sexta-feira, 21 de junho de 2013

Vamos falar sério, prefeito Fernando Haddad?

Carlos Fernandes, presidente municipal do PPS/SP

Caro prefeito, se o senhor, como afirma, está realmente ouvindo a "voz das ruas" e pretende mostrar que a promessa do "novo" não foi apenas um slogan eleitoral, está nas suas mãos fazer uma gestão-modelo à frente da Prefeitura de São Paulo.

Que o bem sucedido movimento pela redução da tarifa possa lhe inspirar a atender o que é prioritário para o cidadão paulistano. Como foi dito nas ruas, não eram apenas os 20 centavos: é a qualidade do transporte público, da saúde, da educação, da moradia, da descentralização administrativa e da eficiência no atendimento das subprefeituras, por exemplo, o que cobra a população. 

Em vez de argumentar que, por conta do recuo no aumento do ônibus, serão sacrificados os investimentos no município, elegendo injustamente como vilões as creches, as escolas e os hospitais, que tal começar pela eficácia e pelo enxugamento da própria máquina administrativa? 

Pois vejamos: se em 2013 o prejuízo no caixa municipal, como alega Haddad sem os R$ 0,20 adicionais, será da ordem de R$ 175 milhões por conta do subsídio para custear o transporte na cidade, de onde a Prefeitura pode tirar esse dinheiro? (E que não seja das áreas sociais, como é dito agora, meio em tom de ameaça, meio de álibi preventivo).

Ora, a Prefeitura acaba de abrir mão de cerca de R$ 150 milhões ao isentar motoristas da inspeção veicular obrigatória, um retrocesso ambiental inexplicável quando em todos os países mais desenvolvidos vale o princípio do poluidor-pagador. 

Outros R$ 25 milhões, em média, estão sendo gastos com 348 cargos de livre provimento criados no município, para atender as novas secretarias implantadas na gestão petista, e a ocupação de outros 390 cargos que estavam "congelados" na administração anterior. 

Esses dois únicos itens (inspeção veicular e enxugamento de cargos) já fecham o suposto rombo de R$ 175 milhões causado pela revogação do aumento de R$ 0,20 da tarifa no caixa de 2013. Mas não é só isso: uma gestão moderna deve primar pela economia, pela transparência e pela eficácia, certo? Será que não há outros cortes e ajustes possíveis entre 30 secretarias municipais e um Orçamento de R$ 36,8 bilhões?

Aí avaliamos outros dados deste primeiro semestre de gestão: as multas por desobediência à Lei da Cidade Limpa caíram 90% em relação ao ano passado; as multas pelo desrespeito ao PSIU (Programa de Silêncio Urbano) caíram 26%. Parece coisa ínfima, mas demonstra o afrouxamento da administração na fiscalização do cumprimento de leis. Enquanto isso, penaliza o usuário do transporte público com o aumento de tarifa.

Na realidade, o fantasma que ronda as finanças da Prefeitura não são os R$ 0,20 e sim a escalada da inflação e a alta dos juros da dívida com a União, além da mencionada má gestão. Como cumprir as promessas ditadas pelo marqueteiro da campanha de 2012, se o igualmente prometido socorro do governo federal parece ter se esgotado? A manipulação das tarifas acaba sendo a saída mais fácil para atender à conveniência política imediata.

Com os problemas cotidianos, a mobilização e a cobrança crescente dos cidadãos paulistanos é que veremos se Haddad é, de fato, "um homem novo para um tempo novo", ou simplesmente mais do mesmo, do velho PT.

quinta-feira, 20 de junho de 2013

PT e PSDB: os dois lados da moeda de 20 centavos

Dos males, o menor: o cidadão paulistano vai pagar 20 centavos a menos na tarifa do transporte coletivo (ônibus, trem e metrô), graças à pressão legítima iniciada pelo Movimento Passe Livre e que ganhou força nas redes sociais com o #VemPraRua, copiado em várias outras cidades e ampliado para incontáveis temas que também provocam a indignação do brasileiro (leia Exaustão, de Eliane Cantanhêde).

Porém, o que chamou mais atenção no pronunciamento histórico desta quarta-feira, 19 de junho, foi o visível constrangimento do prefeito Fernando Haddad (PT) e do governador Geraldo Alckmin (PSDB) para anunciarem que a tarifa voltaria a custar R$ 3,00.

No twitter @md33sp comentamos a situação inusitada:

“URGENTE: Haddad e Alckmin vão anunciar redução da tarifa de metrô e ônibus”. Perguntamos: Intenção é calar os protestos?

Ao reduzir tarifa p/ R$ 3,00 e cedem às pressões mas demonstram fraqueza política. Aumento era necessário?

Se é justo e possível não aumentar tarifas, pq e aumentaram? Se era necessário, pq reduzir? Medo do povo?

Constrangimento estampado na cara de e durante anúncio da tarifa de R$ 3. Que situação para unir PT/PSDB!

Dos males o menor p/ o povo: economiza 20 centavos na tarifa e demonstra força do movimento . Mas políticos acusam golpe: nocaute!

Emblemática postura de e no anúncio dos R$ 3,00: constrangidos e cabisbaixos. Gêmeos: mórbida semelhança.


Esperamos que PT e PSDB não se vinguem do quebra-quebra nos respectivos palácios "quebrando" agora Estado e município sob alegação do corte!

Agora aguardem: tudo que e cortarem de ações, obras e investimentos será atribuído aos tais 20 centavos!

Haddad demonstra que é o "novo" PT: declara uma coisa de manhã e anuncia o contrário à tarde, por ordem de Lula e João Santana. Quem manda?

Haddad afirmou, repetiu, reiterou: não podia baixar a tarifa para R$ 3,00. Mas aí papai Lula e mamãe Dilma desautorizaram o menino malufinho

O que esperar de governantes que justificam aumento "imprescindível" e horas depois se contradizem: mentira ou irresponsabilidade?

Não era só R$ 0,20... Agora é acabar com os 20% dos corruptos, cortar 20 ministérios da Dilma e colocar 20 mensaleiros na cadeia!

Governantes corruptos podiam pegar carona na redução dos 20 centavos e cortar também os 20% de praxe cobrados como Caixa 2, né?

: Tarifa em São Paulo voltará a ser 3 reais. A população foi ouvida. ()” Errado: foi ouvido o marqueteiro do PT

Haddad "novo" é desmontado em 6 meses! Hoje mesmo negou que reduziria tarifa! Como confiar num (des)governo do PT chefiado por marqueteiro?

Essa é a questão: são incompetentes, mentirosos ou irresponsáveis? Dizem e se contradizem em uma semana! Vale tudo pelo voto?

Tarifa baixando p/ R$ 3,00 é a hora de provar que protestos não são só pelos 20 centavos! Chega de políticos fracos e incapazes!

Contra corrupção, violência, injustiça, por mais segurança, saúde, educação! Contra gastos da Copa, e volta da inflação!

Nada como o medo das urnas e o pavor de ser destronado do poder para unir PT e PSDB: os dois lados da mesma moeda de R$ 0,20

Petistas são tão demagogos e oportunistas que é capaz de cortarem R$ 0,20 do próprio salário para dizer que estão solidários aos protestos!

Que Guerra Mundial Z com Brad Pitta, que nada! Walking Dead pra valer é com @Haddad_Fernando, o primeiro zumbi-prefeito de SP: morto pelo PT

Enfim justificado "novo" Haddad mostrado na propaganda eleitoral com ares de Hollywood: em seis meses, prefeito é o 1º zumbi-político de SP!

Nossa solidariedade ao prefeito @Haddad_Fernando, o menino malufinho de Lula, morto em combate. Nem Salim foi tão rápido no abandono a Pitta

quarta-feira, 19 de junho de 2013

Dilma e Haddad dizem ouvir "voz das ruas", mas com tecla SAP de Lula e do marqueteiro João Santana

Neste momento histórico que vive o Brasil, a presidente Dilma Roussef e o prefeito paulistano Fernando Haddad dizem que estão ouvindo a "voz das ruas". Podem até ouvir, mas não compreendem. Precisaram ontem da tradução simultânea de João Santana e Lula, um marqueteiro e um milagreiro. Ou vice-versa. Tanto faz. Dá na mesma e causa a chamada "vergonha alheia".

É inadmissível, uma afronta à importância dos cargos que ocupam, que Haddad e Dilma abandonem seus postos, sem nenhuma cerimônia, para se aconselharem em reunião clandestina com o ex-presidente e com o marqueteiro-milagreiro responsável pela eleição dos dois "postes" de Lula. Dois inaptos.

Com a Prefeitura de São Paulo cercada por manifestantes, Haddad deixou o local num helicóptero da PM para local incerto. Sumiu pelos ares. Fugiu. Dias antes, em meio às primeiras manifestações, estava em Paris apresentando a candidatura de São Paulo para a Expo 2020, mas é incapaz de resolver os problemas urgentes da cidade em 2013.

Petistas reclamaram também que havia manifestantes na frente do prédio residencial de Haddad. Ora, mas o modus operandi do PT, enquanto oposição, sempre foi protestar na frente da casa dos prefeitos. Fez isso com Maluf, Pitta, Serra, Kassab. Verdade seja dita, petistas ilustres ainda hoje frequentam a casa de Maluf e Kassab, mas agora como convidados de honra, é claro.

Aí vem a ministra-chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, surfista de ocasião, pegar onda na crise e listar os municípios que, segundo o governo, podem reduzir a tarifa graças à "dosoneração" presenteada pela presidente Dilma. Afirmou textualmente que a cidade de São Paulo poderia reduzir o preço em R$ 0,23 - o que, por si só, resolveria toda a polêmica do aumento de 20 centavos.

Dito isso, restariam apenas três saídas legítimas: 1) baixar a tarifa em São Paulo, se a informação da ministra é oficial do governo; 2) demitir a ministra, se é incorreta; ou 3) Haddad sofrer impeachment, se a informação é correta e ele mentiu. Mas alguém realmente acredita num gesto responsável por parte dos (des)governos do PT?

Indagada pela Agência Estado se o prefeito Haddad  poderia diminuir o preço das passagens, a ministra respondeu: "Eu não sei, cabe a ele responder. Nós fizemos a desoneração da folha e do PIS/Cofins. Agora cabe a cada município fazer seus cálculos e saber o quanto pode reduzir e o quanto pode se aproveitar desta desoneração que o governo federal está fazendo".

Como era de se esperar, Gleisi logo voltou atrás, tentou justificar a trapalhada e livrar a cara de Haddad. Ao comentar o cenário de São Paulo, a ministra disse que o governo federal já abriu mão dos 23 centavos em impostos federais na tarifa paulistana antes do aumento para R$ 3,20.

"O que quisemos aqui foi mostrar que o esforço do governo federal em redução de impostos abriu espaço para ajudar as prefeituras na administração do preço das suas passagens, ou para reduzir, ou para aumentar menos", comentou Gleisi. Puro oportunismo e damagogia.

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Antonio Prata: A passeata

Elio Gaspari: O Monstro foi para a rua

terça-feira, 18 de junho de 2013

BRASIL VAI ÀS RUAS E FAZ HISTÓRIA


Tudo o que se disser agora será pouco e inconclusivo. O fato é que está se escrevendo a nova história do país. Consolidada a democracia, o povo quer mais. Estamos no "Era uma vez..." e pretendemos chegar ao "Viveram felizes para sempre".

O "vem pra rua, vem, contra o aumento" foi a primeira onda do verdadeiro tsunami que se forma no Brasil, exigindo mais respeito, qualidade de vida, melhorias na educação, saúde, transporte, segurança, justiça, contra os abusos de poder e a corrupção, e por uma nova política.

O movimento - que cresce espontaneamente, pela força das redes sociais, por fora dos partidos e das organizações tradicionais - já se equipara às históricas manifestações pela redemocratização do país, as "Diretas já!" e os "caras-pintadas" que anteciparam o impeachment do presidente Fernando Collor.

Os governantes estão sendo questionados e desafiados - todos eles: prefeitos, governadores e a presidente da República. Acostumados a um raciocínio cartesiano, dizem-se dispostos a "negociar com os líderes do movimento", sem compreender a horizontalidade e o espontaneísmo das manifestações.

Iniciados a partir do Movimento Passe Livre, composto por meia centena de jovens bem articulados que defendem a "tarifa zero" no transporte público, os protestos escapam de qualquer controle ou direcionamento político-partidário. Não há líderes nem liderados. O que toma conta das ruas é a indignação do povo. Tudo isso faz bem para a alma.

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segunda-feira, 17 de junho de 2013

As vozes que se ouvem nas redes e nas ruas

Ouça as vozes das ruas e das redes. Alguma coisa está acontecendo. Já podemos vislumbrar mudanças sociais? Econômicas? Políticas?

A profundidade e a importância dos acontecimentos, como em quase todos os fatos históricos, não saberemos agora, no calor das emoções, mas com o distanciamento crítico e o passar do tempo. Porém, o movimento está aí, queiramos ou não.

Não se trata de um protesto por míseros 20 centavos na tarifa de ônibus. Acorde! Caia na real! O que une cada vez mais pessoas é a indignação e o descontentamento contra os abusos do poder, contra o descaso, contra o(s) governo(s), contra a corrupção, contra a desiguldade, contra a intolerância, contra a injustiça.

Será um movimento espontâneo ou orquestrado? Pouco importa, ainda que seja significativo e didático que o PT experimente do seu próprio veneno. De pedra a vidraça, não passarão incólumes as contradições da transformação do partido-modelo da oposição em traidor das causas populares e sociais no governo.

Cada um manifesta os seus próprios motivos, mas a soma de cada interesse (individual ou coletivo) torna crescente a onda que atinge as grandes cidades. Não é à toa que as pessoas estão nas ruas. Há excessos? Sim, mas também existe legitimidade e vida inteligente entre os dois extremos: entre aqueles que só tem olhos para violência exacerbada da polícia e os que enxergam unicamente os atos de vandalismo dos manifestantes.

Será o princípio do fim? Estarão contados os dias desses atuais ocupantes do poder? Confirma-se a previsão de que a população está saturada de PT e PSDB, e procura uma via alternativa? Crescem as chances de Eduardo Campos e Marina Silva em 2014? Por enquanto, são perguntas sem respostas.

Veja outros textos interessantes que também comentam os acontecimentos da semana; colaboram para a reflexão:

Insatisfação 
(Eliane Cantanhêde, colunista da Folha)

Nas décadas de 1960 e 1970, secundaristas e universitários lutaram bravamente contra uma ditadura e a favor de utopias sedutoras. Muitos morreram e foram torturados quase ainda crianças.

Nos anos 1980, novas gerações lutaram nas ruas pelas "diretas, já". E, nos 1990, milhares pintaram a cara pelo impeachment de Collor. Mais do que demolir um presidente indesejável, sonhavam edificar um país mais justo, mais decente.

A década de 2000 passou em branco. Inebriados pelo mito Lula e a miragem da esquerda pura e ética, os movimentos acomodaram-se e a estudantada recolheu-se à sala de aula. Utopias e sonhos coletivos cederam às ambições pessoais. O "cada um por si" venceu o "um por todos, todos por um".

As manifestações de agora começaram por 20 centavos a mais na passagem de ônibus em São Paulo e alastraram-se para Rio, Curitiba, Goiânia, Teresina e outras capitais. Coincidiram com os tambores de guerra dos índios e podem ser o fim da longa hibernação, um sinal para os Poderes da República. Basta de violência, de desvios, de impunidade.

É nesse clima que o país é informado de uma tal "Resistência Urbana - Frente de Movimentos e Articulação Nacional dos Comitês Populares da Copa". No Rio, fazem passeatas. Em Brasília, queimam pneus e fecham avenidas contra a farra dos estádios com dinheiro público.

E os protestos vão longe. Pela internet, o novo "Democracia não tem fronteiras" convoca estudantes e trabalhadores brasileiros para manifestações, terça-feira, em 30 cidades de 15 países.

Seria ingenuidade imaginar que tudo isso é uma enorme coincidência e que não há nenhuma conexão entre grupos e manifestações - ao menos uma mesma motivação.

O espectro da insatisfação ronda o Brasil. E pode explicar até a inexplicável violência de policiais -eles próprios são cidadãos irritados.

Faroeste urbano
(Suzana Singer, ombudsman da Folha)

Imprensa é acusada de chamar manifestantes de 'baderneiros' e de criticar a polícia por corporativismo

Os protestos que tomaram a avenida Paulista deixaram um rastro de destruição, uma centena de feridos, duas centenas de presos e muita indignação em relação à mídia.

A primeira onda de críticas acusava a imprensa de tratar a todos como "vândalos" e de destacar apenas os estragos provocados pelo que seria um pequeno grupo entre os milhares de manifestantes.

De fato, Folha, "Estado" e "Jornal Nacional" só tinham olhos para a destruição provocada pela turba. Não há dúvida de que a notícia principal era o ânimo incendiário de parte dos ativistas, mas o erro foi ter generalizado. Não se dimensionou qual era a parcela dos manifestantes que estava ali apenas para depredar nem se deu o devido destaque aos demais.

A Folha abriu espaço para que os líderes do Movimento Passe Livre publicassem um artigo explicando "por que estamos nas ruas", mas não havia menção ao texto na "Primeira Página", que trouxe, por dois dias seguidos, a história do policial que, apesar de ferido, não atirou contra os manifestantes.

Os que acreditavam que a Folha estava sendo injusta com o movimento ganharam um fortíssimo argumento com a publicação, na quinta-feira, do editorial "Retomar a Paulista". Os ativistas foram definidos como "jovens predispostos à violência por uma ideologia pseudorrevolucionária".

O "grupelho", segundo o texto, "ciente de sua condição marginal e sectária", move-se por uma "intenção oculta de vandalizar equipamentos públicos e o que toma por símbolos do poder capitalista".

"É hora de pôr um ponto final nisso", conclamava o editorial, em consonância com o "Estado de S. Paulo", que publicou no mesmo dia "Chegou a hora do basta".

A diferença entre os dois textos era que a Folha indicava a "força da lei" para coibir o vandalismo ("investigar, identificar e processar os responsáveis"), enquanto o "Estado" incitava o governador Geraldo Alckmin a abandonar o que seria uma postura "excessivamente moderada" para deixar a polícia "agir com maior rigor".

Tudo mudou na edição de sexta-feira. A Folha era toda crítica à ação policial, avaliada como "violenta". Havia flagrantes de abusos, depoimentos de feridos, o relato de que os distúrbios foram provocados pela Tropa de Choque e até uma foto de manifestantes "do bem" ajudando um senhor a fugir da confusão.

O "Estado" noticiou a truculência policial, mas falou em "confronto" entre manifestantes e PM.

Em vez de elogios, a Folha recebeu uma segunda onda de críticas: o jornal só teria mudado de postura porque teve sete repórteres feridos, um dos quais gravemente.

Essa acusação, de corporativismo, é injusta. A edição refletiu uma passeata diferente das anteriores, na qual os militantes estavam incrivelmente bem-comportados e a polícia, muito mais agressiva.

Em editorial publicado ontem, o jornal acusou a PM de ter "protagonizado um espetáculo de despreparo, truculência e falta de controle ainda mais grave que o vandalismo e a violência dos manifestantes, que tinha por missão coibir".

Mas a luta continua. Há um novo ato marcado; o movimento pode crescer e ganhar mais legitimidade -antes da pancadaria, o Datafolha já registrava que 55% dos paulistanos apoiavam os protestos.

À reportagem cabe manter o prumo e se dedicar a explicar quem são esses jovens insatisfeitos, de onde vêm e o que os move. O leitor já percebeu que eles não são nem os "baderneiros marginais" dos primeiros protestos nem as "vítimas indefesas" do último ato.

O fracasso da democracia
(Clóvis Rossi, correspondente da Folha)

O sistema está sendo incapaz de processar os grandes atos de protesto, na Paulista ou na Europa


Começo por onde esse excelente Hélio Schwartsmann terminou sua coluna de sexta-feira na Folha: "Mesmo rejeitando o vandalismo, deve-se reconhecer que protestos por vezes tonificam a democracia".

De acordo, Hélio. Pena que essa indiscutível verdade teórica esteja sendo desmentida na prática nos últimos muitos anos - e não só nem principalmente no Brasil.

Desde os primeiros grandes protestos contra a globalização, adquiri vastíssima quilometragem na cobertura de manifestações de massa em diferentes países e por diferentes motivos. São mais de 20 anos de gás lacrimogêneo ingerido e de incontáveis vidraças de McDonald's quebradas (não por mim, que fique claro), o suficiente para poder afirmar que a democracia está sendo incapaz de processar os protestos que deveriam tonificá-la.

Tome-se o caso dos protestos contra a globalização: perseguiam cada reunião internacional, qualquer que fosse o local de sua realização.

Uma das maiores (Seattle, 1999) conseguiu a nada desprezível proeza de impedir que a secretária de Estado norte-americana, Madeleine Albright à época, fizesse o discurso inaugural de uma conferência ministerial da Organização Mundial do Comércio.

Nunca me esqueci de uma jovem estudante a quem eu tentava convencer de me deixar passar para o centro de imprensa, argumentando que precisava contar ao mundo o que eles estavam fazendo. E ela: "Fuck you. Não precisamos de vocês para isso".

Parecia absolutamente segura de que as mídias alternativas relatariam a marcha triunfal rumo ao sucesso dos grupos que a direita batizou de "globalifóbicos" para tentar ridicularizá-los.

A marcha triunfal foi interrompida pelo 11 de Setembro e pela malandra equiparação dos protestos a terrorismo (muito pior do que acusar os manifestantes apenas de vândalos, certo?).

Mais recentemente, vieram os "indignados". Multidões em praças públicas que fazem parecer meros convescotes em família os grupos reunidos na avenida Paulista. Obtiveram resultados? Nenhum. O "austericídio" prossegue impávido, enquanto os "indignados" submergem. Estão por aí, mas não conseguem traduzir sua força numérica em propostas que a democracia possa processar com seus mecanismos convencionais.

A consequência desse descompasso pode ser terrível, escrevem para "El País" José Ramón Montero e Mariano Torcal, catedráticos de Ciência Política em Madri e Barcelona, respectivamente:

"Se os protestos se mantiverem ante a incompetência, a acomodação ou a frivolidade das elites políticas, o descontentamento poderia radicalizar-se e chegar ao âmbito eleitoral, com consequências imprevisíveis. E, se os protestos forem sistematicamente descartados e não forem acompanhados de mudanças relevantes, o desamor poderia agravar os sentimentos de frustração entre os que por fim exercem sua voz".

Vale para a Espanha, vale para o resto da Europa, vale para o Brasil. Cá como lá, a democracia está flácida em vez de tonificada.

Os pobres felizes
(Fernando Rodrigues, colunista da Folha)

Milhares de pobres felizes inundarão a TV em comerciais estatais nos próximos dias falando como é maravilhoso comprar um forno de micro-ondas ou um sofá financiado por Dilma Rousseff. A presidente despejará bilhões de reais nessa nova modalidade de felicidade instantânea - futura nem tanto.

Os comerciais de TV do governo (por meio da Caixa) são o único ambiente do mundo no qual os pobres estão sempre 100% felizes. Faz parte. Propaganda é para melhorar o astral de quem assiste. Afinal, quem olha pela janela em grandes centros urbanos não tem visto tanta alegria assim nos últimos dias.

As manifestações do Movimento Passe Livre em São Paulo e em outras capitais podem ser analisadas de várias formas. Muito já foi dito (e ainda será) sobre o despreparo da polícia. Ou a respeito do vandalismo incivilizado de parte dos ativistas.

Só que o mais relevante talvez seja a mensagem difusa vinda das ruas. Apesar do alto grau de aprovação das administrações federal e estadual (de São Paulo), há uma insatisfação latente em grandes metrópoles. Está claro que o tal Movimento Passe Livre não controla tudo.

Para cada pessoa protestando na rua há outras milhares que preferem ficar em casa, embora não menos insatisfeitas. Uma análise chapa-branca poderia argumentar que os protestos atuais são inconsequentes. O Brasil crescerá neste ano mais do que em 2012. Há pleno emprego. Tudo isso é verdade. Ainda assim, cidadãos podem considerar isso insuficiente para sorrir como nas propagandas.

Quem vive em grandes cidades sabe muito bem. São Paulo e Rio têm cotidianos inviáveis. Trânsito insuportável, transporte público péssimo, poluição, saúde pública ruim. Há, é claro, o programa Meu Micro-Ondas, Minha Vida. Mas, às vezes, só um eletrodoméstico é pouco para manter os cidadãos comportados dentro de casa e assistindo a pobres felizes nos comerciais de TV.

sexta-feira, 14 de junho de 2013

Bancada do PPS defende Parque Ecológico na Mooca

Entre as emendas que a bancada do PPS, composta pelos vereadores Ari Friedenbach e Ricardo Young, está apresentando à LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias) de 2014, que será discutida hoje (quinta-feira, 13 de junho), em primeira votação, na Câmara Municipal de São Paulo, destacamos a seguinte:

Emenda: Desapropriação de área particular da antiga Esso, em processo de descontaminação há mais de 10 anos supervisionada pela Cetesb, para implantação do Parque Ecológico da Mooca, entre a avenida Barão de Monte Santo e a rua Vitoantonio Del Vecchio.

Justificativa: Trata-se de uma reivindicação antiga da comunidade da Mooca, um dos bairros com menor índice de áreas verdes por habitante, no terreno de cerca de 100 mil metros quadrados onde funcionou por 60 anos um depósito de combustíveis da Esso. Há interesse de algumas construtoras para erguer condomínios residenciais no local. Porém, a população local é amplamente favorável à implantação do parque, entre a avenida Barão de Monte Santo e a rua Vitoantonio Del Vecchio, no Parque da Mooca. 

O PPS também está nessa luta há muitos anos. Uma das primeiras postagens do Blog do PPS, em março de 2007, já tratava do tema: Novo "pulmão verde" em São Paulo.


Leia mais aqui sobre a reivindicação da comunidade.

Convite: 17 de junho, livro sobre Armênio Guedes


Quem é Armênio Guedes

Armênio Guedes completa 95 anos neste mês de maio, é um jornalista, dirigente histórico do PCB e incansável militante comunista.

Armênio veio de uma familia de comunistas. Foi secretário de Luís Carlos Prestes, com teve uma relação de admiração tensa, e estava com Prestes quando ele recebeu a noticia da morte de Olga Benário.

Em 30 de março de 2012, foi homenageado com o título de Cidadão Paulistano, oferecido pela Câmara Municipal de São Paulo, por iniciativa do vereador Eliseu Gabriel (PSB).


É um dos intelectuais mais identificados com a tradição "pecebista", ou seja, de buscar um “caminho democrático (e pacífico) para o socialismo”. Foi um dos redatores da “Declaração de Março de 1958”, um marco deste mesmo ideal. Por decisão partidária, viveu no exílio, passando muitos anos no Chile e depois na França, antes de regressar ao Brasil.

quarta-feira, 12 de junho de 2013

Vexatória bajulação do PT à Fifa e a "honrosa" presença de Marin na Câmara de São Paulo

Alguns programas esportivos e uns poucos jornalistas mais politizados protestam contra o presidente da CBF, José Maria Marin, enquanto a Câmara Municipal de São Paulo faz lambança e, em vez de exigir a presença dele como convocado que foi para a Comissão da Verdade, recebe Marin como convidado de honra para uma esdrúxula e descabida homenagem aos velhinhos da Fifa.

Veja o absurdo: Marin diz que "não tem agenda" para atender a Comissão da Verdade e prestar esclarecimentos sobre o seu suposto envolvimento na tortura e morte do jornalista Vladimir Herzog na ditadura, mas é recebido no mesmo dia com pompa pelos vereadores paulistanos e por parte da cúpula petista - que viu na (des)organização e no (super)faturamento das obras da Copa um filão inestimável.

Capitaneada pela bancada do PT, a Câmara promoveu uma bajulação daquelas que causam "vergonha alheia": aprovou a entrega de um Título de Cidadão Paulistano ao presidente da FIFA, Joseph Blatter, entregue nesta segunda-feira ao secretário-geral da entidade, Jerome Valcke (aquele que prometeu dar um "chute no traseiro" dos brasileiros), com a ilustre presença de José Maria Marin na mesa de autoridades.

É preciso dizer algo mais?

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Juca Kfouri: Marin pode, Marin não pode

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terça-feira, 11 de junho de 2013

Haddad: de POSTE em São Paulo a TORRE em Paris

De POSTE de Lula em São Paulo a TORRE em Paris, o prefeito Fernando Haddad (PT) fez um upgrade chique e cheio de charme. Mas segue omisso, inoperante e inexpressivo, como já sugerem as pesquisas de opinião promovidas pelos petistas e por institutos isentos.

Piadas à parte, agora os jornais anunciam que Haddad assistirá da França os novos protestos contra o aumento da tarifa de ônibus, que na semana passada paralisaram a cidade e foram notícia no mundo todo, com cenas de quebra-quebra e confrontos entre estudantes e a PM na avenida Paulista.

Está anunciada para hoje (terça-feira, 11 de junho), às 17h, a terceira manifestação do Movimento Passe Livre, cujo principal alvo é o prefeito Fernando Haddad, que sempre dá um jeitinho de fugir dos principais problemas e temas polêmicos de São Paulo.

E onde estará hoje o prefeito Haddad? Em Paris, mas acompanhando em "tempo real" as manifestações, como prometeu ontem em entrevistas. Ah, tá!

O prefeito já está na França para defender a candidatura de São Paulo à Expo Mundial 2020. "Temos uma sala de situação montada, onde vou acompanhar os eventos em tempo real, e a vice-prefeita (Nádia Campeão) permanece em São Paulo com essa mesma finalidade de termos agilidade, caso haja necessidade de uma tomada de decisão", disse o prefeito ontem.

Na semana passada, a polícia usou bombas de gás lacrimogêneo e balas de borracha para dissipar os manifestantes, com apoio do prefeito, que se diz contrário aos atos de vandalismo e defende o direito de ir e vir dos cidadãos que não participam dos protestos (repare que, quando o PT estava na oposição, a violência criticada era a da polícia, e os petistas apoiavam esses mesmos protestos).

"A Polícia Militar está acionada, a Guarda Civil também", avisou Haddad.

Ufa! Quanta autoridade! Que estadista este homem, benzadeus!

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segunda-feira, 10 de junho de 2013

Os números que começam a preocupar o PT

O PT realiza periodicamente levantamentos sobre a aprovação de seus governos e já tinha apurado uma tendência de baixa, que agora foi confirmada pelo Datafolha: tanto a presidente Dilma Roussef quanto o prefeito Fernando Haddad, as duas principais vitrines petistas, apresentam queda de popularidade. Pior: o "sonho de consumo" do PT, o Governo do Estado de São Paulo, parece cada vez mais distante.

É óbvio que ainda é muito cedo para qualquer sentença definitiva, pois há incontáveis fatores objetivos e subjetivos que vão pesar na escolha do eleitor até outubro de 2014. Porém, começa a acender a luz amarela para a cúpula petista. Se é verdade que Dilma ainda lidera com folga, à caminho da reeleição, e Haddad ainda é muito bem avaliado nos primeiros cinco meses de gestão paulistana,  também é visível que ambos já deixaram de ter a aprovação quase unânime que tiveram há algum tempo.

Por outro lado, o governador Geraldo Alckmin desponta como franco favorito para vencer a eleição paulista no primeiro turno contra todos os candidatos colocados: pelo PT, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha; o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo; ou o ministro da Educação, Aloizio Mercadante. Até o nome de Lula, a "arma secreta" cogitada pelos petistas para conquistar pela primeira vez o Governo do Estado, seria derrotado hoje com folga pelo governador tucano, segundo o Datafolha.

Também as candidaturas-satélites da base do PT, Paulo Skaf (PMDB) e Gilberto Kassab (PSD), que intensificaram nos últimos meses as críticas ao governo do Estado, parecem não representar qualquer ameaça à reeleição de Geraldo Alckmin, mantendo o PSDB e seus aliados há 20 anos no poder - com expectativa de pelo menos mais quatro anos.

Na avaliação do paulistano sobre Haddad, a impressão que se tem é de continuísmo da gestão Kassab. Não há nenhuma ação efetiva que demonstre, como foi prometido na campanha eleitoral de 2012, o "novo" modelo de governar do PT. Ao contrário, em vez do "novo" Haddad, a sensação é de Kassab "de novo". Não por acaso, a base governista é a mesma, assim como métodos, práticas e conceitos de gestão.

Identificado o problema pela cúpula petista, não surpreenderá se nas próximas semanas tanto Dilma quanto Haddad intensificarem os gastos com publicidade e abrirem os cofres públicos para ações pontuais de marketing, "inventando" novos programas e ações midiáticas. Veremos...

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sexta-feira, 7 de junho de 2013

Cadê o PT para protestar contra aumento do ônibus?

A contradição do PT é gritante: onde estão os seus militantes que adoram sair às ruas para protestar contra os aumentos da tarifa de ônibus? Estranho! Nas últimas manifestações, os petistas estavam na linha de frente: carregavam cartazes, bandeiras, atiravam pedras e enfrentavam a polícia, tudo com pose de artistas de Hollywood diante das câmeras de TV.

Ai de quem ousasse apontar o dedo para os atos de vandalismo. Seria tachado de "direitista" e execrado nas redes sociais. Pois agora a situação se inverteu. Os protestos são contra o prefeito Fernando Haddad (PT), os manifestantes carregam bandeiras do PSOL, do PSTU e do Movimento Passe Livre, e o PT vem "lamentar a baderna, os transtornos causados e o excesso de violência".

Mas - curioso! - o PT agora só enxerga a "violência" e o "excesso" dos manifestantes - não da polícia, que reagiu com rigor aos atos de vandalismo. 

PT: quem te viu, quem te vê...

Em fevereiro de 2011, os vereadores do PT estavam nas ruas de braços dados com os manifestantes, hipocrisia e demagogia à parte, defendendo os mesmos "excessos" e acusando a "violência" apenas da PM. Culpa, obviamente, do prefeito e do governador. 

Os petistas José Américo e Antonio Donato, por exemplo, disseram que apanharam enquanto apoiavam as manifestações e faziam discursos inflamados contra o aumento da passagem de R$ 2,70 para R$ 3,00. Acusavam a "polícia de Kassab e Alckmin" de agressão, contra "pessoas indefesas que exerciam seu direito de cidadania".



O que mudou de lá pra cá? Saiu Kassab, entrou Haddad. Na prática, trocou-se seis por meia-dúzia. A população nem se deu conta da mudança. Não por acaso, o PSD kassabista é um dos mais fiéis partidos da base de sustentação do governo. Em vez do "novo" prometido pelo PT, está aí "de novo" a mesma turminha adesista.

Cabe como uma luva a piada: são políticos e partidos verdadeiramente "independentes", esses que cercam Haddad. Porque, independente de quem assume a Prefeitura, eles continuam no governo. Independência mais explícita e conveniente não há...

E a "polícia de Haddad e Alckmin" agora é poupada pelos antes combativos parlamentares do PT, hoje acomodados no governo e defensores da ordem e do direito de ir e vir dos cidadãos que se sentem prejudicados pela ação dos manifestantes. Mudaram os interesses, mudou o discurso.

Campo de batalha

O centro de São Paulo virou um caos na noite desta quinta-feira, 6 de junho. Mais de 2.000 pessoas fecharam as avenidas Paulista, 23 de Maio e Nove de Julho, promovendo quebra-quebra e interditando o trânsito com barricadas de fogo. A PM utilizou balas de borracha, gás e bombas para tentar conter depredações, sem sucesso; houve 15 detidos e 3 feridos.

O reajuste da tarifa de ônibus, metrô e trens, de R$ 3 para R$ 3,20, vale desde domingo e ficou bem abaixo da inflação. A alta dos ônibus foi de 6,7%, contra 15,5% do IPCA. O aumento foi decidido pelo prefeito Fernando Haddad (PT) e pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB). 


Partidinho água com açúcar de Kassab

O ex-prefeito Gilberto Kassab, alvo das manifestações de fevereiro de 2011, passou de vidraça a pedra. Hoje é ele quem aproveita a situação para atacar o governo Alckmin, cujo vice Guilherme Afif (PSD)acaba de assumir um ministério de Dilma. Tudo desinteressadamente, claro, pelo bem do país.

O PSD, ajuntamento frankenstein presidido por Kassab e transformado casuísticamente em partido da base governista pela mesma legislação que hoje tenta derrubar (leia aqui editorial da Folha), saiu ontem em defesa de Haddad e provocou no twitter o PPS/MD33. Acompanhe:

MD33 São Paulo @MD33SP

O que o prefeito tem a dizer sobre a manifestação dos estudantes contra o aumento da tarifa de ônibus? Cadê o homem? Sumiu?

psd.novasideias.sp @psdnovasideias

A polícia é do Gov. do Estado...

MD33 São Paulo @MD33SP
Vai ver o vice (neopetista) mandou baixar paulada nos manifestantes ;-)

psd.novasideias.sp @psdnovasideias
Polícia é do Geraldo ... O cuida dos empreendedores.

MD33 São Paulo @MD33SP

Entendemos tarefa ingrata do : defender vice e seu partido que "não é esquerda, nem centro, nem direita"...

psd.novasideias.sp @psdnovasideias

Defendemos com orgulho a causa do Empreendedor. Ao invés de criticas vazias, cuidem do registro no TSE. Kd?

MD33 São Paulo @MD33SP

Ei Vcs querem mesmo falar sobre "novos partidos" casuísticos, que abrem janela para adesismo ao governo e recursos do fundo?

psd.novasideias.sp@psdnovasideias 16 h
Voltem qdo vcs tiverem um partido ... alias qdo organizamos o PSD seu presidente tb foi contra novos partidos. ta no site.

MD33 São Paulo @MD33SP
Engraçado : lei que vale para aderir ao governo do PT não vale para os partidos de oposição? Oportunistas!

Esta polêmica de ontem, entre PSD e PPS/MD33, não foi a primeira vez em que os dois partidos se confrontam no twitter. Releia aqui relato da jornalista Julia Duailib, do Estadão.

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PT "pega pesado" no poder? Imagina... Quase nada! 

quinta-feira, 6 de junho de 2013

PT de bandeja: Salomé, Herodes e João Batista

Pega mal chamar Marco Feliciano de Salomé e o ministro Padilha de Herodes, nesta reedição do pedido da cabeça de João Batista?

Pois foi o que aconteceu, quase uma paródia bíblica, na demissão do diretor do Ministério da Saúde, após pedido do deputado Marco Feliciano ao ministro Padilha, contra a polêmica propaganda sobre o Dia da Prostituta. 


Não contente em fazer a fama do deputado Marco Feliciano (PSC), entregando a ele a presidência da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados e garantindo a sua reeleição em 2014 (provavelmente como um dos mais votados), o PT completou a obra ontem. Leia aqui.

Agora, essa! Dia das Prostitutas: Ministro Padilha pede desculpas a Marco Feliciano. Deputado exigiu a cabeça de diretor e ministro a entregou na bandeja! Leia mais.
Kit-gay: ministro Haddad fez e negou. Campanha do dia da prostituta: ministro Padilha fez e negou! Motivo: pressão evangélica!

Seguindo os passos de Fernando Haddad, o potencial candidato ao Governo de São Paulo pelo PT, Alexandre Padilha, acha um culpado para entregar a cabeça e repete o modus operandi de bajulação à bancada evangélica!


Pouco importa respeitar mulheres, homossexuais ou direitos humanos: o que interessa ao PT, a Haddad e Padilha é voto! Dane-se o resto!

quarta-feira, 5 de junho de 2013

Já começou a azedar a lua-de-mel com Haddad?

Eleito sob a simbologia do "novo", Fernando Haddad (PT) parece já frustrar parcela significativa da população paulistana ao não demonstrar, na prática, qualquer inovação à frente da Prefeitura ou mesmo algum diferencial marcante com relação ao antecessor, Gilberto Kassab (PSD).

Aliás, parece sintomático que o partido kassabista seja um dos mais fiéis da base de sustentação do prefeito Haddad, em sintonia com o apoio dado à presidente Dilma Roussef e o compromisso de estar coligado ao PT na reeleição dela em 2014. Nada que surpreenda, pois Kassab já havia ensaiado o apoio a Haddad na eleição de 2012, antes de José Serra entrar na disputa e forçar o adiamento do projeto adesista que orientou o PSD desde a sua criação.

No início do sexto mês da gestão Haddad, porém, com o tratamento pouco democrático e desrespeitoso do Legislativo pelo Executivo, que encaminha uma série de projetos para aprovação a toque de caixa, sem qualquer discussão com os vereadores, começa um certo desconforto na folgada maioria governista. Parlamentares do PTB e do PMDB, principalmente, já questionam a aprovação às cegas dos projetos do Executivo.

Projeto "dois em um"

Está na pauta da Câmara Municipal para segunda e definitiva votação, na sessão desta quarta-feira, 5 de junho, o projeto que cria a Agência São Paulo de Desenvolvimento - e, em mais uma daquelas manobras desnecessárias que demonstram a "esperteza" do governo, traz embutida no mesmo projeto a criação de uma empresa de economa mista, a São Paulo Negócios.

Se não bastasse a medida turbinar com novos cargos e orçamento extra a pasta do secretário Eliseu Gabriel (PSB), vereador licenciado e pré-candidato a deputado em 2014, o que pode significar um privilégio eleitoral, provocando o descontentamento dos colegas, o projeto traz mudanças administrativas que geram dúvidas até mesmo entre os vereadores do PT, mas que não são esclarecidas devido à pressa com que são levadas à votação as propostas do Executivo pelo líder do governo, o também petista Arselino Tatto.

Além da crítica pelo projeto "dois em um", que cria de uma só tacada a agência e a empresa, mas que deveriam ser apreciadas em votações separadas, como sugeriu o líder do PMDB, Ricardo Nunes, integrante da base governista, há outros questionamentos sem respostas sobre este projeto que foi apresentado originalmente pelo prefeito Kassab.

Quem paga a conta?

Por exemplo, o que justifica o aumento expressivo da quantidade de cargos de diretores e de conselheiros, tanto da agência de desenvolvimento quanto da empresa de negócios? Ou por que uma exigência que o PT fazia para aprovar o projeto, na época do Kassab, foi "esquecida" agora: uma emenda para impedir que custos com funcionários fossem bancados pelos cofres da Prefeitura? Ou seja, a empresa deveria gerar lucro ao menos para manter seu custeio. Mas parece que o PT não tem mais essa preocupação.

A São Paulo Negócios atuará na elaboração de concessões e Parcerias Público-Privadas (PPP), e na atração de grandes investimentos para a cidade. Terá ainda como função “potencializar” a imagem da cidade como polo de negócios no Brasil e no exterior.

O órgão é uma reestruturação da Companhia São Paulo de Parcerias - SPP, criada na gestão Kassab. A estrutura, porém, terá duas diferenças esseciais: 1) A São Paulo Negócios funcionará como uma empresa privada, com funcionários contratados no regime de CLT, por "seleção pública", que é diferente de concurso público; e 2) A empresa passará a ter dotação orçamentária da Prefeitura, ou seja, receberá dinheiro dos cofres públicos para se manter.

Empreendedorismo   

Antes mesmo da aprovação pela Câmara, a Prefeitura de São Paulo já firmou convênio com a Caixa Econômica Federal e com o Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas) para a criação da Agência São Paulo de Desenvolvimento. A proposta é que cada subprefeitura receba uma praça de atendimento com postos de instituições bancárias e de ensino que irão assessorar microempreendedores, cooperativados e trabalhadores.

“Nós estamos encaminhando para a Câmara Municipal um projeto de lei que cria a nossa Agência de Desenvolvimento. Dentro das suas atribuições, esse serviço da Prefeitura de São Paulo vai ter um regime próprio de funcionamento mais ágil e mais moderno”, afirmou o prefeito Fernando Haddad.

As Subprefeituras e CATs (Centro de Apoio ao Trabalho) irão abrir espaços físicos para a implantação da Agência. As unidades contarão com o Sebrae e agentes ativos da Caixa Econômica Federal para a busca de oportunidades para o microcrédito, além de apoio jurídico, contábil, financeiro e no que diz respeito à educação profissional.

“Precisamos coordenar essa inteligência em proveito do cidadão, porque às vezes o cidadão tem o apoio do crédito, mas não tem o apoio do Sebrae. Às vezes tem o apoio do Sebrae, mas não consegue mão de obra especializada formada pelo Senac e pelo Senai. Consegue o apoio do Senac, mas não consegue registrar o acordo na Junta Comercial. Essa via-crúcis será substituída por uma praça de atendimento, espécie de Poupa-Tempo do microempreendedor, que vai ser regularizado e vai receber o apoio necessário”, explicou Haddad.

A parceria com a Caixa Econômica Federal irá viabilizar operações de Microcrédito Produtivo Orientado (Crescer), destinado aos empreendedores populares, formais e informais que tenham faturamento anual de até R$ 120 mil. Também serão oferecidas operações de micro-finanças que, juntas, promoverão o empreendedorismo local e a economia popular no município.

O Senai irá oferecer toda a consultoria necessária para a abertura e gerenciamento de empresas, além de promover cursos e treinamentos. Caberá à Prefeitura incentivar o empreendedorismo oferecendo atendimento especializado para a obtenção de crédito e desenvolver ações de educação financeira e orientação para o negócio junto aos empreendedores da cidade.

Os trabalhos serão coordenados pelos secretários Eliseu Gabriel, de Trabalho e Empreendedorismo, e Chico Macena, de Coordenação das Subprefeituras. De acordo com Haddad, esse ano já será possível estabelecer os primeiros escritórios da Agência São Paulo de Desenvolvimento.

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