sábado, 19 de agosto de 2017

A transição pós-PT, o presidencialismo de cooptação e as penas que voam no ninho tucano

Não chega a espantar toda a polêmica e o stress causado pela mais recente propaganda partidária do PSDB, mencionando genericamente os erros que a legenda teria cometido (sem, contudo, listá-los) e criticando o "presidencialismo de cooptação" - que, segundo o programa tucano, neste momento em que é preciso pensar no país, deveria ser substituído pelo parlamentarismo.

Quem acompanha o dia-a-dia da política sabe da divisão partidária existente entre os defensores e partícipes do governo do presidente Michel Temer contra aqueles que cobram o desembarque e a coerência de continuar se opondo aos desmandos e esquemas ilícitos que apenas mudaram de mãos com a troca de mandatário no mesmíssimo consórcio do poder instalado em Brasília.

A crise interna do PSDB é, em maior ou menor grau, reprodução da crise da política e da democracia brasileira, com seus reflexos nos partidos, nas instituições e em toda a sociedade organizada. A realidade opõe quem defende fazer a transição pós-PT dentro deste governo, fechando os olhos e tapando o nariz para a má companhia ocasional, como se os fins justificassem os meios, àqueles que consideram absurdo e inaceitável servir de base de sustentação para os cúmplices de Lula e Dilma por 13 anos, igualmente implicados nas investigações da força-tarefa do Ministério Público, da Polícia Federal, do Judiciário e da Procuradoria-Geral da República.

Uma coisa é certa: do lado de cá, consideramos o petismo águas passadas e queremos avançar. A divergência é sobre como (e com quem) proceder essa transição. Do lado de lá, prossegue a retórica do golpe e o discurso do vitimismo, na tentativa desesperada de sobrevivência após a avalanche de denúncias, delações e condenações. No meio há um fosso enorme aberto pela Operação Lava Jato, que deve servir exatamente para separar os dois lados: e quem, pelos mais inconfessáveis interesses, quiser dar as mãos ao lado oposto para se salvar mutuamente, que afunde solidário, mas não nos puxe junto.

Isso posto, registrado o nosso apoio incondicional à Lava Jato e à punição exemplar de todos os envolvidos em irregularidades, estejam eles no PT, no PMDB, no PSDB ou na "pqp", voltemos à polêmica da propaganda tucana. Primeiro, uma constatação sobre o formato: o programa feito todo (e apenas) por atores reforça a aversão à política. Passa um atestado da falência da nossa democracia representativa e da miséria dos partidos. Isso é bom? É desejável?

O PSDB afirma e reafirma: Errou! - e a mensagem repetida é a que fica, afinal. "Está na hora de pensar no país", o programa também repete. Então quer dizer que até agora não pensava? (Hmmmm) Houve ruído para fora e para dentro. Voou pena para todo lado. A peça produzida pelo publicitário Einhart Jacome da Paz - conhecido no meio político como cunhado e marqueteiro de Ciro Gomes nas suas incursões como candidato a presidente em 1998 e 2002, antes disso de FHC em 1994, e depois de Lula no 2º turno de 2002 - parece tão confusa e errante quanto o seu currículo profissional.

Diante disso tudo, a defesa do parlamentarismo soa frágil, como tábua de salvação dos políticos tucanos que foram escondidos no seu próprio programa. Há um vácuo entre a intenção da mensagem emitida e a percepção real do eleitor. Como comunicação isso é ruim. Muito ruim. Parece que o estrago que o PT fez à esquerda, o PSDB pode estar fazendo ao parlamentarismo. Tudo porque o discurso não combina com a ação. Não passa credibilidade.

O termo "presidencialismo de cooptação", que usamos há tempos em outros artigos por aqui e agora tanto desagrada os "players" do governo, incomoda exatamente porque coloca o dedo na ferida. Os cifrões nos olhos dos bonequinhos que representam os deputados na ilustração animada do PSDB indicam uma realidade que os mais pragmáticos preferiam omitir. O sistema político-partidário está falido, nossos partidos agonizam e as velhas lideranças batem cabeça. O passado resiste a partir e o futuro demora a chegar. Então, como agir neste momento? As mudanças se impõem. Mãos à obra.

Mauricio Huertas, jornalista, é secretário de comunicação do PPS/SP, diretor executivo da FAP (Fundação Astrojildo Pereira) e apresentador do #ProgramaDiferente

Cai o 4º vereador-secretário do time de João Doria

Assim como Soninha Francine (Assistência Social) e Patricia Bezerra (Direitos Humanos), que saíram mais por suas qualidades do que por qualquer defeito, ao reclamarem da forma açodada, irrefletida e por vezes imprudente do prefeito João Doria no esforço de se mostrar gestor e não político, também foram as virtudes do secretário do Verde e Meio Ambiente, Gilberto Natalini, que provocaram a sua queda precoce.

Não por acaso, os quatro secretários exonerados em oito meses de gestão são os mais "políticos", ao pé da letra, ou seja, todos os demitidos são vereadores, os políticos mais tradicionais, com mandato. Quatro dos cinco parlamentares escolhidos pelo prefeito para o secretariado já caíram. Além dos já mencionados, saiu também Eliseu Gabriel (Trabalho), que ocupava uma vaga destinada ao PSB e foi substituído pela também vereadora Aline Cardoso, do PSDB; e resta ainda o último dos moicanos (ops!) vereadores nomeados em janeiro, que é o tucano Daniel Annemberg (Inovação e Tecnologia).

A demissão de Natalini expõe um momento crucial da gestão do prefeito João Doria e também da sua relação com o Legislativo e com os partidos que o apoiam. Com a cada vez mais provável intenção de se candidatar em 2018 (embora negue, como manda a cartilha do bom gestor e do não político), as peças já se movem no tabuleiro como consequência do jogo eleitoral.

Comenta-se que Natalini, por ser de fato um ambientalista, gerava incômodo na relação do governo com o setor imobiliário e da construção civil, por ser intransigente no cumprimento da legislação, além de não embarcar nos truques publicitários como os muros verdes da Avenida 23 de Maio como substitutos das necessárias plantação de árvores e implantação de parques.

Também bateu de frente duas vezes com o presidente da Câmara Municipal de São Paulo, vereador Milton Leite (DEM), aliado preferencial do prefeito e que na prática atua como líder do governo, com muito mais poder de fogo que o líder "oficial", vereador Aurélio Nomura (PSDB). O secretário cobrou de Milton Leite R$ 9 milhões de multas ambientais e se opõe ao seu projeto de adiar por 20 anos a adoção de combustíveis menos poluentes pela frota de ônibus da cidade.

Agora, atenção: Os nomes cogitados para substituir Natalini são um grande desserviço para a agenda ambiental: segundo divulgado hoje pela imprensa, um possível acerto político com o PR pode levar à nomeação, para a Secretaria do Meio Ambiente, do ex-ministro dos Transportes, Antonio Carlos Rodrigues, ou do vereador Toninho Paiva. Para um gestor que pretende se desvincular da "velha política", nada mais incoerente. (Câmara Man)

sexta-feira, 18 de agosto de 2017

Protesto criativo nas ruas ataca projeto poluidor do presidente da Câmara de SP, vereador Milton Leite

No dia em que a Câmara Municipal de São Paulo realizou uma audiência pública sobre o substitutivo do PL 300/2017, de autoria do presidente da Casa, vereador Milton Leite (DEM), que aumenta em 20 anos o prazo para que a frota de ônibus urbanos tenha tecnologia para combustíveis mais limpos, a cidade amanheceu com um protesto criativo e emblemático: máscaras contra a poluição nas estátuas da cidade.

Na missão inglória de convencer a população, a imprensa, os demais vereadores e os movimentos ambientalistas de que seu projeto é viável e necessário, Milton Leite fez uma apresentação por mais de três horas para defender o indefensável: que a poluição dos ônibus, comparativamente, causa menos danos que a dos caminhões e dos automóveis; o que justificaria, portanto, o seu projeto por um prazo maior para as concessionárias do transporte coletivo cumprirem os prazos da lei.

Para entender melhor: o projeto de Milton Leite propõe basicamente alterar os artigos 50 e 51 da Lei 14.933, de 5 de junho de 2009, a chamada Lei de Mudanças Climáticas.

A intenção do vereador - com seu mandato vinculado a empresas e cooperativas de transporte urbano - é modificar o cronograma para a implantação de uma frota de ônibus menos poluente na cidade: a lei de 2009 previa a substituição de 10% da frota anualmente, até que em 2018 nenhum veículo de transporte coletivo municipal dependesse exclusivamente do óleo diesel. Entretanto, esta lei não vem sendo cumprida. Hoje, menos de 7% dos ônibus da capital paulista se enquadrariam nas exigências da legislação.

Pela proposta de Milton Leite, a partir de 2018 todos os ônibus deverão ser abastecidos com a mistura B 20, ou seja, 20% de biodiesel no diesel convencional. Já em relação aos ônibus elétricos, a introdução da nova tecnologia (recomendada por especialistas em energias sustentáveis) começaria apenas em 2023, com a inserção de 75 novos veículos. Uma frota completa de ônibus elétricos - com pelo menos 1500 veículos movidos à bateria ou energia cabeada - só mesmo a partir de 2037.

Diversas entidades e organizações já se manifestam contrárias à alterações tão drásticas e permissivas na Lei de Mudanças Climáticas. Na audiência pública, a apresentação de Milton Leite foi contestada por entidades como o Greenpeace e, entre outros, pelos vereadores Police Neto (PSD), Reginaldo Tripoli (PV) e Soninha Francine (PPS) - mas todos concordam ao menos num ponto: a volta da inspeção veicular obrigatória como atenuante para a poluição. (Câmara Man)

Auditórios "offline" na Câmara de São Paulo

Deu no Câmara Man: Estranho que o recurso "auditórios online", do portal oficial da Câmara Municipal de São Paulo, esteja fora do ar há uma semana, exatamente desde o momento da saída dos ocupantes do plenário na sexta-feira passada, 11 de agosto.

Alô, vereador Milton Leite, presidente da Casa, acione aí seus técnicos em informática. Num momento em que seus próprios pares lhe acusam de censor, não parece oportuno mais este descuido com a transparência das atividades do Legislativo ;-)

Leia mais sobre a Câmara Municipal de São Paulo:

1) Presidente da Câmara, vereador Milton Leite age na prática como líder do governo, censura projetos polêmicos na pauta e vota apenas homenagens, denominações e datas comemorativas

2) Vereador Camilo Cristófaro quer homenagear com nome de rua o próprio pai, seu homônimo: Coronel Camilo Cristófaro Martins :-)

3) Pauta de datas comemorativas trava no Dia da Visibilidade Lésbica

Casagrande e seus demônios no #ProgramaDiferente



O #ProgramaDiferente desta semana é um especial sobre o eterno ídolo corinthiano e comentarista de futebol da Rede Globo, Walter Casagrande Junior. Ele promove uma série de debates pelo Brasil sobre o tema do livro "Casagrande e Seus Demônios", que relata os dramas e a luta do ex-atacante da seleção brasileira contra as drogas. Um dos idealizadores da "Democracia Corinthiana" na década de 80, ele também falou à reportagem sobre os "demônios da política". Assista.

Registramos com exclusividade uma dessas palestras de Casagrande sobre a sua experiência com as drogas, num bate-papo mediado pela jornalista e apresentadora Mariana Godoy (veja aqui alguns trechos inéditos), marcado pela lembrança de momentos inesquecíveis com outro ídolo do futebol mundial, o amigo Sócrates, além de passagens gloriosas como jogador e cidadão formador de opinião.

O evento contou também com a participação do ex-senador e atual vereador paulistano Eduardo Suplicy (assista), que levou à palestra um jovem em processo de recuperação do vício, sobrinho do ambulante Luis Carlos Ruas, espancado e morto na estação Pedro II do metrô paulistano no dia de Natal.

terça-feira, 15 de agosto de 2017

O juiz Sergio Moro e a ministra Cármen Lúcia são as atrações do Fórum Mitos & Fatos, em São Paulo



O juiz Sergio Moro e a presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Cármen Lúcia, são as principais atrações do Fórum Mitos & Fatos Justiça Brasileira, que reúne especialistas e nomes importantes do judiciário, além de pensadores do direito e do mundo dos negócios no Brasil, organizado pela Rádio Jovem Pan nesta terça-feira, 15 de agosto, em São Paulo.

Quais são os fatos e os mitos que devem ser desfeitos, confirmados e debatidos para o aperfeiçoamento da Justiça no país da Operação Lava Jato? Quais as mudanças nas estruturas das empresas após os sucessivos escândalos de corrupção? Esse é o mote do evento onde a ministra do STF garantiu querer “mudar o Brasil” e não querer se “mudar do Brasil”, enquanto Moro afirmou que “as pessoas perdem a fé na democracia quando veem que a trapaça é regra” e negou qualquer pretensão eleitoral para 2018.

O #ProgramaDiferente, da TVFAP.net, acompanhou todo o evento e apresenta alguns dos melhores momentos, como a íntegra da palestra do juiz Sergio Moro e também a conversa com o jornalista Augusto Nunes (na sequência de perguntas e respostas com Cármen Lúcia e Sergio Moro). Assista.



Vereadores retornam ao plenário após ocupação de 48 horas contra a gestão do prefeito João Doria

Após o fim da ocupação do plenário da Câmara Municipal de São Paulo - que durou dois dias, de quarta a sexta-feira, 11 de agosto - os vereadores voltaram ao trabalho debatendo as reivindicações dos manifestantes.

A sessão desta terça-feira, 15 de agosto, foi marcada pelos discursos dos vereadores de situação e oposição. A intenção é votar uma pauta de consenso nesta quarta-feira, 16 de agosto, que pode incluir alguma medida que atenda parte da demanda da ocupação.

Antes da sessão ordinária, no chamado "colégio de líderes", como havia sido acordado com o presidente da Câmara, vereador Milton Leite (DEM), a presidente da UEE (União Estadual dos Estudantes) do Estado de São Paulo, Nayara Souza, falou por cinco minutos como representante dos manifestantes que ocuparam o plenário por 48 horas.

Os protestos foram contra o pacote de privatizações e concessões da gestão do prefeito João Doria (PSDB) e contra mudanças no passe livre dos estudantes. A principal reivindicação é para que sejam convocados plebiscitos para que a população decida se a Prefeitura deve ou não fazer concessões e parcerias para a gestão de parques municipais, por exemplo.

Há na Câmara três projetos de plebiscitos já protocolados por parlamentares do PSDB, do PT e do PSOL. Vereadores da situação e da oposição debateram a proposta e divergiram sobre a necessidade de plebiscito, sendo que há uma série de audiências públicas sendo realizadas, com direito à participação dos cidadãos interessados em se manifestar.

sexta-feira, 11 de agosto de 2017

Cortella: Ser pai é... #ProgramaDiferente



O #ProgramaDiferente Especial do Dia dos Pais trata do tema "Família: urgências e turbulências". É este também o nome do novo livro do filósofo Mario Sergio Cortella, que fala sobre os problemas familiares mais comuns nos dias de hoje. Como estabelecer um convívio civilizado entre pais e filhos? Como educar os jovens? Um bate-papo direto e reto, informal e bem humorado. Família é tudo igual, só muda de endereço. Ser pai é... Assista.

Esses jovens tão maduros: segue a ocupação do plenário da Câmara de São Paulo, agora com respaldo de liminar do Judiciário (leia até o fim... rs)

Deu no Câmara Man: Como se sabe, jovens representantes de diversos movimentos sociais e organizações de estudantes se reuniram e, aproveitando a entrada liberada para uma audiência pública, na quarta-feira, 9 de agosto, ocuparam o plenário da Câmara Municipal de São Paulo.

Espalharam suas faixas, fizeram barricadas com cadeiras e, com apoio declarado de parlamentares e dirigentes do PT, do PSOL e do PCdoB, além de figuras carimbadas do movimento popular como o padre Júlio Lancellotti e a autodeclarada imprensa livre (a mesma da retórica do golpismo contra o governo petista), tomaram aquela que é chamada de "casa do povo" - ou que oficialmente recebe o pomposo nome de Palácio Anchieta.

O motivo anunciado da ocupação é um protesto "do povo" contra o pacote de privatizações e concessões do prefeito João Doria (PSDB) e a favor do passe livre, mote idêntico ao já histórico movimento das ruas em 2013.

Comunicam-se pelas mídias sociais, através de suas próprias páginas e perfis pessoais. Fingem desprezar a grande imprensa, mas vibram de satisfação quando aparecem nos telejornais da Rede Globo ou na capa da Folha de S. Paulo - a tal mídia golpista que ora eles odeiam, ora amam, num comportamento bipolar tipicamente adolescente.

Fazem suas próprias regras e zelam pela imagem. Duas horas depois da ocupação, na quarta-feira, reclamavam estar sob rigorosa greve de fome (sem comida e sem água) imposta pelo presidente da Câmara, vereador Milton Leite (DEM), enquanto as imagens do Câmara Man desmentiam o discurso vitimista: bolachas, sucos e salgadinhos circulavam livremente pelo plenário, além do livre acesso aos banheiros e aos filtros de água da Casa.

Diga-se, aliás, que tentaram impedir a presença de jornalistas. Fecharam o acesso da sala de imprensa e ficaram indignados com a "reocupação" do espaço livre dos profissionais (nota do autor: precisam aprender melhor o que é liberdade e democracia, meninos).

O acesso da chamada grande imprensa também foi limitado (estranhamente, com apoio da presidência da Câmara). Fotógrafos, cinegrafistas e repórteres foram liberados apenas para uma "entrevista coletiva" (nos moldes de Lula, uma "entrevista" sem perguntas), que na verdade era um jogral - a declamação coletiva do manifesto "oficial" escrito ali na hora, com auxílio dos parlamentares ditos de esquerda, advogados e orientadores mais experientes de sindicatos e movimentos organizados como o MTST.

A Câmara tentou garantir na Justiça a reintegração de posse para desocupar o plenário. Uma liminar, porém, dá cinco dias para os ocupantes deixarem a Câmara. Bingo! Que orgulho para os defensores da causa! A ocupação segue: contra a política tradicional e agora com respaldo do Judiciário! O resultado saiu melhor que a encomenda! Visibilidade na mídia e repercussão no país inteiro para os novos heróis da geração do iPhone 7. Assista aqui online.

São, definitivamente, jovens maduros*!

(*Agora interprete o significado: quem defende a ocupação, elogia a consciência e a politização dos jovens, cuja eficiência e repercussão do ato supera até mesmo o modelo adulto; quem critica, aponta o DNA totalitário destes jovens projetos de ditadores, à la Nicolás Maduro. Julgue você mesmo...)

quarta-feira, 9 de agosto de 2017

Oposição ao prefeito João Doria ocupa plenário da Câmara de São Paulo contra privatizações

Movimentos "populares" como o MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto) de Guilherme Boulos e entidades vinculadas ao PT e ao PSOL, como a União Nacional dos Estudantes e a União Estadual dos Estudantes, ocupam o plenário da Câmara Municipal de São Paulo contra o pacote de privatizações e concessões do prefeito João Doria (PSDB).

Os ocupantes prometem não sair do plenário, inviabilizando a realização das sessões da semana. Vamos acompanhar como a Mesa Diretora e o presidente da Câmara, vereador Milton Leite (DEM), bem como os demais líderes partidários, vão contornar o problema.

Os mesmos grupos já ocuparam a Assembleia Legislativa de São Paulo, no ano de 2016, reivindicando na época a chamada CPI da Merenda. (Câmara Man)

Vereador Claudio Fonseca é o novo líder do bloco PPS/PHS na Câmara Municipal de São Paulo

O vereador Claudio Fonseca (PPS) é o novo líder do bloco PPS/PHS na Câmara Municipal de São Paulo. A decisão, endossada pela direção paulistana dos dois partidos, foi oficializada em requerimento assinado pela vereadora Soninha Francine (PPS) e pelo novo líder, substituindo na função o vereador Zé Turin (PHS), que exercia a liderança desde a formação do bloco, no início de fevereiro deste ano.


Câmara de São Paulo vai votar pacotão de projetos de vereadores nesta quarta e tenta acordo para aprovar CPI; vereador Claudio Fonseca (PPS) tem proposta

Uma semana após o fim do recesso parlamentar de julho na Câmara Municipal de São Paulo, os vereadores anunciam para esta quarta-feira, 9 de agosto, a aprovação de um pacotão de projetos de lei em primeira votação, por acordo de lideranças.

Cada parlamentar apresenta as suas propostas prioritárias e aqueles PLs que não tiverem obstrução serão votados.

Para a próxima semana, a intenção é aprovar mais um pacote de projetos de vereadores, dessa vez reunindo PLs em primeira e segunda votações.

Outra pendência é escolher - também por acordo, se possível - um entre os 15 requerimentos de CPI apresentados, com favoritismo para a chamada CPI da Máfia da Cidade Limpa, que teve três pedidos protocolados: o primeiro pelo vereador Eduardo Tuma (PSDB) e outros dois pelas bancadas do PT e do PSOL.

O vereador e professor Claudio Fonseca (PPS) tenta emplacar a CPI da Terceirização da Educação, para investigar os convênios firmados no ensino municipal.

Já há três CPIs em funcionamento (Feira da Madrugada, Vulnerabilidade das Mulheres e Divida Ativa). Segundo o regimento interno, podem ser realizadas até cinco CPIs ao mesmo tempo.

Durante esta semana e a próxima também seguem acontecendo as audiências públicas sobre os projetos de privatização e concessões de equipamentos e serviços municipais, apresentados pelo prefeito João Doria (PSDB). O assunto é polêmico e, justamente por isso, para que não trave a pauta, o presidente da Câmara, vereador Milton Leite (DEM), decidiu colocar em votação apenas projetos dos vereadores neste período pós-recesso. (Câmara Man)

Atravessou o samba na Câmara: Adilson Amadeu apresenta mais um projeto de restrição aos aplicativos de transporte e ataca nominalmente o colega Caio Miranda Carneiro e o Poder Judiciário de São Paulo

Na pauta de projetos da Câmara Municipal de São Paulo que devem ser aprovados em votação simbólica nesta quarta-feira, 9 de agosto, um apanhado de ideias que chovem no molhado e agrados endereçados ao eleitorado específico de cada vereador.

Por exemplo, com a proposta de "incentivo às comunidades de samba" (PL 311/2016), de autoria de Alfredinho (PT) e Milton Leite (DEM), ou com mais um ataque explícito ao aplicativo Uber, chamado de monopólio de consequências nefastas pelo "defensor dos taxistas" Adilson Amadeu (PTB) no PL 55/2017, que limita os motoristas do sistema a 20% do número de taxistas, entre outras barreiras como a adoção de placa vermelha, obrigatoriedade do licenciamento na cidade e identificação visual dos carros - o que na prática inviabiliza o atual modelo do serviço.

Até mesmo a adoção de corridas grátis e de outras promoções que reduzem bastante o preço da corrida, que sempre foram os principais atrativos da Uber para fidelizar seus usuários, seriam proibidos se este projeto virar lei, segundo o vereador proponente, para combater a "concorrência desleal" e "afastar a infração à ordem econômica pela prestação do serviço de transporte privado individual de passageiros injustificadamente abaixo do preço de custo ou com abuso da posição dominante, inclusive por meio da regulação dos preços praticados, possibilitando assim o reequilíbrio do mercado e a subsistência de todos os prestadores de transportes individuais remunerados."

Na justificativa do seu projeto, Adilson Amadeu critica inclusive que "o Poder Judiciário Paulista tem se curvado ao ´novo´ modelo, sob o fundamento de que se trata de transporte privado individual, avalizando que a proibição encerra transgressão aos princípios constitucionais da livre iniciativa e da livre concorrência."

Se não bastasse propor a descaracterização dos aplicativos de transporte na cidade, Adilson Amadeu ataca nominalmente os vereadores que defendem o serviço. Nesta terça-feira, repreendeu duramente o jovem colega Caio Miranda (PSB), que havia defendido o uso de aplicativos e criticado as restrições impostas por lei, tachando-o de "filhote de procurador" e vereador atrelado à Uber, e veja só a ironia involuntária: o parlamentar atacado - eleito com forte campanha nas mídias sociais - é também cantor do bloco carnavalesco "Vou de Táxi". (Câmara Man)

segunda-feira, 7 de agosto de 2017

#ProgramaDiferente Especial: Reforma Política, o exemplo de Franco Montoro e o Parlamentarismo



O #ProgramaDiferente desta semana mostra um movimento de apoio ao Parlamentarismo, além de homenagear um de seus mais fiéis e entusiasmados defensores, o ex-governador André Franco Montoro, no centenário do seu nascimento. Um sistema de governo presidencialista ou parlamentarista, em meio a esta crise que o Brasil vive, é um tema que precisa ser debatido junto com a reforma política. Assista.

Acompanhamos o lançamento da Frente Parlamentar Franco Montoro, na Assembleia Legislativa de São Paulo, e ouvimos com exclusividade o seu coordenador, deputado estadual Davi Zaia (PPS/SP); o ex-deputado federal e presidenciável do PV, Eduardo Jorge, autor da Proposta de Emenda à Constituição 20/1995 que estabelece o parlamentarismo no Brasil; e o deputado estadual Roberto Tripoli (PV/SP); todos militantes convictos da tese.

Este programa especial que discute o parlamentarismo enriquece a reflexão sobre a reforma política com as opiniões do presidente Michel Temer, do historiador Marco Antonio Villa, do jornalista Reinaldo Azevedo e do próprio Franco Montoro, em trecho de uma entrevista memorável ao jornalista Carlos Chagas, falecido no início do ano.

Também fizemos a cobertura do lançamento do livro "A Pátria em Sandálias da Humildade", do jornalista Xico Sá, marcado por um bate-papo sobre futebol e jornalismo com seus convidados Juca Kfouri e Matthew Shirts. Aproveitamos a oportunidade para conversar com os três amigos, além das também jornalistas Astrid Fontenelle e Leda Nagle, sobre política, o atual momento do Brasil, a televisão brasileira e as mídias sociais.

sexta-feira, 4 de agosto de 2017

Momento #VergonhaAlheia na Câmara dos Deputados



Sempre pode piorar: a imagem da política, dos políticos e do Congresso, que nunca foi das melhores, despenca dia a dia. Mas a bizarrice dos deputados em votações importantes - como o arquivamento das denúncias contra o presidente Michel Temer, assim como já havia acontecido no impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff - expõe todo o ridículo da nossa democracia representativa. Um show de horrores!

No ranking da #VergonhaAlheia disparou o deputado Wladimir Costa, do Solidariedade do Pará, com a já famosa tatuagem pró-Temer, sua atuação histriônica no plenário e o flagrante de suas conversas no whatsapp pedindo fotos de bundas de mulheres na sessão que preservou o mandato de Temer na Câmara dos Deputados. Nada mais emblemático para o atual estágio da política brasileira.

A bancada do PPS votou praticamente unida pela continuidade das investigações contra o presidente no Supremo Tribunal Federal. Foram nove votos (Alex Manente, Arnaldo Jordy, Carmen Zanotto, Eliziane Gama, Marcos Abrão, Pollyana Gama, Roberto Freire e Rubens Bueno) contra apenas um pelo arquivamento, do deputado baiano Arthur Maia, o relator da reforma da Previdência.

Veja aqui os votos dos deputados do PPS - e repare que (quem, senão ele) o deputado Wladimir Costa aparece como "papagaio de pirata", postado ao lado do microfone durante a declaração dos votos, como se fosse intimidar alguém com a sua truculência e a sua bajulação ao presidente, retratada nesta matéria especial do #ProgramaDiferente sobre a votação desta quarta-feira, 2 de agosto. Mais um triste momento da nossa política. Assista.

quinta-feira, 3 de agosto de 2017

Bom debate: "Refundar a Esquerda Democrática"

Depois de fundada pelo Partidão na década de 20, aprofundada pelo Partido dos Trabalhadores na década de 80, infundada pela clonagem de legendas com o mesmo DNA petista nas décadas de 90 e 2000, e finalmente afundada pelos chamados governos de coalizão (feat corrupção) de Lula e Dilma, parece ter chegado a hora de refundar a esquerda brasileira com os sobreviventes deste período paleolítico e potenciais agregados, como jovens ativistas, sustentabilistas, sociais-democratas e hackers da nova política.

Não que seja tarefa simples, a começar pela definição do que é ser de esquerda ou de direita hoje. Diante da complexidade do mundo atual, o binarismo idelológico se torna cada vez mais obsoleto, extemporâneo e inconclusivo. Isto se já não bastasse, além do fracasso do socialismo no mundo, o PT ter enxovalhado esse conceito teórico sem nunca ter executado minimamente um programa de esquerda - vide os exemplos petistas em administrações municipais, estaduais e no governo federal.

As experiências mais próximas vivenciadas pelo Brasil com o que se convencionou chamar de esquerda não passaram de discursos oposicionistas e, no governo, de flertes esporádicos: com o trabalhismo populista de Getúlio Vargas, a brevidade de Jango entre o parlamentarismo oportunista e o golpe de 64, e posteriormente com os acenos à social-democracia de FHC e Lula, sendo o tucano - que surfava na onda do Real - prejudicado pelo casamento arranjado com o PFL e por episódios como a compra de votos para a reeleição; e o petista, apesar do sucesso de políticas compensatórias e ações de combate à miséria, por ter se rendido a tudo aquilo que o PT prometia enfrentar desde a sua criação.

Fato é que chegamos a esta crise sem precedentes - o que leva a população a condenar genericamente, não sem razão, a política e os políticos, mas sobretudo a esquerda, cujas ideias jamais foram implementadas por aqui. Eis o desafio de quem ainda busca vida inteligente na terra arrasada da democracia representativa brasileira, com algum viés esquerdista: a opção pela redução das desigualdades, pela justiça social, pela cidadania plena, pela distribuição de renda, pela promoção da cultura da paz, pelo papel regulador do Estado e até pela manutenção da utopia - características que em geral a direita despreza.

É neste contexto, por exemplo, que o filósofo Ruy Fausto apresenta o livro "Caminhos da Esquerda" - que a grande imprensa tem debatido - e que outros grupos vem se reunindo para tentar ir além do debate político partidarizado, polarizado, raivoso e estéril, dispostos a encontrar alguma luz no fim do túnel para transportar os ideólogos da esquerda democrática da atual arena visceral para um campo vicejante.

Se é desalentador um cenário em que as primeiras sondagens para 2018 apontem a força crescente de um Bolsonaro à direita ou a teimosa e renitente popularidade de Lula quase como um novo Macunaíma, o herói sem caráter da esquerda preguiçosa, também é verdade que chegou o momento de agir com firmeza e efetividade para construir uma alternativa melhor.

A luz que o eleitorado busca não pode ser, à esquerda, o fogo-fátuo da decomposição petista, nem o farol da direita bolsonarista que se apresenta como trem-bala mas não passa de maria fumaça. Para repor a esquerda nos trilhos, também parece pouco adequado depositar esperanças nos maquinistas de trem-fantasma Guilherme Boulos e Ciro Gomes, que se lançam com ações e pensamentos descarrilados.

Exercícios de futurologia à parte, o mais provável é que o próximo eleito seja um nome do atual sistema - até porque a necessária reforma político-partidária não deve avançar muito além dos limites protecionistas e do instinto de sobrevivência dos atuais congressistas. Alguém tarimbado e de perfil mais próximo do centro, evitando as saídas mais extremistas, é o que se busca na maioria dos partidos.

A centro-direita busca uma peça confiável na plataforma mais tradicional (Geraldo Alckmin, Rodrigo Maia ou Henrique Meirelles, por exemplo) ou reconfigurada (João Doria). A centro-esquerda não descarta um movimento de código aberto (lança balões de ensaio como Joaquim Barbosa e busca outras figuras do meio jurídico para a vaga de vice), mas deve mesmo optar por algum relançamento: Marina Silva, Eduardo Jorge, Fernando Gabeira, Cristovam Buarque e até Fernando Haddad são nomes sempre bem cotados.

Outra opção seriam os outsiders da política, salvadores da pátria que surgem como astros com luz própria e acabam quase sempre com o brilho efêmero de um vaga-lume. Historicamente podem se dar bem com um banho de marketing "collorido", como ocorreu em 1989 com o fictício caçador de marajás que se tornou presidente do Brasil. Mas o fim dos aventureiros costuma ser trágico e a eleição presidencial não pode servir como startup de malucos. Por isso é hora de reinstalar o sistema da esquerda democrática, eliminando os bugs da velha política.

Mauricio Huertas, jornalista, é secretário de comunicação do PPS/SP, diretor executivo da Fundação Astrojildo Pereira (FAP) e apresentador do #ProgramaDiferente