sexta-feira, 26 de agosto de 2016

Geraldo Alckmin diz o que espera do "pós-PT"



O governador do estado de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), fala com exclusividade ao #ProgramaDiferente sobre o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff, a crise política e econômica do país, e revela também o que espera do período "pós-PT" para o Brasil. Assista.

quinta-feira, 25 de agosto de 2016

Publicitários, jornalistas e especialistas em marketing político falam ao #ProgramaDiferente sobre o momento do país, o impeachment e a reforma eleitoral



Durante o lançamento do livro "Neuropropaganda de A a Z" (Editora Record), parceria do sociólogo Antonio Lavareda com o jornalista João Paulo Castro, o #ProgramaDiferente ouviu publicitários, jornalistas e especialistas em marketing político sobre o momento do Brasil, o impeachment da presidente Dilma Rousseff e as recentes mudanças na legislação eleitoral, que já estão influenciando profundamente as campanhas que se iniciaram oficialmente nesta semana para as eleições municipais de 2 de outubro.

Além dos autores, que falam sobre o livro e explicam a relação da neurociência com a propaganda, foram entrevistados o historiador, escritor e comentarista político Marco Antonio Villa, o ex-senador Jorge Bornhausen, o jornalista Carlos Maranhão e os publicitários Nelson Biondi, Chico Santa Rita e Washington Olivetto. Também presente, Nizan Guanaes preferiu não comentar a situação do país. Assista.

O princípio do fim: o impeachment da presidente Dilma Rousseff e a piada do golpe na Casa de Portugal



Como diria o impagável jornalista José Simão sobre o "país da piada pronta": a presidente afastada Dilma Rousseff escolheu justamente a Casa de Portugal para seu último ato em São Paulo contra o suposto golpe, em que faz malabarismos com a língua pátria para construir uma narrativa conveniente para o impeachment que começa a ser julgado definitivamente nesta quinta-feira, 25 de agosto. Assista.

E o que é uma piada, afinal, senão um conto curto e humorístico, utilizando situações críticas para levar ao riso? Pois o "golpe" acabou virando piada para todos: para quem defende a posse definitiva de Michel Temer, para quem defende a volta de Dilma e até para quem prega a saída de ambos e deseja novas eleições presidenciais antes de 2018.

O "Ato contra o Golpe, em Defesa da Democracia e dos Direitos Sociais" aconteceu na Casa de Portugal, no bairro da Liberdade, região central de São Paulo, e teve como principal bandeira a oposição à suposta retirada de direitos sociais pelo governo interino do presidente Michel Temer.

A ausência mais notada foi de Lula, mas o ato pró-Dilma contou com a presença de Fernando Haddad, prefeito de São Paulo e candidato à reeleição, e Rui Falcão, presidente nacional do PT. Na falta de artistas e personalidades, o mais tietado foi o ex-senador e agora candidato a vereador em São Paulo Eduardo Suplicy. Travestido do tradicional personagem, ele se emocionou e disse acreditar ainda que a presença de Dilma no Senado possa reverter os necessários 28 votos para impedir o impeachment.

A presidente afastada Dilma Rousseff comparou-se aos ex-presidentes João Goulart, deposto pelos militares no golpe de 1964, e Getúlio Vargas, que se suicidou, em 1954, pressionado para renunciar ao cargo. "Não renunciei porque hoje temos espaço democrático. Eles não me obrigaram a me suicidar, como obrigaram o Getúlio, e não fui obrigada a pegar um avião e ir para o Uruguai, como fizeram com o Jango", afirmou a petista, para quem "a luta pela democracia não tem data para terminar".

A dois dias do início do julgamento final do impeachment pelos 81 senadores, rito que deve se estender por pelo menos uma semana, Dilma ainda encontrou tempo e motivação para reclamar que ela e Lula foram "esquecidos" pelos organizadores dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, encerrados no último domingo (21):

"Eu tenho certeza de que a coisa que o presidente Lula mais se orgulha é do fato de o país ter passado de 23 para 13 [no ranking geral, conforme o número de medalhas]. Esse é o ganho do nosso povo. Eu fiquei muito orgulhosa. E do que eu tenho mais orgulho é que isso beneficiou atletas. Não tenho nada contra atleta loiro, de olhos azuis e de cabelo lindo, mas beneficiou os nossos atletas negros, mulheres, LGBT. Eu olhei para os atletas e falei: é a nossa cara. É a cara do Brasil."

"Nem eu nem o Lula [fomos lembrados]. A gente foi devidamente esquecido. Por quem? Vocês sabem por quem. Não posso deixar passar essa oportunidade. Acabou no domingo e eu posso chegar hoje e falar. Sempre me perguntaram: Qual é a sua reação? A minha reação é aquela que qualquer um aqui entenderá. Você pega e organiza a festa, né? Arruma a casa. Contrata a melhoria das instalações da casa. Arruma os móveis e, no dia da festa, te proíbem de entrar na casa."

As duas caras de Haddad

O prefeito Fernando Haddad, candidato à reeleição em São Paulo, anda um pouco titubeante com relação ao suposto golpe contra a presidente afastada Dilma Rousseff. Ele resolveu adaptar o discurso e a sua própria opinião ao gosto do freguês: entre petistas, Haddad declara com firmeza calculada que o impeachment é golpe. Já como candidato, tentando se descolar da rejeição ao PT, ele ora afirma que golpe é uma "palavra um pouco dura", ora finge que o assunto não é com ele, como fez no debate da Band entre os prefeituráveis e foi bastante criticado internamente no partido.

No "Ato Contra o Golpe" realizado em São Paulo nesta terça-feira, 23 de agosto, a dois dias do início do julgamento final do impeachment no Senado, para um público de militantes do PT e de movimentos sociais pró-Dilma, Haddad voltou a repetir que a presidente afastada é vítima de um golpe institucional, na versão 1.3 do seu discurso. Sentou-se ao lado de Dilma no ato e foi ovacionado pelo público presente.

O prefeito diz que considera este um "momento negro da história". Para Haddad, o impeachment está sendo "forjado" por um crime de responsabilidade que "nunca foi cometido". Ele afirma: "A presidenta Dilma, que já foi vítima de um golpe nos anos 60, é vítima de agora de uma outra modalidade de golpe, um golpe institucional contra a Constituição."

Enfático, Haddad acusou ainda o governo Temer de abrir uma "agenda de intolerância contra mulheres, comunidade LGBT e negros". O prefeito criticou a proposta de fixar um teto para os gastos públicos conforme a inflação do ano anterior. "Como vamos dizer aos brasileiros que esqueçam seus direitos por 20 anos? Os nossos direitos estão sendo ceifados por uma confusão que se estabeleceu, e ninguém diz as consequências do que está sendo aprovado no Congresso Nacional."

E, aclamado pelos manifestantes, concluiu: "Presidenta, estamos aqui para defender uma causa que remonta muito distante à história do Brasil. É uma história marcada pela violência, desde o tempo colonial, desde tempo da República Velha, depois passado pelo golpe contra o Getúlio, o golpe militar; estamos vivendo um momento negro da nossa história e que só pode ser impedido se esse impeachment não passar."

Marta, José Anibal e Aloysio: "senadores golpistas"

No mesmo evento, Raimundo Bonfim, coordenador da Central de Movimentos Populares, acusou de golpistas os senadores tucanos José Anibal e Aloysio Nunes, além da ex-petista Marta Suplicy, vaiada e duramente criticada pelos ex-companheiros de partido, com a concordância expressa da presidente Dilma.

O evento, que começou com mais de uma hora de atraso à espera de público que preenchesse todas as cadeiras disponíveis no salão da Casa de Portugal, no bairro da Liberdade, local escolhido para o último ato da presidente Dilma em São Paulo antes do impeachment, terminou com uma versão do funk "Baile de Favela" adaptada para a narrativa do #ForaTemer.

Veja a letra da paródia pró-Dilma:

"Governistas e coxinhas, eu já vi essa novela
A treta é maior do que a Globo põe na tela
Eles querem a Petrobrás, nós vamos defender ela
A casa grande pira quando chega a favela.

Vem pra luta,
Larga essa panela,
O pré-sal é nosso,
Que se exploda o José Serra,


Quer desafiar,
Não tão entendendo
O povo não tem medo
E a casa grande tá tremendo."

quarta-feira, 24 de agosto de 2016

As duas caras de Haddad: é golpe ou não é?



O prefeito Fernando Haddad, candidato à reeleição em São Paulo, anda um pouco titubeante com relação ao suposto golpe contra a presidente afastada Dilma Rousseff. Ele resolveu adaptar o discurso e a sua própria opinião ao gosto do freguês: entre petistas, Haddad declara com firmeza calculada que o impeachment é golpe. Já como candidato, tentando se descolar da rejeição ao PT, ele ora afirma que golpe é uma "palavra um pouco dura", ora finge que o assunto não é com ele, como fez no debate da Band entre os prefeituráveis e foi bastante criticado internamente no partido.

No "Ato Contra o Golpe" realizado em São Paulo nesta terça-feira, 23 de agosto, a dois dias do início do julgamento final do impeachment no Senado, para um público de militantes do PT e de movimentos sociais pró-Dilma, Haddad voltou a repetir que a presidente afastada é vítima de um golpe institucional, na versão 1.3 do seu discurso. Sentou-se ao lado de Dilma no ato e foi ovacionado pelo público presente.

No mesmo evento, Raimundo Bonfim, coordenador da Central de Movimentos Populares, acusou de golpistas os senadores tucanos José Anibal e Aloysio Nunes, além da ex-petista Marta Suplicy, vaiada e duramente criticada pelos ex-companheiros de partido, com a concordância expressa da presidente Dilma.

O evento, que começou com mais de uma hora de atraso à espera de público que preenchesse todas as cadeiras disponíveis no salão da Casa de Portugal, no bairro da Liberdade, local escolhido para o último ato da presidente Dilma em São Paulo antes do impeachment, terminou com uma versão do funk "Baile de Favela" adaptada para a narrativa do #ForaTemer. Assista.

Veja a letra da paródia pró-Dilma:

"Governistas e coxinhas, eu já vi essa novela
A treta é maior do que a Globo põe na tela
Eles querem a Petrobrás, nós vamos defender ela
A casa grande pira quando chega a favela.

Vem pra luta,
Larga essa panela,
O pré-sal é nosso,
Que se exploda o José Serra,


Quer desafiar,
Não tão entendendo
O povo não tem medo
E a casa grande tá tremendo."

terça-feira, 23 de agosto de 2016

O próximo debate poderia até ser pelo twitter... ;-)

Uma certeza sobre o primeiro debate entre os candidatos à Prefeitura de São Paulo: o maior derrotado foi o eleitor. Fala sério, ninguém aguenta mais esse modelo de debate político que não permite escolher o candidato mais preparado para ser prefeito, mas apenas o melhor (ou mais canastrão) ator.

O próximo debate poderia até ser pelo twitter. Tanto faz. Ao menos seria mais prático, barato e moderno, evitando que candidatos e suas respectivas comitivas passassem frio, perdessem tempo no trânsito e ficassem acordados à toa. O resultado seria idêntico, talvez até melhor.

O que se vê nos debates, afinal? Mensagens telegráficas, como se dizia antigamente, adaptando melhor o velho sentido da comparação hoje com o twitter, mesmo, ou instagram, facebook e snapchat. Tempo restrito, espaço limitado, repetições de frases de efeito, decoreba sobre promessas irrealizáveis, crítica ensaiada ao que o outro fez ou deixou de fazer, frases treinadas em horas de media training e poses dignas da espontaneidade de uma selfie no espelho com biquinho (no caso, forçado pelo botox).

O debate é revelador menos pelo que se diz do que pelo não se diz, pelos silêncios, tropeços, gaguejadas e dessa vez até pelas ausências. Muita gente não sabe, mas as assessorias de partidos e candidatos passam meses indo a reuniões nas emissoras para engessar o máximo possível as regras destes encontros, evitando surpresas, improvisos e confrontos fora do script.

Nada da câmera flagrar expressões fora do combinado, nenhum movimento que tire o debate da mesmice. Agora, amparados pela lei, conseguiram calar até candidaturas expressivas como a da ex-prefeita Luiza Erundina (PSOL) e a do vereador Ricardo Young (Rede Sustentabilidade), que fizeram cada um seu "debate do debate"Erundina com o vice Ivan Valente em um canto, e em outro Young com Marina Silva e a vice Carlota Mingolla.

Melhor seria se ambos tivessem feito um único debate alternativo, com a cobertura conjunta da mídia independente e amplamente difundido nas redes sociais. Ampliaria a audiência, agregaria "valor" democrático à ação partidária de cada um e haveria realmente um contraponto qualitativo à cartilha decadente dos debates oficiais.

Pois o #ProgramaDiferente, que já havia sondado informalmente os candidatos com essa proposta, agora faz um convite formal: mediar um encontro entre Ricardo Young e Luiza Erundina, que são candidatos de partidos com representação na Câmara dos Deputados, no Senado Federal e na Câmara de São Paulo, possibilitando até mesmo a participação dos demais excluídos (PSDC, PRTB, PCO e PSTU), simultâneo ao próximo debate na TV e aberto ao público, às redes e à mídia alternativa. Dá até pra apostar que teria mais repercussão que o original. Alguém duvida?

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

"A nossa bandeira jamais será vermelha"... Já era!

O grito de guerra mais identificado com as manifestações pró-impeachment e anti-PT, um dos mais ouvidos e talvez o mais emblemático nos últimos anos ("a nossa bandeira jamais será vermelha"), foi desmentido ao vivo para bilhões de pessoas no mundo inteiro, em pleno encerramento das Olimpíadas no Rio de Janeiro.

Bastou o presidente do Comitê Olímpico Brasileiro, Carlos Arthur Nuzman, trocar as bolas na tradução simultânea do seu próprio discurso, em que alternava o português e o inglês, para a gafe chegar ao topo das citações nas redes sociais.

Ao traduzir o trecho "Vocês coloriram de verde e amarelo, e renovaram em nossos corações o orgulho e a autoestima de ser brasileiro", Nuzman trocou o "verde e amarelo" por um inexplicável "yellow and red". Ai já era! Ninguém nem prestou mais atenção no resto do discurso festivo, patriótico e emocionado.

Enfim, o Brasil "bateu o recorde de medalhas" na Rio 2016. É verdade. Também é verdade que ficou bem abaixo da expectativa, na maioria das modalidades, por todo o investimento feito.

Mas, afinal, o que esperavam? Acharam que bastaria investir alguns tantos milhões de reais, até por vias tortas, como o patrocínio aos "atletas-militares" das Forças Armadas batendo continência em troca de um soldo mensal, ou trazer duas dezenas de técnicos internacionais? E o investimento na base? E o planejamento a longo prazo? E a formação esportiva dos nossos jovens nas escolas?

Sobre a quantidade de medalhas, basta fazer um comparativo do Brasil com a Grã-Bretanha, vice-campeã no quadro de medalhas do Rio de Janeiro como principal legado dos Jogos de Londres, em 2012. Veja que nas Olimpíadas de Sydney (2000) e Atenas (2004), a Grã-Bretanha era apenas a 10ª colocada, com 28 e 30 medalhas, respectivamente.

Em Pequim (2008), já sabendo que sediaria os Jogos de 2012, a Grã-Bretanha saltou para a 4ª colocação, com 47 medalhas. Em casa, em 2012, ficou em 3º com 65 medalhas, e finalmente saiu do Rio em 2º com incríveis 67 medalhas, a melhor posição da História. Isso é legado olímpico, indiscutível.

E o Brasil? Em 2000 não ganhou nenhum ouro, ficou em 52º com 12 medalhas. Em 2004 o Brasil subiu para 16º, com 5 medalhas de ouro (até então o recorde do país), mas apenas 10 no total. Em 2008 o Brasil caiu para 23º, com 17 medalhas (3 ouros). Em 2012 subiu uma posição, ficou em 22º com 17 medalhas (3 ouros).

No Rio, quando a expectativa declarada pelos organizadores era ganhar entre 28 e 30 medalhas e ficar em 10º lugar, o Brasil acabou em 13º, com 19 medalhas (7 ouros). Ou seja: duas medalhas a mais que em Londres e Pequim, apenas.

Subiu o número de medalhas de ouro graças ao sucesso do futebol e do vôlei, além de talentos individuais. Mas há alguma expectativa real de melhorar o desempenho do Brasil em Tóquio 2020? Não! Não há! Isso é legado olímpico?

O que falta para o Brasil, com planejamento do governo e respaldo da iniciativa privada, é um projeto olímpico a longo prazo: não simplesmente para ganhar posições no quadro de medalhas, mas por tudo o que o Esporte representa para um país que de fato se empenha na formação e no desenvolvimento dos seus jovens talentos.

Se vale a dica para os próximos três anos de gestão do presidente Michel Temer, aquele que assumirá os rumos do país cuja "bandeira jamais será vermelha", é esta: investimento na formação de jovens atletas e esportistas.

A cultura do esporte, da saúde e da qualidade de vida. Simples assim.

Veja mais sobre o legado da Rio 2016 no #ProgramaDiferente

domingo, 21 de agosto de 2016

#ProgramaDiferente discute o legado da #Rio2016: além do velho jogo político e de medalhas conquistadas pelo talento individual de alguns atletas brasileiros, o que o país ganhou de fato?



Com o fim dos Jogos Olímpicos do Rio, o #ProgramaDiferente desta semana retoma a questão que já tinha surgido depois da Copa do Mundo: Qual é, afinal, o legado da Copa de 2014 e das Olimpíadas de 2016 para o Brasil? Passados alguns grandes momentos de emoção, valeu a pena tanto investimento político e financeiro? Quem ganhou com isso, afinal? Sobrou alguma coisa proveitosa para o povo? Assista.

Tirando as honrosas exceções de talentos individuais do Esporte, o legado mais notável das Olimpíadas, assim como já havia ocorrido com a Copa do Mundo e os Jogos Panamericanos, foram obras superfaturadas, muita desorganização, falta de planejamento, gafes e declarações desastradas. Muita gente se beneficiou desse estelionato eleitoral. Resta saber o que vai ficar para a História do Brasil em termos de aprendizado e infra-estrutura. Será que o resultado para o Esporte compensou? E qual imagem do país ficou para o mundo?

Um caso emblemático das consequências da #Rio2016 é o que aconteceu com a pequena comunidade carioca da Vila Autódromo. Simbolicamente, espírito esportivo à parte, é este o maior legado das Olimpíadas para a maioria do povo brasileiro: problemas sociais deixados em segundo plano para garantir a beleza do megaevento. Neste exemplo específico, moradores pobres vistos como um incômodo para a realização dos jogos por políticos e organizadores.

Terminada a Olimpíada no Brasil, as atenções se voltam novamente para a política. Além da reta final do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff, nesta semana começa de fato a campanha para as eleições de 2 de outubro, com o início da propaganda eleitoral no rádio e na TV e a realização do primeiro debate entre os candidatos a prefeito. Na segunda parte do programa, você relembra momentos memoráveis dos debates que ajudaram a escrever, para o bem e para o mal, a história da democracia brasileira.

sexta-feira, 19 de agosto de 2016

Então Haddad quer uma TV pra chamar de sua?

Essa história do prefeito Fernando Haddad (PT), candidato à reeleição, prometer a criação de uma TV municipal por R$ 10 milhões anuais (segundo ele, menos de 10% do Orçamento da Prefeitura de São Paulo para publicidade oficial) é mais uma dessas peças de campanha sem pé nem cabeça. Fora da realidade. Pura demagogia e irresponsabilidade. Estelionato eleitoral.

No capítulo "Por uma alternativa de comunicação", do seu plano de governo, Haddad faz um claro aceno aos petistas órfãos da máquina federal, que viveram os últimos anos pendurados na mídia estatal e nos veículos autointitulados "independentes" ou "alternativos", rótulos politicamente (in)corretos para a imprensa chapa-branca pró-PT mantida com patrocínio dos governos Lula e Dilma, que acabaram de perder a boquinha e agora abrem um bocão com tanto mimimi e chororô.

O programa de Haddad descreve o controle privado dos meios de comunicação como um "perigoso fator de desequilíbrio democrático" no país. Certinho. Só esqueceu de dizer que, na mão inversa, foi criado um cabidão no plano federal, a TV Brasil, com um custo que deve chegar a R$ 535 milhões neste ano. Nem precisa dizer que ninguém assiste, precisa? Mas , fala sério: como a TV do prefeito custaria apenas 0,2% desse montante? Ou é uma promessa mentirosa no município, ou um rio de dinheiro jogado fora a partir de Brasília. Ou os dois? E aí, arrisca um palpite?

A proposta oficial é "fomentar a cultura digital e incentivar a comunicação comunitária e a pluralidade de opiniões dentro de uma política pública integrada". Perfeito. Para isso, o petista promete criar o Conselho Municipal de Comunicação e Implantação de TV e Rádios Públicas.

Papel (ou página de internet) aceita tudo, né? Depois de quatro anos de gestão e com uma rejeição crescente, chega com esse papo de "se for reeleito"... Igual a tantas outras promessas futuras: eleição para subprefeito, não sei quantas mil moradias, um novo contrato para o transporte, blablablá na Saúde, revolução na Educação... Coisas que não realizou no primeiro mandato, por que realizaria no segundo?

Somos contra, mas o que responde Haddad? A desculpa esfarrapada contra os críticos (e adversários na sucessão paulistana): “Não entendo como alguém possa ser contra a periferia se expressar num canal específico. É muita crueldade não querer, tendo a tecnologia disponível, que as pessoas se expressem. Deixar a comunidade se expressar virou pecado”.

Aham! Senta lá, Claudia.

Veja uma amostra da atuação de Haddad nessa área da Comunicação:

Prefeitura de São Paulo dá dinheiro público a entidade que ataca os jornalistas da Globo, da Folha e da Veja

Para o prefeito Haddad, quem vale mais: um professor da rede municipal ou um "blogueiro amigo" do PT?

Vem aí mais um encontro dos "blogueiros amigos"

quinta-feira, 18 de agosto de 2016

Por debates mais amplos, inclusivos e representativos

Já tratamos deste assunto aqui, mas agora que começou oficialmente a campanha eleitoral e acontece o primeiro debate entre os candidatos à Prefeitura na Band, na próxima segunda-feira, 22 de agosto, é importante reforçar a nossa posição: defendemos debates mais amplos, democráticos, inclusivos e representativos.

É até compreensível que se queira dar um mínimo de qualidade aos debates ao se estabelecer uma quantidade razoável de participantes, porém é inaceitável que se use uma regra burocrática para simplesmente calar a voz de segmentos representativos do eleitorado e da população. É isso que ocorre quando estão excluídos, por exemplo, Luiza Erundina (PSOL) e Ricardo Young (Rede Sustentabilidade).

Por considerarmos que a diversidade, a pluralidade e o embate de ideias são essenciais para a democracia, e que os eleitores têm o direito de conhecer e saber o que pensam todos os candidatos a prefeito nas próximas eleições, subscrevemos o artigo publicado na Folha de hoje por Ricardo Young, vereador eleito pelo PPS e atual candidato a prefeito pela Rede.

Um critério muito simples seria incluir nos debates, além dos candidatos com direito garantido pela nova legislação (de partidos ou coligações que somam mais de nove deputados federais), também aqueles que têm representação no Senado Federal e na própria Câmara Municipal de São Paulo, o que, independente do tamanho da bancada de deputados federais, demonstra a representatividade destes partidos.

Com isso estariam nos debates sete candidatos (em vez de cinco, como será agora): Celso Russomanno (PRB), Marta Suplicy (PMDB), Fernando Haddad (PT), João Doria (PSDB), Major Olímpio (Solidariedade) e também os até então excluídos Luiza Erundina (PSOL) e Ricardo Young (Rede).

A democracia dá trabalho, mas o resultado compensa. Simples assim.

quarta-feira, 17 de agosto de 2016

Mooca, 460 anos. Parabéns, bello!

A Mooca é muito mais que um bairro tradicional de São Paulo. É um estado de espírito. Os mooquenses comemoram hoje 460 anos da sua fundação, ocorrida em 17 de agosto de 1556, ou seja, apenas 56 anos após o descobrimento oficial do Brasil pelos portugueses.

Quem nasce na Mooca tem tanto orgulho deste pedaço especial da cidade, com vida e história próprias, que ostenta a sua própria bandeira, hino e até um dialeto peculiar, bello!

Influência mais óbvia, visível (e audível... rs) da imigração italiana que tomou conta do bairro de nome indígena ("moo-oca" = "fazer casa") erguido às margens do rio Tamanduateí.

A origem fabril do bairro também deixou as suas marcas. Como o prédio histórico do Cotonifício Crespi, fundado em 1896, que foi a maior tecelagem paulistana, e outras fábricas tradicionais no bairro, como a Companhia Antarctica e o Açúcar União.

Aliás, o Conde Rodolfo Crespi dá nome também a outro local dos mais associados à Mooca: o campo do Juventus, na Rua Javari, palco do gol mais bonito dos mais de mil marcados por Pelé.

Pizzarias, restaurantes, docerias, festas típicas... Quem nunca ouviu falar na pizza da São Pedro ou nos doces da Di Cunto? E na festa de San Gennaro?

A educação e a cultura também deixaram as suas marcas em colégios tradicionais como São Judas, Santa Catarina e até escolas estaduais como o Firmino de Proença, onde mooquenses como José Serra estudaram.

Se hoje existe o Teatro Arthur Azevedo, a memória dos mais antigos não esquece do Cine Teatro Moderno, Cine Santo Antonio, Cine Aliança, e o Imperial, o Icaraí, o Ouro Verde, o Patriarca...

E o "footing" na Paes de Barros (quando os jovens andavam para passar o tempo e paquerar, muito antes da moda de caçar pokemon em aplicativo de celular)? Os campos de várzea de times inesquecíveis como Danúbio Azul, Madri, Urano, Pascoal Moreira, Paulista, Máquinas Piratininga, União Vasco da Gama...

Hoje a Mooca é um dos bairros com menor índice de área verde por habitante, muito longe do recomendado para uma vida saudável. Mal tratada pelo poder público (alô, prefeito Ruinddad), pede mais atenção e a implantação de um parque na área da antiga Esso (num terreno de 100 mil metros quadrados que pode ser uma ilha verde no bairro, mas o interesse econômico quer fazer um caça-níqueis com prédios e condomínios fechados).

Apesar de tudo, a Mooca sobrevive. Viva!