine (PPS) repete os índices constatados pelo Datafolha (entre 2% e 4%, dependendo do cenário apresentado), bem à frente de candidaturas como Aldo Rebelo (PCdoB), Arlindo Chinaglia (PT) e Zulaiê Cobra (PHS)

A margem de erro da primeira pesquisa de intenção de votos do Ibope para a Prefeitura de São Paulo, cuja eleição é em outubro do ano que vem, é de 4 pontos percentuais para mais ou para menos. A pesquisa foi feita entre os dias 15 e 18 de dezembro. Foram ouvidos 602 eleitores.

Veja os números em cinco cenários:

Primeiro cenário

Marta Suplicy (PT) 27%
Geraldo Alckmin (PSDB) 24%
Gilberto Kassab (DEM) 12%
Paulo Maluf (PP) 11%
Luíza Erundina (PSB) 6%
Paulo Pereira da Silva (PDT) 3%
Soninha (PPS) 2%
Zulaiê Cobra (PHS) e Aldo Rebelo (PCdoB) 1%
Brancos e nulos 11%
Não sabem ou não opinaram 2%

Segundo cenário
(Candidato do PT é Arlindo Chinaglia)

Geraldo Alckmin (PSDB) 30%
Paulo Maluf (PP) 14%
Gilberto Kassab (DEM) e Luíza Erundina (PSB) 13%
Paulo Pereira da Silva (PDT) 6%
Soninha (PPS) 2%
Aldo Rebelo (PCdoB) 1%
Zulaiê Cobra (PHS) e Arlindo Chinaglia (PT) menos de 1%
Brancos e nulos 16%
Não sabem ou não opinaram 3%

Terceiro cenário
(Exclui Geraldo Alckmin e Marta Suplicy é a candidata do PT)

Marta Suplicy (PT) 30%
Gilberto Kassab (DEM) 19%
Paulo Maluf (PP) 14%
Luíza Erundina (PSB) 9%
Paulo Pereira da Silva (PDT) 5%
Soninha (PPS) 4%
Aldo Rebelo (PCdoB) 2%
Zulaiê Cobra (PHS) 1%
Brancos e nulos 15%
Não sabem ou não opinaram 2%

Quarto cenário
(Gilberto Kassab não é candidato)

Geraldo Alckmin (PSDB) 32%
Marta Suplicy (PT) 28%
Paulo Maluf (PP) 12%
Luíza Erundina (PSB) 7%
Paulo Pereira da Silva (PDT) 4%
Soninha (PPS) 3%
Zulaiê Cobra (PHS) e Aldo Rebelo (PCdoB) 1%
Brancos e nulos 11%
Não sabem ou não opinaram 2%

Quinto cenário
(Exclui Alckmin e Marta, com Arlindo Chinaglia concorrendo pelo PT)

Kassab 21%
Erundina 19%
Maluf 17%
Paulinho 9%
Soninha 4%
Zulaiê e Aldo 1%
Arlindo 0%
Brancos e nulos 23%
Não sabem ou não opinaram 3%

Segundo Turno

O Ibope fez ainda simulações para o segundo turno com os candidatos mais bem colocados (Marta Suplicy, Gilberto Kassab e Geraldo Alckmin). Veja abaixo:

Kassab x Marta
Marta - 46%
Kassab - 35%
Brancos e nulos - 17%
Não sabem ou não opinaram - 1%

Kassab X Alckmin
Alckmin - 56%
Kassab - 22%
Brancos e nulos - 19%
Não sabem ou não opinaram - 3%

Marta x Alckmin
Alckmin - 50%
Marta - 38%
Brancos e nulos - 11%
Não sabem ou não opinaram - 1%

quarta-feira, 19 de dezembro de 2007

Morre vice-prefeito de Jacareí, Davi Monteiro Lino

O corpo do vice-prefeito de Jacareí, Davi Monteiro Lino (PPS), está sendo velado na Câmara daquele município, desde as 10h. Ele morreu na madrugada desta quarta-feira de parada cardiorrespiratória. O enterro está marcado para 17h, no cemitério Campo da Saudade, no bairro Avareí.

Davi Lino tinha 53 anos, deixa a esposa Vera e o filho Gabriel. Além de vice-prefeito, ele era secretário de Infra-Estrutura de Jacareí e presidente municipal do PPS.

Lino era também pré-candidato à Prefeitura de Jacareí em 2008.

O prefeito Marco Aurélio de Souza (PT) decretou luto oficial de sete dias pela morte do vice-prefeito.

Hoje, funcionam apenas os serviços médicos, inclusive unidades básicas de saúde, e os plantões de serviços essenciais.

Davi Lino integra a equipe da administração municipal desde 2001, início da primeira gestão do prefeito Marco Aurélio de Souza (PT) e já ocupou a presidência do Saae (Serviço Autônomo de Água e Esgoto) de Jacareí. Leia mais.

Mais uma atrocidade cometida pela Polícia

Se não bastasse o caso da menina de 15 anos jogada em uma cela com 20 homens no Pará, a Polícia de São Paulo resolveu também voltar às manchetes com um ato de pura selvageria: o menino Carlos Rodrigues Júnior, 15 anos, foi morto após ser abordado por policiais militares em sua casa, por suspeita de roubar uma moto, no município de Bauru.

Causa da morte do garoto: 30 choques elétricos pelo corpo. Dois deles foram do lado esquerdo do peito e atingiram o coração do jovem, provocando uma parada cardiorrespiratória.

Dez das marcas dos choques estão na cabeça - em áreas como pálpebras, orelhas e face. Quatro no tórax e duas no saco escrotal. As outras estavam em áreas como mãos, costas e pé. A informação é do IML.

Além dos 30 choques, o menino tinha seis marcas pelo corpo, que podem ter sido causadas por objetos ou por socos e pontapés.

O jovem, segundo a polícia, não tinha histórico criminal.

Dia após dia, a Câmara de SP é mais ridicularizada

Como parte do pacotão de fim-de-ano que antecipa o acordo para votação do Orçamento de 2008, os vereadores paulistanos tiveram, cada um, direito à apovação de mais um projeto de sua autoria aprovado em segunda votação (que segue para sanção ou veto do prefeito Kassab).

Entre os 50 projetos aprovados nesta terça-feira, a imprensa destaca obviamente os mais bizarros, como o que cria o "big brother restaurante".

Idéia do vereador do PR Agnaldo Timóteo (foto), um dos projetos aprovados exige que todos os restaurantes com capacidade para mais de 30 pessoas instalem circuito interno de TV com transmissão on-line da cozinha para monitores no salão de refeições.

Outra idéia inusitada: fica proibido o uso de fogos de artifício na cidade, como os usados por torcidas nos estádios quando os times entram em campo. O projeto é do vereador e ex-jogador de futebol Ademir da Guia (PR). Ficam "liberados" fogos ornamentais e shows pirotécnicos em eventos do calendário oficial da cidade.

Entre as polêmicas, uma proposta minimamente sensata: shoppings e supermercados ficam proibidos de cobrar estacionamento dos clientes que gastarem pelo menos dez vezes mais que o valor do estacionamento. Se o estacionamento custar R$ 3 e o cliente gastar R$ 30 no cinema, por exemplo, parar o carro sai de graça. O autor é Edivaldo Estima (PPS).

Porém, os jornais sempre encontram motivo para criticar. Segundo a Folha de S. Paulo, Estima "afirma, em seu site, que, com a apresentação dos cupons de compras, todo mundo sai ganhando, tanto o consumidor como o lojista". Porém, destaca que no site a palavra lojista está grafada com a letra g.

O pacotão de ontem foi aprovado por acordo entre os líderes de quase todos os partidos. O PSDB, ausente em peso na eleição da Mesa Diretora da Casa por não concordar com o cargo que lhe foi reservado, foi boicotado ontem.

terça-feira, 18 de dezembro de 2007

Nem "Bombril na antena" melhora a imagem

O editorial do jornal Jornal da Tarde comenta que "deu a louca na Câmara Municipal" e há o perigo de que "esse vírus do surrealismo legislativo seja contagioso". A imagem dos vereadores paulistanos, que nunca foi das melhores, despenca vertiginosamente. Clique abaixo para ampliar:

Charge: presentinho para o prefeito Kassab

"Desconheço a vereadora Soninha", provoca ACR

Como era previsível, vem rendendo polêmica atrás de polêmica o resultado da eleição da Mesa Diretora da Câmara Municipal de São Paulo, marcado pelo boicote da bancada do PSDB (com exceção do dissidente Gilson Barreto) e pela abstenção da vereadora Soninha Francine (PPS).

O presidente reeleito do parlamento paulistano, vereador Antonio Carlos Rodrigues, o ACR (ou Carlinhos, para os íntimos), reagiu mal à crítica da vereadora do PPS sobre a falta de debates para a composição da Mesa.

"Eu desconheço a vereadora Soninha", afirmou Antonio Carlos Rodrigues. "Ela não é atuante aqui, ela mudou de partido, eu desconheço, eu não gostaria de falar da vereadora Soninha."

Altíssimo nivel. Mas não foi só isso. Veja mais nas notas "Começou" e "Terminou", do blog da Soninha.

PPS prepara grande encontro para 23 de fevereiro

O Diretório Estadual do PPS/SP já está organizando para o dia 23 de fevereiro de 2008 um grande Encontro dos Pré-candidatos de todos os municípios paulistas, na Assembléia Legislativa, para unificar o discurso do partido, compartilhar experiências administrativas e estabelecer diretrizes de políticas públicas com a cara do PPS.

Será um dia inteiro de atividades, com palestras, debates e painéis temáticos (Segurança, Meio Ambiente, Esporte e Juventude, Governança Local, Legislação Eleitoral etc.), reunindo os potenciais candidatos do PPS com especialistas em cada tema, além dos parlamentares do partido, prefeitos, secretários de Estado e até o governador José Serra (PSDB).

Traremos oportunamente mais informações, os nomes dos palestrantes confirmados e o roteiro completo do evento.

Reveja aqui também como foi o 1º Encontro de Pré-candidatos realizado pelo PPS paulistano, em novembro passado.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

Prefeito Kassab: do céu ao inferno em 7 dias

Primeiro foi uma pesquisa do Ibope que indicava que Gilberto Kassab (DEM), ex-vice que "herdou" a Prefeitura de São Paulo com a eleição do então prefeito José Serra (PSDB) para o Governo do Estado, venceria fácil a ex-prefeita Marta Suplicy (PT) na projeção do segundo turno em 2008.

Três dias depois, viu-se que não era bem isso. O Datafolha divulgou também a sua pesquisa, que recolocava Kassab em terceiro lugar, com 13%, bem abaixo do favorito Geraldo Alckmin (PSDB) e de Marta Suplicy, com 26% e 25%, respectivamente.

Além disso, na simulação de segundo turno pelo Datafolha, só Alckmin bateria Marta. Kassab seria derrotado por ambos.

O que pouca gente falou: a pesquisa do Ibope foi encomendada pela Associação Comercial de São Paulo, da qual Kassab é um dos vices; antes de indagar sobre candidatos, perguntou-se nominalmente sobre as virtudes do prefeito, o que teria "contaminado" o resultado e inflado artificialmente os números pró-Kassab.

Hoje, outro banho de água fria nas pretensões de Kassab ser o candidato único da base governista. Nova pesquisa Datafolha aponta que a reprovação à sua administração em São Paulo cresceu oito pontos percentuais entre o início de agosto e o final de novembro.

O levantamento feito entre os dias 26 e 29 de novembro com 1.089 moradores da capital paulista mostra que 31% consideram ruim ou péssima a gestão de Kassab. Em 9 de agosto, quando foi feita a pesquisa anterior, eram 23%.

A crise só não será maior porque a aprovação se manteve estável, passando de 31% para 33%, uma variação dentro da margem de erro da pesquisa, de três pontos percentuais para mais ou para menos.

Os efeitos da eleição da Mesa da Câmara de SP

A eleição da Mesa Diretora da Câmara de São Paulo vai render ainda boas polêmicas. Fala-se em punição ao tucano Gilson Barreto, que desobedeceu orientação da bancada do PSDB para se manter na segunda vice-presidência com apoio do Centrão e do PT.

O DEM, partido do prefeito Gilberto Kassab, também teve uma decisão controvetida: na véspera da eleição foi anunciada a substituição do líder da bancada Domingos Dissei por Carlos Apolinário (ex-PDT). Essa troca resultou na manutenção de Milton Leite (ex-PMDB) na Mesa, no lugar da indicação anterior do partido, o vereador Kamia.

Leia aqui a opinião da vereadora Soninha Francine (PPS) sobre a eleição deste sábado.