
Desprezam as demais candidaturas, empobrecem o debate sobre a cidade, omitem informações, ignoram inclusive os números: priorizam José Serra (PSDB) e Fernando Haddad (PT), o primeiro (31%) e o sétimo (3%) colocados nas pesquisas, como se não houvesse entre eles outros cinco pré-candidatos que disputam com igualdade de condições a preferência do eleitorado de São Paulo.
Pior: se é verdade que, hoje, 34% dos eleitores manifestam a preferência por Serra ou Haddad - e é inegável o peso do voto tucano e petista em qualquer disputa, igualmente verdadeiro e notável é que 42% do eleitorado está optando por outros cinco nomes que aparecem entre o 1º e o 7º, derrubando a tese da polarização.
Não é por acaso que Russomanno (PRB), Netinho de Paula (PCdoB), Soninha Francine (PPS), Gabriel Chalita (PMDB) e Paulinho da Força (PDT) apareçam muito bem colocados nas pesquisas de intenção de voto.
Há um desgaste natural destes dois partidos que vem se alternando no poder: PT e PSDB já não respondem aos principais anseios da sociedade. Tiveram oportunidade de colocar em prática suas ideias em sucessivos governos e frustraram parcela significativa do seu próprio eleitorado.
Ambos se encontram rachados. No PT, a imposição do nome de Haddad pelo ex-presidente Lula gerou indisposição com os senadores Marta e Eduardo Suplicy, já que os dois se apresentavam como pré-candidatos à Prefeitura e têm aceitação muitíssimo superior à do ex-ministro de Lula e Dilma, dentro e fora do partido.
No PSDB, ainda que Serra tenha vencido as prévias internas, os tucanos seguem divididos em grupos vinculados a diferentes lideranças nacionais - e alguns históricos chegam mesmo a surpreender se aproximando do candidato do PT, como faz o economista Bresser Pereira, por exemplo.

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