sexta-feira, 17 de agosto de 2018

O Dia do Artista de Teatro no #ProgramaDiferente



No Dia do Artista de Teatro, comemorado em 19 de agosto, o #ProgramaDiferente trata do dia-a-dia do teatro no Brasil. O trabalho e a paixão de atores, diretores e técnicos para manter a qualidade e a criatividade das montagens e produções nacionais mesmo em tempos de crise. É comédia ou é tragédia? Assista.

A emoção está garantida na participação especialíssima de artistas do porte de Fernanda Montenegro, Bibi Ferreira, Laura Cardoso, Beatriz Segall e José Celso Martinez Correa, além de jovens atores e atrizes que seguem os passos dos ídolos eternos, como os veteranos que vivem no Retiro dos Artistas, do Rio de Janeiro. Segure as lágrimas se for capaz :´-)

quinta-feira, 16 de agosto de 2018

São 18 vereadores paulistanos candidatos em 2018

Dos 55 vereadores paulistanos, 18 são candidatos a outros cargos nestas eleições de 2018. Outros 18, pelo menos, estarão envolvidos diretamente nas campanhas de parentes (irmãos, pais, cônjuges, primos, sobrinhos).

Ou seja, são dois terços dos parlamentares da Câmara Municipal de São Paulo com a mão na massa até 7 de outubro para a eleição de senadores, deputados federais e estaduais, fora os governadores e presidenciáveis dos seus partidos. Veja abaixo quem é quem:

Candidatos ao Senado

Eduardo Suplicy (PT)

Mario Covas Neto (eleito pelo PSDB, hoje no Podemos)

João Jorge (PSDB) - suplente do candidato Ricardo Tripoli (PSDB)


Candidatos a Deputado Federal

Alfredinho (PT)

Caio Miranda (PSB)

David Soares (DEM)

Eliseu Gabriel (PSB)

Juliana Cardoso (PT)

Natalini (PV)

Ricardo Nunes (MDB)

Ricardo Teixeira (PROS)

Sâmia Bonfim (PSOL)


Candidatos a Deputado Estadual

Aurélio Nomura (PSDB)

Conte Lopes (PP)

Gilson Barreto (PSDB)

Patricia Bezerra (PSDB)

Toninho Vespoli (PSOL)

Zé Turin (PHS)


Além destes, há, por exemplo, a candidatura de suplentes de vereadores que assumiram o mandato nesta legislatura, como Isa Penna (PSOL). Ou seja, 100% da bancada do PSOL disputa a eleição  (seus dois vereadores titulares, além da 1ª suplente), abrindo espaço, em caso de vitória, para suplentes como Celso Giannazi (irmão do deputado estadual Carlos Giannazi) e Douglas Belchior, já que o suplente anterior, Dr. Sidney Cruz, trocou o PSOL pelo Solidariedade e também é candidato a deputado federal.

A relação de parentesco entre candidatos é interminável: o casal Ota, ele vereador, ela deputada federal (PSB); a família Tatto (com Arselino vereador, Enio estadual, Nilton federal e Jilmar senador); a família Leite (o pai, vereador Milton, presidente da Câmara e virtual vice-prefeito de São Paulo, e os filhos Alexandre federal e Milton Leite Filho estadual); a família Bezerra (a vereadora Patrícia sai candidata a estadual e o marido, Carlos Bezerra Jr. tenta se reeleger federal).

A família Tripoli, então, é um caso à parte. O sobrenome é uma grife que dispensa os primeiros nomes. Tanto que o mais experiente deles, o ex-vereador e atual deputado estadual Roberto Tripoli (PV) fica de fora da urna nesta eleição. O vereador Reginaldo Tripoli (PV) tem como candidatos o irmão Ricardo Tripoli a senador tucano, outro irmão, Rubens Tripoli (PSDB), a deputado federal, e a jovem sobrinha Giovanna Tripoli (PSDB) a estadual.

Mas tem muito mais histórias nestas grandes famílias. Para federal, o vereador Rodrigo Goulart (PSD) apóia a reeleição do pai, Antonio Goulart; a vereadora Sandra Tadeu, do marido Jorge Tadeu (DEM); já o vereador Eduardo Tuma (PSDB) tem o primo Romeu Tuma Jr. (PRB) candidato.

Para estadual, George Hato apóia a reeleição do pai, Jooji Hato (PMDB); Adriana Ramalho do pai, Ramalho da Construção (PSDB); Rute Costa da irmã, Marta Costa (PSD); Tem também Senival Moura (PT) com o irmão Luiz Moura (PDT) candidato, e Edir Sales (PSD) com o sobrinho Ulisses Sales (PHS).

Existe ainda o vínculo por afinidade: o vereador Fernando Holiday (DEM) apóia seus parceiros de MBL, Kim Kataguiri federal e Arthur Mamãe Falei estadual. Isac Félix (PR) apóia a reeleição do seu antigo chefe e padrinho político, Antonio Carlos Rodrigues, presidente da Câmara Municipal por quatro vezes consecutivas. Ufa!

Enfim, com essas 18 chances de dança das cadeiras na Câmara de São Paulo, os eventuais suplentes ficam todos alvoroçados. Quem pode vir por aí? Na fila tem uns poucos novatos e vários ex-vereadores, como Abou Anni (PV), Paulo Fiorilo (PT), Nabil Bonduki (PT), Manoel Del Rio (PT), Beto do Social (PSDB), Adolfo Quintas (PSDB), Nelo Rodolfo (PMDB), Edson Aparecido (PSDB), Jonas Camisa Nova (DEM) e Rodrigo Gomes (PHS), entre outros.

Veja quem são os candidatos a deputado do PPS/SP

Aqui você conhece todos os candidatos e candidatas do PPS de São Paulo, em ordem alfabética, com o nome que aparece na urna eletrônica e o respectivo número:

DEPUTADOS FEDERAIS

ALEX MANENTE - 2343

ARLINDO ARAÚJO - 2362

ARNALDO JARDIM - 2345

CARLOS JAPONÊS - 2363

DORA MARIANO - 2313

HILDA GUERREIRA - 2322

HUMBERTO LAUDARES - 2303

POLLYANA GAMA - 2351

ROBERTO FREIRE - 2323

WALLACE - 2333

YVES CARBINATTI - 2300


DEPUTADOS ESTADUAIS

ALESSANDRA BERRIEL - 23888

ANA CHANG - 23120

CLAUDIO PITERI - 23111

DAVI ZAIA - 23123

DRA MAYRA COSTA - 23500

EDNA FLOR - 23789

FERNANDO CURY - 23456

GUI MENDES - 23000

JULINHO FUZARI - 23423

JULIO COSTA - 23300

ORESTES PIMENTEL - 23444

PAULO ANDRE FANECO - 23222

ROBERTO MORAIS - 23623

Vote nos deputados federais do PPS de São Paulo

Aqui você conhece os candidatos e candidatas do PPS de São Paulo à Câmara dos Deputados, em ordem alfabética, com o nome que aparece na urna eletrônica e o respectivo número:

DEPUTADOS FEDERAIS

ALEX MANENTE - 2343

ARLINDO ARAÚJO - 2362

ARNALDO JARDIM - 2345

CARLOS JAPONÊS - 2363

DORA MARIANO - 2313

HILDA GUERREIRA - 2322

HUMBERTO LAUDARES - 2303

POLLYANA GAMA - 2351

ROBERTO FREIRE - 2323

WALLACE - 2333

YVES CARBINATTI - 2300


Conheça também os candidatos e candidatas PPS à Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo. Clique aqui.

Vote nos deputados estaduais do PPS de São Paulo

Aqui você conhece os candidatos e candidatas do PPS de São Paulo à Assembleia Legislativa, em ordem alfabética, com o nome que aparece na urna eletrônica e o respectivo número:

DEPUTADOS ESTADUAIS

ALESSANDRA BERRIEL - 23888

ANA CHANG - 23120

CLAUDIO PITERI - 23111

DAVI ZAIA - 23123

DRA MAYRA COSTA - 23500

EDNA FLOR - 23789

FERNANDO CURY - 23456

GUI MENDES - 23000

JULINHO FUZARI - 23423

JULIO COSTA - 23300

ORESTES PIMENTEL - 23444

PAULO ANDRE FANECO - 23222

ROBERTO MORAIS - 23623

Conheça também os candidatos e candidatas do PPS de São Paulo à Câmara dos Deputados, em Brasília. Clique aqui.

Conheça o Programa de Governo dos presidenciáveis

Clique nos links para conhecer e baixar os Programas de Governo apresentados pelos principais presidenciáveis no momento do registro das candidaturas no Tribunal Superior Eleitoral:

quarta-feira, 15 de agosto de 2018

Vereador Claudio Fonseca defende no plenário da Câmara a criação do Parque Verde da Mooca



Em referência ao mês de comemoração dos 462 anos da Mooca, o vereador Claudio Fonseca (PPS) fez na tribuna da Câmara Municipal de São Paulo, nesta terça-feira, 14 de agosto, mais uma defesa da criação do Parque Verde da Mooca, no terreno da antiga Esso, entre as ruas Barão de Monte Santo, Dianópolis, Domingos da Fonseca e Vitoantonio Del Vecchio, no coração do bairro que não por acaso já é denominado Parque da Mooca.

Além de ressaltar a importância da preservação deste espaço público no bairro que tem um dos menores índices de áreas verdes por habitante na cidade, o vereador Claudio Fonseca citou nominalmente o texto publicado no Blog do PPS (leia), que ontem relembrou esta justa reivindicação ao prefeito Bruno Covas (PSDB) pela implantação do Parque, com apoio da totalidade dos mooquenses e também de entidades como o Movimento Mooca Verde, a Folha de Vila Prudente, o Câmara Man e o #ProgramaDiferente, além do empenho dos próprios vereadores. Assista.

terça-feira, 14 de agosto de 2018

No mês de aniversário da Mooca, lembramos a Prefeitura e os 55 vereadores da importância de implantar um Parque Verde no antigo terreno da Esso

No 462º aniversário da Mooca, celebrado no próximo dia 17 de agosto, este que é certamente um dos bairros mais tradicionais de São Paulo e também, infelizmente, recordista negativo com os menores índices de áreas verdes da cidade, merece enfim um presente da Prefeitura de São Paulo: a regulamentação do terreno da antiga Esso para implantação do futuro Parque Verde da Mooca.

A reivindicação é antiga e justa! Os cidadãos mooquenses e paulistanos solicitam do prefeito Bruno Covas e dos 55 vereadores da Câmara Municipal de São Paulo a destinação deste terreno de quase 100 mil m² na Mooca, que no passado pertenceu à filial brasileira da empresa petrolífera norte-americana Esso, atual Exxon Mobil Corporation, para implantação de um pulmão verde para a cidade.

Essa área teve o solo e as águas subterrâneas contaminadas, e há mais de uma década - período em que vem passando por processo de descontaminação - é reivindicada pela totalidade da sua população local para a implantação desse futuro parque público. 

Porém, com o velho argumento da falta de recursos municipais e de espaços disponíveis para habitação, alguns políticos e empreendedores imobiliários queriam construir moradias no local (unindo prédios populares a condomínios de luxo, segundo proposta apresentada em uma operação urbana local e também debatida no Plano Diretor de São Paulo). 

É, sem dúvida, um caso emblemático: a comunidade está mobilizada pela preservação integral da área verde, enquanto a atual proprietária do terreno, com apoio da gestão municipal anterior, pretendia construir condomínios no local e, em contrapartida, ou como "compensação ambiental", oferecer a preservação de apenas 30% do terreno para um "parque" a ser administrado pela própria empresa por 20 anos. Mas isso não nos parece justo nem adequado.

Há movimentação de políticos pró e contra: de um lado, o amplo apoio à desapropriação da área por decreto de utilidade pública ou interesse social; do outro, a defesa do direito da construtora São José explorar economicamente o espaço que foi ocupado por mais de 60 anos pela Esso, deixando o solo contaminado por seus tanques de combustíveis.

Segundo laudo recente da Cetesb, a agência do Governo do Estado responsável pelo controle, fiscalização, monitoramento e licenciamento de áreas e atividades geradoras de poluição, seria possível a implantação imediata de um parque aberto. Por outro lado, o terreno seguiria impróprio para construções habitacionais.

Este é o último grande espaço na região que pode abrigar um parque público e ajudar a Mooca a reverter o baixíssimo índice de área verde (0,35 m² de área verde por habitante, enquanto a Organização Mundial de Saúde recomenda 12 m²). Também em função da pouca quantidade de áreas verdes, a Mooca é um dos dez bairros com mais baixo nível de umidade relativa do ar, segundo balanço recente do Centro de Gerenciamento de Emergência da Prefeitura de São Paulo.

Então, nós do Blog do PPS, unidos à população da Mooca e dos bairros adjacentes, ao jornal Folha de Vila Prudente e a entidades como o Movimento Mooca Verde, todos pioneiros nesta luta, seguimos reivindicando a implantação do parque na totalidade do terreno. Há também o empenho de vereadores como Gilberto Natalini (PV), Juliana Cardoso (PT), Edir Sales (PSD), Soninha Francine (PPS) e Claudio Fonseca (PPS), entre outros, no convencimento do poder público para oficializar este verdadeiro presente para a qualidade de vida na cidade. Com certeza, a Mooca e São Paulo merecem!

segunda-feira, 13 de agosto de 2018

A emenda pior que o soneto, as reformas necessárias e a diferença entre "nova", "velha" e "boa" política

Senta que lá vem polêmica! Quando pensei em uma imagem para ilustrar este artigo, foi inevitável lembrar da restauração desastrada da "velhinha de Borja", como ficou conhecida a bondosa senhora octogenária, restauradora voluntária do interior da Espanha, que há alguns anos tentou "consertar", por sua conta e risco (literalmente), uma pintura de Jesus Cristo do século 19.

Pois, mal comparando com a campanha eleitoral que ainda nem começou oficialmente, a sensação é a mesma ao confrontar a legislação antiga e desgastada que havia anteriormente com esse puxadinho improvisado, essa gambiarra apresentada pelo Congresso Nacional para as eleições de 2018, que agora já sentimos os efeitos, em vez de uma verdadeira, profunda e necessária reforma.

O que era ruim ficou pior. Se a população reclamava de campanhas caras e do desperdício de recursos gastos para eleger os políticos de sempre, a resposta deles, na contramão do bom senso, foi exatamente criar um fundo público eleitoral, ou seja, entregar de mão beijada mais de R$ 2,5 bilhões para os donos dos partidos, somados o fundo partidário tradicional com o novo caixa específico para esta eleição, uma farra bilionária inimaginável com dinheiro que deveria ser investido em saúde, educação e desenvolvimento para o país, no lugar de financiar a estrutura podre, viciada e carcomida das legendas partidárias.

Os campeões do financiamento público também são - e veja que nada é por acaso - os líderes no ranking das denúncias investigadas na Lava Jato e em outras operações do Ministério Público e da Polícia Federal: MDB, PT, PSDB e PP, entre outros menos aquinhoados. O que eles pretendiam, com essa legislação remendada em vigor, era cristalizar o domínio político e financeiro deste consórcio fisiologista. Somem-se ao esbanjamento do dinheiro público outras decisões como o monopólio do tempo de propaganda no rádio e na TV, a limitação do acesso aos debates e... pronto! Nem Pinky e Cérebro, aqueles ratinhos do desenho animado, tiveram uma ideia tão genial nas suas armações e trapaças para conquistar o mundo.

A eleição por lista fechada, uma excrescência barrada durante os debates na Câmara e no Senado, funciona na realidade quando os partidos definem livremente quanto e quem vai receber dinheiro público para a sua campanha, dentro da sua lista de candidatos preferenciais, praticamente inviabilizando os demais. O controle sobre o acesso à propaganda oficial também é exclusivo da cúpula dos partidos. Aparece na TV quem eles determinarem. Os outros que se virem sozinhos, quase clandestinos. É a mesma lógica do veto a candidaturas avulsas: o controle absoluto é dos partidos.

A renovação é dificultada a qualquer custo (e esse custo - caríssimo, como já ficou claro - é espetado na conta do povo). Alguns novos partidos tem insignificantes 4 ou 5 segundos de propaganda na TV. Não dá nem para se apresentar minimamente, como fazia no folclórico bordão "Meu nome é Enéas" o falecido presidenciável do igualmente finado Prona. Se o eleitor-espectador piscar o olho, não vê passar o candidato. Isso é justo? É democrático?

Dos debates só participa quem está em partido ou coligação com um número "x" de parlamentares. Ou seja, partido novo (e o Novo é mesmo um dos exemplos concretos e objetivos) está excluído dos confrontos entre candidatos mediados na TV, enquanto participam outros que aparentemente seriam barrados se houvesse teste psicotécnico ou exame antidoping para ocupar uma cadeira. Lamentável como se criam labirintos jurídicos e armadilhas políticas tendo como pano de fundo a "democracia", essa palavrinha mágica que esconde tantos abusos e absurdos corporativistas e antiéticos, ilusão de ótica que segue beneficiando quem deseja manter tudo como está para ver como é que fica.

Democracia mesmo, aquela que existe quando a boa política (mais que "nova" ou "velha", mas verdadeiramente "boa", que corresponda plenamente ao que é exigido, desejado ou esperado quanto à natureza, adequação, função, eficácia e funcionamento da política) é posta em prática, não teremos ainda em 2018 ou até que as reformas estruturais do Brasil sejam tocadas com rigor, coragem, responsabilidade e independência. Por isso o voto em 7 de outubro é tão importante: para a Presidência da República e para o Governo do Estado, mas também - e principalmente - para o Senado Federal, a Câmara dos Deputados e a Assembleia Legislativa. Afinal, quem me representa?

Mauricio Huertas, jornalista, é secretário de Comunicação do PPS/SP, diretor executivo da FAP (Fundação Astrojildo Pereira), líder RAPS (Rede de Ação Política pela Sustentabilidade), editor do Blog do PPS e apresentador do #ProgramaDiferente

sábado, 11 de agosto de 2018

Pais e Filhos por um Brasil melhor: Dia dos Pais e da Juventude, junto e misturado no #ProgramaDiferente



Unindo o "velho" e o "novo" neste domingo, 12 de agosto, que junta o Dia dos Pais ao Dia Internacional da Juventude, o tema do #ProgramaDiferente não poderia ser outro: "Pais e Filhos unidos por um Brasil melhor". Nesta semana também começa a propaganda eleitoral nas ruas e nas redes, e em menos de dois meses vamos ter eleições para deputado estadual, deputado federal, governador do Estado, dois senadores e Presidente da República. Afinal, que país é este que nós estamos construindo?

Participam do programa, direto do Encontro de Jovens Lideranças promovido pela FAP (Fundação Astrojildo Pereira) no Rio de Janeiro, o jornalista Luiz Carlos Azedo, diretor-geral da FAP; o humorista Claudio Manoel, líder do grupo Casseta & Planeta; e o deputado federal Roberto Freire, presidente nacional do PPS.

Você acompanha ainda iniciativas que envolvem o jovem brasileiro em ações sociais e políticas alheias aos partidos tradicionais. Qual é o sonho destes novos agentes do futuro? Como vamos construir um Brasil diferente? O programa termina com uma paródia política de "Pais e Filhos", sucesso da Legião Urbana que marca diferentes gerações, e uma autocrítica do antigo conceito das ideologias de esquerda. Assista.

sexta-feira, 10 de agosto de 2018

Se o debate da Band definisse a eleição, maior tendência seria 2º turno entre Alckmin e Bolsonaro

Debate da Band faz crer num hipotético 2º turno entre Geraldo Alckmin e Jair Bolsonaro, os dois candidatos mais acionados pelos adversários e mais treinados para o confronto. Claro que é um palpite simplista e arriscado, duas semanas antes do início da propaganda oficial no rádio e na TV. Mas geralmente o debate inaugural aponta a tendência da eleição, seja pelos presentes que se destacam, seja pelas ausências (neste ano, com o ineditismo de um presidenciável presidiário).

A não ser que algum candidato escorregue feio, não há grandes vencedores ou perdedores. O debate serve quase sempre para consolidar o voto já conquistado ou ao menos a simpatia do eleitor por uns e a rejeição pelos outros. Foi o que aconteceu outra vez neste tradicional evento que marca a largada das campanhas desde as eleições estaduais de 1982, passando pelas municipais de 1985 e 1988 e as eleições presidenciais de 1989.

Cada eleitor e staff de campanha considera seu candidato o melhor, seja antes do início ou ao término do debate: Geraldo Alckmin é o mais preparado e experiente, Bolsonaro o mais popular e espontâneo, Marina Silva a mais independente e humilde, Ciro Gomes o mais tarimbado para mudar algo, Meirelles o mais sério, Boulos o mais radical à esquerda, Álvaro Dias o maior fã de Sérgio Moro, Cabo Daciolo o mais conscientemente tresloucado...

Vale acompanhar a repercussão durante e após o debate, os memes, os melhores (e piores) momentos, as frases de efeito (e as mais infelizes), os ataques calculados, as reações inesperadas, o conteúdo das falas, a postura, a gesticulação, o olhar, o humor e riso nervoso. Enfim, a campanha está só começando.

Veja algumas opiniões e notícias sobre o debate:

Corrupção, economia e contas públicas são temas do 1º debate presidencial

quinta-feira, 9 de agosto de 2018

Veja a participação do presidenciável Geraldo Alckmin no evento “Eleições e Perspectivas: Brasil 2018”




O #ProgramaDiferente apresenta a íntegra da participação do presidenciável Geraldo Alckmin (PSDB) no evento “Eleições e Perspectivas: Brasil 2018”, promovido pelo banco de investimentos BTG Pactual. Há falas de 10 minutos na abertura e no encerramento, além de 20 minutos de entrevista ao jornalista William Waack. É uma excelente oportunidade de conhecer as propostas do candidato sem as amarras dos debates e da propaganda oficial. Veja também a íntegra dos dois dias de evento (dia 8 de agosto e dia 9 de agosto), com todos os participantes. Os candidatos Jair Bolsonaro (PSL) e Marina Silva (Rede) optaram por não participar. Assista.

quarta-feira, 8 de agosto de 2018

#ProgramaDiferente mostra as propostas dos presidenciáveis para tecnologia digital no GovTech



Candidatos à Presidência da República foram os principais destaques do segundo dia do evento GovTech, em São Paulo, que debate uma agenda digital para o setor público e teve nesta terça-feira, 7 de agosto, a apresentação das propostas de cinco presidenciáveis para desburocratizar o Brasil por meio da tecnologia nos próximos quatro anos do eventual mandato de cada um. As entrevistas foram realizadas na sequência, individualmente, pelo apresentador Luciano Huck. Participaram os candidatos João Amoêdo (Novo), Guilherme Boulos (PSOL), Henrique Meirelles (MDB), Geraldo Alckmin (PSDB) e Marina Silva (Rede). Assista.

segunda-feira, 6 de agosto de 2018

Eleições 1989-2018: direto do túnel do tempo

Há quem veja, até de forma ameaçadora, inúmeras semelhanças entre a primeira eleição direta pós-ditadura e essa volta às urnas do brasileiro, passada a espinhosa transição pós-impeachment. Outros rechaçam qualquer comparação.

De todo modo, temos agora - e tínhamos há 29 anos - um presidente que era vice e chegou ao poder sem o voto direto do eleitor. No governo, vencida a trégua inicial de expectativas positivas, o presidente passa a ser um estorvo para o seu partido, campeão de impopularidade. Peso morto na eleição.

Além da descrição que pode ser usada tanto para José Sarney em 1989 quanto para Michel Temer em 2018, os herdeiros sem votos da cadeira presidencial, é possível ainda traçar um paralelo com as principais candidaturas das diferentes épocas.

Vamos observar os dois cenários:

O governo lança um nome fadado à derrota, apenas para ter uma candidatura chapa-branca que defenda o seu "legado" das múltiplas críticas que serão feitas à direita e à esquerda: papel que coube a Aureliano Chaves em 1989, reproduzido por Henrique Meirelles em 2018.

A oposição à esquerda vem dividida entre o forte PT (Lula lá, Lula aqui, separados no tempo por muitos escândalos, a mudança de lado no combate à corrupção e a metamorfose histórica de um partido de presos políticos que se tornaram políticos presos), o médio e desfigurado PDT (Brizola antes, Ciro agora) e uma candidatura moderninha alternativa, pequena mas digna (Roberto Freire em 1989, Guilherme Boulos hoje), se desconsiderarmos o antes e depois da queda do Muro de Berlim.

À direita, as opções variavam do político mais tradicional, experiente e bem votado em seu reduto, como Paulo Maluf; passando pelo liberal mais palatável e progressista, Guilherme Afif; e chegando à proposta mais radical e conservadora, Ronaldo Caiado. Dá para negar características comuns com os atuais Álvaro Dias (Podemos), João Amoêdo (Novo) e Cabo Daciolo (Patriota)?

Ao centro, havia a opção programática de uma política renovadora e civilizatória, com a recém-lançada social-democracia de Mario Covas (espaço ocupado atualmente pela Rede Sustentabilidade de Marina Silva com o PV de Eduardo Jorge); e o candidato do "establishment", reunindo as maiores forças políticas, sociais e econômicas em torno de Ulysses Guimarães, o Sr. Diretas, aparentemente predestinado a ser eleito o legítimo presidente da redemocratização (e aqui fica o alerta para Geraldo Alckmin e sua ampla coligação: não repetir os erros que derrotaram Ulysses).

Por fim, o líder nas pesquisas - que acabou se elegendo, contrariando todas os prognósticos iniciais dos analistas - era Fernando Collor, político de segunda linha, com postura arrogante, discurso agressivo e dono de um partido inexpressivo, que ganhou popularidade na mídia graças à fama de opositor do sistema, um "salvador da pátria" para o eleitorado indignado com a política tradicional. Qualquer semelhança com Jair Bolsonaro não deve ser mera coincidência.

Desejamos, sinceramente, que o resultado em 2018 seja bastante diferente daquele de 1989. Para o bem do Brasil.

Para ajudar a entender Lula e Bolsonaro

Dizíamos aqui, outro dia:

"(...) Não compreendem que até os inabaláveis 30% de Lula nas pesquisas de intenção de voto estão impregnados pelo desejo da mudança e pela rejeição à política tradicional. Como assim? Na lógica cartesiana é inaceitável que Lula - candidato em cinco eleições, presidente duas vezes e avalista de Dilma em outras duas - tenha ainda eleitores que considerem votar nele como forma de protesto contra a política tradicional. E depois de tudo que foi revelado ainda votam no PT? Impossível! Absurdo! Mas quem foi que disse que essa é uma ciência exata e que o eleitor age dominado pela razão?

Quem anuncia a intenção de voto em Lula - ou pede #LulaLivre nas redes sociais ou em algum desses manifestos de artistas, intelectuais e influenciadores digitais - não é um simples alienado que considera o petista o último dos inocentes ou o PT uma reserva de moralidade. Ao contrário. Excluído o petista de carteirinha, sobra em grande parte um eleitor saturado da política partidária tradicional, que um dia acreditou no discurso de Lula, viu vantagens em seus governos e agora, pesando na balança eleitoral o que está aí, considera tudo uma maçaroca de imundície e podridão. Solução simplista: se todos são iguais na sujeira e na corrupção, eu escolho aquele que ao menos fez algo de bom por mim quando esteve no poder. É quase uma reedição do ´rouba mas faz´.

Pensamento semelhante tem o eleitor de Jair Bolsonaro, ainda que no sentido inverso. Quanto mais os políticos e a mídia tradicional o apontarem como um boçal com ideias esdrúxulas, maior apoio e repercussão terá entre o exército anônimo de indignados e revoltados anencéfalos contra o atual sistema político. O folclórico Bolsonaro segue a linhagem dos Enéas, Tiriricas e Cacarecos da história brasileira. Periga ser o herdeiro legítimo de quem elegeu Fernando Collor em 1989. Aí estaremos fritos de verdade.

É evidente (para quem se propõe a enxergar fora da caixinha), assim, que a polarização que traz Lula e Bolsonaro na liderança das pesquisas pré-eleitorais também carrega em si o desejo da mudança. Não se trata, em sua grande maioria, do voto racional, partidário ou ideológico, mas do simbolismo dessas duas candidaturas. Com Lula fora por conta da prisão e da ficha suja, restará conferir a sua capacidade de transferência de votos. Quem será o maior beneficiário do espólio lulista? O PT vai lançar Fernando Haddad? Ou será que Ciro Gomes personifica melhor esse eleitor órfão de Lula? E Marina Silva, somará quanto desses indignados ao legado de 20 milhões de eleitores cativos das duas últimas eleições? (...)"


Agora, com a confirmação das candidaturas, Bolsonaro com seu vice que é general da reserva, e Lula telegrafando o Plano B para a sua insistente não-candidatura, à espera da impugnação, com Haddad presidente e Manuela vice, as coisas começam a clarear.

Dois excelentes artigos nos ajudam a compreender a situação de Lula e de Bolsonaro. Um, do jornalista Clóvis Rossi ("PT entroniza dom Sebastião Lula da Silva").Outro, do cientista político Marco Aurélio Nogueira ("Falando a sério sobre Bolsonaro"). Valem a leitura.

O Brasil pós-Lula no livro de Luiz Werneck Vianna



O #ProgramaDiferente apresenta o novo livro do cientista social Luiz Werneck Vianna: "Diálogos gramscianos sobre o Brasil atual", lançado pela FAP (Fundação Astrojildo Pereira) em parceria com a Editora Verbena. A obra é uma coletânea de entrevistas realizadas com Werneck desde o início do governo Lula, em 2003, e faz uma leitura abrangente da conjuntura política brasileira. Assista.

Artigo: Falando a sério sobre Bolsonaro

Artigo de Marco Aurélio Nogueira

Ele consegue a proeza de unir contra si os democratas (esquerda, liberais e conservadores). Apesar disso, mantem posição de destaque na corrida eleitoral, catalisando descontentamentos, frustrações, ódios, preconceitos e ressentimentos de todo tipo.

Vai, assim, esmerilhando uma eficiente demagogia populista. A retórica assusta, pela falta completa de responsabilidade cívica, pelo que vocifera contra a democracia, pelo irracionalismo que espalha pela sociedade.

O capitão da reserva Jair Bolsonaro ameaça passar para o segundo turno, impulsionado por um conjunto de fatores: a fragmentação das esquerdas e do centro democrático, a imagem negativa que sobrou dos governos Dilma, o horror à corrupção e à insegurança, a degradação da política e a exuberante fragilidade do governo Temer. Somados ao desalento que se abateu sobre a população e à confusão ideológica, tais fatores deram-lhe estabilidade e fôlego, ao menos até agora.

Sua função tem sido dupla: fazer o elogio da ignorância e do despreparo, que são por ele “ressignificados” para se converterem em trunfo, e dar corpo a uma direita reacionária e retrógrada que há tempo não conseguia encontrar expressão.

Ele, porém, é um fenômeno mais amplo, de caráter simbólico e cultural. Mostra à perfeição o estado de deterioração política, dissolução ética e miséria educacional a que chegamos. Dá voz à angústia de diversos segmentos sociais, que não são necessariamente de direita e estão integrados por pessoas que perderam a confiança na democracia e na política.

Seus apoiadores são pessoas que querem ver o circo pegar fogo, dar um tranco num sistema que fere suas convicções ou não os beneficia. Optam por uma “radicalização” que desorganize a vida para então reorganizá-la. O caráter misógino, racista e autoritário do candidato não lhes diz respeito, nem incomoda. Também não há qualquer preocupação com eventuais prejuízos derivados de uma vitória de Bolsonaro. Gostam de seu estilo bateu-levou, debochado e arrogante.

A antipolítica é a estrela-guia deles.

A nau dos insensatos

(a) O estilo rústico e agressivo do capitão, que faz graça com coisa séria, mexe com o “instinto” das pessoas, que o admiram por não levar desaforo para casa e confrontar o “politicamente correto”. Do alto de seus excessos, Bolsonaro é visto como uma espécie de “salvador” (um mito), patrono de um novo recomeço. São pessoas que querem mudar, mas que não conseguem qualificar direito o que seria a mudança. Pensam em conseguir algo “diferente”, que elimine erros e falcatruas. Acreditam que Bolsonaro fará com que a economia deslanche e os empregos voltem, injustiças sejam eliminadas e a tranquilidade retorne. Nesse grupo entram também os que são pura e simplesmente autoritários, que acreditam na virtude da força e querem a volta da “ordem” a qualquer custo. É uma forma de obscurantismo.

(b) Os que são contra a corrupção veem no capitão um político íntegro. A falta de critério e informação prevalece. Não levam em conta, por exemplo, que Bolsonaro foi uma nulidade no Congresso. Formou um pequeno bunker ao eleger os filhos como parlamentares. Além disso, integrou partidos repletos de práticas corruptas. Foi afastado do Exército por má conduta.

(c) Os que se preocupam com a insegurança e a violência impressionam-se com as falas duras de Bolsonaro, com suas ideias de redução da maioridade penal, de adoção da pena de morte, de castração química de estupradores, de liberação de armas para a população. Não levam em conta o efeito perverso que tais medidas teriam sobre a sociedade. Querem ver sangue, na linha olho por olho. Não se impressionam com as pérolas envenenadas do capitão, que contaminam os direitos humanos, a paz e a convivência democrática ao elogiarem a tortura contra adversários políticos. Acham que esse é o preço que se terá de pagar para que se recupere a moralidade perdida com a democratização. Uma nova era de trevas e fechamento não seria necessariamente um problema.

(d) Os que acreditam no “perigo comunista” acham que o capitão acabará com o predomínio das esquerdas, a quem culpam pelos dissabores da vida cotidiana, pela perda de renda familiar, pelo desemprego e pela corrupção. Bolsonaro se dedica a seduzir o eleitorado antipetista, mas também atrai parte dos eleitores que se desiludiram com o lulismo e querem se vingar do que consideram ser um “excesso” das esquerdas e do liberalismo progressista, especialmente no campo dos direitos e das postulações identitárias. A crítica à cultura e aos excessos do “politicamente correto” é uma de suas fronteiras de resistência.

Em suma, o exército de fieis que aplaudem Bolsonaro é composto por uma mistura de ingênuos, desiludidos, desinformados e protofascistas – todos mal-educados politicamente, crentes de que um braço forte no Estado fará a vida melhorar. É uma combinação entre gente que se sente desamparada, “fundamentalistas” e ressentidos, inimigos do sistema democrático e amigos da autoridade. Forma-se assim um agregado para quem a política é algo a ser desprezado e a democracia pouco importa.

O capitão pilota uma nau dos insensatos.

Rusticidade argumentativa

Seu jeito de ser segue um padrão: não interagir com os interlocutores, ignorar as perguntas incômodas, repisar as mesmas teses, incansavelmente, para saturar os ouvintes. Ele é sua própria referência, não quer dialogar nem conversar com ninguém que já não tenha aderido ao seu credo. Abusando de ataques, grosserias e absurdos, ele dá ordens ao séquito, que o acompanha sem vacilação.

Daí que as críticas ideológicas a ele não têm qualquer eficácia. Não penetram, ricocheteiam. Ao contrário, quanto mais se bate nele por essa via, mais ele cresce, como se estivesse imunizado contra tentativas de “desconstrução”. Para a população que o segue, tanto faz se fala mentiras ou verdades, tanto faz se gosta de tortura e ditadura. Sua rusticidade argumentativa o faz ser entendido pela massa de eleitores, ainda que não consiga seduzi-los por inteiro.

Bolsonaro não resulta de virtudes ou talentos: é um subproduto do contexto de crise e degeneração da política, um filho torto da metamorfose que sacode as estruturas sociais. Foi sendo engordado pelos erros dos democratas, pelas políticas públicas enviesadas dos últimos governos, pela demagogia rasteira, pela entrega da esquerda a políticos salvacionistas, com seu paternalismo assistencialista e sua retórica vazia e radicalizada.

Pode não ter tempo de TV e palanques poderosos, mas tem algo que falta nos demais: redes digitais ativas, fanáticos engajados, gente que acredita nele, que se sente abandonada pelos governos sucessivos e que não está nem aí para a democracia.

Existem, porém, quatro grandes problemas que o capitão não consegue resolver.

Um está ligado ao seu programa econômico, se é que se pode chamar assim as ideias que têm circulado a esse respeito. Coordenado pelo economista Paulo Guedes, que se diz um ultraliberal em economia, o programa antes de tudo colide frontalmente com o estatismo intervencionista e autoritário do candidato. Guedes propõe coisas como recuperação do equilíbrio fiscal, novo pacto federativo, redução de dívida pública, privatizações e concessões, redução e a simplificação de impostos, regime de capitalização na Previdência e abertura da economia. Bolsonaro jura que obedecerá ao guru, que já não é mais estatista e que só deseja o bem do país. Vai com isso tentando limar resistências do mercado. É uma convivência difícil, que não promete dar frutos nem mostra viabilidade.

Outro problema é o isolamento político-partidário. O capitão foi rejeitado por todos os partidos de que tentou se aproximar e não progrediu no terreno propriamente militar. Foi relegado à condição de candidato de um só partido, sem muitos recursos de campanha. A essa altura do jogo, a escolha do vice já não mais agregará valor expressivo, posto que não aumentará o tempo de propaganda, não fornecerá novos palanques e poderá até mesmo trazer mais desqualificação e turbulência.

O terceiro problema é seu despreparo técnico e sua grosseria, discursiva e de postura. São atributos que encantam seus seguidores, mas que não deverão beneficiá-lo no debate público, quando será confrontado abertamente pelos adversários. A falta de tempo de TV agrava a situação.

Por último, há aos efeitos de sua misoginia machista. O eleitorado feminino não o assimilou e pode ser que não venha a fazê-lo, o que barrará suas pretensões eleitorais.

Fanáticos incansáveis

Para compensar suas limitações, o capitão aposta na rede de seguidores e animadores que conseguiu articular. São milhões de bolsominions, fanáticos na maioria, que se encarregam de espalhar incansavelmente slogans e mensagens que repisam os temas de campanha e alimentam a idolatria ao “mito”. Não se sabe quanto, mas é certo que conseguem alguma ressonância entre os ressentidos e os incomodados com os excessos do “politicamente correto”, além de insuflar espíritos hostis à esquerda ou decepcionados com os governos do PT e com a classe política.

Outra compensação vem, paradoxalmente, da estratégia seguida pelo PT de manter Lula no centro da disputa eleitoral, mesmo preso e alcançado pela Lei da Ficha Limpa. Quanto mais essa estratégia confronta o Judiciário e radicaliza sua narrativa, mais água despeja no moinho de Bolsonaro. De certo modo, o capitão e ex-presidente são como gêmeos xifópagos, que dependem um do outro para sobreviver.

Não dá para transferir a culpa a seus eleitores e aos que poderão ser arrastados pelas palavras do “mito” porque estão de saco cheio de tudo. O irracionalismo de extrema-direita que ele busca vocalizar tem várias determinações, que precisam ser devidamente decifradas.

Bolsonaro é um perigo real. Mesmo que perca as eleições, terá dado o seu recado e alimentado o monstro que se pensava desativado. A nau dos insensatos já está a singrar os mares.

Artigo: PT entroniza dom Sebastião Lula da Silva


Artigo de Clóvis Rossi

A convenção do PT entronizou neste sábado (4) a candidatura de dom Sebastião Lula da Silva.

Dom Sebastião é aquele rei de Portugal que supostamente morreu na batalha de Alcácer-Quibir (1578). Como o corpo nunca foi encontrado, nasceu um movimento místico —o sebastianismo— que acreditava que o rei voltaria para salvar Portugal de todos os problemas surgidos após seu desaparecimento.

Luiz Inácio Lula da Silva teve sua morte jurídica (como candidato) decretada na esteira da Operação Lava Jato. Mas seus seguidores não acreditam na morte, rezam e jejuam pelo seu reaparecimento para superar o único problema que aflige o PT neste momento: ter um candidato presidencial viável.

O “sebastianismo” —“lulismo”, em sua versão brasileira — era onipresente na Casa de Portugal, que abrigou o encontro petista que, por aclamação, indicou Lula como seu candidato presidencial.

Presente até no nome oficial da convenção: “Encontro Nacional do PT 2018 - Lula livre”. Presente na frase, bem “sebastianista”, de uma militante no vídeo sobre os cem dias da prisão de Lula: “Você é e sempre será nosso eterno presidente”.

Presente, sempre como essa característica de solução para todos os problemas, no grande banner que ocupava o fundo do palco e gritava em letras brancas sobre fundo negro: “O Brasil feliz de novo”.

Presente nas camisetas polo vendidas a R$ 30 ou nas t-shirts, pela metade do preço.

Justifica-se, pois, o rótulo de religião que Ciro Gomes, candidato do PDT, cravou no petismo em entrevista à Globo News.

Esse “lulismo” místico é definido como “perversão do petismo” por Francisco de Oliveira, fundador do PT, mas depois rompido com o partido. Lulismo seria “o carisma de Lula combinado com assistencialismo”, segundo esse sociólogo, um dos raros intelectuais de esquerda que se manteve de esquerda.

Que o PT vive da expectativa de renascimento de Lula fica evidente no fato de que a convenção deste sábado não indicou candidato a vice-presidente.

Fazê-lo seria lido como um sinal de que há, sim, um plano B, ao contrário do que dizem oficialmente todos os petistas, graúdos ou miúdos.

Pior para o partido: o reinado de Lula impediu o surgimento de qualquer nome que pudesse rivalizar com ele, mesmo que fosse um pouquinho. É uma característica do caudilhismo.

Caudilhos em geral impedem que nasça até grama em suas imediações, quanto mais uma palmeira que lhes faça sombra.


Se os aplausos dos convencionais deste sábado significam alguma coisa, o único eventual plano B seria a inelegível Dilma Rousseff, ovacionada quando o nome foi anunciado. Abaixo dela, Fernando Haddad. Para os demais, as palmas foram tímidas, pouco mais que protocolares.

O Eurasia Group, consultoria de risco político, bate mais palmas do que os convencionais para o candidato que o PT vier a lançar se Lula for mesmo vetado. Terá “grandes chances relativas de ir ao segundo turno”, diz em nota desta semana.

Mas falar de plano B é proibido no PT, como diz o vereador e candidato a senador Eduardo Suplicy. O partido, aliás, não é mais o mesmo: seu manifesto de fundação dizia que “o PT pretende ser uma real expressão política de todos os explorados pelo sistema capitalista”.

Trinta e oito anos depois, o PT é Lula, o presidente que cansou de dizer que nunca antes na história do Brasil os capitalistas ganharam tanto dinheiro quanto no governo dele.

O programa em elaboração para a campanha presidencial, pouco explorado na convenção, talvez por ainda incipiente, passa muito longe da condenação ao sistema capitalista. É até bem burguês: diz que “é preciso investir para acelerar a economia, com inflação controlada, crédito disponível, juros baixos e geração de emprego.”

Convenções nunca são bom termômetro para avaliar a saúde de um partido, por ser reservada aos militantes, já convertidos.

Mas, à margem dela, parece claro que o partido não perdeu capacidade de atração: no número mais recente de Nueva Sociedad, a revista da social democracia alemã, Esther Solano Gallego (Universidade Federal de São Paulo) relembra dados de pesquisas feitas em duas mobilizações em São Paulo em 2016, predominantemente de jovens: “Quase 90% dos participantes concordam total ou parcialmente com a ideia de que o PT é corrupto; por outro lado, mais de 90% afirmam que as políticas do PT melhoraram a vida dos brasileiros”.

Na convenção, a primeira constatação não passou nem perto. E a segunda foi atribuída inteiramente a Luiz Inácio Lula da Silva, razão poderosa para rezar por sua volta (como “eterno” candidato) até o último minuto possível.