
A entrada de José Serra na corrida eleitoral muda o cenário paulistano e nacional, obviamente. Reforça a polarização PT x PSDB e enfraquece qualquer possibilidade de uma terceira via, certo? NÃO! ERRADO!
É exatamente o acirramento desta lógica binária que justifica a formulação de uma candidatura alternativa aos dois lados dessa mesma moeda desvalorizada, consistente como bolha de sabão e emblemática da velha política que provoca ojetiza na população.
O recado do eleitorado está dado: em todas as pesquisas de intenção de voto para a Prefeitura de São Paulo aparecem, nas quatro primeiras colocações, nomes de fora do quadro PT x PSDB: Celso Russomanno (PRB), com 21%. Netinho de Paula (PCdoB), com 13%. Soninha Francine (PPS), com 11%; e Paulinho da Força (PDT), com 10%.
Ou seja, esses quatro pré-candidatos "alternativos" são os preferidos, hoje, de 55% do eleitorado de São Paulo. É um sinal claro: os cidadãos paulistanos estão - em sua absoluta maioria - saturados desse revezamento entre PT e PSDB no poder.

Se não bastasse o percentual ridículo de petistas e tucanos, podemos avaliar os índices de satisfação do morador de São Paulo, desde 2000, com a administração municipal, as subprefeituras e o serviço público em geral. É baixíssimo e segue praticamente inalterado, atravessando as gestões de Marta Suplicy (PT), José Serra (PSDB) e Gilberto Kassab (PSD), que (não por acaso) flerta igualmente com PT e PSDB.
3ª via: Vamos dar nomes?

Não deve prevalecer a lógica do "alinhamento automático" ou da mera cooptação partidária. Vem dessa geléia eleitoral a total descrença na política e nos partidos. Este pode ser o momento da afirmação de uma proposta alternativa, um salto qualitativo (e quantitativo, estão aí as pesquisas apontando), se houver compreensão e sensibilidade dos dirigentes e das militâncias partidárias.

São Paulo está saturada da mesmice. Será que os partidos conseguem enxergar isso? Ao menos PT e PSDB parece que enxergam. E qual a estratégia de sobrevivência de ambos? Lula tenta repetir com Haddad a forma pré-fabricada (e vitoriosa) de Dilma: aposta em um nome novo, com perfil técnico (quase apolítico), para tentar vender pelos marqueteiros como "mudança".
O tucano José Serra propõe o inverso: como o eleitorado se divide entre vários novatos, ressurge o único nome já testado nas urnas (e até por isso com um eleitorado cativo) para botar "ordem na casa". Ele seria a única opção viável para barrar a ameaça petista em São Paulo. Esse é o mote serrista, utilizado inclusive para cooptar os demais partidos contrários à hegemonia lulista. E o PT faz o mesmo, no sentido oposto.
O posicionamento do PPS

Primeiro, por culpa do próprio PPS, que tem inegável dificuldade de reafirmar o seu papel, sua história e identidade. Mas, principalmente, porque a postura de oposição sistemática ao PT e ao lulodilmismo empurram o PPS por osmose para a vala comum ocupada por PSDB, DEM e PSOL (os únicos partidos que hoje se opõem nacionalmente ao PT, num universo de 29 legendas).
Outros dois movimentos recentes do PPS geram essa especulação simplista: primeiro, o apoio à candidatura presidencial de José Serra em 2010. Logo em seguida, as declarações do presidente nacional do PPS, deputado Roberto Freire, amigo pessoal de Serra, de que o partido estaria à disposição no caso de um desembarque serrista do PSDB.

Mas vamos tratar diretamente do tal "apoio automático" do PPS a Serra. O PPS apoiou Serra presidente, Soninha apoiou Serra presidente, o partido participou da gestão Serra/Kassab. Logo...

Mas a prioridade não é impedir a volta do "modus operandi" do petismo em São Paulo, seus métodos anti-republicanos e a tomada de assalto da máquina municipal? Isso, por si só, não justificaria o apoio a José Serra?
Então vamos esclarecer: num eventual confronto entre PT x PSDB, entre Serra x Haddad, se não houver nenhuma outra opção do campo que estamos genericamente denominando "Nova Política" (e para a qual apresentamos a candidatura de Soninha Francine, com base no Programa das Cidades Sustentáveis), o PPS apoiará Serra. É natural. É coerente. Mas essa é a decisão para um eventual 2º turno.
Por que Serra? Como disse a própria Soninha sobre o tucano: "Mal humorado, impaciente, carrancudo, ríspido demais às vezes? Sim. Mau caráter? Não."
Por que Serra? Porque o PPS entende que as administrações de Serra, tanto na Prefeitura quanto no Governo de São Paulo, foram acertadas. Se comparadas com as gestões petistas, então, não há nenhuma dúvida.
Mas o raciocínio binário não cabe em uma eleição de dois turnos. Entendemos que há espaço (como em 2008 com a própria Soninha e em 2010 com Marina Silva) para uma campanha dinâmica, afirmativa, inovadora, leve, propositiva. A sociedade clama por uma nova forma de fazer política, com outra postura ética, administrativa e uma visão diferenciada dos principais problemas urbanos e sociais.
Leia aqui a íntegra do texto em que Soninha justifica o apoio, em 2010, à candidatura de Serra à Presidência. Não somos inimigos, mas somos diferentes.
Veja abaixo o resultado eleitoral do 1º turno da eleição presidencial de 2010, na cidade de São Paulo, com José Serra em primeiro (com 40,33%), Dilma Roussef em segundo (com 38,14%) e Marina Silva (com 20,1%), em uma eleição essencialmente polarizada entre PT e PSDB; o que não impediu, contudo, que a então candidata do PV obtivesse 19,6 milhões de votos em todo o Brasil.

O mapa a seguir, das 57 zonas eleitorais paulistanas, demonstra na prática o resultado da polarização entre PT e PSDB. Acompanhe o que ocorreu em 2010:

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