
Os números demonstram o contrário: os tucanos tiveram que reabilitar Serra, o único nome viável do PSDB paulistano, e Haddad não passa dos 3% (chega a inflados 8% numa situação hipotética com apenas 3 candidatos: ele, Chalita e Serra), deixando o PT em uma vexatória 7ª posição, atrás de Soninha (PPS), Netinho (PCdoB), Russomanno (PRB), Paulinho (PDT) e os já citados Chalita (PMDB) e Serra (PSDB).
O PPS lançou proposta de candidatura alternativa à polarização PT x PSDB, em torno de Soninha Francine, primeiro no Blog do PPS e depois em artigo na Folha de S. Paulo. O que parecia uma idéia absurda, demonstrou na prática a viabilidade: hoje, Russomanno, Netinho, Paulinho e Chalita debatem proposta idêntica.
Dissemos - e está comprovado - que a polarização PT x PSDB só interessava a ambos (e à imprensa míope), numa estranha simbiose política. Nota do Blog do PPS: Simbiose, para quem não sabe, é a associação de dois ou mais seres de espécie diferente, que lhes permite viver com vantagens recíprocas e os caracteriza como um só organismo - não podendo ser separados um do outro (o que causaria a morte de ambos).
Outro esclarecimento necessário: quando constatamos a saturação do eleitor com a polarização PT x PSDB - e a descrença na política e nos partidos de modo geral - estamos reiterando a necessidade de uma nova forma de atuação, com mais ética, transparência e sem os velhos vícios da politicagem tradicional. É o que o PPS aprovou nos seus congressos e exercita com a tese da #REDE23.
Porém, o PPS não se omite: apoiou e participou da gestão Serra/Kassab contra o PT - que instituiu na Prefeitura de São Paulo o modus operandi que seria "aprimorado" no governo federal com Lula e Dilma, incluindo o loteamento da máquina e métodos pouco ortodoxos para cooPTação de antigos adversários.

A verdadeira crise pré-eleitoral, quem enfrenta é o PT. Atropelaram Marta Suplicy - o único nome viável do partido, além de Eduardo Suplicy, considerado "café-com-leite" nas disputas internas - por ordem de Lula e agora têm um mico na mão. Registre-se, aqui, que temos divergências inconciliáveis com Marta e Eduardo Suplicy, mas os respeitamos, como setores do próprio PT não o fazem.

Veja que o PT enfrenta um problema extremamente complexo: qualquer candidato petista parte tradicionalmente em São Paulo com índices de 25% a 30% de intenção de votos. O ex-ministro Haddad larga com 10% desse patamar histórico. Um horror! ENEM queira saber o que os petistas pensam disso...
Além de ser um ilustre desconhecido da população (lembrando que a antes desconhecida Dilma Roussef, diferentemente, foi trabalhada por Lula como "mãe do PAC" por anos seguidos antes da eleição), todos os outros partidos apresentam seus pré-candidatos como apoiadores de Dilma.
Sem exceção, Russomanno, Netinho, Paulinho e Chalita - de PRB, PCdoB, PDT e PMDB - fazem parte do consórcio lulodilmista. Isso confunde a cabeça do eleitor e dissipa a influência que teria o apoio de Lula e Dilma na eleição paulistana.
Por outro lado, Serra e Alckmin se uniram por um interesse comum, ainda que o PSDB também estivesse - e esteja - dividido em alas (as pré-candidaturas de Bruno Covas, José Anibal, Andrea Matarazzo e Ricardo Trípoli demonstraram isso; bem como o racha nacional entre Serra e Aécio).

Um exemplo: a Band tradicionalmente realiza o debate inaugural na TV em todas as eleições com os cinco primeiros candidatos nas pesquisas. Hoje Haddad é o 7º. Tem até o dia 2 de agosto para avançar, senão estaria (em tese) fora do debate. Um acontecimento inédito desde a fundação do PT.
Outra guerra intrapartidária que está apenas começando: definido o apoio ao candidato majoritário (prefeito), os partidos iniciam as negociações para as chapas proporcionais (vereadores). O candidato a prefeito carrega o número do seu partido de origem. Com isso, a tendência é que o voto de legenda para vereador - importante para alavancar a eleição de bancadas mais expressivas - seja maior para partidos que lancem candidatura própria.
O recém-fundado PSD kassabista, para citar o caso mais emblemático, terá 11 vereadores candidatos à reeleição. Isso, sem tempo de TV. Dependerá, portanto, da coligação com Serra e o voto no 45 - o que deixa os tucanos arrepiados. Nas eleições de 2004 e 2008, o PT enfrentou o mesmo dilema: para ter o apoio do PTB e PR, respectivamente, viu sua própria bancada diminuir e "emprestou" votos para eleger nomes dos partidos aliados.

Falta pouco mais de seis meses para a eleição. Como se diria popularmente: a chapa está esquentando.
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